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Era um sábado gelado, mas ainda assim todos os alunos haviam ido para Hogsmeade, o que era legal, porque Lily ficava com o castelo só para ela, sem a barulheira daqueles alunos. Naquele dia em particular, ela dividiria o castelo com seu professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, que saiu da cozinha carregando uma cesta de piquenique, o que era de longe, a melhor maneira de aproveitar um sábado gelado.
Ele a guiou pelos corredores até chegar as escadas. Os dois subiram até o sétimo andar, passaram reto pelo quadro da mulher gorda e continuou andando até chegar em um corredor vazio. O estomago de Lily embrulhou quando ela pensou no que poderia acontecer.
— Já fez um piquenique, Lil? — perguntou o professor. Ela fez que sim com a cabeça. — Você vai gostar disso.
E então uma porta apareceu no meio da parede, onde Lily jurava não ter nada. James abriu a porta e quando entraram Lily pensou que tivessem saído do castelo, mas o lugar era quente. Parecia um jardim. Grama verde, arbustos com lírios, uma fonte bem no meio. James passou a frente de Lily e aonde ele parou, uma daquelas toalhas de piquenique se materializou aos seus pés. Ele sentou e colocou a cesta encima da toalha.
— Vem, Lil — chamou e bateu no chão ao seu lado para que se sentasse. Lily caminhou até ele sentou-se um pouco afastada. Ele tirou algumas coisas da cesta e colocou na toalha. — A escola está quieta para um sábado, não?
— É dia de passeio a Hogsmeade — ela explicou.
— É? E você não foi por minha causa?
— Eu pretendia passar o dia na biblioteca de qualquer jeito — respondeu dando de ombros e pegando um morango de um pote.
— Por que não saiu com um garoto ou com as suas amigas?
— Hã… Alice saiu com o namorado dela e Marlene tinha um encontro.
Ele fez sinal que iria perguntar outra coisa, mas desistiu.
— Sou um professor desenformado — ele disse. Lily riu. — E você? Não tem nenhum namorado ou coisa do tipo?
— Não, muito obrigado. Garotos geram problemas — ela respondeu como sempre respondia a todos que perguntavam. Ele riu.
— Garotos geram problemas?
— Ah, sim, sabe, eu tive alguns namorados, mas nada muito produtivo, então decidi me abster até encontrar alguém… certo.
— Uma teoria interessante. Eu tinha uma namorada antes de entrar aqui, mas ela ficou com ciúmes das garotas da escola e então terminamos — contou ele.
— Que bobeira — disse Lily.
— Exatamente o que eu penso. Sabe que uma vez eu realmente gostava de uma garota, eu tinha uns quinze anos e ela era a garota mais brilhante do meu ano. Tão brilhante quanto você, na verdade. Ela era inteligente e intelectual, mas tinha um jeito charmoso e era extremamente extrovertida, bem como você — ele deu um meio sorriso. — E eu era um moleque imaturo, que só aprontava e azarava o melhor amigo dela. Ela me odiava, mas depois de um tempo ficamos amigos e com o tempo começamos a namorar, mas eu tinha muito ciúmes dela sabe? Então, quando acabou a escola ela foi embora, dizendo que não suportava meu ciúmes.
— Deve ter sido péssimo — ela disse, sem jeito. Nunca que imaginaria que sua aula de DCAT acabaria assim; em um piquenique com James Potter, conversando sobre seus ex.
— Foi sim, mas eu consegui fazer com que ela voltasse comigo e nunca mais fui ciumento, mas então… bom, estamos em guerra e ela era nascida trouxa. Eu estava visitando meus pais na Irlanda e ela morava em Londres com os pais dela. Ela me mandou um patrono pedindo ajuda e então eu peguei uma chave de portal até Londres e aparatei na casa dela, mas já era tarde demais. Ela era um só defendendo a família de um monte de comensais. Tinha um bilhete lá, endereçado a mim, dizendo que eu perderia tudo e então quando voltei na casa dos meus pais… bem. Foi horrível, na verdade e eu não devia ter contar isso.
— Tudo bem, eu entendo sabe. Meus pais foram assassinados por Comensais, acho que ninguém entenderia a dor que isso significa e acho que a sua namorada foi bem corajosa, eu não duraria nem um minuto contra eles.
— Quando você sair da escola a guerra já vai ter acabado — ele assegurou.
— Eu queria parar a guerra, não ver ela sendo parada — respondeu Lily.
— Você é corajosa, Lil — ele disse sorrindo.
— Eu me lembro de você na escola e de como vivia correndo atrás de uma garota — falou ela, um pouco encabulada. — Era ela, não era?
— O nome dela é Joanne — contou ele.
— Ela era monitora e me ajudava com poções no meu primeiro ano — contou ela a ele. — Ela era muito bonita.
James sorriu para Lily.
— Diziam que nós éramos irmãs, por causa do cabelo ruivo — lembrou, sorrindo.
— Eu já preguei uma peça em você, porque a Jo só tinha tempo para estudar com você — ele contou, corando.
— Foi você que pintou meu cabelo de azul? — perguntou Lily, chocada. Ele deu um sorriso amarelo. — Oras, seu… Ah, ok, desculpe, professor.
— Me chama de James — ele pediu. A ruiva o encarou. — Eu fiz o seu cabelo ficar azul, acho que você tem o direito de me chamar pelo nome.
Os dois riram.
— De qualquer jeito, quando ela descobriu que foi eu, brigou comigo e passou o tempo todo com você.
— Que bom que você se arrependeu.
— Não me arrependi. Mas fiquei bravo com ela.
— Você era um horror!
Ele riu.
Quando Lily perguntou sobre a aquele lugar, James explicou se chamar Sala Precisa. Tudo o que é preciso fazer é passar por ela três vezes pensando no que mais as pessoas precisam e a sala se transforma no que elas querem. James desejou um bom lugar um piquenique e então apareceu um lindo jardim.
— É bom quando você quer ficar sozinho com alguém — ele explicou.
Conversaram por muito tempo. Eram quase três da tarde quando saíram da sala.
— Vou ficar aqui — falou Lily, parando em frente ao quadro da mulher gorda.
— Então, até mais, Lil.
Ele se aproximou para beijar sua bochecha, no mesmo momento que Lily ergueu a mão. Os dois se encararam um pouco desajeitados e deram risadas sem graça.
— Até mais, James.
E então, ele fez o que Lily menos esperava, se aproximou, deixando a distância entre eles nula, segurou o seu rosto e depositou um leve beijo nos lábios da garota. Lily ficou paralisada e observou enquanto o professor se afastava rapidamente.
Ela continuou lá por alguns minutos até sentir uma mão segurando seu braço. Ela deu um pulo ao ver Marlene. Ela estava com Mark Johnson, o garoto que ia sair. O encontro deve ter sido bom, porque ele estava com o braço pelo ombro dela.
— Lily! — chamou ela.
— Ah, Lene…
— Você estava com o Sr. Potter? Nós acabamos de vê-lo parado nas escadas. Parecia um pouco nervoso.
Lily deu um pequeno sorriso e soltou um risada.
— Lene! Ai meu Merlin! Marlene! — ela puxou Marlene pelo braço e a arrastou pelo Salão Comunal. — Eu já devolvo ela, Mark!
Quando chegaram no dormitório vazio, Lily fechou a porta e se virou para Marlene.
— Ele me beijou! — disse.
— Ai meu Merlin! Lily!
— Eu sei, eu sei. Lene, ele me beijou. O professor Potter me beijou! Santo Deus! Marlene! Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus! Ele me beijou!
As duas começaram a pular dando gritinhos e rindo.
— E como foi? — perguntou Lene, se acalmando. As duas sentaram na cama e Lily contou sobre os acontecimentos daquela manhã. Quando terminou, Marlene estava de boca aberta. — Ai meu Merlin!
— Eu sei! Mas foi estranho, ele falando de Jo Bennett — comentou encabulada.
— Eu me lembro dela. Na nossa primeira briga ela que nos fez voltar a se falar — disse Lene sorrindo.
— É, mas sei lá, pareceu que ele me comparava com ela em tudo.
— Como assim?
— Ela era uma nascida trouxa, ruiva e tão brilhante quanto eu. Palavras dele.
— Que cara estranho. Quando você quer pegar uma garota não devia falar da sua ex! — disse Lene. Lily riu.
— Marlene!
— Qual é? Vai dizer que vocês não pretendem se pegar loucamente a partir de hoje?
— Não pensei nisso, na verdade.
Lily ficou encabulada com o pensamento. "Se pegar loucamente" com um professor não estava nos seus planos. Mas aquele não era um professor qualquer; era James Potter! O melhor e mais gato professor de DCAT! Perto dele nada era errado, mas o pensamento de que ela, não ele — mesmo ele tendo a beijado — estava errada. Ela sabia que aquele pensamento a perseguiria por muito tempo antes de encontrar uma solução, então apenas respondeu o sorriso malicioso de Marlene com uma risadinha e um movimento de indiferença.
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Meus caros leitores,
é com grande tristeza que falo que o capitulo anterior não recebeu tanto Reviews quanto eu imaginei que receberia, uma pena, realmente, mas ainda assim, obrigado pelos comentários pessoas lindas que mandaram!
Eu reparei que esse capitulo estava minúsculo, então pensei em dar uma aumentada. Acrescentei algumas coisinhas, nada demais, pois o capitulo ainda está pequeno.
Lembrando que o próximo capitulo pode ser maior, dependendo das Reviews que mandarem!
Não deixem de ler 'Reunião da Família Weasley', uma fanfic curtinha que escrevi sobre a Segunda Geração, quem quiser ler, está no meu perfil.
O próximo capitulo sai no sábado!
Beijos!
