Nota: Os personagens de Saint Seiya não me pertencem, pertencem ao mestre Masami Kurumada e empresas licenciadas.


O Leo é da Sah! O Leo é todinho da Sah, nessa data querida e... Já passou o dia né? Ah, mas essa fic continua sendo um presente pra vc miga!

Parabéns de novo Sah! XD

Como diz a pequena Eliza de Fullmetal Alquimist, quando mais se desejar felicidades e parabéns melhor! Mais chances de seus votos de felicidade e desejo darem certo... rsrs

Ah, mas você é 'boazinha' né Sah? E duvido que não de um pedacinho do Leo pra quem também gostar de... Um grego lindo, sarado e bronzeado que nem ele (detalhe: eu tb gosto! Quem num gosta... XD), então...

Uma boa leitura a todos!


Águia sem Asas

Capítulo III: Uma promessa

Um par de olhos castanhos e atentos observava a figura deitada confortavelmente sobre a cama. As mãos atrás da cabeça, e uma das pernas levemente flexionada. Fazia tempo demais que ela estava naquele estado de torpor cego, surdo. Mudo. Seu corpo estava ali, mas seus olhos cobertos pelo metal frio da máscara provavelmente estavam muito longe dali, pensou o garoto. Era jovem, mas não era burro. Sabia que algo atormentava os pensamentos da mestra.

Tinha até uma vaga idéia do que fosse, mas...

-O que foi Seiya, não consegue dormir? –indagou Marin sem deixar de fitar o teto e tão pouco mexer um músculo sequer, permanecendo como uma estátua viva sobre a cama.

-Eu fiz... Algo errado? Eu; o garoto ponderou ao ver a amazona virar a cabeça para fita-lo do outro lado do quarto em sua cama. –Desde que você chegou que está desse jeito calada e... A minha comida tava ruim demais ou...

-Seiya; Marin cortou o discípulo que gesticulava com ambas as mãos de forma displicente. –Apenas feche os olhos e durma! Amanhã teremos uma dura rotina de treinos ou será que se esqueceu? –a ruiva completou indulgente após aquele leve tom de reprimenda.

-Acho que você brigou com o seu namorado, isso sim e...

-O que disse? –Marin imediatamente se empertigou e se sentou, vendo o garoto se enrolar nas cobertas e tão logo lhe dar as costas.

-Tem razão já é tarde. Boa noite Marin! –Seiya rapidamente escapou da pergunta e se cobriu até a cabeça. Não estava a fim de cumprir mais uma série de abdominais àquela hora da noite.

Marin suspirou.

A quem estava tentando enganar?

A si mesma? Se nem sequer conseguia esconder a sua inquietação de uma criança?

Mal havia conseguido comer aquela noite e tão pouco o banho frio que tomara apagara o rastro de fogo deixado pelo toque do leão. Ainda conseguia sentir sua boca, sua pele dourada e o calor de seus braços a envolvendo daquela forma deliciosa mais cedo. Aquilo fora um erro, e erros não devem se repetir, mas...

Queria ardentemente errar mais uma vez...

Droga! O que estava acontecendo consigo afinal? A onde estava a Marin ponderada? Servil as regas? A amazona? Por que era isso o que era, uma amazona e amazonas não podem simplesmente se entregar à sentimentos como aquele. Uma amazona não tem coração. Mas o seu batia acelerado dentro do peito querendo de todas as formas lhe alertar que antes de ser uma amazona era uma mulher.

Realmente não ia conseguir dormir aquela noite.

À passos leves a amazona calçou os sapatos e saiu de casa, mais uma vez sem um rumo específico. Deixaria que a lua e as estrelas a guiassem sob sua claridade fria.


O brilho prateado da lua cobria não só o Santuário e seus arredores e sim toda Atenas. Era magnificamente perfeito, uma claridade pálida e fria naquela noite quente. Dali de cima, da encosta, podia ver todo o esplendor daquele lugar banhado em prata. Ao longe o grande relógio de fogo, os templos zodiacais. A praia. Toda aquela beleza milenar era bela aos olhos, mas ao mesmo tempo sufocante. Suas leis severas, punições e regras a seguir faziam com que toda a sua beleza se resumisse a um cárcere incontestavelmente belo e nada mais. Até mesmo aquela sua observação silenciosa era algo proibido.

Seus olhos fitavam a tudo aquilo com um olhar quase que melancólico. Aquele lugar era a sua gaiola e mesmo agora que se sentia livre pra sentir a brisa do vento roçar em suas asas, elas não faziam qualquer esforço para alçarem vôo.

Havia se esquecido. Não tinha mais asas. Elas foram destroçadas quando se viu separada do irmão e mandada pra muito longe de tudo o que conhecia para se tornar o que era: uma amazona.

Sem ao menos perceber seus olhos pousaram sobre um determinado ponto especifico do vaivém de escadas das doze casas. Doze templos, construções milenares e belas, mas... Porque somente uma chamava a sua atenção? A quinta casa, a Casa de Leão? Não havia vindo até ali com o intuito de esquecer tudo aquilo? De esquecer-se dele?

Era uma batalha perdida aquela que travava.

Jamais iria esquecê-lo e tão pouco o quão bom havia sido ser beijada por ele...

-Marin...

O soar daquela voz grave trazida com o vento a fez estremecer. Seria mais um doce devaneio da noite a lhe atormentar? Não ousou se voltar para trás, pois sabia que era ele. Podia sentir o calor de seu olhar mesmo que não o visse.

Aiolia se aproximou.

Já fazia alguns instantes que contemplava a figura solitária da amazona em frente à encosta. Tal qual a si, agora ela vestia apenas suas roupas de treino. Seus olhos atentos não puderam deixar de perceber tal fato, diante das curvas perfeitas da amazona a se insinuar por debaixo da malha colada de suas vestes. Seus ombros delicados e alvos estavam ainda mais brancos sob a claridade de prata da lua, em contraste quase gritante com o maiô negro e os cabelos flamejantes.

Era linda demais e jamais se cansaria de contemplá-la.

Quando estava à dois passo dela porem, a amazona se voltou para trás e o brilho quase que vítreo do metal que lhe cobria, pareceu cegá-lo. Aquela maldita máscara mais uma vez cobria o seu belo rosto, sua boca a qual havia tanto gostado de beijar.

-Por que está usando essa coisa de novo? –ele indagou antes de proferir qualquer outra coisa. Era visível o seu olhar de reprovação.

-Por que é a regra; ela respondeu com simplicidade.

-E você se importa tanto assim com essas malditas regras? –Aiolia se conteve para não gritar de indignação.

Havia sido arrastado até ali por uma força invisível que agora sabia provir dela e ela lhe retribuía com um olhar que não podia decifrar se frio ou não? Odiava aquela maldita máscara com todo o seu coração.

-Sou uma amazona Aiolia.

-E quer ser uma exemplar, é isso? Cumprir todas as regras idiotas impostas a vocês? –o tom do cavaleiro era ácido de tanto sarcasmo, mas se intercalava com a indignação que lhe feria o peito. –Então pretende me matar também?

-Sabe que eu não posso; o sussurro triste da amazona acalmou em partes a ira do leão.

-Vai me amar então? –ele indagou com um olhar intenso fazendo-a dar um passo para trás.

-Aiolia...

-Eu não quero ter de sujeitá-la a nenhuma das duas coisas, mesmo que a segunda opção seja algo que eu deseje do fundo do meu coração.

Marin recuou mais um passo. Não podia mais recuar nenhum, a não ser que quisesse se esborrachar lá em baixo. Estava presa, sem ter pra onde fugir diante daqueles olhos sobre si. Quando os dedos dele tocaram em seu rosto, tocaram o pedaço de pele exposto fora da proteção da máscara, Marin sentiu mais uma vez aquele conhecido arrepio subir por suas costas. Ele queimava como o fogo. Ao mais simples toque dele sentia sua pele arder e desejar ser tocada por ele.

Mais uma vez aquele conhecido 'clique' fez com que o frágil pedaço de metal se soltasse nas mãos do cavaleiro. Seus olhos imediatamente se fecharam tal qual da primeira vez que tal gesto fora feito. Mais uma vez sentia a brisa suave do vento tocar em sua pele, acarinhá-la com a sutileza de um amante devotado. E era muito bom sentir aquilo. Seus cabelos flutuaram de encontro à encosta, seus braços se arrepiaram com o frio noturno. Mais uma vez sentia-se livre.

-Linda; Aiolia sussurrou com um olhar embevecido enquanto deixava cair no chão a máscara que tinha em mãos. Largou-a para acariciar o rosto pálido da amazona. Não deixaria que o vento continuasse a acariciá-la ao invés de si. –Você é linda Marin... Não tem porque esconder a sua beleza.

-Aiolia, eu; Marin suspirou tocando gentilmente a mão grande que a acariciava tão ternamente.

-Eu quero te beijar... eu quero te tocar como fiz mais cedo, mas não quero de forma alguma obrigá-la a tal coisa somente porque vi o seu rosto. Eu abomino esse maldito dogma das amazonas; ele completou e por alguns instantes seus olhos cintilaram aquele mesmo brilho de fúria contida. O leão se controlava para não rugir.

-Eu não posso; ela sussurrou desviando do toque dele. –Eu não posso Aiolia...

-Não pode por quê? –ele indagou vendo-a dar-lhe as costas e fitar a paisagem além da encosta. –Eu sei que você não me é indiferente...

Marin se arrepiou inteira como se uma corrente elétrica houvesse atravessado todo o seu corpo. Aquele sussurro ao pé do ouvido e o toque carinhoso das mãos dele em seus braços a haviam feito fraquejar ao ponto de suas pernas bambearem de encontro ao chão. Os dedos dele faziam movimentos cadenciados de vaivém sobre sua pele, sobre seus braços agora jaziam completamente inertes e entregues à sua doce caricia.

-Eu sinto sua pele queimar; ele completou roçando os lábios contra a tez desnuda de seu pescoço. –Sua pele anseia ser tocada, tanto quanto eu anseio em te tocar...

-Aiolia...

-Eu senti isso quando te abracei aquele dia na praia. Senti quando a beijei mais cedo e; ele ponderou por fim completando o ato que tanto ansiava completar: beijou a curva suave do pescoço da amazona. –Eu sinto a mesma coisa agora.

Marin não conteve um fraco gemido ao senti-lo a abraçar por trás, seus braços fortes envolverem possessivamente a sua cintura. Resignada repousou a cabeça contra o peito largo e musculoso do cavaleiro. Adorava o seu calor e não seria capaz de rejeitá-lo. Jamais. Aiolia repousou um beijo suave sobre a têmpora da amazona, sob seus cabelos e mais uma vez sobre seus ombros para então apoiar o queixo sobre aquela curva suave.

-Eu quero te amar Marin. Sou livre pra te amar, porque não pode ser livre pra me amar também?

-Sou uma amazona; ela murmurou com tristeza diante daquela indagação bela e ao mesmo tempo triste. Lhe enchia o peito de alegria e ao mesmo tempo de tristeza. Era algo impossível.

-É uma mulher; Aiolia respondeu de imediato apertando-a ainda mais contra si, como se quisesse lhe dizer isso através de seu toque também.

-Uma mulher que não é livre, muito menos para pensar em si mesma antes de pensar em seus deveres; ela respondeu e então se afastou-se dele para fita-lo nos olhos. –Sou uma amazona.

-Uma amazona também tem o direito de amar; ele revidou sustentado o seu olhar triste.

-Não quando ela tem a árdua tarefa de se mostrar não boa e sim excelente a olhos alheios, para que então quem sabe alcance algum respeito a onde vive.

-Fala da Shina e dos; Aiolia começou, mas não terminou.

-Essa é a minha chance Aiolia, agora que tenho a tarefa de treinar um discípulo posso fazer dele um cavaleiro de verdade e então provar a todos aqui que sou tão boa amazona quanto mestra. Somente uma excelente amazona seria uma boa mestra; ela completou.

-E o que isso tem haver com nós dois?

-Não compreende? –ela indagou diante da dúvida sincera que via pairar nos orbes esmeraldas do cavaleiro. –Me entregar ao que sinto por você nesse momento, seria enfraquecer essa parede sólida que pretendo construir treinando o Seiya. Quero que me vejam como alguém temida como a Shina, intocável, indestrutível, como uma amazona de verdade e não como alguém fraca e a 'amazona que se tornou amante de um dos Cavaleiros de Ouro'. Sabe o que isso significa? Dedos me apontando e dizendo que sou uma tremenda espertalhona. Se deitar com um dos homens que alcança o maior posto nesse lugar poderia elevar o meu 'status'. É isso o que iria ouvir e não quero; ela completou.

-Sabe que não a quero dessa forma vil; Aiolia respondeu sério. –Não desejo apenas o seu corpo; ele completou.

-Eu sei, mas os demais não. Os demais pensam que qualquer mulher nesse lugar deseja ser amante de um dos Cavaleiros de Ouro, seja ela amazona ou não, visando única e exclusivamente o posto que ele tem e com isso conseguir alguma regalia aqui. Podem até dizer que consegui a permissão de treinar um discípulo graças a sua intervenção junto ao Grande Mestre; ela completou.

-Quem seria o pústula a dizer tal coisa? –Aiolia indagou entre dentes e com os punhos cerrados, mais uma vez contendo a fúria.

-Infelizmente muita gente Aiolia; Marin respondeu com tristeza. -Muita gente poderá fazer esse pré-julgamento inclusive as próprias amazonas, já que aquelas que realmente honram o seu posto jamais sucumbiram a quem quer que fosse, nem mesmo ao pedido silencioso de seu coração. Uma amazona não tem coração; ela baixou a cabeça sentindo um nó subir a sua garganta.

-Mas você tem; Aiolia abrandou o tom de voz e tocou se queixo com a ponta dos dedos fazendo-a fitar-lhe nos olhos.

-Tenho; ela respondeu.

-E ele...

-Ele é seu; Marin completou a frase dele. –Mas não o posso te dar nesse momento, não enquanto não conseguir provar o meu valor como amazona e como mulher.

-E depois?

-Depois? –ela indagou.

-Depois que conseguir isso tudo?

-Não será um dia, um mês e sim anos Aiolia; Marin respondeu ao entender a onde ele queria chegar. Não podia exigir isso dele, fazer com que esperasse por ela durante anos.

-Você não me respondeu; ele sorriu enrolando sutilmente uma madeixa flamejante dos sedosos cabelos da amazona entre os dedos. –Depois, quando esse garoto se sagrar cavaleiro e partir daqui levando os seus ensinamentos e a prova de que é a melhor amazona desse Santuário; Aiolia ponderou. –Depois disso tudo, estaria finalmente livre pra ser minha?

-Estaria; ela respondeu vendo-se refletida do interior daquelas íris intensas a sua frente.

-É uma promessa? –Aiolia indagou fitando-a intensamente como se fosse a ultima vez que veria aqueles olhos azuis.

-Sim, é uma promessa.

-Seis anos mais tarde, nesse mesmo lugar...

-Eu prometo.

Continua...


N/A: Gente... não me matem tá? vi pelos reviews passados que a maioria gostou do super bju do 'Leo predador' e... Agora isso? Sei, vcs devem estar querendo me tacar pedras, mas esperem e verão que a espera será 'recompensada'... rsrs

Sei lá, eu acho que o treinamento do Seiya - lembrem-se é o Seiya, uma espécie de Naruto... rsrs - deve ter ocupado demais a vida dela e se envolver com o Leo agora poderia de certa forma 'atrapalhar'. Não se esqueçam que - pelo menos aqui nessa fic - ela tem aquela sensãção de cumprir um dever: Provar que é uma amazona de verdade! Se bem que eu acho que de fato a Marin passou por isso.

Enfim, no mais agradeço a todos os coments do capítulo passado:

Leo no Nina: Valeu pelo coment super gentil e pode deixar que vou encher os dois de chocolate até se for o caso... Quero muito açúcar! rsrs. Quanto ao sentimento dos dois, como transmitir isso no papel é simples: "Se ponha no lugar do personagem quando for escrever!"

Uma pessoa muito querida e talentosa já meu essa dica uma vez, a Julie Chan!

Sah Rebelde: A aniversariante! Que bom que curtiu o cap, fico muito feliz em ouvir isso! Deu pra se sentir a Marin? rsrs. E nossa, 18 anos? Novinha vc... rsrs

Analu-san: Gostou do Leo 'tigrão' quer dizer Leão... rsrs. Sim, o Leo é o predador e a Marin tá doida pra ser a presa, mas não é tão simples assim né? Aquelas malditas leis do Santuário... Espere e verá!

The Blue Memory: Oi linda! Q bom que gostou do cap, fico muito feliz em saber disso, só que... Quer mesmo me matar de curiosidade é? Cade o 'meu' Sessy? Epa... melhor desviar das pedradas das milhões de fãs do yokai mais lindo do planeta... rsrs

Obrigada mesmo garotas por todo o apoio!

Bjus e tudo de bom pra vcs!