Capítulo 3 - Conselhos.
MEU PEQUENO HERDEIRO
SAKURA
Acordei com o som da minha campainha tocando freneticamente. Levantei-me ainda sonolenta, coloquei o meu roupão branco e caminhei para a sala. Abri a porta me deparando com uma Ino de cenho franzido.
— Ino? – disse confusa, coçando os olhos, sonolenta.
— Caramba, testuda, eu mofei aqui fora e você não atendia. – reclamou ela, entrando no meu apartamento sem ser convidada. Abusada. — Eu pensei que você tinha morrido aí dentro.
Revirei os olhos, fechando a porta. Ela parou no meio da minha sala e me fitou.
— Eu estava dormindo.
— Há essa hora? – seu tom de voz saiu um pouco incrédulo. – Testuda, é quase sete horas da noite.
— Quase sete da noite? – gritei, meus olhos arregalando.
Corri até a cozinha e fitei o relógio de parede que marcava 18hrs e 42min. Eu não estava acreditando que dormi tanto assim.
Voltei para a sala, mas Ino não estava lá. Franzi o cenho.
— Ino.
— Eu estou aqui no seu quarto, testuda. – sua voz vinha do outro cômodo.
Entrei em meu quarto encontrando-a revirando o meu guarda-roupa, tirando um monte de roupas e as jogando na minha cama e no chão.
— O que você está fazendo, sua maluca? – gritei, a puxando pelo braço, tirando ela de perto do meu guarda-roupa.
— Oras, eu estou procurando uma roupa para você ir ao bar. – ela arqueou uma sobrancelha. – E, aliás, você não tem nenhuma roupa que preste nesse seu roupeiro.
Eu a fitava totalmente incrédula, não estava entendendo nada do que ela estava falando.
Bar?
— Que bar, Ino? – perguntei extremamente confusa.
— O bar que nós vamos hoje à noite.
— Eu não vou a bar nenhum. – comecei a catar as minhas roupas espalhadas e comecei a ajeitá-las no guarda-roupa.
— Ah, você vai sim. – ela tomou as roupas de minha mão e as jogou no chão. Eu a olhei, brava. - Vai está todo mundo lá, e eu vim aqui para nós irmos juntas.
— Mas fique você sabendo que eu não sabia que íamos a um bar. - meu tom era sério. - Você não me disse nada.
— Mas está sabendo agora. – ela disse por fim, voltando a revirar meu armário.
Irritada, a puxei de novo pelo braço, fazendo-a parar e me olhar novamente.
— Eu não vou para canto nenhum, porca.
Suas sobrancelhas uniram e seus lábios crisparam.
— Sakura, deixa de ser chata. – seu tom aumentou dois décimos. – Olha só para você? Nem parece que tem dezessete anos. Parece mais uma velha que vive sentada numa cadeira de balanço reclamando de tudo e vendo a vida passar. Poxa, você é minha melhor amiga, eu não gosto de te ver assim, se remoendo pelos cantos por causa do Sasuke. Ele é lindo, sabemos disso. Nós brigamos e acabamos a nossa amizade por um tempo por causa dele, e olha o que nós ganhamos? Nada. A única coisa que ganhamos foi nada. – seus olhos estavam começando a lacrimejar. Abri a boca para dizer alguma coisa, mas ela não deixou, murmurando a última frase: – Sabe, eu senti falta da sua amizade quando nós estávamos brigadas.
Deixei uma lágrima cair, quando ela confessou que sentira a minha falta quando nós estávamos de mal uma com a outra.
— Eu também senti a sua falta... Ino Porca. – sussurrei, e vi um pequeno sorriso escapar por sua boca.
Eu também senti muita falta dela, muita mesmo. Mas a expectativa que tínhamos de ter a atenção do Uchiha e o fazer gostar de nós era tão grande que passamos por cima de tudo, até mesmo de nossa amizade.
Ino era minha melhor amiga, e mesmo quando nós estávamos brigadas, ela tentava me pôr para cima com aquelas ofensas. Mas lá no fundo, eu sabia que era um meio que ela encontrou de demostrar que se preocupava comigo. E agora ela estava fazendo a mesma coisa. Ela estava me mostrando que não valia apena chorar por uma coisa que eu nunca iria ter. Chorar por um cara que eu sei que não valia a pena.
Ergui meus olhos para fitá-la. Ela estava certa, eu tinha que parar de ser uma boba e começar a viver a minha vida. E o Sasuke que se dane. Não vou mais chorar por ele, nunca mais.
— Será que você pode me ajudar a encontrar uma roupa? – perguntei, enquanto um sorriso de lado se abria em meu rosto.
Ino abriu um largo sorriso e me abraçou fortemente, e retribuí.
— É assim que se fala, Testa de Marquise. – sua voz saiu animada, e nós nos separamos. – Você vai chegar lá causando. Vai mostrar para aquele Uchiha o que ele estar perdendo.
Meu coração falhou uma batida quando ela falou o nome dele.
— O Sasuke vai estar lá? – perguntei, estava começando a me sentir insegura novamente, vendo a minha animação de segundos atrás se esvair.
— Isso aí eu já não sei. O que eu sei, é que vai está todo mundo lá. E pode ser que ele esteja também. – ela respondeu, começando a revirar o meu guarda-roupa novamente.
Suspirei. Eu não queria me encontrar com Sasuke. Eu ainda estava sob os efeitos do nosso último encontro ontem à noite. Se fechasse os olhos, eu podia visualizar o seu perfil a minha frente, me fitando. Eu a sua frente como uma boba apaixonada nutrindo um pingo de esperança de que ele dissesse alguma coisa que pudesse fazer tudo que eu passei valer apena. Os dias que o esperei que ele voltasse, os dias que eu treinei duro para poder chegar em seu nível tivesse alguma recompensa no final. Mas pelo jeito não. Eu tenho que acordar para vida e enxergar que finais felizes, em que a mocinha fica com o mocinho no final de tudo, não passa de um mísero conto de fadas.
— Achei! – gritou Ino animada, me tirando de meus devaneios. Ela estava toda alegre com um vestido vermelho-bordo, curto e bem simples em suas mãos. – Esse vestido vai ficar ótimo em você, Sakura.
— Ah não, Ino. Esse vestido é curto demais, não vou usar isso.
— Para de ser careta, Sakura. – ela franziu o cenho. – O que nós combinamos de chegarmos causando?
— Mas acontece, porca, que esse vestido está fora de questão. – tomei o vestido de suas mãos. – Ele é curto demais, colado demais. Não vou sair com isso.
— Mas acontece, senhorita testuda – ela tomou o vestido de minhas mãos. –, que você não está no direito de questionar nada. Você tem um corpo bonito, e esse vestido vai cair bem em você.
— Mas esse vestido vai me fazer parecer uma vadia. – declarei.
— Vai nada. Com uma maquiagem e um penteado certo, você vai ficar sexy como a sua amiga aqui.
E pela primeira vez, prestei atenção na roupa que ela estava usando.
Um vestido roxo escuro rendado e colado no corpo, de um lado com manga longa e o outro sem nada, e nos pés uma sandália preta de salto 12.
— Esquece. Eu não vou usar esse vestido e ponto final. – falei cruzando os braços, batendo o pé.
Uma hora depois eu me olhava no espelho, mal me reconhecendo com o trabalho que Ino fez em mim.
Eu estava vestida com o vestido vermelho-bordo que batia um pouco acima na metade das coxas, deixando as minhas pernas expostas. O vestido era colado do busto até a cintura, e soltinho no quadril. Tinha um decote um pouco generoso, mas discreto, e com manguinhas. Eu calçava sandálias preta de salto.
Os meus olhos estavam destacados com uma maquiagem um pouco pesada, e um batom cor-de-rosa claríssimo nos lábios. Meus cabelos curtos estavam partidos de lado e soltos.
Pela primeira vez depois de muito tempo, eu me sentia... linda.
— Você está linda, testuda. – disse Ino. – Eu fiz um bom trabalho.
— Menos, Ino. – a olhei, refletida no espelho atrás de mim.
— Agora ânimo! E vamos logo, por que a noite é uma criança. – ela me puxou para fora do meu apartamento.
Chegamos à entrada do bar e percebi que o mesmo estava cheio, mas mesmo assim não impediu de nós duas entrarmos. Senti olhares pousando entre mim e Ino, a maioria sobre mim. Todos homens.
Por que todos estão olhando para mim?
A cada passo que dávamos, nós atraíamos olhares. Eu já começava a me sentir desconfortável, e já me arrependia por ter vindo a esse lugar, e ainda por cima com um vestido que tinha ganhado ano passado, um presente que Shizune me deu em meu aniversário de 16 anos. Eu devo está chamando muita atenção, e isso é uma coisa que eu não queria. Eu preferia a descrição. Como eu fui deixar ser influenciada por Ino? Era lógico que ela iria me deixar assim...extravagante.
— Oi gente, chegamos! – Ino disse assim que chegamos ao local onde estavam os nossos amigos sentados num canto mais afastado.
— Demorou, Ino. – ouvi a voz de Chouji.
— Culpe a testuda aqui. Foi muito difícil tirar essa garota de casa. – Ino me puxou para frente, fazendo todos na mesa me fitarem com olhares de espanto, me fazendo corar.
— Oi, gente. – minha voz soou baixa, eu me sentia intimidada.
— Sakura-chan? É você mesmo? – gritou Naruto, seu rosto estava com uma expressão incrédula, como se nunca tivesse me visto arrumada. Bom, ele nunca me viu arrumada, não como eu estava naquele momento.
— Claro, Naruto. – revirei os olhos.
Foquei a atenção no pessoal que estavam lá. Chouji estava sentado ao lado de Shikamaru, Sai estava sentado à direita, de frente ao Chouji que ao seu lado estava Kiba - sem o Akamaru - e Hinata ao seu lado. Naruto estava sentado na ponta e Sasuke ao seu lado.
Nossos olhares se cruzaram, fazendo meu coração disparar. Ele estava lindo como sempre e me fitava descaradamente, sem ao menos disfarçar, me fazendo corar cada vez mais com o seu olhar que havia um brilho diferente.
