"… minha cabeça para deitar no seu peito subdesenvolvido; você olha para mim com olhos verdes que não veem..."

A voz forte de Millicent ressoou pelo corredor e Draco mudou sua direção, virando para a esquerda, indo para o som. Ele parou quando viu Millicent com sua mão grande espalmada no peito de Potter, o segurando contra a parede. A varinha de Potter estava em sua mão, mas ele parecia muito espantado para se mover. Ele simplesmente encarou Millicent em horror.

"Não ha nada mais que eu possa dizer; exceto, sua coisinha, venha me beijar." Millicent terminou seu poema de amor e fez um biquinho se inclinando para frente.

Potter fez um som estrenho, meio apavorado e Draco saltou para frente, gritando, "Millicent!"

Millicent se virou com uma expressão de 'pega em flagrante' que se tranformou rapidamente em uma carranca. "O que você quer?" ela perguntou quando Draco os alcançou.

Sem fôlego, Draco rapidamente escaneou o rosto de Potter para ter certeza que ele ainda não havia sido beijado. Potter parecia horrorizado, não apaixonado, e Draco respirou com mais facilidade. Aparentando voltar aos seus sentidos, Potter levantou sua mão, e com um rápido movimento de sua varinha, mandou uma maldição em Millicent.

Millicent riu. "Oh, você! Pare com isso!" ela disse carinhosamente como se Potter tivesse feito cosquinha nela. "Ele gosta de seus feitiços" Millicent disse para Draco, radiante. Os olhos de Potter estavam arregalados, sua mão da varinha parecia congelada no ar.

"Ha ha!" Draco se forçou a rir, procurando no corpo de Millicent um ponto fraco. Era difícil de achar um. Merlin, agora que ele estava perto dela, ele se lembrou o quanto ela era grande. Ela tinha uns bons centímetros acima dele e de Potter, e ela era tão grande quanto os dois juntos. Seria difícil derrubá-la.

Millicent levantou uma sobrancelha e Draco tentou pensar em algo para dizer. Talvez seria mais esperto se não lutasse com Millicent.

"Er..." Draco sacudiu a cabeça em direção a Potter, e depois se inclinou em direção a Millcent e disse, "Eu preciso falar com você em particular."

"Eu estou ocupada." Millicent agarrou a camisa de Potter e o balançou um pouco, como se estivesse mostrando seu ponto.

Potter pareceu escandalizado e tentou se livrar dobrando os dedos da garota para tras, mas ela apareceu não notar.

"Certo." Draco franziu a testa e se aproximou lentamente; se o seu novo plano falhasse, talvez ele e Potter poderiam derrubar Millicent juntos. "Sobre isso, Millie," Draco sussurrou. "Você sabe que a Pansy mentiu, não é? Ela só te mandou aqui para que pudesse pegar um certo item do seu malão."

A mão livre de Millicent agarrou a camisa de Draco. "Que item?" ela se enfureceu, puxando Draco inconfortavelmente para mais perto.

"Aquele que...cantarola."

A mandíbula de Millicent caiu. "Aquela pequena…Ela não pode… Isso é… Honestamente!" Ela pausou. "Não que eu tenha algo que... cantarole."

"Claro que não!" Draco disse rapidamente. O aperto de Millicent estava ficando cada vez mais apertado; ele estava ficando sem ar. "Ela estava mexendo nos seus pertences. Enquanto nós falamos."

"Eu vou matá-la," Millicent disse, estreitando os olhos.

Por um momento Draco se sentiu culpado. Enviar Millie atrás de Pansy talvez fosse um pouco maldoso. Mas em outra mão, Pansy havia enviado Millie atrás de Potter, então até onde ele se importava era apenas justo que ela sentisse a ira de Millie.

Millie olhou para Potter, parecendo dividida.

"Eu acho que ela pretende enfeitiçar o item com Furunculus" Draco adicionou. "O que seria ruim, se o item realmente existe. Embora eu não esteja dizendo que exista. Eu estou falando hipoteticamente."

Vermelho se espalhou nas bochechas de Millie e ela mostrou os dentes com um rosnado. Ela soltou Potter de repente e ele teria caído se não tivesse se inclinado para a parede. E então ela se virou para Draco e, para seu completo horror, o puxou em um abraço de urso.

"Você é um amigo de verdade, Draco." Ela disse, a voz cheia de emoção.

Draco fez um som indistinto em seu ombro. Ele pensou que morreria sufocado, mas felizmente ela o soltou. Ela sorriu para ele cheia de dentes e depois atrevida, "Te veto mais tarde, magrelo," para Harry, e correu em direção ao Salão Comunal da Sonserina.

Draco se permitiu respirar de novo.

"Que inferno!" Potter suspirou baixinho. Suas costas ainda estavam pressionadas contra a parede, ele parecia incapaz de se mexer. "O que foi aquilo?"

"Um." Draco considerou a possibilidade de pular em Potter naquele momento, enquanto ele estava imóvel, mas talvez ele devesse oferecer um tipo de explicação primeiro. Potter parecia precisar de uma. "Pansy disse para Millie que você tem uma quedar por ela. Ela pensou que seria engraçado."

"Honestamente." Potter balançou a cabeça, murmurou algo sobre malditos Sonserinos e depois focou em Draco parecendo tímido. "Er, obrigado?" O sorriso de Potter era incerto, mas verdadeiro. Ele encarou Draco com curiosidade óbvia. O que tornava ainda mais difícil para Draco apenas o atacá-lo e beijá-lo do nada. Parecia uma coisa rude de se fazer.

"Bem, é." Draco olhou para os pés, tentando parecer modesto. "Você me salvou de um incêndio; eu te salvei da Millicent. Acho que estamos quites agora."

"Certo." Potter mordeu o lábio e rapidamente se afastou da parede. "Obrigado," ele repetiu, lançando um olhar furtivo para Draco. Ainda segurava sua varinha.

Draco não podia culpá-lo por suspeitar de algo. Desde que as aulas haviam voltado os dois nem haviam notado a presença do outro. Na maior parte, Draco ignorava a presença de todos, mas ele gostava de olhar ou sorrir com escárnio para Harry ocasionalmente. Parecia a coisa certa a se fazer.

"Bem..." Potter limpou a garganta. "Você deveria voltar para seu Salão Comunal antes que um professor te veja."

Draco acenou com a cabeça em silêncio, encarando o rosto de Potter. Ele não podia apenas ir embora; ele tinha um beijo muito importante para dar. No entanto, Potter estava rígido, sua varinha na mão, e sua expressão apesar de não ser hostil, não era muito simpática também. Ele definitivamente não parecia com alguém que aceitaria um beijo aleatório gentilmente. O olhar de Draco caiu longamente nos lábios cheios de Potter. Um beijo, era tudo que precisava. Certamente não era difícil de conseguir? Millie havia quase conseguido; ela havia distraído Potter com um péssimo poema. Mas ela era impossível de amaldiçoar e muito maior. Ele precisava pensar em algo inteligente.

Draco deu um passo cuidadoso para frente.

"Er, tem alguma coisa na minha bochecha?" a mão de Potter foi até seu rosto e ele tentou tirar uma sujeira inexistente de sua pele. Draco teria fica envergonhado por Potter ter percebido que ele encarava, mas ele estava muito ocupado tendo uma epifania. Claro. O bom e velho você-tem-algo-na-sua-bochecha-me-deixe-tirar-gentilmente truque. Era clássico. Draco gostava de clássicos.

"Na verdade, sim." Draco acenou um pouco vigorosamente demais e deu outros dois passos para frente, quase pisando no pé de Potter.

Franzindo a testa, Potter esfregou a bochecha, consciente da proximidade. "Eu tirei?"

"Um, não." Draco esticou a mão, cuidadoso para não fazer nenhum movimento brusco, da maneira que uma pessoa se aproximaria de um animal selvagem. "Aqui, permita-me..."

No momento que os dedos de Draco tocaram a bochecha de Potter, ele congelou, seus olhos verdes arregalando atrás do óculos horroroso.

"Pronto," Draco respirou, pegando o queixo de Potter, e arrastando seu dedão pela pele, distraído por um momento com maciez debaixo de seus dedos. Potter deveria ter barbeado a pouco tempo; agora que Draco estava perto dele, ele podia cheirar a colônia. O cheiro fazia sua cabeça rodar. O dedão de Draco escorregou pela curva dos lábios de Potter e eles se partiram para o garoto respirar.

"Oque-?" Potter disse, mas Draco não o deixou terminar. Ele se inclinou para frente e pressinou seus lábios firmemente contra os de Potter.


N/T : ESSES DOIS SÃO TÃO FOFOS ! REVIEWS?