Capitulo 3 – Mudança

Aoi acordou com o balanço do caminhão naquele dia. Ele balançava muito em quanto passava por uma estrada de terra.

-Ai... –murmurou ela, esfregando a cabeça que havia batido no chão.

-Não reclame, Aoi. Estamos saindo daquela cidade e indo para outra muito diferente. –falou Nyanko, de cima de uma caixa.

-Eu sei, Nyanko-sensei. –falou ela. –parece animado para chegarmos a essa cidade. –notou ela.

Nyanko deu aquela sua risadinha estranha, então falou.

-Tem razão, eu estou.

-Por que?

-Aquela é a cidade que os Fujiwara moram... Os Fujiwara eram quem cuidavam do seu pai quando ele e eu nos conhecemos.

-Eles ainda estão vivos? –perguntou Aoi, surpresa.

-Sim, apesar de serem bem velhos agora. Ah, como eu sinto falta da comida da Touko...

Aoi riu e acariciou a cabeça de Nyanko.

-Acha que podemos visita-los?

Nyanko a olhou por alguns segundos.

-Talvez, lá é um grande campo, e seus tios parecem querer que você passe muito mais tempo fora de casa, então acho que poderíamos fazer uma visita para eles. E talvez para alguns amigos do seu pai.

-Amigos dele, hã? –ela sorriu. –Obrigada, Nyanko-sensei.

-Há! Só estou fazendo isso por causa do selo do seu pai. Ele me impedirá de pegar o Yuujinchou até você morrer.

Aoi pegou o livro que carregava na bolsa.

-Sei... –ela sorriu. –Quem sabe eu consiga devolver todos os nomes até lá. Haha.

-Se você fizer isso, eu vou te comer. –falou o gato mal-humorado.

-Ah, que medo. –riu Aoi. Então ela sentiu o caminhão parar. –Chegamos.

Nyanko entrou na sua mochila (como ela não rasgou eu não tenho ideia cara...), Aoi mudou o olhar de diversão para um vazio.

A porta do caminhão foi aberta e seu tio olhou mal-humorado para ela.

-Descarregue as caixas, sua peste. –rosnou ele.

Nyanko silvou para ele, que se encolheu, Aoi, no entanto tocou a cabeça do gato e olhou para o tio, ainda sem emoção.

-Sim senhor, tio. –falou ela.

O Tio olhou para ela, depois para o gato e saiu correndo.

-Você tem que parar de ser submissa assim garotinha. –falou Nyanko. –Ele só vai se aproveitar de você assim.

Aoi deu se ombros.

-Eu já passei cinco anos recebendo ordens e sendo estuprada por aquele monstro. –falou ela para o gato. –Eu conheço ele mais do que ninguém, em sua personalidade. E não quero que ele faça alguma coisa com você, Sensei.

Ele ficou quieto depois dessa. Aoi levou quase cinco horas tirando e levando caixas do caminhão para a caixa, de modo que quando terminou já era hora do almoço.

-Vá para o seu quarto, peste. Não temos comida para você. –falou o tio, quando ela descarregou a ultima caixa.

Aoi olhou para ele, sentindo o estomago doer de fome, e, em seguida subiu as escadas sem uma palavra.

-Eu também estou com fome, Aoi. Preciso comer alguma coisa. –falou Nyanko. –Aqui tem uma boa loja de Manjus, em Nanatsujia.

-Manjus?(Nota: Manjus são bolinhos de passas) Isso é bem caro, Sensei...

-Então por que não vamos à casa dos Fujiwara? Eles são muito gentis. Tenho certeza que você pode comer alguma coisa lá.

-Boa ideia. –falou ela, pensando um pouco nisso. Olhou para suas próprias roupas, gastas e velhas. –Yare... Não tenho outra roupa limpa, vou ter que ir com essa mesmo.

-Eles não vão ligar para o que você está vestindo, Baka. –falou Nyanko.

Aoi sorriu brevemente e tristemente para Nyanko. Depois de tantas experiências ruins com adultos na outra cidade, ela não tinha tanta certeza.

-Muito bem, vamos... Deixa eu só pegar uma coisa. –falou ela. Ela pegou sua caixa, a única com suas coisas. Fuçou lá durante alguns segundos e pegou alguma coisa, que ao olhar a fez sorrir. Guardou no bolso do casaco que usava e se levantou. –Vamos.

Nyanko pulou em seu ombro.

-Vamos, eu vou te mostrar aonde é.

Aoi sorriu e desceu as escadas.

-Vou sair para caminhar. –avisou ela, colocando os sapatos. Ela sabia que nem seu tio ou tia se importavam se ela ia sair para caminhar ou roubar o banco, mas fazia isso por educação. Em seguida ela saiu, sem ouvir resposta para seu aviso.

Tanto faz. Falou ela em pensamento.

-Pra que lado vamos, sensei?

-Por ali. –apontou.

Eles andaram por algum tempo, quase meia hora, até que chegaram a uma casa antiga, mas, que por alguma razão fez Aoi sorrir.

-Ela continua a mesma de sempre. –murmurou Nyanko.

Aoi olhou para ali e tentou imaginar o pai andando por ali, e isso vez ela se sentir triste de repente, então ela logo apagou esse pensamento da cabeça.

-Que cheiro bom... –murmurou ela. Entrou no terreno da casa e bateu na porta, sentindo um frio na barriga. –Droga... Estou ficando nervosa.

-Não se preocupe, são boas pessoas. –falou Nyanko, fechando os olhos pela preguiça.

Aoi ficou quieta esperando. Não demorou muito para ela ouvir um "Já vai!" de uma voz feminina.

Quem abriu a porta era uma velha, que tinha um sorriso amável.

-Ora... Nunca te vi por aqui. –falou ela, amigavelmente.

-H... Hai. –gaguejou Aoi, nervosa. –Sou nova por aqui, meus tios se mudaram e eu vim junto... Decidi fazer uma visita por que disseram que meu pai morou aqui quando era jovem.

-Seu pai...? Takashi-kun?! –exclamou ela. –Você é a filha dele? Oh, querida... Ele me contou que tinha tido uma filha por carta, mas, cinco anos depois eu parei de ter noticias dele... Ele está bem, querida?

Droga... Ela não sabe...

-Gomem... Fujiwara-san... Mas meu pai... Natsume Takashi...

O tempo pareceu parar, nenhum som era ouvido, de pássaros, vento ou pessoas. Apenas a voz de Aoi, com uma dor tão profunda que quase fez o coração de Touko parar.

-... Morreu.