O Piano
3. Dueto
Ele era... lindo.
Ou mais que isso. Cabelo bagunçado, barba por fazer, sorriso torto... Eu o vi de relance uma vez em Nova York não faz muito tempo, e ele me observava sem parar de uma forma que me deixava nervosa.
Quase com o mesmo olhar que tinha agora. Olhando-me como se eu fosse algo de comer. Pronunciando meu nome como se fosse o mais incomum do mundo.
Aquilo me preocupava, não vou negar.
-Pronto para começar? – tentei manter o ar sério. Eu só estava ali para treinar por uma semana antes do concerto. Estavam pagando para eu ficar até próxima terça-feira trabalhando com Edward Cullen.
Edward assentiu e assumiu reservado a ele ao piano.
-Você foi notificada sobre o que vamos tocar?
-Concerto em D Maior, op. 35, Tchaikovsky; Sonata em Lá Maior e Valsa de Esquina nº 2, Mignone; Fantasiestücke op. 73, Schumann. Tenho tudo comigo.
Vi o sorriso torto aparecer novamente, e ele parecia satisfeito. Ou mais que isso.
-Não é à toa que é considerada a segunda melhor violinista do país.
Ergui uma sobrancelha. Muitos diziam isso, mas eu sabia que não era verdade.
