Autor: Matthew Black Potter Malfoy
Beta: Amy Lupin
Shipper: Albus Potter/Scorpius Malfoy
Disclaimer: Apenas o excesso de açúcar me pertence! ;)
O quarto ano trouxe várias mudanças. Uma delas era que Prof.ª Scamander - ou tia Luna, como costumávamos chamá-la nos almoços da Armada de Dumbledore, na casa dos meus pais - havia assumido o cargo que antes era do Prof. Hagrid.
Apesar de todos em casa gostarem muito dela e da mulher ser a minha madrinha, eu nunca havia tido muita intimidade com ela. Bom...pelo menos até a primeira de muitas aulas que Scorpius faltaria naquele ano.
"Albus," Ela me chamou em um canto, naquela tarde, após o término da aula. "você é amigo de Scorpius, não é?"
Eu soltei uma bufada pelo nariz, tentando conter o riso.
"Nós não somos o que eu chamaria de amigos." Eu disse, de maneira sarcástica.
"Hum...entendo. É mesmo uma pena." Ela respondeu com um sorriso consternado, como se soubesse de algo que eu não sabia.
E talvez ela soubesse. Pois Scorpius Malfoy não aparecera em nenhuma aula naquele dia e, aparentemente, havia voltado para casa na noite anterior.
A constatação do por que Scorpius faltaria toda aquela semana de aula veio em uma edição do Daily Prophet, na manhã seguinte. Lucius Malfoy havia falecido naquela madrugada.
Em uma manchete no rodapé da página cinco, Rita Skeeter dizia - de modo pouco delicado - que o mundo não lamentava a perda de um ex-comensal, assassino e bruxo das trevas convicto.
Aparentemente, todos concordavam com ela, pois até uma "festa" havia sido preparada nos jardins do castelo, no sábado à tarde, por alguns filhos de pessoas que Lucius havia assassinado ou torturado no passado.
Apesar de não concordar com a ideia, eu fui. Todos os meus familiares que frequentavam Hogwarts, com exceção de Rose, estavam lá, afinal de contas. Mas eu gostaria de não ter ido, pois Scorpius escolheu aquele dia para retornar de Wiltshire e não foi preciso muito esforço para compreender o que estava acontecendo.
O garoto tinha olheiras ao redor dos olhos, como se não dormisse há dias. Seu corpo estava mais magro do que nunca. E, quando ele correu de volta para o castelo, notei algo que nunca achei que fosse possível. Scorpius Malfoy estava chorando.
"Ele não está no dormitório." Eu ouvi Rachel Nott, uma das amigas de Malfoy, comentar com Parker Zabini, um sextanista moreno, naquela noite no salão comunal.
"No que esses idiotas estavam pensando?" Parker disse irritado.
"Eu sei." Rachel disse tristemente. "Quero dizer...se meu avô ainda estivesse vivo e morresse, eles fariam a mesma coisa? Isso é nojento!"
Parker levantou os olhos e me pegou encarando-os. Eu logo desviei o olhar.
"Está feliz também, Potter?" Ele cuspiu caminhando em minha direção.
Eu me levantei preparado para sacar minha varinha caso fosse necessário.
"Cala a boca, Zabini." Eu rebati. "Não tenho nada a ver com isso."
"Pff..." Ele bufou. Claramente me julgando. "pelo menos assuma suas ações, Potter. Afinal, você não é o único slytherin que foi visto lá. Não precisa negar."
E, dizendo isso, ele me deu as costas, saindo com Rachel em seus calcanhares.
Eu saí do salão comunal irritado e caminhei a esmo. Até trombar com alguém em um dos corredores do primeiro andar.
"Aonde você vai com essa pressa toda, Albus?" Reconheci a voz de tia Luna soando risonha. "Você não deveria estar fora do seu salão comunal há essa hora."
"Eu precisava sair de lá." Falei, soando mais carrancudo do que desejara.
"Aconteceu algo?" Ela perguntou de maneira abobada.
Eu não respondi.
A verdade é que eu sentia pena de Malfoy. O garoto acabara de perder o avô. O homem podia ser um monstro para a maior parte do mundo, mas era fácil perceber o modo como os olhos de Scorpius brilhavam quando recebia um presente dos avós no seu aniversário ou como seu sorriso abriu espontaneamente quando Scorpius correu para abraçá-lo no ano anterior, quando o ex-comensal fora buscar o neto na plataforma 9 e ½.
"Eu te convidaria para tomar um chá comigo e conversar sobre isso, querido." Ela disse com seu habitual tom abobalhado. "Mas tenho que buscar algo para Scorpius comer, pobrezinho."
"Você sabe onde ele está?" Me peguei perguntando de maneira quase urgente.
"Sim, claro." Ela respondeu automaticamente, o que me fez arquear uma sobrancelha. Afinal, pelo que eu sabia, tia Luna era uma das pessoas que tinha mais motivos para ficar longe dos Malfoy. "O encontrei sozinho em uma das salas vazias esta tarde e o levei até os meus aposentos. Por quê?" Luna continuou. A curiosidade visível em seu semblante. "Você deseja falar com ele?"
Eu queria falar com Scorpius Malfoy? Sim, talvez eu quisesse. Mas eu faria aquilo? Não, claro que não. Então eu neguei com a cabeça, me despedindo da Prof.ª Scamander e tomando o rumo das masmorras novamente.
Nas próximas semanas, Scorpius Malfoy assumiu uma postura tristonha e reclusa. Ele andava pelos corredores, mas não dava nem para perceber que ele estava ali. Ninguém ousou perturbá-lo diretamente, é claro. Mas dava para notar como as pessoas lançavam olhares atravessados para ele.
Eu não entendia a ação daquelas pessoas.
Apenas um pequeno grupo de filhos e netos de ex-comensais conversavam com Malfoy e pareciam entender pelo que ele estava passando. Obviamente, eu não fazia parte desse grupo. Eu era um dos filhos de Harry Potter, O Eleito, afinal.
Eu dizia pra mim mesmo que devia me alegrar. Não era isso que eu vinha pedindo desde que entrara em Hogwarts? Eu não queria que Scorpius largasse do meu pé? Por que então quando ele finalmente o fez, me incomodou tanto?
Eu ia dizer que lamentava, mas depois eu pensei melhor. Não. É a última coisa que preciso. Scorpius Malfoy achar que eu sinto falta dele.
