Escrever essa fic está se mostrando mais desafiador do que pensei. Mesmo estando apenas no segundo capítulo, minhas ideias para que ela tenha uma abordagem mais séria e até um pouco mais pesada estão transformando isso em uma experiência cabulosa. Pra quem fica de "mimimi escreve logo o próximo capítulo mimimi", eu já vou avisar: eu vou sim demorar para escrever alguns capítulos.

Não pretendo escrever de forma acelerada se isso vai prejudicar a qualidade da história, e quero que essa fanfic saia boa, na medida do possível, e que agrade os leitores. Não vou prometer nenhum prazo, por que ainda não estou de férias e essa história está exigindo muita pesquisa e um tempo que ainda não tenho livre.


Capítulo 02 – Nada mais

O sol que surgia entre as nuvens espessas e pesadas parecia mais frio que o próprio gelo naquela manhã.

Não nevava havia mais de uma semana, mas as terras de Odin pareciam mais gélidas do que durante qualquer tempestade.

Não havia neve sobre os galhos retorcidos das árvores.

Uma névoa se espalhava.

Mais fria, mais densa. Mais ao longe.

Diante desta, as sombras dos troncos pareciam formar faces humanas distorcidas. Tristes, angustiadas, algumas desesperadas. Havia aquelas que pareciam até chorar aos prantos. Os galhos eram sombrios adornos. Braços macabros e longos, retorcidos. Tão triste, angustiados ou desesperados quanto os rostos disformes.

Pelas terras geladas, ó ao longe. Vem correndo uma bela jovem.

Correndo entre as árvores de aparência quase disformemente humana, como elas pareciam tristes. Como ela parecia desesperada.

Ó, o desespero, o desespero. Vejo estampado o desespero em sua face.

Como correm suas antes delicadas pernas. As quedas passadas em sua fuga desesperada lhe roubaram a beleza.

Antes tão brancas, agora eram maculadas pelo sangue rubro.

Ó, pobre donzela. Moça tão doce. Nunca viu mal, nunca causou mal.

Ó, pobre donzela. Desespero, agora só conhece desespero.

Pobre donzela. Pobre donzela. Apenas uma singela camponesa.

Ó, ao longe. Que círculo negro é aquele avisto?

Ó, pobre donzela. Foi tão grande teu assombro ver tal negrume sobrepujando a neve alva? Ou suas fragilizadas pernas já não suportavam mais seu próprio peso?

Julgo ambos. Pareço certo, não?

Desespero estampado em sua bela face. Posso ver a mais pura angústia também?

Caem-lhe muito bem, pobre donzela.

Julgo-me apaixonado, quem diria, ó pobre donzela. Tão breve, tão efêmero.

Mas já disse o corvo: nunca mais.

O sangue jorrou. E nada mais.


Foi bem difícil ter uma ideia de como escrever esse capítulo. Eu já tinha noção do que iria acontecer, mas a forma de escrita estava se mostrando um parto.

Queria algo pra ler e me inspirar, então pedi opinião do meu irmão. A resposta foi rápida e tão óbvia que me espante de não ter lembrado de primeira: Edgar Allan Poe. Por Arceus, como fui esquecer do fantástico Poe?!

Li O Corvo, traduzido pelo Fernando Pessoa, o que acabou dando ao texto, no final pelo menos, um ar poético. Adorei, mas infelizmente acho que não será possível manter isso ao longo da história. (chateada)

Além de Poe, meu irmão também citou um texto e contou uma parte de uma história de Charles Dickens. Me ajudou tremendamente a escrever esse segundo capítulo.

Resolvi fazer uma pequena homenagem ao poema O Corvo no final, já que ele foi uma ajuda tremenda. E ao meu irmão também, que sem ele acho que esse capítulo não teria saído xD

Também queria agradecer a Kin-chan, essa linda, que sempre me apoia e está me ajudando muito com essa fanfic. Te amo, sua Espeon linda!