Capítulo 3: Apenas aceite.
A noite de celebração havia sido perfeita. Os músicos haviam tocado como nunca e as moças haviam dançado maravilhosamente. Embora tivesse tentado a todo custo, Hadyia não conseguiu alcançar seu objetivo em superar a prima. Havia causado certo encantamento, mas não o suficiente.
Os movimentos de Amirah eram mais suaves, mais delicados, e consequentemente mais sensuais e elegantes. O elemento fogo aquela noite havia sido muito bem representado.
A manhã seguinte era apenas mais uma manhã normal.
Fadil havia solicitado a presença de Saga para uma rápida reunião, a rainha juntara-se às outras senhoras, Aiolos havia seguido o rei e Hadyia havia sumido após o desjejum. Amirah ficaria sozinha por um bom tempo. Detestava aquilo. Até poderia se juntar à mãe e as senhoras, mas sinceramente, bordados, pinturas e costura não era algo que ela queria fazer naquela linda manhã.
Ouviu gritos, risadas e correrias por um dos pátios do castelo e foi até lá ver do que se tratava. Crianças brincando. Adorava ver as crianças brincando. E adorava mais ainda juntar-se a elas. Tinha tempo que não fazia aquilo. A última vez que fizera, a rainha tinha lhe repreendido, pois já era mulher feita, cujas regras vinham todos os meses. Além de tudo era uma princesa e não ficava nada bem para ela ficar comportando-se daquele jeito. Sentiu saudades do tempo que corria por aqueles pátios, corredores e salões ao lado de Saga e Aiolos e às vezes até ao lado de Hadyia. Outras crianças juntavam-se a eles também.
Que mal poderia ter correr com aqueles pequenos? É claro que nenhum. Depois se acertava com o pai ou a mãe caso um dos dois a visse brincando com as crianças e lhe repreendesse novamente.
Pôs-se a correr e brincar, sem pensar em mais nada.
Ao final do corredor a figura imponente de Fadil surgia. Trajava um gibão vermelho e branco com filigranas douradas bordadas. Um manto perolado lhe cobria as costas e na cintura o cinto pendendo "Areebah, a espirituosa", em sua bainha. Ao seu lado vinha Aiolos, trajando uma camisa de linho, cota de malha, um colete de couro e o inseparável arco.
Ambos pararam ao ver aquela cena. Aiolos preocupou-se imediatamente e procurou sondar o rosto do tio, mas Fadil era completamente insondável. Não havia uma expressão formada em seu rosto. Ele apenas olhava. E olhou, olhou, olhou. Por quanto tempo nem Aiolos soube dizer.
- Amirah. – o rei chamou.
Todos pararam no mesmo momento. As crianças, ao verem de quem se tratava, correram amedrontadas. A única que permaneceu foi a princesa, completamente apreensiva.
- O que está fazendo? – perguntou aproximando-se. Aiolos vinha atrás de si.
- Apenas brincando com as crianças, meu pai.
- Você gosta mesmo disso, não?
- Sim meu pai. Adoro.
- Venha comigo. Me acompanhe.
- Sim senhor.
Pai e filha deram as mãos e seguiram juntos até o salão do trono. Fadil sentou-se no lugar que lhe pertencia. Aiolos ficou parado, do seu lado direito e Amirah a sua frente, cabisbaixa e ainda apreensiva. Suas mãos estavam unidas a frente do corpo.
- Aiolos, pode me deixar a sós com a minha filha?
- Claro vossa Graça, como quiser. – lançou um olhar preocupado para a prima.
- Quando precisar de você mando lhe chamarem. Arranje o que fazer rapaz.
- Sim, vossa Graça.
Aiolos saiu por uma das portas laterais e sumiu pelos corredores.
- Olhe só para você.
- Meu pai, não me castigue por estar brincando com aquelas crianças, por favor.
- Olhe só como cresceu. Pelos deuses.
- Deve estar uma fera comigo, não é mesmo? – perguntou com medo
- Por brincar com as crianças? Claro que não. Eu sei o quanto gosta delas. E sei que não importa o que sua mãe ou eu digamos para você, vai continuar brincando daquele jeito com elas.
- Então... Por que estou aqui?
- Sabe, eu sempre achei que como rei, estaria sempre ciente de tudo que acontecia ao meu redor, mas hoje, percebi que me enganei.
- Se enganou? Como assim?
- É que hoje eu percebi o quanto você cresceu. E eu não vi quando isto aconteceu. Estou bastante atrasado quanto a isso, pois veja só, você já é uma mulher e já está casada. Daqui a pouco já é até mãe. E só hoje eu percebi, vendo você brincar com aquelas crianças, quanta coisa eu perdi.
- Meu pai...
- Imediatamente eu refleti que podia ter feito muita coisa de forma diferente só para poder ter visto tudo o que eu perdi.
Havia lágrimas nos olhos dos dois, mas diferente das de Amirah, as de Fadil não rolaram.
- Não me perdeu, meu pai. Não diga isso. – ajoelhou-se e abraçou as pernas do pai – Jamais vai me perder.
- Eu sei querida. Eu sei. Venha cá. Sente aqui no colo deste velho, como fazia quando era bem menor que aquelas crianças.
A princesa o obedeceu e lhe abraçou, sentindo seus cabelos serem remexidos, como num carinho um pouco desajeitado. Foi como se tivesse voltado à infância. Estavam to absortos naquele momento, que não perceberam que parado ali na porta, Saga observava tudo. A expressão em seu rosto era de tristeza.
Uma cena vinha à sua memória. Ainda estava em Dahab e ainda era um menino de sete anos. Estava sentado, junto com o irmão, no colo do pai, na cadeira pertencente ao senhor daquela terra. Os dois gêmeos haviam tido mais uma briga boba e o velho senhor os apaziguara, lhes explicando coisas que deviam saber sobre irmãos. Ele e Kanon tinham apertado as mãos num sinal de trégua e haviam recebido um beijo carinhoso, cada um. No final de tudo, o velho senhor de Dahab lhes contava alguma história sobre algum guerreiro corajoso e lhes fazia sonhar e fantasiar sobre aquilo. Aquele tinha sido o último momento que tivera com eles.
E mesmo ele estava tão distraído com o momento entre pai e filha que não percebeu a aproximação de Aiolos.
- Não sabia que era dado a espiar por trás das portas. Isso é coisa da Hadyia e não sua.
- E não sou. – respondeu o príncipe, afastando-se dali, indo encostar-se numa larga coluna. Aiolos não deixou de notar o tom triste em suas palavras e preocupou-se novamente. Agora com o amigo.
- Aconteceu algo, Saga?
- Não. Não é nada demais. É só coisa minha.
- Se você diz. Mas... Se quiser conversar.
- É que... Às vezes gostaria de ter passado mais tempo com meu pai. Tê-lo conhecido de verdade. Infelizmente não pude.
- Bom, se lhe serve de consolo, eu também quase não passei tanto tempo assim com o meu. Ele me deixou aqui e foi lutar ao lado do rei em Dahab. E lá ele se foi.
- Mas você está do lado da sua família de verdade. Seu pai era irmão do rei. Mas eu... Não que eu não considere a todos como minha família. Pelo contrário. Fadil e Sadirah me criaram como um filho, mesmo que eu estivesse prometido a Amirah. E você, eu tenho como meu outro irmão. Mas...
- Não é a mesma coisa. Eu sei do que fala. Mas, acho que você pode tentar viver isso quando seu filho com Amirah nascer. Veja pelo lado bom. Ao menos você tem uma esposa linda e que te ama. E não tem como você duvidar disto, porque cresceu ao lado dela. Sabe que é de verdade.
- É, nisso você está certo. – disse desencostando-se da coluna – Mas é engraçado ouvi-lo falando isso. Logo você que resolveu se juramentar ao rei. Me pergunto se não lhe cansa ficar só.
- Confesso que é cansativo. Eu bem queria sim casar e ter uma bela esposa me esperando, ter filhos, vê-los crescer. Realmente ter um lar e amar voltar pra ele todos os dias.
- Então por que...?
- Você viu com quem eles queriam me casar? Prefiro ficar só a me casar com ela.
- Acho que não seria tão ruim quanto pensa.
- Não. Seria pior. Entenda Saga, eu odeio Hadyia e Hadyia me odeia. Se tivessem nos casado, acho que eu não estaria aqui falando com você neste momento. Poderia estar debaixo da terra ou nas celas esperando julgamento por tê-la matado.
- No entanto, você a persegue.
- Saga, que bom que você não vê nela o que eu vejo.
- E o que você vê?
- Hadyia é a pessoa mais ardilosa que eu conheço. E também a mais dissimulada. Você sabe disso. Você vê. Ou vai dizer que nunca percebeu ela lhe encarando ou exibindo-se pra você?
- Já. E isso me incomoda. Ela não respeita nem a presença de Amirah.
- Devia dizer isso pra ela.
- Prefiro ignorá-la.
xOxOxOx
Após o desjejum Hadyia recolhera-se em seu quarto. A ideia e a raiva do dia anterior não haviam lhe deixado em paz. Andava de um lado para o outro pensando no que poderia fazer para afastar Amirah de uma vez por todas de todos ali.
Mas tinha tanta coisa em sua cabeça que não conseguia sequer formular uma ideia que fosse. Precisava se controlar. Precisava manter a calma. Havia muito a se fazer.
Primeiro deveria separar as coisas. O que acontecera no dia anterior só deveria servir como estímulo para o êxito de seu plano. Sentou e se serviu de uma taça de vinho doce. Tomou uma, duas, três até que sua mente foi se acalmando e aos poucos as ideias se formando e se organizando.
Já tinha o motivo. Precisava de um momento propício. Talvez algo de rotina. Repassou mentalmente o que Amirah poderia fazer todos os dias e não achou nada que realmente pudesse dar certo ou que não deixasse tantas pistas assim.
Uma lembrança.
"- Vai usar seu traje de sete cores, tia? – perguntou para acabar com a euforia da prima.
- Como sempre, Hadyia. É meu dever.
- Sonho tanto com um traje destes.
- Quando for rainha poderá usar o seu Amirah.
- Na verdade, sonho com o seu traje, mamãe".
Sorriu maliciosamente. É claro que já sabia o que fazer. Precisava agora pensar com muito cuidado como faria. Teria tempo pra isso. Sabia que teria. E o melhor. Poderia até fazer tudo sozinha, sem levantar suspeitas de ninguém. Nem mesmo o imbecil insuportável do primo conseguiria descobrir algo. Jamais imaginara que poderia ser assim tão fácil.
xOxOxOx
Fadil tinha mandando lhe chamar. Disse duas ou três coisas e lhe dispensou. Como vinha fazendo ultimamente. Desse jeito, como podia cumprir sua missão de proteger o rei o tempo todo se ele lhe afastava de si quase toda hora? Não sabia o que era pior. Argumentar e receber um severo castigo ou, ser dispensado com as palavras "arrume uma puta, garoto".
Toda vez era isso. Toda vez essas mesmas palavras. Não precisava que ficassem lhe mandando arrumar putas o tempo todo. Tudo bem que dar uma boa trepada de vez em quando era bom, mas assim já era demais. Desse jeito até parecia que não era capaz de arranjar uma mulher que fosse. É claro que nem sempre ele obedecia o que lhe era mandado fazer. Algumas vezes ia simplesmente dormir, outras encher a cara numa taberna qualquer, disparar flechas em alvos, ou simplesmente não fazia nada.
O pior era que estava entediado. Tudo bem que a rotina régia também lhe parecia altamente tediosa, mas não ter nada para fazer quando o rei não quer fazer nada era pior. Não tinha uma esposa para correr e abraçar, não tinha um filho para ensinar algo, as lâminas dos punhais que carregava nas botas e no cinto estavam lustradas, estava sem paciência para alvos fixos, Amirah com certeza estava com Saga, talvez providenciando um filho. E mesmo que não estivessem, que graça teria acompanhar um casal como eles? Apaixonados e trocando beijos e carinhos o tempo todo.
Ora merda.
Às vezes arrependia-se amargamente da escolha feita. Não fosse isso, poderia muito bem cortejar a filha bonita de algum senhor com grandes propriedades. Ser mais livre para participar de mais coisas, fazer grandes caçadas ele mesmo, voltar pra casa e administrar as coisas do pai no lugar de Aiolia, seu irmão mais novo que havia ficado com a mãe em Badi. O garoto talvez já tivesse até esposa e filhos e ele não. Mas o que poderia fazer? Preferia ser mandado ao inferno completamente em pedaços a casar-se com aquela ardilosa dissimulada. Foi pura sorte ter ouvido o comentário de Sadira acerca disso. Caso contrário, como poderia negar aquilo ao tio? Como dizer não ao rei? Estava completamente sem saída. Mas situações desesperadas pedem medidas desesperadas. Preferiu anular-se. Preferiu abrir mão de sua liberdade a ter de passar por um casamento indesejado com uma noiva intragável.
Até porque, se tivesse casado com Hadyia, também não seria livre. Porque seria incapaz de desonrar aquele compromisso selado diante dos deuses. E seria também incapaz de desonrar a si próprio procurando sexo fora da cama que dividiria com a esposa.
Merda novamente.
Foi até o quarto que ocupava, quase na saída do quarto do rei. Apenas jogou-se na cama, olhando para o teto. Não sentia sono e tampouco sentia-se cansado. Não havia muito o que fazer. Talvez se fechasse os olhos...
...nada.
Merda outra vez.
Melhor fazer o que tinha que fazer.
Saiu do quarto, atravessou o corredor, desceu as escadas. Ninguém interessante. Apenas aias e guardas. Logo estava atravessando um dos salões do castelo. Também ninguém interessante. Pediu um cavalo selado e ganhou as ruas pouco tempo depois. Cumprimentava um aqui e outro ali, mas sem ligar muito pra quem era. Só queria chegar ao seu destino. Dobrou a esquerda, depois a esquerda outra vez, direita e seguiu reto. Um pouco mais de trote em cima do cavalo e já podia sentir aquele aroma e músicas peculiares.
Encostou no pequeno estábulo que havia ali, desceu da montaria e a entregou ao rapaz que de lá cuidava. Adentrou o estabelecimento, fazendo a sinetinha da porta balançar, mas o som que a mesma fez não poderia ser ouvido graças a música alta, que somada ao som de risos de homens e mulheres, deixava qualquer coisa inaudível ali.
Gostava daquilo. Gostava daquele ambiente. Num dos cantos os músicos tocavam uma alegre melodia, atrás do balcão uma matrona gorda atendia aos homens do lugar. Várias moças passavam de um lado para o outro carregando bandejas com enormes canecas de cerveja ou pratos com os mais variados tipos de comida. Umas desfilavam envoltas somente em véus transparentes, outras estavam adornadas somente com joias, completamente nuas. Lhe agradava demais frequentar a Casa de Johara. Já havia frequentado os outros bordéis, mas tinha um bom motivo para ir sempre naquele.
Procurou uma mesa para sentar entre muitas ocupadas. A Casa de Johara fazia sucesso na cidade e era muito procurada, de forma que estava a maior parte do tempo lotada. Havia homens de todas as partes e mulheres em todas as partes, mas conseguiu achar uma mesa no canto, bem onde gostava. No entanto, não conseguiu passar despercebido.
- Ora vejam só quem chegou. – disse uma voz suave, quase ao pé do ouvido.
Sorriu. Adorava quando ela fazia isso.
- O rei mandou procurar uma puta outra vez, aposto.
- Não precisa. Aposta ganha.
- O que vai querer?
- O de sempre.
- Johara! O de sempre para o nosso ilustre cavaleiro aqui. – a moça de cabelos de um loiro escuro, olhos púrpuras e pele clara gritou.
A matrona saiu correndo de trás do balcão para ir atender o jovem.
- Meu jovem senhor, não faz ideia do prazer que é recebê-lo aqui.
- Talvez eu saiba, Johara.
- Esses dias chegaram duas coisinhas preciosas que eu tenho que certeza que o jovem senhor ia adorar experimentar. Uma veio do norte e outra do outro lado do mar. São especiais para clientes mais especiais da minha Casa.
Enquanto Johara oferecia as duas novas meninas para Aiolos, a outra moça lhe servia do que ele sempre gostava e sempre pedia. Uma enorme caneca de cerveja e outra, menor, de vinho.
- Agradeço, mas eu prefiro ficar com o de sempre. – respondeu puxando a moça pelo braço, para que ela se sentasse em seu colo.
- É uma pena jovem senhor. – disse a matrona se retirando.
- E você tem que chamar a atenção dela, hein? – Aiolos perguntou a moça.
- Eu preciso, caso contrário ela me deixa de castigo depois. E fica dizendo "Nawar faça isso. Nawar faça aquilo". Não sabe como sofro.
- Talvez eu saiba. – disse ele estendendo o braço para pegar a cerveja, enquanto ela tomava o vinho, sentada em seu colo.
Nawar na verdade chamava-se Glorya. Não era nem de Ahd, Dahab e tampouco de outras terras ali perto. Veio de mais distante. Das terras do ocidente, do outro lado do mar. Chegou na Casa de Johara e logo fez sucesso. Era diferente de todas as outras. Os cabelos de um dourado escuro logo chamaram a atenção. Juntamente com os olhos meio púrpuras e a pele alva como leite. Os seios não chegavam a saltar do decote, como o de outras moças que trabalhavam no estabelecimento, mas preenchiam-no de forma generosa. A cintura era fina e parecia ter um encaixe perfeito nos braços o do jovem cavaleiro. As coxas não eram nem finas e nem grossas. Eram proporcionais. Perfeitas.
Era uma das melhores prostitutas da Casa. Uma das mais solicitadas. E se dava ao luxo de escolher seus clientes.
A primeira vez que viu Aiolos foi na noite em que ele havia ido à Casa de Johara com Saga. Interessou-se nele pelo simples fato dele estar acompanhado do príncipe. Talvez fosse tão importante quanto ele. E na época era. Ainda não havia jurado ser babá do rei.
Apesar de terem a mesma idade, Nawar era muito mais experiente que ele naquele tempo. De modo que, ela lhe ensinara muitas coisas, mas o resto ele aprendera só. E ela gostava daquilo. Gostava do que ele fazia. Era ousado. Coisa que poucos clientes eram. Por esse motivo, quando ele chegava, ela era só dele, até o momento em que pusesse os pés fora dali.
- Você acha que sabe. Duvido muito que o rei Fadil mande você fazer as coisas que Johara me manda.
- Não as coisas que ela manda você fazer, mas coisas tão irritantes quanto. Exceto quando ele me manda procurar uma puta. – ela riu deliciosamente diante daquela afirmação.
- Como se você não gostasse.
- Não vou ser tolo em negar. – deslizou levemente o nariz pela curva do pescoço dela, depositando-lhe um beijo no ombro.
- Ninguém é tolo em negar que gosta de uma bela trepada, meu querido.
Foi a vez de Aiolos rir. Gostava de ouvi-la falando aquelas coisas. Lhe dava mais vontade de estar com ela. Mais vontade de jogá-la na cama e fazer tudo o que gostava de fazer. Na verdade, gostava de mulheres que eram naturais e divertidas no seu jeito de ser. Sem falsidades, frescuras e todas aquelas chatices. Quando ainda pensava em se casar, esperava que sua esposa fosse assim.
- E se for está mentindo. Todos eles gemem, embaixo ou em cima de nós.
- Vai me fazer gemer hoje?
- A pergunta certa é se você vai me fazer gemer hoje.
- Quer pagar pra ver?
- Quem paga aqui é você. A puta sou eu.
- Como queira.
Nawar enroscou-se no pescoço de Aiolos, depositando-lhe suaves beijos e causando-lhe arrepios. Sabia que ele amava aquilo. Aproveitou e desceu a mão, tocando-lhe entre as pernas. Ele, por sua vez, subia a mão por uma de suas coxas, acariciando cada área, apalpando-lhe a nádega.
- Por que não acaba logo essa cerveja pra subirmos e nos divertirmos um pouco?
- Posso acabar outra cerveja depois.
Levantou-se e saiu de mãos dadas com ela. Subiram juntos as escadas e adentraram num corredor. Mas antes mesmo de chegarem ao quarto, Aiolos a prensou na parede, pressionando seu corpo contra o dela, fazendo-a sentir seu membro começando a enrijecer, beijando-lhe o pescoço.
- Está com pressa hoje, cavaleiro?
- Nenhum pouco. É só que... Não dá pra resistir a você. E pare de me chamar de cavaleiro. Sabe que não gosto.
- Mas é o que você é.
- É o que sou, mas entre nós dois, prefiro que me chame pelo nome, Glorya.
- Tudo bem. Não o chamo mais assim, Aiolos.
Então ele a puxou pelas nádegas para seu colo e se dirigiu ao quarto. Ao adentrar o aposento, colocou-a sentada na cômoda vazia que tinha ali. Desatou as amarras do corpete que ela usava e jogou a peça longe. Nawar tratou de tirar a blusa no mesmo instante em que as mãos de Aiolos lhe envolveram os seios, apertando-os.
- Por que não pode ser como as outras e se vestir com roupas mais fáceis de tirar?
- Porque eu não sou como as outras.
- Realmente.
Não era bem costume das prostitutas, mas para Aiolos, Nawar abrira uma exceção e lhe beijara vorazmente. Duas línguas massageando-se entre mordidas nos lábios e movimentos apressados para tirar a roupa que ainda lhes vestia.
O rapaz a puxara para lhe jogar na cama, mas ela foi mais rápida e o derrubou primeiro, aproximando-se logo em seguida como uma felina, passando uma mão pelos cabelos e descendo sensualmente pelo corpo, enquanto a outra apalpava um dos seios. Ajoelhou-se na cama, por cima dele e lhe distribuiu beijos e pequenos arranhões, causando-lhe arrepios novamente.
- Nawar, assim não vale.
- Vale sim. Vale tudo o que quisermos.
Baixou o quadril sobre ele, roçando sua feminilidade no membro de Aiolos, vendo-o adorar aquilo. O rapaz tratou de puxá-la novamente para si e beijou-a, tentando, sem sucesso ficar por cima dela. Nawar riu da tentativa e lhe acariciou o rosto. Saiu de cima dele, com um sorriso que agora era safado e se dirigiu a ereção latente. Mas nada fez. Resolveu brincar um pouco. Com os dedos indicador e médio, fez como se sua mão caminhasse pela virilha de Aiolos, sem lhe tocar o membro. Aquilo era bom, mas Aiolos já estava ansioso.
- Não me faça implorar por isso.
- Imploraria?
- Nawar...
- Seria interessante ver isso.
- Nawar...
- Não se preocupe. Não vou fazer com que faça isso. Você não é homem para implorar.
Com um toque suave, Nawar começou a massagear o membro viril de Aiolos, fazendo-o respirar fundo a cada movimento. A cada subida e descida cadenciada. O rapaz liberava fortes suspiros prazerosos e começava a se contorcer.
Fechou os olhos para aproveitar mais aquela sensação maravilhosa que ela lhe causava e tornava ainda melhor quando alternava a velocidade dos movimentos e a intensidade com a qual segurava a ereção.
Estava completamente em êxtase. Êxtase essa que aumentou, quando sentiu o toque quente e molhado causado pela língua e pela boca de Nawar. Gemeu.
- Isso é realmente bom. Não pare. Continue assim... desse jeito...
A loira resolveu brincar com ele mais uma vez. Segurou-lhe o membro pela base, com um toque leve, somente para mantê-lo do jeito que queria e começou a fazer movimentos circulares com a língua somente na glande.
- Lá vem você. Por que tem... de fazer isso... comigo? Justo... justo quando sabe... quando sabe que estou gostando.
- Vale tudo o que quisermos, lembra?
- Então quer me torturar? É isso? –perguntou apoiando o tronco nos cotovelos
- Não. Só quero lhe dar o prazer que merece.
- E eu mereço ficar com vontade?
- Não. Merece aumentar a sua vontade em me ter. – respondeu ronronando.
O olhar. Aquele maldito olhar que era um misto de provocação e inocência. Inocência essa que se algum dia existiu, já foi esquecida havia eras. Não conseguia imaginá-la assim, ainda mais quando ela lhe sugava daquele jeito, vigorosamente, como se nunca tivesse visto um pau na vida.
Aiolos enroscou-lhe a mão nos cabelos para ditar o ritmo dos movimentos, mas estava difícil até mesmo para ele controlar-se. Nawar então resolveu cessar as carícias, causando o protesto do rapaz. Mas os protestos não duraram por muito tempo, pois ela permitiu que Aiolos invertesse o jogo.
Logo ele estava beijando-lhe os lábios, descendo pelo pescoço, sugando-lhe os mamilos, alternando entre mordidas, lambidas e apertões. Demorou ali o tempo suficiente para que ela começasse a se contorcer quase implorando que ele descesse mais um pouco, para lhe aumentar a umidade entre as pernas. Aiolos ainda pensou em devolver-lhe as "pequenas torturas" as quais fora submetido, mas ele mesmo não aguentaria assim tanto tempo.
Com a língua, foi descrevendo o caminho da descida a partir do vão entre os seios até a virilha, onde, para provocá-la um pouco mais, deu leves sugadas ao redor da feminilidade de Nawar.
- Você não vai querer me dar o troco, não é?
- Eu bem que poderia. Mas eu mesmo não me aguento.
Ajeitou-se entre as pernas dela e penetrou-lhe de uma só vez, arrancando dela um forte gemido. Deu-lhe tempo suficiente para acostumar-se com a sensação e começou a estocá-la. E não eram estocadas gentis. Do jeito que ela gostava.
Os gemidos dela aos poucos aumentavam. Assim como o ritmo das investidas de Aiolos.
Se continuassem daquele jeito, logo chegariam ao clímax e nenhum dos dois queria aquilo. Diminuindo o ritmo, ele saiu de dentro dela e deitou-se, puxando-a para cima de si, para cavalgá-lo, como só ela sabia fazer.
Era uma cavalgada cadenciada, deliciosa. Enquanto tratava-se apenas de um trote, as mãos dele deslizavam pelas coxas macias. Volta e meia arriscavam-se a leves tapas nas nádegas. Quando ela aumentou o ritmo, Aiolos levou-lhe as mãos aos seios, para que pulassem entre eles. As mãos de Nawar espalmavam o tórax e o abdômen do rapaz, deixando-lhe pequenas marcas onde as unhas afundavam na pele.
Os gemidos tornaram-se altos novamente e antes que ficassem loucos, Aiolos, num impulso rápido, colocou-a embaixo de si novamente. Então saiu de dentro dela outra vez e virou-a de quatro para si, montando nela como um grande garanhão, ditando o ritmo segurando Nawar pelos quadris.
A mulher sentia o corpo todo tremer com as investidas e já estava indo a loucura. O rapaz já começava a dar sinais de que o clímax estava por chegar a qualquer momento. Quando este chegou ambos deixaram-se desabar na cama, lânguidos, suados, extasiados. Aiolos por cima dela, repousando a cabeça na curva do pescoço delicado, por entre os fios dourados escuros.
- Foi delicioso, querido.
- Você não precisa ser puxa-saco comigo, Nawar. Uma foda é uma foda. Sempre vai ser boa. – levantou-se e deitou ao lado dela na cama.
- Nem sempre. Mas isso é assunto de puta, não seu.
- De qualquer forma, não precisa disso comigo. Sabe que eu sempre volto.
- Claro que volta. – ela respondeu sentando-se do lado oposto da cama – Sabe, me pergunto os motivos pelos quais seu tio o manda tanto vir procurar um bordel.
- Não tente entender. Eu mesmo já desisti.
- Talvez ele queira recompensar você pelo fato de ter feito essa escolha estúpida.
- Não foi estúpida. Você sabe.
- Não podia simplesmente dizer que casaria com qualquer outra mulher, menos a prima invejosa?
- Não se diz não ao rei. Além do mais, ele não é só o rei, é meu tio. O homem que me criou quando meu pai morreu por ele.
- Tudo bem, eu já conheço sua tragédia pessoal. Mas ainda acho que podia ter exposto a ele seus motivos. Olha pra você Aiolos. É um bom amante, um ótimo cliente, mas não é homem pra viver procurando puta em bordel. E eu sei que não foi isso que planejou a vida inteira.
- Realmente não foi. Eu queria ter família e filhos, mas não foi o que aconteceu. Não posso voltar atrás agora. Aliás, nem que eu quisesse. Só se tio Fadil morrer, o que não vai acontecer tão cedo.
- Case comigo. – ela lhe disse espontaneamente e ambos riram.
- Preciso ir. – disse ele levantando-se para vestir as roupas.
- Tão cedo? – Nawar perguntou enrolando a ponta dos cabelos no dedo.
- Sim.
- Você é tão obediente.
- É uma qualidade. E talvez um defeito. Aqui. Tome pra você – estendeu a mão e lhe entregou um punhado de moedas de ouro.
- Não é comigo que acerta as contas querido. É com Johara.
- Com Johara me acerto depois. Quando sair daqui. Isso não é um pagamento. É um presente. Você faz muito além do seu serviço. Não é só a minha puta favorita. É minha amiga.
- Está tentando ganhar meu coração? Por isso não vai funcionar.
- Apenas aceite.
Continua...
Né... capítulo tava pronto já tinha um tempão, mas eu resolvi fazer greve. Ngm me deixa review... u.u
Mas eu preciso e quero muito continuar isso aqui então...
Anyway.
