Dalton

Episódio 3: Vozes


O fato de que ele podia empacotar sua vida em algumas caixas era de certa forma deprimente. Pelo menos os garotos estavam lá. David e Wes estavam procurando por uma razão, qualquer razão, para faltar Química Avançada e os gêmeos nunca precisavam de uma razão, enquanto Blaine tinha insistido resolutamente em estar lá. Finn também insistira em ajudar — aturdido como estava com o grupo de garotos de blazers invadindo a cada dos Hudson-Hummel — mas vê-lo levantando e carregando as caixas que continham tudo que era aparentemente "essencial" para Kurt viver apenas fez a transição de casa para o internato ainda mais estranha. Mas o fato de que Finn lhe lançou um sorriso encorajador ajudou.

Com esse sorriso, Kurt lembrou-se do Novas Direções cantando para ele, e assentiu em resposta para seu novíssimos meio-irmão, como se lhe garantindo que ficaria bem.

E então, quando, ao ir embora, Finn sussurrou: "Falando sério, o que Puck disse, está bem? Não se esqueça de dizer pra gente o que está acontecendo lá...", ele só riu.

— Eu poderia achar que você está ansioso para se livrar de mim, sabe — Kurt tinha respondido.

— O quê... não, cara, quer dizer... porque nós...

Kurt deixou Finn gaguejar em confusão mais uma última vez antes de sorrir e lhe dizer que estava brincando, e que ele o veria nos finais de semana. Ele abraçou seus pais — Carole lhe deu um abraço quente, carinhoso, já parecendo como se fosse sentir sua extrema falta e prometendo consultá-lo em relação a roupas; o abraço de Burt foi mais forte, mais sólido, perguntando se ele ficaria bem. Kurt assentiu para ele e mesmo sem ter dito nada Burt sabia que, por enquanto, seu filho ficaria bem. Então Kurt estava pronto para ir.

Burt observara cuidadosamente cada um dos garotos que acompanhavam Kurt enquanto eles colocavam as caixas na caminhonete Hummer de Wes — "Vocês não estão tentando ajudar, vocês estão se exibindo", ele tinha dito para os gêmeos quando eles sugeriram levar as coisas de Kurt usando a limousine pessoal deles — e notou como cada um se comportava ao redor do seu filho.

Seus olhos permaneceram por mais tempo sobre Baine e Kurt, o que justificou a mensagem que Kurt recebera de Burt no caminho para Westervile: Se cuide por lá. Não deixe nenhum deles bancarem os engraçadinhos.

Kurt estava confuso, mas quando Blaine viu a mensagem sobre seu ombro, ele entendeu e apenas sorriu fracamente para si mesmo. Ele não precisava da silenciosa ameaça de morte de Burt — no momento, ele não tinha nenhuma intenção em avançar em Kurt por mais que cada pedaço dele gritasse para que ele o fizesse.

Ele esperava que conseguisse se comportar.

Quando eles estavam de voltar à Windsor, Kurt (que tinha recebido um dia para se ajeitar em Dalton antes de voltar a atender às aulas) insistiu em expulsar todo o grupo de garotos — "Vocês perderam aula o bastante ontem, voltem pra aula e parem de bisbilhotar no meu guarda-roupa!" "A gente não consegue evitar... é tão... amplificado!" — então ele tinha um pouco de tempo para si mesmo.

Quando ele guardou a última peça Dolce no guarda-roupa, ele empurrou todas as roupas para o lado e pegou sua nova coleção de uniformes. Ele olhou para o blazer por um bom tempo antes de suspirar. Todas as suas roupas de marca estavam oficialmente destinadas à obscuridade até os finais de semana. Ele agradeceu à pequena misericórdia — pelo menos ele ainda podia usar acessórios contanto que atendesse aos limites da escola

Depois do furacão que os últimos dias tinham sido — as aulas, aprendendo sobre Dalton, vendo Windsor, conhecendo seus ocupantes levemente desequilibrados, ouvindo a serenata pelo celular do Novas Direções, fazendo teste para entrar nos Warblers e sendo aceito no mesmo dia, e ganhando seu próprio quarto Windsor — Kurt não tinha mais emoções e reações.

Ele não tinha ideia de como acontecera, mas tudo que ele lembrava era que quando tinha terminado de colocar as fotos do Novas Direções no quadro ao lado da mesa, ele pulou na sua aveludada cama, afundando no ridiculamente suave acolchoado que os gêmeos lhe tinham dado, e prontamente tinha adormecido...

… até que acordou — o quarto completamente escuro conforme a noite seguia e congelando — com uma forte mão cobrindo sua boca e mãos agarrando seus pulsos e tornozelos. Seu agudo grito foi abafado pelas mãos enquanto ele foi arrancado da cama para dentro da escuridão.


Meu nome é Kurt. E está é a Academia Dalton.

E eu acho... que estou sendo raptado nesse momento.

Pois é.

totalmente não esperava por isso.


Quando ele foi jogado sem cerimônia sobre o que parecia ser grama e terra, o pano que tinha sido colocado sobre seus olhos finalmente foi removido e ele se encontrou piscando, vesgo, enquanto seus olhos se acostumavam à total escuridão ao redor da fogueira.

E assim como ele de alguma forma esperara, vários garotos (em interessantes variações de pijamas) estavam parados na sua frente do outro lado da fogueira, sorrindo abertamente. Todos gritaram quando viram sua reação.

— Kurt Hummel, você é oficialmente um garoto de Windsor por vinte e quatro horas! — exclamou Evan alto demais para a hora, usando brilhantes pijamas brancos.

— E por causa disso e portanto não podendo mais retroceder, nós decidimos te iniciar oficialmente! — disse Ethan alegremente, em pijamas que combinavam com o do seu irmão.

— Sabia que minha mãe vive dizendo para nunca dormir sem tirar a roupa do dia? — disse David pensativamente ao observar as roupas que o extremamente chocado garoto ainda estava usando. — Diz que é anti-higiênico.

— Que diabos, garotos? — demandou Kurt finalmente, o coração ainda batendo pesadamente no peito enquanto ele olhava para eles, tentando controlar a respiração. — Eu pensei que ia morrer!

— Desculpa, sentimos mesmo... — Blaine moveu-se para frente para tentar acalmá-lo. Mesmo no seu estado congelado de medo, ele se perguntou porque, por tudo que há de sagrado, Blaine tinha que usar aquilo:uma camiseta de dormir de manga curta que lhe servia bem demais e completamente drenavam qualquer pensamento que Kurt poderia ter. — É só algo que fazemos com todo os novatos. Certo, Dwight? — Blaine olhou para trás da multidão.

— Dwight estava gritando por todo o jardim — resmungou Wes.

O garoto pálido, mais baixo que o resto da multidão, expulsou-o com um complicado gesto de mão antes de voltar a segurar um dos muitos medalhões que estavam presos ao seu pescoço. David apenas sacudiu a cabeça.

— Ele tinha certeza que a gente ia queimar ele numa estaca.

— Eu não descartaria a possibilidade agora. — Kurt arqueou uma sobrancelha, respirando um pouco mais tranquilamente agora. Ele percebeu que a mão de Blaine tinha encontrado a sua. Ele o olhou, e Blaine sorriu ao perguntar:

— Você está bem?

Kurt engoliu em seco e se afastou do reflexo do fogo nos olhos de Blaine e seu cabelo adoravelmente desarrumado.

— É. Sim. O que é essa... hum, iniciação?

Os gêmeos, enquanto desejavam lá, bem no fundo, que aqueles dois se apressassem e fossem para um quarto logo, disseram:

— É sua festa de boas-vindas!

Houve um grito dos garotos enquanto eles tiravam dos arbustos um enorme refrigerador e um saco cheio de doces. A fogueira crepitava enquanto as latas de refrigerante eram abertas e os doces apareciam, os garotos passeando ao redor deles.

Blaine sorriu para Kurt.

— Nós realmente não queríamos te assustar.

— Sim, vocês queriam. — Kurt conseguiu abrir um sorriso.

— Tudo bem, talvez. — Blaine sorriu torto, sentando-se ao seu lado. — Mas, só pra você saber, eu não queria te assustar. Eu não tinha certeza como você estava depois de McKinley. Mas é tradição, então...

— Para Dalton ou só Windsor?

— Ah... só Windsor — admitiu Blaine. — AS outras casas normalmente só fazem festas de dia.

— Eles fizeram isso com você?

— Sim, fizeram. — Blaine pausou antes de lançar para Kurt um sorriso adorável. — E, diferente de você, que manteve uma relativa dignidade, eu comecei a lutar no meu quarto e acabei dando uma concussão no David com um taco de lacrosse.

— Eu ainda vou fazer você pagar por isso — retorquiu David do outro lado da fogueira. Blaine riu e adicionou:

— Eles tiveram que acender todas as luzes e fazer a festa na clínica depois disso.

— Blaine! — chamaram os gêmeos, gesticulando animadamente, chamando-o para onde eles estavam amontoado com Wes e outros garotos.

— O dever chama... — Blaine revirou os olhos mas sorriu charmosamente para Kurt, efetivamente arruinando o resto das células cerebrais do outro garoto. — Já volto. — Ele se levantou e foi até os outros.

Kurt seguiu-o com os olhos enquanto ele caminhava e observou-o rir. Então ele teve a esmagadora urgência de se bater. Ele estava sendo ridículo. Obviamente Blaine apenas o via como um amigo, e com seu histórico de ser recusado por cada cara aparentemente perfeito com quem ele tentara alguma coisa — Finn? Sam? — ele não se sentia bem preparado para lidar com a rejeição de Blaine.

Amizade é bom...Kurt tentou dizer para si mesmo. Quer dizer, é bom por enquanto. Claro, Finn não era gay e Sam... bem, eu ainda não tenho certeza sobre ele, mesmo que ele esteja com a Quinn... mas Blaine é... incrível, e ele realmente é gay e... nós somos realmente próximos. E nos damos tão bem... Se eu arruinar isso agora...

— Oi, Kurt!

Ele olhou para um pequeno garoto com uma juba encaracolada loiro-avermelhada sentado ao seu lado, oferecendo-o uma coca diet. O garoto pequeno parecia como uma versão mais velha e estranha de um querubim de uma pintura renascentista. Kurt pegou o refrigerando agradecidamente e o garoto disse, com um grande sorriso:

— Meu nome é Reed. Eu moro algumas portas depois da sua.

— Oi. — Kurt sorriu, e então piscou. Ele olhou mais perto para a roupa de Reed. — … esses são... os pijamas Dolce...?

— Oh, você percebeu? — Ele parecia contente. — É, eu realmente gosto deles. Eles são confortáveis e se eu ando por aí usando essas calças, ninguém percebe. E eu gostei do seu broche da Chanel. — Ele apontou para um deles no colarinho de Kurt. — Eu costumava ter um, design diferente, é claro, mas você sabe, esses alfinetes são perigosos e eu poderia me cutucar com um deles, então eu prefiro abotoaduras Harry Winston, porque de outro jeito meu uniforme ficaria simples demais. Para mim, pelo menos. Ah, isso me lembra!

Ele puxou uma caixa de veludo, abriu-a, e tirou outro broche — um escuto azul royal cruzado por um raio dourado. Ele o colocou no colarinho de Kurt.

— Pronto — disse ele. — Esse é nosso brasão. Você é um de nós agora. Não é um broche legal? Foi feito pela De Beers.

Kurt permaneceu com a boca aberta para o garoto. Reed parecia envergonhado.

— Desculpe. É um hábito. Eu falo muito, não falo?

— Não, quer dizer... obrigado por isso e... você... sabe o que usar — disse Kurt com um sorriso curioso.

— Ah, isso vem da minha mãe — respondeu Reed. Ele tomou um gole de refrigerante e gemeu de dor. — Ah, cara! Não acredito nisso! Cortei meu lábio de novo.

— Você está bem? — perguntou Kurt quando o viu sangrando.

— Estou bem... sempre acontece comigo — respondeu Reed quase casualmente apesar de sua óbvia angústia. — Vou por algo nisso aqui, te vejo logo! — E ele foi embora. Ele passou por Blaine, que o viu e então olhou para os outros garotos, dizendo:

— Muito bem, quem deu uma lata para o Reed? Eu já disse, gente, deem pra ele uma caixinha de suco ou algo onde ele não consiga se machucar!

Ele se sentou ao lado de Kurt e sorriu.

— Por que a cara de espanto?

— Acho que encontrei meu novo melhor amigo! — Kurt sorriu.

— Reed? — Blaine riu. — É, eu imaginei que pelo jeito que você se vestem você se dariam bem. Só... tente manter ele longe de qualquer coisa afiada, pontuda ou que possa ser perigosa para crianças. Ele meio que... — ele olhou para onde Reed estava e fez uma careta quando o garoto tropeçou uma raiz e quase caiu de cara no chão — … atrai perigo.

— É, ele é...?

— Nós honestamente não sabemos em que time ele joga. Meu radar diz que sim, mas é tudo um pouco vago — respondeu Blaine, sacudindo a cabeça. — E a gente não quer perguntar. Achamos que talvez ele só seja louco por moda porque ele é filho da Van Kamp e...

Kurt se engasgou com seu refrigerante deselegantemente.

Hilde Van Kamp? A editora de revista de moda?

— Essa aí. Ele é a única outra pessoa no campus que eu já vi com um guarda-roupa remotamente parecido com o seu. É quase apavorante. — Ele olhou para os olhos brilhosos de Kurt e adicionou com um sorriso torto: — … e agora você está apaixonado por ele?

Kurt empurrou-o de brincadeira com o ombro e riu.

— Bom, estou feliz que pelo menos alguém compartilha minha aversão ao uniforme. Porque, você está preocupado que eu me apaixone pelo pequeno Reed?

— Não sei. Posso ficar terrivelmente ciumento com isso. Você vai? — perguntou Blaine com um sorriso brincalhão que fez Kurt corar.


— Pelo amor às nossas sanidades, quando eles vão fazer algo? — resmungou Wes enquanto o pequeno grupo assistia Kurt e Blaine flertarem sem perceber que estavam sendo assistidos. — Eu acho que vou ter que manter a fogueira acesa se eles continuarem assim.

— Eu acho que eles são bem fofos. — Reed, com um band-aid no labio, sorriu.

— É muito cedo, eu acho — comentou Dwight, olhando um pouco insatisfeito por estar longe da segurança do seu círculo de sal. — Kurt acabou de chegar. Trazendo qualquer espírito e auras ruins que atormentavam ele em McKinley.

— Você tem ideia do quanto sofremos com o dramatismo de Blaine quando ele não estava aqui? — Ethan resmungou para ele.

Evan suspirou.

— Eu juro, trazer nossa pequena Alice aqui foi um alívio. Claro, ainda tem Blaine sonhando acordado, mas pelo menos é melhor que antes...

— Não sei, Blaine não parecia tão feliz enquanto esperava por uma mensagem do Hummel antes — comentou Dwight. — Como se ele estivesse esperando por notícias ruins, aliviado quando tudo estava bem. E esse Hummel tem uma séria aura negra de onde ele veio.

— Ah, você vê auras agora? — disse Wes sarcasticamente.

— Estou falando sério! Por que ele se mudou pra cá afinal? Alguém de vocês sabe?

Silêncio. David parecia contemplativo.

— Blaine não disse realmente... na verdade, ele não contou muito além do quão maravilhoso Kurt era. — Ele revirou os olhos.

— Ele sempre pensou que Kurt era adorável enquanto tentava espiar e só decidiu... não sei, ir pra ele — comentou Wes. — Eu não sei o que estava acontecendo quando Blaine desaparecia para Lima a toda hora, mas imaginei que ele estava convencendo ele a trocar de escolar para que pudesse adorar ele o tempo inteiro.

— Isso. — Dwight assentiu com um olhar conhecedor e insano. — Eu sabia. Imaginei.

— Imaginou o quê?

— Que o Hummel foi amaldiçoado. Amaldiçoado. Estou dizendo. Lá na cidade dele, ele deve ter enfurecido algum pesadelo secreto antigo e agora ele trouxe a maldição para nós. E é como... como... como se ele tivesse Blaine amaldiçoado também. — Dwight estremeceu debaixo do seu fino robe escuro. — Amaldiçoado. Como em Garota Infernal ou algo assim. Aquele era um filme assustador, cara.

— O qu... Garota... Cara, você tem que parar um pouco com o sal grosso. — Wes franziu os olhos para ele.

— Eu concordo com a parte da maldição, isso sim. — David sorriu para o obtuso par perto da fogueira. — Vamos lá, eles vão dar em cima um do outro subtilmente e chegar a lugar nenhum. Vamos incomodar o Blaine e acabar com isso.

Os gêmeos felizmente o seguiram e deram um jeito de se meter entre os outros dois e serem gigantescas distrações, culminando em cada um dos gêmeos segurando Blaine ou Kurt e girando-os em uma valsa que mais parecia uma dança de marionetes que resultou em mais que alguns garotos caindo sobre as mortas folhas de outono.

Quando todos na festa finalmente começaram a jogar marshmallows apenas meio derretidos — os gêmeos pegaram duas armas gêmeas de marshmallow e começaram a atirar em qualquer garoto no seu raio — o velho zelador, sr. Tamerlane, chegou. Os garotos, rebocando Kurt, fugiram imediatamente para os dormitórios antes que qualquer um ficasse ao alcance da bengala do zelador — ou pior, da sua vista — e ganhassem cada um uma nova rodada de sanções do chefe da casa, Howard.


A festa tinha acabado bem tarde, e todos em Windsor acabaram indo dormir bem mais tarde do que seria indicado para pessoas que tinham escola no dia seguinte. Kurt tinha certeza, ao voltar a adormecer, que nunca mais seria capaz de levantar, mas ele acordou na manhã seguinte com alguém acordando todo o dormitório aos gritos. Alguém feminino, que estava extremamente infeliz.

— … E EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ AÍ DENTRO, WES! DESÇA AGORA MESMO! DESCA NESSE MINUTO OU EU...!

Com os olhos turvos, ele colocou a cabeça para fora da porta para ver Blaine fazendo a mesma coisa do outro lado do corredor, os olhos ainda pesados com sono e parecendo verdadeiramente irritado. Conforme a gritaria lá embaixo continuou, mais garotos começaram a bisbilhotar no corredor. Blaine passou as portas, coçando os olhos, e bateu na porta do quarto de David e Wes.

— David. David, mais que droga, abre a porta!

Depois de um resmungo de aversão do outro lado, David abriu a porta e parecia muito diferente do seu equilibrado eu usual e também parecia desesperado.

— Acorde Wes e diga para ele que Tabitha está aqui antes que o resto da gente a arremesse pra longe daqui — resmungou Blaine.

— Ele está de ressaca — sussurrou David, gesticulando cansadamente para a outra cama no quarto.

Wes estava enterrado debaixo de um travesseiro ridiculamente enorme, que era tão grosso que provavelmente explicava porque ele não conseguia escutar os gritos. Resmungos estavam começando a vir dos outros garotos, as reclamações aumentando. Blaine franziu os olhos para o abatido corpo na cama.

— Certo. Eu acordo ele... você faça com que ela cale a boca.

— Eu pensei que eles tinham terminado semana passada...? – comentou David, massageando o rosto e claramente não feliz com a tarefa.

— Eles terminaram. Mas parece que ela só descobriu agora.

— … EU JURO QUE EU E VOCÊ VAMOS TER QUE CONVERSAR QUER VOCÊ QUERIA OU NÃO! WES!...

Eu faço ela calar a boca — disse Kurt repentinamente, apertando o cordão do seu roupão e deslizando corredor abaixo, marcas escuras debaixo dos seus olhos.

— Ei! Ei! — Ouvindo isso, os gêmeos correram corredor abaixo e tentaram para ele, bloqueando o caminho e esticando as mãos. — Espere! Espere aí, Alice... não seja o heroi! A Tabitha, ela... ela é louca! Completamente maluca!

— Eu moro com vocês dois, quão louca ela pode ser? — resmungou Kurt ao passar por eles.

Evan se virou para seu irmão com olhos arregalados.

Ai.

— Mas verdade — admitiu Ethan com um sorriso torto.

Então eles perceberam que Kurt ainda estava andando e rapidamente foram atrás deles. Dwight estava perto dos corrimões que apontavam para a sala de estar, segurando um medalhão defensivamente para combater a ira da furiosa garota de leggings pretas, botas ugg, suéter e agasalho no andar de baixo. Ela era notavelmente bonita, com pele bronzeada perfeitamente e longas mechas castanhas onduladas saindo do seu gorro. Mas ela parecia furiosa, gritando e batendo o pé.

Kurt passou por ele ao seguir para as escadas — os gêmeos correndo atrás dele — e Dwight seguiu, alarmado, mão posicionada no gatilho do seu spray de água benta. Ele estava sentindo uma séria aura escura saindo de Kurt agora.

WESLEY JONATHAN HUGHES, É BOM VOCÊ DESCER NESSE MINUTO OU EU...!e então ela soltou um grito de furar os tímpanos em um tom impossivelmente estridente que poderia ter derrubado o candelabro do hall de entrada direto na cabeça dela. Os gêmeos e Dwight estremeceram a isso, as unhas deles arranhando os corrimões de madeira já que o grito jurou dez segundos inteiros.

Kurt nem piscou de onde estava, parecendo positivamente malévolo. Tabitha, respirando com dificuldade por causa dos gritos, finalmente notou o magro garoto nas escadas e fuzilou-o com o olhar.

— O que você está olhando? — E ela se voltou para as escadas e gritou. — WES! DESÇA! AGORA!

— Tudo bem, CHEGA!Kurt finalmente gritou.

Tabitha olhou para ele e lhe apontou um dedo com a unha perfeitamente arrumada.

— Fique fora disso!

— Tudo bem, olhe, sua princesinha mimada da última temporada da Prada. — Kurt caminhou direto até ela, abaixando a mão dela, os olhos em chamas. — Eu já tive o bastante de seu grito estridente a essa hora da manhã! Você foi criada num estábulo? Eu já conheci trogloditas com mais capacidade social do que você! Agora escute aqui...

Ele avançou numa chocada Tabitha que fora calada pela raiva dele, e empurrou o peito dela com um dedo.

— … eu fui arrastado de um lado para o outro, tirado das minhas roupas de marca, colocado em um uniforme, entregado lição de casa para uma semana inteira em um dia, raptado no meio da noite, atingido com marshmallows mal derretidos, tive três horas de sono, e eu nem fiz minha hidratação matinal! Você vai acalmar seu cabelo queimado à ferro, vai pacientemente esperar Wes descer, vai ficar quieta, e vai parar de gritar com sua voz pior que unhas arranhando um quadro negro antes que você arruíne a minha audição perfeitamente afinada e a de cada Warbler nessa casa! Você entendeu?

Extremo silêncio dominava toda a casa.

Tabitha permaneceu encarando-o com a boca aberta e nenhum som saindo. Os gêmeos e Dwight, já na entrada, estavam paralisados em choque. Do mezanino, os garotos de Windsor estavam encarando com variados níveis de admiração e extremo medo. Kurt, respirando pesadamente, agora virou-se e invadiu a sala comunal, passando os três garotos na entrada. Dwight rapidamente se escondeu entre os gêmeos, virando seu medalhão de defesa contra Kurt em horror.

Os gêmeos correram atrás de Kurt, que estava com a testa sobre uma mão.

— Você está... bem...? — perguntou Evan em um suave, assustado sussurro.

Kurt, que parara no meio da área, grunhiu silenciosamente ao deitar a cabeça na mão, o rosto corado.

— … preciso de café. Muito e muito café, por favor.

Ethan correu para a cozinha imediatamente.

— Tabitha! — ofegou Wes do topo das escadas, correndo para baixo e amarrando seu robe atropeladamente. Ele correu até a garota na sala de estar que ainda estava encarando, branca como um fantasma, Kurt. — Baby, o que você está fazendo aqui? Droga, eu disse que você não pode vir aqui... só, só vá, ok? Vamos lá...

— Ele... Ele... Ele acabou de... — Tabitha conseguiu dizer, tremendo, apontado para Kurt.

— Sim, sim, eu sei. E se você preza pela sua vida, você nunca mais vai fazer isso — disse Wes em um tom baixo, empurrando ela até a porta enquanto David se apoiava em um dos corrimões, todo o seu corpo tremendo e redobrado com risada reprimida.

Blaine assistiu os dois partirem antes de cautelosamente seguir até Kurt enquanto Ethan cuidadosamente lhe entregava café, tendo certeza de não tocá-lo enquanto o fazia. A bebida podia estar escaldante, mas Kurt a tomou em dois longos goles e gemeu de alívio.

— Bom, aquilo foi... foi... hum, efetivo. — Blaine o fitou. — Você está bem?

— … o que em nome de Marc Jacobs acabou de acontecer? — murmurou Kurt, desorientado, fechando os olhos.

— … você matou o Jaguadarte? — sugeriu Evan, os olhos arregalados.

— Você assustou Tabitha Adams para fora de Windsor — disse Blaine com um sorriso fraco. — Para sempre, de preferência. Mas a relação iô-iô dela com Wes pode dizer o contrário. Isso acontece uma vez por mês.

Kurt apenas gemeu de novo em resposta, inalando o café novamente e quase drenando ele.

— … eu mal estou aqui há uma semana e já estou me tornando um de vocês... — Ele caiu completamente contra Blaine que pôs os braços ao redor dele e fez sons suaves.

Antes que ele pudesse ajudar Kurt a se sentar, Dwight pegou seu braço e sussurrou para ele:

— … por favor nunca deixe ele zangado, Blaine. Estou com medo. Eu... Eu não acho que consigo exorcizar isso.

— Anotado — disse Blaine, tentando com dificuldade não sorrir ao sentar-se ao lado de Kurt no sofá.


— Eu sinto tanto por hoje de manhã — desculpou-se Wes repetidamente quando encontrou-se com Kurt durante o horário de almoço. — Eu juro que ela não é tão ruim assim...

— Você não está ajudando — comentou Blaine, arqueando uma sobrancelha para ele.

— Certo, ela pode ser um pouco transtornada, mas ainda assim...

— Está tudo bem, Wes — murmurou Kurt, ignorando o ocorrido e tentando se concentrar em suas notas para Física Teórica. — Eu mal consigo lembrar o que disse ou fiz. Meu cérebro meio que desligou e começou a agir no piloto-automático. Eu acho que sinto muito por ter gritado com a sua... hm... o que ela é agora?

— Ainda minha ex — disse Wes com um suspiro profundo. — Pelo lado bom, você soltando aquela avalanche nela fez nossa conversa lá fora bem menos feia do que poderia ter sido.

— Anime-se, amigo. — David colocou um braço nos ombros dele e sorriu. — Sua ex era um pé no saco de qualquer jeito. Você vai sobrevier. E a Terceira Guerra Mundial não vai ter que acontecer contando que Tabitha fique bem, bem longe de Kurt. — Ele riu. — Dwight disse que se Kurt morresse de infarto com toda aquela ira naquela hora, Windsor totalmente se tornaria a próxima casa do filme O Grito.

Kurt grunhiu, embaraçado.

— Eu realmente não quero falar sobre isso... Não sei o que aconteceu comigo...

— Meio que impressionante, na verdade. — Blaine sorriu para ele divertido. — Eu não sabia que você podia ser tão violento. E vou lembrar de te entupir de café imediatamente nos dias ruins. — Kurt corou e apenas voltou a se enterrar nas suas anotações, tentando decorar o formulário e forçando a si mesmo de parar de apreciar o braço de Blaine roçando contra o seu.

— Ei, Kurt! — gritou um dos estudando que estava passando. — Parabéns por entrar nos Warblers!

Surpreso e satisfeito, Kurt sorriu ao receber as congratulações, os apertos de mão, os "toca aqui" e as palmadinhas no ombro. Só então que ele entendeu o que Blaine quis dizer sobre os Warblers serem estrelas do rock — todo mundo no corredor parecia saber quem ele era. Era de certa forma surpreendente.

Blaine assistiu Kurt maravilhar-se com a atenção e sorriu consigo mesmo. A escola parecia estar conquistando-o o bastante. Estudantes paravam abertamente para conversar com Kurt nos corredores, perguntar sobre a escola e os Warblers, ou apenas para dizer oi. Ele podia dizer que Kurt não estava acostumado a esse tipo de atenção, mas parecia fazer a transição mais fácil.

— Isso me lembra — disse Kurt, olhando para cima. — Eu deveria pegar minha própria cópia das músicas escolhidas para as Seccionais e as partituras das outras músicas em que vocês estão trabalhando.

— Medel disse que vai deixar seu portfólio no Saguão — respondeu Blaine. Ele olhou ao redor e percebeu que eles estavam passando o corredor que levava para o Saguão. — Quer ia pegar antes de ir ao refeitório?

— Podem ir, eu encontro vocês lá — respondeu Kurt, apressando-se corredor abaixo, exultante.

Wes riu ao assisti-lo partir.

— Ele é entusiasmado, tenho que admitir.


Kurt se apressou para o Saguão dos Warblers e silenciosamente abriu a porta. Uma música um tanto familiar o recebeu enquanto ele entrava, vindo do piano.

Havia um belo garoto sentado ao piano, os dedos movendo-se delicada e facilmente sobre as teclas, tocando a melodiosa harmonia. Com a cativante cor em sua voz, ele estava cantando junto casualmente.

...I realize... it was only a dream... oh... (eu percebo... foi apenas um sonho... oh...)

Kurt parou para assistir contra a vontade. O Adonis de longas pernas sentado no piano continuou tocando, aparentemente sem notá-lo.

I open my eyesit was only just a dream(Abro meus olhos... foi apenas um sonho...)

E ao virar a cabeça, ele viu Kurt. Paralisado pelos pálidos olhos verdes que agora o encaram em surpresa, Kurt começou a gaguejar com gestos estranhos:

— Eu... sinto muito, eu não queria interromper.

Mas o garoto apenas sorriu e indicou que ele entrasse.

— Tudo bem. Eu só estava experimentando de qualquer jeito.

Foi a vez de Kurt de sorrir, relaxando. Ele caminhou até ele, colocando sua bolsa em uma das cadeiras no caminho.

— Você é um Warbler também?

— Sou sim — respondeu ele, olhando enquanto Kurt parava sob a luz que vinha das janelas. Ele o contemplou com olhos apreciativos e um sorriso. — E você é, de certo, o nosso novo contratenor. — Ele aumentou o sorriso ao estender uma mão. — Sou Logan Wright.

— Kurt — disse Kurt ao apertar sua mão. Logan era perturbadoramente bonito. Seu fino cabelo loiro estava arrumado para trás e seus olhos estavam intensamente penetrantes enquanto pareciam avaliá-lo. — Kurt Hummel.

— Eu sei. — Logan riu. — Eu te vi e te ouvi ontem. Não tinha possibilidade de Harvey não te adotar. Você está em outro nível.

Uma coisa era estar em uma escola onde todos eram amigáveis e gostavam dele, mas Kurt nunca tinha experimentado estar com um garoto que abertamente o contemplava admiradoramente sem nem tentar esconder isso. Ele se sentiu corar contra a vontade, sentindo-se estranho.

— Windsor? — perguntou Logan, indicando o broche na lapela de Kurt.

— Sim. — Kurt viu que Logan também tinha um broche, mas que era um escudo vermelho com dois raios brancos cruzando-se. Logan o viu observando e sorriu.

— Stuart — explicou ele.

— Ah. — Kurt assentiu com um sorriso.

— O que te traz aqui?

— A sra. Medel disse que o meu port... — Ele parou de falar já que Logan imediatamente esticou a mão, segurando uma pasta preta e azul com outro sorriso devastador. Tudo isso começou a fazer Kurt se sentir um pouco desconfortável. Ele pegou o portfólio. — Obrigado...

— Vi que estava no piano quando sentei aqui.

Kurt o olhou curiosamente.

— Você só entrou e começou a tocar?

— Como eu disse, eu estava testando uma música, talvez para o Festival de Música de Outono. — As mãos de Logan tocaram as teclas suavemente de novo, a mesma harmonia. Ele ergueu a própria voz para acompanhar.

Ele cantava bem, Kurt tinha que admitir.

— Você vai cantar Just a Dream?

Agora Logan parecia imensamente contente.

— A versão do Sam Tsui? Sim. Não achei que você conhecia ela.

— Eu também uso o Youtube, sabe. — Kurt sorriu torto.

Logan retribuiu.

— Você arrebentou cantando "Don't Cry For Me Argentina" no seu teste. Não achei que ele fosse seu estilo.

— Eu gosto dele. Ele é bom.

— Então me ajuda? — Logan parecia quase envergonhado. Ele estendeu um papel com a letra para ele. — Estava pensando em fazer essa música, mas não tinha certeza de como soaria.

Kurt, surpreso, olhou para o papel nas suas mãos e então de volta para Logan.

— … você precisa de um parceiro para esse dueto. Para cantar a parte de Christina Grimmie.

— Por isso que eu estava pensando em desistir — admitiu Logan. — Inferno, nem sei se conseguiria cantar. — Ele tocou mais algumas notas. Kurt o assistiu e então cuidadosamente disse:

— Bom... você sabe que soou muito bem. Para treino.

— Sério. — Logan parecia divertido. Kurt ainda não tinha certeza se estava confortável com o jeito com que Logan o olhava, como se estivesse tentando ver através dele. Mas o sorriso era amigável. — Quer cantar comigo? — Ele se endireitou e pôs as mãos no teclado de novo, começando a melodia de entrada. — Apenas a primeira parte. Eu só preciso que alguém harmonize comigo. Se eu for uma droga total, sinta-se a vontade para me parar a qualquer instante e jogar os papéis na minha cara.

Kurt riu, mas então parou quando percebeu que ele estava sério. Logan tocava o piano bem, com quase nenhum esforço. Kurt se moveu um pouco.

— Eu nunca tentei esse tipo de música antes, na verdade...

— Arrisque. — Logan deu de ombros descuidadamente com um sorriso preguiçoso. — Qual o problema em fazer algo um pouco diferente?

Fazia sentido, e Kurt sorriu um pouco. O outro garoto o olhou.

— Você não se importa em cantar a parte de Christina?

— Não é como se eu tivesse muita escolha. — Kurt fez uma careta, e Logan riu.

Olhando-o enquanto tocava, Logan começou a tocar.

I was thinkin about you, thinkin about me (Estava pensando sobre você, pensando sobre mim)

Thinkin about us what we gonna be? (Pensando sobre nós, o que será de nós?)

Open my eyes… (Abro meus olhos...)

Kurt estava aturdido contra a vontade. A voz de Logan soava ainda melhor quando ele realmente queria cantar e não estava apenas tentativamente praticando. Kurt quase esqueceu sua entrada, mas então se uniu. "...it was only just a dream." (era apenas um sonho).Com o aceno encorajador de Logan, o corpo balançando-se suavemente com a música, Kurt começou seu verso.

I travel back, down that road (Viajo de volta, estrada abaixo)

Will you come back? No one knows (Você vai voltar? Ninguém sabe.)

I realize, it was only just a dream… (Percebo... foi apenas um sonho...)

Apesar de não ser seu estilo usual, Kurt se pegou movendo-se com a música e sendo envolvida por ela. Logan sorriu e cantou de novo, sua voz confiante e perfeita com a música:

I was at the top and I was like I'm in the basement (Eu estava no topo e era como estar no porão)

Number one spot and now you found your own replacement (Em primeiro lugar e agora você achou seu próprio substituto)

I swear now that I can't take it, knowing somebody's got my baby (Juro que não posso aguentar, sabendo que alguém tem meu amor)

Ele é... muito bom, maravilhou-se Kurt. E a canção era o tipo de música perfeita para a voz dele. Logan se inclinou enquanto cantava, cantando para ele, seu corpo dançando um pouco com a música.

And now you ain't around, baby I can't think (E agora que você não está por perto, baby, não consigo pensar)

I shoulda put it down. Shoulda got that ring (Deveria ter tentado, comprado aquele anel)

'Cause I can still feel it in the air (Porque ainda consigo senti-lo no ar)

See your pretty face run my fingers through your hair (Vejo seu lindo rosto, corro os dedos pelo seu cabelo)

My lover, my life. My baby, my wife (Minha amante, minha vida, meu amor, minha mulher)

You left me, I'm tied (Você me deixou, estou de mãos atadas)

'Cause I know that it just ain't right(Porque agora sei que simplesmente não está certo...)

Kurt se uniu a ele de novo agora, suas vozes harmonizando-se para o refrão.

I was thinkin about you, thinkin about me (Estava pensando sobre você, pensando sobre mim)

Thinkin about us, what we gonna be? (Pensando sobre nós, o que será de nós?)

Open my eyes; it was only just a dream (Abro meus olhos, foi apenas um sonho)

So I travel back, down that road (Então viajo de volta, estrada abaixo)

Will you come back? No one knows (Você vai voltar? Ninguém sabe.)

I realize, it was only just a dream… (Percebo... foi apenas um sonho...)

Logan deixou a música acabar suavemente, improvisando algumas notas antes de deixar o silêncio reinar. Suas mãos pararam sobre o teclado, e ele olhou para Kurt com um sorriso estranho. Era o tipo de sorriso que Kurt já tinha visto uma vez: em Finn, quando Rachel cantara "The Only Exception" para ele.

E ele não sabia o que fazer disso.

— E ainda nem é seu estilo — zombou Logan. — Você não foi muito mal não.

— Ainda acho que não combina muito comigo, mas... foi tudo bem. — Kurt deu de ombros, evitando os olhos verde-pálidos de Logan.

— Ah, verdade... — Logan se inclinou um pouco para a frente, divertido.

A porta do Saguão praticamente bateu ao abrir.

Os dois ergueram o olhar para ver cinco garotos parados ali. Tinha sido Wes quem abrira a porta, e sua mão ainda estava nela. David estava do outro lado, as mãos nos quadris. Blaine estava no meio deles, na frente, com Evan e Ethan às suas costas.

Todos os garotos tinham algum tipo de sorriso no rosto, mas Kurt viu algo obscuro por trás desses sorrisos. O de Blaine era quase uma careta, e das frias.

— Olá, Logan.

— Olá, Blaine. — O sorriso de Logan era frio e composto.

— Kurt — disse Blaine com um sorriso mais gentil para o garoto um pouco assustado. — Nós devíamos comer alguma coisa antes da sua aula de física. Você vai precisar.

— Claro. — Kurt riu, sentindo-se um pouco aliviado. Ele pegou seu portfólio e sua bolsa e olhou para Logan com um sorriso pequeno. — Obrigado, de novo.

— Não, obrigado você.Logan sorriu gentilmente. — Não acho que vá usar essa música, mas foi bom. Para treino.

Vamos, Kurt — disse David, com um tom na voz que Kurt nunca tinha ouvido antes, e que ele levemente pensou que estava imaginando. David nem estava olhando para ele ao dizer isso; seus olhos estavam fixos e intensos em Logan.

Blaine pegou a mão de Kurt e o puxou para fora. Seu toque era quente e gentil como sempre, e Kurt se perguntou se as expressões nos seus rostos antes não tinham sido truques da luz. Foi Wes quem fechou a porta e, enquanto eles desciam o corredor, disse entusiasmado demais:

— Então! Almoço?

— Sim. — Kurt assentiu, e então olhou seus amigos. — … vocês estão bem?

— Absolutamente — respondeu Blaine, sorrindo para ele.

Kurt corou. Agora ele entendia a diferença entre os sorrisos de Blaine e Logan. O sorriso de Logan era do tipo que te pegava de vez e que seria encontrado numa propaganda de uma revista. O sorriso de Blaine, por outro lado... era dele próprio — e perfeito.

Kurt apertou mais forte a mão dele e sorriu de volta.

— … fico feliz que vocês chegaram naquela hora.

— Claro... — Blaine assentiu, olhando para frente. Ele não queria dizer para Kurt o quão aliviado ele estava por ouvir isso.


Do Saguão dos Warblers, Logan se inclinou sobre o lugar onde Kurt estivera sentando contra o piano. Ele estava olhando para a janela, preso em pensamentos. E então, uma voz soou da porta. Um garoto carregando uma bolsa de couro estava parado ali. Ele era mais baixo que Logan, mas seu corpo parecia longo e forte, como o de um atleta. Na sua lapela estava um escudo vermelho cruzado com raios brancos.

— Primeira vez que te vi cantando com alguém em um bom tempo.

Logan sorriu sem se virar.

— Eu sei... Fiquei interessado.

— Os garotos de Windsor não pareciam muito felizes — disse o outro garoto friamente. — Especialmente Blaine. Achei que ele ia surtar quando vi eles escutando vocês.

— Sério — disse Logan, olhando pela janela para o nublado céu de outono que o lembrava da cor dos outros de Kurt. — … isso é muito interessante.


E Reed, que estava passando por perto, ouviu tudo isso, guardou na memória e fugiu corredor abaixo.

Edição: betada por golden stars.