Título: Despedaçando
Capítulo 3 – Detenção
O sol adentrava fracamente pela vidraça da janela, passando pela cortina aberta, iluminando todo o aposento e dando formas ao piso branco, através das sombras alongadas dos móveis e poucos objetos ali dispostos. Entre as sombras, notava-se uma em especial, localizada frente à janela. Uma pessoa, sentada em uma cadeira.
Um rapaz de tez levemente bronzeada e cabelos negros. Descansava o corpo no encosto da cadeira, os pés cruzados sob a mesma e os braços pousados sobre o colo, dedos entrelaçados. Seus olhos, castanhos caramelos por detrás de lentes, fitavam com um interesse hipnótico o alvo de sua fixação.
Em meio a esse ambiente tranqüilo e relaxante, onde nada, além do distante som dos pássaros a cantar do lado de fora, observava a criatura que descansava sobre a cama.
Cabelos longos e incrivelmente platinados brilhavam pelo raio do sol a banhar-lhe inteiro, se espalhavam sobre o travesseiro, caindo algumas madeixas macias ao lado da cama. O lençol cobria o corpo esguio até a altura do peito, deixando à mostra o fino tecido de algodão de sua veste azul claro e os braços alvos estendidos ao lado do corpo. Mãos de dedos longos e relaxados caídas sobre o colchão. A pele estava tão pálida, que retratava uma harmonia doentia, quase a sumir pelo branco impecável de cada peça de cama que o envolvia, mas ao mesmo tempo bela e cheia de paz. O rosto era como uma pintura medieval, de traços delicados e aristocráticos, queixo e maxilar bem delineados, dando ao semblante, um quê de nobre e perfeito. Nariz fino e empinado, pálpebras no momento serradas que se destacavam pelos volumosos e alongados cílios que brilhavam platinados como o cabelo. Boca suave, rosada e bem definida, levemente entreaberta, por onde escapava a silenciosa respiração.
Nunca vira criatura mais encantadora...
Seus olhos caramelos percorreram cada uma dessas características, com lentidão e uma indescritível satisfação. Era tudo um tanto – surreal.
Esticou uma das mãos até sentir sob os dedos, a pele macia e fria, conferindo que era real. Deslizou os dedos da testa coberta por alguns fios louros, passando cuidadosamente pelas pálpebras, nariz e boca, para sentir a respiração difícil que escapava pela mínima abertura de lábios. Penetrou essa estreita cavidade com o indicador e sentiu a umidade e a língua repousada atrás de fileiras de dentes brancos. Puxou a mão para leva-la de encontro à própria boca, fazendo o mesmo e provando indiretamente aquela boca.
Estremeceu sem entender a si mesmo, e o porque de estar ali.
Talvez preocupação por não vê-lo nas aulas durante a semana inteira, depois do acontecido na Floresta Proibida, tentou esclarecer sua própria inquisição. Nada de mais...
As duas únicas coisas que manchavam o branco impecável daquele ambiente eram: ele com suas vestes estudantis e uma vassoura, apoiada na parede, perto da janela.
Sua atenção foi desperta ao notar um suave movimento de seu objeto de contemplação. Então, ficou tenso e inseguro. Manteve o corpo imóvel e a respiração suspensa, em antecipação, mas pereceu que o outro notara sua presença e tentava abrir os olhos, um pouco irritados pela claridade.
James se levantou e se encostou à cama, não querendo perder o momento de vislumbrar o azul, mas o que viu foi o chispar prateado, conforme as pálpebras tremulavam e se erguiam. Depois de algumas piscadas, para acostumar a vista, foi fitado nos olhos e só então, percebeu que sorria.
- Potter? – o outro lhe sussurrou com voz rouca.
Som de vozes se aproximando desviou a atenção do olhar azul prateado para a porta, que se abriu mostrando Madame Pomfrey e Severus Snape. Quando retornou a atenção ao rapaz a seu lado, só sentiu o vento roçar-lhe o rosto e viu as cortinas brancas balançarem.
Em um instante estava sob domínio de um castanho intenso e um sorriso encantador, num instante depois, apenas sentia o vento tocar-lhe a pele e bagunçar os fios de seu cabelo.
- Merlin! – exclamou Pomfrey correndo em direção a janela e cerrando a vidraça. – Como esta janela estava aberta? Você ainda está debilitado e não pode tomar friagem!
- Lucius... – cumprimentou Severus, ignorando as reclamações da enfermeira e vendo como estava o semblante do amigo.
O loiro ainda estava muito pálido, mas o que mais chamou a atenção, era em como ele mantinha o olhar preso na janela, onde se podia visualizar o céu de um azul apagado e algumas nuvens. Parecia disperso.
James passou num rasante sobre as cabeças de alguns estudantes que estavam sentados na arquibancada e tomou o céu novamente. Voando em círculo sobre o campo de Quadribol, seus olhos buscaram seus amigos. Remus estava sentado no gramado, observando seu vôo, Peter estava a alguns metros de distância, voando também, mas nada de Sírius.
Olhou atento para todos os lados, quando Black apareceu em alta velocidade se aproximando, suas vassouras pareciam que iam se chocar, mas apenas as capas de ambos se colidiram e James tratou de girar o corpo e disparar atrás do melhor amigo. Travaram uma disputa de velocidade e reflexos, subindo e descendo como uma onda e ziguezagueando pelas poucas árvores que cercavam o campo.
- Vamos, sua lesma! – gritou Sírius, afobado.
- Lesma é? – revidou, se concentrando nos movimento de seu melhor amigo e quando conseguiu, o ultrapassou tomando dianteira e gargalhando do xingamento de Black.
Depois de meia hora se divertindo, os três amigos desceram ao chão e desmontaram as vassouras. Remus os aguardava de pé, rindo da cara dos dois, vermelhos, suados e descabelados pelo exercício. Apenas Peter teve bom senso de somente voar e manter distância da brincadeira daqueles dois.
- Estou faminto! – disse Pettigrew. – Vamos comer algo, já são uma e meia da tarde, talvez ainda haja algo pra se comer, no Salão Principal.
- E eu estou morrendo de sede! – acrescentou Lupin.
- Vão indo primeiro, iremos guardar as vassouras e tomar uma ducha rápida e nos encontraremos lá – propôs Sírius, pegando a vassoura de Peter e puxando James para o vestiário.
Guardaram as vassouras no armário e caminharam em silêncio até o vestiário da Grifinória. Despiram-se e se enfiaram debaixo do chuveiro. O vapor a se espalhar rapidamente pelo ar e tampar a vista de quem ali entrasse.
James suspirou com satisfação, manteve os olhos fechados deixando a água bater em sua nuca e deslizar pelas costas, relaxando os músculos pré-exercitados.
- Nada como voar! – sorriu, quebrando o silencio entre eles.
- Yep! – ouviu a voz animada de Black. – Então, por que foi vê-lo?
Potter abriu os olhos pela repentina mudança de assunto. – Ver?
Levou um cutucão no braço e reclamou alto, esfregando o antebraço atingido por Sírius.
- Não venha com essa! Sou seu melhor amigo! Anda, fala logo! – reclamou. – Então, o que foi fazer na enfermaria?
James sorriu de leve enquanto corava, e deu graças pelo vapor encobrir o ambiente a seu redor.
Era domingo e decidiram passar o tempo voando, coisa que James apreciava muito. Buscaram suas vassouras e alcançaram o meio do campo. Somente Remus não quis tomar os céus, preferindo ficar deitado sobre a grama e observando os amigos se divertir.
Sem esperar pelos demais, afobado como sempre, montou na vassoura já tomando altitude em uma considerável velocidade. Subiu bastante, e inspirou o ar frio que revolvia seu cabelo. Era a melhor coisa nesse mundo! Voar!
Abriu os olhos e buscou a paisagem de Hogwarts. O castelo, o campo, a floresta... Até sua vista parar em uma janela em particular. Uma, que era da ala hospitalar. Forçou a vista e pôde distinguir, uma pequena figura a sumir no branco de uma das camas, perto da janela, a única ocupada.
- Malfoy... – o nome viera-lhe a mente no mesmo instante.
Sem pensar, partiu como uma flecha e desapareceu da vista dos amigos, ou de quase todos os amigos. Deu a volta pelas torres do castelo, e manteve-se flutuando no mesmo lugar, frente ao vidro. Espiou dentro e não havia ninguém, apenas a figura que descansava solitária sobre a cama. Empurrou a vidraça, mas ela não cedeu, o que o levou a sacar a varinha e abri-la a força.
- Diffindo – disse, apontando para a tranca e a janela se abriu num clic.
Entrou com cuidado, para não fazer barulho e despertar o enfermo, desmontou a vassoura e a colocou ao lado da janela, tratando de fechar a vidraça, impedindo que o vento frio causasse mal ao outro rapaz.
Uma cadeira estava ao lado da cama, sinal de que alguém esteve ali, velando o paciente. Só podia ser o seboso, pois era o único que Malfoy andava e conversava com maior intimidade. Franziu o cenho, mas olvidou qualquer pensamento a respeito desses dois, sentindo como uma perturbação lhe subia pelo estômago, a princípio imperceptível, mas aumentando. Sentou-se nela e pousou os olhos ao pálido sonserino.
Estranhamente se sentiu em paz. E apenas se manteve naquela posição, observando o sono do outro, como se nada mais importava. Sentia-se culpado e queria pedir desculpas pelo que aconteceu. Não tivera a intenção de prejudica-lo e inabilita-lo durante uma semana naquela cama da enfermaria.
Passaram-se alguns minutos, talvez dez ou quinze, quando resolveu toca-lo. Constatou que não tinha febre, mas a pele estava um pouco fria demais. Ou era ele que estava quente demais? Porém, por dentro, estava quente, tão quente que seu dedo, introduzido pelos lábios finos e rosados, pareceu queimar, levando um tremor por sua espinha e o obrigando a retira-lo. E o tomou em sua própria boca, sentindo o suave sabor de menta contido na pouca saliva que experimentava.
Então ele abriu os olhos... E o fitou... E sussurrou seu sobrenome...
E esquecera-se de que estava clandestinamente na enfermaria, e vozes perigosamente perto da porta. Voltou a si quando os olhos prateados se desprenderam dos seus e olhou para a porta apenas para ver a maçaneta girar, e no instante seguinte, arregaçava a janela e se jogara por ela com a vassoura em mãos. Montou e alçou vôo antes de se chocar contra o chão, para voltar velozmente até seus amigos.
Ao menos, sabia que estava bem...
- James Potter!
O grito o sobre-saltou de susto e quase se afogou com a água quente que caía do chuveiro. Tossiu algumas vezes buscando a torneira e fechando a água. Pegou a toalha que estava sendo estendia de encontro ao rosto e tratou de se enxugar e se enrolar nela.
- Quase me mata, Sírius! – o recriminou quando estavam no vestiário, colocando as roupas.
- Estava te chamando faz tempo e você estava sonhando! Anda, conta logo! – exigiu impaciente.
- Eu fui ver como Malfoy estava, depois de tudo que aconteceu naquele dia... – sussurrou entretido em calçar os sapatos.
- Foi é? – estreitou os olhos com desconfiança.
- E por que seria então? – finalmente ergueu a vista para encarar o amigo.
- Não sei, você ficou muito estranho, desde que esse sonserino foi transferido...
- Ele já era de Hogwarts, só estava fora durante o quinto ano.
- Viu só? – Sírius apontou.
- O quê? – James ficou surpreso. – Foi o professor quem disse, na aula de Feitiços, se esqueceu?
Black susteve os olhos do amigo e o analisou. Realmente James falava a verdade, seu olhar mostrava isso, além de mostrar certa confusão de emoções. O que era mal.
- Escuta amigo... Quando algo acontecer, não duvide em me falar, ok? Haja o que houver, somos e seremos sempre amigos.
- Certo... – James e Sírius se abraçaram num sorriso.
- Agora vamos, não quero deixar Remus esperando – voltou-se para sair, quando foi chamado.
Olhou para trás, e deteve-se perante o olhar castanho, cheio de confusão.
- Seria má idéia ser amigo de um sonserino? – perguntou com dificuldade.
Black ergueu uma sobrancelha.
- Esquece, é uma má idéia! – James se corrigiu na hora e sacudiu a cabeça tentando botar as idéias no lugar.
- Tudo que vem dos sonserinos é uma má idéia... – afirmou com voz neutra, mas completou. – Mas se é o que quer... Só digo que seria interessante e Remus e eu não ligaríamos. Acho que Peter daria pouco caso também.
James sorriu. – Vou pensar melhor, acho que é só confusão da minha cabeça. Me sinto culpado, sabe?
- Converse com Remus, ele é melhor que eu pra dar conselhos, você sabe.
E sorrindo, seguiram para o Salão Principal, onde os outros dois amigos os esperavam, com uma generosa quantidade de comida e suco de abóbora.
Já fazia duas semanas que recebera alta da enfermaria. Passara a manhã cumprindo o horário de classes, almoçou rápido para poder inteirar as aulas perdidas e agora seguia com a turma para a aula de Herbologia.
Snape vinha a seu lado, calado, enquanto ele conversava com alguns colegas que o cercavam.
- Odeio Herbologia! – resmungou uma colega, com desdém. – E você Malfoy?
- Nada contra nem a favor... – disse a verdade, sem muito entusiasmo em conversar com ela.
- É horrível, nojento e as plantas na maioria fedem! Por que não matamos aula? Ninguém vai perceber, tem um lugar aqui perto, onde podemos sentar e conversar, sem assistir aula e sem precisar voltar ao castelo. O que acha? – ela propôs com um sorriso sensual.
Severus rolou os olhos ao ouvir a proposta indecente. Não era a primeira vez que Malfoy recebia essas cantadas em plena luz do dia e até em sala de aula.
- Devo recusar a oferta, pois não quero perder essa aula, pra ficar... Me inteirando com você. – foi a resposta ríspida.
Lucius segurou o braço de Snape e apressou os passos, deixando o restante para trás, incluindo uma decepcionada garota loira. Andaram alguns metros e se colaram ao grupo que seguia mais à frente, da Grifinória. Não se importaram.
- Você está sem paciência hoje – Severus observou.
- Hoje foi insuportável... Primeiro Goyle me cantando na aula de DCAT, depois a dentuça da Lufa-Lufa no almoço, agora essa burra... Não falo por mim, se algo mais acontecer – resmungou.
- Goyle? – Snape repetiu com um tom de divertimento.
- Não tem graça, Severus! – Lucius apertou seu braço que ainda mantinha preso. – Não foi nada gratificante!
- Posso imaginar... – e recebeu outro aperto que quase o fez sorrir.
- Fora que aquele grifinório ficou me encarando na biblioteca... – murmurou, pois estavam perto dos leões.
Severus carregou o cenho. – Qual deles? – perguntou, mas já desconfiando da resposta.
Lucius indicou com a cabeça para as costas de um certo moreno de cabelos negros e arrepiados, que ria, conversando com Black, Lupin e Pettigrew.
Como que sentindo a encarada, James virou a cabeça para trás e notou os dois sonserino, quase de braços dados e andando tão colados que suas roupas pareciam uma só. Voltou a cabeça para frente, já sem vontade de continuar a rir.
Sentiu sua mão ser apertada e olhou um pouco surpreso para Lily. Estavam andando de mãos dadas desde o término da aula anterior.
- Está tudo bem? – ela perguntou, notando que o namorado ficara calado.
- Sim... Claro – e simulou um sorriso.
No seu interior, travava uma luta de perguntas e respostas. E sempre chegava à conclusão de que era culpa que o estava atraindo ao rapaz loiro. E uma dívida por ter sido salvo.
Conversara com Remus sobre o assunto, e este caiu pensativo por um par de horas, refletindo e analisando sua situação. Até confirmar que seria melhor aderir a sua vontade e passar a limpo essas pendências.
- Só posso te alertar para uma coisa, James... – disse o rapaz. – Pode sair fora de seu controle e ferir alguém, além de si mesmo.
- Será só uma amizade... – tranqüilizou.
- E se não for isso que suas emoções dizem? – insistiu, temendo o pior.
- Você diz como se eu fosse ter um relacionamento íntimo com ele – e riu. – Eu amo a Lily.
- Como tem certeza? – Remus não queria desafiar ou retrucar, só queria garantir que James tivesse a certeza de que existem atos sem voltas.
- Como assim? – perguntou duvidoso.
- Como sabe se o que sente por ela é amor? – clareou a pergunta, o olhar fixo nos do amigo.
- Porque nos damos bem, ela suporta meus defeitos e eu os dela, e conversamos muito, nos entendemos bastante. Não permitiria que nada a ferisse... Nada!
- Existe amor fraterno... – Lupin insistiu.
- Eu a amo! E só ela! – e deu por encerrado o assunto do amor.
Um cutucão o tirou dos devaneios, era Remus. Já estavam na estufa, e este lhe indicou com a cabeça, para o sonserino loiro, não muito distante de onde estava.
- Vai falar com ele?
- Sim... Mas não sei como... – sussurrou. – Eu tive oportunidade quando o encontrei sozinho na biblioteca, mas não tive coragem...
Lupin se assustou, e percebeu que James nem notara o que disse. Não ter coragem de levar patada não era algo que James sentisse. E na maioria das vezes fazia as coisas por impulso e depois via as conseqüências.
Nesse momento, um dos sonserinos fez um comentário, enquanto esperavam a professora. Como estava do outro lado da mesa, foi inevitável chamar a atenção de todos, já que a pessoa mencionada, se encontrava a sua frente. Aparentemente conversava algo com seu colega ao lado.
- Eu prefiro as rosas brancas, pois parecem com Lucius Malfoy. Belas, delicadas e de textura aveludada. São irresistíveis pela flor, e ao mesmo tempo perigosas por possuir seus espinhos...
Para James, não havia comparação mais perfeita.
Lucius ergueu os olhos com sarcasmo, para se deparar com um sorriso malicioso em sua direção.
- Que poético! – caçoou com asco. – Então, é melhor não brincar comigo, ou acabará se ferindo, por algum dos meus espinhos...
A tensão tomou conta dos que estavam mais perto deles. Todos aguardavam o revide, pois eram dois sonserinos discutindo, por incrível que parecesse.
- Não tenho medo de me ferir, pois seus espinhos são fracos para me machucar, e eu posso desfrutar de sua flor, quando e como eu bem quiser... – debochou o outro, bem mais alto e forte que Malfoy. Piscou um olho fazendo um 'tsc' com a boca, em sinal de superioridade.
- Lucius – Severus tentou pará-lo, mas foi tarde.
Num instante, o loiro sacou a varinha e com um 'estupefaça' golpeou o peito do outro, que voou longe, caindo sobre as mesas e derrubando tudo que estava em cima delas. Empurrou as pessoas, que tentavam segura-lo, e se aproximou do colega de casa.
- Enervate – o fez acordar. - Desculpe-se pelo que disse... – ordenou com voz calma.
- Vai se arrepender... – cuspiu o outro, com desprezo.
Lucius voltou a apontar a varinha em direção ao outro, preste a lançar-lhe outro feitiço, quando a voz da professora soou alto, o fazendo parar.
- Estupefaça! – ela gritou, pois Lucius aparentava realmente furioso e não queria mais problemas em sua aula, sendo que achou melhor desmaia-lo e leva-lo à enfermaria para depois tomar sua devida detenção.
- Finite Incantatem! – e o contra feitiço evitou que o loiro fosse ferido.
Todos suspenderam a respiração, e a professora lançou um olhar surpreso para o aluno que a enfrentara. Lucius seguiu o olhar dela e se deparou com o grifinório, um pouco tenso, que segurava a varinha, agora baixa.
- Desculpe, professora... Mas ele já não ia mais fazer nada. E... Não há necessidade... Bem... De usar a força... Ou, senão... Desculpe-me...
- James... Você pirou? – sussurrou Lily, totalmente em pânico.
Remus estava com os olhos arregalados e a seu lado Sírius mordia o dedão, para evitar gargalhar e se ferrar junto. Peter estava mais atrás, observando atento o desenrolar da cena, e Severus alterava o olhar de Lucius a James com um semblante nada compensador. Aquilo estava caminhando para um lado perigoso.
- Já que insiste senhor Potter. Detenção junto com o senhor Malfoy – foi a palavra final da professora. E quanto a você, e olhou ao outro rapaz. – Levará detenção, mas com outro professor, pois não quero encrenca.
James estava sentado perto da estufa, quando viu a sombra do outro rapaz se aproximando. O cabelo e o rosto a se iluminar com a claridade da lua. Eram meados de março, e mesmo não estando mais frio, o vento noturno ainda mantinha uma baixa temperatura.
Lucius se aproximou e parou a alguns passos do grifinório, o olhando com igual interesse e uma curiosidade. O moreno ficou tenso e se levantou, limpando a garganta e esfregando as mãos. Estava nervoso como se este fosse seu primeiro encontro, o que era absurdo, já que os dois estavam ali, não para se encontrarem, mas para cumprir a detenção.
O loiro ergueu uma sobrancelha e cruzou os braços, estando um pouco incomodado com o olhar e o nervosismo de seu acompanhante.
- A professora ainda não chegou? – perguntou baixo.
- Virá daqui à meia hora... – foi a resposta, mais baixa ainda.
Lucius ficou confuso. – Você disse pra me avisar que era pra estar aqui às dezenove e trinta.
- A detenção é às vinte horas... – dessa vez, preferiu desviar os olhos para qualquer outro lugar que não fosse o olhar irritado do sonserino.
- E posso saber o motivo de estarmos aqui meia hora adiantados? – seu tom foi mais ríspido.
- É que... Eu queria conversar com você – murmurou, ainda olhando para algum ponto interessante no chão.
Com um movimento fluído, o loiro se encostou à estufa e aguardou com paciência, afinal, teria que ficar ali esperando durante meia hora. E encravou os olhos ao de Potter.
- Estou esperando...
- Bem... – resolveu falar logo de uma vez. – Eu estava querendo falar com você desde a biblioteca...
- Eu percebi, afinal, do jeito que você ficou me encarando, só podia estar querendo algo. – o cortou irritado. – Vamos Potter, já se passaram cinco minutos.
James corou um pouco e se irritou pela frieza do sonserino a sua frente. Já não tinha certeza se queria ter essa amizade. Talvez fosse melhor esquecer e deixar de lado. Então, lembrou-se da dívida que tinha pendente e da culpa de tê-lo quase matado naquele subterrâneo, pois a idéia daquela brincadeira havia sido sua, desde quando viu Malfoy e Snape estudando na biblioteca, aquela manhã.
Ergueu os olhos e enfrentou o olhar azulado que ainda esperava por suas tão importantes palavras.
- Eu queria propor... – ponderou as palavras, não queria ser interpretado mal.
- Propor? – o outro insistiu.
- Unmizad... – sussurrou embolando as palavras. De repente, sua língua ficou boba e sem controle.
- Não entendi Potter... Está tirando com a minha cara? Ah! Saquei! – e olhou ao redor. – Tudo bem, pode falar para os seus amigos aparecerem.
James quis se espancar. Não entendia como estava nervoso desse jeito, a ponto de não ter controle das próprias palavras. Olhou ao sonserino, que espreitava as sombras com o olhar desconfiado. Só podia ser influência do porte inabalável que ele mantinha, mesmo quando estava esgotado, como naquele dia.
- Não é uma brincadeira Malfoy... – disse mais alto, tentando dominar o nervosismo quando voltou a ser encarado. – Eu queria propor... – tomou fôlego. – Uma amizade entre a gente. Apenas entre a gente, não precisa ter de conversar com meus amigos, se isso não te agrada.
E por qual motivo? – estreitou os olhos, nitidamente achando aquilo muito suspeito.
Não é pra nada estúpido ou desse gênero, é de verdade – se explicou sem paciência. Porque esse loiro não confiava uma milésima porcentagem em si?
O silencio pesou enquanto James ansiava a resposta. Mas parecia que o sonserino não ia responder, pois passou a encarar o vazio. Ficou ainda mais nervoso e quis ir embora, sumir da frente daquele insensível. No final, Sírius tinha razão. Nada de bom vinha dessas serpentes. Mas como era cabeça-dura, tinha que insistir em algo que no fundo, sabia ser besteira e não resultar em nada. Era um idiota! Idiota!
Certo...
James olhou ao seu acompanhante com assombro nos olhos caramelos. Ouviu bem?
Lucius o olhou. – Mas eu tenho minhas condições. Nada de mais, apenas é meu jeito de ser, assim como você possui os seus.
Claro – sorriu, sentindo-se mais animado.
Gosto de privacidade, sempre. – esclareceu o loiro. – E às vezes preciso de solidão, um tempo para mim mesmo.
Entendo, eu também gosto de privacidade. Não se preocupe, sei respeitar meus amigos – sorriu-lhe.
Lucius ponderou por um tempo, olhando o estranho grifinório a sua frente. – Tem certeza?
De que? – ficou confuso.
Dessa amizade. Serpentes e leões nunca se deram muito bem...
Certeza absoluta! E se não der certo, não fará diferença no final das contas. Não é?
O loiro confirmou com a cabeça, relaxando o corpo e descruzando os braços.
Bem... Acabou o descanso – avisou, notando a professora se aproximar, depois, segurou o braço do moreno, antes que esse entrasse na estufa e sussurrou perto de seu ouvido. – Não seja mais idiota, fazendo o que fez na aula dela.
James sorriu quando Lucius passou por si e adentrou a estufa, o largando para trás. Esse era um jeito bem diferente de receber um 'obrigado'. Mas o que podia esperar? Malfoy era um sonserino.
N/A: capítulo postado, finalmente! Obrigada a todos que estão acompanhando!
Agradecimentos a: Clara dos Anjos – olá!garanto que terá mais cenas fofas entre eles hehe :) Ainda não li o livro 6 então não sei o que rola. Quanto ao beijo, vai demorar um pouquinho, mas as cenas vão ser fluffy, eu garanto! Bjus! Nyx Black – olá!Eba! que bom que está adorando, a fic e os casais, muitos não curtem Lucius x James, mas eu adoro eles juntos!Daqui pra frente vai ter muitas cenas entre eles! Snape que não vai curtir muito essa. Bjus! Bela Youkai – olá Bela! Que bom que está gostando das duas! E a Caminho do Coração também! Bjus! Ia Chan – oiê! Viva, vc gostou dessa fic! Fiquei feliz! Espero que goste dos próximos capítulos! Bjus!
Obrigada a todos que comentaram!
Até o próximo capítulo!
