Capítulo 3
"Viver sem saber o que vai acontecer a seguir pode ser excitante,
mas ao mesmo tempo, apavorante ".
Sango havia se juntado aos 3, agora estavam na suíte de Inuyasha, bem dispostos na sala conversando, ou melhor, apenas os dois homens conversavam. Kagome prestava atenção às combinações que Miroku e Inuyasha faziam, ao mesmo tempo sua mente extremamente criativa pensava em uma boa historia que pudessem revelar publicamente. Milhões de idéias pipocavam em sua cabeça, mas ela tentava ser o mais racional possível, combinando apenas o que era mais coerente com a situação.
Estando confortavelmente envolta pelos braços de Miroku, Sango ainda tentava assimilar todas as informações que lhe foram despejadas naquele dia. Sua melhor amiga havia se casado com o melhor amigo do seu amante em uma capela em Las Vegas, e agora eles passariam por um casal apaixonado por algum tempo. Era loucura, mas completamente excitante, já que, particularmente, amava viver perigosamente, fazendo coisas insanas mas extremamente divertidas. A questão é que nunca imaginara Kagome fazendo isso, das duas ela era a mais centrada, ela era quem lhe colocava freios. Talvez por isso se davam tão em tudo o que faziam juntas, uma era o complemento para a outra.
Aquele final de semana seria inesquecível para elas. As duas haviam aceitado grandes aventuras, pois Sango se entregou de corpo e alma a uma paixão irracional, que, de acordo com sua política de vida, era suficiente naquele momento. Não precisava de justificativas para agir, se aquilo lhe fazia feliz, porque não se entregar?
Kagome pôde ver a mágica dos sentimentos que a dominavam, seus olhos transpareciam isso. Quem não soubesse poderia perfeitamente dizer que aqueles dois já estavam juntos há muito mais tempo. Eles pareciam muito à vontade fazendo companhia ao outro, era algo tão natural que poderia ser até assustador devido à situação.
Todas essas coisas passavam pela sua cabeça como um flash, mas ela não deixava de prestar atenção à conversa de Inuyasha, principalmente quando ele lhe dirigiu a palavra.
- Você se importa de voltar à Nova York, hoje?
- Ainda pergunta? Claro que não! – ela riu de um pensamento que passou por sua cabeça, e vendo que todos lhe lançaram olhares curiosos, querendo saber o que era engraçado, ela partilhou: - Sinto pena de você, Inuyasha, no momento em que pisarmos em solo, minha mãe vai estar a sua espera, cheia de perguntas, comentários e xingamentos para lhe fazer. Você vai ficar louco!
- Ah! Tenha certeza disso Inu! Ela tem um dom enorme para fazer isso. Olhe para K-chan... Não é a toa que ela é assim! - Kagome parou de rir mas Sango continuou. Sua amiga lhe fuzilou com os olhos, mas ela ignorou.
- Acho que temos mais em comum do que pensávamos. – mesmo falando baixo, Kagome pôde ouvir, então, falando alto, ele completou. – Provavelmente minha mãe atravessará o Oceno Pacífico para conhecer a mulher que conseguiu sossegar seu filho. Ela jamais imaginou que alguém conseguisse me convencer a casar, acredite, ela tentou, muito.
- Sinto pena da Izayoi, não sabe nem da metade! Que coisa feia Inuyasha Taisho, mentindo para sua mãe.
Demonstrando uma incrivelmente falsa desaprovação, Miroku balançava a cabeça, tentando se manter sério.
- Cale a boca, seu idiota! – Rapidamente atirou uma almofada em que estava apoiando seu braço, na direção do rosto de Miroku. Mas ele era bom de reflexos, pegou-a no ar, antes que atingisse seu rosto e sem mover o braço sobre os ombros de Sango.
O clima estava muito mais descontraído, era visível, estavam todos rindo. Provavelmente era pelo fato de terem encontrado uma solução possível para tudo isso. Parecia que tudo daria certo a final, ou não.
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Em seu quarto, Kagome arrumava a mala. Apesar de saber que passaria apenas 5 dias em Las Vegas, havia levado uma mala suficiente para quase duas semanas. Esse era um de seus muitos defeitos, se queria fazer algo, fazia. E naquela ocasião quisera levar todas aquelas roupas, então o fez. Agora estavam todas amontoadas sobre a cama e cada uma lhe lembrava de algum momento que passara naquela cidadezinha cheia de surpresas.
O vestido curto, macio ao toque, despertou pensamentos pecaminosos com sua cor vermelho sangue. Lembrara-se da primeira noite que havia realmente partilhado com Inuyasha. Era seu segundo dia em Las Vegas, e não se conheciam a mais do que isso, mas ele havia despertado nela sentimentos que nenhum, em qualquer outra circunstância, conseguira.
Ele tinha algumas reuniões pela manhã, então logo cedo, os 4 estiveram juntos para tomar café-da-manhã. Não foram ditas muitas palavras, Miroku e Sango pareciam estar em um mundo alheio, que pertencia só a eles dois. Quanto à Inuyasha e Kagome, nada pareceu estar muito diferente, eles tiveram uma conversa fluida e estritamente normal. Nenhum indício que um dos dois levaria isso a um outro nível. Até que ao final da refeição, quando foram deixados sozinhos mais uma vez, Inuyasha se atreveu.
- Deixados pelos dois novamente! – Rindo brevemente Kagome comentou quando chegaram à saída do restaurante do hotel.
- É,– ele checou o relógio de pulso para ter certeza do tempo que ainda tinha - tenho uma reunião em meia hora, mas gostaria muito que jantasse comigo essa noite, apenas nós dois. Dessa vez não pro causa de Miroku ou Sango.
Seus irresistíveis olhos dourados pareciam poder enxergar sua alma. Algo que deixou as pernas de Kagome bambas, e fez sua cabeça dar voltas e mais voltas. Como poderia recusar esse convite? Tudo o que queria era mais uma noite com ele, e outra, e outra... Até não agüentar mais olhar para aquele rosto, aqueles olhos... Ah! Quem queira enganar? Seria impossível se cansar dele.
- Eu adoraria. – simples e sucinta, a vós dela sôo como musica para seus ouvidos. E o sorriso com que seus lábios cheios e rosados lhe brindaram, era mais um incentivo para ele contar os minutos para vê-la novamente.
- Ótimo! – ele não conseguiu esconder a alegria em ouvir aquelas palavras – Minha reunião está programada para acabar as 6, sempre atrasa em torno de uma hora, então nos vemos às 8:30?
- Claro. – mais uma vez ela sorriu.
Antes que ele não saísse mais dali ele se despediu dela, encaminhando se para o lado oposto. Kagome assegurou que ele estava longe o suficiente para deixar toda a excitação, a alegria que sentia aflorar. Mas ele teve um breve relance disso, já que se virou para dar uma ultima olhada nela antes de perdê-la de vista. Ele iria para essa reunião com muito bom humor.
Caminhou quase saltitando até os elevadores, e murmurando uma melodia alegre com seus lábios fechados. Pensava em tudo já, a roupa que usaria, o sapato, o perfume, o modo como arrumaria seu cabelo... E quando estava sozinha dentro do elevador, se deu ao luxo de pensar no homem que a acompanharia naquela noite.
Definitivamente essa noite seria memorável.
Ainda continuava pensando naquela afirmação quando dava os retoques finais em sua aparência. O vestido havia sido escolhido para provocar, era de um vermelho intenso que fazia sua pele alva resplandecer. Combinado com uma sandália que adicionava 15 centímetros à sua altura, se tornava uma máquina mortífera. Ela sabia e se divertia com isso.
O cabelo minuciosamente arrumado para ter o volume o movimento que ela queria, sem abandonar o seu liso natural; o seu perfume preferido emanava de seu corpo a cada movimento, liberando uma essência amadeirada e sedutora. Dois pequenos pontos brilhantes eram visto em suas orelhas, seu colo estava desprovido de adornos, apenas contornado pelo decote que tinha o desenho do topo de um coração e por fim, sua maquiagem estava ali apenas para realçar o azul de seus olhos, que brilhavam como nunca antes vistos.
Pela segunda vez em sua vida, arrumara-se para alguém, não para ela mesma como costumava fazer sempre, independente de quem seria seu acompanhante. A primeira vez que fizera isso era uma criança, tinha 12 anos e acreditava ter encontrado o amor de sua vida em um adolescente rebelde e de tirar o fôlego. Foi o grande erro de sua vida. Mas tudo bem, o que passou, não há meios de remediar, aproveitaria a noite que estava por vir como se não houvesse amanhã e disso, tinha certeza que não se arrependeria.
No momento em que Inuyasha colocou os olhos nela, quando foi buscá-la em sua suíte, seus olhos falaram mais do que qualquer palavra que viesse a usar. Um misto de admiração e desejo era visto da parte dele, enquanto ela estava maravilhada com ele, achou que já o tivesse visto em sua melhor aparência, enganou-se. Ali, parado a sua porta, ele não poderia estar mais irresistível.
Trocando poucas palavras, eles se cumprimentaram e seguiram em silêncio até os elevadores. Ele havia cogitado a possibilidade de jantar ali mesmo, pouparia o trabalho de levá-la ao quarto novamente, mas esses pensamentos sórdidos logo foram guardados para mais tarde, por enquanto eles apenas aproveitariam um bom jantar e uma conversa agradável, depois, era depois.
Kagome ficou surpresa quando foi guiada para fora do hotel, um carro preto sedan os esperava na entrada e Inuyasha fez questão de dirigir. Não conseguia parar e olhar para ele, sua roupa estava impecável, usava um paletó aberto e calças de alfaiataria, ambos na cor preta contrastando com a camisa branca mais descontraída. A barba parecia ter acabado de ser feita, o perfume estava na medida e os olhos dourados que desde o primeiro dia adorou, não paravam de olhá-la, isso ainda era o melhor.
O restaurando que ele havia escolhido, era um lugar aconchegante, intimo e muito requintado. Ele foi muito cavalheiro ao puxar a cadeira para que ela sentasse antes de acomodar-se em seu lugar. Tudo estava perfeito, não para uma jantar convencional entre dois amigos, mas sim para um encontro extremamente romântico.
Ele soubera escolher o vinho muito bem, depois do primeiro gole começou uma conversa que parecia não terminar mais. Elogios, olhares, sorrisos e gestos doces foram trocados, tudo isso envoltos por uma atmosfera que transpirava paixão. Eles se perderam na noite, o tempo pareceu passar muito depressa. É assim, não é? Quando estamos em boa companhia, quando não queremos que aquilo acabe, o tempo parece voar.
Las Vegas era uma cidade que nunca parava, então quando voltarão ao hotel parecia que o tempo não havia passado. Os monumentos coloridos e iluminados ainda estavam do mesmo jeito que horas atrás, não havia tantas pessoas nas ruas, mas um casal chamou a atenção de Kagome quando eles pararam no semáforo. Uma típica cena daquela cidade, um homem e uma mulher vestidos prontos para um casamento, em frente a uma capelinha com letreiros luminosos, a poucos metros dali. Talvez estivessem sobre o efeito de algumas bebidas, talvez não, de qualquer modo algo os levou até ali, pode ter sido o amor, ou o destino querendo lhes pregar uma peça. Eles provavelmente descobririam no outro dia pela manhã.
Voltou a olhar para Inuyasha, ele a olhou brevemente e sorriu, logo voltando sua atenção para a estrada à sua frente. Chegaram ao hotel em alguns minutos, já era madrugada então o saguão estava pouco movimentado, mas o cassino estava cheio provavelmente. Ele fez questão de levá-la até sua suíte, foram conversando e rindo até chegarem à porta. Houve um minuto de silêncio onde só o barulho da chave que Kagome brincava na mão era escutado.
- Obrigado pela noite, me diverti muito. – Kagome falou em meio ao silencio.
- Essa não será a ultima – ele garantiu com tanta convicção e a felicidade que Kagome sentiu foi assustadora.
Ele enterrou as mãos nos bolsos, pois tinha receios que depois que a tocasse não conseguisse mais parar.
Ela abriu a porta rapidamente e voltou-se para ele sorrindo.
- Boa noite – ela ficou na ponta dos pés e lhe deu um beijo na face, logo fazendo menção de entrar.
Antes que ela pudesse completar seu passo, foi impedida. A mão dele segurou seu baço rapidamente, fazendo-a se assustar e automaticamente virar para ele. Os grandes olhos azuis que o encantavam estava inteiramente ligados aos seus enquanto ele fazia um caminho suntuoso pelo seu braço. Tocando com os dedos levemente, Inuyasha percorreu a parte interna do cotovelo, contornando-o e subindo até os ombros, acariciando cada parte sensível que ele descobria. Finalmente, passando pelo pescoço, encontrou seu rosto, ainda sustentava traços um pouco chocados - a boca entreaberta e o olhos engrandecidos pelo susto – mas estava linda, vulnerável ao seu toque. Os dedos gentilmente fizeram o contorno das saliências que seus ossos projetavam, o queixo, as maçãs do rosto, o nariz e por fim, a testa. Tirando uma mecha de cabelo que caías sobre seus olhos e posicionou sua mão atrás da nunca dela e finalmente, depois da eternidade que se passou durante esses gestos, seus lábios se tocaram.
Apenas isso, apenas se tocaram, roçando pele contra pele, igualmente sensível, ele brincou com os sentidos dela mais um pouco até que, convidativa, ela retribuiu as carícias. E ele finalmente a beijou.
A chave que Kagome mantivera involuntariamente em sua mão, caiu, produzindo um som abafado quando tocou o carpete. Um som minúsculo perto da grandiosidade dos sentimentos ali presentes.
Kagome colocou suas mãos na nuca dele e ao mesmo tempo em que lá encontrou um apoio, já que o chão parecia não estar mais sob seus pés, ela explorou cada ponto sensível daquela região. Suas mãos poderiam ser pequenas, mas era ágeis e experientes, assim como ele provava que eram as dele. Ele acabou por desenhar cada curva voluptuosa daquele corpo que em instantes havia se entregue a ele.
Os lábios unidos excitavam, ansiavam, davam e recebiam, era uma dança perigosa, mas que ambos tinham o prazer em executar. E por mais que seus olhos houvessem se fechado, a ligação que criaram logo que ela se virou para ele, estava ali, fortalecendo-se a cada gesto. Durava e, eles não sabiam, mas, duraria por muito mais tempo.
Aos poucos a explosão daquele primeiro contato deu lugar a algo mais sutil, um beijo carinhoso, com ritmo e sincronia, até que, aos poucos, foi diminuindo até parar. Ela ainda se mantinha segura a ele, e ambas as mãos dele ocupavam toda sua pequena cintura.
Vagarosamente eles abriram os olhos, ambos brilhavam, sorriam. E todos os sentimentos estavam lá: alegria, excitação, satisfação e paixão. O laço que eles haviam criado estava lá, no sorriso, no carinho de suas mãos... Por todos lugares. Era incontestável.
Palavras não precisavam ser ditas, seus atos falavam por si só, expunham seus sentimentos de tal modo que algumas junções de letras jamais conseguiriam fazer. O modo como seus braços envolviam o corpo do outro, tentava desesperadamente extinguir qualquer barreira que ainda pudesse haver entre eles, seus olhos inebriados mostravam adoração, os lábios entreabertos sedentos, anseio. E assim se seguia.
Naquela noite, não havia nada que pudesse se por entre eles. O mundo pertencia àquelas duas pessoas, e ninguém mais. Eles comandavam.
Com isso, a porta do quarto que estava aberta, serviu de convite aos dois, sem questionar, Kagome, vendo que ele desejava o mesmo que ela, o guiou para lhe deu toda a permissão para que ela fizesse o que quisesse com ele.
Talvez ouvira a porta bater, talvez não. Isso era o que menos a preocupava naquele instante, já que o resto do mundo passou a ser um borrão para ela, no momento em que ele colocou seus doces lábios sobre o pescoço dela. Inuyasha já havia descoberto seu ponto mais sensível naquela região e trabalhava afinco naquele lugar, depois passando até chegar nos lábios novamente, suas mãos...
A recapitulação daquela noite por meio de suas momórias, foi interrompida por duas batidas apressadas na porta de sua suíte. Praguejando, Kagome jogou o vestido, que ainda tinha nas mãos, sobre a cama para ir abrir a porta. Seja lá quem fosse, poderia ter esperado mais meia hora antes de lhe incomodar, era tão bom ficar sozinha, ou melhor, na companhia das suas ótimas lembranças daquele final de semana.
Deparou-se com Sango, sozinha, sem Miroku. Isso era um milagre.
- O que faz aqui? – sem rodeios, Kagome perguntou-lhe, logo voltando ao quarto para continuar o que estava fazendo, arrumando as malas.
- Como é bom ver você também, minha amiga! – o deboche da voz de Sango era cômico – Falando assim, até parece que atrapalhei alguma coisa, mas Inuyasha não está ai, está? Você está completamente vestida...
Rindo alto, e sozinha, Sango já havia entrado e fechado a porta, sem cerimônia, seguiu Kagome até o quarto. Ela virou apenas para mostrar o quando não havia achado engraçado aquele comentário. A desaprovação dela só fez Sango rir mais.
- O que estava fazendo ? – indagou ao ver aquela montanha de roupas sobre o centro da cama
- Arrumando as malas, não deveria fazer o mesmo? – continuou dobrando e guardando suas roupas.
- Já fiz, usei pouquíssimas roupas nesses 4 dias. – ela gracejou, atirando-se em um especo vazio sobre a cama,
A risada que Kagome foi muito breve, mas involuntária. Sango não tinha jeito mesmo, por isso amava ela.
- Eu ainda não acredito que você e Inu se casaram, isso é tão Sango. – sarcástica, ela rolou os olhos, por pouco não riu – Sério Kagome, tem certeza que vai levar isso tudo até o final?
- E porque não? Não vou precisar me preocupar com minha mãe ou algum repórter idiota se metendo na minha vida – ela parou por um instante para olhar pra Sango que havia se acomodado, apoiada sobre o cotovelo, encarando-a – Inuyasha tem muito mais coisas em jogo que eu, e essa, é a melhor alternativa para ele manter as coisas como estão.
- Isso parece muito responsável para você, minha amiga. Daqui a alguns dias você vai abolir sexo também? Sério k-chan!
- Sango, seus comentários são dispensáveis! – balançando a cabeça, ela ainda não acreditava no que acabara de ouvir. Nem se preocupara em olhar para ela quando ela falou essa grande besteira, só riu.
- O quê?? É a verdade! Vocês estão se comportando como se não conhecessem um ao outro, parece que nunca foram amantes...
O riso cessou, será que eles estavam realmente se comportando assim? Parou com qualquer movimento que estava fazendo, segurando uma peça de roupa na mão, ela olhou para Sango, que lhe pareceu preocupada pela primeira vez.
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Aquela imagem lhe atormentou pelo resto da tarde, até embarcarem no avião no começo da noite. Sua passagem estava marcada para um dia além daquele, ficaria no total 5 dias, enquanto Inuyasha já deveria ter ido embora a mais de 24 horas, seus planos eram para 3 dias apenas, se ela não tivesse o tentado para que ficasse, nada disso teria acontecido.
Ela estava em absoluto silêncio, sentada ao lado de Inuyasha, aquilo sim era estranho, desconfortável. Mas ela não tirava os olhos da pequena janela do avião, o sol estava se pondo então se via uma infinidade de cores sobre o manto de nuvens brancas. Aquela imagem lhe tranqüilizava, a fazia parar de pensar que estava a poucas horas de realmente começar um desafio novo em sua vida.
- Porque não dorme? – Inuyasha sugeriu, falando pela primeira vez – ainda temos 4 horas de vôo.
- Não vou conseguir – ela não tirava os olhos da janela.
- Está tudo bem? – ele se preocupou.
- Só pensando – finalmente ela olhou pra ele e sorriu para tranquilizá-lo - temos muito para sabermos do outro ainda. Por exemplo, você sabe que eu odeio acordar cedo? Eu realmente sou inútil até as 10 da manhã.
- Eu percebi isso – um sorriso de canto apareceu em seu rosto – eu não consigo ficar na cama depois das 6 da manhã.
- Isso não vai dar certo – ela suspirou, virando–se para a janela de novo.
- Claro que vai! – Inuyasha colocou sua mão sobre a dela, dando–lhe um incentivo – Faça qualquer pergunta que eu lhe respondo, temos tempo para isso.
O jeito como ele lhe sorriu e continuou segurando sua mão, lhe passou tranquilidade e coragem. Acabou fazendo–a esquecer qualquer pensamento negativo que pudesse estar passando pela sua cabeça.
Ela se acomodou na poltrona de modo que ficasse virada para ele, com a janela às suas costas. Não se importou em deixar sua mão ali no braço da poltrona para que ele continuasse, involuntariamente, segurando-a
- O que você tem na cabeça para acordar tão cedo?
O sorriso voltou ao seu rosto, de onde nunca deveria ter saído. Quando viu, um alívio insano percorreu a mente de Inuyasha. Faria de tudo para que o tempo que eles ficassem juntos fosse o melhor possível.
- Minha mãe sempre foi muito rígida quanto a horários, tínhamos que acordar cedo, por mais que as aulas só começassem às 8, ou mesmo que fosse final de semana. O café da manhã era sagrado em minha casa, já que era provavelmente o único horário que via meu pai. ele chegava muito tarde nos dias de semana. Então cresci com esse hábito, sempre acordo muito cedo.
- Que chato isso... Mas você deveria ser o filho perfeito para seus pais
- Nem de longe, Kchan! - Quando usou o apelido dela pela primeira vez lhe pareceu uma coisa tão natural, que ele nem percebeu. Mas ela sim. Ela gostou do som de seu nome pronunciado pela voz incrivelmente sexy dele. Se acostumaria com aquilo, rápido.
– Quando adolescente, eu era a ovelha negra da família Taisho. Sesshoumaru já era adulto e meus pais começaram a me comparar demais com ele, me revoltei e comecei a ser realmente do contra. Acho que durou uns 2 anos, até começar a namorar. Nina não gostava muito do estilo revoltado, e eu estava completamente apaixonado por ela, então mudei.
- Ela foi sua primeira namorada? – a pergunta saiu naturalmente. Tinha que saber quem ele havia namorado, fazia parte daquela coisa toda de se conhecer melhor, não é verdade? Não tinha nada a ver com o monstrinho verde do ciúme que apareceu de relance. Ou tinha?
- Namorada, sim. Fiquei 6 meses com ela. Vida de casal nunca foi pra mim. – ele percebeu o que falou, logo em seguida remendou. – Naquela época era muito imaturo.
- Claro... – Dividir sua vida com outra pessoa também não era para ela, mas ela estava ali, e pretendia passar alguns meses ao lado de Inuyasha. – Mas você se dá bem com seu irmão hoje, não é?
Ela mudou o rumo da conversa porque aquele viés não levaria a nada.
- Sim, muito bem na verdade. Ele ainda é um chato, mas em 28 anos se aprende a conviver. – Ele riu – Apesar de tudo não sei como Rin, a esposa dele, consegue aturar por vontade própria aquele cara. Ela merece um prêmio por 4 anos de casamento. – Lá estava seu sorriso de canto novamente. Sempre acompanhado por um brilho especial em seus olhos. Maravilhoso.
- Qual é o nome de seu irmão? – foi a vez de Inuyasha comandar o "interrogatório".
- Souta, tem 17 anos e acha que pode tudo no momento, só porque entrou na faculdade e vai morar longe dos pais. Ele é um caso perdido. Meu pai já desistiu dele, mas minha mãe ainda tem esperanças.
- Nossas mães se parecem idênticas. Provavelmente se dêem bem. – ele cogitou
- E conspirarão contra nós. Vão querer saber e dar opinião em tudo o que fizermos. – suspirou sabendo que essa era a triste verdade.
- Podemos dar um jeito nelas também, depois do que fizemos em Las Vegas, e como remediamos isso, acho que não há nada mais que não possamos resolver. – A mão que durante a conversa havia deixado seu lugar sobre a dela, voltou a procurá-la de modo natural, eles estavam unidos. E reconhecendo isso, ambos, olhando nos olhos do outro, sorriram.
Em algum momento a conversa foi derrotada pelo sono por parte dela. Kagome se recostou na poltrona e acabou adormecendo. Fatalmente, sua cabeça veio a recair sobre o ombro largo de Inuyasha. Lá encontrou um lugar muito cômodo e se estabeleceu. Ele só havia tido tempo de pegar seu notebook e abri-lo, pretendia trabalhar, até que sentiu um peso sobre seu ombro e encontrou Kagome usando-o como travesseiro. Havia encontrado um passatempo melhor, observá-la dormindo.
Os olhos azuis que lhe davam uma aparência quase angelical, estavam fechados, mas ainda assim, ela parecia tão inocente que seu coração de encolheu dada à tamanha fragilidade. Nem parecia aquele furacão que havia entrado em sua vida a tão pouco tempo e a mudou tão drasticamente. Surpreendentemente ele se descobriu querendo mais mudanças, desde que ela as provocasse. Nada que vinha dela poderia ser indesejado.
Ela se aconchegou mais a ele, seus corpos ficaram a distâncias irrisórias, e ele sentiu suas mãos frias lhe tocarem os braços.
Usando de sua mão livre, ele alcançou a jaqueta que colocara de lado mais cedo, para cobri-la. Era tão grande que não deixara uma parte se quer, do pescoço até o quadril, descoberta. Ele pôde ver que os lábios dela relaxaram, assim como seu pescoço e mãos, devido ao calor. Os cabelos negros caíam sobre seu rosto e ali ficavam. Instintivamente ele levou a mão até lá e arrumou as mechas que bloqueavam a visão privilegiada que ele tinha daquela face. Sorriu, por admirá-la.
Ficou entretido apenas olhando-a, achava fascinante aquilo, tanto que quando finalmente estavam prontos para pousar, pois haviam chegado ao seu destino, ele não quis acordá-la , mas era preciso. Chamou seu nome gentilmente, até que despertasse.
Ela murmurou alguma coisa antes de abrir os olhos e ver quem a chamava.
- Bom dia... – ela sussurrou antes de passar as mãos sobre o rosto, um hábito que tinha sempre ao acordar.
- Boa noite – Inuyasha falou divertido. – Estamos chegando, achei que quisesse se recompor antes de descermos.
Deveria ser proibido qualquer homem ver uma mulher ao acordar, mesmo que fosse de um breve sono como era o caso. Provavelmente estava toda descabelada e inchada por ter dormido, e ele a olhava como se nada estivesse anormal. Só podia ser louco, definitivamente.
Ao se espreguiçar, percebeu que a jaqueta dele lhe cobria e com seus movimentos, ela caiu. Juntou logo e entregou a ele, agradecendo. Estava com as faces quentes e vermelhas provavelmente, pois não estava acostumada a gestos tão simples e ao mesmo tempo tão gentis quanto aqueles.
Desembarcaram e pegaram suas malas, estavam prontos para ir para suas casas. Miroku disse que levaria Sango para casa, já Inuyasha não sabia o que fazer com relação a Kagome.
- Não quer ir para a minha casa? – Inuyasha ofereceu – Amanhã levo você para a sua. Provavelmente Kaede está esperando que eu chegue em casa acompanhado. – ele falou francamente.
Kagome não estava com ânimo ou forças para discutir, estava com muito sono já que não havia realmente despertado.
- O que você quiser. – ela respondeu, com seus olhos claramente cansados.
Sango riu do estado de sua amiga, e resolveu tomar a decisão por ela.
- Leve–a para sua casa Inu, amanhã vocês decidem o que fazem.
- Certo.
Kagome não questionou, apenas os seguiu. Estava muito satisfeita carregando apenas sua bolsa, não iria reclamar que Inuyasha carregava sua enorme mala de um vermelho berrante, junto à mala dele, diminuta e discreta. Era engraçado, as diferenças estavam por todos os lugares, ela estaria rindo se não estivesse com tanto sono.
Miroku e Sango se despediram brevemente dos outros dois, os homens já combinavam de se encontrar no escritório pela manhã, e Sango prometeu que ligaria para Kagome no outro dia, mesmo sonolenta, ela impôs uma condição: ligações só depois das 10 da manhã.
Cada casal tomou um táxi, e assim que Kagome se sentou, seus olhos voltaram a se fechar, estavam em Nova York, qualquer caminho era longe o bastante para se permitir um breve cochilo. Inuyasha riu quando viu que ela havia se entregue novamente. Dessa vez ficou olhando a cidade através da janela, era noite e como sempre a cidade estava iluminada pelas luzes das construções monumentais, a lua quase não se era vista, as luzes à ofuscavam e ela era apenas uma fina linha.
Forma um sorriso virado. Ele se lembrou de Kaede lhe dizendo isso quando ele era menino. Sempre a teve em sua vida, ela era sua segunda mãe, quem cuidava dele. Inuyasha sempre soube dar valor à ela, já que a considerava, assim como todos, um membro importantíssimo de sua família.
Refletindo, ele pensou que não conseguiria mentir para ela, mais cedo ou mais tarde, Kaede descobriria que todo o casamento era uma farsa. Ele esperava que isso não fosse mais um problema.
Kagome acordou-se sozinha, e quando Inuyasha lhe avisou que estavam chegando, sua primeira reação foi procurar um espelho em sua bolsa, tentaria causar uma boa primeira impressão. Arrumar os cabelos já seria um grande passo para isso, o resto, se não voltasse a dormir, ficaria bem.
- Kaede deve estar nos esperando com o jantar, ela se sente ofendida se não nos sentarmos à mesa para comer.
- Bom saber... Que horas são? – guardando o espelho em sua bolsa, ela perguntou, agora prestando atenção só em Inuyasha.
- 10:20 – lhe respondeu ao chegar o relógio de pulso.
Sorriu agradecida e só mais algumas palavras foram pronunciadas até que chegaram a casa dele. Era em um condomínio fechado com casas do mais alto padrão.
Inuyasha acionou o controle e eles entraram quando o grande portão de ferro trabalhado se abriu. Kagome não pode fazer muitas análises, olhou rapidamente a entrada enquanto Inuyasha retirou as malas do táxi e pagou o homem, mas no geral lhe parecia uma casa construída no século passado; charmosa e muito bonita.
- Vamos? – Com as malas na mão, ele a convidou.
Sem palavras, Kagome seguiu ao seu lado, havia dois pequenos degraus e finalmente a porta principal de madeira escura. Inuyasha estava pronto para sacar a chave de dentro do bolso, mas foi aberta antes.
- Já estava preocupada, vocês demoraram! - Falou exasperada uma senhora não muito alta, com seus cabelos grisalhos brilhantes presos em coque no topo da cabeça, e vestindo-se de modo simples, mas elegante. – O que vocês ainda estão fazendo ai ? Entrem!
O sorriso amável com que ela os recebeu foi convidativo. Inuyasha não pensou duas vezes em dar um passo à frente e assim que pisou dentro de sua casa, largou as malas e deu um forte abraço em Kaede.
- O que você aprontou, Inuyasha Taisho? – Kaede retribui o abraço com fervor, mas não deixou de lhe dar uma palmada no ombro - Izayoi está desesperada.
Quando se distanciaram, ela viu que ele estava embaraçado, e aqueles olhos pareciam de uma criança de 5 anos que aprontou alguma coisa.
Ele estendeu a mão para Kagome, ela não a pegou, mas se aproximou dele.
- Kaede...
Inuyasha teria apresentado Kagome como sua esposa para Kaede, se o telefone não tivesse tocado, fazendo a senhora se distanciar. No mesmo momento que uma pequena mulher desceu as escadas correndo e se atirou sobre Inuyasha ao gritar seu nome. Ele precisou recuar para sustentá-la sem que os dois fossem ao chão, mas a recebeu em seus braços com amor. Ele estava surpreso, mas igualmente feliz.
Kaede se aproximou, sorrindo ao ver Inuyasha com aquela mulher, e se dirigiu a Kagome.
- Telefonema para você, Senhorita Kagome – Kaede lhe alcançou o telefone sem fio de modo natural e simpático.
O que estava acontecendo ali? Quem era aquela garota nos braços de Inuyasha? Kagome estava espantada, aquilo era loucura!
Quem será? AHSUASH
Aqui está o 3º capítulo! Depois de duas semanas sem postar, me prometi que não passava de hoje. Tinha provas então estava dificil achar tempo para escrever e postar :/
Obrigado à Carol-chan, Lory Higurashi, Belle Lune, PetitGabi, AdamuNaruto, ally dilly, Jhennie Lee, Kagmarcia e Aricele pelas reviews. Ah tem você também leleca. - Achou que ia esquecer de você? nunca! Você sabe... - Muito obrigado mesmo, sempre quando às leio me dá vontade de escrever haha, provavelmente por causa de vocês, que esta fic está no 3º capítulo, teria desitido no 1º capítulo se não fossem essas 12 reviews :) Continuem mandando, eu amo saber o que vocês pensam.
Eu sou uma pessoa muito má, interrompi uma parte muito interessante no meio desse capítulo, mas vocês ainda vão ouvir falar dessas lembranças da Kagome :D
Então, era isso, espero que tenha gostado. Vou tentar postar o próximo capítulo semana que vem, se até sábado não conseguir é porque minhas provas me deixaram sem tempo. Mas de duas semanas não passa.
Beijos, até mais!
ps: BOA PÁSCOA! ^-^
