Mell: Obrigada, e que bom que você está shippando Cherry, e um casal diferente, espero que ele funcione bem na fic.

Quanto a questão da Q, bom, eu não vou spoilar muito a fic, pq ela vai se explicando com o passar dos capítulos, mas a Quinn e também o Sam vão aparecer um pouco depois dos demais personagens pq eles terão uma grande importância na vida da Brittany =)
Eles aparecerão provavelmente depois do décimo capítulo, então teremos que esperar um pouquinho mais para vâ-los, mas quando eles aparecerem, irão causar uma grande reviravolta na história.

L: Muito obrigada, continue deixando review, por favor ;)

*Estou feliz por vocês estarem gostando da fic, NÃO É FÁCIL transcrever Smallville com os personagens de Glee, ainda mais com um casal gay com foco principal, o que muda bastante o teor principal da história, mas está sendo bastante proveitoso.
*Boa leitura ;)


Assim que Brittany subiu no ônibus escolar na manhã de segunda-feira, ela viu Mike acenar para ela, mostrando um banco vazio bem a frente de onde ele e Rachel estavam sentados.

Brittany caminhou até lá, e sentou-se no lugar apontado pelo seu amigo. Rachel estava lendo um jornal, que tinha a foto de Dave Karofsky na capa.

"Oi pessoal." Ela cumprimentou seus amigos.

"Oi Britt." Mike respondeu e sorriu amigavelmente.

"Oi" Rachel nem tirou os olhos do jornal. "Eu sempre falo para vocês de como essa cidade é estranha, vocês nunca acreditam em mim, mas agora está tudo na primeira página do jornal dessa cidade!" Ela fechou o jornal e apontou para a foto de Karofsky. "Esse cara recebeu um choque de mais de dois mil volts, e sabe como ele está? Vivo e intacto, aparentemente a única coisa que foi afetada foi a memória do dia do acidente." Brittany sentiu um grande alívio ao ouvir isso. "Além do mais, está escrito no início da reportagem que ele acordou de um coma de treze anos, porque estava no campo Riley quando a chuva de meteoros atingiu Smallville."

"Uau." Mike fingiu surpresa. "Então, por causa disso ele virou um mutante super poderoso?" Rachel revirou os olhos e guardou o jornal em sua mochila.

"Eu estou falando, a cada dia que passa as coisas estão ficando piores aqui nessa cidade, a situação está tão ruim que as autoridades já nem estão mais conseguindo esconder as coisas da população." A morena deu os ombros, visivelmente chateada. "Um dia vocês vão lembrar das minhas 'viagens'" Rachel cruzou os braços e manteve-se o resto do caminho calada.

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Santana percebeu que Amanda esteve distante todo o final de semana, e aquilo parecia proposital, o que deixava a morena ainda mais chateada.

Durante o trajeto entre sua casa e a escola a ruiva mal trocou palavras com ela, e nem mesmo lhe beijou antes das aulas começarem.

A morena mal conseguiu prestar atenção nas explicações de seus professores, sua cabeça estava queimando de tanto que ela procurou por algum motivo que justificasse aquele comportamento estranho de Amanda, que não era perfeita, mas um defeito que ela não possuía era o de ser fria e distante.

Assim que chegou a hora do almoço, ela encontrou Amanda sentada sozinha, em uma mesa de canto, enquanto suas amigas estavam do lado oposto. Seja lá o que fosse, Santana percebeu que o problema não era só com o seu namoro, e isso a preocupou mais ainda.

Ela caminhou até a mesa onde Amanda estava, cabisbaixa, e parou ao seu lado.

"Amanda, eu posso me sentar aqui com você?" Os olhos esverdeados da ruiva se voltaram para a sua direção, e ela assentiu com a cabeça, então Santana sentou-se na frente da garota. "Mandy." Ela começou. "O que está acontecendo? Você está quieta demais desde o baile, é algum problema com a sua família?"

"Não, está tudo bem com a minha família." Amanda respondeu rapidamente sem olhar nos olhos de Santana.

"Bom, então o problema é comigo?" Santana perguntou com certo temor em sua voz.

"Não!" Amanda respondeu enfática e instantaneamente. "O problema é comigo mesma, eu... Eu fiz uma coisa errada, e eu sei que você vai ficar chateada comigo."

"Me diga o que é, eu não quero que você minta ou esconda nada de mim." Santana falou com firmeza.

"Claro." Amanda concordou, mordendo o lábio inferior, buscando uma forma de contar o que aconteceu a namorada, que aguardava em silêncio. "Santana, eu... Eu perdi o seu colar." Santana ficou estática por alguns segundos, assimilando a informação.

"O quê?" Santana perguntou, só para ter certeza do que ouvira.

"Eu sinto muito, eu..." Amanda começou a tentar se explicar.

"Eu não acredito nisso!" Santana, raiva e decepção podiam ser vistos em seus olhos. "Eu te dei algo que eu mantive uma vida toda, e é isso o que você faz? Você perde em menos de três dias?" Santana estava visivelmente se esforçando para segurar o choro. "Claramente as coisas que são importantes para mim não tem nenhum valor nenhum para você, caso contrário, você nunca teria perdido o meu colar, que era uma das poucas lembranças que eu tinha dos meus pais!" As lágrimas começaram a cair com as últimas palavras.

"Santana, eu sinto muito..." Amanda ainda tentou se desculpar, e segurar na mão de sua namorada, mas Santana se desvencilhou de forma agressiva.

"Eu não quero saber, eu não ligo se você sente muito ou não, eu confiei em você e olha só o que aconteceu." Santana respondeu furiosa e se levantou no mesmo instante. "Me deixe em paz Amanda, me deixe em paz!" Ela saiu sem olhar para trás. Amanda chacoalhou a cabeça, e bufou. Ela não pôde deixar de perceber os olhares que se voltaram para elas, e também as risadinhas debochadas pela situação das duas meninas.

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Brittany guardava os livros em seu armário, e Rachel esperava por ela encostada em seu armário, quando Santana passou por elas, passos apressados, cabisbaixa, e o som de seus soluços audíveis para qualquer um que estivesse ali.

Brittany e Rachel a observaram caladas, e a loira até sentiu um aperto em seu peito, e uma vontade de ir atrás da garota, mas como sempre a timidez falou mais alto, e ela continuou ali, parada, apenas observando em silêncio a menina se distanciando pelo corredor.

"O que será que aconteceu?" Brittany murmurou para Rachel.

"Eu não faço idéia, mas é estranho ver ela desse jeito." Rachel comentou. "Você deveria falar com ela."

"O quê? Não... Ela... Eu... Nós nem somos próximas." Brittany respondeu, fechando a porta do armário com um pouco mais força do que deveria, devido ao nervosismo só de pensar em falar com Santana. "Eu iria mais atrapalhar do que ajudar, você sabe Rach..."

"Tudo bem Brittany, foi só uma sugestão." A morena explicou e deu uma risadinha. "Você realmente gosta dela, hein? Eu achava que era só uma paixonite..." Brittany sentiu suas bochechas queimando.

"Rachel, para, por favor." Brittany falou séria, e Rachel apenas riu.

"Eu só estava brincando, vamos lá para a cantina, Mike já deve estar esperando." Rachel disse, então ela e Brittany seguiram para a cantina. "Mas, uma coisa é verdade, se você não for atrás dela, alguém vai."

Brittany sabia que sua amiga estava coberta de razão, mas ela não conseguia evitar aquela sensação de desespero e timidez que a invadia cada vez que ela e Santana estavam a menos de cinco metros de distância, era como se existisse uma barreira entre elas, e ela sentia que não havia nada que ela pudesse fazer para mudar aquilo.

"Eu sei, Rach." Ela respondeu baixo e desanimada.

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Santana entrou em uma sala vazia, sentou-se na primeira carteira e ficou ali, chorando. Ela cruzou seus braços e colocou sua cabeça em cima deles. Suas lágrimas amargas misturavam a tristeza, a decepção e a raiva que ela estava sentindo por Amanda, por ela ter sido tão negligente e insensível com algo que significava tanto para ela.

"Santana..." Ela ouviu a porta se abrindo lentamente, e uma voz masculina quebrando o silêncio. Ela levantou sua cabeça no mesmo momento, e viu há poucos metros de distância um rapaz de pele clara, cabelos cacheados castanhos claros, rosto com espinhas e óculos, parado em sua frente. Seus olhos brilhavam enquanto ele estava olhando para a latina. "Eu vi você e a Fordman discutindo na cantina, e eu sinto muito, eu não gosto de te ver chorando." Ele era Jacob Bem Israel, e Santana o conhecia desde a infância, ele costumava brincar com Brittany, por isso estava sempre presente no rancho Pierce, mas de uns anos para cá, ele nunca apareceu lá novamente. "Não é segredo para ninguém que Amanda Fordman não é a pessoa certa para você." Essas palavras fizeram Santana se lembrar de sua avó.

"Oh não..." Santana falou em um suspiro, e sinceramente tudo o que ela não precisava naquele momento era de um moleque nojento atrás dela. "Me deixe em paz, garoto, eu não gosto de você, eu não quero você, então apenas me deixe sozinha, eu não quero a companhia de ninguém, muito menos a sua." Santana disse chateada.

"Eu posso provar que sou muito melhor que ela..."

"Eu acho que você não entendeu, garoto nojento, eu sou lésbica, você sabe o que isso significa? Eu gosto de meninas, e como você não é uma, não tem a menor chance comigo, e além do mais, se eu fosse hétero, você não teria a menor chance comigo, eu nunca iria ficar com um cara lunático cuja a maior paixão é caçar insetos!" Ela despejou sem dó em cima do rapaz, assim ela se levantou e saiu da sala, esforçando-se o máximo possível para não passar perto de Jacob, que estava estático, ainda em choque com a rudeza das palavras daquela que era sua maior paixão.

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Em seu último período nas segundas-feiras, Brittany tinha educação física, uma de suas disciplinas favoritas, mas que estava se tornando um pesadelo. Apesar de zangada com seu pai por não tê-la deixado fazer um teste para o time de futebol, no fundo ela sabia que ele estava certo.

Era muito difícil conseguir se concentrar no jogo, quando ela tinha que se preocupar se ao chutar a bola ela iria furar a rede, ou pior, machucar alguém. No final suas preocupações eram tantas que ela acabava mal fazendo qualquer coisa, e tendo sua atenção chamada pelas meninas de seu time, e terminava frustrada. Por que sua vida tinha que ser tão complicada?

Assim ela abriu seu armário, e pegou a sua garrafa de água.

"Pierce." No mesmo instante Brittany reconheceu a voz de Amanda, e isso quase a fez engasgar com a água. "Olhe para mim." Brittany não sabia o que esperar desse encontro, da outra vez ela se deu muito mal, e continuou parada, olhando fixamente para dentro de seu armário. "Pierce, eu estou falando sério." O tom de voz de Amanda não ajudava, mas Brittany se virou devagar, e viu a ruiva de braços cruzados, olhando extremamente séria para ela.

"O- o quê você quer?" Brittany tentou deixar sua voz tão intimidadora quanto à de Amanda, mas fracassou no mesmo instante quando gaguejou.

"Eu não estou aqui para ficar de conversinha com você, eu só quero que você me devolva o colar da Santana." A ruiva falou se aproximando de Brittany, que lembrou do colar, e da enorme e insuportável que ele lhe causara. "Onde ele está?"

"Eu não sei." Ela respondeu, e encarou Amanda.

"Como? Claro que você sabe, ele está com você." Amanda afirmou. "Eu não estou brincando, garota, eu quero que você me devolva esse colar hoje mesmo."

"Eu já disse que eu não sei onde ele está." Brittany insistiu, e sentiu as mãos de Amanda grudarem em seu colarinho, e a levarem até um armário do lado oposto ao dela, e a forçar de uma forma violenta contra o objeto. Brittany não sentiu nada.

"Amanhã você vai trazer esse colar para mim, senão eu não vou ter dó de você, eu te arrebento após a aula, você me entendeu?" Brittany movimentou a cabeça em sinal de sim, somente para a garota a deixar em paz. Sem o colar Amanda não poderia lhe machucar, então ela não estava com medo, o seu único medo era se chatear com a garota e acabar machucando-a de verdade.

Assim que Amanda saiu, Brittany ajeitou a gola de sua blusa, e fechou o seu armário.

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Na saída da aula, Jacob andou até o seu carro e viu Santana há vários metros de distância, andando ao lado de Sugar, ainda cabisbaixa, e acabou entrando no carro de sua amiga ao invés do de Amanda Fordman. Ele sorriu, porque provavelmente o relacionamento delas estivesse acabado para sempre, e a sorte estivesse começando a sorrir para ele, pela primeira vez em sua vida.

Ele entrou em seu carro, um fusca verde, mais satisfeito do que nunca e sorriu para a sua caixa de insetos que estava no banco do passageiro. Lá haviam vários tipos de insetos diferentes, e junto deles, ele colocou algumas daquelas pedras verdes brilhantes que haviam pelos arredores de Smallville. Elas davam um visual melhor ao insetário.

O garoto ligou seu carro, uma música alta e seguiu até a sua casa, que assim como as de Brittany e Santana ficavam fora da cidade, em um pequeno rancho, próximo a antiga fundição Creekside, que foi destruída pela chuva de meteoros, e onde ele encontrou as pedras para enfeitar seu insetário.

Distraído com o som alto da música country de Alan Jackson, ele só percebeu a presença de um animal na estrada quando esse estava poucos metros a sua frente, forçando-o a fazer uma manobra perigosa, que resultou no capotamento de seu carro na estrada deserta.

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Brittany chegou em casa, e como todos os dias ela esperava encontrar seu pai fazendo alguma tarefa pelo rancho e sua mãe alguma tarefa doméstica, mas ela se enganou, pois encontrou os dois na sala, sentados cada um em um sofá, e ambos com uma expressão apreensiva nos rostos.

"Oi... Aconteceu alguma coisa?" Brittany não gostava nem um pouco de situações assim, da última vez que isso aconteceu, que ela chegou em casa e encontrou seus pais esperando por ela foi para avisar que seu avô que vivia na Carolina do Norte havia falecido. "Está tudo bem com a nossa família, né?"

"Sim, está tudo bem com a nossa família, não se preocupe em relação a isso, filha." Martha falou, levantando-se de seu lugar e pegando as mãos de Brittany. "Nós só queremos conversar com você." Nesse instante, Martha conduziu sua filha até o sofá, e continuou segurando as suas mãos.

"Eu fiz alguma coisa?" Brittany perguntou insegura.

"Não, você não fez nada, não aconteceu nada, nós só achamos que chegou o momento de falarmos com você sobre o seu passado." Jonathan disse, e Brittany sentiu suas pernas amolecerem, e ela agradeceu por estar sentada, porque senão provavelmente ela cairia no chão naquele instante. Seu peito doía de tão fortes que estavam as batidas de seu coração. "Nós sabemos que não vai ser fácil, mas nós queremos que você tenha a certeza que vamos estar sempre ao seu lado, não importa o que aconteça."

"Vocês estão me assustando falando essas coisas." Brittany murmurou, e sim, a cada palavra como aquelas e com tamanha seriedade, ela sentia que estava próxima de ter um colapso nervoso. "Por favor, falem logo isso." Martha e Jonathan se entreolharam, e entendiam o porque do nervosismo da adolescente. Qualquer outra pessoa em seu lugar teria o mesmo comportamento.

"Comece Martha." Jonathan falou, então a mulher olhou fixamente nos olhos de sua filha, e abriu um sorriso, porém esse ato não foi o suficiente para acalmar a garota. Brittany sempre quis saber de suas origens, mas o medo que ela estava sentindo naquele momento em que tudo seria colocado em pratos limpos, a fazia questionar se aquilo era válido.

"Bom, todo mundo pensa que nós encontramos você em uma casa de adoção em Metropolis, foi isso o que nós dissemos quando te trouxemos para cá, mas a história não é bem assim." Brittany escutava atenta a cada palavra de sua mãe. "O meu maior sonho sempre foi o de ser mãe, mas infelizmente a vida nunca me concedeu essa oportunidade, até você aparecer em nossa vida."

"Foi em uma tarde de Outubro, nós fomos até a cidade, na floricultura de Laura Lopez." Jonathan começou, e Brittany voltou o seu olhar para o seu pai. "Nós ficamos na cidade por algum tempo, e quando nós estávamos na estrada de volta para a casa, a chuva de meteoros atingiu a cidade." A adolescente suspirou fundo, a verdade foi que ela sempre acreditou que houvesse uma ligação entre o seu passado e a chuva de meteoros. "Um dos meteoros atingiu a estrada, e a nossa caminhonete capotou."

"Espere um minuto." Brittany sussurrou. "Eu acho que eu já entendi, é... Rachel... Rachel sempre diz que essas pedras verdes de meteoros, a Rachel sempre diz que elas são radioativas e causam mutações nas pessoas, e ela está certa, aquele cara que está nos jornais, Dave Karofsky, ele podia controlar correntes elétricas porque foi exposto à essa radiação de um meteoro que caiu próximo à ele." Jonathan e Martha ouviam calados. "Talvez seja o mesmo caso comigo, eu... Vocês me encontraram durante a chuva de meteoros, e talvez eu fui exposta à essa radiação, por isso eu posso fazer essas coisas..." Talvez assim como os pais de Santana, seus pais biológicos morreram durante essa chuva de meteoros, e talvez esse fosse o motivo pelo qual seus pais esconderam a verdade, eles não queriam magoá-la.

O casal Pierce ficou em silêncio por alguns instantes.

"Brittany, filha, nós não acreditamos que esse seja o seu caso." Jonathan falou, então Brittany levantou uma sobrancelha.

"Então... Então, o que vocês acreditam que seja?" Ela perguntou.

"Você não pode ter sido exposta à essa radiação de meteoros, porque você não foi atingida por ela, você veio junto dela." As palavras saídas da boca de Jonathan fizeram a expressão da garota mudar completamente. Ela piscou os olhos algumas vezes, e abriu a boca várias vezes, como se quisesse falar alguma coisa, mas nenhum som saiu dela.

"Quando você apareceu em nossa vida, você era uma criança entre uns três e quatro anos, e não sabia uma única palavra de nosso idioma, na verdade você não sabia nenhuma palavra de qualquer outro idioma." Martha explicou calmamente, ainda segurando nas mãos da adolescente, que olhava para baixo, com os olhos umedecendo cada vez mais a cada segundo.

"Próximo ao local onde você estava, nós encontramos uma... Uma espaçonave, e você provavelmente estava nela." Jonathan completou.

Brittany ficou estática durante algum tempo, sem reação alguma, apenas processando as informações que pareciam ter o peso do mundo em suas costas. Ela tirou suas mãos das mãos de Martha e enxugou as lágrimas, que escorriam silenciosamente por seu rosto pálido.

Então esse era o motivo dela ser tão diferente dos demais? Ela era um ser de outro planeta? Ela foi a culpada pela chuva de meteoros que devastou a cidade e causou a morte de várias pessoas? Ela era a culpada pela cidade ter se tornado esse lugar cheio de mutantes e pedras radioativas? E se outras pessoas descobrissem sua origem, o que aconteceria? Ela acabaria mofando em Belle Reve, ou pior, virasse objeto de estudos em algum laboratório do governo? Por que essas pedras verdes faziam tão mal à ela, se elas provavelmente tinham a mesma origem?

A garota se levantou, não agüentando mais segurar o choro. Tantas perguntas atormentavam a sua mente naquele momento.

"Brittany, minha filha..." Martha se levantou e tentou abraçar Brittany, mas ela se afastou.

"Eu preciso ficar sozinha, eu vou ficar bem, mas eu preciso ficar sozinha agora." A garota falou, e saiu de casa.

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Jacob acordou sentindo-se muito estranho, e assim que ele olhou para o espelhe retrovisor rachado de seu carro, ele viu como o seu rosto estava com marcas de picada. Ele levou um susto, e ao olhar para o lado no mesmo instante, viu seu insetário destruído. O vidro havia se quebrado, e as pedras espalhadas pelo carro e pelo chão.

Ele conseguiu sair do carro, e foi caminhando até a sua casa, com dificuldade, suas pernas estavam pesadas e sua visão turva. Nem ele acreditava que sobreviveria mais que um dia naquelas condições.

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Brittany caminhava sem uma direção certa, apenas deixava seus pés a levarem para qualquer lugar, e de preferência, onde ela pudesse ficar sozinha, apenas com seus pensamentos. Ela já não chorava mais, mas seu cérebro parecia queimar diante de tantas dúvidas.

Quem ela era? De onde ela veio? 'Por que ela foi colocada em uma nave e jogada no espaço? Havia algum propósito dela estar nesse planeta, ou tudo não passava de uma grande coincidência? Ela devia ignorar tudo isso e tentar viver como um ser humano normal, ou buscar suas origens? Ela conseguiria viver como um ser humano normal?

Quando a garota se deu conta, ela percebeu que estava no terreno que ficava atrás do rancho Pierce, naquele local era encontrado o cemitério municipal. Ela sempre ia para lá quando se sentia triste, era assim desde a infância. O lugar era praticamente vazio, dominado pelo silêncio e pela paz, o que o tornava um ótimo refúgio para momentos confusos como o que ela estava vivendo agora.

Brittany caminhou cabisbaixa por entre as lápides, imaginando ser a única pessoa naquele local solitário, mas naquele dia, ela tinha companhia.

Um soluço baixo quebrou o silêncio, e a fez parar no mesmo instante. Seus olhos percorreram todo o local, e logo atrás de uma estátua de um arcanjo branco ela viu a pessoa que estava chorando, agachada em frente à uma lápide, e a reconheceu instantaneamente. Era Santana Lopez.

Brittany engoliu seco, e sentiu seu coração disparar no mesmo instante, e para a sua sorte, a morena não a vira, assim ela deu dois passos para trás, tentando sair sem ser vista, mas ela pisou em um galho seco, o que, ocasionalmente fez os olhos negros de Santana morarem em sua direção.

"Brittany?" A surpresa era facilmente notável no tom de voz da morena, e Brittany sentiu suas bochechas arderem. Ela não conseguia mover nenhum músculo de seu corpo.

"É... O-oi Santana." A loira respondeu, e esperou ser ignorada ou que a outra pedisse para que ela a deixasse sozinha, mas nenhuma das duas coisas aconteceu, na verdade Santana se levantou, e enxugou suas lágrimas. "É... Eu vou... E-eu tenho que ir." Brittany se virou, e quase caiu por causa de um desequilíbrio.

"Você não precisa ir..." Santana a fez parar os seus movimentos atabalhoados. "Não se você não quiser." Brittany, sentindo-se um pouco mais confiante, se virou novamente. "Eu realmente preciso de alguém para conversar agora, não pode ser minha avó, ou a Amanda, você... Você pode me ouvir?" Santana estava visivelmente quebrada. Brittany levou alguns segundos para formular uma resposta inteligível.

"É... C-claro." Brittany respondeu, e sentiu inveja de todas aquelas pessoas que falavam com Santana sem parecerem idiotas gagos.

A loira se aproximou de Santana com passos lentos, para evitar qualquer coisa que pudesse causar uma queda, pois isso já havia acontecido, mais de uma vez. Os olhos azulados não deixaram de transcorrer as inscrições na lápide. Laura e Javier Lopez estavam enterrados ali, e não podia ser diferente.

"Ás vezes eu imaginava o quanto a minha vida poderia ser diferente se eles ainda estivessem aqui." Santana falou, olhando para a lápide. "Aquela maldita chuva de meteoros." Brittany engoliu seco, e sentiu uma enorme culpa dentro de seu peito. Dentre tantas pessoas que a vida havia sido destruída por sua causa, Santana era com certeza uma das mais atingidas.

"Eu... Eu sinto muito." Brittany falou baixo. "Seria tudo tão diferente se essa chuva de meteoros não tivesse acontecido."

"É, Smallville seria um lugar bem melhor." Santana comentou, e começou a chorar novamente. Brittany quis abraçá-la, mas sua timidez falou mais alto. "Mas você não precisa se sentir culpada por isso, é sempre assim na verdade, as pessoas se sentem mal pela pequena órfã." Brittany quis evaporar naquele momento. Ela nunca tinha a chance de falar com Santana, e quando acontecia um quase milagre, ela falava a coisa errada. Ela era com certeza 'genial'. "Não é nada pessoal Brittany, eu só não quero que todo mundo sempre me veja como a pobre menina que perdeu os pais, você entende?" Brittany assentiu com a cabeça.

"É como se sentir... Uma pessoa solitária, mesmo com várias pessoas ao seu redor, é como sentir que você mesma não sabe quem você realmente é." Brittany falou mais para si mesma do que para a outra garota naquele momento.

"Está tudo bem, Brittany?" Santana perguntou, e Brittany mais uma vez sentiu suas bochechas arderem, porque claro, ela tinha que falar demais.

"Sim, eu estou bem." Brittany até sorriu. "Você está chateada, e eu venho aqui para te ouvir e acabo falando demais... Esquece isso."

"Você estava falando sobre os seus pais biológicos?" Santana perguntou. "Quer dizer, eles morreram também?" Brittany suspirou, quem saberia aquilo?

"Eu não sei, eu não sei nada sobre eles, quer dizer, eu só sei quem eles são de muito longe, muito mais distante do que eu imaginava." Brittany respondeu. "Mas eu sei que eu nunca vou saber o motivo deles terem me deixado." Santana sentiu pena da outra garota. Os pais dela não estavam ao lado dela por estarem mortos, mas os de Brittany provavelmente criaram essa barreira entre eles. Era ainda mais doloroso.

Santana quis abraçar Brittany, mas ela imaginou que aquilo não tinha cabimento naquele instante, e também porque ele tinha medo da outra desmaiar em seus braços.

"Brittany, eu... Eu tenho que ir agora." Ela sentiu uma sensação estranha em seu estômago, e o seu coração que começou a bater um tantinho descompassado. "Foi legal falar com você."

"Eu também gostei de falar com você." Brittany respondeu, e sentiu seu corpo inteiro congelar, assim que a mãe esquerda de Santana repousou em seu ombro e a garota ficar na ponta do pé para beijá-la na bochecha. Quando o rosto de Santana entrou no campo de visão da loira, ela estava com um sorriso tão lindo estampado nele, que Brittany se esqueceu como respirava por alguns segundos.

"Nós duas temos mais em comum do que eu imaginei." Ela falou, e Brittany sorriu. "Te vejo por aí."

"É... Eu também..." Santana saiu, e Brittany ficou parada, ainda processando o que acabara de lhe acontecer.

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Jacob entrou no banheiro, cambaleando. Nem ele mesmo sabia como conseguiu chegar na sua casa. Naquele momento ele só queria tomar um banho e se deitar, pois ele não acreditava que houvesse nada para fazer além de esperar a morte chegar.

Ele ligou o chuveiro, e esperou a água cair por alguns minutos até se despir completamente.

Assim que ele entrou debaixo daquela água quentíssima, ele sentiu que algo estranho estava acontecendo, sua pele começou a cair, conforme ele passava a mão pelo corpo, mas ao contrário de dor, ele se sentia rejuvenescido.

Ele não estava morrendo, mas sim passando por um processo de metamorfose.

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Já era noite quando Margaret Israel chegou em casa. A pobre mulher trabalhava duro, dia e noite desde que o seu marido morrera para criar seu único filho, o adolescente Jacob.

Ela e o menino se davam bem durante a infância, porém, assim que a adolescência chegou, as coisas se complicaram, O rapaz se introverteu e começou a ficar espionando Santana Lopez e a colecionar insetos. As duas coisas aborreciam Margaret demais, ela considerava ambos nojentos. Ela conhecia Alma Lopez há anos, e mal podia olhar nos olhos dela após achar uma coisa dela, após achar uma coleção de vídeos que o seu filho fizera sobre a neta dela.

A mulher foi até a cozinha e colocou o macarrão no fogo, e em seguida subiu a escada para chamar o adolescente para jantar. Ela bateu na porta duas vezes e não teve resposta.

"Jacob, o que está acontecendo?" Ainda não obteve uma resposta. "Jacob, abra essa porta." Mais uma vez sem resposta, a mulher virou a maçaneta lentamente, e abriu a porta com cuidado.

O que ela encontrou ali foi de arrepiar os cabelos. O quarto do garoto estava completamente diferente, todo cheio de fios brancos enormes, que lembravam teias de aranha.

"Jacob, onde você está?" A mulher perguntou, temerosa, dando um passo de cada vez. "Jacob, cadê você?"

"Estou aqui, mamãe." Assim que Margaret se virou para a direção de onde a voz vinha, ela viu seu filho grudado na parede.

"Ahhhhh, meu Deus!" A mulher ficou pasma, e colocou a mão no seu peito. O garoto pulou no chão, com um sorriso desafiados nos lábios. "O que você se tornou? Você é um inseto nojento, um monstro."

"Mamãe, eu sempre disse para a senhora que insetos não eram nojentos, na verdade, alguns deles são de uma natureza fascinante." O rapaz foi andando na direção de sua mãe, encurralando-a contra a parede. " As aranhas africanas são um ótimo exemplo disso, sabe o que elas fazem logo após nascerem?" A mulher começou a chorar, e isso parecia motivar ainda mais o garoto. "Elas matam a mãe."

Os olhos de Margaret se arregalaram, mas ela não teve tempo de fazer mais nada. O rapaz abriu sua boca e ela foi envolvida em uma teia gigantesca.

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No dia seguinte assim que Santana chegou a escola e abriu seu armário várias borboletas saíram de dentro dele, assim como aquela caixa que foi deixada em frente à sua casa, dias atrás.

"Você gosta das borboletas, Santana?" A garota virou-se num pulo, e encontrou Jacob há poucos metros de distância, com uma postura totalmente diferente, ele demonstrava grande confiança.

"Então era você?" Santana perguntou, extremamente enojada, quando ela acreditava que aqueles presentes eram de Brittany, ela achava tudo bonitinho, mas agora, era simplesmente nojento. "Por que você assinava B?"

"Ben é meu nome do meio, eu não queria que você descobrisse que era eu, não pelo menos até o momento certo." Ele sorriu. "Eu gosto de você há muito tempo Santana, e eu só queria que você visse o quão perfeito somos um para o outro." Ele disse com um sorriso, e se aproximando lenta e vorazmente, praticando encurralando a morena contra seu armário. Ele esticou a mão para tocar no rosto de Santana. "Você tem o rosto mais bonito que eu já vi..."

"Tire as mãos dela, seu moleque." Foi a ordem vinda de Amanda, assim que ela apareceu no corredor e viu a cena. Jacob parou sua ação no mesmo instante, e virou-se para encarar a ruiva, com um sorriso debochado. "É melhor você ficar longe dela, seu esquisito, pois eu te garanto, que se te vir perto dela outra vez, você vai se arrepender!"

"Que medo dela, ciumenta..." Ele chacoalhou a cabeça. "Vamos ver quem vai se arrepender primeiro, Fordman." Ele olhou para Santana, que ainda estava encostada no armário e piscou para ela, antes de sair.

"Você está bem, Santana?" A ruiva perguntou, se aproximando de sua, ela não sabia ainda se era ex ou atual namorada.

"Eu estou bem, obrigada." Santana respondeu de um jeito seco, e fechou o seu armário. Amanda ficou ali, parada olhando para ela, sentindo-se péssima por vê-la daquela forma.

"Toma cuidado com esse cara, eu não suportaria te ver machucada." Ela falou, com toda a sinceridade do mundo, e pela forma que Santana olhou para ela, ela soube que a adolescente havia percebido.

"Se cuida também, porque apesar de tudo, eu também não sei o que eu faria se ele te machucasse." Ela respondeu, e aquela resposta fez Amanda sentir-se segura o suficiente para tentar tocá-la, mas a morena se afastou. "Não... Pelo menos por enquanto, eu ainda preciso de tempo."

"Tudo bem." Amanda respondeu, colocando as mãos no bolso. Santana então seguiu para a sua aula, enquanto encostou-se ao armário, ainda bastante chateada com aquela situação.

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Assim que Brittany entrou no corredor, Amanda apareceu em sua frente. Ela estava atrasada para a aula, porque ela acabou dormindo demais, e acordou faltando apenas três minutos para as oito.

"Tentando me evitar, Pierce?" A jogadora falou, aproximando-se de Brittany. As coisas que aconteceram no dia anterior fizeram com que a loira se esquecesse completamente da história do colar.

"E-eu já... Já disse, eu não sei onde o colar está." Brittany falou, e as últimas palavras saíram com a firmeza que ela quis, e isso a deixou satisfeita.

"Eu sei que está mentindo para mim, menina do rancho, e isso não vai ficar assim." Amanda deu um empurrão em Brittany, que foi mais para trás por sua própria vontade de se afastar da outra, do que pela força contra seu corpo. "Eu não acho que seria uma má idéia fazer um Espantalho fora de época."

"Você vai perder seu tempo fazendo isso, eu estou dizendo a verdade." Brittany respondeu com firmeza, e se esforçando o máximo possível para não chorar, só as lembranças daquela noite terrível já eram o suficiente para assustá-la.

"Por que eu não acredito em você?" Nesse instante Amanda agarrou o colarinho de Brittany.

"Brittany, o que está acontecendo?" Rachel apareceu ali. O primeiro horário daquele dia era ciências, e Rachel era a parceira de Brittany. Amanda soltou a adolescente.

"Nós terminamos essa conversa mais tarde, Pierce." A ruiva disse, encarando Brittany que manteve os olhos baixos. Assim que Amanda virou o corredor, Rachel se aproximou de sua melhor amiga.

"Você está bem, Britt?" Ela perguntou, colocando sua mão no ombro de Brittany.

"Eu estou bem, obrigada." O abalamento da adolescente era visível.

"Por que ela está fazendo isso com você?"

"É uma longa história, eu não quero falar sobre isso agora, tudo bem?" Brittany respondeu, e suspirou fundo.

"Claro, nós estamos atrasadas para a aula, espero que o professor não nos coloque na detenção por isso." Rachel falou enquanto ela e Brittany caminharam apressadas até a sala de aula.

"Desculpa pelo atraso, é que eu estou com alguns problemas aqui e lá em casa também, essa semana está sendo bastante difícil." Brittany desabafou.

"Britt, você sabe que não precisa passar por isso sozinha, eu, e o Mike também, nós vamos estar sempre ao seu lado, amigos para todas as horas, não é?" As duas sorriram uma para a outra, e assim que chegaram na frente da sala, que estava com sua porta fechada. A morena bateu na porta, e assim que o professor abriu a porta, a sua expressão não era das melhores.

"Pierce e Berry, vai ser ótimo ver vocês duas na detenção após a aula hoje." O homem falou com um sorriso irônico.

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Estava anoitecendo quando Jacob saiu de casa. Ele agora já não era mais aquele moleque recatado que as pessoas poderiam tirar sarro na escola, agora ele se sentia renovado. Estava forte, rápido e com grandes habilidades vindas dos seres mais desprezados do planeta, os insetos, e assim como eles, eles estava passando pelo seu ciclo de vida.

Primeiro ele se alimentou, agora ele estava mudando para finalmente chegar a fase mais esperada de sua vida, o acasalamento, e ela já havia encontrado a parceira perfeita para isso.

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Santana tirou do microondas o seu jantar, como ela estava sozinha em casa, não havia necessidade de se cozinhar, já que sua avó era a única que odiava comida semi-pronta.

Santana só queria terminar aquele dia aproveitando sua lasanha, vendo um programa qualquer na TV, e depois estudar para uma prova de história daquela semana.

Assim que o microondas apitou, ela pegou o seu prato e foi para a sala, onde uma imagem aterrorizante a fez derrubar seu prato.

"Oh Deus!" A garota falou em desespero, diante da imagem de Jacob Bem Israel grudado na parede da sala, igual a um inseto, com uma expressão maquiavélica no rosto.

Assim que ele pulou no chão, Santana correu em direção ao telefone, mas foi em vão, ele em um pulo a alcançou, segurando-a pelo braço.

"Ei Santana, onde você pensa que vai?" Ele perguntou, sua boca estava bem próxima da orelha esquerda da adolescente.

"Jacob, por favor, não me machuque..." Ela implorou, chorando desesperadamente.

"Eu não vou machucar você, eu nunca seria capaz de fazer uma coisa dessas, eu só quero completar meu ciclo de vida..." Ele falou vagarosamente.

"Ciclo de vida?" Santana repetiu confusa com aquelas palavras.

"É, e agora está na hora de acasalar." Ele riu após dizer isso. Santana arregalou os olhos, e voltou a ficar agitada.

"O que? Não!" Ela tentou se soltar, mas o rapaz era muito mais forte que ela.

"Como se você tivesse alguma escolha." Jacob ironizou. "Você me esnobou tantas vezes Santana, e olha só, agora você vai ser minha, para sempre."

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Amanda desceu do carro disposta a falar com Santana. Ela sabia que durante as terças-feiras Alma tinha compromissos na cidade, e a garota acaba ficando sozinha até por volta das nove horas, e quando ela já estava bem próxima a casa, ela viu a porta se abrindo, e de dentro dela saindo Jacob, com Santana em seus braços, desacordada.

"O que você está fazendo?" A ruiva falou, avançando na direção do rapaz, que sorriu ao vê-la.

"Amanda, eu tenho algo para você também." Ele falou baixo, e antes mesmo que a garota pudesse se aproximar, ele avançou, e a acertou com um tapa que foi o suficiente para fazê-la cair do outro lado da estrada de terra, chocando-se violentamente contra a cerca do rancho Pierce, que se partiu.

Amanda caiu desacordada.

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Brittany estava no celeiro sozinha, estudando para a prova de história. Os dois últimos dias ela ficou assim, preferindo a solidão, assim seu cérebro parecia funcionar melhor.

Seus amigos a faziam rir e distraíam sua cabeça, mas sempre que eles iam embora, tudo voltava à tona. Ser de outro planeta era algo que ainda estava entalado em sai garganta, e mesmo se ela engolisse isso, imaginava que nunca conseguiria fazer uma boa digestão da realidade sobre a sua própria vida.

Um barulho chamou a atenção da garota. Brittany se levantou e foi até a janela, para ver se descobria a origem daquele som, e se assustou ao ver uma pessoa caída próximo à cerca do rancho de sua família. Era claro que alguma coisa errada estava acontecendo.

Brittany usou sua super velocidade para chegar até aquela pessoa em menos de dois segundos, e surpreendeu-se ao ver de quem se tratava.

"Amanda? Está tudo bem?" Brittany perguntou, mantendo uma certa distância. A outra se levantou cambaleando, e com a mão na cabeça. Haviam lágrimas em seus olhos.

"Ele a levou." Ela mais se lamentou do que informou Brittany.

"Ele quem? Do que você está falando?" Brittany perguntou, ela não estava entendendo nada, mas a coisa parecia ser séria.

"Jacob! Ele levou Santana..." Os sons de soluços de Amanda ficaram mais audíveis e desesperados. Brittany mordeu o lábio inferior. "Eu preciso fazer alguma coisa, mas eu não sei o quê!" Amanda levou as duas mãos à cabeça e olhou para cima. "Minha namorada em apuros, e eu aqui, perdendo o meu tempo conversando com uma garota estúpida como você." A ruiva esbravejou frustrada.

"Eu posso te ajudar." Brittany falou e não estava mentindo. Ela, Mike, Rachel e Jacob eram amigos de infância, e eles costumavam brincar em uma casa na árvore próxima a antiga fundição Creekside, onde eles costumavam brincar e Jacob esconder suas coisas, entre elas, os insetos.

"Como?" Amanda perguntou.

"Jacob era meu amigo na infância, e eu acho que eu sei onde ele levou Santana." Brittany explicou. E é claro que ela não estava fazendo aquilo por Amanda, mas sim por Santana.

"Me diga, por favor." O tom na voz da jogadora havia mudado completamente.

"Perto da antiga fundição Creekside, há uma casa na árvore, nós costumávamos brincar nela, e ele levava suas coisas para lá." Ela se sentiu muito mal por referir a Santana como uma coisa de Jacob naquele momento.

"Espero que você esteja me dizendo a verdade dessa vez, porque se você estiver me enganando, e alguma coisa acontecer com a Santana, eu mato você e aquele moleque esquisito também."

Após dizer isso Amanda correu para o seu carro, e estava claro que em seu estado físico ela nunca conseguiria salvar Santana de seja lá o que for que Jacob quisesse fazer com ela. Brittany sabia que ela era a única que conseguiria fazer alguma coisa naquele momento, e assim que o carro de Amanda desapareceu na estrada, ela correu em direção à antiga fundição Creekside.

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Assim que Brittany chegou no local indicado à Amanda, ela olhou para a casa na árvore, e viu uma luz acesa, o que significava que ela estava certa. Jacob estava ali mesmo com Santana.

Mesmo não gostando de altura, e ela lembrava o quanto sofria toda vez que tinha que subir e principalmente descer dali quando era criança, mesmo amando o local, a garota subiu a escada, devagar, tentando não ser ouvida, também para ouvir qualquer coisa que poderia estar acontecendo. Não havia nada além de silêncio naquele local.

Assim que ela entrou na casa, viu Santana deitada, dormindo em algo que parecia um casulo gigantesco. A garota não tinha a menor idéia do que estava acontecendo, mas era assustador.

"Então, temos visita? Bom te ver, Brittany." Ela olhou para o lado e viu Jacob sorrindo. "Há quanto tempo você não vinha aqui, sentiu saudades?"

"Jake, o que você está fazendo?" Brittany perguntou, e olhou mais uma vez para Santana. "Você vai matá-la!"

"Não... Claro que não, eu a amo, eu vou fazer dela minha mulher." Ele explicou calmamente, e olhou para Santana. "Ela é tão preciosa, eu sempre quis tê-la, mas ela nunca olhou para um inseto, era só Amanda, Amanda, Amanda..."

"Jake, pare com isso, por favor." Brittany praticamente implorou, ela não queria que as coisas dessa vez tomassem o mesmo rumo que tomaram com Karofsky.

"Vai embora daqui Brittany, eu vou deixar você sair ilesa em nome de nossa antiga amizade." Ele falou se aproximando lentamente de Brittany.

"Eu só saio daqui se Santana for comigo!" Brittany falou com firmeza, e encarou seu ex-amigo, que deu uma risada debochada.

"Novidade para você Brittany: Isso não vai acontecer, Santana vai ficar aqui até chegar em seu período fértil para que nós possamos acasalar." Brittany engoliu seco com aquelas palavras. "É a natureza" Ao dizer isso, o rapaz avançou em Brittany, e os dois caíram de cima da casa. Ele se levantou intacto, e ficou surpreso ao ver que Brittany fez a mesma coisa. "Uau, então você é uma aberração também?"

"Eu não sou uma aberração..." Brittany grunhiu, e seus punhos se fecharam. Ela sabia que um dia a chamariam assim.

"Você é uma aberração, assim como eu, um inseto, Santana nunca olhou para mim, nem para você, então, por que se preocupar tanto?" O garoto ironizou.

"Você é um monstro, eu não como você!" Ela respondeu, sentindo-se cada vez mais irritada, e já com vontade de agredir seu ex-amigo.

Jacob riu e saiu correndo, ele foi em direção à antiga fundição Creekside, pulou a cerca de arame e ela o seguiu. Brittany viu o momento em que ele foi saltando de forma assustadora de árvore em árvore até o maior dos barracões.

Brittany e seus amigos costumavam brincar ali também na infância, e uma das lembranças mais claras em sua memória, era a de sempre se sentir mal por aquela região, mas ela não desistiu, ela iria fazer aquilo acabar naquela noite mesmo.

Assim que ela pisou no barracão, sentiu aquela sensação ruim. Uma dor percorrendo por todo o seu corpo e suas forças diminuindo aos poucos, mas mesmo assim ela olhou ao redor atentamente, procurando por Jacob.

De repente ela sentiu o golpe firme de dois pés em suas costas, que a jogaram contra a parede, que estava há metros de distância. Assim que ela abriu os olhos, ela notou de várias daquelas pedras verdes dos meteoros.

"Droga..." Ela sussurrou, tentando se levantar, ouvindo os passos apressados de Jacob chegando cada vez mais perto.

"O que está acontecendo, Brittany? Eu imaginei que isso seria mais divertido." Os olhos do rapaz caíram sobre uma viga de ferro. "Sabe Brittany, as pessoas sempre menosprezaram os insetos, mas você já imaginou se nós pudéssemos ser como formigas?" Ele se agachou e pegou aquele objeto. "Nós poderíamos carregar vinte vezes o nosso próprio peso, interessante isso, não? E muito útil também!" Brittany sentiu uma forte pancada em suas costas. Jacob atingiu a garota com aquela viga.

A pancada foi tamanha que jogou Brittany no subsolo da fábrica, onde havia uma quantidade grande de chumbo.

Após cair pela escada, Brittany sentiu suas energias sendo recuperadas. Ela se levantou rapidamente, e se escondeu atrás de um dos pilares. Ela ouviu em absoluto silêncio os passos de seu rival descendo a escada.

"Ei Brittany, você ainda está viva?" Ele perguntou. "Brittany? Já desistiu da brincadeira?" Brittany segurou até a respiração, para evitar qualquer falha naquele momento. Ela precisava pegar o garoto desprevenido.

Ela ouviu atentamente cada passo, que pareciam ser abafados pelas batidas aceleradas de seu coração, mas ela não perdeu a oportunidade. Assim que ele viu o rapaz na mesma direção do pilar em que ela estava atrás, ela avançou nele, usando sua super velocidade, tornando impossível para ele se defender. Quando ele percebeu estava sendo prensado contra uma parede e dominado por Brittany, que segurava firme no colarinho de sua jaqueta.

"Eu só vou dizer mais uma vez..." Nem mesmo Brittany reconheceria aquele tom sombrio em sua voz. "... Fique longe da Santana!" Assim Brittany o jogou com força do outro lado do local, e a pancada dele contra uma máquina velha fez com que uma trave de chumbo de aproximadamente meia tonelada caísse em cima do rapaz. Mas para a surpresa de uma já horrorizada Brittany, debaixo daquela trave saíram milhares de besouros, o que fez Brittany entender que ela não havia matado Jacob, para o seu alívio.

Já não bastava ser de outro planeta, ela não queria ser uma assassina também.

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Amanda nem sabe como conseguiu chegar até ali, e nem o que iria fazer naquele momento, ela só queria salvar a sua namorada. Ela estava atordoada, sua cabeça sangrava e sua visão estava turva, mas mesmo assim ela conseguiu subir a escada e entrar na casa da árvore.

Assim que ela viu Santana ainda desacordada, naquele emaranhado de fios brancos, ela correu para tirá-la dali, torcendo para que nada de ruim tivesse lhe acontecido.

A ruiva arrebentou os fios, e o contato com o ar fez Santana acordar no mesmo instante. Ela estava assustada e tremendo, mas assim que viu Amanda ela se sentou e a abaraçou.

"Oh, graças a Deus." Ela falou, chorando no ombro de Amanda.

"Você está bem?" Amanda perguntou, enquanto observava cada detalhe do corpo de Santana, para garantir que ela não estava machucada.

"Sim, eu estou, mas você..." A morena disse, e olhou para a sua própria mão, que estava com sangue da cabeça de Amanda. "Ele fez isso com você?"

"Isso não importa, vamos sair daqui agora, eu não sei onde ele está." Mesmo em seu estado debilitado, Amanda ajudou Santana a sair daquela espécie de casulo.

Assim que desceram a escada, Amanda acabou tropeçando e caiu de joelhos, Santana a ajudou se levantar.

"Você não está bem Mandy, você está atordoada, essa pancada na sua cabeça foi muito forte, eu vou te levar ao hospital." Santana falou bastante preocupada.

"Não, eu vou te levar para casa, depois eu vou para a minha, descanso e vai ficar tudo bem." Amanda falou.

"Não, eu vou te levar para o hospital Amanda, por favor, você fez tanto por mim, me deixe fazer algo por você também." Santana insistiu, e estava até se sentindo envergonhada de seu comportamento nos dois últimos dias com Amanda que arriscou a própria vida para defendê-la de um monstro.

"Mas e a sua avó? Ela vai ficar preocupada." A garota argumentou.

"Eu ligo para ela do hospital, não se preocupe, eu dou um jeito, mas eu não vou deixar você dirigir ou não ir ao hospital, isso pode ser uma coisa séria, e eu não quero nem pensar na possibilidade de..." Santana sentiu um nó na garganta só de pensar naquelas palavras. Ela não poderia perder Amanda.

"Está bem, vamos ao hospital, eu não quero que você fique preocupada, você já passou por muita coisa hoje." Amanda concordou, então Santana abriu a porta do passageiro e ajudou a namorada a entrar no carro, em seguida ela correu até o outro lado, entrou, e saiu.

Há alguns metros dali, Brittany observava tudo de trás de uma árvore. Ela tentou chegar a tempo para mostrar à Santana que era ela quem realmente a havia salvado. Ela queria que sua vizinha enxergasse o quanto ela significava para Brittany, mas Amanda chegou antes, como sempre.

Não havia mais nada que ela pudesse fazer, além de voltar para casa.

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Já em sua casa, Brittany foi para o celeiro, que mais parecia seu refugio do que qualquer outra coisa. Ali estavam a maioria de suas coisas favoritas, a velha televisão de seus pais, um sofá, seu telescópio, que desde o dia anterior não estava mais focado no quarto de Santana, e sim para o céu, o lugar de onde ela veio.

Brittany gostava de admirar as estrelas, e sempre as considerou tão misteriosas, assim como todo o universo, mas agora, ela sentia medo. Havia muito mais do que ela, ou qualquer outra pessoa no planeta Terra poderia imaginar. Ela não fazia a menor idéia em que planeta ela nascera, porque não havia nenhum conhecimento humano sobre um planeta habitado por humanóides super poderosos. Ela viera de um planeta longínquo e desconhecido dos terráqueos.

Brittany se aproximou da janela e ficou olhando para o céu, para todas aquelas estrelas, que pareciam tão pequenas em meio aquela imensidão negra, e só de pensar que ela provavelmente havia passado por elas a fazia sentir calafrios, e quando ela se lembrava da letra de uma de suas músicas favoritas, Starman de David Bowie, parecia que tudo não passava de uma grande ironia.

There's a starman waiting in the sky

(Há um homem das estrelas esperando no céu)

He'd like to come and meet us

(Ele gostaria de vir e encontrar-nos)

But he thinks he'd blow our minds

(Mas ele pensa que explodirá nossas mentes)

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Próximo capítulo: O colar

Jonathan e Martha confrontam Brittany sobre seu comportamento rebelde. Santana vai falar com Rachel para saber sobre os estranhos acontecimentos em Smallville e Sebastian Smythe se encontra cada vez mais fascinado pela garota que salvou a sua vida. Suas pesquisas começam a serem feitas através do colar que estava com Brittany na noite em que ela era o Espantalho.


*Então, gostaram?
*Por favor, digam me, nesse novo universo, qual seu personagem favorito, qual você menos gosta, enfim, essas coisas.
*Eu prometo que logo teremos some Brittana action, haha, verdade, vocês não perdem por esperar.
*Além do mais, eu estou pensando em fazer essa fic em três partes, nessa primeira Brittany se descobrindo, e as outras duas sobre como ela deixa de ser uma adolescente tímida de Smallville para se tornar a maior protetora de Metropolis, e então veremos vilões mais poderosos como General Zod, Bizarra, Ultragirl, Supergirl prime, Doomsday, Darkseid e seus discípulos Metallo e Toyman. O que acham da ideia?
*Espero que tenham gostado do capítulo ;)