Cap. 3
O som do telefone cortou o silencio da sala. O Coronel, calmamente sentado e trabalhando num ritmo deplorável começou a se perguntar por que o som do telefone tinha que ser tão irritante, enquanto tentava equilibrar suas canetas em uma pirâmide.
Era simples, a tenente é que atendia ao telefone na maioria das vezes, porque os outros cincos cavalheiros eram folgados demais para isso.
— Alô? – ela disse.
— Alô. – disse uma voz feminina. – Por favor, eu queria falar com o Roy... Coronel Mustang.
— É uma ligação oficial? – disse Riza, sem afetação.
— Não.
— Da parte de quem?
— Michele Lage, ah, ele sabe quem sou.
— Espere na linha, por favor.
E colocou o telefone delicadamente na mesa, imaginando se seria mais proveitoso atirar no telefone, ou no seu superior.
— Telefone para o senhor, Coronel, extra-oficial, da parte de Michele Lage. – disse normalmente.
Apesar de nenhuma afetação no semblante ou na voz, a intuição do Coronel dizia para ele procurar um lugar seguro e aprova de balas, rapidamente. Porque ele conhecia Michele Lage, extra-oficial. Realmente conhecia.
E a situação não ficou melhor quando todos os outros quatro ocupantes 'discretamente' abandonaram tudo o que estavam fazendo para observar a cena.
A Tenente se dirigiu para a sua mesa e recomeçou o seu trabalho. Talvez ela confiasse nele, pensou o Coronel, quando pegou o telefone.
— Michele?
— Olá, Roy. Como está ai na central?
— Bem. Obrigado.
— Que bom saber, porque eu tenho uma surpresa.
— Ah é? – disse ele, olhando para a Tenente com o canto do olho. Ela estava absorta em seu trabalho.
— Não quer saber que tipo de surpresa é?
— Você vai contar de qualquer maneira, não? – disse ele. Apesar de tudo, ele odiava não ser amável com as mulheres. Era o seu jeito.
— Então, adivinha quem está sendo transferida para a Central!
— Você? Não me diga! – 'Tarde demais, ela já disse', pensou ele.
— Sim. Eu. Não é demais? E tem mais!
— Mesmo?
— Sim, porque eu vou trabalhar pertinho de você, quem sabe até possa trabalhar com você.
— Interessante. – disse na falta de outra resposta.
— E sabe quando eu chego ai?
— Quando?
— Semana que vêm! Estou muito ansiosa! Ah, não se preocupe, a ordem de transferência vai chegar por ai logo.
— Então, é isso!
— Você não parece tão animado.
— Desculpe, é que estou com uns assuntos bem sérios para resolver.
— Que idiotice a minha! Te ligar em pleno horário do expediente! É que eu não tenho o telefone da sua casa.
— Estou temporariamente sem. – 'isso, ela liga e a Riza atende', pensou ele.
— Que pena. Então, te vejo semana que vem.
— Certo.
Os dois se despediram e desligaram o telefone.
O Coronel respirou fundo. Havia um silêncio perturbador no ar.
— Ninguém tem trabalho a fazer? – disse a Tenente, sem levantar o rosto dos seus papéis, mas sentindo que as atenções tinham se desviado para ela. Como sempre é claro, sua frase teve efeito imediato e todos voltaram ao trabalho.
Havia uma sala em cada ala para ser usada para recreação. Ou seja, poltronas, café, alguns biscoitos que alguém trazia. Apesar de que, estrategicamente colocada perto da sala dos Generais, ela não era freqüentada para recreação, e sim para quem queria tirar um tempo para descansar, porque ninguém era louco de sair da linha bem debaixo do olho de um General que poderia passar por ali. No final, a sala ficava quase sempre vazia.
Mais, naquele momento, não estava.
A Tenente pegou um copo de café com leite e se sentou. Pela primeira vez, tinha sentido ciúme dele. Não havia porque negar.
Ele nunca fora 'dela'. Ele sempre estava com muitas outras. E ela, bem, ela também tinha tentado seguir sua vida, construir algo com alguém. Mas era a primeira vez que ela chegava a dividir uma casa com alguém. E justo com ele. Justo depois de tanto tempo ignorando as suas esperanças.
Tinha sido muito hipócrita, tentando construir algo com outro alguém, enquanto secretamente... e desde quando? Desde quando pela primeira vez, olhou para ele com um homem, e não como o aprendiz do papai?
— Você está bem? – Havoc se aproximou.
— Estou. – ela disse mais ele não se convenceu.
— Sério?
— Sim.
— Ta. – disse ele se sentando num sofá enfrente a ela.
Ela permaneceu calada e ele também. E pela primeira vez, Havoc olhou de verdade para Tenente, admirando a mulher que ela era.
— Obrigada por vir. – disse ela sorrindo.
Do outro lado da porta, uma figura tentava ao mesmo tempo não ser vista e ouvir a conversa. Mais, de fato, não precisava mais do que um homem e mulher sozinhos numa sala que quase ninguém usava, para pensar em um novo boato para espalhar.
— Que nada. Ainda tem café?
— Acho que tem.
Ele se levantou para pegar um copo de café, depois verificou se algum armário continha alguma guloseima.
— Quer bolacha de chocolate?
— Dá uma. – disse ela. Ele passou o pacote. Ela sorriu e agradeceu com o olhar e ele sorriu de volta.
E lá fora, inebriante, Jeanine prendia a respiração.
— Não é nada do que você esteja pensando. – disse Roy à Riza, quando esta chegou a casa.
— Não se preocupe, eu não estou pensando em nada. – ela disse, sem demonstrar emoções.
Ela foi para o quarto deles, e depois de um tempo, voltou com uma roupa mais casual.
— Eu comprei algo para jantarmos no caminho. – ele disse, indicando a cozinha.
— Obrigada.
— Escuta, sobre aquele telefonema...
— Eu confio em você. – ela disse, agora olhando fundo nos olhos dele. – E eu acredito que você sabe o valor dessa confiança.
Ele sorriu. Era ao mesmo tempo, uma declaração de confiança e um aviso. Ela ia confiar nele, até que ele desse motivo para ela não fazê-lo.
Ela se sentou do lado dele, no sofá, encostou-se nele, e eles ficaram alguns minutos só se estudando.
— Ela está sendo transferida para central.
— Certo.
— E vai trabalhar com a gente.
— Sem problemas.
A conversa morreu ai. Mas eles continuaram na mesma posição.
— Me responde algo. – perguntou ela, curiosa.
— O que?
— Qual foi o tempo máximo que você já ficou com uma mulher, eu digo um relacionamento sério.
— Primeiro você supõe que eu já estive em um. Além desse, é claro.
— Nunca?
— Até que sim, já fiquei um ano com uma pessoa, uma vez. – respondeu ele, pensativo. – E você?
Ela sorriu.
— Dois anos.
— Quem foi o sortudo?
— O que foi, está com ciúmes?
— Talvez. – disse ele se inclinando em direção a ela, e beijando-a.
Mas, Hayate não parecia satisfeito com a cena, começou a latir e a tentar alcançar o colo da dona.
— Parece que ele é que está com ciúme.
— Ah, claro. – disse Roy, ignorando o cachorro e voltando a beijá-la. Mas, Hayate não parecia disposto a deixar o Coronel e a sua dona em paz.
Eles se separaram, ela pegou o cachorro no colo, acalmando ele, ele por sua vez tentava lamber a cara dela.
— Vamos jantar? – Perguntou para Roy enquanto colocava o cachorro no chão.
— Vamos. – disse ele num humor não muito bom.
Ela então, foi para a cozinha, descobrir o que Roy tinha comprado no caminho para casa.
— Você me paga. – disse o Coronel para Hayate, assim que ela saiu do campo de audição deles.
Em resposta o cachorro latiu para ele.
A semana passou normalmente. E foi normalmente que o Coronel, no começo dela, assinou a papelada para a transferência de Michele, como se tivesse alguma escolha.
Mas a semana também trouxe uma notícia muito interessante. A pressão para a lei de tolerância a confraternização entre militares tinha aumentado. Entre os militares de baixa patente havia boatos que a medida já estava sendo discutida em segredo e outros de que na verdade, não havia medida. Entre os militares de alta patente havia meias conversas de opiniões próprias sobre à medida que prometia ser estudada logo.
— Mas, com roda essa burocracia, ainda vai demorar até que algo aconteça de verdade. – comentou o Coronel, quando só ele e a Tenente estavam na sala.
— Se o senhor parasse de brincar com o tabuleiro de xadrez e fizesse seu trabalho, quem sabe o exército fosse mais eficiente.
— Quem sabe. – disse o Coronel, como se não fosse com ele, ao que a Tenente suspirou.
— Amanhã a Tenente Lage vai começar a trabalhar.
— Já?
— É a semana passou voando.
— Tem razão.
O Coronel voltou sua atenção para o tabuleiro. E depois olhou para a Tenente.
— Quer jogar? – perguntou ele, inocentemente. Sabia muito bem que estava testando a paciência dela, mas era muito divertido vê-la resistir à tentação de arremessar o tabuleiro pela janela, ou talvez nele.
— Não Coronel. Obrigada. – disse ela.
— Que pena. – então ele voltou sua atenção para o tabuleiro.
'Mais um dia... ' – pensou ele, olhando para um calendário, onde no dia seguinte havia uma anotação, feita pela Tenente, é claro.
N.A. – Bom, é isso ai. Espero que gostem. Estou tentando fazer uma história séria, um pouco mais adulta, porque eu sou muito influenciada pelo mangá de FMA onde O Roy e a Riza são de fato mais adultos...
Mais uma vez MUITO OBRIGADA pelos Reviews.
XDDDDD
