– Mas como esses peixes são uma graça! São muito fofinhos! Realmente fofinhos!

Maria Silva estava com seu rosto praticamente grudado no vidro do aquário, olhando os pequenos peixes ("OMG! Vocês são muito fofos! Eu vou te comer. Eu vou te comer." "Maria-chan, acho que você está assustando eles" "Oh") que estavam no tanque. Tomoyo parecia estar se deliciando com a cena da melhor amiga, a assistindo e filmando ao mesmo tempo. Rika, Chiharu e Naoko derem sorrisos suaves, afinal, a garota sempre parecia tão feliz quando se tratava de algo relacionado a animais aquáticos.

– Maria-chan parece muito feliz! – Tomoyo disse sonhadora, observando a morena brincar com um peixe ("Ai Deus! Você engordou! Que fofo!").

– Maria-chan realmente adora animes e qualquer coisa que a tira da escola. – Naoko disse, com uma gota na cabeça (na verdade, todas estavam desde que viram a garota tendo uma discussão com uma lula ("Por que eu tenho que dar essa comida perfeita para essa lula?" "Porque estamos na área de alimentação as lulas..." "E daí?").

Bom, eu sou Maria Silva. Estou na sétima serie do colégio Tomoeda. Hoje é o dia do "vamos-cair-fora-da-escola" ou, formalmente falando, dia de excursão de estudos sociais. Cada grupo ficou de ir pra um lugar. E depois de muita... "negociação" (suborno) nosso grupo ficou com o aquário. Eu amo o aquário (tem peixinhos muito bonitinhos:3).

– Logo vai começar o show dos pinguins! – Chiharu avisou, fazendo a cabeça de Maria virar como uma possuída.

– Hai! – Naoko e Rika falaram ao mesmo tempo, mais interessada nos peixes que olhavam do que nos pinguins.

– Maria-chan... – Tomoyo se virou, pronta para chamar a amiga que amava penguins ("Pinguins me deixam feliz." Ela afirmou quando as duas tinham apenas seis anos, e continua afirmando desde então.), mas só sentiu um vento e um borrão passar por ela (ela sabe como os inimigos do Minato se sentiam.).

– Vamos, merda! – A morena gritou, ignorando os olhares dos adultos. Afinal, isso era um passeio e por mais que tivesse vontade de deixa-las ai e ver seu lindo pinguinzinho, ela tinha que espera-las ou levaria mais um aviso para casa, como da vez que foram ao circo ("Aquele palhaço estava me provocando! Eu tinha que soca-lo!"). As garotas ficram com grandes gotas na cabeça, menos Tomoyo, claro ("Maria-chan fica tão linda quando fala palavrão" O que sempre gera mais gotas).

Capitulo 3: Maria e a carta Elemental

– Pinguim-chan, Pinguim-chan, Pinguim-chan. – Maria falava sem parar enquanto iam em direção ao show dos pinguins. Era um tique de felicidade que ela aprendeu a controlar para irritar Touya, mas ainda deixava escapar as vezes.

– Maria-chan parece bem feliz! – Tomoyo disse, com um pequeno rubor de felicidade em suas bochechas.

– Maravilhoso! Espetacular! Incrível! Faz de novo! – A brasileira gritava loucamente, ganhando olhares dos adultos ao seu redor.

Tomoyo estava ignorando os pinguins fazendo truques e filmava a amiga, dando risos curtos e ficando vermelha com felicidade. Rika, Naoko e Chiharu já desistiram a muito tempo de fingir que não conheciam as duas doidas ("Ok, é só ficarmos caladas e..." "Chiharu-chan, Naoko-chan, Rika-chan! Olhem! Ele pulou!" "Kyah! Que fofa, Maria-chan!" "Esquece o plano...").

– Que inveja... – Maria disse, olhando fixamente para o pinguim nadando no tanque. – Eu queria poder nadar com os pinguins também...

– Até porque você nada muito bem, Maria-chan! – Ela disse sorrindo, filmando discretamente a cara desejosa da amiga.

– Aqui está. – A mulher no tanque disse sorrindo. Os pinguins estavam nadando e dando "tchau" com suas nadadeiras. Isso fez a brasileira dar um pulo e quase quebrar o vidro quando pulou nele.

– Kawaiiiiiiiiiiii! – Ela gritou, praticamente colando o rosto no vidro do tanque.

De repente, eles viram a domadora indo para debaixo da água, sua cara como se fosse de surpresa. Ela começou a se debater e era possível ver um pequeno redemoinho que aparentemente havia saído do nada... Como se fosse mágica. A mulher começou a se debater, abrindo a boca em pânico e deixando escapar o ar que havia conseguido segurar, a deixando ainda mais desesperada. Ela finalmente conseguiu colocar seu tronco para fora, tentando se segurar no gelo e assustando o pequeno pinguim que estava nele. Ela tentou se puxar para cima, mas a força em que a água a puxava ficou mais forte.

Maria observou a cena, um sentimento desconfortável em seu peito. Era parecido com o que havia sentido enquanto lutava com Shadow, mas era mais gélida e mais forte. Ela levou suas mãos ao seu peito, tentando se segurar e tirar aquele sentimento, mas aquilo era forte demais. A energia a lembrava de Windy, mas era mais agressiva e nem um pouco amigável. Sua respiração ficou mais forte enquanto observava a cena que ocorria no tanque, seus pulmões apertados, lhe dando a impressão que estava se afogando.

Ela foi tirada daquela sensação quando um viu um pinguim se aproximar do redemoinho, seu bico se aproximando corajosamente, tentando salvar a mulher com quem estava brincando e se divertindo.

– Não, Pinguim-chan! – A brasileira gritou, ignorando seus pulmões que se apertaram ainda mais quando ela deu o grito. – Pinguim-chan!

Maria começou a bater no vidro com seu punho, a sensação de afogamento aumentando cada vez que ela tocava no vidro, mas ela estava ignorando isso o Maximo que podia. Ela se sentia fraca por não conseguir ajudar o pequeno animal indefeso que estava apavorado. A garota inconscientemente começou a colocar um pouco de magia em suas mãos, o mesmo tipo que Clow Lead usou quando estava criando a carta Power. O vidro se rachou um pouco e Tomoyo a puxou para trás com toda força que podia.

– Maria-chan... – Tomoyo sussurrou, olhando o desespero da amiga. Maria estava com a respiração descontrolada, seus punhos vermelhos e um pequeno corte que fez no vidro da rachadura sangrava lentamente, apesar da CardCaptor não o notar.

– Agora não, Tomoyo-chan! Eu tenho que ajudar o Pinguim-chan! – A Silva exclamou a bater no vidro com sua mão machucada, hesitando levemente pela dor em sua mão, mas depois ignorando, batendo no vidro e piorando o corte.

Os dois pinguins que estava no gelo começaram a fazer barulho, sabendo, de alguma forma, que seu amigo estava em perigo e fazendo uma sincronia com os gritos de Maria, como se entendessem que a garota também quer salvar o pinguim que se afogava graças ao misterioso redemoinho. Do nada, alguém saiu da porta da área de serviço, um homem alto e com cabelos castanhos. Ele derrubou os baldes que segurava e parecia alarmado.

– O que esta acontecendo? – Ele perguntou alarmado, vendo a mulher tentando se segurar no gelo como se estivesse a beira da morte.

– O pinguim foi engolido pelo redemoinho! – Ela disse, se segurando com força e praticamente rezando para que a pequena ave sobreviva.

O rapaz não perdeu tempo, ela passou correndo pelo gelo, os pinguins que ainda estavam sobre ele fazendo sons mais altos e pulou na água gelada, corajosamente ignorando o frio e se concentrando em salvar o pequeno animal. Ela nadou rapidamente em direção ao pinguim e agarrou a corrente de água que o prendia, a esticando com força, dando ao animal um espaço para se soltar. O redemoinho deu a impressão de ter se partido e a pressão fez o rapaz ser jogado para traz.

A domadora pareceu notar que a turbulência aquática havia parado e relaxou, agora apenas se apoiando no gelo e deixando o frio acalmar a dor que sentia em seu tornozelo, de tanto ele ser puxado. O pinguim e o rapaz logo saíram da água, respirando com alivio o ar gelado do habitat recriado.

Todos que estavam assistindo a cena pareciam estar aliviados, se apoiando uns ao outros. Chiharu, Naoko e Rika derem suspiros aliviados, se apoiando umas as outras. Tomoyo também soltou a respiração quem nem notara que havia prendido e confortavelmente se apoiou em sua melhor amiga, afundando o rosto em seus longos cabelos castanhos que cheirava a cacau. Maria parecia ter seu olhar fixado em algo no tanque, mas notou que a sensação de afogamento havia passado, a dando oportunidade de respirar melhor.

– Ano... – Ela falou, olhando para o tanque, observando o rapaz olhar para o lado, o pinguim fazendo barulhos de agradecimento para ele. – Oniichan?

– Quase se afogou? Você, Maria?

Maria deu um pequeno suspiro frustrado, batendo a massa com mais força para acalmar a irritação. Ela havia voltado para casa e estava preparando comida, usando um avental vermelho, por cima de sua blusa branca com desing vermelho ("Por que eu tenho que usar um avental"? "Bom, você foi, meio improdutiva da ultima vez..." "Ainda não entendi, tio Fujitaka" "Ele quer dizer que você é horrível e não podemos ter você sujando todas as suas roupas com molhos, massas, ovos, peixes, grãos, e etc., Kaijuu." "Cala a boca, Oniichan"), seu corte na mão já limpo, desinfetado e havia parado de sangrar há muito tempo e agora estava tentando contar a história do que aconteceu no aquário para Kero-chan, mas parece que ele não presta muita atenção nas coisas.

– Não, Kero-chan, aparentemente você não sabe prestar atenção em histórias. – A Silva falou, segurando a batedeira com mais força.

– Ok, Ok, foi mal. É que faz tanto tempo que não saio do seu quarto que me esqueci que nem todas as paredes te,m pôsteres de personagens de anime. – Kerberos falou, tentando se defender. – Mas pensando bem, claro que a Maria não se afogaria Até que, graças a pessoas te tocando da cama, você tem uma utilidade nos esportes. – Kero não viu a batedeira vinda em sua direção ate ela colidir com seu pequeno corpo.

– Eu não vou te dar mais nenhuma merda de panqueca. – Ela disse emburrada.

– Ah, mas, Maria-sama... – O Guardião falou, tentando bajular.

Depois de um tempo preparando a panqueca ("Vai, só um pedaço, você não precisa dessa gordura extra..." *Peteleco*), ela finalmente acabou de fritar as panquecas. A garota colocou um pouco de manteiga recém-derretida em cima para dar mais acentuação ao sabor da massa, já que tinha colocado apenas um pouco de sal só para poder colocar a manteiga depois, colocou-as em um prato em pilhas e derramou melado, quendo que elas ficassem salgadas com a manteiga quente e doce com o melado escorregadio sobre elas, se sentindo satisfeita com seu trabalho. A garota também pegou um copo de suco de laranja gelado e acrescentou gelo, deixando-o ainda mais fresco. Kero observava tudo babando pelas panquecas que a menina fizera com destreza.

– Mas, Maria se foram os pinguins que se afogaram... A história fica ainda mais confusa! – O guardião falou, olhando a CardCaptor se sentar a mesa.

– Os adultos estavam dizendo que um cano da piscina deve ter se soltado, mas foi realmente do nada... E aquele redemoinho estava apenas fazendo pressão no Pinguim-chan e na Domadora-san (A/N: Estilo Robin de falar ^^), o resto da água mal se mexia! – Ela disse, cortando um pedaço da massa frita macia com manteiga e levemente doce com o melado, colocando-a na boca e mastigando cuidadosamente. Ela não comia como um bicho total enquanto pensava (pelo menos isso).

Ela cortou mais um pedaço, meio pensativa. Com certeza não havia sido a piscina, ela podia... Sentir isso... Bom, ela tem sentido muitas coisas desde que virou CardCaptor, mas aquilo não era como uma carta Clow, pelo menos não normal. Aquilo não a lembrava de Shadow e de Fly, bom talvez um pouco da agressividade de Shadow mas, era muito maior... A energia também a lembrava de Windy, mas a carta a fazia se sentir segura e feliz, até fresca. A sensação que teve no aquário não foi nada disso, apenas sentiu como se estivesse se afogando e um frio que ia até seus ossos.

– Delicioso! – Ela foi chutada de seus pensamentos quando ela ouviu a exclamação de Kerberos.

O pequeno protetor havia mordendo o pedaço que estava em seu garfo, o comendo feliz e havia o tirado do talher com suas patinhas, ágoras sujas de manteiga derretida e do doce melado que escorria por seus pequenos braços, o deixando seus pelos macios grudentos. A garota ficou vermelha de raiva, o pegando com sua mão.

– Seu bastardo! – Ela gritou, colocando o garfo em seu prato e o segurando com suas duas mãos.

Como se fosse um choque, ela sentiu uma sensação quente percorrer por seu corpo, a reconfortando. Era como se estivesse congelando na chuva e de repente estivesse dentro de casa, enrolada por um cobertor quente. Maria notou que a sensação de frio que ela sentiu no aquário nunca havia passado, ela só havia se convencido de que havia, mas a energia de Kero a fez notar que ainda estava com frio e com medo daquilo voltar.

– Maria! Ei, Maria! – Kerberos gritou, livres das mãos da garota, que nem notara que havia o soltado e deixado suas mãos na mesa, como se nem conseguisse se atrever a mexe-las.

A CardCaptor pareceu despertar de seu transe e deu um sorriso gentil, pegando um guardanapo da mesa e as patinhas do Protetor, as limpando delicadamente. Kero observou a mudança da garota, mas decidiu não comentar, ela parecia mais calma e bem feliz, o que era bom.

– Então, eu acho que o que aconteceu no aquário provavelmente não era um acidente. – Maria disse, retornando a seu comportamento normal e enfiando o resto da panqueca inteiro em sua boca, fazendo o Guardião ganhar uma gota na cabeça. – Era tão... Familiar... – Ela disse, ganhando aquele brilho vago em seus olhos de novo.

– Parecia como se você tivesse encontrado um Clow Card? – Kerberos perguntou, mastigando sua comida.

– Sim, mas... – Isso fez Kero a encarar. – Era tão fria e agressiva... Me fez sentir como se estivesse me afogando.

–Tadaima! – A voz de Kinomoto Touya fez Maria e Kero darem um pulo e desfez toda a tensão da conversa seria que se passava ali.

– Merda! Kero-chan! – Ela deu um olhar mortal que fez o Protetor parar de tentar comer estilo Maria as panquecas. – Venha, vamos para o meu quarto! – Ela disse, pegando o pequeno nos braços e se preparando para leva-lo.

Ela correu até o pé da escada, jogando Kero para cima com pressa e fazendo ela rodas descontroladamente em direção ao topo da escada.

– Se esconda no meu quarto. – Ela falou entre um sussurro e um grito. Depois ela se virou e se escorou nervosamente na escada, falando. – Okaeri, Oniichan.

Touya apenas fez um pequeno barulho como resposta, fazendo uma veia saltar na cabeça da garota.

– Oniichan, você estava no aquário hoje, né? – Ela falou, tentando se acalmar e ainda meio em duvida sobre o se o irmão estava ou não no aquário. Touya apenas bateu um pouco no quadro de horários.

– Está no quadro, Kaijuu. – O apelido fez mais um veia saltar em sua cabeça, mas de repente se sentiu muito burra olhando para o quadro:

Fujitaka: Trabalho na universidade.

Touya: Aniversario da Fundação de trabalho.

Maria: Excursão da escola.

– Por que você estava na área do Show dos pinguins? – A garota falou, no meio de se martelar mentalmente na cabeça. – Como é o trabalho?

– Dar comida aos pinguins. – Ele respondeu vagamente, procurando comida na geladeira.

– Que legal!– Ela disse, imaginando chegar perto dos pinguins e poder realizar seu plano para dominar o mundo.

– Legal nada. – Ele disse, se levantando.

– Mas por quê? – Ela perguntou, saindo de sua fantasia.

– Porque sim. – Touya falou, passeando suas mãos pela mesa até achar o prato de panquecas ainda quente.

Ela segurou o garfo e colocou um pedaço na boca, sentindo a leve doçura do melado e o quente sabor da manteiga derretida. Ele não viu sua prima furiosa se aproximar dele, mas sentiu o piso no pé, já que a dor o fez largar o garfo, que Maria pegou "graciosamente".

– Não toque na minha panqueca. – Ela disse, emburrada. Touya a deu uma encarada do mal, sentindo seu pé latejar de dor.

– Ei, o que você esta fazendo ai fora? Entra logo! – O Kinomoto falou, fazendo um ponto de interrogação brotar na cabeça da garota.

– Gomen, Gomen. – A voz que falou essas palavras era doce e gentil, logo fazendo Maria se derreter. – Enrolei um pouco para tirar os sapatos. – Tsukishiro Yukito disse, aparecendo na porta da cozinha. – Konnichiwa, Maria-chan. – Ele disse com seu sorriso gentil, fazendo a garota ficar vermelha.

– Yukito-san! – Ela disse, ficando corada e abaixando sua cabeça, envergonhada. – Konnichiwa...

– Parece delicioso. – O rapaz falou, olhando as panquecas que a menina havia preparado. – Você é uma ótima cozinheira, não é, Maria-chan?

– Er, eu acho, não sou nenhum Sanji sabe... – Ela falou envergonhada.

– É tudo mentira, Yuki, ela é horrível. – Touya falou, ganhando um chute da canela que sim era digno do Sanji.

– Er, que, bom... – Maria começou, tentando controlar seus batimentos cardíacos.

– Sim? – O Tsukishiro inquiriu, sorrindo gentilmente.

– Você não gostaria de comer... Uma panqueca? – Ela perguntou, sentindo seu rosto queimar.

– Não tem problema? Você comprou com sua mesada, não foi? – Yukito perguntou e a garota sorriu diante da educação do rapaz.

– Está tudo bem. – Ela diz com o mesmo sorriso do Tsukishiro. – Eu levo para o quarto do Oniichan depois.

– Obrigado. – Yukito-san disse, sorrindo docemente para a garota.

Maria cuidadosamente equilibrou a bandeja com as panquecas ("Que droga! Eu não posso ser tão mal-educada na frente do Yukito-san! Eu tenho que levar panquecas pro gay também...) e os dois copos de refrigerante com cubos de gelo. Ela subiu meticulosamente a escada, dividindo o peso da comida. Ela chegou na porta, de repente se sentindo burra (de novo).

– Eu não tenho como abrir a merda da porta... Eu sou burra demais. – Ela disse, encarando a porta a sua frente.

– Obrigado, Maria-chan. – Ela ouviu de repente.e viu Yukito saindo do quarto se abaixando com seu sorriso usual e fazendo ela entrar em modo 'Hanyan'.

– Maria, você estava ai? – Touya perguntou com seu jeito impertinente de sempre, sentado a sua cama "estudando" ("To te entendendo, Touya... To te entendendo...").

– Ano... – Ela falou, chamando a atenção dos dois. – Como sabia que eu estava ai? Nem sequer bati na porta...

– Só pensei que você estava trazendo a bandeja pra cá. – Yukito disse, ainda sorrindo.

Kerberos estava sentado na cama na cama de Maria, contemplando a história da garota. Era provavelmente um Clow Card, afinal, redemoinhos não aparecem de repente e atacam pinguins e domadoras do nada. Mas o problema não era descobrir que carta era, afinal, havia uma quantidade muito limitada de cartas que podiam fazer o que Maria descreveru, mas o problema em si era a carta. Se fosse a carta que ele pensava que era então a CardCaptor não tinha muita chance em seu estado atual. Sim, CardCaptor Maria é forte, mais forte que o normal... Mas aquela carta não apenas é agressiva, mas também poderosa...

– Aquário... Água... – Ele disse, procurando em sua mente outra carta que corresponde as características da situação, mas suspirou a não achar nenhuma outra.

Maria chegou ao quarto, sua face vermelha, entrando e fechando a porta rapidamente. Ela se encostou contra a porta, escorando sua bochecha fervente da madeira fria, a dando um pouco de alivio. Ela deixou um pequeno sorriso entrar em seu rosto, saindo de seu modo Hanyan e entrando no lado mais suave de seus sentimentos por Yukito. Um lado realmente calmo e sereno... Assim como o próprio...

– Maria! – Kero gritou, vendo a garota com seu sorriso suave e face avermelhada. – Ei, Maria! O que esta acontecendo com você?

– É só que... – Ela disse, pegando o Guardião delicadamente em suas mãos e lhe dando seu sorriso suave, fazendo o pequeno corar. – Eu estou muito feliz.

– N-Não s-seja tão mo-mole. – Ele disse, ainda corado. – Você tem uma missão como CardCaptor.

– Eu... Só estou sendo feliz... – Ela disse calmamente, com seus lábios ainda levantados.

– Você não se importa se os pinguins se afogarem de novo?! – Ele gritou, atingindo um nervo.

A garota deu um pulo, a expressão serena sendo substituída por uma de determinação. Ela se levantou, soltando Kero enquanto o fazia, e bateu em suas roupas, como se tivesse empoeirada. Ela olhou para Kerberos com uma cara seria e determinada.

– Claro que me importo, eu não sou um monstro sem coração, Kerberos. – Ela falou, fazendo Kero estremecer com o jeito que ela falou seu nome.

– O-OK, não me olhe assim. – Ele disse, voando para perto da caída pantufa de Pikachu. – Só que dessa vez as coisas podem complicar pro nosso lado.

– Obviamente, o pinguim e a treinadora se afogaram na água, não é? – O Protetor falou.

– Não, Kero-chan, foi no ar. – A garota falou sarcasticamente.

– E nessa hora você viu quem fez eles se afogarem? – Ele inquiriu de novo, ignorando o sarcasmo da garota (Um novo recorde, até Touya levou 1 mês e meio)..

– Na verdade, só vi a água formando um redemoinho, sozinha.

– Bom, então é provavelmente, água, a carta Watery. – Kero disse serio.

– Pelo menos sabemos que carta é. – Ela disse, com um pouco de raiva de Watery. Ela não tinha o direito de afogar os pinguins e a treinadora. – Agora, precisamos capturar e transformar em carta.

– Não é tão simples assim! – Kero disse. – Quando Watery está dentro d'água é impossível vê-la a olho nu. Suponhamos que talvez consigamos tirar ela da água: Ela se espalhará em gotas e não terá mais fim. Materiais como água, que não tem mais fim, são difíceis de capturar. Mesmo entre as Clow Cards, Watery é a carta que tem energia mágica mais forte. Os quatro elementos terra, água, fogo e vento. Todos são muito difíceis de capturar! E ainda por cima, Watery é uma carta de ataque mágico... Ela tem muita energia mágica!

As cartas que você possui são Windy, Fly e Shadow. Com essas você não vai conseguir nada. Mesmo usando Windy, carta com o mesmo tipo de magia, ainda não vai conseguir vencer Watery! Porque ela é muito bondosa.

– Windy. Shadow. Fly. – A garota sussurrou, olhando para as cartas. – Eu só tenho essas cartas... Mas tem que haver um jeito de derrotar Watery, Kero-chan!

– Maria, entenda, você vai acabar se machucando. Watery é muito forte! As cartas que você tem não são... – Kerberos falou, tentando acalmar a garota.

– Não, Kerberos! Tem que haver um jeito!

– Não, Maria.

– Mas...

– Por favor, não discuta mais isso comigo. – O Guardião disse. Ele observou a garota suspirar derrotada e ir indignada tomar banho.

"Isso para seu próprio bem, Maria..." Kero pensou triste.

Maria Silva estava acordada em sua cama, olhando pensativa para o teto. Já era noite, Yukito-san já havia ido embora e provavelmente estava dormindo. Touya estava dormindo. Tio Fujitaka estava dormindo. Tomoyo estava dormindo. Kero estava dormindo. O Japão estava dormindo. Mas ela não conseguia dormir. Só em pensar que a Watery estava livre para machucar pessoas... E Kero não queria deixa-la ajudar, capturar a carta.

Você não entende, Kero-chan... Eu não quero que mais ninguém se machuque...

Ela sentiu muita raiva, tanto que podia sentir lagrimas de raiva brotando em seus olhos. Ela não estava com raiva de Kero, nem Watery nem mesmo Clow Lead por tê-los criado. Ela estava com raiva de si mesma, raiva de sua impotência, raiva de não poder salvar aquelas pessoas. Ela cobriu sua boca com suas mãos, para os sons de seus soluços não saírem de sua boca.

Chorar. Isso a fazia sentir ainda mais fraca e impotente, o que a fez chorar mais. Ela queria poder falar com alguém. Kero, Fujitaka, Touya, Tomoyo, mas a ultima coisa que queria era preocupa-los. Ela não podia deixa-los ver sua fraqueza, não por seu orgulho idiota, mas pelo fato de não querer preocupa-los.

Depois de tanto chorar, ela finalmente caiu em um sono acolhedor.

Maria lentamente abriu os olhos.

Ela se sentou rapidamente, notando que não estava em seu quarto. O lugar era um infinito, não se sabia onde era fim e onde era começo. Eram como se fossem espelhos gigantes, os céus estavam como se fosse um fim de tarde, lembrando-a da cena final do jogo em Sword Art Online. Mas no que ela estava sentada não parecia ser chão, nem sequer era solido. Ela levou suas mãos para frente de si e se levantou cuidadosamente. A garota finalmente pode olhar para suas mãos.

Água?

Ela nem obteve tempo para contemplar isso.

A CardCaptor sentiu seu corpo ser puxado para baixo com força, emergindo na água. Ela sentia como se tentáculos de água segurassem seus braços e pernas, a impedindo de subir. A garota foi pega de surpresa e não conseguiu prender a respiração, então já sentia seus pulmões implorarem por ar. Ela se sentia desesperada, a sensação que sentia era como mais cedo, gélido e desesperador. Ela tentava se segurar em algo, mas os tentáculos apenas puxavam mais para abaixo.

Seus braços e pernas estavam cansadas, seus pulmões se esforçando para a deixar viva, seu coração batia com desespero e ela já se sentia fraca e quase inconsciente. Ela finalmente parou de se debater, fraca demais e se sentiu ser puxada para baixo.

Havia perdido.

Maria se sentou rapidamente, sentindo que seu coração estava a ponto de explodir com a pressão. Ela estava respirando rapidamente e com dificuldade, se sentia pingando de suor e sua roupa estava encharcada com seu suor, mas não tanto quanto estava em seu sonho. Medo ainda apertava seu coração que parecia frágil no momento e sentiu vontade de vomitar o jantar. Ela iria ao banheiro, mas por algum motivo, mal conseguia se mexer. Ela viu algo escorrendo seu queixo, e não parecia suor. Ela vagarosamente levou sua mão direita a seu rosto.

Estou... Chorando?

Ela decidiu que não conseguia mais ficar na cama. Ela tirou os cobertores abafados que mais parecia correntes, ela colocou suas pantufas de Pikachu e se levantou cuidadosamente, não querendo fazer barulho e acordar Kero. Ela saiu de seu quarto devagar e silenciosamente, indo em direção a certo quarto. Ela abriu a porta do quarto cuidadosamente e falou meio tremula:

– Oniichan.

Kinomoto Touya despertou de seu sono feliz com a voz de sua prima. Ela estava com seu pijama, deitado confortavelmente na cama. Seu instinto lhe dizia para mandar a garota pastar, mas algo o fez reconsiderar isso.

A voz de Maria.

Ao invés da sarcástica e animada voz da prima, ele ouviu uma voz amedrontada e tremula, algo que não ouviu há muito tempo. Ele se lembrava, Maria só falava assim quando tinha um pesadelo, geralmente realmente ruins. Desde pequena, ela sempre vinha pra ele assustada, algo de qual ele não reclamava, afinal, tinha que proteger Maria e Sakura.

Touya simplesmente abriu os braços, um gesto que falava tudo entre eles e ela pulou neles, se sentindo segura nos braços de seu primo. Ela sabia que era idiotice dela e que ela não tinha nada a temer, mas começou a chorar, tremendo com violência. Touya apenas a abraçou, se sentindo fraco por não fazer nada além de abraça-la.

– Está tudo bem, Maria. Vai ficar tudo bem. – Ele disse a reconfortando.

Ela chorou até conseguir ficar com sono novamente, segura e feliz. Seu primo a deu um abraço mais forte, a deixando mais contente. Ela olhou pra cima cansada, ele apenas a ofereceu um sorriso reconfortante.

– Está tudo bem, Maria. – E com isso, a garota caiu no sono.

Maria andava na grama verde enquanto pensava, Daidouji Tomoyo a seguia lealmente, fazendo uma gota brotar na cabeça de todos que assistiam a cena (Maria só não tinha porque estava preocupada demais em pensar em um jeito de pegar a Clow Card.) a CardCaptor tinha que admitir que tinha ficado com muito medo de água depois do sonho que teve na noite passada, mas o consolo de seu primo já havia animado-a bastante, então ela precisa achar um meio, algo, qualquer coisa que a ajuda-se na captura.

Ela foi em direção a um pequeno lago artificial que estava perto dela, se curvando levemente e fazendo suas mãos em forma de conchinha, mergulhando-as na água gelada, sentindo um pequeno calafrio ao se lembrar de seu sonho. Ela largou a água rapidamente, como se ela houvesse virado acido queimante, algo que Tomoyo notou. A Daidouji pousou sua mão de um jeito suave, mas firme, no ombro direito da amiga, querendo mostrar que estava lá. A Silva se virou rapidamente, como se esperasse que fosse um tentáculo, mas se encontrou com os olhos violáceos de sua melhor amiga.

Tomoyo-chan... Eu não falei pra ela do meu sonho... Mas ela ainda me ajuda... Sempre. Um sorriso doce brotou em seu rosto Arigatou, Tomoyo-chan.

A extrovertida e animada Daidouji Tomoyo não conseguiu parar a coloração vermelha que foi as suas bochechas diante do sorriso da garota. Ela apenas retribuiu o sorriso, mas notou que Maria já estava encarando a água de novo, colocando as mãos na água e tentando agarra-la, mas logo desistindo e retirando suas mãos um leve toque de ansiedade em seus profundos olhos castanhos, esse comportamento realmente confundia Tomoyo, mas ela resolveu não comentar, afinal, Maria parecia realmente atormentada com o que pensava.

A Silva estava com um dilema. Ela sabia que tinha que pegar Watery, não importava o que Kero queria e era seu dever como um CardCaptor, mesmo que o Guardião para quem ela fez a promessa não quisesse que ela se metesse com essa carta. Esse era seu dever, não só sua honra estaria em jogo, mas também sua palavra. Ela sabia que tinha que fazer isso, era algo de extrema importância. Mas...

Ela deu uma olhada na água, sua aparência limpa e pura era convidativa para os pequenos pássaros que pousavam sobre ela calmamente, tomando goles para refrescar seus corpos cansados. Mas para ela, aquilo parecia uma armadilha sombria que criaria tentáculos e lhe pegariam, a levando para o fundo de onde seu liquido límpido se encontrava. Do mesmo jeito que a sereia Iara fazia com os índios que pescavam a noite.

Não era sua culpa. Pesadelos sempre a deixaram nervosa e assustada. Maria sempre foi uma garota perceptiva e sensível a certos tipos de coisa. Ela ainda podia lembrar a água de um frio tão absurdo que ela conseguia sentir em seus ossos; podia sentir os tentáculos de forma tão nítida que passava a mão de vez em quando em seus pulsos, apenas para ter certeza de que não estavam lá. Ela também podia sentir o ar deixando seus pulmões e o desespero relacionado a isso; era como se sua vida tivesse sendo arrancada de si e preenchida com um frio aterrorizante.

Ela sacudiu a cabeça, tentando tirar a sensação de seus pensamente que parecem estar sendo mais dominados por medo e frio depois daquela noite. Ela só queria esquecer aquilo tudo. Isso, esquecer era o melhor. Aquilo iria passar quando capturasse a carta, tinha que passar, porque se ela ficasse traumatizada com cada pesadelo que tinha, não iria conseguir ser uma boa CardCaptor para Kerberos.

– Parece que a defensora da justiça esta com um grande desafio, né, Maria-chan? – Tomoyo resolveu falar, já que a conversa silenciosa não estava indo tão bem.

– Oh, então realmente é um Clow Card... Faz até sentido... – A Daidouji falou. As duas estavam sentadas debaixo de uma sombra de arvore e Maria já havia explicado tudo.

– É, mas Kero-chan já me falou que a Watery é forte demais pra mim. – Ela falou em um som baixo, apertando seus braços ao seu redor.

Tomoyo colocou um braço a seu redor e Maria se escorou nele, colocando mentalmente uma nota mental em sua geladeira mental que estava dentro de sua mansão mental para agradecer Tomoyo depois. A garota de olhos violáceos apenas apertou o braço ao redor de sua amiga, desejando que ela tivesse magia para poder ajudar em alguma coisa a mais.

Qualquer coisa.

Maria patinava levemente cabisbaixa ao lado de Tomoyo, indo calmamente para frente. A Daidouji estava em silencio, olhando para frente e com seus braços cruzados a sua frente. Ela não queria olhar a tristeza da amiga e estava se controlando para não abraça-la, apertando seus pulsos uns contra os outros discretamente, sabia que a Silva não gostava de pena. Isso era algo realmente admirável, mas Tomoyo queria poder ter ajudado em algo...

– Tomoyo-chan! – A garota de cabelos castanhos exclamou, parando de repente.

– Sim? – A garota de cabelos escuros falou, tentando tirar a expressão triste do rosto e colocar um sorriso gentil.

– Obrigado por me ouvir.

"Obrigado por me ouvir"

Tomoyo ficou encarando a amiga logo após essas palavras, tentando compreende-las. Ela não esperava que as ações dela fossem dignas de um obrigado, mas Maria... Maria pensava que sim. Então ela notou que a garota tinha um sorriso no rosto, o primeiro sorriso espontâneo que não foi precedido por um rosto de medo da garota.

"Eu fiz ela sorrir..." Tomoyo pensou e depois sorriu. "Isso já me faz útil."

– Não, obrigado você, Maria-chan. – Ela disse, abraçando a amiga confusa, que logo retribuiu o abraço. – Ah é, Maria-chan. Eu queria te dar uma coisa! – Tomoyo exclamou e começou a procurar por algo dentro de sua bolsa.

A Daidouji tirou algo que parecia um relógio de bolso de sua bolsa. Era um circulo de tom branco, com detalhes vermelhos que lhe lembraram da roupa de Yuuki Asuna (Sword Art Online). A corrente era de uma cor de mel/castanho-alaranjado com um pouco de dourado e reluzia nos raios do sol.

– Isso é um comunicador feito pela empresa da minha mãe. – Tomoyo disse, abrindo o comunicador na palma de sua mão e mostrando que o lado direito era cheio de botões brancos contornados de vermelho e o lado esquerdo era uma tela. – Esse daqui é o da Maria-chan. – Ela disse, lhe entregando o comunicador vermelho e branco e tirando outro de sua bolsa. – E esse é para o Kero-chan.

O comunicador de Kero era de um tom amarelo-dourado com um circulo preto fazendo contorno. No meio dele, tinha um par de asas, enquanto no dela tinha o símbolo dos Cavaleiros de Juramento de Sangue. Maria encarou os dois por um tempo.

– Não tem problema você me dar eles?

– Claro que não. – Tomoyo disse, balançando a cabeça. – Minha mãe pediu para testar e personalizar eles.

– Obrigado pela preocupação. – Tomoyo sorriu.

– Até amanha! – Maria disse, quando as duas chegaram ao ponto de se separarem.

– Até amanha. – Tomoyo disse, sorrindo gentilmente.

Maria passeava alegremente pelas ruas, se sentindo mais leve depois de sua conversa com Tomoyo.

A Tomoyo-chan sabe mesmo me animar, mas...

Flashback

– S e nós unirmos as três cartas, talvez... – Maria tinha acordado mais cedo apenas para tentar convencer Kero, mas o Guardião não cedia.

– Não dá, não dá. – Ela falou, balançando sua pequena (grande para o corpo) cabeça. – Mesmo se desse para combinar essas três cartas, você desmaiaria se tentasse.

Fim de Flashback

Mas Watery esta tão perto! Me perturba só de pensar nisso... Ela pensou, não olhando por onde patinava e só saiu de seus pensamentos quando esbarrou com alguém.

– Ahhhhhhh! – Ela berrou, se preparando pela queda, mas ela nunca veio. Então a garota notou que estava sendo segurada por dois braços quentes. Ela abiu seus olhos lentamente. – Oh, me descul- – Ela parou quando viu quem era.

Caralho, fudeu.

– Está tudo bem, Maria-chan? – Tsukishiro Yukito perguntou, seu rosto com um semblante preocupado.

Yukito-san... Ela pensou, seu rosto quase explodindo dem calor enquanto Yukito a ajudava a levantar.

– É perigoso andar distraída assim. – Ela disse, pegando suas coisas que haviam caído.

– E-eu sei... Sinto muito... – Ah, Yukito-san, perdoe essa menina inútil...

Obrigado por ontem. – Ele disse sorrindo. – A panqueca estava deliciosa.

– Não foi nada. – É verdade, não foi nada. Você só fritou aquilo...

Ah, cala a boca, eu interior...

Você sabe que é verdade.

Cale-se, sua gorda. Só eu posso dizer o que é verdade em meu reino mental.

Cara, você acabou de se chamar de gorda.

É porque eu sei o que sou.

Discutir com você não vale a pena.

... Nossa, eu devo ser chata pra caralho. Até a minha eu interior se encheu de mim.

– Já esta meio tarde. Esta voltando do Kurabu? – A voz de Yukito tirou Maria de sua lamentação mental. – Parece que você entrou pra equipe de chefe de torcida.

– S-sim. – Respondeu ela, envergonhada.

– Touya me disse que você bateu nele com o bastão enquanto treinava em casa.

– F-foi sem querer. – Todos nos sabemos que não foi.

Ah, cala a...

O que foi?

Eu interior! Você voltou!

Ah merda, vai começar...

– Para retribuir a panqueca, não gostaria de comer alguma coisa um dia desses? – Essa pergunta fez a garota corar.

Tipo... Um encontro?

Você realmente acha que esse pedaço de mau caminho ia quere sair com a gente?

...

... ?

Você é uma destruidora de sonhos

Eu sei.

– Não tem problema? – Ela resolveu perguntar.

– Eu descobri um restaurante que faz uma comida realmente gostosa. – Yukito disse, sorrindo. – A gente se encontra amanha as 13 h no Parque Pinguim.

– Hai! – Maria disse, seus lindos olhos castanhos brilhando de felicidade.

Maria patinava feliz, alegre e sorridente pela rua, de vez em quando fazendo um som de alegria. Sua preocupação com Watery parecia ter desaparecido completamente. Ela chegou ainda doidona em casa, ainda corando, se encostando à porta de seu quarto.

– Yukito-san... – Kero-chan tinha uma gota enorme na cabeça.

– O que? De novo? – Ele disse, flutuando sobre a garota.

Maria se ajoelhou em sua cama, seu telefone branco e vermelho em sua mãos e discou o numero que Tomoyo havia lhe dado mais cedo.

– Aqui é a Daidouji. – Veio a voz do outro lado da linha. Não posso atender no momento, então deixe seu recado após o sinal.

– Tomoyo-chan, é a Maria. Amanhã vou ter um encontro com o Yukito-san! A gente vai se encontrar as 13! Vai ser tão foda! Eu nem sequer sei o que usar! Quando voltar, te ligo de novo.

Enquanto isso, Kero tinha uma grande gota na cabeça.

Yukito estava escorado em uma árvore do Parque Pinguim, esperando sua acompanhente chegar. Logo, ela avistou ela, vindo em sua direção com um vestido com creme com laços esverdeados que ultrapassavam a saia e as pontas iam ate suas sapatilhas negras, meias brancas com listras creme e chapéu esverdeado. Os dois fizeram reverencia, e começaram a caminhar.

– Ano, é que... – Maria falou, chamando a atenção de Yukito. – Por acaso eu errei o horário?

– Não, você chegou 45 minutos adiantada (A/N:Maria é muito mais excêntrica que Sakura até nisso.).

– Então, Yukito-san...

– Cheguei bem mais cedo para não te deixar esperando. – Ele disse sorrindo e fazendo a garota ficar vermelha.

– Aqui é... – Maria parecia sem palavras quando viu o aquário a sua frente.

– Ah é, você veio aqui no outro dia, não é, Maria-chan? – Yukito disse, a guiando para dentro.

– Nós vamos entrar aqui?

– Hai, Maria-chan.

– Mas é claro! Nesse aquário! – Kero exclamou.

Ele e Tomoyo haviam decidido espiar no primeiro encontro de Maria ("O primeiro encontro é muito especial! Eu tenho que registrar em vídeo!" Disse Tomoyo.). E eles acabaram seguindo a garota até o aquário onde ela disse que tinha acontecido o acidente que pode ter sido causado por um possível Clow Card.

– Eu posso conferir se a Clow Card!

– Eu posso filmar o primeiro encontro da Maria-chan.

Tomoyo e Kero compartilharam sorriso cúmplices e bateram as mãos.

– Vamos lá! – Os dois disseram ao mesmo tempo.

– Que peixe grande!

– Pra mim ele é fofinho! :3

– Será que dá pra comer?

– Provavelmente.

– Deve ser gostoso.

– É.

– Quanto tempo será que dura?

– Talvez 45 minutos.

– Deve ser um recorde.

Um monte de gente ouvia a conversa de Maria e Yukito com uma cara de "Que porra é essa?". Tomoyo ria baixinho e seus olhos brilhavam. Maria-chan estava tão fofa!

– Está começando a pegar fogo! – A Daidouji exclamou.

– As crianças de hoje em dia nem sequer dão as mãos... – Kero reclamou do bolso de Tomoyo.

– Bonequinho! – Disse um garotinho que chegou por trás de Tomoyo.

– Jovenzinho, se meter comigo vai acabar se machucando. – O pequeno garoto começou a lacrimejar e foi correndo em direção a mãe.

– Os dois estão se movendo, vamos, Kero-chan! – Tomoyo disse e Kero acenou para o garoto.

– Nossa! Eu nunca tinha visto isso!

Maria olhava fascinada para a grande coluna de viro cheia de água em vários tipos de peixes nadavam no liquido cristalino. A garota olhava para eles, fascinada com suas cores, formas e tamanhos. Yukito sorriu ao vê-la assim.

– Deve ter sido por causa do acidente dos pinguins. – O rapaz de cabelos acinzentados falou, um sorriso gentil em sua face. – Você deve saber que tem uma praça de alimentação aqui. Podemos ver os peixes enquanto comemos.

Ver peixes... Comer... Esse cara sabe como tratar uma garota!

Concordo, eu interior, concordo.

– Touya! – Yukito falou de repente, acenando para o rapaz.

Touya estava vestido de garçom. Blusa branca, calça preta, sapato social e avental. Um apequena gravata borboleta estava amarrada ao redor de seu pescoço.

– Oniichan?

– Eu não acredito que trocou o trabalho com os pinguins por esse! Algumas pessoas não sabem aproveitar as boas coisas da vida. – Ela disse, se sentando na mesma mesa que Yukito.

– Eles vão tirar toda a água de lá para fazer um inspeção.

Espera... Então quer dizer que... Watery não esta mais lá? Ela olhou ao seu redor, se concentrando para sentir algo. Watery ainda está aqui... Ainda sinto aquilo... Mas cadê você Watery? Nunca achei que fosse querer brincar de esconde-esconde.

– Que bom que pode sair daquela "geladeira". Parece que a comida dos pinguins ficava dentro da geladeira, por isso ele passava muito frio. – Yukito explicou.

– É quase a mesma coisa. – Touya resmungou. – Dessa vez me botaram pra fazer raspadinha de gelo.

– O leite com morango daqui é uma delicia.

– Boa sorte, Yuki, ela odeia leite, não sei como não é como a Chiisana Kaijuu. – E Touya leve mais um piso no pé! E a galera vibra!

Eu me pergunto se raspadinha de gelo seria a comida preferida do Haku... Haku... Gelo...

– Então me dê dois desse. – Yukito falou, tirando Maria de seu transe.

– Hai, hai. – Respondeu Touya.

– Yuki, vai querer o extra-grande?

– Tem extra-grande? – Os olhos do Tsukishiro brilharam ao ouvir isso.

– Um encontro com cenário acompanhado! – Kero falou, espionando o encontro com Tomoyo.

De repente, os dois ouviram um barulho e olharam para cima, consequentemente apontando a câmera para lá. No vidro, havia uma grande rachadura que continuamente aumentava de tamanho, jorrando bastante água para inundar todo o espaço onde Maria estava. Logo, água inundou todo o local, mergulhando todos em litros do liquido límpido.

Maria abriu os olhos lentamente, por algum motivo, ela se sentia fraca. Um arrepio assustador passou por sua espinha, mas ela não tinha forças para levantar os braços para se aquecer. Ela lentamente, fez a única coisa que tinha forças para fazer, levantou sua sua cabeça, para olhar seus arredores.

A primeira coisa que viu foi que a água estava se misturando com algo vermelho. Ela viu que tinha um grande pedaço de vidro preso em uma perna, manchando um lindo vestido cor creme, o laço ensanguentado preso a ele já encharcado de sangue. As meias longas que essa garota usava também estavam manchadas.

Esse vestido é muito bonito... Me lembra um vestido que a Tomoyo me deu. Mas meu vestido não tinha essas manchas vermelhas...

Em um dos pés da garota, tinha um pequeno distúrbio da água, como se fosse uma rotação... Um redemoinho... Como se fosse... Os olhos dela se esbugalharam e ela finalmente entendeu tudo.

Ela estava se afogando.

Ela estava sendo atacada por Watery.

Aquela perna sangrenta era dela.

Maria deu um grito alto, que foi abafado pela água. Agora ela podia sentir a dor de sua carne rasgada pelo grande pedaço de vidro. Ela estava tentando se agarrar a algo, mas tudo lhe escapava e Watery puxou sua perna ferida, a fazendo gritar de dor e seus pulmões implorarem por oxigênio. Ela podia sentir sua consciência se esvaindo.

– Maria! Yuki! – Touya gritava enquanto estava sendo levado pela água.

Yukito foi até o machado de emergência, ele sabia que precisava drenar a água o mais rápido possível, já que havia avistado o sangue na água. Ele finalmente conseguiu quebrar a porta e toda água começou a drenar.

Watery podia sentir que a água que a encobria já estava se drenando rapidamente. Ela não conseguiria matar a CardCaptor no momento, mas ela havia parado de se debater há um tempo. Amaldiçoando todos, ela soltou a perna de Maria e começou a fugir, tomando cuidado para não encostar na água ensanguentada.

Maria Silva podia sentir que estava desmaiando, nem sequer tinha força de se debater contra Watery. Ela ficou apenas sentindo o sangue sair de sua perna com rapidez e seu corpo sendo puxado para a superfície, ela não tinha forças para respirar como queria. Ela só queria dormir, mas tinha que ter certeza que era seguro dormir.

– Oi, Maria! Maria! – Touya gritava desesperado, vendo o sangue sair da perna de sua prima. – Chamem uma ambulância! – Ele viu uma garota (Tomoyo, mas ele não estava prestando atenção) tirar um circulo branco e roxo de seu bolso e começar a gritar com a pobre mulher da emergência. – Ei, Maria, aguente firme. – Ele gritou, rastando um pedaço de sua manga para tentar conter o sangramento.

– O... nii... chan... – Ela ouviu a voz fraca de Maria dizer.

– Maria... – Ele falou, vendo que ela tinha um sorriso fraco em seu rosto.

– Está tudo bem, Oniichan. Você esta aqui, agora eu posso dormir.

– Oi, Maria! Maria! MARIA!

Mas a ultima coisa que ela ouviu antes de desmaiar por perda de sangue não foi a voz de Touya, mas sim uma voz fria.

Entende por que não se mexe comigo, CardCaptor?

Sim, ela entendia perfeitamente.