Capítulo 2 - A verdade

No dia seguinte, Draco, Edward e Richard estavam à espera do advo-bruxo para poderem ler o testamento. Quando ele chegou, foi cumprimentado por todos e sem perder tempo ele pegou o papel das mãos de Draco e o abriu começando a ler. Ficou um tempo em silencio o que deixou todos os presentes aflitos, por fim, o advo-bruxo disse:

-Bom, Lucius deixou lembranças a parentes distantes e amigos, disse que se arrependia de parte de seu passado e pediu para que se lembrassem dele apenas pelo lado bom. – o homem fez uma pausa, parecia que o que estava prestes a dizer poderia mudar o curso de muita coisa, respirou fundo e continuou – deixou os negócios em nome de Draco assim como as mansões. Aqui diz que ele deixou metade da herança para uma filha ilegítima e isso corresponde a 50 milhões de galeões que há em Gringots, a outra metade fica para Draco.

O silencio foi sepulcral. Ninguém se atreveu a dizer nada, Draco e Edward murmuravam algo como "Não é possível", "minha neta?", "minha irmã?". Richard e o advo-bruxo apenas se entreolhavam esperando alguma reação dos Malfoy. Após um tempo que pareceu uma eternidade, Draco foi o primeiro a se manifestar.

-Só isso? – perguntou com a voz embargada.

-Não, ele pede também que a menina venha morar com vocês e que vocês a tratem com carinho e respeito, como se fosse de seu matrimonio.

-E com que diabos de nome essa garota tem? – exclamou Edward recuperado do choque.

-Virgínia Weasley. – declarou o homem.

-Não é possível! – exclamou Edward deixando-se sentar em uma poltrona.

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Acordou sentindo os raios de sol baterem-lhe a face. Espreguiçou-se e em seguida foi para o banheiro fazer sua higiene matinal. Ao descer para tomar café da manhã, encontrou todos os seus irmãos, sua mãe, Harry e Herminone cochicharem preocupados.

-Bom dia! – saudou a todos com um sorriso na face. Aquele dia estava lindo e ela sentia que nada poderia estraga-lo.

Todos a olharam inexpressivos e pode ver que sua mãe chorava. Ficou preocupada, o que poderia ter acontecido? A guerra a muito que acabara e não tinha motivo para preocupações. Virgínia indagou o motivo das expressões presente no rosto de cada um, porém ninguém respondeu. A preocupação foi tomando conta de todo o seu corpo e seu olhar passou por cada um.

-Mas o que está acontecendo aqui?- perguntou novamente. Dessa vez sua mãe lhe respondeu.

-Ginny, minha filha, precisamos conversar.

Ginny apenas balançou a cabeça concordando e sentou-se no sofá esperando que alguém tomasse iniciativa, contudo, ninguém falou nada.

-Então...?

-Lucius Malfoy morreu anteontem. – falou Hermione.

Aí que a confusão estampou-se a cara da caçula Weasley. O que diabos ela tinha a ver com a morte de Lucius? Tudo bem, ele ajudara a Ordem a destruir Voldemort, mas isso não o fazia um santo, além disso, todos sabiam da condição fragilizada de sua saúde.Ela só não entendia o que ela havia com isso.

-O que você tem haver com isso, minha irmã, é que...- Rony não conseguiu terminar sua fala, pois sua mãe o cortara.

-Deixe que eu conto isso a ela.

-Contar o que?! Meu Merlin eu estou ficando louca com tanta enrolação!

-Ginny, minha filha, Lucius nomeou você herdeira da metade da fortuna Malfoy – falou Molly tentando, em vão, esconder o nervosismo.

A ruiva não conseguia falar. Estava em choque. Por que ela tinha que ser herdeira dos Malfoy? Ela nunca havia trocado mais que duas palavras com ele!

-Por... Por que? Eu nunca falei com aquele homem! – exclamou.

-Aquele homem, irmãzinha, é seu pai. Você é uma Malfoy! – falou Carlinhos.

-Gininha, você é filha de Lucius. Depois que Rony nasceu, eu e Arthur tivemos uma grande briga e ficamos separados por um tempo. Um bom tem, aliás. Então eu fui pedir socorro a Edward Malfoy, pai de Lucius, que me ajudasse, pois ele era um grande amigo de minha família. Arthur nem sonhava da possível amizade entre meus pais e os Malfoy, mas assim que tivemos essa briga, eu não tive para onde recorrer. E procurei por Edward. Lá reencontrei Lucius e nós lembramos do grande amor que sentíamos um pelo outro em nossa adolescência. E ficamos juntos durante uma noite.

-Por favor, poupe-nos de detalhes sórdidos! – falou Rony enojado. Recebeu um olhar de reprovação de todos e ficou quieto.

-No dia seguinte, Arthur me mandou uma carta dizendo que queria uma reconciliação, pois os meninos precisavam de nós, principalmente Rony que contava com um ano apenas. E eu aceitei, apesar do amor que tive por Lucius, naquele momento era Arthur que eu amava, pois com ele construí uma família e sempre fui muito feliz. Eu amava Arthur de verdade, mas eu estava frágil e Lucius me apoiou. Quando me encontrei com Arthur, contei tudo a ele e ele, naturalmente, ficou chocado, mas mesmo assim me aceitou de volta. – Molly deu uma pausa para respirar e olhar a possível reação da filha, porém, nada aconteceu – descobri que estava grávida e contei a Arthur, ele me aconselhou a contar tudo a Lucius e para eu me resolver com ele, pois ele não ia aceitar uma criança que não era sua. Lucius é claro, lhe rejeitou, não podia ter uma filha fora de seu casamento. Então deixei para pensar no que fazer com você logo após seu nascimento. E você nasceu. Ruivinha, cheia de sardas, bochechuda, um lindo bebê. Arthur não conseguiu lhe renegar e nós a criamos como qualquer outro dos nosso filhos. Juramos contar a verdade somente quando você estivesse pronta, mas agora que Lucius morreu e deixou metade do testamento a você, achei que esse era o momento certo.

Molly ficou calada, soluçando baixo. Ninguém se atrevia a falar nada e todos olhavam Virginia Weasley com olhares inexpressivos. Após um longo tempo de reflexão, ela se pronunciou:

-Os meninos sabem disso desde quando? – falou com a voz tremula por causa da raiva que sentia. Raiva esta que não era transmitida pela fala e sim pelo olhar.

-Desde sempre – começou Percy – mamãe nos contou a verdade logo após seu nascimento. Somente Rony ficou sabendo mais tarde, aos 10 anos. Ela nos prometeu que contaria a você no momento certo e nós acreditamos nela.

Ela olhou para todos sem dizer uma única palavra. E então começou a chorar. Um choro angustiado, de quem tinha perdido as pessoas que mais amava. E era verdade, após a morte de Arthur, durante a guerra, a menina se apegara demais aos irmãos e quando eles saíram de casa sentira uma dor imensa, só restara ela e sua mãe na tão aconchegante Toca. Agora, sabia que era ligada somente pela metade com aqueles meninos. E isso a agoniava.

-Mais alguma revelação ou exigência? – perguntou sarcástica.

-Ehr... A família Malfoy quer que você vá morar com eles, pedido de Lucius. – falou Gui.

-O quê? Nunca! Vocês estão loucos? Endoidaram de vez?

-Ginny, não fala assim, são sua família – interviu Harry.

-Você e Mione também sabiam?

-Sim – respondeu Harry e Hermione em uníssono.

-Eu não acredito... – murmurou enquanto ia saindo e subindo as escadas.

-Aonde você vai? – perguntou Rony preocupado.

-Arrumar minhas coisas. Eu não tenho mais anda a fazer aqui.

A ruiva simplesmente se virou e continuou a subir as escadas. Estava falando sério, iria sair daquela casa, não podia ficar morando sob o mesmo teto de pessoas que a enganaram há tanto tempo. Não conhecia mais a si mesma. Agora, pensava que sua vida havia sido uma farsa completa.

Arrumando suas coisa, Ginny pensava em como iria suportar viver sob o mesmo teto que uma pessoa que a desprezou durante 6 anos de sua vida: Draco Malfoy, aquele ser que ela odiou e ainda odeia, que zombou dela e de seus meio-irmãos durante todo o período em Hogwarts. Parou de pensar nisso. Era hora de olhar para o futuro e esquecer o passado. Iria viver com os Malfoy, mais assim que pudesse sairia de lá e arranjaria um cantinho só seu.

Na Mansão Malfoy, a situação não era diferente. Edward e Draco andavam de um lado para ou outro em silencio, pensando em algo para se fazer a respeito dessa nova situação.

-Minha mãe deve estar se revirando no túmulo! – resmungou Draco.

-Ora, para de pensar em sua mãe e pense em nós. Uma Weasley! Onde já se viu? E ainda querer que venha morar com a gente. Meu filho até no túmulo me dá trabalho! – lamentou Edward.

-Você não espera que ela venha morar conosco, espera? – retrucou irônico.

-Ela é dessa família agora. – falou seu avô dando o assunto por encerrado.

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N/A: Olá pessoal! E aí o que acharam do segundo capítulo da fic?

Queria agradecer a todos que comentaram e pedir para comentarem e darem sua opinião sobre este capítulo. Desculpem os erros de português e se alguma coisa estiver confusa, deixem uma review que eu respondo a vocês.

Melody Sephy Kitsune: e aí o que achou desse capítulo? Gostou da reação deles? Hauhauhau eu também amo livros. Beijos.

Shadow's fairy: Obrigada pela review e pelos votos de inspiração, espero que goste desse capítulo.Beijos.

Tathy: obrigada pela review, é triste sim, mas ainda vai rolar muita coisa! Como diz minha mãe "tem muito pano pra manga ainda" :p. Beijos.

Obs: O livro é Helena de Machado de Assis (adorei a idéia do livro! E o livro em si).

Espero que tenham gostado.

Beeijos e até o próximo capítulo.