Notas: Wee, mais um capítulo! -aplaude- Esse demorou um pouco mais que os outros prá sair e é bem acelerado e curtinho. Sorry ppl, mas eu fiz uma linha de pensamento pro que colocar em cada capítulo, então alguns serão bem pequenos. Juro que não é de maldade!

Agradecendo como sempre a todos que estão acompanhando essa minha loucura repentina de escrever fic em capítulos. Aos que lêem e comentam e aos que não comentam também! XD Gostaria de responder aos comentários de cada um, mas sou muito preguiçosa prá fazer isso... uu

-x-

Capítulo 2

Reita chegou cedo na manhã seguinte também. E dessa vez o motivo não tinha sido uma ameaça de Kai. Simplesmente não tinha conseguido dormir a noite inteira – o que explicava bem os círculos escuros embaixo dos olhos – e se cochilou por poucos minutos já tinha sido um alívio. Jogou-se no sofá assim que entrou na pequena sala de espera ao lado de fora da que usavam para ensaiar, sentia seu corpo cansado e não duvidava se conseguiria levantar daquele sofá macio e confortável quando precisasse.

Ele poderia até confundir aquela manhã como todas as outras que tivera – apesar de ter chegado cedo, o que era raro – normal, agradável, sem acontecimentos embaraçosos e desesperadores e teria acreditado que estava tudo normal não fossem os olhares tortos que recebeu desde a entrada no prédio até a sala que agora ocupava.

Além disso, a conversa que tivera com seu empresário não seria fácil de ser esquecida.

Ele não estava irritado, nem nervoso, apenas preocupado – demais até – o que deixaram Reita e Ruki sem saber exatamente o que dizer, porque apesar de também estarem preocupados, não pareciam tão... exagerados. Além do mais, tiveram que pensar em tantos argumentos até o homem realmente se convencer que não tinham nada que Reita guardou todos para usar quando Uruha começasse a importunar demais com aquela história – e conhecendo bem o loiro sabia que isso poderia durar anos. Fora todas as tentativas do empresário de discordar com o que a dupla tinha dito, mostrando as fotos e perguntando como podiam ter tanta intimidade para aquilo se não estavam juntos.

Reita teve ímpetos de estrangular aquele homem mais de uma vez, será possível que ele não podia ser amigo íntimo de Ruki sem que as pessoas pensassem mal disso? O que havia de errado numa amizade assim? E depois, antes daquelas malditas fotos serem publicadas, ninguém nunca tinha pensado nada como isso vindo dos dois.

"Maldita mídia e sua influência nas pessoas...", murmurou descontente, apoiando os braços no encosto do sofá, sua atenção indo para a porta ao ouvir um suave click.

Era Ruki quem tinha acabado de entrar. Parecia cabisbaixo e com um semblante abatido e logo que deu de cara com Reita na sala, e apenas ele, abaixou a cabeça e ficou sem saber o que dizer, sentindo-se envergonhado e desconfortável. Mas mesmo assim mostrou um sorriso tímido para Reita, indo sentar ao lado dele no sofá.

"Bom dia" ele falou de repente, envergonhado e baixo, olhando para os próprios pés.

Como se Reita não fosse perceber o tanto que ele tentava disfarçar estar incomodado na presença dele. No instante seguinte ele bufou e girou os olhos parecendo irritado e puxou o rosto de Ruki para encará-lo com olhos arregalados e surpresos.

"Escute bem. Não é porque uma revista idiota inventou um monte de coisas mentirosas sobre nós, que devemos nos tratar como estranhos, só prá provar que nada daquilo é verdade. Eu não preciso provar nada prá ninguém", Reita estava sério como Ruki nunca o tinha visto antes e o olhar dele era tão fixo e profundo que por mais que ele quisesse desviar estava preso nele. "Você é meu amigo, sempre foi e não vai deixar de ser por causa de umas fofocas sem sentido. E eu não vou deixar de te tratar como eu sempre tratei, nem deixar de ficar perto de você ou deixar fazer as brincadeiras que sempre fiz por causa daquilo" Ele sorriu então puxando as bochechas de Ruki como adorava fazer, só para irritá-lo "Só prá deixar bem claro."

O vocalista acabou rindo também, afastando as mãos de Reita com um grunhido. Passou a mão pelo rosto suspirando baixo. Seu coração batia tão rápido e tão forte depois de tudo o que tinha ouvido que temia que Reita pudesse escutar. Além do mais podia jurar que seu rosto estava vermelho, a proximidade do rosto do baixista tinha sido muita para sua saúde. Ah, se Reita soubesse como ele se sentia cada vez que fazia essas brincadeiras com ele...

"Sabe que olhando assim até parece que vocês são mesmo um casal?"

Uruha, claro. Com seu sorriso zombeteiro, o corpo ligeiramente recostado no batente da porta e os braços cruzados. Pelo que parecia ele estava ali há um bom tempo, talvez o suficiente para escutar parte, ou talvez toda a conversa.

"Bom, se vocês quiserem eu posso sair agora, então-"

"Ha, ha, ha. Muito engraçado Uruha, muito engraçado", Reita cortou antes que ele continuasse, se mexendo no sofá.

Ruki não respondeu o comentário maldoso, abaixou a cabeça, tentando se esconder entre os fios de sua franja, o rosto corando ainda mais, um prato cheio para Uruha, que se aproximou até parar bem na frente dele e levantar seu rosto. "Ruki, que gracinha, está todo vermelho!"

"Uruha" Reita repreendeu, vendo o desconforto do amigo ao seu lado com aquele comentário, mas antes de poder terminar o que tinha para dizer, o guitarrista o cortou, levantando os braços para mostrar sinal de paz.

"Tudo bem tudo bem, parei. Mas não é como se fosse mentira..." Ele começou de novo e Reita lhe lançou um olhar repreensivo. "Onde está Kai afinal? Foi ele quem lembrou dessa oh tão importante entrevista. Sério, provavelmente vai ser mais um programa como todos os outros, com uma repórter escandalosa perguntando com quantas fãs já dormimos."

Ruki ficou tenso ao ouvir menção da palavra entrevista. Apesar de saber que aquela aparição no programa de TV já estava marcada há décadas, sentia-se nervoso de ter que encarar as câmeras e um monte de perguntas logo depois daquele... Fato constrangedor. Temia que o entrevistador perguntasse sobre o assunto, e ele certamente não saberia como responder e seria mais que embaraçoso não ter uma resposta ao vivo para um público nacional.

Nacional, porque ele duvidava que alguém fosse deixar de assistir aquele programa hoje, na esperança de saber mais alguma coisa sobre o pseudo-relacionamento dele e de Reita.

Suspirou, sua vida não podia ficar pior que isso, podia?

Não demorou muito para que os outros dois integrantes da banda chegassem. Kai agia como se nada tivesse acontecido no dia anterior, o que ajudava a acalmar os ânimos dos envolvidos na história, mas Aoi se juntou com Uruha, e os dois não paravam de fazer cochichos secretos e rir de suas próprias piadas. E Reita estava tentando o seu máximo para não estrangular os dois de uma vez só, lembrando toda vez que se fizesse isso seria o inferno conseguir outros guitarristas bons como eles.

O trajeto tinha sido feito muito mais depressa que a dupla imaginava. Nenhum engarrafamento mais que desejado aconteceu, nenhum acidente mais que desejado aconteceu – mesmo que eles se sentissem mal em pensar esse tipo de coisa – nenhum pneu furado ou falta de combustível, nada. O caminho foi tranqüilo e sem problema algum, com a cantoria de Aoi e suas infames músicas de chuveiro, as risadas escandalosas de Uruha, as tentativas frustradas de Kai em fazer Reita sorrir e as reclamações de Ruki sobre ficar surdo para o resto da vida se Aoi continuasse ganindo em seu ouvido.

O processo de maquiagem e figurino foi igualmente rápido e em questão de poucos minutos já esperavam para entrar no estúdio onde o programa era gravado.

Reita esfregava as mãos uma na outra a cada cinco minutos para ver se paravam de suar frio, e Ruki estava com o olhar tão embaçado que Kai achou que ele fosse desmaiar a qualquer momento. Mais algumas recomendações do empresário a Reita e Ruki, coisas como "fujam do assunto se forem perguntados sobre os boatos da revista" ou "sorriam e diga que é segredo" ou até um "diga que prefere não se manifestar sobre o que uma revista de quinta fala sobre a vida íntima de vocês". Reita gostou da última opção acrescentando um "espero que os compradores da revista repensem se devem continuar gastando dinheiro com um bando de mentiras".

E quando eles pisaram no chão colorido do cenário pertencente ao programa e as fãs começaram a gritar alucinadamente seus nomes e a aplaudir, Ruki teve vontade de sair correndo. Mas ele se segurou no lugar e entrou com sua característica pose, olhando de canto para Reita, percebendo que o baixista transparecia uma calma artificial, mas que enganava bem.

"Desafio 1: cumprido", era o que se passava na cabeça de Ruki naquele momento, que mesmo tentando sentar o mais longe possível de Reita, acabou terminando com o baixista na cadeira bem atrás da sua.

A entrevista até que fluiu bem, nenhuma pergunta constrangedora tinha sido feita e Ruki estava começando a se acalmar e até responder algumas coisas, rindo quando faziam alguma piada conjunta. Até Reita estava mais solto agora do que quando a conversa tinha começado, rindo daquele jeito dele e falando com muitos gestos quando lhe perguntavam alguma coisa. Conversaram sobre a turnê que estava por vir, se havia previsão de algum lançamento e mais outras perguntas batidas que já estavam cansados de responder.

Ruki já estava até pensando um "Desafio 2: cumprido" quando percebeu que o tempo de conversa estava acabando e tudo tinha corrido muito bem.

E então...

"Né, Ruki-san, Reita-san," o sorriso no rosto do vocalista se apagou assim que ouviu seu nome ser proferido daquele jeito, como um aviso de que algo bom não viria depois disso. "Foi publicado ontem em uma revista de circulação nacional que vocês dois têm um caso. Isso é verdade?"

Os dois ficaram mudos por alguns segundos, talvez minutos, olhando como idiotas para o entrevistador. Uruha, Kai e Aoi não ousaram abrir a boca para dizer uma palavra, mas seus olhos corriam de uma face para a outra de seus companheiros.

Quando pareceu que nenhum dos dois iria responder, Kai abriu a boca com um: "Eles não-"

"Não tem nada entre nós" Ruki o cortou com um sorriso falso e incômodo. "Reita é um amigo, e posso dizer que temos aquela intimidade toda porque já o conheço há um bom tempo, desde antes de fazermos parte do Gazette. Alguém só deu a sorte de nos encontrar sendo 'nós mesmos' na rua. E só." Ele respirou fundo quando terminou de falar, como se tivesse impedido do ar entrar em seus pulmões quando começou seu discurso.

Reita mirava as costas de Ruki à sua frente, sem dizer uma palavra, nem mesmo para concordar com o que ele tinha dito. Sua mente ainda processava uma desculpa convincente já que a pergunta – que depois de tanto tempo de conversa sociável, ele achou que não tivesse passado nem pela cabeça do entrevistador – o pegou de surpresa e ele tinha subitamente se esquecido de todas as desculpas que seu empresário lhe ofereceu, e de todas que tinha dado ao homem na 'conversa' do dia anterior.

"Oh... Mas é estranho, porque Uruha também já era conhecido de vocês antes de formarem o Gazette e não parece que vocês sejam tão íntimos" Ruki mordeu o lado de dentro da boca, droga de repórter, ele tinha um ponto por ser tão observador. "Além do mais, com os fanservices que fazem em palco não acho que seria um fato decepcionante para as fãs." E as mencionadas na platéia confirmaram o comentário, vibrando.

Ruki não soube o que responder dessa vez, não sabia como rebater o argumento do repórter, porque apesar de realmente conhecer Uruha há bastante tempo, tinha muito mais liberdade com Reita do que com o guitarrista. Já começava a se arrepender de divulgar informações como essas por aí, se as bandas em que tinha tocado nem estavam mais na ativa, qual a importãncia para os outros saberem disso? Pelo menos pouparia esse constrangimento.

"Ok, já que vocês insistem tanto no assunto, eu terei que falar," Os olhos do baixinho se arregalaram quando ouviu a voz de Reita, estranhamente mais próxima dele do que tinha soado durante toda a entrevista e se conhecia bem o baixista não imaginava que ele fosse dar uma resposta 'educada'. "Sim, eu e Ruki estamos juntos faz algum tempo, não é, Ru-chan?" E Ruki sentiu sua cabeça rodar quando os braços de Reita passaram ao redor de seus ombros e ele depositou um beijo em sua bochecha.

Sim, sua vida podia ficar ainda muito pior.