Capítulo III- Opiniões formadas
- Isso deve ser porque você está estranhando o lugar, Eric.- retrucou Hermione, mas com cortesia- Eu li sobre o seu acidente no Profeta Diário. Foi mesmo uma sorte você ter ficado vivo e sem marca nenhuma. – comentou ela, com admiração.
- É, possivelmente tenha sido. – respondeu ele, desinteressado.
- Tenho a estranha sensação de que você tem algum problema. – explicou ela, olhando-o ostensivamente- Não quer me contar, ou quem sabe contar para alguns do garotos? – ela sorriu, como que consolando- o.
- Realmente não sei o que é. Hermione,. – explicou ele, com leve desconfiança- è uma sensação estranha, de desconforto.
- Bem, seja o que for, agora você é nosso colega de casa e nosso amigo. Sempre conte com todos aqui. – ela comentou, com um leve franzir de sobrancelhas – Agora, você deve subir ao dormitório. Vou pedir ao Neville que lhe acompanhe. E não se preocupe- completou ela em voz baixa- O Neville é muito mais inteligente e corajoso do que aparenta. Porque é que ele faz esse gênero bobalhão eu não sei.
Neville acompanhou Eric até o dormitório, e mostrou sua cama. Eric ia cogitando porque tinha vontade de matar o novo amigo, tão prestativo, a chutes. Era muito estranho, muito estranho mesmo.
- Qualquer coisa que precisar Eric, me peça. – disse Neville cortesmente.
- Obrigado, Neville. – comentou ele, deitando-se em sua cama, ainda controlando-se para não chutar no garoto que lhe olhava com amizade. - Estou cansado, quero descansar.
- Boa Noite, então, - disse Neville, despedindo-se.
- Boa Noite. – contrapôs Eric, sentindo-se muito desconfortável, ali e por algum motivo odiando toda aquela preocupação, toda aquela solidariedade.
Por algum tempo ele ainda ouviu as aventuras que os colegas contavam uns aos outros por meio as paredes. Todos ali eram estranhos, e em verdade ele não sentia-se bem naquele lugar. Não gostava de atenção. preferia não Ter sido bem recebido, Ter despertado ódios do que toda a aquela atenção.
O dia amanheceu e Eric estava desacostumado a sentir o sol o seu rosto e estranhou a sensação.. deveria ainda ser muito cedo pois não escutava nenhum ruído de seus colegas de quarto. Levantou-se e arrumou-se para descer. Tinha o plano de examinar com detalhes o salão comunal de sua casa, e foi com total desagrado que vestiu as roupas com as cores da Grifinória. Continuava com a mesma sensação da véspera de que algo ali estava muito errado. Mesmo não gostando, viu-se obrigado a trajar aquelas tonalidades. Deveria ir na Biblioteca pesquisar mais sobre a origem das casas e sobre a origem da escola. Realmente não quisera contar a ninguém que o chapéu seletor dissera que deveria colocá-lo em Sonserina, e que já o tinha colocado uma vez em Sonserina e que Dumbledore pedira que o colocasse em Grifinória nesta nova seleção. Sim, mas sabia.. de alguma maneira sabia, que deveria confiar no diretor Dumbledore. Era verdade, que tinha a sensação de conhecer todas aquelas pessoas, e praticamente nenhuma lhe inspirava confiança. Nenhuma!
Talvez Hermione ainda fosse a mais educada. De resto, pareciam um bando de debilóides interessados em dissecá-lo, em saber tudo sobre ele, coisas que ele próprio não se recordava.
Harry Potter lhe trazia uma sensação de ódio acumulado, de coisas que deixara de fazer, e que ao mesmo tempo tinha que fazer. Aquela paixão por quadribol era algo que lhe dava nos nervos. Desde quando quadribol era futuro para alguém? mas e porque se importar com o futuro dele, quando lera nos livros que o "menino que sobreviveu" talvez não chegasse vivo até o dia seguinte? Falando em quadribol Harry lhe convidara para assistir ao treino do time da Grifinória. Que coisa idiota! odiava aquela gentileza, aquela amizade e nem sabia porquê.
Rony Weasley, lhe parecia apenas a sombra e eco do amigo famoso. Não falava de assuntos interessantes e era fã de um time de quadribol que fazia mais de 100 anos que não vencia uma partida sequer. Talvez ele precisasse viver mais a sua própria vida, e não serviria sempre de alicerce para o outro. A menina que lhe apresentavam como Gina, era irmã dele, obviamente descoberto pela coloração dos cabelos. Aquela menina era certamente o tipo de pessoa que mais odiava.. uma pessoa que não tinha porquê existir. Sempre sonsa, sempre boba, porém Eric não conseguia entender como tinha espécies de opiniões formadas por aqueles colegas sem nem ao menos conhecê-los previamente.
Neville Longbotton parecia querer ser seu amigo, mas a vontade de espancá-lo, de pisoteá-lo era quase que insustentável. Era incrível, e o garoto parecera tão gentil e educado.
As outras duas meninas, Parvati Patil e Lilá Brown ele quase não tomara conhecimento de suas existências, e tão pouco gostara da óbvia admiração com que a Parvati lhe olhara durante todo o jantar. Para não ter problemas era melhor ser logo grosseiro com ela, e cortar quaisquer possibilidade de que ela viesse a Ter pensamentos sobre ele. Não lhe interessara aquela garota fútil e boba que deveria gostar de Adivinhação. Eric estava curioso. Como poderia prever que Parvati fizesse aulas de Adivinhação?? Será que era ele mesmo um adivinho? Não, não deveria ser, porque quando Hermione lhe mostrar a mestra da disciplina chegara a Ter arrepios. Aquela mulher era a própria visão do inferno!!!
Ainda pensando em suas opiniões sobre Dino e Simas, Eric rapidamente, mas em silêncio desceu a escada circular e chegou no salão comunal. Era muito cedo e somente havia uma pessoa lá, uma garota de cabelos claros, com os olhos postos num jornal que não pressentira sua chegada. Ele se aproximou, mas ela assustou-se quando virou-se e o viu.
- Que susto! – exclamou ela- Você parece uma cobra pronta para dar o bote.
- Desculpe! – disse ele, sem jeito- Não queria assustar você.
- Está desculpado. – disse ela, mostrando-lhe um bule de chá, e perguntando- Quer uma xícara de chá? Ainda é muito cedo para o café da manhã ser servido.
- Obrigado. – ele serviu-se e ficou apreciando os movimentos dela, que parecia esquadrinhar cada centímetro do "Profeta Diário".
- O que você está procurando ai? – o garoto quis saber.
- Uma noticia.- explicou ela.
- Decerto você deve pensar que sou um idiota.- retrucou ele, com frieza, o que fez Hermione erguer os olhos surpresos em sua direção- Naturalmente que se está lendo o jornal, procura alguma notícia.
Hermione sorriu com descontração. Eric Zhirmunshy não tinha nada de bobo. Isso não era nada bom. Tinha estranha sensação de que ele de um jeito ou de outro se manteria sempre a par de todos os acontecimentos.
- Tem razão. – assentiu ela.- O que quis dizer é que procuro uma noticia especifica.
- E pela sua cara de decepção não deve Ter encontrado.- comentou ele.
- Não encontrei! – ela concordou desolada- mas não sei se fico triste ou feliz, pois o não saber é a pior das sensações. Se tem que estar alerta para tudo. – disse ela se erguendo.
- Você tem razão, Hermione.- ele concordou erguendo as sobrancelhas- o não saber sempre é o pior.
- Vamos até a biblioteca? – ela convidou- o . Era estranha as sensações que tinha perto daquele rapaz. Ele lhe parecia alguém muito importante, muito conhecido, mas ao menos tempo era alguém que ela conhecia a menos de um dia. Era uma sensação muito estranha. Talvez fosse porque estava muito fragilizada e precisasse de alguém que lhe escutasse sem fazer perguntas.
- Não me diga que você pretende estudar antes mesmo das aulas começarem? – troçou ele.
Hermione ia lhe responder de maus modos, mas viu que ele sorria.
- Me parece uma boa idéia. – comentou ele, com brevidade. – Minha intenção quando acordei cedo, era realmente conhecer mais de nosso salão comunal e ir na biblioteca pesquisar sobre as casas de Hogwarts.
Hermione pegou alguns pergaminhos e saiu seguida pelo garoto do salão comunal.
- Porque quer saber mais sobre as casas?- perguntou Hermione desconfiada.
- Curiosidade apenas. – disse ele, aparentemente pouco se importando.
- Você muito misterioso. – comentou ela.
- E você, Hermione, muito curiosa.- retrucou ele, com frieza, mas sorrindo.
Hermione apenas entrou na biblioteca, e ambos se separaram. A garota ocupou uma mesa sozinha e espalhou alguns pergaminhos para estudar. Mas seus olhos correram pela biblioteca e deram com Eric vasculhando uns livros antigos. Dentro em pouco ele chegou na mesa dela, carregando um exemplar de "Hogwarts: uma história" , que colocou sob a mesa enquanto lhe perguntava, fazendo-a desviar a atenção dos pergaminhos quando disse.
- Este é o livro mais completo sobre a história da escola?- ele indicou o livro com a cabeça.
- Porque eu deveria saber? – ela o questionou- Em um dia já ficou sabendo da minha fama de sabe-tudo? – ela olhou-o com desconfiança.
- Não sabia de sua fama Hermione, não da de sabe –tudo. – explicou ele, perguntando-se porque sabia que ela era uma intragável sabe- tudo? Talvez não intragável, mas sem duvida alguma sabe tudo. – Acontece que nos dias em que fiquei aqui na escola escutei coisas sobre os alunos , e inclusive os professores falaram muito bem de você. mas, voltando ao assunto, esse é o melhor livro sobre a escola?
- Que se conheça sim. – retrucou ela, friamente, desviando os olhos para seus pergaminhos, perguntando-se porque tinha certeza que ele lhe acharia uma sabe-tudo.
O garoto mergulhou interessadissimo na leitura da obra, e dentro em pouco lhe fez algumas perguntas. Hermione, inicialmente respondeu emburrada pois odiava ser atrapalhada em seus estudos, mas depois começaram a conversar sobre a escola, e Hermione lhe explicava algumas coisas, em especial sobre o assunto que lhe interessava naquele momento, as casas de Hogwarts, ela ia começar seu novo discursos, sob o olhar atento do russo, quando uma sineta tocou anunciando o inicio das aulas.
Eric entrou na aula de Herbologia atrasado. Mesmo que ele e Hermione tivessem se apressado a estufa 4 era a mais distante do castelo, e a garota lhe irritava com os comentários de "Vamos logo, Eric, estamos atrasados!" que se repetiram por alguns instantes. Quando já se preparava para reclamar, uma pessoa os deteve. Era o diretor Alvo Dumbledore.
- Srta. Granger, sr. Zhirmusnsky- cumprimentou o velho bruxo.
- Bom dia diretor.- Hermione cumprimentou o velho mago, enquanto Eric apenas acenou com a cabeça e sorriu.
- Sr. Zhirmunsky, preciso de um minuto de sua atenção- disse o diretor com um sorriso ao mesmo tempo em que dispensava Hermione- pode ir , Srta. Granger.
Hermione apenas assentiu admirada, mas partiu em direção as estufas.
- E então, Eric, o que achou da escola? – perguntou o diretor com uma sorriso.
- Tudo ainda esta muito confuso! – disse o garoto russo- mas tenho uma pergunta a lhe fazer professor Dumbledore.
- Faça. – consentiu o diretor.
- Porque o Chapéu seletor me disse que o senhor mandou-o me colocar na Grifinória? mas que eu já estive em Sonserina?- o garoto perguntou-lhe com uma curiosidade discreta.
- Infelizmente, Eric, essa ainda não é a hora de você saber disso. – explicou o diretor desgostoso. – Na hora oportuna você saberá. E não adianta insistir pois não responderei, não agora.
- Sim, diretor- o garoto apenas resignou-se ao não.
- E de preferencia não conte isso a nossa esmerada monitora-chefe.- troçou o diretor. – Que pelo que vi se tornou sua amiga.
- Ela me explicou coisas sobre a escola. – comentou Eric, questionando-se intimamente- mas eu não pretendia lhe contar a sobre o que o chapéu seletor me disse.
- Muito bem Eric. – disse o diretor, dispensando-o- Pode ir à sua aula. E qualquer coisa que precise vá a minha sala. - Ele percebeu que o garoto lhe olhava desolado.- Se não souber peça a Srta. Granger que o acompanhe até lá.. Certamente, ela sabe o caminho.
