Durante a madrugada, Maya se revirava de um lado a outro sobre a cama. Não estava acostumada a dormir fora de casa, mas esse não era o problema. Tivera pesadelos consecutivos. Em um deles andava pelas ruas de Tokyo, porém desertas. Olhava de um lado a outro na esperança de encontrar alguém. Nada. Estava sozinha. O sol desaparecia conforme sua angústia aumentava. A escuridão a fez encolher-se sobre o chão e respirar ofegante. Sua inspiração aumentava junto ao cair de suas lágrimas.
— Não! Não...
Maya abriu os olhos assustada quando sentiu alguém cutucá-la.
— Senhorita Natsume, está sentindo-se bem? — Itachi sentou a beira da cama e observou-a preocupado.
Ela mostrou-se trêmula e agarrou seu braço com as mãos.
— Posso dormir com você? Tive uns pesadelos estranhos e estou com medo de dormir sozinha.
Ele ficou meio espantado por aquele pedido vindo dela. Se uma mulher pedia para dormir com um homem não era simplesmente por sentir-se amedrontada com pesadelos. Olhando melhor, ele percebeu que ela parecia uma criança assustada. Seria algum tipo de trauma? — pensou ele.
— Bom, não costumo fazer esse tipo de coisa. — disse sem graça e ajeitou-se sobre a cama. — Mas se isso irá fazê-la dormir tranqüila... Boa noite.
Ele virou de costas para ela e fechou os olhos. Ainda não estava acreditando que ela fizera aquele pedido. Contudo, não havia maldade em seus olhos. Quem era essa garota?
Na manhã seguinte o tempo estava ameno. A estação de primavera despertava a vontade de caminhar ao alvorecer. Ela também aumentava a auto-estima de muitas pessoas que acordavam cedo para ir ao trabalho, com o intuito de dar o melhor de si. Todavia nem todos desfrutavam essa emoção da primavera. Maya acordara às oito horas da manhã, despreocupada com o que lhe acontecera e com o colégio. O colégio? Desceu as escadas desesperada, pronunciando que deveria ir à escola.
Itachi a vira andar de um lado a outro como estivesse à procura de alguma coisa.
— Assim você vai criar um buraco no chão. — ele disse sorridente.
— Preciso ir para o colégio! — exclamou encarando-o desesperada. — Seu irmão deve ter enfiado meu uniforme em algum lugar... Droga! Eu mato seu irmão.
Ele se aproximou dela e a fez parar de movimentar-se segurando seus braços.
— Vista as roupas dele. — ele sorriu. — Bem, ele tem o uniforme da Toudou de quando tinha quatorze anos. Deve servir em você.
Aquelas palavras pareceram não animá-la. Do que adiantaria conseguir uma roupa e não conseguir assistir as aulas?
— Eu já estou atrasada. — ela conseguiu livrar-se de suas mãos. — Agradeceria se pudesse me levar pra casa.
— Ora, minha família é praticamente a dona daquele colégio. Acredite. Você irá estudar hoje.
Maya arregalou os olhos surpresa e ao mesmo tempo sem graça por ter de tirar vantagem dele. Mas essa era sua única oportunidade.
Após ter trajado o uniforme masculino, sentiu uma fina corrente de metal passar envolta de seu pescoço. Antes que se afastasse Itachi pediu que ficasse com o objeto.
— Não posso aceitá-lo. — olhou para o pingente que tinha o formato de uma gota. — Além disso, o meu...
— Eu insisto. — ele sorriu. — Aceite-o como uma desculpa do que acontecera a você aqui.
Era um momento um tanto constrangedor. Contudo se continuasse a relutar ele não desistiria em convencê-la de que levasse o objeto. Portanto, concordou e pôs fim aquele assunto.
O caminho ao colégio fora em pleno silêncio. Maya apenas abrira a boca para agradecê-lo por levá-la ao colégio em seu carro. Estava admirada com os dispositivos que o carro possuía e com seus muitos botões. Nunca andara num carro conversível antes e, precisava admitir — era um luxo! Afinal, os ricos sempre podem ter o que quiserem, não? Ela sorriu para o inspetor logo que alcançaram as escadas. Confuso, ele arqueou a sobrancelha em uma tentativa frustrada para reconhecer quem era aquele garoto que sorrira para ele.
— Desculpe senhor. — Itachi o encarou com simpatia. — Este aluno é novo e está perdido. Você sabe que a Toudou gosta de ver o empenho de seus alunos.
— Mas é claro, senhor Uchiha! — O homem sorriu sem graça abrindo espaço para que Maya pudesse passar.
Ela subiu os degraus, admirada em ver como as pessoas podiam ser hipócritas. No dia anterior, nem pudera tentar convencê-lo de que estava perdida. Porém, ao menos conseguiria estudar...
— Com licença — ela disse adentrando em sua classe. 2 C.
Todos os alunos pararam suas atividades para encará-la. Caminhou até o fundo agradecendo que havia um lugar vago, exatamente ali. A professora pareceu não se incomodar com sua chegada repentina. Estava concentrada fazendo anotações em um caderno em sua mesa. Maya sentiu-se aliviada por isso, mas logo sentiu o sangue ferver quando viu pessoas conhecidas. As garotas loiras e algumas pessoas que estavam na lanchonete no momento que Naruto apanhava.
— Ora, o que aconteceu com seu uniforme? — disse a garota de cabelo loiro que pertencia ao Tora. Havia umas sete pessoas olhando espantadas para Maya.
Sua resposta fora o silêncio. Pegou seu material escolar e começou a copiar o que estava sobre a lousa. Fora muita gentileza de Uchiha Itachi doar-lhe algo para escrever. Com certeza sairia daquela sala com dor de cabeça. Fora incomodada com agressões verbais até o momento em que o sinal para o almoço tocara. Correu até o jardim, onde estivera com Sakazaki Yuri no dia anterior. Ao menos, ali não seria perturbada. Encostou a cabeça sobre a árvore procurando relaxar. Ou melhor, tentando. Lembrara que esquecera o material escolar na enfermaria com Naruto. Afinal, onde ele devia estar naquele momento? — Levantou imediatamente para procurá-lo.
Passando próxima a lanchonete encontrou Yuri sentada e com os cotovelos apoiados sobre a mesa. Então, lembrou-se de que Sasuke dissera que faria algo a ela também. E se já tivesse feito? Sua mente começara a pesar, forçando-a a correr como uma desesperada até Yuri.
— Você está bem? Ele te machucou? Fez alguma maldade?
Yuri olhou-a assustada e, logo a abraçou chorando.
— Aquele desgraçado! — Maya berrou devolvendo o abraço. — Eu irei me vingar por nós Yuri.
— Do quê está falando, Maya? — soltou-a confusa.
— Do Sanosuke! Ele te machucou, não?
— Não! Mas estou feliz por ver que você está bem! Para aonde te levaram?
Maya sentiu-se um pouco constrangida com a pergunta. Não se sentia a vontade para contá-la que ele a levara para sua cama e prometera fazer horrres a ela. Mas se conseguisse encontrá-lo pelo colégio, arrancaria seu couro cabeludo, socaria seu rosto, arranharia seu rosto, quebraria seu braço...
— Nossa! Pela sua cara de braba, coisa boa não é. — Yuri a encarou preocupada.
— Quê? Digo... Não me lembro! Aliás, estou aqui, né?
As palavras enroladas de Maya não deixaram Yuri convencida. Ela escondia algo. Por ora, o melhor era não deixar transparecer sua desconfiança. Com o tempo, a verdade apareceria. Sempre aparece no Toudou.
— Já que você está bem, vou ir à enfermaria. Com toda essa confusão deixei meu material com o Naruto.
— Hei Maya! — chamou-a, porém em vão, pois Maya a deixara apressada. — Seu uniforme é masculino...
Os corredores próximos à enfermaria estavam vazios. Apenas um professor passara por Maya, sem ao menos cumprimentá-la. Estaria invisível? Ou em um filme de terror? Ignorando esta última hipótese, continuou a caminhar confiante. Quanto mais se aproximava da enfermaria ouvia vozes gemendo e ofegando. O que estava acontecendo? Esperava não ser o que imaginava. Seria nojento demais. Ao chegar à porta, entreabriu-a vagarosamente. Quando conseguiu passar por ela, agachou quando viu uma garota de cabelo rosa de costa. A porta batera chamando a atenção da garota que a espiou. Droga!Por que tinha de ir à enfermaria justamente naquele momento? Agora, seria difícil sair de lá!
— Oh! Sasuke! Como você é perfeito! — a garota gritou ofegante.
— Eu sei. — ele respondeu beijando-a no pescoço. — É por isso que todas vocês me querem.
Ao ouvi-lo dizer aquilo com aquelas palavras egocêntricas, Maya bufou enraivecida esbarrou em uma maca. O barulho fora tamanho que o jovem ficou curioso em saber em os espiava. Porém a jovem o impediu de prosseguir puxando-o pela gravata.
— Eu quero ser tomada por você, aqui.
Ela começou a acariciá-lo nas partes íntimas de seu corpo.
— Sakura, por favor... — disse ofegante.
Eca! Eles estavam pensando em fazer aquilo ali? — Maya levou a mão à boca admirada. Não! Eles não tinham o direito de fazer aquela safadeza num local como aquele.
— Por Deus! — Maya levantou num berro. — Se querem fazer essa sacanagem, façam em outro lugar.
— Ora, você conseguiu fugir — Sasuke a olhou cínico. — Mas eu prefiro vê-la com o uniforme feminino. — ele sorriu cínico. — Bem você sabe o porquê, não é?
Aquela expressão debochada fez Maya lembrar do que ele fizera a seu corpo. Tocando em suas partes mais sensíveis como um ninfomaníaco. Ela espremeu os dedos e se aproximou mais para encará-lo. Aquele seria o último sorriso que ele lhe daria.
— Sasuke, o que está acontecendo? O que esse garoto está fazendo aqui? — ela olhou para Maya de cima para baixo. — Arrebenta logo a cara desse aí.
— Não Sakura. Seria horrível desperdiçar um lindo corpinho.
Maya mal o deixou prosseguir e avançou para cima dele apertando seu pescoço com força. A outra jovem pedia para que parasse de enforcá-lo, mas Maya estava dominada pelo ódio que tinha por ele.
— Desgraçado! Eu vou acabar com você!
Sasuke segurava seus braços tentando fazê-la soltá-lo. Jamais imaginara que ela teria tanta força. No entanto, ele rolou por cima dela e conseguiu tirar suas mãos do pescoço dele. Ele a colocou de braços abertos sobre o chão e começou a rir ofegante olhando-a.
— Acha mesmo que pode contra mim? — ele aproximou o rosto ao dela.
Ele reparou no colar que ela usava. Olhava simultaneamente para ambos parecendo desesperado.
— Onde conseguiu este colar? — ele berrou.
Ela aproveitou que ele abaixara a guarda e o atingiu com uma cabeçada e um chute entre as pernas. Então, levantou-se rapidamente enquanto ele gemia de dor ao chão.
— Não é da sua conta. Aliás, isso só foi um pouco do que você merece!
A garota olhou irritada para Maya e agachou imediatamente para ajudar Sasuke.
— Sinceramente, não sei o que essas garotas veem num cara idiota como você. Ao menos deveria ser educado e gentil como seu irmão.
Ser educado e gentil como o irmão. Estas palavras levaram suas dores e trouxeram uma expressão séria em seu rosto. Maya já havia se retirado da sala, porém se ainda estive, talvez ele prolongasse a briga com ela. Quem ela pensava que ser para compará-lo ao irmão?
Apenas levantou-se e rumou até a porta. Estava tão absorto em seus pensamentos que nem dera atenção a Sakura que o chamava preocupada.
Enquanto isso pelos corredores de acesso a sala dos professores, duas mulheres de cabelo escuro discutiam em voz alta, despertando a atenção de quem estava às salas. Inclusive a do próprio diretor.
— Como assim os alunos estabelecem o que estudar? — questionou a menor.
— Nana, fique calma. É assim que as coisas funcionam. E é menos cansativo. — ela sorriu. — Nada de planos de aula!
A mais baixa a olhou, sem demonstrar espanto. Sua companheira não tinha o menos senso.
— Olha, é só você relaxar. Aliás, ensinar Educação Física para esses garotos será moleza. — ela pegou a mão da companheira e sentiu-se agraciada por trabalharem no mesmo lugar. — Agora, vou te apresentar a equipe dos professores.
Ao passarem pela porta da sala dos professores, a maioria dos que se encontravam parou suas ações para olhar a pernas e os seios da maior. Incomodada com aquilo, a outra se manifestou:
— Acho que entramos na sala dos cachorros no cio.
Imediatamente, voltaram a fazer suas ações, envergonhados. Logo, um professor de cabelo curto e preto e, supercílios grossos surpreendeu-as com um sorriso:
— Professora Terumi! Quem é esta aluna?
— Aluna? — a menor questionou quase o atingindo com um soco. No entanto, apenas cravou as unhas na palma das mãos. Ficara com o rosto vermelho, prendendo sua ira.
— Sakamoto, sua aluna precisa ir à enfermaria. — disse um outro se aproximando. — O rosto dela está tão vermelho, que pode ser febre.
— Gai e Kakashi, ela não é minha aluna. Esta é a nova professora de Educação Física do segundo C.
Ambos se entreolharam, sem graças.
— Desculpa pequena, erros acontecem. — Gai lhe deu um pequeno tapinha no ombro.
— É. Você tem aparência jovial e não tem...
— Cale a boca!
— Calma, Nana. — disse sua companheira, espantada. — Estes são Hatake Kakashi e Maito Gai. Meninos, esta é Ooki Nanami. Ela estudou comigo na Universidade de Kyoto.
Ela abraçou Nanami de forma brusca, pressionando-a contra seus peitos.
— Pare com isso Yoko! — Nanami conseguiu se afastar.
A amiga piscou para Gai e Kakashi a fim de que acompanhassem Nanami. Eles também eram professores de Educação Física do colégio. Pedir que acompanhassem a amiga seria oportuno para fazê-la mudar seu conceito sobre os homens.
— Ahn... Senhorita Ooki, gostaríamos de lhe apresentar a área de Educação Física.
— Você gostaria. — retrucou Kakashi. — Preciso ver umas coisas, entendem?
— Pode ir tranqüilo cara. — Nanami falou num tom sínico. — Com ou sem você, que diferença faria?
— Tão nova e já querendo arrumar mais problemas. — ele a encarou murmurando.
— O que foi que você disse? — questionou irritada.
— Eu já vou indo. — Kakashi os deixou passando por outra porta que tinha na sala.
Nanami já estava aos nervos. Ouvira perfeitamente o que aquele homem lhe dissera. Quem pensava ser para desafiá-la daquela forma? Seus olhos permaneceram pousados para a porta que Kakashi passara. Sua amiga já imaginara o que estava para acontecer então, logo a puxou pelo braço e chamou Gai para levá-la.
— Espere aí Mei, preciso acertar as contas com aquele idiota!
Mei nem a deixou continuar. Levou Gai e ela para fora da sala, sorrindo como sempre.
— Vão com Deus meninos!
