Sei que demorei a postar, mas como o público desse fic é bem reduzido acho que não deixei muita gente ansiosa. Para quem está acompanhado, muito obrigada, para quem começou a ler agora, seja bem–vindo. Espero que gostem deste capítulo.
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Sora Hime – Capítulo 3
Hana abriu os olhos ao sentir os raios do sol tocarem em seu rosto e deu um largo,feliz com o dia que surgia tão belo quanto aquele com quem havia sonhado. Ha quase uma semana que ela não sabia o que era sorrir ou se sentir em paz como acontecia agora e tudo depois daquele inesperado encontro. Sem dúvida ela tinha motivos para se sentir assim, o encontro com Sesshoumaru no dia anterior lhe fora bastante proveitoso. Desde o ocorrido nem Takayushi, muito menos Fukuyama, ousaram se aproximar de sua carruagem.
A alegria de Hana não se resumia ao alívio de ter os dois inuyoukais longe, sentia-se invadida pela felicidade, mesmo achando absurdo se sentir dessa forma. Afinal estava a vésperas do seu casamento com um ser que mal lhe dirigiu a palavra e, o pequeno diálogo que tiveram, estava longe de ser o mais amistoso de sua vida, porém aquela realidade parecia aumentar ainda mais a sua sensação de contentamento.
Passou a vislumbra a magnífica construção que enfeitava a paisagem fora do carro. Devia estar a menos de 20 Km de distância, indicando que a viagem logo terminaria e ela estaria naquele castelo que se localizava no centro das Terras do Oeste, a verdadeira morada de Sesshoumaru e, muito em breve, a sua.
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Jaken não pregou os olhos nem por um segundo durante a noite anterior, se esforçando ao máximo para deixar todo o castelo na mais perfeita ordem. Os grandes senhores do clã dos Cães Brancos já estavam no local, ansiosos para que seu jovem líder cumprisse a condição de herança para se firmar como o grande senhor das Terras do Oeste. A movimentação era grande no local, proporcional à curiosidade de todos quanto a como seria a esposa de Sesshoumaru.
Além da expectativa do casamento, as pessoas também não paravam de comentar sobre a pequena garotinha que parecia realmente ter caído nas graças do taiyoukai. Rin era a única humana do local e não parecia nem um pouco incomodada com o fato, mesmo estando cercada de olhares de reprovação. Durante sua curta vida ela sempre fora vista com desprezo por quase todo mundo que conheceu, não importando se eram humanos ou youkais. Para garotinha apenas a opinião de Sesshoumaru, Jaken e Ah-uh eram importantes, e sabia que era querida, ainda que nenhum deles demonstrasse isso explicitamente.
A pequena humana também se dedicou a arrumar o castelo e ajudou o sapo falante e bajulador o quanto pode. Estava empolgada com o casamento de seu Lorde, de certa forma ela se via diante da possibilidade de voltar a se sentir dentro de uma família. Pediu muito que Kami-sama permitisse que a noiva do Senhor Sesshoumaru gostasse dela.
O único que estava alheio a toda aquela agitação era o próprio Sesshoumaru que passou a noite toda na companhia das mais belas servas do seu palácio, como era o seu costume quando estava em casa. O casamento era apenas um contratempo pelo qual teria que passar para assumir um lugar que já era seu, nada mais! Não teria que mudar sua vida por uma coisa tão sem importância quanto aquela.
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O sol brilhava com toda força quando o cortejo que levava Hana ao castelo de Sesshoumaru se aproximou dos grandes portões que davam entrada a fortaleza que protegia, não só o castelo, como uma vila que existia em seus domínios. Toda a multidão, nobres e servos, se reuniu em frente ao casarão esperando que a princesa saísse da carruagem e fosse formalmente apresentada a todos.
Hana sentiu o estomago doer, não estava preparada para uma provação dessas, olhava para fora da carruagem e tinha certeza que não havia humanos ali. Como uma população de youkais completos receberiam a notícia de que seu líder se casaria com uma humana? O medo a dominou a tal ponto que nem ouvia os gritos de Takayushi mandando que saísse do carro. A garota só voltou à realidade quando o youkai praticamente entrou na carruagem para trazê-la para fora.
- Vamos logo com isso, não temos o dia todo por sua conta! – Ele disse puxando a garota e a expondo para que todos ali presentes pudessem vê-la.
Houve um silêncio torturante. Hana sentiu todos os olhos sobre si, cheios de repulsa e desagrado. Sentiu uma enorme vontade de voltar à carruagem e só sair de lá quando estivesse à milhas de distância. Mas a pernas não permitiam nem um único movimento, apenas tremiam quase fazendo com que a jovem perdesse o equilíbrio.
- É uma humana! – Um grito pode ser ouvido em meio à multidão. Um velho youkai com aparência canina falava com grande desdém em sua voz.
- Como o líder do nosso clã pode se casar com um ser de um nível tão baixo. – Comentou uma senhora que estava acompanhada da filha. – Eu disse que InuTaisho estava ficando louco! Ainda bem que ele não viveu mais para nos forçar a convivência com aquela mulher e seu filho de sangue-ruim!
- Devemos matá-la e acabar com essa palhaçada! É uma desonra! – berrou outro e logo a confusão se instalou. Cada um dos presentes resolveu dar sua opinião, escolhendo um destino pior que o outro para a jovem que não mais conseguia se conter e sentia as lágrimas rolarem pelo rosto. Talvez realmente a morte fosse melhor que aquilo tudo.
- CHEGA! Calem estas bocas inúteis! – A atenção de todos foi desviada para a entrada do castelo – Quem são vocês para contestarem as ordens de meu pai? Nada seriam se não fosse a liderança dele e agora blasfemam feitos vermes após a sua morte. São um bando de hipócritas.
Hana sentiu o coração saltar do peito ao vê-lo. Sesshoumaru estava diante de seu castelo trajando roupas negras com bordados dourados e os longos cabelos estavam presos em um rabo de cavalo alto como era o costume entre os senhores dos feudos. Estava lindo e, para sua surpresa, ali estavam os dois braços, "Agora ele está perfeito. Sesshoumaru é bem como o nome diz, perfeição que mata, basta uma palavra sua para que uma multidão inteira se cale'". Ela pensou não contendo o sorriso.
- Sesshoumaru está certo! A vontade de Inutaisho de ser obedecida por tudo que ele foi em vida. Não creio que sua decisão em casar seu legítimo herdeiro com uma princesa humana nos traga qualquer prejuízo. Suas escolhas sempre foram as melhores para o nosso clã, mesmo quando achávamos o contrário no início. Agora se ponham de joelhos e reverenciem a Princesa Sora, a futura senhora das Terras do Oeste. – A falsidade na fala do tio não passou despercebida por Sesshoumaru. Havia algo por trás de todo aquele teatro e ele teria que participar da peça se quisesse descobrir o que era. Teria que interpretar como todos que agora se ajoelhavam perante a humana que queriam matar ha poucos minutos. O casamento era mais do que nunca, algo inevitável.
Desviou os olhos do parente para fitar a humana que permanecia imóvel. Percebeu que o magnífico par de orbes azuis o olhava com certa gratidão, causando-lhe uma sensação de aborrecimento. Não precisava e muito menos queria a gratidão dela, não fizera nada por ela e nem faria. Fez o que fez pela memória do pai, mas em seu íntimo concordava com tudo que fora dito por seus subordinados, era ridículo que um youkai, líder supremo de seu clã, se casasse com um ser tão baixo como um humano.
- Leve-a – Disse Takayushi a Fukuyama que pegou a jovem pelo braço para levá-la até a entrada do castelo. Chegando o youkai simplesmente jogou a jovem aos pés de Sesshoumaru que se afastou impedindo que ela o toca-se ao cair.
- Se humilhe perante seu dono, onna! – Fukuyama sentia um prazer mórbido em ver a jovem em uma situação tão humilhante.
- EU... NÃO...TENHO...DONO – Hana disse se levantando e olhando o youkai com profundo ódio. Ela falou pausadamente, mas com a voz forte e sem demonstrar nem um pouco de receio em desafiar Fukuyama na frente de todos – Estou aqui para ser senhora e não para servir, veja como fala comigo, posso não ser tão condescendente se voltar a me tratar com tamanho desrespeito.
Ela se perguntava de onde tirou coragem para falar daquela forma, sempre fora calma, detestava maltratar as pessoas, mas era estopim curto e Fukuyama já havia testado os limites de sua paciência inúmeras vezes. Agora que estava em uma posição, teoricamente, privilegiada, não perderia a chance de fazê-lo sentir um pouco por todo o mal que lhe causou e que tentou causar.
Magnífica! Única palavra que surgiu à mente de Sesshoumaru perante a reação da jovem. Pelo menos ela era bastante corajosa, poucos machos humanos teriam coragem de agir assim em meio aquela situação. A humana era interessante, isso não havia dívidas, mas ainda não era o suficiente para que mudasse de idéia quanto ao que significaria a "tão esperada" cerimônia matrimonial.
Sem olhar para jovem ou para o primo que bufava de raiva, mas não faria nada com a garota diante do líder, Sesshoumaru simplesmente deu a costas para todos e entrou no castelo. Hana fez o mesmo e antes que as portas se fechassem ela se virou para Fukuyama e lhe mostrou a língua dando leves risos enquanto a porta fechava lentamente permitindo que ela visse o olhar assassino que ele lançava.
Parou de rir ao ser acometida pela deslumbre. Nunca em toda sua vida havia visto algo sequer parecido com o castelo. Era maravilhoso. A decoração era rica, mas guardava uma simplicidade encantadora. Os olhos buscavam todos os detalhes, observando tudo com cuidado. Até a atenção ser tomada pela figura masculina parada ao centro do saguão, sem dúvida ele era o adorno mais belo.
- Siga-me, quero que algumas coisas estejam claras antes de formalizarmos nossa "união" – A ironia na pronúncia da palavra união não passou despercebido por Hana, que o seguiu calada até uma grande sala.
Assim que entraram ele fechou a porta com uma força desnecessária. Com certeza não gostaria de ser interrompido durante a conversa. "Acho que ele pretende me apresentar um pacto pré-nupcial" Fitou o youkai e viu que sua expressão não era das melhores "Pensando bem, será um contrato de adesão, sem a menor possibilidade para a adquirente fazer qualquer contestação" completou o pensamento com um sorriso que não foi muito bem recebido. Achou melhor se aquietar, não seria nada saudável enfurecer seu noivo antes mesmo das bodas.
A sala era ampla e em suas extremidades havia duas pinturas, dois quadros grandes sendo que um deles mostrava a imagem de uma bela mulher de olhos verdes cabelos lilases e um lindo quimono azul. Tinha um semblante sereno e, assim como Sesshoumaru, possuía uma marca de meia lua na testa. O outro quadro retratava um homem com trajes de samurai, cabelos prateados e olhos dourados. Hana ficou admirada com a beleza do youkai que em muito se parecia com seu noivo com exceção do olhar, que não tinha nada de frio.
Em frete ao retrato de Inutaisho estava uma mesa bem adornada. As paredes estavam cercadas por estantes cobertas de livros, mapas e no chão havia um grande tapete cheio de almofadas.
- Não tenho nenhum interesse nesse casamento, no entanto até o presente momento não encontrei saída para está situação. Jamais permitiria que aquela corja lá fora ocupe o que pertenceu ao meu pai. Tudo que viu ao entrar nestas terras foi conquistado por ele. Tenho a obrigação de mantê-las e não acho que será tendo uma prole de hanyous que alcançarei esse objetivo. Não haverá nada entre nós, consegue entender o que estou dizendo?
- Não sou burra se é o que está me perguntando – Hana respondeu com um tom ainda mais seco do que era usado por Sesshoumaru que não conseguia entender porque estas atitudes da jovem exerciam um fascínio tão grande sobre ele.
- Cuidado com a língua garota! Não é muito inteligente desafiar um youkai.
- Não estou desafiando você, apenas respondi o que me perguntou, agora não exija respeito se não sabe agir respeitosamente. E não se preocupe, para mim é um alívio saber que não terei que cumprir as funções intimas de uma esposa, também não tenho o menor interesse em você.
- Minta para si mesma se assim se sente melhor, não se esqueça que tenho certas habilidades que me permitem sondar perfeitamente as intenções de uma pessoa. Sei quando uma fêmea está está interessada em mim. – Ele disse quase sussurrando próximo a jovem que sentia o corpo estremecer com a aproximação, mas não daria a ele o gostinho de saber que estava certo.
- Bom para você! Deve poupá-lo de levar belos foras, não? Acho que já terminamos a conversa. Quero descansar, a viagem foi muito cansativa – ela disse começando a abrir a porta. Sesshoumaru pensou em impedi-la, mas no mesmo instante a sala foi invadida por Jaken e Rin que quase caíram ao adentrarem o recinto.
- Estava escutando a conversa por trás da porta, Jaken? – Sesshoumaru falou severamente e nesta hora até Hana o temeu.
- De jeito nenhum ssssenhorrr, apenas queria evitar que Rin entrassssse, ela não sabia que o ssssenhorrr e a humana essstavam aqui. – Apesar da explicação o sapo não ficou livre de uma punição, levando um belo soco em seu cocuruto.
- A moça do rio! – Rin disse surpresa. Ela não esteve presente à chegada de Hana, pois fora impedida pelos outros youkais que não queriam que a garotinha atrapalhasse a chegada da princesa. – o que faz aqui?
- Ola, maninha! Que bom vê-la, pensei que seria a única humana aqui – Hana falou com a voz doce se abaixando para ficar na altura da menina enquanto lhe afagava os cabelos. – Qual é o seu nome?
- Rin, e o seu?
- Sora!
- Sora? Sora-Hime? Então é você que vai se casar com o Sesshoumaru- Sama? – Era evidente a empolgação da menina com a notícia.
- Creio que sim.
- Que maravilha, venha! – ela disse puxando a jovem por umas das mãos – Vou lhe apresentar todo o seu castelo. Você vai adorar, é muito bonito e têm um jardim cheio de árvores, flores... – A vozinha infantil foi sumindo no meio do corredor levando Hana consigo.
- Fique de olho nelas, Jaken. Não permita que ninguém as perturbe.
- Ssssim ssssnhor, agora messsmo.
E lá foi o pobre servo correndo atrás das humanas que ficaram por mais de duas horas olhando cada uma das alas do castelo até que finalmente chegaram ao tão elogiado jardim. Nenhum dos três percebeu que ali também estava Sesshoumaru, sentado confortavelmente atrás de uma árvore lendo um livro.
- Estou com fome, Senhor Jaken – Rin reclamou e recebeu o apoio de Hana que também estava faminta. O youkai providenciou um belo banquete para duas que comeram até se fartarem.
- Vamoss noss recolher, ainda tenho muito o que fazzzer – Jaken falou assim que as duas terminaram de comer.
- Ah não, Senhor Jaken, quero ficar mais. Você sabe contar estórias, Hime? Me conta uma, conta?
Como negar um pedido tão inocente quando aquele? Ela logo começou a narrar um belo conto infantil que era muito popular no lugar de onde ela vinha, mas Jaken começou a protestar dizendo que não ficaria o dia todo por conta delas.
- Pode se retirar, Jaken. Não precisamos que fique aqui – Hana disse firme.
- Massss meu sssenhor mandou que eu que eu ficasssse ao lado de vocesssss, não posssso desssobedecccce-lo.
- Mas sua Senhora está dizendo que não é necessário que fique. Vá logo antes que eu me aborreça. – Hana disse com um tom autoritário que quase matou o sapo do coração. Ela ria por dentro, era muito estranho agir daquela forma, mas ela já tinha percebido que se demonstrasse qualquer fraqueza passaria por momentos terríveis. Tinha que mostrar que eles não estavam diante de uma humana indefesa que se sujeitaria aos desmandos deles, ainda que no fundo a realidade fosse bem longe disto.
A fala da jovem trouxe aos lábios de Sesshoumaru, que se matinha "escondido", um sorriso discreto. Ela era linda, sagaz, determinada, de forte personalidade, única, quase irresistível... quase. Já o pequeno youkai sapo foi embora resmungando "Nem ssse casou e já está assssimm! Acho que não sssobreviverei a essste casssamento. Se obedeççço um, o outro ssse aborreccerá. O que farei, o que farei?"
Assim que se viram sozinhas, Rin se sentou bem próxima a Hana e esta começou, agora sem interrupções de terceiros, a narra o conto que se chamava "A Bela e a Fera".
"Era uma vez, em uma terra distante, um jovem príncipe que vivia num reluzente castelo. Embora tivesse tudo que quisesse, o príncipe era mimado, egoísta, grosseiro. Mas numa noite de inverno uma velha mendiga veio ao castelo e lhe ofereceu uma simples rosa, em troca de abrigo para o frio."
- O que é uma rosa, Sora-Hime? – a garotinha perguntou enquanto enrolava uma mecha do cabelo de Hana entre os dedos.
- Bem, Rin, uma rosa é uma flor muito bonita que tem no lugar de onde eu venho. Um dia eu te mostro uma.
- Promete? Eu adoro flores!
- Claro! Mas agora deixe me continuar a estória. – Rin se aconchegou um pouco mais no colo da jovem que continuou sua narração.
"Repugnado pela feiúra dela, o príncipe zombou da oferta e mandou a velhinha embora. Porém, ela o aconselhou a não se deixar enganar pelas aparências, pois a beleza está no interior das pessoas. E quando ele voltou a expulsá-la, ela se transformou em uma bela feiticeira. O príncipe tentou se desculpar, mas era tarde de mais, pois ela via que não havia amor no coração dele e como castigo ela o transformou em uma fera horrenda e rogou uma praga sobre o castelo e em todos que lá viviam.
Envergonhado com sua monstruosa aparência, a fera se escondeu no castelo junto a um espelho mágico, que era sua única janela para o mundo exterior. A rosa que ela ofereceu, era encantada e iria florescer até o vigésimo primeiro ano. Se ele aprendesse a amar alguém e fosse retribuído na época em que a última pétala caísse, o encanto estaria desfeito. Se não, ele estaria condenado à pena de ser fera para sempre."
- Nossa! Coitadinho dele, a feiticeira foi muito malvada, ele tinha pedido desculpa.
- Mas não era uma desculpa verdadeira, Rin, ele só mudou seu comportamento porque convinha, infelizmente a maioria dos adultos são assim. A feiticeira queria que ele aprendesse a amar de verdade e sentir o quanto é ruim ser rejeitado por sua aparência exterior.
- Eu nunca vou querer crescer, quero gostar de todo mundo!
- Sebe isso me lembra uma outra estória, de um garotinho chamado Petter Pan, que, assim como você, não queria crescer para nunca perder sua inocência, mas essa eu conto outro dia, agora temos que terminar essa que começamos.
"Com o passar do tempo a Fera caiu em desespero e perdeu toda a esperança, pois quem seria capaz de amar um monstro?"
Rin escutou toda a estória com a maior atenção e sempre interrompia a narrativa para comentar algo sobre seus acontecimentos. Sesshoumaru também ouvia tudo com atenção, mantendo-se escondido atrás das árvores. Achou o conto que a humana contava muito fantasioso e bobo. Mas o que lhe chamava a atenção era a forma como Hana contava os fatos. Ela transmitia empolgação e Rin reagia com o mesmo entusiasmo, era atraente ver a interação das duas, pareciam tão vivas apesar do clima hostil que as cercavam.
" – Por favor, por favor não me deixe! Eu te amo! – Bela disse sobre o corpo ferido da Fera que não mais respondia ao seu chamado.
No exato momento em que a jovem assumia seu amor pelo monstro, a última pétala da rosa encantada caiu, fazendo com que todos os presentes imaginarem que já era tarde de mais para que o encanto fosse quebrado. Bela chorava sem parar sobre seu amado.
De repente, uma chuva luminosa começou a cair e junto a ela uma força misteriosa suspendeu o corpo da Fera que deu leves rodopios no ar antes de voltar a cair no chão. Quando Bela se aproximou para ver se ele estava bem, teve uma grande surpresa. A Fera não era mais um monstro, ela voltara a ser o príncipe e estava bem, como se nunca tivesse sido ferido pela adaga de Gaston.
Eles se olharam com carinho e deram um beijo apaixonado e intenso e o castelo e seus habitantes voltaram ao normal naquele instante. A felicidade tomou conta de todos.
Dias depois Bela e o príncipe se casaram e a partir daí, eles reinaram felizes e apaixonados, vivendo felizes para sempre. Fim."
- É a estória mais linda que eu já ouvi. Muito romântica! – Rin dizia sonolenta fechando os olhos que no final da narrativa lutavam para se manterem abertos, mas ela ouviu tudo.
Afagando os cabelos da menina Hana começou a cantar uma melodia suave. Uma música doce que fazia referência ao conto de fadas que havia narrado. Sesshoumaru fechou os olhos para ouvir melhor o som da voz de humana, sentiu-se relaxado como jamais esteve em toda sua vida, era como se também estivesse sendo ninado como a garotinha que dormia tranqüila no colo da jovem.
O canto cessou seguido de um profundo suspiro da mulher que não parava de acariciar a menina adormecida em seus braços.
- Eu queria que minha vida fosse como essa estória que lhe contei, Rin. Mas é justo o contrário! O meu belo príncipe que guarda uma terrível Fera em seu interior. Você tem razão em não querer crescer, dói muito! – lamentando a própria sorte Hana também adormeceu logo, pois também se cansou com toda a narrativa.
Assim que parou de ouvir a voz da humana, Sesshoumaru abriu os olhos e foi ver o motivo de tanto silêncio vendo as duas, mulher e menina, completamente entregues ao sono. Deu uma olhada em volta do jardim e viu um de seus servos. Mandou que o youkai se aproximasse.
- Como posso servi-lo, meu senhor? - O servo perguntou fazendo uma reverência exagerada.
- Leve a menina e coloque-a em seus aposentos – Ele disse entregado Rin ao servo após tirá-la dos braços de Hana.
– Agora mesmo, Senhor! Quer que eu mande alguém para levar a mulher?
- Se eu quisesse já teria mandado, não?
- Cla–a–ro – O servo gaguejou saindo imediatamente da frente de Sesshoumaru.
Assim que o criado sumiu de sua vista o taiyoukai voltou seus olhos para a humana adormecida. Pensava como ela conseguia ser tão bela, aquilo só podia fazer parte dos planos de seu pai ao escolher uma humana para que ele desposasse. Ele escolheu muito bem a família de humanos que geraria a mulher que daria continuação a sua descendência. Devia ter deixado à ordem de que fosse selecionada a cria mais linda, não importasse quanto tempo demorasse afinal youkais não se preocupam com o tempo.
"Não cairei em sua armadilha, pai! Esqueça a idéia de ter netinhos hanyous. Jamais sujarei meu sangue me misturando com essa mulher, não importa o quanto meu corpo clame por esse contato, eu não vou ceder!". Sesshoumaru pegou Hana no colo e levou ele mesmo a jovem até os aposentos que foram reservados para ela. A deitou suavemente no futon e tirou-lhe as sapatilhas. Jogou o par de sapatos com força no chão, sentindo raiva de si mesmo e saiu do quarto quase que gritando em sua mente "eu não vou ceder, eu não vou ceder".
CONTINUA...
