CAPÍTULO 3
Colapso vertiginoso(2.239 palavras)
A semana passou como um furacão para Merlin, com todo o trabalho de organizar dados e repassá-los com Arthur, mas em três dias estava tudo pronto, porém Merlin notava que Arthur não o deixava ir facilmente. Arthur não o deixava em paz, essa era a verdade.
Arthur ostentava uma beleza extrema, chegava perto demais sempre que queria apontar algum dado nos relatórios, deixando à vista um anel prateado que fez Merlin sonhar acordado algumas vezes, o homem era mais do que tentador, com aqueles estúpidos cabelos dourados, e seus estúpidos ombros fortes, e o pior de tudo: rindo alto das piadas de Merlin, expondo o pescoço e o pomo de Adão demais, para o bem de Merlin.
Na quinta-feira quando Merlin não esteve com Arthur ele sentiu falta, como se faltasse uma parte de si, mas tratou de ignorar o sentimento, apanhou uma lista e foi até o almoxarifado, lá encontrou o velho Kilgharrah.
- Olá garoto! Creio que já encontrou seu destino, eh? – Ele disse, um sorriso onisciente cravado no rosto enrugado.
- Bom sim, eu gosto da empresa, é... bem, tem sido desafiador. - Merlin não falaria nada para desagradar o funcionário mais antigo da Camelot's Corp.
- Não rapaz, eu não falo da empresa, embora seja algo a se considerar. Eu falo de Arthur. – O sorriso dele aumentou. – Sabe, eu sempre soube que seria você, desde que eu o vi. Você vai ajudar Arthur a construir um império.
Merlin olhou confuso. Gaguejou algumas vogais, mas nada saiu.
- Com o tempo você vai perceber. – Kilgharrah disse exibindo um sorriso paternal.
Merlin voltou ao seu andar, um pouco atordoado pelas palavras que ouviu. Arthur seu destino. Como se fosse! Não havia coisa mais absurda para ser dita, homens como Arthur nunca se interessavam por homens como Merlin. Nunca.
- X –
No final daquela semana, Merlin estava agradavelmente sentado entre Gwen e Mithian, quando Arthur apareceu no pub ladeado por Lancelot, o sorriso exuberante dava lugar a olhos cansados, Arthur parecia alguém que precisava de uma bebida e uma conversa para se sentir melhor.
Eles conversaram animadamente, a rigidez e a tensão do dia se diluindo aos poucos, Arthur ria alto de algo que Merlin havia dito, quando Gwaine chegou ao pub e sentou ao lado de Merlin.
- Hey vocês! Como conseguem relaxar com apenas uma bebida e conversa fiada! Francamente é como dar uma rapidinha com alguém muito quente: Simplesmente insuficiente! -sorrindo lascivamente ele olhava para Arthur diretamente. Merlin tentou ignorar seus sentimentos depreciativos, era óbvio que dois caras quentes poderiam sair juntos e... bem, melhor não pensar muito.
- Às vezes uma rapidinha pode ser um bom começo, Gwaine. – Arthur respondia um pouco corado, mas de queixo erguido e olhos brilhantes, ele olhou para Merlin e sorriu, um sorriso que fez coisas para Merlin que ele não poderia nomear.
- Bem então Princesa, quem sabe se saíssemos todos amanhã? Vamos comemorar sua Vice-Presidência ou o fato de termos nos livrarmos de Agravaine, certamente o segundo é um motivo mais... notável. O que me dizem?
Mithian automaticamente disse que já tinha compromisso, e Gwen respondeu que não gostava de andar sozinha. Merlin se encolheu sob o olhar caloroso que recebia de Arthur.
- Ok então pessoal, o plano é o seguinte: Eu busco Mithian, e não me diga que tem compromisso, desmarque a porra, nos livramos de Agravaine, você tem que comemorar isso, vamos lá! Lancelot, você busca Gwen. – Gwen corou loucamente e Lancelot tentou se afundar na cadeira - E Arthur... vamos dar um jeito sobre seu amigo embolorado e vai ser amanhã! Merlin, dê seu endereço para a Princesa aqui pegar você em casa.
- O quê? Não, eu não preciso que ninguém m...
- Cale a boca, Mer-lin. Você vem comigo, basta enviar seu endereço por SMS... – Arthur disse presunçosamente determinado.
- Quem está embolorado? - Perguntou Merlin debilmente olhando de Gwaine para Arthur.
- Você realmente deve querer saber, uh? – respondeu Gwaine malevolamente, sacudindo as sobrancelhas.
- X –
No quarto Arthur se olhava no espelho pela enésima vez, dava a volta sobre si mesmo e tentava se acalmar. Já tinha providenciado uma masturbação básica e revigorante, mas seu amigo descarado teimava em latejar duramente dentro da calça jeans.
Foda-se, hoje seria uma noite longa.
Ainda faltavam duas horas para pegar Merlin, a ansiedade consumia Arthur de formas inimagináveis, aliás, infelizmente imaginação não lhe faltou. Caminhou pelo corredor silencioso que o levava direto para a cozinha, lá colocou uma chaleira no fogo. Sim, chá poderia funcionar, enquanto esperava a água aquecer, foi até a sala e sentou no sofá, começou a jogar video game novamente. Ele já tinha feito isso durante a tarde, então, tudo bem, com chá preto e FIFA, duas horas passariam rápido!
- X –
Merlin bagunçou os cabelos, trocou de camiseta, trocou de tênis, duas, três vezes, depois sentou na cama, desolado. O que ele estava mesmo fazendo?
Era insano, estúpido e... degradante. Cristo... era degradante demais!
Ele estava ansioso para sair, sair com Arthur, esperando-o como se fosse uma colegial de filmes adolescentes que aguarda o par para o baile. O que ele esperava? Que Arthur olharia para ele? Era só o Big Boss, nada mais, o que ele ia querer com Merlin. Merlin desajeitado, Merlin que corava como uma menina, Merlin de orelhas grandes e sorrisos idiotas. O dia que caras como Merlin ficassem com caras como Arthur, choveria elefantes e acabariam as guerras do planeta.
Ele conferiu o relógio, pegou a jaqueta e seja o que Deus quiser, tentaria fazer o mínimo papel de idiota que pudesse. E mataria Gwaine, ah mataria, e com requintes de crueldade.
Ao chegar à frente de seu prédio avistou um insultante Jaguar vermelho, Merlin riu silenciosamente, era óbvio que Arthur teria um Jaguar. Porém o riso morreu quando, ao se aproximar, notou o homem escorado na lateral do maldito carro.
Arthur estava esplêndido, os cabelos espetaculares como nunca Merlin havia visto, ele vestia uma camiseta branca de gola V, deixando um vislumbre indecente de pelos aparentes, uma calça jeans azul escura, manchada propositadamente nas coxas... e, o sorriso quando ele viu Merlin, fez com que suas pernas tremessem. Merlin teria de enfrentar isso.
Arthur se antecipou sorrindo de forma ofuscante para Merlin, ele se sentia anestesiado pela imagem que Merlin formava, as calças pretas revelaram que Merlin não era tão magro quanto aparentava, e a camiseta marinho fez seus olhos ainda mais azuis, a boca hoje ainda mais tentadora do que nunca. E as orelhas... Arthur queria mordê-las escandalosamente.
Durante a viagem até a boate que Gwaine indicou, eles tentaram falar sobre amenidades, o clima, os resultados da rodada, etc, mas rapidamente a tensão era palpável. Enfim quando chegaram à boate, se encontraram com todos na entrada, cumprimentaram-se e partiram para a diversão.
Lancelot estava estranhamente alegre e sorridente, e Gwen cada vez mais relaxada em torno dele, Gwaine conversava animadamente com Mithian, ao que Merlin ficou devidamente surpreso, afinal ele pensava que Gwaine iria se desgarrar do grupo e sair em busca de diversão por conta própria. A noite foi prazerosa e agradável, Merlin riu como não fazia há eras, e Arthur estava tranquilamente relaxado, embora ainda sorrisse internamente recusando bebidas de álcool e assistindo Merlin fazer o mesmo.
Em algum momento da noite Arthur assistia Merlin dançar; o homem tinha uma elegância delirante sim, era algo lindo de se ver. Se movendo de olhos fechados, em comunhão com a música clubber que enchia o ambiente. Assisti-lo era uma tormenta e uma libertação ao mesmo tempo.
E assim ele se aproximou de Merlin, colando-se nas costas, passou os braços em frente ao peito do moreno, sentiu Merlin enrijecer o corpo, porém o incentivou a voltar aos seus passos, e o acompanhou em seus movimentos, Merlin descontraiu, lentamente.
Dançaram assim por horas, ou talvez tão perto do céu que o tempo não fez diferença. Foi alucinante sentir os músculos das costas de Merlin e seu coração palpitando logo abaixo das palmas das mãos de Arthur. Merlin estava enlouquecendo enquanto Arthur grudava o quadril no seu traseiro. A noite seria longa. Ou ambos ansiavam que fosse.
Em algum momento, Arthur obrigou Merlin a ficar de frente para ele, dançaram por uns minutos e Merlin, dolorido de desejo, decidiu que era demais. Ele aproximou os lábios dos ouvidos de Arthur, tentando sufocar todo e qualquer ímpeto do corpo traiçoeiro, e disse um pouco aflito.
- Arthur, eu... hum... acho que estou cansado, vou para casa. - Quando Arthur o encarou como se tivesse levado um soco, Merlin emendou apologético. – Não, não se preocupe... você pode ficar e se divertir, eu pego um táxi.
- Do que você está falando, seu idiota? Eu trouxe você, eu levo você! – Ele pegou Merlin pela mão e saiu rapidamente em meio às pessoas que dançavam na pista. De relance Merlin viu Gwaine beijando uma morena de curvas fabulosas, que não era ninguém menos do que Mithian.
Em instantes Arthur estava pegando as chaves com o manobrista, ele abriu o carro e Merlin sentou desajeitadamente no banco do passageiro. Fizeram o caminho de volta muito mais rápido do que da primeira vez, para desgosto de Arthur.
Quando já estava na porta do prédio de Merlin, ele percebeu algo inacreditável, Arthur lançava um olhar tão intenso que o fez tremer... um olhar... de desejo? Ele se sentiu inepto, seria melhor ir embora antes que se envergonhasse ainda mais. A ereção havia firmado residência na sua cueca, e ele já estava suado e entorpecido por causa da dança com Arthur.
Merlin fechou os olhos por um instante, criando coragem, e falou de um fôlego só.
- Você quer subir? Podemos, hum... para comer algo? Eu estou com uma fome enorme. – Óbvio, Merlin escolheu se envergonhar ainda mais.
- Sim, claro, também estou com fome. Muita fome de fato. – Arthur sorria de lado, mirando Merlin impetuosamente.
Merlin engoliu duramente, tentando se acalmar.
Quando chegaram ao flat de Merlin, ele correu encontrou fritas no congelador, colocou no micro-ondas e programou. Muniu-se de refrigerantes e foi para a sala, onde Arthur estava instalado confortavelmente no sofá.
- Bem, tenho cerveja, mas como você está dirigindo... e eu odeio ressaca...
- Refrigerante está ótimo para mim.
Porém quando Merlin esticou a mão com a lata, Arthur o puxou pelo braço. O fez cair no sofá, numa bagunça de pernas e braços, as latas caíram no chão e Arthur capturou os lábios de Merlin, o beijando sofregamente.
Merlin segurava os ombros de Arthur, em pânico por um momento, em seguida retribuía o beijo, quando de repente sentiu a mão de Arthur puxá-lo de pé. Explorando o que havia dentro das calças de Merlin, Arthur abriu o botão e enfiou a mão dentro da boxer de forma abrupta, Merlin soltou um lamento, vergonha queimando seu rosto por estar tão duro e molhado quanto possível, Arthur manteve o beijo e baixou a própria calça com uma agilidade impressionante.
Arthur precisava disso, ele queria Merlin tanto que doía. Tocou Merlin ávido e caprichosamente delicado. Ainda com as bocas coladas, Arthur reuniu com maestria ambos os pênis e começou a movê-los lentamente, Merlin suspirou em alto som, voz rouca, lamentosa, e retomou os beijos cada vez mais ardorosos, enquanto Arthur rezava para que suas pernas o sustentassem.
O atrito das carnes juntas deixou Merlin extasiado, ele tentou engolir a vergonha e juntou sua mão a mão de Arthur, o ajudando a encontrar um ritmo. Arthur então soltou e passou as mãos para o pescoço de Merlin, o beijando e lambendo seu lábio, e Merlin teve um momento para se recuperar, realização florescendo no fundo da sua mente: agora ele faria sozinho, Arthur estava deixando que Merlin tocasse ambos, Arthur queria que Merlin os levasse, em seu ritmo, ele não pôde evitar o contentamento insano que o preencheu, assim, acelerou os movimentos, as pernas trêmulas e fracas, mas a mão acentuadamente veloz.
- Desculpe, acho que isto vai ser rápido – Merlin arquejou, divertido e culpado.
- Eu não me importo, estou longe de precisar das preliminares. – Arthur respondeu e quando Merlin deu um puxão espetacular, Arthur derreteu – Ah, foda-se tudo... eu quero isso tanto...
A voz rouca de Arthur fez Merlin acelerar os movimentos ainda mais, ele olhou para a mão onde os dois pênis surgiam e desapareciam em velocidade espantosa, Merlin fechou os olhos e pressionou os pênis juntos com a mão, no momento em que Arthur afundou a língua, ainda mais exigente, dentro da sua boca e sorveu seus lábios com luxúria, Merlin encaminhou ambos para uma colisão de universos, um colapso vertiginoso de cores e emoções extasiantes, Merlin sentiu o líquido quente jorrar em sua mão, enquanto Arthur murmurava incoerentemente um mantra Merlin sim, oh doce Jesus, sim, sim porra. A voz de Arthur fez o orgasmo ainda mais glorioso.
Despencaram sentados, quase imediatamente, Arthur no sofá, e Merlin vergonhosamente no chão, arrumou as calças no lugar, tentando evitar o rosto de Arthur, por segundos que pareciam horas.
Até que Arthur quebrou o silêncio.
- Eu... preciso ir. – Arthur disse evasivamente. Merlin se ergueu do chão como se tivesse molas nos pés.
- Certo, ah, ok. – respondeu Merlin com embaraço evidente.
Ele acompanhou Arthur até a porta e deu um sorriso suave como despedida. Com um breve olhar, Arthur se foi, sem olhar para trás.
Merlin esperou o elevador fechar e bateu sua porta estrondosamente. Trêmulo de raiva e constrangimento. Correu para o banheiro e tomou um banho se amaldiçoando por estar se sentindo negligenciado e tão frio quanto as batatas fritas que há muito jaziam esquecidas dentro do micro-ondas.
