Data: 09/10/2012

Word Prompt: Irritable (Irritável)

Dialogue Flex: "Você quer que eu me vá?" ela perguntou.

História: Perímetro

Obs: O Dialogue Flex original dizia "ele" perguntou; porém, como eu só reparei neste pequeno detalhe depois que eu escrevi todo este capítulo, decidi manter assim. Espero que eu não esteja infringindo regras!

Obs 2.: Este capítulo é a continuação do primeiro... Acho que continuarei postando esta minúscula história em cinco ou mais capítulos (porque eu acabei gostando dela e acho ainda mais desafiante não criar uma história "do nada" para cada palavra, mas sim inseri-la em um contexto pré-criado). Porém, é provável que, intercalados aos capítulos desta historinha, sejam postadas one-shots dependendo da palavra do dia.

Sasuke enfaixava a ferida abdominal de Sakura quando ela acordou com um gemido de dor. Ele interrompeu o seu trabalho para empurrar o ombro dela para baixo a fim de impedi-la de se mexer e colocar todo o seu esforço para estancar o sangramento a perder.

"Fique quieta," ele sibilou e, aparentemente grave o suficiente para ela não protestar e fazer o que lhe era pedido.

Olhos verdes parcialmente tampados por pálpebras pesadas encontraram os dele e, antes que o contato se prolongasse por mais de uma batida de coração, ele desviou os seus para o abdome dela.

"Sasuke..." ela sussurrou fracamente, ao que ele não respondeu. Ao invés disso, cerrou os dentes para tentar bloquear a súbita onda de fúria que lhe subiu a garganta.

Quanto mais tempo ela passava deitada na sua cama sujando os seus lençóis, mais ele se arrependia da sua estupidez de tê-la trazido para dentro de casa. Deveria tê-la deixado no meio da floresta, inconsciente, longe demais para sequer se recordar do caminho para a sua propriedade, mas algo dentro dele – o principal motivo da sua fúria – não o permitiu.

Ele olhou de relance para o rosto da garota – mulher – e a sua respiração falhou ao ver o sofrimento ali estampado. Os olhos dela estavam fortemente fechados, e a sua testa enrugada molhada de suor.

Assim que terminou o seu curativo no tronco desnudo dela (ele levantou a blusa preta até deixar o abdome exposto, mas os seios cobertos), Sasuke foi até um pequeno frigobar que tinha no quarto e dele tirou uma injeção. Ao retornar para o lado da enferma, viu que ela o observava apreensivamente.

"O que é isto?" ela perguntou, nervosa e fraca, os seus lábios mal se mexendo.

Ele respirou fundo. Não gostava da voz dela – aliás, detestava-a por parecer penetrar nos seus ossos. Já não tolerava aquele cabelo rosa que trazia lembranças que ele prometeu a si mesmo nunca mais reviver, muito menos os olhos verdes e a voz (mesmo que fosse bastante diferente da das suas memórias).

Sem responder, ele aplicou o líquido na veia do antebraço dela, fazendo-a dormir quase instantaneamente, para o alívio da sua mente.

Xxxxxx

Sasuke jamais foi um exímio cozinheiro. Porém, a precoce ausência em grande parte da sua vida de alguém que cuidasse dele o forçaram a se arriscar nas aventuras culinárias e, durante os anos, pode-se dizer que conseguia cozinhar refeições passáveis.

Eram poucas ocasiões em que ele teve que cozinhar para alguém além dele – como aquela. A dose do analgésico somado ao sonífero que havia dado a Sakura teoricamente a manteria apagada por algumas horas, o bastante para que ele fosse até o mercado e comprasse ingredientes e cozinhasse uma sopa.

Ele praguejou alto, maldizendo a mulher adormecida por ter mudado a sua rotina de maneira tão brusca e sem ser convidada.

Um barulho às suas costas chamou a sua atenção e, quando se virou para a entrada da cozinha, viu a dita cuja escorada na porta, pálida – e fitando-o intensamente.

"O que está fazendo de pé?" ele repreendeu antes que pudesse se controlar.

Ela piscou e, ignorando-o, disse: "Eu não consigo acreditar que você está aqui, na minha frente, do outro lado do país."

Sasuke rolou os olhos e depois de diminuir a intensidade da chama do fogão, foi até ela, dizendo a si mesmo que o burburinho no seu estômago ao seu aproximar daqueles olhos verdes era apenas fúria. "Volte para a cama."

Ela encarou-o, parecendo surda á tudo o que ele falava. "Empunhou a sua espada para mim."

"Eu disse para voltar para a porra da cama!"

"Não me quer aqui, Sasuke, na sua casa?" ela perguntou, alheia à irritação dele. "Você quer que eu me vá?"

"Eu quero que você volte para a cama!" ele rugiu. Não conseguia entender o porquê de tanta raiva, de tanta fúria, muito menos para quem ela era destinada – se para si, ou para Sakura.

Ela não respondeu. Olhou-o dentro dos olhos por instantes tensos em que ele bufava, o sharingan dele ativando e desativando, como se ele não tivesse controle sobre o seu próprio corpo. As mãos dele estavam fechadas ao lado dos quadris.

Com lágrimas a embaçarem a sua visão, Sakura assentiu com a cabeça e refez o seu percurso de volta para o quarto, deixando o seu antigo companheiro de time parado na porta da cozinha.