"Na balança da vida"
AUTOR: LARYSAM
BETA: VICKYLOKA
DATA: SETEMBRO DE 2009
FANDOM: J2, Padackles
PARES: JARED/JENSEN,
NOTA1: Os atores de Sobrenatural, ou quaisquer outros atores de quaisquer outros seriados, não nos pertencem. Somos apenas fãs que gostam de brincar com as inúmeras possibilidades que se apresentam na relação dos mesmos. Meus textos não têm fins lucrativos.
ADVERTÊNCIA: O conteúdo desta história é adulto. Estão advertidos, portanto, os leitores.
RESUMO: Um sempre acreditou no melhor das pessoas, no direito de ser considerado inocente até que se prove o contrário. Para o outro não existe meio termo e segunda chance, tudo é preto no branco. Ambos têm uma característica em comum: não jogam para perder. Mas, no jogo da vida, alguém sempre perde. O que acontece quando seus destinos se cruzam, mas em lados opostos? Poderão o amor e a justiça se encontrar, mesmo sendo ambos cegos?– Padackles/AU
CAPÍTULO 3
Chris estava indo atrás de Jensen quando cruzou no corredor com Chad e um jovem que não conhecia. "Seria o novo cara?", pensava quando o loiro finalmente o notou.
- Kane, ainda a rêmora do grande tubarão branco? – Chad sorria maliciosamente. – Não cansou de ficar à sombra do Ackles?
- E você, Murray, ainda caindo de boca em tudo que se apresenta de saia? – Chris respondia como um sorriso que não alcançava seu olhar sério. – Cuidado, esses seus hobbies obscuros ainda podem lhe levar para trás das grades. Ah! E não se esqueça de conferir se há pomo de adão. A pessoa nunca sabe e sua imagem de garanhão ficaria bastante arranhada.
- Seu filho... – Chad perdeu o sorriso e partiu para cima de Kane, mas Jared se colocou a frente e, com uma mão firme no ombro, impediu o avanço do colega.
- Já chega, Chad. – Jared tinha a expressão firme, demonstrando que não deixaria espaço para discussão. – Temos coisas mais importantes e eu não quero ficar mais do que o necessário aqui. Vocês acabarem presos por desordem não vai ajudar em nada, pois pelo que eu vi o delegado Beaver não se preocuparia muito com quem começou o quê.
- Escute sua babá, Murray. – Chris provocou mais uma vez.
- Você. Melhor não testar minha paciência, seu amigo já a diminui bastante por hoje, em 5 minutos de conversa. – Jared havia se voltado para Chris.
- O que foi, novato? Já sentindo a pressão no primeiro encontro? – Chris estava curioso e resolveu provocar o mais novo, queria saber até onde poderia ir.
- Se eu senti alguma coisa foi o tamanho do ego, que não corresponde ao tamanho dele, devo dizer. – Jared também analisava o homem a sua frente. – Não me assusto com meros latidos e rosnados, então pode sair do modo cão de guarda. Acontece que não tenho paciência para gente que acredita ter o mundo no umbigo.
- Uau, os únicos latidos até agora que eu estou a ouvir são os seus, mas vamos ver como se sairá no Tribunal. – Chris puxou sua sorte mais um pouco e percebeu quando o moreno a sua frente estreitou os olhos e respirou fundo. Parecia ter encontrado o lugar certo para cutucar, porém foi surpreendido com o tom calmo do outro.
- Tem razão, estou perdendo tempo com coisas insignificantes quando deveria estar levando o meu cliente para casa dele. E não precisa se preocupar com o meu trabalho, aposto que você deve ter outras coisas para fazer além de se preocupar comigo. – E com uma voz bem educada, Jared continuou antes de se virar para seguir. – Agora com a sua licença. Kane, certo?
Chris só concordou com a cabeça e observou quando Jared indicou uma porta para Murray entrar. Porém, antes que o moreno desaparecesse de vista, Chris o chamou. – O seu nome, eu ainda não sei. E como assim, levando seu cliente para casa?
Jared então sorriu e Chris pode ver certo brilho em seus olhos. – Oh, seu amigo pareceu não achar importante o meu nome, então acho que não precisa se preocupar com isso. Quanto ao meu cliente... bem, digamos que eu comecei o dia latindo menos e agindo mais. Tenha um bom dia. – E dito isso, Jared sumiu pela porta.
Chris balançou a cabeça negativamente, mas não pode evitar um leve sorriso. O garoto era ousado e inteligente e Chris gostava disso. Quando finalmente se virou para seguir seu caminho, percebeu Jensen vindo em sua direção e, ao que parecia, soltando fogo pelas ventas. Chris sorriu mais ainda quando pensou no que aquele garoto poderia ter feito para deixar o amigo nesse humor, pois poucos tiravam Jensen Ackles do sério.
- Não sei por que você está rindo, o dia não começou nada bem para nós. – Jensen soltou assim que alcançou o lado do amigo que estava a lhe esperar, e continuou a resmungar. – Um dia perdido, a porra de um dia perdido. "Depois me procura". Quem ele pensa que é?
- Acredito que você não esteja falando do Murray nem do Beaver. – Chris falou, esperando que o amigo explicasse o que tinha acontecido.
- Não! – A palavra saiu carregada de raiva. – Aquele Padalecki pensa que está lidando com os promotores do fim de mundo que ele saiu?
- Hummm... Então o nome dele é Padalecki. – Chris pensou alto.
- Que porra importa o nome dele?! – Jensen olhava para o amigo.
- Sabe que ele falou exatamente isso? Que você não se importava com o nome dele. – Chris sabia que só estava aumentando a raiva do amigo, mas não conseguia evitar o sorriso.
- Então, você já conheceu o filho da mãe que passou a perna na gente?
- Sim e pensando direitinho, acho que ele lhe chamou de baixinho também. – Chris continuou observando bem o amigo, esperando a reação.
- Eu, baixinho? Ele é que é um gigante e um bastante prepotente. – Jensen falou quando eles alcançaram a porta da frente da delegacia.
- Verdade, o garoto tem peito, sem contar que é bonitão. – Jensen parou nos primeiro degraus e encarou o amigo. – Quê?! Vai dizer que não notou? Jensen, você sequer olhou para o garoto, olhou?
- Chris, não sei se você escutou, mas vou repetir. Esse gigante praticamente esfregou o habeas corpus na minha cara e não permitiu que eu falasse com o Higlinton e você vem me falar sobre ele ser bonitinho?! – Jensen tinha no rosto uma expressão de descrença.
- Bonitinho não... ok, parei. – Chris começou antes de eles atravessarem a rua e seguirem até o carro, mas parou diante do olhar de Jensen...
- Às vezes, eu tenho dúvida sobre você ser realmente hétero, Chris. – Jensen responde, arrancando uma risada de Chris.
– Mas, você sabia que a gente tinha que ter sorte para encontrar Higlinton antes da decisão do habeas corpus. – Chris tentou retomar a conversa só que mais séria dessa vez quando eles entraram no estacionamento.
Jensen, entretanto, nada comentou e eles seguiram até o carro em silêncio.
- Então, para onde vamos? – Chris tentou iniciar a conversa novamente, ao mesmo tempo em que destravava o carro.
- Promotoria, meu dia não pode piorar mesmo com os gritos do Jeffrey. – E dito isso, Jensen entrou no carro.
Chris suspirou fundo. "Jensen e Jeffrey de mau-humor. É, o dia vai ser longo". E com esse pensamento, entrou no carro e deu partida.
Jared e Chad seguiram para outro departamento, onde assinariam os papéis de liberação dos poucos pertences trazidos com o senhor Higlinton quando Chad virou-se para Jared com raiva.
- Quer me falar que porra foi aquela, Padalecki?! Defendendo o inimigo? – Chad falou com a voz um pouco alterada.
- Não Chad, como eu falei só não vi em que seria vantajoso se você terminasse preso. Além do mais, quem sempre fala o que quer, ouve o que não quer. – Jared respondeu e tentou seguir seu caminho, não podia perder a paciência.
- Você vai precisar aprender rápido como as coisas funcionam por aqui, Padalecki, senão vai terminar ficando para trás. – Chad falava sério. – E acredite quando eu falo que não existe amizade entre nós e o pessoal da promotoria.
- Não, Chad. O que eu preciso saber é fazer o meu trabalho e isso eu sei e estou disposto a sempre aperfeiçoar. Agora se você não me atrapalhar, temos um cliente para liberar.
- É isso que ainda vamos ver, meu amigo. É isso que ainda vamos ver. – Chad sussurrou baixinho, enquanto se colocava a seguir Jared que já estava um pouco a frente.
Com os poucos pertences liberados: uma carteira, celular e um relógio. Seguiram finalmente ao pequeno quarto que era a cela de Higlinton. No momento de entrar, Jared entrou sozinho enquanto Chad aguardava do lado de fora.
- Espero que esteja preparado para ir embora? – Jared perguntou sorrindo, assim que entrou na pequena sala onde seu cliente estava sendo mantido.
A sala era um cubículo com paredes brancas e lisas. Havia uma pequena cama no canto, onde se encontrava Higlinton, uma porta do outro lado que levava ao pequeno banheiro e uma televisão de 14''. Nada fora das regalias dadas aos presos com grau superior. Se bem que Jared reconhecia que a principal vantagem era a cela ser individual.
- Já poderei mesmo ir? – Higlinton encontrava-se sentado na cama com uma expressão mista de alegria, cansaço, ansiedade e apreensão.
- Pensei que tinha deixado claro que o estaria tirando daqui ainda esta manhã. – Jared parou com uma expressão séria. – Acho que você já pode começar a confiar em mim, o que me diz?
- Me desculpe... eu não quis... desculpe, eu não quis dar a entender isso. - Tentou se justificar sem jeito.
- Tudo bem. Agora vamos indo, a não ser que queira permanecer aqui. – Jared riu quando o homem na sua frente se pôs imediatamente em pé. – Sem contar que ainda precisaremos conversar e eu preferiria fazer isso em sua casa onde o senhor com certeza estará mais a vontade.
Jared percebeu que Higlinton ficou um pouco tenso, mas essa conversa não poderia ser adiada e quanto antes melhor. Quando saíram da sala, encontraram-se com Chad, Jared o apresentou ao senhor Higlinton e informou que o loiro os levaria até a sua casa. E assim, os três saíram da delegacia sem pensar duas vezes.
Chris não foi o único que se encolheu ao escutar a voz de Jeffrey Dean Morgan alterada, no gabinete da Promotoria.
- O quê?! – Jeffrey encontrava-se em pé atrás de sua mesa, andando de um lado para o outro. – Como assim você não interrogou o Higlinton nem fez a proposta de acordo?! Como você permitiu isso acontecer?!
- Já lhe disse Morgan, o tal de Padalecki praticamente esfregou na minha cara o habeas corpus e foi embora, dizendo que depois nos procurava. Dá para acreditar na ousadia? – Jensen falava mais calmo, apesar da raiva ainda ser muita. – Mas, não se preocupe, Morgan, logo, logo, ele estará nos procurando por um acordo.
- E como você pretende fazer isso? Pelo que me falou, o garoto não se assusta fácil nem pretende facilitar as coisas para você.
- Primeiro, eu quero a ficha desse Padalecki. Presumo que você já tenha a ficha que eu lhe pedi. – Esperou por Morgan responder confirmando. – Bom. Quanto a Beaver, este não tem nada de novo, mas pode deixar que eu ficarei sabendo assim que algo surgir.
- Vocês fizeram as pazes? – Jeffrey perguntou diretamente, apesar de saber ser um assunto delicado.
Jensen ficou um pouco tenso e pela primeira vez desviou os olhos, mas se recompôs rapidamente. – Não, aquele bode velho é a pessoa mais teimosa que eu já conheci.
- Ele não é único pelo que posso ver. – Jeffrey olhava com carinho para Jensen, ele gostava do garoto. – Jensen...
- Bem, é melhor a gente pensar no próximo passo. – Jensen mudou rapidamente de assunto.
Jeffrey soltou um longo suspirou e baixou a cabeça, sabia que não ia conseguir conversar com Jensen a respeito disso. – Devo imaginar, então, que você já tem um plano.
- Falamos com a imprensa. – Jensen sorriu abertamente.
- Como? Acho que não entendi.
- Ele não falou que nos procuraria? Então, eu vou fazer ele vir até mim e quando você menos esperar ele vai estar aceitando o nosso acordo.
Jeffrey não falou nada, só ficou analisando Jensen por alguns instantes, o fogo de seus olhos. Seja quem for, esse Padalecki tinha conseguido incomodar Jensen Ackles.
Jared já imaginava o tipo de casa que encontraria quando chegasse à mansão Higlinton, o que foi imediatamente confirmado pelo bairro exuberante com mansões belíssimas. Entretanto, ainda sentiu o queixo cair levemente ao passar pelos grandes portões de ferro da mansão. Na verdade, ele pensou que a própria palavra "mansão" não alcançava o que estava a ver.
A casa deveria ser do tamanho de uns 4 quarteirões ou mais, uma vez que Jared não estava vendo todo o terreno e só o percurso que eles fizeram entrem altas árvores até ter uma visão da bela casa, falava sobre o tamanho do terreno por si só. Logo que puderam avistar a casa, ele tinha ido de encontro a um imenso jardim em toda a parte frontal. Era a coisa mais linda com flores das mais diversas cores e, Jared se pegou sorrindo, árvores podadas nas mais diversas formas, inclusive de um cachorro.
Quando pararam em frente da casa, esta parecia aquelas mansões de cinema. Ele se sentiu em Manderley¹. Era impressionante e com sua visão lateral ainda podia ver o que parecia o começo de uma piscina. Jared não duvidava que aos fundos tivesse uma quadra de tênis ou futebol. "Não tênis é mais a cara desses ricaços", pensou com um leve sorriso.
Jared e William Higlinton desceram do carro, mas Jared ficou para trás, trocando umas palavras com Chad. Após acertar algumas coisas e dispensar o loiro, Jared se juntou a Higlinton que estava sendo recepcionado por uma senhora, de forma carinhosa. Ela era uma senhora de meia idade, estatura baixa, com cabelos grisalhos, olhos pretos e pele morena.
- Oh... senhor William, está tão pálido. – Ela o analisava detalhadamente. – Aposto que nem dormiu. Está com fome? Vou preparar aquela comidinha que sei que o senhor adora e...
- Maria, Maria! – Higlinton chamou por fim mais alto, mas sem ser grosso, a fazendo parar. – Eu estou bem, acredite, Maria. Um pouco cansado e necessitando urgente de um banho. – Deu um sorriso e um breve beijo na bochecha dela. – Agora, será que podemos entrar? Tenho algumas coisas para tratar com o senhor Padalecki aqui.
Só então, a senhora pareceu notar Jared parado ao lado de William Higlinton, observando toda a cena. Quando a senhora voltou sua atenção para ele, Jared estava pronto para estender a mão, mas parou diante do olhar duro e até mesmo frio que lhe era lançado.
- O senhor não está aqui para prender e acusar o meu patrão, está? – Ela perguntou rispidamente.
- Maria! – Higlinton repreendeu diante da hostilidade.
- Tudo bem, senhor Higlinton. – Jared respondeu e deu um leve sorriso a Maria, que não retribuiu ou suavizou sua expressão. – Na verdade, estou aqui para defendê-lo e pode ter certeza que vou fazer tudo ao meu alcance para isso.
- Espero mesmo que...
- Maria, já chega! – Higlinton a interrompeu num tom mais duro do que o usado até agora, o que fez Jared se sobressaltar levemente, devido à surpresa.
- Me desculpe, senhor William. – Maria se dirigiu a Higlinton e Jared podia jurar que houve uma troca de olhares entre eles, antes dela vira-se e ir entrar em casa.
- Desculpe-me. – Higlinton soltou um suspiro cansado. – Ela me criou desde os cinco, quando eu fiquei órfão por parte de mãe. Não tem nada que ela não faria por mim.
- Ela realmente o tem em grande consideração, mas não se preocupe, eu entendo. Minha mãe mesmo vira uma fera quando se trata de mim e de meus irmãos. – Jared falou, tentando assegurar que estava tudo bem. – E dito isso, eles entraram na casa.
Como esperado, a casa era ainda mais linda por dentro, se é que era possível. Os móveis eram de uma beleza delicada que harmonizava com os quadros finos. Nada exagerado, de uma beleza simples. "Simples... ha, tirando os preços, eles são bem simples", pensou.
Jared foi conduzido até uma sala de estar. Havia um grande sofá em frente à saída para a varanda, um lindo tapete e três poltronas do outro lado, com a lareira no canto.
- Hã... eu preciso realmente de um banho. – Higlinton falava incerto.
- Tudo bem, eu posso esperar o senhor tomar banho, assim, com o senhor mais a vontade, poderemos conversar melhor. – Jared assegurou o seu cliente.
- Então... fique a vontade. Daqui a pouco alguém vem lhe servir alguma coisa. – Higlinton falou antes de finalmente sair.
Como afirmado, minutos depois uma jovem de uniforme entrou na sala e serviu Jared suco, deixando-o novamente sozinho, logo em seguida. Jared, então aproveitou para ir até a varanda e ter uma melhor visão do exterior daquela mansão.
Quando estava quase alcançando a varanda, Jared foi praticamente atropelado por uma bola amarela, que logo se revelou ser um excitado cachorro. Após esbarrar em Jared, o animal parou, latiu para Jared e depois o observou com o rosto meio de lado.
Jared sorriu e esticou uma mão para o cachorro cheirar e só depois do animal ter cheirado, balançando o rabo, que ele se abaixou para cumprimentar o animal. Jared amava bichos, mas sua paixão sempre tinha sido cães. Era uma pena que seu horário incerto não lhe possibilitava criar animais.
- E ai, garotão. – Jared tinha se ajoelhado e fazia um cafuné.
- É garota. – Veio uma voz de criança atrás de Jared, o fazendo se sobressaltar um pouco. – O nome dela é Saddie.
Jared, virando-se, percebeu as duas crianças que estava às suas costas. Um garoto de mais ou menos 7 anos e uma linda garotinha de olhos azuis, que deveria ter na faixa de 4 ou 5 anos. A garotinha observava com atenção e curiosidade Jared e a cadela aos seus pés, apesar de se encontrar atrás de seu irmão, como se estivesse com medo.
- Oi! – Jared cumprimentou sorrindo as crianças. – Linda cadela vocês têm e, por falar nisso. – Disse voltando-se para o animal. – Minhas desculpas, senhorita.
O animal latiu e lambeu todo o rosto de Jared, fazendo a garotinha sair um pouco de trás do irmão e rir.
- Saddie, não faça isso! – O garoto gritou repreendendo o animal, mas sem sair do lugar.
- Tudo bem, acho que ela gostou de mim, o que você me diz? – Jared perguntou e sorriu quando a garotinha balançou a cabeça positivamente.
Jared continuou fazendo festa com o animal, quando percebeu a garotinha saindo de trás do irmão e indo até ele para também brincar com a cadela.
- Julie, volte aqui! A gente não deve falar com estranhos, lembra o que a Maria vive nos falando.
A menina parou um pouco e pareceu pensar em voltar, mas por fim continuou até ficar em frente a Jared com Saddie entre eles.
- Lindo nome o seu, Julie. O meu é Jared. – Jared falou estendendo sua enorme mão.
Julie parou, olhando Jared bem nos olhos como se o estivesse analisando, então sorriu e apertou a mão estendida.
- Quantos anos você tem? – Jared perguntou, sabendo que a menina tinha gostado dele, mas, ao contrário do que esperava, só conseguiu como resposta uma mãozinha mostrando 4 dedinhos.
- O que foi Julie? Não vai me dizer que o gato comeu sua língua. – Jared falou brincando, mas percebeu Julie abaixar o olhar.
- Ela não está falando. – De repente, o irmão falou se colocando ao lado da menina. – Desde ontem quando... quando mamãe morreu.
Jared ficou um segundo sem saber o que falar. Ele estava tão focado no caso, em defender William Higlinton, que ele tinha esquecido como isso estaria afetando as crianças. Afinal, elas tinham perdido a mãe e todos falavam que o pai é quem era o culpado.
- Oh, princesinha, venha cá. – Jared parou o carinho que estava fazendo em Saddie e tomou Julie no colo, ainda agachado. – Não fique triste, sua mãe está no céu, cercada de anjinhos e olhando por você. Ela não lhe abandonou.
- Não minta para gente, ela morreu e não vai voltar. – O mais velho falou com raiva.
- Ei, qual o seu nome?
- Peter.
Jared se ajeitou, deixando Julie mais a vontade em seu colo. Então, pediu para Peter se aproximar.
- Pois não é verdade. Sua mãe sempre vai estar com vocês, é só vocês saberem procurar. – Jared sentiu-se mais aliviado quando viu que Peter lhe observava com atenção. – E se vocês quiserem, eu posso lhe ensinar a senti-la.
Julie virou seus lindos olhinhos azuis para Jared e balançou a cabeça, pedindo para que Jared mostrasse. E diante daqueles olhinhos, Jared sorriu e deu um beijo na testa da garota.
- Estão preparados? – Julie balançou mais uma vez a cabeça, e apesar de Peter não ter dado sinal algum, Jared continuou. – Agora fechem os olhos.
Jared também fechou os seus por um breve momento e sorriu quando viu que Peter tinha fechado os seus também.
- Agora, tentem se lembrar do perfume dela, do sorriso, de como os olhos dela brilhavam. – A expressão de ambas as crianças foi suavizando e logo estavam com um sorriso no rosto. – Estão sentindo esse sentimento gostoso no peito? Toda vez que vocês pensarem bem forte na mãe de vocês, vão conseguir senti-la aqui, bem pertinho, dentro dos seus corações. E nessas horas, quando sentirem o vento no rosto, será ela lhes mandando um beijo.
Jared ficou só observando os dois de olhos fechados e sorrindo, dando espaço para eles pensarem na mãe. Nesse instante um vento leve entrou pela varanda e Jared sorriu quando viu Julie abrir os olhos, colocando uma mãozinha no rosto e sorrindo para Jared. Peter abriu os olhos em seguida e também sorriu para irmã. Logo estavam os três brincando novamente com Saddie, que tinha ficado o tempo todo calada só observando os três.
Jensen tinha saído da sala de Jeffrey e conversava com Chris, na verdade, tentava convencer o amigo de que sabia o que estava fazendo.
- Jensen, eu não sei se é uma boa idéia. Ir assim à imprensa e dizer que já temos provas que Higlinton é o assassino é perigoso, até porque não temos a arma do crime, não sabemos como tudo poderia ter acontecido. – Chris argumentava com o amigo, mas esse não queria escutar.
- Temos o motivo, Chris. – Jensen balançava o envelope na frente de Chris. – Além do mais, aquele Padalecki precisa ver que eu não estou de brincadeira. Ele vai querer fechar acordo conosco.
- Jensen...
- Não, Chris. Eu já falei com Misha, organizamos uma reunião com a imprensa e Morgan está de acordo. – Jensen estava realmente irredutível.
- Isso não é um jogo no qual você está medindo forças com o novato. Ele lhe desafiou, eu entendo que você queira ganhar dele, mas você precisa lembrar que temos um caso...
- Chris! – Jensen interrompeu Chris com raiva. – Você não precisa me lembrar como fazer o meu trabalho. Caso tenha esquecido, eu que sou o promotor principal e o escolhido para esse caso, não você! – Jensen se arrependeu do que disse assim que viu o olhar machucado do amigo. – Chris, eu não...
- Você está certo, promotor Ackles. – Chris falou rispidamente, indo em direção à porta. – Afinal, você que é o grande tubarão branco. – E abriu a porta, saindo.
Jensen foi atrás de Chris, mas viu sua passagem bloqueada por Misha que apareceu na sua frente.
- Estamos todos prontos, Jensen. – Misha falou secamente. Ainda estava com raiva de Jensen e este começava a pensar se tinha feito a escolha certa ao chamar ele.
- Certo, Collins. Vamos acabar logo com isso. – Jensen pegou novamente o envelope que estava em cima da sua mesa e seguiu Misha até a sala, onde os repórteres tinham sido acomodados.
Os três riam e brincavam na sala distraidamente com Saddie. Já havia se passado meia hora, mas nenhum dos três parecia ter notado a hora, muito menos escutaram os passos na entrada da sala.
- Peter! Julie! – A voz da Maria fez os três sobressaltarem e as crianças ficaram imediatamente sérias. – O que eu falei sobre brincarem com esse animal dentro de casa? E vocês deviam estar no quarto, fazendo suas tarefas de casa, ao invés de ficar ocupando o senhor Paladic.
- Na verdade... – Jared começou interrompendo Maria. – É Padalecki. E eles não estavam me ocupando, são uma ótima companhia.
- Me desculpe, senhor... Padalecki. – Maria voltou-se para Jared. – Mas, há regras nessa casa, as quais eles sabem que devem ser seguidas. O senhor William preza muito pela disciplina e esses dois não deviam estar aqui embaixo.
- Prezo realmente. – Higlinton concordou ao entrar na sala. – Mas, acho que devido às circunstâncias, esses dois estão perdoados. – Higlinton sorriu e trocou mais um olhar cheio de significados com Maria. Agora, por que vocês dois não me dão um beijo e sobem para fazer suas tarefas?
Jared não pode deixar de perceber que Julie tinha voltado para seu comportamento tímido, se escondendo atrás do irmão, e ficou observando quando Peter correu até o pai e lhe deu um abraço e um beijo. Julie fez o mesmo, mas não demorou nos braços do pai, procurando logo em seguida o irmão, para juntos subirem aos seus quartos.
- Maria, por favor, vá verificar as crianças que eu e o senhor Padalecki temos algumas coisas para conversar a sós. – Higlinton falou e esperou ela sair da sala, fechando a porta em seguida. - Desculpe-me por ter lhe feito esperar. – Retomou, então, ao se voltar para Jared.
- Não se preocupe, nem percebi a hora passar. – Jared respondeu e se acomodou no sofá que Higlinton indicava.
- Bem, acho que essa é a hora que o senhor me pergunta se eu sou realmente culpado ou inocente, creio.
- Na verdade, essa é a parte que você me conta tudo que aconteceu noite passada para que eu possa formar minha linha de defesa. Então, o que você tem para me contar? – Jared falou enquanto tirava um gravador e colocava na mesinha entre ambos.
- Isso é mesmo necessário? – Higlinton olhava para o gravador.
- Desculpe, mas creio que sim, pois eu vou precisar de todos os detalhes que você se lembrar e assim fica mais fácil. – E com isso Jared ligou o gravador. – Então, me conte sobre aquele dia.
Higlinton começou contar sobre o seu dia, o qual tinha começado como qualquer outro: acordando cedo, indo levar as crianças para escola e seguindo para o escritório. Nada que, para Jared, aparentasse estranho ou suspeito.
- Então, foi quando eu recebi um envelope já no final do expediente. Era uma carta anônima. – Higlinton falava calmamente, mas Jared observava suas mãos. - Nela tinha... tinha umas fotos de Laura, minha esposa. Dela e... dela e um homem se beijando.
- O senhor recebeu essa carta na noite do assassinato? – "Droga! E aqui se tem o motivo", pensou ao mesmo tempo. – O que o senhor fez em seguida?
- Eu vim direto para casa, estava possesso de raiva, queria tirar tudo a limpo. Quando, cheguei, ela estava na sala do piano. – Higlinton falava aparentemente calmo, mas Jared observava suas mãos inquietas. – Eu cheguei com tudo em cima dela, acusando-a, e ela teve a coragem de negar, mas quando eu mostrei as fotos, você sabe o que ela fez? – Higlinton levantou o olhar para Jared e continuou sem esperar uma resposta. – Ela riu na minha cara. Nessa hora, eu vi vermelho, mas, de repente, as crianças chegaram correndo e brincando e eu... – Higlinton parou, passando a mão no rosto. – Eu não podia brigar com ela na frente deles. Então, eu... saí da sala, não participei do jantar naquela noite e fiquei pensando até a hora que as crianças tinham ido dormir.
- Continue.
- Quando eu entrei no quarto, a desgraçada estava agindo da forma mais calma. Nós começamos a discutir, eu não queria mais ela na minha casa. – Higlinton parou novamente, respirando fundo. – Mas, ela debochou da minha cara e disse que não seria assim tão simples, que iria ter tudo que ela queria primeiro. – E virando-se para Jared explicou. – Eu fui idiota o bastante para casar em comunhão universal de bens. Quem é que faz mais isso hoje em dia? – E riu sem vontade. – Então, ela começou a listar tudo que ela exigiu, a filha da mãe já havia até falado com um advogado.
- E o que aconteceu? O que você fez depois? – Jared precisava saber o que realmente tinha acontecido e se Higlinton tinha atirado em sua mulher, ele precisava saber.
- Eu não atirei nela, Padalecki. – Higlinton balançava a cabeça negativamente. – Eu realmente perdi a cabeça e enchi a mão quando lhe dei uma boa bofetada na cara, mas eu não atirei nela. – Higlinton voltou a abaixar a cabeça. – Foi a primeira vez que eu bati nela e depois que eu fiz... eu não agüentava olhar para cara dela, então... eu saí do quarto, precisava esfriar a cabeça e fui até o jardim.
- E os tiros? Você viu alguém enquanto passava? Um empregado? – Jared perguntava sério, enquanto anotava um ponto ou outro.
- Não. Não vi ninguém, só quando eu estava lá fora, foi que eu escutei os tiros. – Higlinton olhava para as mãos. – Eu corri e quando cheguei não havia ninguém, só ela lá, morta e logo em seguida alguns funcionários e seguranças externos chegaram. A polícia já havia sido chamada.
- E os seguranças não viram nada? – Jared perguntou intrigado.
- Não, pelo que eu soube houve uma falha no sistema de segurança interno e como eu não mantenho seguranças no interior da casa... – Então, ele sorriu. – Bem propício, não? Eu descubro que minha mulher era infiel e na mesma noite o sistema de segurança falha e ela é assassinada. Acho que vai ficar meio difícil provar minha inocência.
- Isso é algo que eu devo me preocupar. – Jared reafirmou e voltou para suas anotações. – O senhor faz alguma idéia de quem teria lhe mandado essas fotos e planejado tudo isso?
- Não, eu não tenho inimigos. Você tem informações sobre minha vida social. Eu não faço idéia de quem quer tanto estragar minha vida.
- Você é uma pessoa que tem uma vida muito pública e já ajudou muitas pessoas, talvez essa pessoa pensasse estar lhe ajudando, não sei. – Jared falava mais para si do que para Higlinton, apesar dele mesmo não acreditar no que estava falando.
- Grande ajuda, se essa pessoa não percebeu, eu posso terminar preso!
- E as fotos. Onde elas se encontram? – Jared perguntou, ao mesmo tempo, que seu celular começou a tocar. Era Chad. – Chad?
- Liga a porra da televisão onde quer que você esteja. Agora! – Veio a voz alterada do loiro do outro lado da linha.
- Humm... Senhor Higlinton, onde eu poderia ter acesso a uma televisão? –Jared perguntou incerto, uma vez que não tinha visto nenhum nessa sala.
Higlinton o olhou sem entender, mas acenando com cabeça se levantou até a lareira onde pegou um controle. Logo, um dos quadros se moveu e uma TV de plasma apareceu onde antes estava o quadro.
Jared teve sua reação a respeito da televisão esquecida, assim que a primeira imagem apareceu na tela. Jensen Ackles em seu terno fino, falando sobre o caso Higlinton a alguns jornalistas.
- Bem senhores, eu os convoquei aqui para fazer alguns anúncios e atualizar a população sobre as investigações de mais um brutal e terrível assassinato. – Jensen falava seguramente.
- Filho da mãe! O que ele pensa que está fazendo?! – Jared exclamou, pondo-se de pé e derrubando o gravador, que tinha acabado de pegar, no sofá.
- Promotor. – Um dos repórteres tinha interrompido Jensen. – Todos nós estamos cansados de saber que o grande tubarão branco não fala com a imprensa. Por que a mudança agora?
- Bem, eu ainda não pretendo lhe falar tudo o que temos e sabemos até agora. Muito menos nossos próximos passos, mas um caso de grande repercussão como esse, nos traz a obrigação de informar à população que a justiça está sendo perseguida e que o assassino não ficará impune devido a sua condição social.
- Isso quer dizer que William Higlinton é mesmo o assassino? – Outro repórter perguntou.
- William Higlinton é o nosso único e principal suspeito até agora. – Jensen respondeu vagamente.
- Isso é o que todo mundo já sabe. Se você nos chamou aqui, nos diga pelo menos algo novo. – Um repórter de olhos azuis perguntou. – Vocês pelo menos consideram a possibilidade de um novo suspeito ou já estão procurando um?
Jensen encarou o repórter por um tempo, antes de responder. – Como sempre muito adiantado, Collins. Mas, não. Não estamos procurando outro suspeito. Na verdade, somos levados a acreditar que já tenhamos o motivo do crime.
- E qual seria o motivo? – O jornalista, chamado Collins, perguntou novamente.
- Isso é confidencial até o momento, mas acreditem quando digo que temos uma prova bastante substancial. – Jensen então se virou para câmera. – Estou aguardando a defesa entrar em contato comigo para fecharmos o acordo. Assim, que o caso tiver sido resolvido, todos os detalhes serão liberados. Boa noite.
Os repórteres ainda levantavam as mãos e faziam perguntas, mas Jensen já havia saído da sala.
Jared andava de um lado para outro, resmungando baixinho. Jensen Ackles tinha se atrevido a jogar com a opinião pública e, como o caso seria levado ao tribunal do júri, isso não era nada bom.
- Então, é isso? – Higlinton cortou os pensamentos de Jared. – Só me resta agora me declarar culpado?
- Não! – Jared tinha se recomposto e caminhava para guardar suas coisas. – Não vamos fechar nenhum acordo. Eu ainda não terminei. Isso não vai ficar assim. Não se preocupe.
- Aonde você está indo? – Higlinton perguntou, percebendo Jared ir até a saída.
- Você já me contou sobre a noite passada e já sei onde se encontram as fotos. – Jared parou a porta. – E como você não vai aceitar nenhum acordo, eu vou pegar um táxi e voltar para o escritório para tomar as medidas necessárias.
- Pegar um táxi? Não, eu vou pedir para Carlos lhe levar lá. E onde se encontram as fotos?
- Elas são as provas que Ackles estava comentando. Elas são o motivo do crime. – Jared parou, analisando bem o homem a sua frente, que estava estranhamente calmo, como se nada ainda tivesse feito sentido. – Boa noite, senhor Higlinton, brevemente estarei entrando em contato.
Jared então saiu e entrou na limusine que lhe levaria até o escritório. Teria que correr para reparar o estrago dessa entrevista, mas se Jensen pensava que tinha conseguido dobrar Jared, estava enganado, pois não haveria acordo, não se dependesse do mais novo.
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Nota¹: Manderley é a mansão onde se passa toda trama de Rebecca, um romance de Daphne Du Maurier.
Nota²: Desculpe mais uma vez pela demora. Mas, ainda não estou de férias, e a história travou um pouco, mas nada que algumas moscas não ajudem. Não é mesmo, Empty? k k k k k
Nota³: Esse capítulo teve dos dois, mas não teve os dois. Eu sei, eu sei. Mas, tenham calma, ainda vou chegar lá. Agora, quem sabe se vocês com reviews não me convencem a chegar um pouco mais rápido? (modo interesseira) =P k k k k
