Discleimer: Eu não posso Yu Yu Hakusho, e nem essa música fenomenal de Ina Wroldsen
Mother
Ina Wroldsen
Mother, I have gone astray, oh
I'm sorry, but I've lost my way, oh
Everybody knows my name here
But nobody really knows me, oh
If I close my eyes real tight
I can see what might have been
If I turn out all the lights
I can sit and just pretend
Mother, I'm afraid to fall, oh
I don't know who else to call
I wanna come home
I wanna come home
Where the streets lead back to where I'm born
Where my feet feel steady on the ground
I wanna come home
Mother, can you take me home to you?
Mother, can you take me home to you?
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Nina chegava do plantão de 12 horas exausta, fora um dia bem movimentado no PS, apessar de não ser final semana quando os perigosamente bêbados para própria saúde, e os atingidos em alguma briga estão lotando ou pelo menos dominando seu ambiente de trabalho.
Era enfermeira, seu trabalho lhe consumia muito tempo e poderia ser bem estressante às vezes, mas ela amava o que fazia, poder ajudar a salvar vidas todos os dias era o que lhe movia e dava sentido a sua existência, e claro sua família.
Ela era americana, mas morava no Japão a pouco mais de vinte anos, no início viera apenas por um intercâmbio promovido pela sua universidade, não pretendia ficar definitivamente, pelo menos não até conhecer Suuichi, seu marido.
Ele era nativo, mas ao mesmo tempo, tão diferente dos seus compatriotas, e não era por ele ser ruivo e ter olhos e que olhos verdes, sim ele era reservado e poderia dizer até um pouco tímido, mas parecia ter mais idade do que aparentava, tinha aquela certa vivacidade que se adquire com os anos e a experiência, era muito educado e fluente em inglês, algo raro pra alguém que nunca saira do país até então, foram apresentados por um amigo em comum: Yu Kaito, ele era seu colega de turma e tutor na universidade, no início percebera uma certa intenção romântica vinda dele ( não só dele, muitos se aproximaram dela com o mesmo intuito, pois ela era exótica para os padrões japoneses, era nativa americana, com uma beleza singular) mas como só sentia por ele uma amabilidade reservada a amigos e decidiu deixar isso claro um dia, pois não queria magoa-lo por alimentar falsas esperanças.
Poucos dias depois ele a apresentara a Minamino, seu ex colega de classe no ensino médio e que estudava no mesmo campus... Ele estudava botânica, ela achava muito interessante a escolha de curso para um aluno de currículo exemplar e de notas perfeitas segundo Kaito, já que geralmente, os mesmos escolhiam medicina, engenharia ou direito, era algo muito específico e de personalidade... E ela gostou disso, logo se tornaram amigos, ele era fascinante, tinha uma certa áurea de mistério ao redor de si, na verdade até hoje tem e alguns amigos tinham um apelido estranho para ele: Kurama...Ela perguntara o porquê de o chamarem pelo nome de uma montanha,e ele narrou uma história bem plausível a respeito, mas ela tinha uma ponta de desconfiança sobre aquilo ser ou não verdade.
Não foi fácil eles começarem a namorar realmente, Suuichi, parecia hesitante quase como se ele estivesse a afastando dele propositalmente, mesmo percebendo seu olhar contemplativo e apaixonado sobre si. Ela sabia que ele estava apaixonado ou minimamente interessado nela, estão decidiu ser clara e direta como sempre fora e se declarou a ele deixando claro que ela sabia que ele também nutria algum sentimento por ela, não era tola afinal.
Após por ele contra a parede, ela o deixou surpreso, lembrava-se bem da expressão em seu rosto, seus olhos pareciam saltar das órbitas e seus lábios se abriram e fecharam várias vezes, antes de pronunciar qualquer palavra, conseguiu deixar o senhor-sabe-tudo sem palavras, lembrou-se divertida.
Logo começaram a namorar, a família de Suuichi era maravilhosa, ela achou que sofreria alguma resistência por ser estrangeira e de descendência indígena, mas se surpreendeu, a mãe de Suuichi era uma mulher incrível, doce e ao mesmo tempo forte e determinada, o padrasto e o irmão também foram muito receptivos.
Após se formarem foi um pulo para o casamento, alguns anos depois após ponderar por muito tempo sobre a maternidade, já que era muito comprometida com a profissão e não achava que teria tempo para uma criança em suas vidas, ela e Suuichi gostavam da vida de casal sem filhos, mas sentia que ele tinha uma certa melancolia no olhar quando via os filhos dos amigos. Então após vários anos, decidiu suspender qualquer método contraceptivo e não demorou a engravidar.
Surpreendentemente ser mãe foi melhor decisão de sua vida, ela poderia dizer o mesmo por Shuuichi, mas nos últimos tempos, enfrentaram problemas com relação à filha...Era complicado, a vida dos três virou de cabeça pra baixo em poucos dias, recordava triste a fase difícil em que sua filha entrou.
Após estar absorta nessa chuva de recordações, ela finalmente entra em casa, viviam em um bairro do subúrbio um pouco longe do trabalho mas não poderia reclamar, era um lugar tranquilo e sobretudo seguro.
Após girar a chave e entrar, Nina liga o interruptor do corredor com a cara já fechada de irritação, pois era acordado entre todos que quem chegasse primeiro em casa após anoitecer sempre deixassem a luz do corredor ligada, e já imaginava que sua filha estivesse em casa, provavelmente trancada no quarto com o som no máximo treinando alguma coreografia aleatória, mas estranhamente seu lar estava mergulhando na escuridão e no mais absoluto silêncio.
Não se dando por satisfeita subiu para o andar onde o quarto de Naru se localizava acendendo as luzes no processo, pôs a mão na maçaneta por puro aborrecimento visto que a filha insistia em ter privacidade, ela revirou um pouco os olhos e mordeu um pouco os lábios já prevendo que a porta estivesse trancada, mas para sua geral surpresa estava aberta e o quarto escuro como breu, deu alguns passos no interior do mesmo acostumando um pouco os olhos a escuridão, esperando ter o vislumbre da silhueta da menina deitada na cama, mas nada, os lençóis continuavam uma bagunça e nem sinal dela, por último ligou a luz e verificou no banheiro também com o coração já apertado no peito imaginando alguma coisa terrível mas ficou mais aliviada ao não encontrar o que sua mente traumatizada lhe sugeria.
Mas sua angústia não se afastaria por muito tempo, chamou a filha pela casa toda até o belo jardim aos fundos, local que o marido cultivara e era onde geralmente Naru ia quando estava muito chateada ou após uma discussão, coisa frequente nos últimos meses, visto que a garota andava desleixada com os estudos, se afastara do contato de amigos e colegas e andava distante.
Quando abriu a porta que dava para os fundos Nina, pode sentir o suave aroma das flores e o cheiro de terra recém molhada inundar seu nariz, era uma boa noite para tomar um chá na pequena varanda do jardim ao lado do marido e ter conversas agradáveis, mas o mesmo se encontrava viajando a trabalho.
E a filha de ambos, não estava em casa, para onde ela teria ido ? A mãe já preocupada e ao mesmo tempo chateada pelo insubordinação da adolescente, fechou a porta com força e começou a ligar para filha, mas nada a ligação só caia na caixa postal, depois ligou para a colega de turma mais próxima da filha.
Tentando manter a voz o mais contida e suave possível ela disse:
"- Alô, boa noite Naoko-san, você por acaso saiu com minha filha hoje depois da aula?...Ah sim, entendo... Eh não, tá tudo bem, ela deve ter acordado atrasada e não foi pra aula hoje, ela deve ter ido da volta na vizinhança e ainda não voltou, de qualquer forma se ela aparecer me avisa tá, boa noite"
Desligando a ligação com impaciência e já agitada, a mãe não podia acreditar no que ouvira, Naru estava gazeando aula, ela lembra bem de tê-la visto se arrumar para a escola de manhã e tomado café, mas como já estava em cima da hora de seu plantão não a vira sair… Pra onde essa menina fora? Já passava das 20:00hrs e nada de ela voltar, a mesma nem se dera ao trabalho de deixar um recado na geladeira ou na porta do quarto, ligou para casa da sogra na esperança de que a moça tivesse ido passar o dia na casa da vó o que duvidava muito, mas não poderia descartar essa possibilidade, no entanto tentou ser mais cuidadosa não queria assustar ou abalar a mãe do marido, ela já era uma idosa e tinha problemas de saúde. Mais uma vez, outra negativa, Naru não estava na casa da vó, já aflita e beirando o desespero pois a menina nunca sumira assim antes, finalmente ligou para o marido com os olhos já tão marejados que mal enxergava a tela do celular, limpou as lágrimas já escorrendo e após duas chamadas sem sucesso, na terceira ele atendeu: "- Alô meu amor, tudo bem por aí?!" Dizia Kurama saindo apressado do banho pra atender o telefone, enquanto se enrolava na toalha, no quarto de hotel, após um dia cheio no congresso. Ouvindo a voz eletrônica e distorcida da esposa, com mais alguma interferência de sua voz chorosa, ela dizia:-" Suuichi a Naru sumiu! Volta pra casa já ". Como se de repente fosse atingido por um golpe surpresa de algum inimigo, Kurama sentiu um vazio súbito no peito e praticamente escorregou na cama e reorganizando os pensamentos e tentando formular as palavras retornou: "- Como assim sumiu?! Tem certeza que ela não tá na casa de alguma amiga, ou da mamãe, ou saiu pra treinar? Meu amor, tenta ficar calma, raciocina, ela pode ter ido dar uma volta depois da aula e perdeu a hor". Cortando o marido já aos prantos, Nina dizia com a voz entrecortada entre soluços: -" Não Suuichi, nada disso, ela me enganou, fez que ia pra aula hoje mas descobri pela Naoko que ela nem chegou lá, já liguei pra sua mãe ela não apareceu lá e hoje não tem treino pra ela, querido eu tô com uma sensação ruim será que ela entrou em crise de novo e fez, fez…
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Ele era enorme, um monstro realmente, e ia devorá-la. Mas ela ia dar trabalho a ele antes disso, planejou, antes que o mesmo tomasse qualquer iniciativa, Naru, trêmula e hiperventilando pela adrenalina do momento começou a gritar a plenos pulmões. -" Socorro, alguém me ajude, socorro, Mãe, alguém pode me ouvir… Help, Can anyone hear me? Mom, Dad " Clamava a garota em genuíno desespero e angústia, se ia morrer naquele momento ia ser chamando as duas pessoas que mais amava na vida, nas duas línguas em que fora criada.
Nesse momento o homem cabra a sua frente agora com a face transfigurada com irritação e tremendo levemente as orelhas hipersensíveis, agora afetadas pelos gritos estridentes da menina, rapidamente a alcançou com o intuito de calá la mas ela resistia, bateu no seus braços sólidos como mármore, chutou suas pernas, empurrava e batia no seu peito enquanto ele tentava dominá la, aquilo não era nada para ele, era como um ser atingido por gotas de chuva, aquele ser débil não lhe infringiria dano algum, pensou, até que virando-a de costas e segurando seus braços atrás e com a mão livre tapando a boca daquela histérica de repente sentiu a dor, um pequeno grunhido lhe escapou pela surpresa do ataque e sangue escorreu de seus dedos, ele não acreditava, aquela criança humana estava determinada a lutar até o fim.
Aquilo de alguma forma, lhe fez percorrer milhas de distância no passado, quando ficara cego pelo ataque de um mercenário, ele estava exatamente como aquele ser em seus braços, assustado, não poderia confiar em nada, cheirava a medo, extremamente vulnerável, qualquer um poderia se aproveitar dele naquela condição, algo comum no Makai onde só os mais fortes sobrevivem e prosperam.
Mas o destino ou os Deuses lhe foram muito generosos, após quase uma eternidade esperando o socorro de Kurama, a primeira pessoa que cruzou seu caminho era um espadachim muito habilidoso e honrado, ele se aproximou dele com a intenção real de ajudá-lo, mas tudo que ele fez foi tentar soca-lo e bater nele, caindo pateticamente no processo, ele não queria que ninguém se aproximasse, ainda esperava que Kurama fosse ao seu encontro, ele gritava daquela mesma forma como a menina se debatendo em seus braços. -" Kurama, onde está você ? Por que não aparece?" Após o pequeno confronto se é que poderia ser assim considerado já que o espadachim era rápido e eficaz em seus movimentos para se desviar dele, Yomi fora nocauteado, só acordou no dia seguinte segundo o " bom samaritano" lhe informou, ele o levara para sua casa, ele se chamava Udai cuidou de seus ferimentos, lhe ajudou e ensinou a desenvolver seu youki e ampliar sua percepção através dos demais sentidos, até ele conseguir se virar por conta própria, o que levou alguns anos… Apesar de duros, foram anos de muito aprendizado, ele amadureceu muito no processo, não era mais o demônio inconsequente, pavio curto, e farrista de antes, agora era meticuloso pensava duas, três vezes antes de tomar uma decisão, era cauteloso e adquiriu um temperamento semelhante ao de seu ex chefe e amigo ...Frio e distante.
Voltando de sua nuvem de pensamentos e lembranças, bloqueou a passagem de ar da sua "caça" até sentir ela amolecer em seus braços e desmaiar, após se debater e resistir muito.
Estranhamente, não sentiu vontade de matá-la, apesar do incômodo que lhe causou poderia rapidamente num piscar de olhos quebrar seu frágil pescoço e fim, lhe serviria como alimento.
Segundo as regras estabelecidas pelo mais recente governante os humanos que atravessassem para o Makai acidentalmente ou não, estariam por conta e risco, as patrulhas de fronteira foram terminantemente suspensas, a única ressalva seria que os demônios não atravessassem pro Ningenkai, mas claramente alguns desobedientes insistiam em atravessar e trazer caos.
Voltando o pensamento sobre o que poderia fazer com a criança humana, tinha que cortar a carne, esfolar, e por fim queimá-la em alguma fogueira, a propósito faria isso agora mesmo, com o braço decepado que conseguira recuperar da bagunça que o metamorfo detestável fizera na última vítima.
Jogando o corpo inerte da criança humana nas suas costas com cuidado evitando seus muitos chifres, Yomi rapidamente a levou até uma espécie de meia caverna mais afastada, não queria a humana acordando nas suas costas o importunando, chegando onde queria pousou o corpo da jovem com cuidado apoiando suas costas contra as pedras da caverna, no caminho até ali sentia sua respiração pesada e o batimento cardíaco irregular, podia sentir o cheiro de seu suor e feridas de seu corpo, também estava um pouco febril, percebeu antes que a pequena tinha um pé machucado, mas ela não era muito pequena em estatura ele notou, tinha um corpo torneado e os cabelos dela ondulavam e exalavam um cheiro natural e agradável que ele não conseguira identificar, talvez algum produto cosmético humano, pensou distraidamente.
Prontamente começou a montar a fogueira improvisada derrubou uma árvore já morta e seca, seria mais fácil acender a fogueira com ela, concentrando um pouco de sua energia e direcionado aos galhos secos acendeu a fogueira, improvisando dois suportes, instalou o braço acima das chamas, virando vez ou outra, e esperou até seu jantar estar no ponto.
O que diabos estava pensando?! Quando a menina recobrasse a consciência seria um inferno novamente ela ia tentar fugir, gritar, fazer uma cena. O que ele queria com ela afinal? Não entendia aquele sentimento quando a encontrou e ouvia seus gritos: era pena, misericórdia talvez…Identificação. Isso era ridículo, como ele um dos reis do Makai temido por quase todos e devorador de seres humanos se identificaria com o próprio alimento? Era uma piada de mau gosto sem humor nenhum.
O que faria com ela?
Continua...
