Estágio Probatório
Nos dias seguintes ao casamento secreto foi espalhada a notícia de que o Grande Rei ofereceria uma celebração muito particular em honra a sua "noiva". Como era um fato conhecido a paixão da princesa Susan pela prática do arco e flecha, não foi surpresa alguma o anuncio de um torneio.
Para não ficar desmoralizado em público, Peter fez com que os arautos proclamassem que ele desejava provar a sua noiva que era um homem digno de mulher tão habilidosa, ou então resignar-se diante da superioridade da dama. Não ia funcionar, não importava o quão floreada fosse a mentira, ele só conseguiria driblar a princesa Susan se a vencesse no torneio.
Peter podia se gabar de suas habilidades com o arco, mas seu ponto forte sempre foi a espada. Por mais que fosse um arqueiro bom, perto de Susan ele seria considerado um amador. Então só havia uma opção e isso ia contra todos os seus princípios, mas o Grande Rei se recusava a perder sua amada por não ser capaz de transpor um desafio tão idiota quanto aquele.
Para ter Susan como sua esposa ele faria tudo, inclusive trapacear.
Se havia algo do qual Peter podia se vangloriar era de sua honra. Todos conheciam a moral elevada e o grande senso de justiça e ética do soberano de Nárnia. Isso lhe rendia uma boa vantagem. Como ninguém tinha motivos para duvidar da palavra dele, ele estava livre pra tomar todas as providências possíveis para que sua vitória fosse garantida sem levantar suspeitas.
Ele passou algumas noites pensando em como poderia conseguir tal façanha até chegar a uma brilhante conclusão. Mandou fazer um arco esplendido e encomendou uma aljava de marfim cheia de flechas. Qualquer um que olhasse os presentes diria que se tratava de material de excelente qualidade, só que na verdade se tratavam de flechas alteradas.
Não seriam perfeitamente retas, tão pouco as plumas estariam fixas de maneira devida e a ponta penderia levemente para um dos lados. Quando Susan disparasse com aquelas flechas, nenhuma delas atingiria o alvo. Peter usaria setas de um padrão parecido, com a diferença de que as dele eram de qualidade superior.
Como as flechas eram aparentemente idênticas, ele sempre poderia dizer que as dele também estavam ruins e que eles estariam competindo em pé de igualdade.
Susan estava certa de que aquele plano não tinha falha alguma e de que Peter não passaria da primeira etapa, mas só por via das dúvidas ela já tinha a segunda tarefa em mente. Vocês podem tentar adivinhar o que é, porque eu não vou estragar a surpresa.
Ela ficava irritada com a quantidade de pequenos mimos que recebia diariamente do Grande Rei. Eram flores, poemas de gosto duvidoso escritos a mão, longas cartas de amor que declaravam sentimentos apaixonados e até mesmo indecorosos. Sempre que recebia um papel com o emblema do Grande Rei, ela se apressava em atirar na lareira acesa.
As damas de companhia se desesperavam por ver a atitude da princesa. Todas viam em Peter um homem bom, muito melhor do que qualquer pretendente. Ele não media esforços para agradar Susan, fazia de tudo para que ela se sentisse confortável e satisfeita. Não importava o que ele fizesse, ela simplesmente se recusava a aceitá-lo.
Nem mesmo aos jardins ela ia, mesmo podendo observá-los através da janela de seu quarto. Era inegável a beleza do lugar que ele havia construído para ela, mesmo que ela admitisse isso (o que não era difícil) apenas a idéia de pisar entre aquelas flores lhe causava repulsa. Às vezes ela se perguntava de onde vinha tanto ódio, mas toda vez que pensava nisso tinha dores de cabeça.
Peter ordenou que ela jantasse com ele todas as noites. Estes eventos eram verdadeiras seções de tortura para ela. Diante da subordinação cega dele e todos os mimos, Susan se sentia enojada. Olha para ele lhe causava arrepios e náuseas. Sentia tanto ódio que sua vontade era acertá-lo com uma faca.
Era torturante para ambos. Peter não sabia o que fazer para conquistá-la e Susan não sabia o que fazer para se livrar dele. Na noite anterior ela havia tido um sonho assustador. Ele havia ganhado a aposta e clamava seu prêmio, enquanto ela gritava desesperada, tentando sair do quarto e tudo o que conseguia era uma mordaça na boca.
Ela acordou gritando desesperada e quase matou suas damas de companhia de susto. Ela precisou de várias horas e pelo menos três xícaras de chá pra se acalmar.
- Chegou aos meus ouvidos que minha senhora não dormiu bem esta noite. – Peter comentou, numa tentativa de estabelecer um dialogo – Os gritos foram ouvidos por todo andar. O que perturba o sono de minha amada esposa?
- Meu senhor poderia, pela Juba do Leão, comer em silêncio e me poupar o trabalho de fingir que toda esta encenação me agrada? – ela disse ácida.
- Só estou preocupado, minha senhora. – ele disse apologético – Se houver algo que eu possa fazer, qualquer coisa, eu gostaria de saber.
- PARE DE ME BAJULAR! – ela berrou de uma vez, causando um susto tremendo no rapaz – Eu não agüento mais! Meu bem, meu amor, minha amada, minha vida...CHEGA! Ainda não conseguiu entender que eu o odeio?
- Eu gostaria de saber por que. – Peter disse num tom que cortaria o coração de qualquer pessoa, mas o coração de Susan estava tão envenenado pelo feitiço de Jadis que nada faria com que ela se comovesse, ou sentisse pena dele – Me diga por que. Só uma razão para tanto ódio, quando estou disposto a colocar o mundo a seus pés.
- Não importa o motivo e não importa o quanto se arraste. Eu vou odiá-lo até meu ultimo suspiro! – ela se levantou de uma vez, pronta para deixar o prato intocado e a sala de jantar para trás.
- NÃO OUSE ME DAR AS COSTAS, SUSAN! – a voz poderosa de Peter se fez ouvir em seu timbre mais autoritário e assustador. Susan o encarou subitamente assustada e não deu mais nenhum passo. Era aquele a quem chamavam de O Magnífico – Não se atreva a dizer tais barbaridades em voz alta, pois eu sou seu rei e marido!
- Apenas em um pedaço de papel! – ela revidou de forma audaz.
- Só estou me submetendo às suas vontades para que não diga que não teve uma chance de fugir, mas guarde minhas palavras. Você será minha esposa, em toda extensão da palavra! Juro por Aslan e Sua Juba que não vou perder esta aposta e se eu fosse você me acostumaria com a idéia.
- O Grande Rei esquece que ainda não venceu nem mesmo a primeira etapa do desafio. – Susan o encarou nos olhos – E pode acreditar que as seguintes não serão mais fáceis que a primeira.
- E a princesa se esquece de que eu fui o responsável pela derrota de Jadis, a Feiticeira Branca! Em dois dias o torneio acontecerá. – ele revidou no mesmo tom – Pode separar a camisola, querida.
E essa foi uma declaração de guerra. Se Peter já tinha todos os motivos do mundo para querer vencer o desafio, agora era também uma questão de honra.
Enquanto o Grande Rei de Nárnia lidava com sentimentos tão opostos quanto raiva e paixão, a vida do rei telmarino também não era das mais fáceis.
O jovem rei se pegou encarando a pilha de papeis a sua frente por longos segundos, sem realmente dar importância a qualquer um deles. Não era dado a sentimentos como remorso ou qualquer coisa do gênero, mas a princesa Lucy havia agido de uma forma tão indignada que ele se pegou pensando que, talvez, ele lhe devesse desculpas.
Não que ele não tivesse todo direito de exigir provas da condição dela, para descobrir se estava ou não sendo passado para trás. O grande ponto é que Edmund estava certo de que o responsável pela fraude era o irmão dela e não a própria princesa. Lucy era, em todos os aspectos, uma garota de bons modos, cheia de brios e inocente. Ela poderia até ser a responsável por tudo, mas nem em mil anos ele se via capaz de acusá-la outra vez, não depois da discussão que tiveram.
Ela sabia como causar uma boa impressão, ou pelo menos seria capaz de convencer qualquer súdito de que não havia uma candidata melhor para o posto de rainha de Telmar. Edmund estava certo disso, porque ele próprio havia se convencido de que havia feito uma boa troca e já que seria no máximo uma questão de tempo, não havia problema algum esperar.
Só havia uma questão a ser resolvida naquele momento. Já que as provas demandavam tempo e Edmund não a devolveria, fosse qual fosse o resultado, agora era a vez dele elevar a opinião que a princesa tinha de seu esposo.
Edmund não era bom com palavras e também nunca foi obrigado a agradar uma mulher. Na condição de rei, ele entendia que era dever delas agradar o soberano, mas até então ele nunca se deparou com uma que estivesse em posição equivalente a dele. Reconhecia que havia agido de uma forma rude com Lucy e já que ela seria em breve a rainha dele, o mínimo que ele podia fazer era acenar com uma proposta de paz, pelo bem da harmonia recém adquirida em Telmar.
Duvidava que um simples pedido de desculpas fosse resolver a questão e então se perguntou o que poderia agradá-la ao ponto dela esquecer o pequeno desentendimento. Eustace seria tão útil na questão quanto um minotauro acéfalo. Talvez uma das damas de companhia dela pudesse ser de alguma serventia, mas ele não queria desmerecer seu ato ao pedir conselhos a uma terceira pessoa.
O que se dá a uma mulher quando é necessário pedir desculpas? Era a pergunta de mil peças de ouro. Lucy parecia tão absurdamente...romântica. Talvez flores, mas era algo bem inútil de se dar a alguém, principalmente quanto o irmão dela havia construído os jardins mais lindos do mundo só para agradar sua própria noiva. Jóias? Ela tinha muitas. Roupas? Também não parecia bom o bastante.
Quando não se tem experiência em presentear uma mulher, então o melhor é pedir ajuda a quem tem. Edmund se deu por vencido e pediu para chamarem Tírian, um de seus conselheiros mais valiosos.
Tirian era jovem e casado com Lady Jill, uma jovem dama que em muito se assemelhava a princesa Lucy. Ambas tinham berço, boa educação, moral elevada e um fraco por romantismo. Tirian parecia saber lidar em com sua esposa e por se tratar de um homem jovem saberia aconselhar seu soberano em um assunto tão delicado.
O conselheiro logo foi levado à presença do rei Edmund, que lhe ofereceu assento e um cálice de vinho antes de seguir com a conversa.
- A que devo a honra de tão nobre convite, meu senhor? - Tirian perguntou de forma solene e prática. Edmund massageou as têmporas antes de falar.
- Preciso de seu conselho, Lord Tirian. - Edmund disse sério - Como posso explicar? Eu...Receio que ter ofendido minha senhora, a princesa Lucy. Tivemos uma pequena discução e talvez tenha me excedido. Veja bem, Tirian, não estou acostumado a ter de me preocupar com os frágeis sentimentos de uma mulher, mas tudo o que não preciso é de uma futura rainha tão desequilibrada quanto minha irmã. Prefiro que minha senhora se sinta no mínimo bem vinda e um tanto satisfeita com minha pessoa.
- Como posso ajudá-lo no assunto, majestade? - Tirian perguntou com um toque de divertimento.
- Bem, o senhor é casado a mais tempo que eu e nossa diferença de idade é pequena. Sua esposa, a amável Lady Jill, creio que em muito se assemelha à princesa Lucy em termo de gostos, acho até que poderiam ser amigas. Talvez o senhor possa me dar uma sugestão. - Edmund disse afobado - O que posso dar de presente à minha esposa com o intuito de fazer as pazes?
Tirian ponderou por um momento. A princesa, que só passaria a ser chamada de rainha após a coroação, devia ser uma jovem excepcional. Se em tão pouco tempo de casados, sem nenhum contato anterior, o rei já se mostrava tão desesperado para voltar às boas graças de sua senhora é porque ela deveria ser o tipo de mulher capaz de incendiar o coração de um homem, exatamente como sua Jill fazia.
O rei o encarava ansioso e Tirian se lembrou da primeira vez que discutiu com sua esposa por qualquer coisa sem sentido e de como a reconciliação havia sido...Prazerosa. É claro que até então ele não estava a par do motivo do desentendimento do casal real, tão pouco da condição da futura rainha.
- Meu senhor gostaria de agradar a princesa apenas, ou gostaria de ser agradado também? - Tirian perguntou de forma discreta. Edmund pareceu confuso e então ponderou por um segundo.
- Seria muito bom ser agradado também. - ele concluiu.
- Então eu sei o que pode dar a princesa. - Tirian disse sorrindo confiante.
- Ótimo, ótimo. - Edmund disse afobado. Tirou uma pequena sacola com moedas de ouro da gaveta e a colocou diante de Tirian - Seja o que for, providencie. Diga se o dinheiro não for o suficiente. Peça para fazerem um embrulho bonito, se possível, enquanto isso vou pensar em algo para escrever num cartão.
- É mais do que suficiente, meu senhor. - Tirian disse assustado pela quantidade de dinheiro que havia recebido.
- Ótimo. Pode ficar com o que sobrar. Aceite como uma forma de agradecimento pelo serviço prestado a mim e minha senhora. - Edmund disse satisfeito - Acha que pode providenciar ainda hoje?
- Perfeitamente. - Tirian disse solene. - Se me permite, meu senhor. Vou agora mesmo providenciar o presente.
- Vá. - Edmund disse sério e com um aceno de mão concedeu a saída de Tirian do gabinete.
Depois da discussão com Lucy, Edmund preferiu manter a condição dela como um assunto de máximo sigilo. Apenas ele, Eustace e as damas de companhia dela estavam a par da situação para que nada abalasse a posição da princesa, ou desse motivos para que algum conselheiro mais afoito por uma guerra contra Nárnia tivesse a chance de se pronunciar.
Tão logo o desentendimento fosse posto de lado, ele se sentiria mais confortável para se concentrar em assuntos de Estado e voltar a sua rotina normal. Nunca pensou que pudesse ter tanta dor de cabeça ao trocar uma irmã histérica por uma esposa cheia de "não me toque", mas infelizmente ele parecia predestinado a não ter sorte com mulheres.
Tirian cumpriu com sua palavra e ao fim da tarde apareceu com um embrulho bem feito de tamanho razoável. Era um pacote tão bonito que até mesmo o rei ficou curioso para saber o que tinha dentro, mas como não se lembrou de perguntar o que era e não teve coragem de abrir, com medo de não conseguir refazer o embrulho, deixou por isso mesmo.
Escreveu um cartão de próprio punho, algo singelo, expressão seu pedido de desculpa e mais sincero desejo de uma relação harmoniosa e íntima com a princesa Lucy. Pediu para que alguém a levasse até ele depois disso.
Minutos depois ela foi anunciada. É claro que ele negaria até a morte, mas a verdade é que ele segurou a respiração no momento que Lucy entrou no ambiente. Ela tinha realmente uma bela figura, usava um vestido rosa claro que realçava o tom da pele e os olhos expressivos. Algo nela fazia com que ele se lembrasse de pêssegos maduros com creme e talvez ele devesse pedir isso de sobremesa no jantar daquela noite.
Ela não parecia nem um pouco disposta a permanecer na sala. Fez uma reverência breve e elegante, mas não deu uma única palavra. Evitava encará-lo, enquanto isso retorcia as mãos de um jeito nervoso e desconfortável. Edmund clareou a garganta antes de dizer qualquer coisa.
- Como minha senhora está passando? - ele perguntou num esforço de estabelecer a paz entre eles.
- Tão bem quanto possível, se meu senhor levar em conta que todas as manhãs há uma criada verificando minhas roupas e relatando tudo a um conselheiro desagradável que atende por Eustace Scrubb. - ela disse séria - Também deve levar em conta o fato de que estou longe de casa, não tenho amigos na corte, pessoas comentam o fato de que eu não divido o leito com meu real esposo e também sou acusada de mentirosa. Eu não poderia estar mais feliz. - ele quase riu dos comentários ácidos dela, só não o fez porque eles demonstravam o descontentamento da princesa. Edmund pelo menos reconhecia que ela tinha um senso de humor bem peculiar.
- Primeiras impressões não são exatamente minha especialidade. - ele disse num tom inesperadamente humilde - Entretanto, minha senhora há de convir que estamos numa situação delicada e me restam poucas opções.
- Já ouvi isso antes, meu senhor. - ela retrucou.
- Veja bem, esta situação me agrada tanto quanto a senhora e eu não gostaria de viver eternamente neste clima de conflito quando esta união tem tudo para ser muito benéfica para todos nós. - Edmund entregou a caixa a ela. Lucy o encarou desconfiada e então fixou sua atenção no pacote - Aceite como um pedido de desculpas pelo transtorno e por minha desconfiança inicial.
Aquilo a pegou de surpresa. Ele parecia tão desconfortável e inseguro ao entregar a caixa que ela teve pena dele, ou pelo menos um pouco de compaixão. Edmund pegou um dos papeis sobre a mesa e fingiu ler com grande interesse, para não ter de olhá-la nos olhos. Talvez tudo não tivesse passado de um grande problema de comunicação entre eles e já que o rei parecia tão disposto a selar a paz e mantê-la em Telmar até que fosse possível proclamá-la rainha, Lucy chegou a conclusão de que ele merecia uma segunda chance. Ela pegou o pequeno cartão sobre a caixa e leu.
"Que isto sirva para deixar de lado nossas desavenças e possamos, enfim, nos entender melhor". Ela achou aquilo adorável, tanto quanto a situação permitia.
Lucy abriu o presente diante dos olhos ansiosos dele. Afastou as várias camadas de papel de seda rosa até sentir a textura agradável da seda contra seus dedos. Não apenas seda, mas também cetim, renda e musselina...Lucy então tirou da caixa as peças tão peculiares e isso foi o bastante para que tanto ela, quanto ele ficassem da cor de tomates maduros ao se depararem com a camisola mais escandalosa que já tinham visto.
Edmund teve ganas de sair correndo atrás de Tirian para enforcá-lo! Lucy agora o encarava em estado de choque, sem saber se guardava aquilo e saia da sala o mais rápido possível, ou se antes disso lhe dava um tapa na cara.
- Tem certeza de que este presente era pra mim? Aparentemente é mais adequado à sua amante! - ela disse escandalizada enquanto se levantava de uma vez.
- Isto é um mal entendido! - ele retrucou rapidamente, mas sem perceber deixou o documento que estava lendo ficar próximo de mais da vela que estava sobre a escrivaninha. O fogo começou a se espalhar e Edmund deixou que o papel caísse no chão e pisou em cima desesperado para apagar o fogo - DROGA! O tratado econômico com Galma! - Lucy chegou a virar as costas para ele - E EU NÃO TENHO AMANTE!
- Claro. E eu tenho de acreditar nisso, exatamente como meu senhor fez quando tivemos a oportunidade de conversar pela primeira vez. - ela disse indignada - Passar bem!
- Eu a proíbo de sair por esta porta, madame! - ele disse imediatamente e ela se deteve a porta.
- Meu senhor pode me obrigar a permanecer aqui, mas a esta altura mudar minha opinião a seu respeito está fora de cogitação. - ela disse séria.
- Por favor... - ótimo, ele estava implorando. O que seu falecido pai diria a respeito? Provavelmente daria um puxão de orelha nela por estar se humilhando diante de uma mulher. - Isto foi um erro da minha parte, mas estou disposto a me redimir de alguma forma. Só preciso que me diga como.
- Poderia começar não mandando qualquer um me comprar um presente. Se queria me agradar sem cometer erros, eu teria ficado muito feliz com meia dúzia de margaridas. - ela disse encarando-o diretamente nos olhos - Se tivesse se dado ao trabalho de conversar comigo, ao invés de me acusar de mentirosa, eu teria dito que adoro margaridas. - e lançou um sorriso inesperado. Por mais que estivesse com raiva dele, ao menos Edmund sabia convencê-la de seu arrependimento e Lucy tinha um coração gentil de mais para se sentir satisfeita causando sofrimento à outra pessoa, mesmo que merecesse.
Ela deixou o gabinete e depois daquela discussão Edmund decidiu que mandaria a ela uma margarida por dia durante toda primavera. Naquela noite ele jantou sozinho e pediu de sobremesa pêssegos maduros com creme. Por mais que tivesse ficado constrangido com o incidente, ele não conseguiu deixar de pensar que a visão de Lucy dentro da famigerada camisola devia ser no mínimo apetitosa. Quão inapropriado era um pensamento como aquele?
Enquanto isso, em Nárnia, tudo já estava pronto para a disputa entre o Grande Rei Peter e a Princesa Susan.
Ela verificou seu material pelo que deveria ser a milésima vez e não conseguia entender como Nárnia era capaz de ter artesãos tão bons em objetos decorativos e tão ruins em armas! Aquelas flechas, mesmo parecendo de alto nível, eram trabalho de amador! Estavam empenadas e voavam muito menos do que as flechas que ela estava acostumada a usar em Telmar. O Grande Rei também havia reclamado e assegurou que iria enforcar o responsável se acabasse sendo prejudicado por um punhado de flechas inaptas.
O local da prova foi preparado e o Grande Rei tomou sua posição, ao lado da princesa Susan, enquanto seus súditos aguardavam ansiosos pelo início da prova.
- Boa sorte, minha senhora. - ele fez uma breve reverência a ela enquanto puxava uma flecha da aljava e a posicionava no arco.
- Ainda pode desistir, meu senhor. - ela respondeu irônica.
- Ou minha senhora pode deixar de lado as armas para que possamos nos entender no leito nupcial. - ele sorriu para ela.
- Pronto? - ela perguntou mal humorada, enquanto retesava o arco até que sua mão atingisse a altura da orelha.
- Sempre. - ele respondeu confiante, repetindo os movimentos dela e mirando o centro do alvo.
Lançaram as flechas...O povo aplaudiu extasiado...
Nota da autora: Irritantes? É, essa é uma palavra pra descrever Peter e Susan. O Grande Rei de Nárnia não é tão bonzinho quanto parece (trapaceiro XD). Edmund, quem diria? Ele tem uma consciência. Essa cena com a Lucy foi...eu tive que me segurar pra não rir descontroladamente enquanto escrevia. E sim, sou má. Vou fazer suspense de quem ganhou XD. E pras meninas que queriam saber se passei em tudo, digo que infelizmente não. Reprovei Trabalho II, mas MILAGROSAMENTE passei em Processo Penal. Por hoje é só pessoal. Espero que gostem XD.
Bjux
Bee
