Oioi de novo, né?
Sei lá, mas pra mim parece um tempo que não upo um cap aqui... Sei lá...
Aos poucos estou descobrindo o que posso ou não fazer com uma fic capitulada aqui no site =3
Huhausha... Minha fic cobaia *-*
Enfim, esse é o meu capitulo favorito, tratem ele com carinho .
Whatever... Cansei... Tá ai o capitulo, enjoy =}
-x-
Cap.03
Relação
Está tudo girando...
Minha cabeça dói... Meu corpo dói...
Onde estou mesmo?
-x-
Abri os olhos e vi o teto uniformemente branco. Eles arderam e tive que piscá-los para os acostumar com a luz repentina da manhã, e ao mesmo tempo me perguntei que horas eram.
Apalpei a minha volta. Era fofo, gostoso de ficar em cima. Levei a mão até minha cabeça, que doía um pouco e senti um travesseiro.
Travesseiro?
Levantei de supetão, me apoiando nos cotovelos e olhando em volta. Estava mesmo deitado, em uma esplendida cama de casal com lençóis e travesseiros brancos, e um lençol vermelho que me cobria parcialmente da cintura para baixo.
Olhei meu próprio corpo, estava sem camisa e levantei o lençol. Estava nu.
Desabei na cama de novo. Eu me lembrei do que aconteceu nos dias anteriores... Especialmente ontem.
Olhei para os lados. Ele não estava lá. Meus olhos marejaram. Eu sabia... Ele estava só me usando.
Virei-me de lado na cama abraçando o travesseiro e afundando meu rosto nele.
"Idiota... Idiota..."-repetia tentando me convencer e tentando, sem sucesso algum, me fazer pensar em alguma coisa que não fosse a noite de ontem.
Hyoga era realmente bom... Mas não mudava o fato de ele ter me usado. Mesmo assim...
"Idiota!"-gritei me apertando mais contra o travesseiro.
"Quem é idiota?"-uma voz veio da porta.
Droga, serviço de quarto. Parei e sequei as lágrimas, mas me lembrei que meu rosto estaria vermelho mesmo assim e corei. Droga!
...
Espera um pouco, eu não pedi serviço de quarto.
Sentei olhando fixamente para porta. E meus olhos se arregalaram, tamanha surpresa de vê-lo aqui. Mas meu coração pulou ao vê-lo, e eu sorri involuntariamente, esquecendo do quanto estava irritado com ele.
"Hyoga!"-eu queria levantar e beijar seus lábios de novo, mas preferia deixar ele tomar alguma iniciativa sobre isso.
"Quem você estava chamando de idiota?"-ele sentou ao meu lado.
"Ah... Isso..."-corei e abaixei o olhar. "Pensei que você tinha..."
"Te deixado aqui e ido embora?"-ele sorriu colocando a mão em meu rosto. "Pensou que eu tinha te usado?"-concordei com a cabeça timidamente. "Shun..."-ele suspirou. "Você ainda não confia em mim... O que eu tenho que fazer para você confiar em mim?"-ele murmurou.
"Me desculpe."-coloquei minha mão sobre a dele. "Eu... Quero confiar em você... Mas..."-suprirei. "Me de um tempo. Por favor..."-pedi.
"Claro."-sorrimos. "Mas... Só se você não demorar muito "-eu o olhei e ele sorria amigavelmente para mim.
Ficamos um tempo em silêncio, Hyoga pegou minha mão e ficou segurando-a. Nossas palavras já não diziam tudo o que queríamos, e o meu querer era confuso. O que eu queria?
"Shun."-ele me chamou apertando minha mão. "Eu... Não sei como começar isso, mas... Eu queria ter uma chance com você... Não queria ficar somente por essa noite..."-ele parou e respirou fundo. "Sabe, a um ano e meio eu zoava você e te chamava de garota porque você realmente parecia uma garota, mas a seis meses eu fazia isso porque eu queria te ver como uma, assim não seria errado o que eu sentia por você. E eu decidi que se eu não pudesse ter você do jeito que eu queria eu iria te afastar o máximo possível... Mas isso me complicou totalmente..."
Espera aí! Ele estava desabafando comigo? Se confessando para mim?
"Quer dizer que você... Gostava de mim?"-eu estava meio abobado com essa informação.
"Sim. Mas eu achava errado... E o meu orgulho também. Imagine só: um dos ídolos da escola, do time de baseball, gay. Eu não conseguia ver isso com bons olhos."
"E agora? Consegue?"-perguntei sério.
"Eu consigo imaginar isso agora. E não me importo mais se me tirarem do time por causa da imagem que isso passa. Agora que consegui me fazer ouvir meu coração, minha prioridade é você. A adaptação à vida depois disso é consequência."-ele sorriu.
Engoli em seco. Como que aquela pessoa maravilhosa andava junto com aqueles cretinos e se escondia sob uma máscara arrogante e metida? E por que ele me quer tanto?
"Está mesmo disposto a abrir mão da sua vida para... Estar comigo?"-eu ainda não conseguia acreditar.
"Sim estou. E, além disso, estou disposto a me adaptar a você."
"Hyoga eu não acho isso justo... Você abrir mão de tudo que você tem... Por mim... E eu não fazer nada..."
"Não gosta de mim?"-imaginei suas orelhas murchando que nem um cachorro.
"Claro que gosto."-e agora elas levantavam e seu rabo abanava de um lado para o outro freneticamente. "Mas não precisamos tomar medidas drásticas."-passei a mão em seu rosto. "Sim eu dou uma chance para nós, mas vamos com calma, eu também quero conhecer o seu mundo."
Ele me olhou nos olhos por uns longos segundos provavelmente processando o que eu acabei de falar e analisando a idéia. Por fim ele sorriu.
"Você tem razão. Vamos com calma. Primeiro nós matamos o Misty."-rimos. "Vem cá."-ele me puxou de leve colando nossos corpos.
Nossos lábios faziam um encaixe perfeito, e ele tinha um beijo quente. Mas por incrível que pareça ele me deixou comandar. Nossas línguas dançavam ao meu ritmo, mais lento, mas não menos ardente. Logo eu senti meu corpo formigar um pouco com uma onda de prazer sobre mim. Hyoga afastava o lençol que eu me enrolara e tocava meu mamilo.
"Hyoga... Não..."-eu não queria ficar duro agora.
"Desculpe..."-ele havia parado de me tocar, e estava parando o beijo. "Seu corpo é uma arma de sedução para mim."-sorriu.
"Então controle-se. Se não a arma aqui vai entrar em modo berserk."-brinquei com ele tentando dar uma de autoritário. "Bom... Acho que vou me trocar..."-disse enquanto levantava.
"Sabe, eu falei com o senhor recepcionista e perguntei para ele sobre o hotel da nossa escola, e ele me disse que não está muito longe. Ele me disse para quando formos sair chamá-lo para nos dizer aonde ir."
"Isso é... Ótimo..."-meu tom de voz me traía descaradamente.
"Ei..."-ele me abraçou pelas costas. "Essa voz desanimada não me convence. O que houve?"
"Eu... Não quero voltar... Pra ter que começar tudo de novo... Não quero... Me separar de você..."-apertei seu braço.
Eu finalmente realizei que gostava dele. Que o queria para mim. Mas eu nunca pensei que eu fosse gay... Ah, não importa! Eu nunca tinha me interessado por ninguém antes, de minha parte, eram sempre os outros que se interessavam por mim, e eu, sem me importar com nada e somente querendo sair da rotina habitual de humilhação, usava isso como uma válvula de escape. Sem nenhum sentimento ou emoção. Mas Hyoga estava me conquistando, pouco a pouco.
"Shun... Faremos alguma coisa. Uma hora essa barreira irá ceder."
"Mas... E se... Demorar muito para essa barreira ceder e tudo isso acabar?"
Ele me virou, para olhar meu rosto triste.
"Isso é uma pequena probabilidade. E outra, não deixarei isso acontecer. E aposto que você também não."-sorriu e beijou as minhas bochechas. Corei. "Anda, termine de se trocar, de um jeito ou de outro ainda quero voltar."-concordei com um aceno de cabeça.
Eu não me importava de não voltar. Mas tinha um fato que eu não queria admitir pra mim e nem pra ninguém: tinha medo de perdê-lo.
-x-
Não estávamos mesmo muito longe do hotel, mas o caminho era quase um labirinto. Hyoga e eu andamos conversando sobre assuntos banais e acabamos caindo nos esportes.
"Sabe, baseball não é difícil..."-ele começou e seu ego subia.
"Cala a boca. Você só fala isso porque joga bem."-sorri para ele. "Duvido eu acertar uma bola daquelas..."
Nem terminei de falar e eu vi um punho em minha direção. Não pensei duas vezes e desviei socando na altura da barriga.
"Auch! Você tem um soco preciso..."-ele abraçava a própria barriga. "É rápido também. Devia lutar."-disse retomando sua postura.
"Não devia ter feito isso."-avisei-o enquanto massageava meu próprio punho. "E não, obrigado, eu não quero lutar."
"Mas Shun, você é bom. Nem todo mundo teria esses reflexos..."
"Mas eu não consigo somente desviar. É automático eu bater de volta."
"E desde quando isso é ruim?"-ele continuava a argumentar com um tom divertido.
"Não sei! Só sei que é ruim! Pare de colocar idéias na minha cabeça!"-respondi um pouco irritado.
Ele somente riu, não querendo continuar. Eu não me importei nem um pouco com isso. Eu só queria encontrar meus amigos... Oh... Shiryu ainda estava bravo comigo... Eu precisava me desculpar com ele e lhe dizer a verdade.
Hyoga olhava o caminho atentamente, cada esquina. Ele não queria se perder de novo. Eu também não, mas ele parecia ter um senso de direção melhor que o meu, então, me concentrava em não perde-lo de vista.
"Estamos chegando."-avisou. "Está vendo ali na frente?"-apontou para um arco que levava a algum lugar. "É o pátio que nós nos notamos perdidos."
"Nós não. Eu. Você estava todo confiante que não estava perdido."-corrigi-o.
"Costumo confiar no meu senso de direção."-deu de ombros. "Mas não é sempre que acerto."-colocou as mãos nos bolsos.
Estávamos no pátio maravilhoso de antes. E o vento corria por nós, deixando uma deliciosa sensação de frescor. Fechei os olhos por alguns segundos aproveitando aquilo.
"É tudo tão calmo aqui... Nem se compara com a agitação daquela escola."-comentei aleatoriamente. Mais como se fosse um pensamento alto.
Hyoga não disse nada, e por um longo tempo, ainda preocupado em não se perder de novo. Ele era um homem que não aceitava errar duas vezes a mesma coisa.
E então estávamos chegando à praça aonde Misty veio ao nosso encontro e eu saí correndo, sinceramente não era essas lembranças que eu queria de um lugar tão bonito. De repente Hyoga me levou para trás de uma árvore grande que tinha por lá, um lugar bastante escondido.
"Mas que..."-eu ia puxar meu braço de volta, mas ele apertou-o em um sinal para eu esperar um pouco.
"Precisamos esclarecer algumas coisas."-ele me colocou contra o tronco.
"Sim... Precisamos."-concordei.
"Mesmo contra minha vontade e a sua, por enquanto não poderemos ser vistos andando juntos. Quer dizer, poderemos, mas vamos com calma."
Assenti com a cabeça.
"Como iremos aparecer para todo mundo quando chegarmos lá? O que diremos a eles?"
"Bom... Claro que nos perdemos e encontramos um hotel, mas dormimos em quartos separados e nos encontramos hoje para voltarmos."-começou olhando em meus olhos.
"Caso perguntem como nos perdemos, o que os professores provavelmente farão..."
"Estávamos andando e nos perdemos. Nada mais simples."-sorriu.
"E Misty?"-era inevitável perguntar. Ele podia acabar com qualquer plano.
"Eu cuido dele."-olhei-o preocupado. "Não se preocupe comigo."
"Como eu não vou me preocupar com você quando... O que será mais pressionado será você? Tem uma reputação a manter, não tem Hyoga? Uma imagem imponente e autoritária?"-disse com a voz um pouco triste.
Ele suspirou pesadamente.
"Se eu te ofender de qualquer maneira, qualquer uma, espero que me perdoe. Eu... Não quero mais fazer isso... Machucar você por dentro..."-seus olhos marejaram e ele olhou para baixo para escondê-los.
Levantei seu rosto delicadamente pelo queixo olhando nos seus olhos. Prendendo-os nos meus. E eu vi sua alma através das estrelas azuis e brilhantes que eu fitava tão intensamente. E nesse momento eu percebi que minha desconfiança dele era besteira, ele estava arrependido por tudo e eu podia confiar em suas palavras com todo o meu coração. Hyoga não iria mentir para mim, e nem eu para ele.
"Feche os olhos."-pedi.
Ele o fez e eu beijei suas pálpebras, sentindo o gosto salgado de suas lágrimas que ele não deixava escapar. Suavemente, passei meus lábios por sua bochecha e roçei-os sob os seus. Hyoga colou seu corpo ao meu, forçando-o um pouco contra a árvore, mas não juntou nossos lábios, só passava a ponta da sua língua sobre eles, logo comecei a acariciá-la com a minha, enroscando-as, brigando por controle e aproveitando tudo isso ao máximo. Ele começava a brincar comigo, colocou meus braços acima da minha cabeça e os segurava firmemente com uma mão, eu não conseguia me soltar. Com a outra ele percorria meu corpo, e acariciava minha nuca.
"Hyoga n..."-eu ia pedi-lo para parar, mas ele juntou nossos lábios me impedindo de falar qualquer coisa.
Pelo menos soltou minhas mãos e eu coloquei-as em torno do seu pescoço trazendo-o para mais perto de mim, se é que isso era possível, e me entregando aos seus movimentos.
"Quanto tempo... Não ficaremos... Sem isso hoje, huh..."-ele me disse entres os beijos.
Sorri em seus lábios.
"Sentirá falta... De me ter?"-perguntei sem me preocupar de esconder a malícia em minha voz.
"Sim."-ele parou e colocou uma mão em meu rosto. "De você todo."-sorri para ele. "Principalmente do seu sorriso."-colocou um dedo sobre meus lábios. "E você, sentirá falta de me ter?"
"Muita."-sorri novamente. "Mas se eu encontrar seus olhos por alguns segundos e eles estiverem desse jeito que estão agora, eu fico feliz."-coloquei minha mão sobre a sua.
"Não quero voltar agora..."-ele choramingou me abraçando.
"Temos que voltar agora."-disse enquanto mexia em seus belos fios loiros. "Quer sair hoje à noite?"
"Que horas?"-ele me olhou esperançoso.
"Tarde... 11 horas está bom?"
"Perfeito."-selou nossos lábios. "Tem celular?"-confirmei com a cabeça. "Me passe o número."
Trocamos nossos números de celular para nos comunicarmos durante o dia. Antes de voltarmos para nossos personagens, Hyoga me deu um beijo apaixonado, ao seu jeito claro. E eu digo personagens pois agora iríamos atuar na frente das pessoas, fingindo a mesma rivalidade de sempre e nos conhecendo pouco a pouco, mesmo que isso não fosse mentira, mas pelo menos eu sabia que seus olhos não mentiriam para mim, assim como seu sorriso.
"Vamos logo."-segurei sua mão.
Hyoga suspirou.
"Sim... Vamos."
Realmente eu não queria voltar. Queria continuar assim com Hyoga, poder tocá-lo, beijá-lo e conversar com ele quando eu quisesse... E lá no fundo queria que a noite chegasse logo.
Como não estávamos muito longe do hotel, logo pude ouvir as vozes de Shiryu e Seiya. Hyoga sorriu por um momento.
"Shun, faça-me uma coisa?"-pediu e eu concordei com a cabeça. "Me bata."
"O quê?"-que raios de pedido era esse?
"Isso mesmo. Se você me bater será mais fácil para eu fingir que estou bravo com você."-ele dizia isso animado com a idéia. "Eu nunca gostei de apanhar mesmo..."
"Não... Isso é besteira."
Por um momento Hyoga não falou nada, e eu pensei que ele tinha desistido da idéia. Mas não deu tempo nem de eu esboçar um sorriso e seus olhos ficaram frios e rudes e ele vestiu a máscara que usava para fazer parte do grupo de Misty.
"Besteira é?"-ele me olhava nos olhos. "Você é realmente estúpida garota. Eu estou te dando uma chance de descontar em mim tudo que eu lhe fiz noite passada e você não consegue por causa de porra de sentimentalismo?"-ele balançou a cabeça. "Você merece o que Misty faz com você."
Então... Mesmo que isso não fosse verdade, estava cutucando minha ferida, estava me deixando irritado e meus olhos começavam a lacrimejar. Eu não queria chorar, e eu não ia. Obriguei-me a assumir uma expressão que há tempos não necessitava e usei toda minha força para acertá-lo no rosto. Ele caiu juntamente com minhas lágrimas e eu percebi três coisas: eu não gostava de bater nas pessoas, eu era bom nisso mesmo assim e de um jeito ou de outro eu havia feito o que ele queria. Olhei-o novamente e ele tinha os lábios cortados e a bochecha e a parte inferior do olho roxos. E bem lá no fundo eu senti orgulho de mim mesmo...
"Idiota! Era isso que você queria, não era?"-não conseguia me impedir de gritar com ele. "Aí está!"-abaixei meu tom de voz significativamente. "Não volte a me procurar nun..."
"Pssiu!"-ele me chamou sorrindo. "Não termine essa frase, por favor."-Hyoga levantou e segurou minha mão indo para perto de uma escultura que tinha por lá, onde ficávamos escondidos. "Shun, aquilo era só para irritá-lo e você me bater. Entenda que será mais fácil... Muito mais fácil e rápido para nós dois."
"Como?"-minhas lágrimas ainda rolavam.
Ele sorriu travesso para mim.
"Verá."-encostou seus lábios nos meus por um breve momento e senti o gosto do sangue. "Agora, preciso que você volte para lá sem chorar e que comece a brigar comigo, me xingar como se os papéis tivessem se invertido. E principalmente, preciso que você use sua voz mais autoritária para me mandar parar de te encher o saco."-disse rapidamente.
"Certo."-concordei com a cabeça.
Respirei bem fundo tentando adquirir coragem junto com o ar. Eu realmente queria tê-lo por perto, então...
"Shun. Não se esqueça de hoje à noite."-ele sorriu. "Vá."
Peguei fôlego e sai.
"Seu idiota! Bem feito mesmo!"-minha voz estava firme e eu realmente parecia bravo. As cabeças começavam a prestar atenção em nós. "Deveria ter feito isso bem antes! Uns dois anos antes!"
"Shun!"-eram Shiryu e Seiya, eles vinham em minha direção com expressões preocupadas.
"Garota... Você não aprende nunca não é?"-ele vinha em minha direção.
E eu pensei em algo, não iríamos gostar, mas era algo "bom" para se fazer com testemunhas.
Fechei um punho e soquei-lhe a barriga novamente. Ele recuou vários passos fazendo uma expressão incrédula, mas eu sabia que ele estava orgulhoso.
"Não volte a me encher. E é bom você entender isso de uma vez por todas."
"Shun! Uau..."-Shiryu surpreendeu-se. "Você foi ótimo. Mas... O que aconteceu com você? Você... Vocês sumiram."-olhou para Hyoga.
Droga! Eu estava me segurando para não ir até ele e pedir desculpas por acertá-lo. Mas não podia... Droga! De qualquer jeito, tive que explicar a Shiryu e Seiya o que aconteceu comigo e com Hyoga. Seiya acreditou em mim, ainda bem, mas eu percebi que Shiryu não tinha sido cem por cento.
"Ok... Vamos voltar. Vocês dois precisam falar com o professor."-Shiryu me avisou. Nada do que eu não sabia.
"Eu... Eu já vou. Só vou ver se esse otário está legal."-disse querendo soar o mais indiferente possível.
"Mas você bateu nele..."-Seiya disse.
"Não gosto de bater nas pessoas, nem mesmo nele."-eu queria dizer 'muito menos nele'.
Me aproximei de Hyoga e segurei seu rosto pelo queixo. Eu queria, e como queria fazer isso de um jeito rude, mas falhei miseravelmente. Meus toques eram delicados, eu não conseguia ser rude com ele. Virei seu rosto para os lados para ver o que eu tinha feito.
"Você está... Bem?"-olhei-o nos olhos.
"Estou."-ele se virou retirando minha mão de seu rosto. "Não me encha."
Eu sabia que isso era brincadeira, mas doía. Eu queria abraçá-lo, pedir desculpas por ter batido nele e beijá-lo. Mas tudo que fiz foi olhar em seus olhos fixamente, prendendo-os aos meus, como se somente um olhar pudesse dizer tudo o que eu quisesse, tudo o que não podíamos falar em público. Por enquanto. E eu segurava esse "por enquanto" junto do meu coração.
"Shun..."-Hyoga murmurou, inaudível, mas não para mim.
"Vamos embora."-Shiryu disse me puxando pelo braço. Meus olhos ficaram presos nos dele, sem nunca desviar. Eu não queria me afastar dele.
Já no nosso quarto, percebi que nossas coisas não tinham sido trocadas de lugar nem nada. Duvido até que tenham sido tocadas.
"Shun, senta."-olhei para ele e Shiryu estava sentado na minha cama e me convidava a juntar-se a ele. Eu fui. "Shun... O que aconteceu?"
Fiquei estático. Eu não esperava que Shiryu fosse me perguntar isso... Não tão repentinamente...
"Pensei que estivesse feliz em me ver..."-murmurei um pouco nervoso.
"E estou. Desculpe-me se não consigo demonstrar isso... Mas é que estou realmente preocupado... Só o fato de você estar perdido..."-ele balançou a cabeça. "Ainda mais com aquele cretino..."
"Hyoga não é cretino. Ele..."-percebi o que falei e me calei imediatamente.
"Ele... O que?"-ele perguntou um pouco surpreso. Não respondi. "Shun... O que aconteceu?"
Engoli em seco, nervoso. Sentia meu corpo esquentar gradativamente, do meio para as pontas. E de repente o ar ficou pesado e eu ofeguei sentindo minhas mãos começarem a tremer um pouco.
"É... E-Eu..."-comecei num murmúrio, dobrando meu nervosismo. Não consegui falar.
Shiryu suspirou pesadamente, balançando a cabeça.
"Eu não acredito... Vocês passaram a noite juntos?"
Não era exatamente uma pergunta, mas ele deduzir corretamente tão rápido me fez corar mais, se isso fosse possível. Eu olhava para o chão como se esperasse que um buraco me engolisse e me tirasse daquela situação, e ainda sentia o olhar pesado e irritado do meu melhor amigo sobre mim.
Eu sabia que aquilo iria ter consequências! Por que eu fui estúpido o suficiente de aceitar aquilo? Eu deveria odiá-lo! Mas um lado de minha mente estava calma, cortar qualquer relação com Hyoga seria fácil demais, foi só uma noite.
"Como?"
Decidi explicar tudo para ele. Pior não poderia ficar, e eu confiava em Shiryu. E enquanto eu falava ele prestava atenção em cada detalhe, silenciosamente. Quando terminei de falar o silêncio tenso ainda pairava sobre nos e um medo subiu pela minha nuca arrepiando-me. Shiryu me fez a pergunta mais óbvia e constrangedora possível:
"Você gostou?"
Minhas bochechas esquentaram significativamente.
"É claro..."-sussurrei. "Ele é muito bom..."-inconscientemente eu estava sorrindo.
"Você... Pelo menos pensou na possibilidade de alguém estar preocupado com você?"
Droga! Não eu não tinha pensado nisso nenhuma vez. Não tive tempo. Foi tudo tão corrido que quando eu consegui pensar em meus amigos eu pensei em me desculpar com eles por um motivo banal. Isso eu não podia contar a ele.
"Um pouco..."-minha voz saiu insegura.
Ele grunhiu algum palavrão e me fez outra pergunta:
"Você o ama?"
"Hã? Shiryu! Foi só uma noite!"-disse indignado. "Se eu amasse cada uma das pessoas que eu já passei a noite, com certeza eu não estaria sozinho a essa altura..."-eu não estava mais o entendendo. Ele sabia que eu não me apaixonava por qualquer um.
"Eu não sei, você não é de se aproximar das pessoas facilmente..."
"Mas Shiryu... Você sabe que eu..."
"Eu sei?"-ele perguntou realmente bravo. "Eu acho que não sei muita coisa de você Shun. Dorme com uma pessoa que te humilhou por dois anos e ainda fala que gostou..."-eu não considerava isso como uma ofensa a mim, mas sim...
"Você está... Com ciúmes?"-murmurei ainda envergonhado.
"Shun... Eu tenho medo de você ter entregado seu coração à ele sem ter pensado em outras pessoas... Que podem gostar de você... Só isso..."-eu sabia que não era só isso. Seus olhos me diziam o contrário, a fraqueza em suas palavras me diziam o contrário, enfim, tudo dele me dizia o contrário. Fingi acreditar nele mas não falei nada.
Por um lado eu estava aliviado, saber que eu podia contar as coisas para ele e confiar nele era simplesmente reconfortante, mas por outro lado, eu estava com medo de minha dúvida estar correta...
"Shun, acho que está claro que o que sinto por você vai além da amizade."-ele foi se aproximando devagar. "Eu... Realmente queria tentar..."-ele estava perto demais, seu hálito quente batia contra minha pele de acordo com sua respiração.
Senti seus lábios roçarem nos meus uma vez antes de eu virar o rosto e colocar minha mão sobre seus lábios delicadamente.
"Desculpe Shiryu... Não posso... Aconteceu tanta coisa esses dias..."-disse-lhe. "Não posso... Além do mais, Seiya me mataria."-permiti-me um sorriso leve.
"Seiya? O que diabos ele tem a ver com isso?"
"Você não percebeu?"-olhei-o. "O por que dele não ser mais chegado a mim?"-ele me olhou com os olhos arregalados, como se entendesse. "Ele gosta de você. Então... Acho que seria justo você dar uma chance a ele..."
"Mas... E você?"-sua voz ainda estava mais preocupada comigo do que com ele mesmo.
"Shiryu, eu sei que está preocupado comigo, e eu aprecio isso, mas... Olhe para você. Tem tanta coisa acontecendo à sua volta, tantas pessoas que se importam e gostam de você... Algumas delas mereciam sua atenção em especial."
Não dissemos nada por um tempo, assim como ele havia deixado eu digerir seu conselho, eu faria o mesmo para ele.
Era estranho ver como essa conversa se inverteu rápido, uma hora falávamos de um homem que estava começando a gostar da pessoa errada por um meio incerto, e agora falávamos de outro homem que não conseguia enxergar a sua volta e perceber que as pessoas, uma em especial, queria estar ao seu lado. Isso acabaria com os dois olhando um para o outro e concordando ao mesmo tempo com seus próprios pensamentos.
Shiryu sorriu para mim amigavelmente:
"Bem vindo de volta."
-x-
É isso...
Ah... Moix, valeu pelo incentivo (*o* j á ganhei uma fã *olhinhos brilham*), é sempre bom ler palavras incentivadoras, mesmo com a preguiça imensa de upar... E, simsim, chapter 2 é hot, queria fazer o Shun ativo, mas a aparência dele e a sua posição nessa fic não me permitem .
Layzinha bate no Hyoga-chan não i.i ele pode ser um cretino, mas é um cretino bonito, isso não conta pontos?-n xD
E... É isso ai... Quem der rewiew ganha uma feijãozinho de todos os sabores virtual (aproveitando a febre Harry Potter...) .
