Capítulo 2

Rebekka enlaçou seu braço com o de seu irmão e entrou no salão. Seus olhos varreram o local, tentando pegar um vislumbre de sua amiga. Isabela tinha lhe enviado uma mensagem, deixando-a saber que já estava na cidade. Ela tinha conseguido chegar a tempo para o baile de máscaras, como prometera.

Do seu lado, Klaus observava tudo com um sorriso satisfeito nos lábios.

"Diria que é um belo cenário para os acontecimentos desta noite."

A festa estava em pleno andamento. Pessoas mascaradas, vestidas elegantemente, vagavam pelo ambiente. Do teto pendiam fitas grossas, onde bailarinas faziam acrobacias no ritmo da música.

Rebekka revirou os olhos com a atitude do irmão, antes de voltar seu olhar para a outra entrada do salão, onde estava Camille, vestida de anjo. Um sorriso cresceu em seus lábios, e aumentou ainda mais quando sentiu Klaus ficar tenso. Ele não estava mais sorrindo.

"O que ela faz aqui?" Perguntou, sem conseguir conter a raiva em sua voz.

Rebekka sorriu.

"Tem jeito melhor de distrair Marcel do que colocar seu amor humano em uma sala cheia de vampiros?" Respondeu, antes de andar em direção à bartender, com um sorriso falso no rosto.

"Olá, querida. Você está linda."

Camille sorriu, mas deixou seu olhar correr pelo salão.

"Esta festa é ridícula, mas acho que consigo me divertir." Murmurou, e então seu olhar encontrou o de Klaus, que a observava por trás de Rebekka. "Ele é o famoso 'vai e vem'?" Perguntou.

Klaus se aproximou. "Ele é o irmão, na verdade." Disse, trocando um olhar com Rebekka. "E minha irmã tem razão. Você está demais."

"Você também sabe se arrumar."

"Não se engane, amor. Eu sou o demônio disfarçado." Mostrou sua máscara preta com chifres a ela.

Essa é a pura verdade. Pensou Rebekka, lembrando todas as coisas ruins que seu irmão fez no decorrer dos anos. Depois de sua transformação em vampiro, Niklaus se tornou um homem diferente. Se tornou um homem frio e impiedoso. E as coisas pioraram ainda mais quando a sua verdadeira natureza veio à tona. Rebekka se lembrava perfeitamente daquela noite. Todos eram novos vampiros, e ainda não tinham controle sobre sua sede de sangue, por isso ficavam isolados dos humanos. Mas numa noite de caça, Klaus teve o azar de topar com um homem na floresta e acabou perdendo o controle e matando-o. E então o seu lado lobisomen foi acionado, trazendo a prova de que Esther cometera um adultério. Klaus não era filho de Michael, e sim de um lobisomem que morava na aldeia vizinha à deles.

Rebekka se perguntou várias vezes se Michael desconfiava deste fato. Isso explicaria todo o abuso mental e físico que Niklaus sofria em suas mãos. E o que mais a deixava irritada nessa história toda, era o fato de sua mãe nunca ter feito nada para impedir isso. Ela era a única que tentava ajudar Klaus, a única que o limpava e que cuidava dele depois das brigas. Por incontáveis noites ela ficou segurando seu irmão enquanto ele sofria e chorava, seja pela dor dos ferimentos físicos, ou dos emocionais. Ela amava seu irmão, independente de quem era o seu verdadeiro pai.

Mas então os anos foram passando, e Klaus foi se tornando o monstro que ele é hoje. Depois de várias traições por parte dele, Rebekka perdeu as esperanças de salvá-lo. Ela tinha total consciência de que seu irmão tinha problemas de confiança, e que morria de medo de ficar sozinho, por isso fez todas aquelas coisas ruins, mas ela simplismente não conseguia mais suportar isso...não conseguia mais encontrar nele nenhuma qualidade redentora, nada que desse esperanças de que um dia ele voltaria a ser o irmão que ela tanto amava. Isso era o papel de Elijah, não dela.

Na sua bolsa, o celular vibrou, trazendo-a de volta ao presente. Era uma mensagem.

Continue com o plano. Não mude nada. Estarei por perto.- Isabella

Com um suspiro, ela voltou sua atenção para seu irmão e Camille.

"Continuem conversando. Preciso de uma bebida." E saiu em direção ao bar, deixando os dois sozinhos. "Uísque, por favor." Pediu, encostando na bancada, ciente da aproximação de Marcel.

"Está tentando ser boa trazendo ela pra cá?" Ele perguntou.

"Eu a acho uma fofa! Entendo porque gosta dela." Ela falou, olhando para ele. "Talvez eu alimente-a pra você." Murmurou, pegando sua bebida com o barman.

"O ciúme cai bem em você, Bekah."

Do outro lado do salão, Isabela observava a cena, divertida. Era realmente engraçado ver sua amiga agindo com ciúmes. E mais engraçado ainda era ver Marcel tentando mostrar que não se importava, quando estava claro que ele gostou da reação de Rebekka. Esses dois sentiam algo um pelo outro, isso estava na cara. Mas Isabela não sabia se o que eles sentiam era forte o suficiente para sobreviver a todos os obstáculos que estão por vir. Com essa guerra que Klaus estava travando, era só uma questão de tempo antes de Rebekka ter de escolher um dos lados. E isso poderia ser a destruição de sua amiga vampira.

Isabela voltou sua atenção para o outro lado do bar, onde estavam Klaus e Camille. Ela nunca tinha conhecido o hibrido pessoalmente. Na verdade, ela não conhecia nenhum dos irmãos de Rebekka. Ela só os conhecia pelas histórias que sua amiga contava, tanto da época em que eram humanos, quanto depois de sua transformação. Ela tinha ficado horrorizada quando Rebekka contou-lhe sobre as atrocidades que Michael fazia à Klaus. E ficou ainda mais horrorizada ao saber que sua própria mãe não fazia nada para protegê-lo. Ela não conseguia entender como eles podiam tratar seu filho desse jeito. Em sua opinião, os dois eram os únicos culpados dos atos vis e cruéis que o hibrido cometera no decorrer dos séculos. Talvez se eles tivessem sido mais carinhosos e amorosos, Klaus teria se tornado um homem diferente.

Um barulho alto trouxe sua atenção para uma das entradas do salão, onde Marcel prendia o vampiro Thierry contra a parede. Ela sabia o que isso significava. O plano de Klaus estava dando certo.

Seus olhos correram pelo ambiente, tentando encontrar Rebekka, mas fora em vão. Sua amiga conseguiu sair sem que ela percebesse. Ela fechou seus olhos e focou na ligação que compartilhavam. Rebekka já estava no cemitério com Sophie, e a bruxa estava começando o feitiço para localizar Elijah.

Sua mente captou uma outra fonte de poder, vinda do lado de fora do salão. Era Katie.

Aqui vamos nós! Pensou, vendo Marcel e seus homens levando Thierry em direção à saída. Sem hesitar, Isabela os seguiu de longe, passando despercebida entre os demais convidados. Já na rua, subiu até a sacada de uma das casas e ficou escondida nas sombras, vendo os eventos do seu sonho se repetir na rua abaixo.

Isabela congelou o seu corpo no lugar, respirando fundo para se acalmar. Levou toda a sua força de vontade para não se meter na briga quando Klaus matou a bruxa. As coisas tinham que acontecer exatamente desta maneira. Ela ainda não podia revelar sua presença.

Com um aperto no coração, ela viu Thierry se despedindo de sua amada, antes de ser arrastado pelos capangas de Marcel para o final da rua, sumindo de sua vista. Marcel deu uma última olhada no corpo da bruxa, e então os seguiu, junto com Klaus.

Isabela se certificou de que a rua estava vazia, antes de pular da sacada, caindo perto do corpo de Katie. Com cuidado, se agachou e pegou a bruxa em seus braços. Deu uma última olhada ao redor, na rua vazia, antes de correr na direção contrária à dos vampiros, desaparecendo na escuridão.