Capítulo 3. Vocês estão ouvindo os anjos cantarem "aleluia"?

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Yamato Ishida, desistindo completamente da idéia de escrever a redação, esparramou-se no sofá, mãos atrás da cabeça. Lembrou-se de quando descobriu o significado de seu brasão anos antes. Ele, o anti-social incapaz de lidar com os outros, ser o digiescolhido da amizade? Era impossível! E pior, era terrivelmente irônico. Desde que seus pais se divorciaram e o separaram de Takerou, o loiro optou por isolar-se, contentando-se em viver apenas de música. O que era relativamente fácil, já que os garotos do colégio nunca se incomodaram com a sua presença. O seu plano estava funcionando perfeitamente até que um coisa entrou no caminho, na verdade um novo e bizarro mundo entrou para atrapalhar. Não tinha como ignorar. Pelo menos no Digimundo não existiam pais para separá-lo de Takerou e ele pôde cumprir o papel de irmão mais velho perfeitamente, apenas não sabia que iria acabar gostando tanto.

Quem o visse conversando com Taichi hoje em dia jamais imaginaria o quanto eles se odiavam. Muito desse ódio, o loiro tinha que admitir, provinha de uma imensa inveja. Tai era tão...irresponsável (ainda é), impulsivo, extrovertido, confiante e principalmente, todos gostavam dele, inclusive Takerou. Yamato não conseguia para de pensar que Tai seria um irmão mais velho muito melhor para ele. Na verdade, ele não poderia dizer quando suas concepções começaram a mudar e o outro tornou-se seu melhor amigo. Talvez durante a batalha com Piedmon. Claro que Tai continuava o mesmo maldito irritante de antes mas isso era o que o fazia ser quem ele era. Passar um dia sem trocar indiretas com Tai seria inconcebível e para ser sincero... bastante assustador também;

Koushiro chegava a ser irritante de tão curioso que era. Ele podia ficar horas digitando naquele computador e fala sério, quem tem todo esse tempo quando monstros digitais estavam caçando-os? O músico sabia que estava sendo injusto com o amigo. O laptop de Koushiro os salvara inúmeras vezes. Afinal, existia alguma coisa que aquele computador não conseguisse fazer? Com o passar do tempo, Koushiro foi ficando cada vez mais inteligente ( como se isso fosse possível) e mais acessível também. Embora Yamato boiasse na maioria de suas conversas, ele não cansava nunca de passar tempo com o amigo.

Mimi era o esteriótipo de garota que ele odiava: frágil, patricinha, mimada... Mas, em sua opinião, ela fora a que mais cresceu, conseguira encontrar força e determinação dentro de si para lutar pelo que acreditava, sem perdar seu sorriso característico. Fora aquele sorriso, mais seus olhos pedintes e brilhantes, os grandes culpados pelo fato de Yamato não conseguir recusar um convite para fazer compras com ela. Mimi conseguia arrancar seus segredos facilmente e mentir para ela estava fora de cogitação. Quando a garota se mudou para os Estados Unidos, ele até pensou que sentiria um certo alívio mas não poderia estar mais errado. Sentia falta até daquelas tardes intermináveis no shopping...não que ele um dia fosse admitir isso, claro.

Agora...era preciso ter muita paciência com Jyou. Qual era o problema que esse garoto tinha com o fato dele colocar maionese nos ovos? E mais, Jyou era tão desastrado! Quando ambos foram obrigados a trabalhar naquele restaurante Yamato teve que reunir todo auto-controle que possúia para não socá-lo. Mas apesar de tudo, ele sentia um grande carinho pelo senpai. Quer dizer, cmoo seria possível não sentir? Jyou estava sempre pensando nos outros, preocupando-se, era quase como se a segurança do grupo dependesse unicamente dele só por ser o mais velho. Yamato não o via mais com tanta frequência mas ele sabia que era só chamar que o senpai viria correndo desesperado, ainda com seu kit de primeiro-socorros, aproveitando para checar se ele não possuía nenhum ferimento. Tão típico.

O loiro sempre considerara Sora a menos problemática do grupo. Era ela quem sempre separava suas brigas com Tai, agindo com pulso firme quando era necessário. Merecedora de seu brasão do amor, ela sempre estavam preocupada com o bem-estar de todos, inclusive com ele, mesmo ele não precisando, não querendo. Sora era uma esportista como Tai e, na verdade, os dois tinham tanta coisa em comum que até doía ver. Eles eram perfeitos um para o outro. Mesmo agora ele precisando e querendo, não havia nada que fazer senão contar com a amizade da garota. Yamato até escrevera certas músicas baseadas nela mas todas foram para a lixeira por parecerem "de corno". Então, quando ela entrou em seu camarim antes do show de Natal para entregar-lhe biscoitos caseiros, ele permitiu-se, pela primeira vez, criar esperanças. Beijá-la pela primeira vez o fez perceber que, se ele já estava meio perdido antes, agora estava completamente e que-deus-o-perdoe, mas ele não queria ser encontrado.

Yamato nunca pensara em Hikari como mais do que "a irmã mais nova de Taichi" ou "a futura namorada de Takerou". Com o tempo foi descobrindo tanto suas qualidades quanto seus defeitos e não demorou para tê-la como a cunhada perfeita. A única coisa que dizia que lhe era desagradável em seu romance com Takerou era: Se um dia eles se casassem, isso significaria que o loiro se tornaria de alguma forma relacionado a Tai. Mas Hiraki era bem a luz do grupo, sempre animando-os e vendo o lado bom das coisas.

E como ele poderia deixar Gabumon de fora? O digimon, mesmo conhecendo-o por tão pouco tempo já estava preparado para dar a vida por seu parceiro. Por mais que o músico achasse estranha esse relação que surgiu subitamente entre eles, não demorou para que tornar-se disposto a retribuir o favor com todas as forças. Yamato gostava do silêncio confortável que pairava entre eles. Ambos se conheciam bem demais e simplesmente não havia necessidade de uma troca de palavras.

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- Hora de acordar, Bela Adormecida! - Uma conhecida e extremamente irritante o trouxe de volta para a realidade.

Mentalmente decapitando quem ousou tirá-lo de seu sono, Yamato virou-se para o outro lado resmungando.

- Cale a boca, Tai. Você está longe de ser um príncipe encantado.

- Não é o que as garotas lá do colégio pensam.

- Oh, você está se referindo a meia dúzia de garotas que não estão apaixonadas por mim?

- Eu sou o capitão do time de futebol! - Tai respondeu orgulhoso.

- É, é, tanto faz. Pode ficar com todas elas.

- Eu terminei a minha redação.

- Hum...você usou expressões clichés como: "mar de rosas", frases feitas como: "dinheiro não compra felicidade e lugares comum?

- Hã... - Tai levou uma das mãos aos cabelos, surpreendendo-se ao ter a folha de papel arrancada de sua mão e jogada no lixo. - Por que você fez isso?

- Estou te fazendo um favor, Tai. Fique feliz.

- Ok, já chega. Levante-se agora.

- Pra quê?

- Estamos saindo.

- Pra onde?

- Você vai descobrir.

- Ah, não, não gosto disso.

- Vamos lá, você me deve por ter jogado fora minha redação. Ela poderia estar uma merda mas eu levei muito tempo fazendo-a.

Yamato engoliu em seco. Talvez ele devesse ter sido menos grosseiro.

- Certo. - Levantou-se e pegou seu casaco. - Vamos.

Continua...

N/A: Muito obrigada por todas as reviews. Sinto muito por nao ter postado antes. A faculdade estava me matando, desculpem mesmo. Mas vou tentar atualizar logo, em menos de um mês, prometo^^