Capitulo II: Setsugekka - Neve, Lua e Flores -

A brisa do litoral da Grécia invadia suas narinas e tocava seus cabelos agora novamente brilhosos e sedosos, na varanda de um hotel a beira do oceano, via o mar se abrir, via as mulheres a se banhar e crianças a correr por todo lado na praia abaixo dele. Avaliava um monte de papéis sentado confortavelmente, sem camisa, o suor com cheiro de perfume caro escorria em seu peito bem trabalhado, a calça desabotoada enquanto desfrutava de um bom vinho e lia sobre possíveis lugares para começar a correr atrás de seu novo alvo.

Na cama havia uma mulher linda, que ele havia seduzido noite passada apenas para se lembrar de como era bom naquilo e de como era bom uma boa noite de sexo sem compromisso. A tal moça estava toda esticada e nua, o lençol cobri-a pobremente e aparentava estar bem cansada, o que o fazia sorrir brevemente. Não iria acordá-la do seu mundo dos sonhos.

Logo traçou um plano de ação, e logo recebeu a ligação que precisava, ele, estava se movendo. Esticou-se, estralou o pescoço, abriu o notebook e começou a caçar aonde seu "amiguinho" estaria indo...

Hum...Itália, aqui do lado...Vamos trabalhar. – Disse rápido.

Enfiou meia dúzia de roupas na mala, outras compraria, avisou a portaria para deixar o seu carro pronto. Escolheu um conjunto de roupas claras e pegou o celular, beijou a face rubra da jovem e tocando-lhe as pernas, sussurrou em seu ouvido:

- Sweet Dreams... – E dando um selinho rápido para que não despertasse, saiu.

Desceu rápido, tinha dinheiro suficiente agora e também um objetivo, o Tigra já o esperava na porta, jogou a mala no banco traseiro e arrancou o carro com pressa, precisaria se cruzar com Leon a fim de achar quem desejava.

-X-

Leon desembarcou cedo em uma cidade ao sul da Itália, aquele país era um dos únicos que admirava mais do que a França. Tratou de pegar um táxi e ir em direção a um dos portos da região que o levariam a ilha na qual pretendia achar Layla, mas mal sabia ele de que estava sendo perseguido por um de seus piores conhecidos.

Não demorou e no final da tarde já estava chegando na costa da ilha, ela parecia seca e perdida no tempo, carregava consigo certo encatamento da região que ele pouco conhecia, lembrava que ele deveria ter recusado aquele convite...

Nem sempre devemos recordar daquilo que se deseja, às vezes a dor de se lembrar é muito maior do que quando se viveu aquele momento.

Logo ao chegar viu uma garotinha no cais, tão linda e pura, carregava o crepúsculo consigo, quando a viu, nem que fosse pelo mais curto dos momentos sentiu-se "em casa".

- Layla... – Ao dizer isso a garota que antes só via o mar o encarou, pareceu uma eternidade e uma dor cortou-lhe o peito, foi o tempo de ela sumir – Não, ela jamais teria ouvido...

Subiu a escada do morro a frente do cais rumo a cidade e atento a ela, mas não a viu, o mundo lhe pregava uma peça cruel. Chegou a uma pousada bem aconchegante onde passaria a noite para que na manhã seguinte pudesse ir bater a porta da casa dela.

- Amanhã... – Resmungou enquanto se revirava na cama buscando um sono que nunca viria a não ser que fosse cercado de pesadelos dela.

-X-

Era madrugada quando Julian desceu do barco rumo a mesma cidade que Leon estava, não procurou coisas chiques ou que chamassem muita atenção, preferiu se hospedar numa pensão acima de um bar onde podia ver toda a rua principal além de ter uma boa rota de fuga para o mar. Já podia farejar algo, mentira, era muito improvável que Layla escolhesse um buraco como aquele se não fosse para esconder algo, mas ainda desconhecia esse motivo, tinha que saber da resposta o quanto antes para que soubesse exatamente "aonde pisar" sem que cometesse algum grande erro, como os de Leon, que deixou pistas para ele.

Não houve noite para eles, houveram pensamentos e probabilidades, tudo o que imaginavam cruzava seus pensamentos e memória.

-X-

Leon acordou apressado e preocupado, não sabia se aquilo era o correto a fazer, ela pediu que ele não viesse, talvez não devesse ir, mas já era vencido pela própria curiosidade.

Julian por outro lado acordou excitado e agitado, queria ver quem ou o porquê ela estava lá, desejava que logo Leon entrasse em ação, fosse atrás dela para segui-lo e assim o fez, saiu em direção a rua para se adiantar e esperar seu "amigo" e no caminho aproveitou para avisar Christine que em breve a acharia.

Perto das nove da manhã já estava ficando irritado de tanto esperar e nada da sua presa, sentado no quebra-mar observava as pessoas e num movimento rápido, bem longe de si, avistou uma garotinha de olhos penetrantes, azuis como a sombra do gelo e loira, que num passo sorriu e no outro sumiu. Julian não pensou duas vezes e logo saiu no encalço dela pelas ruas ensolaradas e pelas lojas recém abertas. Em questão de segundos a perdeu de vista, exausto e suando, parou ofegante em uma praça deserta.

Ouviu passos vindo de trás de uma árvore velha e retorcida mas bela e imponente e virando-se rápido viu os mesmos olhos tão precocemente pequenos se tornarem um longo e interminável caminho de gelo, era linda e delicada mas perigosa e astuta, o sol que atingia seus olhos os deixavam como num espelho, ele se via nele e ela o fitava sorridente. Um leve arrepio lhe subiu a espinha ela parecia um anjo mas vestida de criança, uma criança, saiu do transe momentâneo e logo sussurrou de forma que ela não ouvisse...

- Sinto cheiro de...

Mentira.

-X-

Todo de preto ele desceu do táxi na ruazinha da casa secreta de Layla. Por mais estranho que parecesse aquela casa era a cara dela, o jardim era colorido e cheirava adocicado, incrivelmente bem cuidado. Sorriu brevemente andando em direção ao portão baixo que abria de forma delicada ouvindo a madeira estralar, via a sua frente a porta principal da casa. Subia-lhe pelas pernas a vontade de não bater, de não provocar a tal "paz", ela poderia nem estar acordada às nove da manhã, mas se arriscou e bateu na porta.

Segundos se passaram e logo ele ouviu sons por trás dela e uma moça abriu-a delicada e sorridente, mas não era Layla. Por um lado ficou feliz, pelo outro preferiu tê-la visto, mas agora era só dar meia volta. Apoiou as mãos em ambos lados da porta e suspirou falando a moça:

- Não tem nenhuma Layla Hamilton aqui, certo? – parecia descontraído até que pelo fundo da sala viu uma moça loira, de olhos inflamados de azul descer as escadas secando o cabelo curto.

Era o perfume dela invadindo-lhe o nariz, de longe já era envolvente, amoroso e carregava algo "novo".

- Quem é na porta... – Não precisou de respostas, Leon estava lá, lindo e negro. O ar lhe faltou e num grito expulsou a moça da porta.

- Saía! Agora! Suma! – Desceu a escada correndo e o alcançou na porta, a moça assustada com aquela reação correu para os fundos da casa. Mediu-o por alguns segundos mas não pronunciou uma única palavra, nada lhe vinha a cabeça, somente a vontade de...

Engraçado, era assim como ele pensava, na noite em que tiveram a primeira noite juntos havia Lua, quando se separaram em Paris havia a neve e agora o cenário era regado a flores, como num poema trágico.


N/A: Mais um capítulo! Vou tentar publicar isso rápido para não correr o risco de demorar seis meses para postar um novo capítulo ¬¬'. E o já não está sendo tão mau comigo assim, agora eu estou conseguindo lidar melhor, acho que é falta de prática -n. Bem, nessa fic os títulos dos capítulos remetem a textos, músicas, poemas, sonetos e etc, que eu gosto e gostaria de compartilhar com vocês, por isso aqui vão as referências até agora:

Prólogo: De tudo o quanto amamos - Soneto de Paulo Bomfim;

Caítulo I: Quelqu'un M'a Dit - Título de uma música da Carla Bruni, que foi usada na trilha sonora da novela "Belíssima";

Capítulo II: Setsugekka - Neve, Lua e Flores - Música do cantor Gackt (que eu amo) que foi inspirada num poema trágico japonês.

Daqui para frente eu passarei a postar nos próprios capítulos os títulos que eu escolhi. Obrigada e reviews please! Kissus!