Capitulo três:

Meu

Harry corria como nunca em sua vida, pior que se Voldemort estivesse indo depois dele com uma motosserra. O coração batia-lhe tanto que parecia explodiria em qualquer momento. Quase pensou em romper o retrato da Dama Gorda quando esta demorou em lhe abrir. Finalmente conseguiu chegar até seu quarto e sem sequer mudar-se de roupa de meteu baixo as cobertas cobrindo até a cabeça.

Agradeceu que Ron finalmente se tivesse ficado dormindo, assim não lhe faria nenhuma pergunta, nem sequer tinha ideia de como as responder.

Aí, baixo todo seu refúgio, Harry ainda respirava agitado, olhando paranoico de um lado a outro, ainda que só pudesse ver as fibras de seu cobertor. Quase assustado até de mover-se, levou seus dedos aos lábios.

"Me beijou!... Por todos os céus, Snape me beijou!"

Por uns segundos já não pensou nada mais, mas ao cabo de um momento conseguiu relaxar se e ver as coisas mais objetivamente.

"Que horror!... —exclamou com um gesto aterrorizado—… Me beijou, me beijou!... Mas porque?"

Esse "Porque?" foi o que manteve a Harry acordado toda a noite. Não queria recordar o beijo, em realidade pouco recordava, talvez seu instinto de sobrevivência lhe ajudava a esquecer dos detalhes, mas a pergunta sim a analisou. No entanto, o amanhecer chegou e ele não encontrou nenhuma resposta que lhe satisfizesse.

Quando Ron se acordou, Harry já se tinha banhado e alistado para ir a suas aulas. Quase tropeçou-se e caiu ao incorporar-se apressado achando que novamente tinhas-lhes feito tarde.

— Tranquilo, Ron, ainda não são nem as sete.

— E daí fazes acordado tão cedo? —perguntou talhando-se os olhos.

— Quero ver a Draco… Vemo-nos depois.

Ron ficou muito sério vendo como seu amigo continuava se notando muito animado com sua relação com o furão, suspirou fundo pensando que não lhe ficava mais remédio que aproveitar o tempo, duvidava voltar a conciliar o sono.

Harry sentiu que o coração lhe acelerava quando passou pelas masmorras, esperou que pela primeira vez em sua vida não tivesse tão má sorte e o Professor não lhe saísse por algum corredor. Felizmente pôde chegar às habitações dos Slytherin sem complicações e foi diretamente para o quarto de Draco sem fazer caso das miradas inquietas dos integrantes daquela casa… a maioria ainda não se acostumava a ver se aparecer por aí.

Draco já tinha terminado de se vestir e estudava um pouco recostado sobre sua cama enquanto esperava o momento de ir em busca de seu noivo, de modo que quando o viu entrar e correr para ele, o recebeu com os braços abertos.

— Beija me! —pediu Harry sorridente.

— Todo o que queiras, joli. —disse dantes de dar-lhe gosto, contente de ver a seu noivo particularmente efusivo aquela manhã. —Hoje acordaste muito animoso.

— Queria ver-te, já vês que quase nem tempo temos de nos ver.

— Sim, e tudo por esses castigos de meu Padrinho.

Harry se tensou ao falar do Professor Snape mas soube dissimular lhe bem e seguiu sorrindo. No entanto, preferiu levantar-se e esquecer-se dos abraços pelo momento.

— Como segues de tua mão?

— Bem, quase nem me dói. —respondeu olhando sua mão ainda vendada.

— Não vás tomar notas em classe, eu te passo as minhas. —disse-lhe acercando-se para beijar lhe o pescoço. —E sobre as tarefas, também me encarrego delas.

— Não, Draco, isso não é necessário.

— Sei que não, mas quero o fazer, joli. Não me negues esse gosto.

— És um anjo. —exclamou rindo abertamente.

— Nem ocorra-se-te voltar a dizer isso, Potter! —replicou cobrindo-lhe a boca enquanto olhava a sua ao redor. —Aqui está cheio de Slytherin, pelo menos ajuda-me a manter minha preciosa reputação de dominante nesta relação.

— Sim, claro, Amo… o que você ordene. —debochou-se divertido.

Harry abraçou ao loiro com carinho, ainda lhe parecia incrível que em algum dia chegasse ao odiar tanto. Agora se maravilhava do noivo perfeito que tinha tido a sorte de conseguir, um verdadeiro cavalheiro, amável, gentil, amoroso, ao que queria muito… e no entanto, ainda não entendia porque não se animava a dar o seguinte passo, sobretudo porque sabia que o desejava, seria um cego descerebrado se não sentisse algo por alguém tão belo e doce… mas seguia sentindo que faltava algo.

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A meio dia, Hermione decidiu não ir comer, nem ânimos tinha de ver a Pansy se pendurando de Blaise, de modo que se dirigiu à biblioteca para terminar suas tarefas da seguinte semana, dessa forma teria mais tempo para admirar a seu amor secreto.

No entanto, quando entrou e viu ao mencionado estudando em uma mesa, e totalmente só, o coração lhe deu um viro. Foi a esconder-se depois de uma prateleira onde podia o ver através dos espaços entre os livros.

"Hermione, deves sair daqui sem que te veja —se disse preocupada—. A nenhum garoto gosta de sair com uma garota mais inteligente que eles… o qual demonstra o estúpidos que são, mas, se queres ter namorado e ademais que seja esse bombom tão sexy, será melhor que te aguentes e sejas como esperam que sejas"

A garota esperou a que o Slytherin se distraísse buscando um livro para poder sair, mas ainda não tinha atingido a porta quando escutou que a chamava. A surpresa deixou-a paralisada, de modo que os olhos azuis teve que se acercar ao ver que Hermione permanecia como estátua.

— Sentes-te mau, Granger?

— Eh?... Não, nada. —respondeu com um ligeiro sorriso.

— Ultimamente andas muito estranha. Mas em fim, o que queria te perguntar é se já terminaste tua redação sobre Poções Curativas.

Hermione ia responder que sim, que era do mais fácil e não requereu mais que de duas tardes para a conseguir, mas de imediato mudou de opinião e acentuando seu sorriso, o negou.

— É estranho. —comentou o Slytherin. —Sempre és das primeiras. Queria fazer-te umas perguntas sobre dúvidas que tenho, mas não sei se possas me ajudar.

— Pois posso tentá-lo.

Blaise sorriu agradecido e convidou-a a acercar a sua mesa para poder falar com ela. Hermione estava que não lhe cria, a emoção mal a deixava ficar quieta. Mas quando lhe jogou um olhar à redação do garoto, seu rosto ficou muito sério… realmente era uma das melhores que tinha visto, quase tanto como a dela.

Sabia que Blaise era um garoto inteligente, mas não tinha tido oportunidade de ler nada de seus trabalhos e estava gratamente surpreendida. No entanto, não sabia o que fazer, se começava a se comportar como a sabichona de sempre, provavelmente seguiria a buscando só para questões escoares… e ela já estava farta de ser perfeita academicamente falando queria um namorado e queria a Blaise Zabinni!

— Gostaria de ajudar-te, mas acho que está bem como está.

— Segura? —perguntou não muito convencido. —É que tenho a impressão de que algo lhe falta, talvez é demasiado longa não te parece?

— Não… eu jamais tivesse podido fazer algo melhor. És muito bom, Zabini.

Blaise sorriu forçadamente, algo desilusionado de não ter encontrado a ajuda que queria, ele seguia pensando que sua redação estava mau em algo. De modo que simplesmente deu-lhe um breve "obrigado" e foi-se deixando sozinha à garota.

Hermione suspirou fundo, tivesse querido ajudá-lo, dizer-lhe que a introdução era demasiado pretenciosa, excesso de palavras ribombantes e talvez deveria mudar alguma que outra conjugação verbal. Não entendia porque as coisas tinham que ser tão difíceis… porque simplesmente não podia ser ela mesma e conseguir ao garoto que gostava?

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Ron bufou contrariado quando entrou a sua habitação essa noite e se encontrou a Draco sobre a cama de Harry realizando as tarefas deste último.

— Tens algum problema desajeitado? —perguntou sem levantar a mirada.

— É que já te mudaste e não me dei conta?

— Não, mas talvez o faça… obrigado pela sugestão.

— Acho que esta situação sim deve sabê-la Dumbledore. —comentou sentando-se junto ao loiro. —Se está proibido que comas em nossa mesa, seguro que deve ter uma regra para que não entres aqui como se fosses o dono de Hogwarts.

— Faz o que queiras, não me interessa.

Ron assomou-se a olhar o que Draco escrevia e compreendeu então o motivo pelo qual estivesse aí. Seguramente em Slytherin seria a fofoca se soubessem que lhe fazia os deveres a seu noivo.

— Não te parece patético, furão?... Agora és o elfo de Harry?

— Não sou seu elfo. —respondeu sem ofender se. —Sou seu noivo e se quero fazer-lhe a tarefa, faço-lhe, pese-lhe a quem pese-lhe.

— Quer que te consiga um avental?

— Terás algum que te sobre, ou lhe pedirás a teu papai?

— Imbecil.

— Inválido mental.

Ron já não respondeu, e bufando novamente, foi para sua cama para fazer suas próprias tarefas. Draco sorriu triunfador, às vezes divertia-lhe brigar com esse néscio ruivo. Mas pelo menos, devia terminar primeiro os deveres de Harry.

Harry dava voltas de um lado a outro do corredor em frente à porta do escritório de Snape, não se atrevia a abrir… como o fazer depois do sucedido no bosque?. Nem sequer tinha ideia de como reagiria seu Professor quando o visse. Olhou o relógio, se não entrava em trinta segundos teria em uma semana mais de castigos.

De repente sentiu que a porta se abria e correu, mas correu em sentido transversal do corredor, pelo que em três passos deu de frente contra a parede. Voltou-se a olhar como a figura de Snape emergia dentre as sombras.

Respirou agitado, não se atrevia nem a se mover, e quando lhe viu sorrir de uma maneira inquietante, todo o sangue se lhe foi aos pés.

Snape desfrutava muito de vê-lo sofrer por sua presença, não tinha nenhuma dúvida de que agora Potter estava em seu poder, e o demonstrava esse temor ao olhar, um temor que não era o medo às detenções, nem à baixa de pontos, que não era produto de outra coisa que não fora a seus próprios sentimentos.

— Vai ficar romanceando com a parede toda a noite? —perguntou mordaz.

— Creio… acho que não está bem que entre.

— E porque não, Potter?

— Falarei com Dumbledore. —disse com fio de voz. —Vou contar o que você me está fazendo com certeza o despede.

— Bom… pode falar com ele depois. Agora, venha comigo.

Snape estendeu sua mão para o garoto, e Harry olhou-a como se tivesse nela um punhal ameaçante, moveu a cabeça se negando a dar um passo, no entanto não se ia. Isso satisfez ao mago maior, e sem lhe importar nada, encurtou a pouca distância que os separava, e levantando ao garoto em braços o fez entrar ao escritório.

Harry retorceu-se tentando baixar, mas não o conseguiu. Snape era mais alto e forte que ele e rapidamente o tinha submetido a sua vontade. Fechou a porta e enfeitiçou-a para que ninguém entrasse nem escutassem desde afora. Harry viu aquilo com raiva, porque não gritou antes de que já não servisse de nada?

— Solte-me, Snape! —ordenou-lhe enojado quando o mago o depositou sobre o móvel onde lhe tinha curado a mão e lhe encurralou com seu próprio corpo.

— Realmente não acho que queiras que o faça, Potter.

— Se não quisesse não lhe pediria!... Juro que vai pagar muito caro, isto é um delito, o acusarei e lhe vão encerrar de por vida em Azkaban!

— E porque tanto quer libertar-te não usas isto?

Severus introduziu uma mão na túnica de Harry e sacou sua varinha. O garoto enrijeceu de imediato. Quis arrebatar-lhe, mas o mago impediu-lhe.

— Vamos, Potter porque não aceitas de uma vez que te morres por voltar a beijar-me?

— Eu jamais quereria beijá-lo!

— Ah não?... E daí passou então ontem à noite no bosque?

Harry olhou-lhe sem compreender, foi um momento em que baixou totalmente as defesas e Snape soube o aproveitar para arrojar longe as varinhas e sujeitar ao garoto por ambas mãos. Era muito excitante sentir seu corpo baixo o seu, perceber seu aroma juvenil manando torrentes, e ver tão perto esses lábios que desde a noite anterior não se tinham afastado de sua mente.

— Para valer não recordas o que passou, Potter? —perguntou acariciando o rosto do garoto com a ponta de seu nariz, gozando quando escutou um quase imperceptível gemido nascer de seus suaves lábios.

Harry não respondeu, mas sua mente regressou à noite prévia. Pôde ver com toda clareza como era encurralado por Snape, como o rosto de seu Professor se ia acercando e ele estava convencido de que lhe beijaria. No entanto, isso não sucedeu.

O rosto de Harry empalideceu ao recordar bem o ocorrido. Tinha-se sentido estranho quando viu que Snape se retirava se desculpando com ele, e de repente, não soube nem que foi o que o impulsionou ao fazer, sujeitou ao homem do pescoço de seu túnica e foi ele quem o empurrou contra a árvore.

Uniu seus lábios aos de Snape que de imediato se abriram lhe permitindo adentrar se. Harry gemia extasiado de sentir a língua de Snape em contato com a sua, e ansiosamente precisava a cada vez mais. Lambeu e sugou o firme músculo de Snape de maneira tão erótica que começou a excitar se de imediato. O Professor abria a boca brindando-lhe melhor campo de ação e gozava sentindo como o garoto lhe sugava tão forte que quase parecia querer lhe desprender a língua de sua base.

Snape o rodeou pela cintura atraindo lhe para unir ambas quadris e isso provocou que Harry sentisse uma dureza alisando entre as pernas de seu Professor… por ele.

Teve medo… pânico… não sabia o que. Mas de repente deixou-o e saiu correndo rumo ao castelo, aonde podia estar a salvo.

Agora Harry podia recordar tudo, e enquanto o fazia, Snape se engulosinava saboreando a pele do pescoço de seu aluno quem já não fazia a menor tentativa para separar. Inconscientemente, o Gryffindor tinha fechado os olhos e acariciava esse longo cabelo enquanto afundava seus dedos entre as fibras que acariciavam seu rosto.

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Entretanto, Ron se coçava a cabeça, não entendia nada do que tinha que fazer, e finalmente, arrojou furioso a pena longe dele e afogava um grito de frustração no colchão de sua cama.

— Parece que teu cerebro não dá para mais, doninha. —debochou-se Draco.

— Aprende a usar o teu para fechar a boca, Malfoy.

— Olha quem fala se não é mais que um batráquio na lagoa da ignorância.

— "Ja ja, que engenhoso" —grunhiu sarcástico.

Malfoy se intrigou de que Rum escondesse sua cabeça embaixo do travesseiro evidenciando que já não tivesse ânimo de lhe seguir o jogo, de modo que se pôs de pé para averiguar que era o que o tinha tão pressionado.

— Poções. —comentou ao ver a redação.

— Deixa-me em paz. —grunhiu Ron sem levantar a cara do colchão.

— Mas se Poções é do mais interessante. —assegurou convencido. —Não sê porque vocês os Gryffindors são tão inúteis no tema.

— Pela mesma razão que os Slytherin são tão inúteis na vida.

— Bem, se isso pensas, então segue sofrendo… eu pensava te ajudar, mas nesse plano nem o sonhe.

— Nem louco deixo que me ajude!

— Bem.

— Pois bem!

Draco regressou à cama de Harry para continuar com suas tarefas, mas realmente já lhe faltava muito pouco, de modo que foi questão de um par de minutos para a terminar. No entanto, não se marchou. Escutou que Ron dormiu, e fazendo a um lado seu orgulho, decidiu lhe ajudar um pouco, quis pensar que quiçá dessa forma ajudava a um amigo de seu noivo… só isso, porque por Ronald Weasley não daria nem um quinto.

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Harry não tinha ideia de como tinha terminado aí. Naquele cadeirão baixo de Snape e agora beijando se longamente com ele. Sim, não era só o Professor quem o fazia… Harry correspondia e com bastante gosto.

— Isto… não esta… bem. —disse entre breves espaços que lhe dava o Professor para respirar.

— Não gosta? —perguntou sem interromper-se.

— É que… tenho noivo.

— Sei.

— E é seu afilhado.

— Também já me dei conta disso.

— E… não se importa?

— Sinceramente… Não nestes momentos.

— Mas…

— Potter…

— Que?

— Guarda silêncio e segue beijando-me.

Harry obedeceu, era irresistível não o fazer. Nunca se tinha sentido dessa maneira e ainda que ainda continuava impactado de estar aí, desfrutando enormemente do peso de Snape sobre ele, de seus beijos vorazes e apaixonados, de suas mãos grandes e fortes, não podia evitar desejar que aquilo não fosse algo proibido.

No entanto, o era.

—Por favor… já não. —pediu entre voluptuosos suspiros.

— Que passa Potter?... Deixa de choramingar e relaxe.

— Não, não posso.

Harry deixou de corresponder aos beijos peso a que lhe custou um verdadeiro esforço a conseguir. Snape sentiu a mudança, e muito a seu pesar, incorporou-se para deixar-lhe livre.

— E agora que passa? —perguntou com fastio.

— É que não está bem!

— Por Draco?... Rompe com ele e já, Potter, porque te complicas tanto?

— Romper com Draco?

— Óbvio. Se molesta-te atuar a suas costas, pois então desfaz-te de seu namorado.

O olhos verdes guardou silêncio… romper com Draco por Snape?... era uma ideia aberrante, e no entanto, nem sequer sabia porque teve esse segundo de dúvida, suspeitando a possibilidade de chegar a esses extremos, mas… por Snape?

— Não vou a lastimar a Draco por um erro. —respondeu finalmente.

— Estás arrependido?

Harry novamente não respondeu, lhe surpreendeu notar uma ligeira inquietude na voz de seu Professor. Fixou sua mirada nos olhos negros que esperavam uma resposta e não encontrou nada que dizer que fosse verdade.

— É que não sei. —disse baixando a mirada.

— Gostas, de isso não há dúvida… gostas Draco?

— Claro que gosto, é de meu namorado!

— Estás apaixonado dele?

— Pois sim. —respondeu esforçando-se por mostrar-se convencido, mas Snape sorriu satisfeito demonstrando-lhe que não o tinha conseguido.

— Deixa de enganar-te a ti mesmo. O fato de que a passes bem com ele, não significa que o ame.

— Também não o fato de beijar você significa que me interessa.

Um brilho de fúria surgiu ameaçante da mirada de Snape ao escutá-lo. Harry temeu que se violentara, mas em lugar disso, voltou a inclinar sobre o garoto e depositou em seus lábios um beijo diferente a todos os demais… era algo mais suave e delicado, um beijo que o fez fechar os olhos e desfrutar da caricia sem nenhuma pressa. Um beijo que encheu a Harry de um calorzinho no peito que não tinha nada que ver com aquela excitação que alvoroçava seus febris hormônios.

— Se pensava, Potter… —disse-lhe sujeitando-lhe do queixo ao deixar de beijar lhe, satisfeito de notar que o garoto ficava com vontades a mais—… que com esses débeis protestos me ias afastar de ti, te equivocas… és meu e não deixarei que ninguém, nem sequer Draco Malfoy, te aparte de meu lado!

— P-mas…

— És meu!... e em um dia serás só para mim.

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Harry caminhava lentamente de regresso a sua habitação, não queria chegar e se encerrar a onde a intimidade de sua cama lhe faria desejar estar em outro lugar. Ainda podia recordar a advertência de Snape…

"É meu"

Muito a seu pesar, Harry estremecia-se ao sentir ainda o fôlego de seu Professor pronunciando essas palavras. Nunca em sua vida se tinha sentido tão pequeno e indefeso… e nunca em sua vida chegou a achar que gostaria de ter essa sensação, até o ponto de se sentir excitado ante a poderosa e autoritária voz de Snape.

Respirando fundo continuou seu caminho, não sabia que ia fazer de sua vida, mas precisava despejar sua mente de todo pensamento… descansar.

Mas quando entrou a sua habitação, a culpa se materializou em uma pulsante dor no coração. Draco tinha-se ficado dormido fazendo todas suas tarefas. Discretamente, tentando não o acordar, acomodou seus livros no solo e cobriu ao loiro, quem sorrindo se abraçou de seu travesseiro sem interromper seu sono.

Harry deu-lhe um suave beijo na frente antes de voltar a sair. Decidiu que essa noite dormiria na sala comunal. Se sentou junto à lareira cobrindo-se com uma coberta, e no entanto, o sono não vinha como refúgio… olhou os fogos crepitantes e quase podia escutar que formavam a palavra "Meu" na cada estalido.

Tampou-se os ouvidos, não queria ouvir mais… pensou em Draco lá em sua habitação. Ele não se merecia a traição.

Não… não ia abandonar a Draco por um deslize.

O mau é que algo lhe dizia que não era simplesmente um erro… e até os fogos seguiam lhe gritando e ele teve que se tampar a cabeça com uma almofada para não sentir que queria regressar às masmorras e se declarar formalmente pertence de uns cultivadores olhos negros.

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Notas finais:

Quero reviews, se bem que nesses momentos ... quase não tive comentários dessa fic, mas vi que tem gente lendo... logo mais!