Notas da Autora: Falaaaaaa meu povo! \o/
Tô sumida, hein? #apanha
Okay, okay... Não sou Tv Fama, mas logo após os comerciais (aka nas notas finais) a gente conversa sobre os detalhes da minha ausência.
Beijocas estaladas e fuiiii!
Mal tive tempo de secar as lágrimas de minha irmã quando som de passos chegam ao meus ouvidos atentos.
-Depois lhe explicarei com calma. Entre no quarto nupcial e diga que está lá para ajudar a noiva do sultão se arrumar. Nos encontraremos em poucos minutos. –Sussurrei em seu ouvido instantes antes dos pesados portões de madeira se abrirem.
Kaede não esperou meio segundo para sair correndo. Não há culpava. Diante de mim estava nada além do carrasco do Sultão, seu braço direito em seus serviços mais sujos. Não havia uma só pessoa em todas terras do Norte que não temesse o homem com olhos negros como o demônio e com rosto grotescamente pintado com marcas musgo esverdeadas. De certo era algum tipo de tatuagem de hena para cobrir cicatrizes de guerra ainda mais terríveis. Nada disso importava uma vez que eu era incapaz de sustentar meu olhar ao dele sem que tivesse de conter o bolo ácido que subia pela minha garganta.
Suikotsu era tão asqueroso quanto Naraku.
-Parece que temos uma novinha nova? – sua voz sarcástica e grave feria meus ouvidos enquanto eu me dignava apenas a levantar do chão sem aceitar a mão estendida.
Já estaria suja o suficiente ao me permitir ser deflorada pelo sultão, não me rebaixaria a me contaminar ainda mais pelo toque daquele ser pérfido.
Ignorando minha postura ultrajada, ele sorriu com sua boca cheia de dentes e fedendo a vinho barato. Indicando desnecessariamente o caminho, uma vez que eu crescera por estes corredores, Suikotsu continuou andando calmamente ao meu lado, numa escolta barulhenta e indignante.
A cada vez que seus passos cambaleantes o faziam encostar em meu braço esquerdo era como se uma corrente de um raio queimasse minha pele. Ele me lançava um olhar convencido enquanto abraçava meus membros contra o peito. Quantas pessoas inocentes morreram pelo julgo daquele mesmo antebraço direito que me tocara. As suas velhas companheiras; um par de garras de aço; estavam seguramente presas em um cinto de couro na sua cintura, mas as mãos calejadas e cheia de cicatrizes cerradas firmemente em punhos não eram nem um pouco menos assustadoras desnudas. Uma besta ambidestra que se divertia enquanto dilacerava gargantas. Seria meu fim subjugado por estas mesmas mãos, me peguei pensando.
Se meu plano falhasse, o meu indesejado guarda costas reassumiria seu verdadeiro papel de carrasco. Será que ele teria o mesmo sorriso largo em seu rosto enquanto meu sangue escorria pelo chão do pátio central do Califado?
Como se respondesse meus pensamentos, Suikotsu parou de caminhar por um instante e me encarou diretamente nos olhos. Estávamos absurdamente próximos dado a largura do corredor, separados por centímetros de ar fino. Seu rosto pairava ao meu lado, pouco acima do meu. Seus olhos escuros analisavam cada traço do meu rosto mal iluminado pelas chamas das lamparinas à óleo espalhadas pelas paredes de mármore. Era impossível decifrar que mensagem o fundo aqueles olhos negros como piche e frios como uma noite de inverno queriam passaram. Mas eram intimidades, invasivos. Como se tentassem desnudar minha alma e desvendar meus segredos. Encarei-o de volta com toda fúria que sentia. Meu ódio servindo com uma máscara que me protegia de suas intenções escusas. Tão subitamente como interrompera sua caminhada, Suikotsu apontou para frente.
-Seus aposentos, noivinha.
Olhei para frente para apenas para constatar que de fato estávamos diante dos aposentos pré-nupciais. Pisquei surpresa pelo meu erro de cálculo. Estava tão entretida em meus pensamentos que não notara onde estava.
Parecendo se divertir como meu desconcerto, Suikotsu segurou minha mão. E com uma ousadia indigna do servo mais fiel do sultão, depositou um beijo nas costas da mesma.
Estava enojada, irritada e ultrajada. Apesar de saber que todos do Exército dos Sete passaram a vida em terras estrangeiras, não acreditava que Suikotsu era tolo o bastante para saber que era expressamente proibido nas Terras do Norte que um homem que não fosse o pai, marido ou o próprio sultão, tocasse em uma mulher.
Talvez ele desse tanto valor para sua cabeça presa no seu pescoço quanto a de suas vítimas.
Apaguei meus pensamentos do louco suicida assim que toquei no batente dourado da porta. Era não apenas minha vida que estava sob o fio desses instantes de conversas que teria com Kaede. A vida de muitas outras mulheres e meninas além de mim que dependiam tão somente da minha força e de minha inteligência. Não poderia me dar ao luxo de falhar e desperdiçar minha vida em vão.
- Senhorita Kikyo...- Uma voz infantil me surpreendeu nos ajustes finais com Kaede.
Independente de quem fosse, para que ninguém mais desconfiasse deveria abrir a porta rapidaemnete. Torcndo para que tudo que havai explicado naqueles minutos tão rápidos, abri os portões com naturalidade. Apenas para ser quase derrubada por um abraço abertado e afoito.
Rin ainda estava coberta de joias e com roupas transparentes e inadequatas à pouca idade.
De certo correu para meus aposentos na primeira oportunidade que encontrou. Não tardei a fechar firmemente ao ver seu rostinho aflito.
-Kikyo... Eu ... Eu...
Era de partir o coração ver a menininha normalmente tão falante brigando para conseguir expressar suas palavras de gratidão com os olhos marejados.
-Está tudo bem, Rin. Não precisa me agradecer.
-Como não, senhorita Kikyo? Se não fosse a senhorita eu estaria agora... Eu estaria a horas de ter de... ter que... Com aquele...- Rin balançava a cabeça enojada a cada palavra. – E agora você vai...
Ajoelhei para ficar na mesma altura de seus olhinhos ansiosos. Coloquei minhas duas mãos em seus ombros trêmulos e deu o sorriso mais tranquilo que conseguia passar. Estava ficando supreendentemente boa em mascarar meus sentimentos, um talento secreto e extremamente conveniente que contastei ao ver a postura ansiosa de Rin quase instantaneamente relaxar.
- Eu tenho um plano, Senhorita! – Rin exclamou alto, tapando a própria boca segundos depois.
Depois de olhar em volta desconfiada, ela voltou a falavar dessa vez em sussurros tão baixos e rápidos que eu tive que me concentrar para ouvir.
- Fuja comigo. Consigo um esconderijo perfeito para nós duas passarmos as próximas noites até que chegue nossa carruagem para as terras do Oeste. Tenho certeza que conseguiremos refúgio no castelo do meu Senhor.
Rin estava falando de Sesshoumaru Taisho. Primogênito e herdeiro direto do maior califado de toda Shikon no Tama. Também conhecido pelas línguas malditas como o temível Grande Cão do Oeste. Aquele capaz de derrotar um exército de mais de 100 homens com uma única mão. Era difícil para alguém desatento acreditar que quem Rin falava com tanto carinho e o famoso guerreiro eram a mesma pessoa.
No entanto eu acompanhei indiretamente o desenrolar da história dos dois, e sabia que a criança não estava sendo de todo ingênua. Foi graças a proteção de Sesshoumaru que ela estava viva. A princípio pensava que o herdeiro das terras do Oeste era tão pérfido quanto o Sultão das Terras do Norte, como um lobo sedento atrás da virtude de uma criança que nem ao menos desenvolvera seios. Mas a primeira esposa me garantira o contrário.
-Sesshoumaru escolhera Rin para que ela fosse livre. Apenas isso, Kikyo. – Ela comentara naquela mesma noite enquanto eu penteava seus cabelos longos e castanhos.
Pouco mais de um ano atrás, foi organizado um banquete entre os quatro líderes de Shikon no Tama justamente aqui nas terras do Norte. Foram 7 dias e 7 noites de danças, comidas e trocas de presentes. Tudo isso como um ritual hipócrita que mascarava de forma patética a rixa que sempre existiu entre os reinos. Discutiam trivialidades, todavia o que de fato importava como o descumprimento das leis gerais especialmente nas Terras do Norte em que todos se encontravam eram sumariamente ignorados. Como se o preço dos damascos e dificuldade de importação de azeites fossem mais importantes do que a horrenda e antiquada lei de Talião que ainda era vigente por aqui. Entendia que se os segredos das Terras do Norte fossem descobertos, haveria uma nova Grande Guerra. E ao fim e ao cabo, mais inocentes morreriam do que se tudo continuasse igual. Ao menos era o que o Gran Vizir Myoga acreditava, e tentava inutilmente me convencer. Mas um detalhe não passou desapercebido pelo herdeiro das Terras do Norte.
As servas que distribuíam comida e bebida aso convidados estavam cobertas da cabeça aos pés por panos negros, que não permitiam que nada além de uma pequena frecha de seus olhos ficassem expostas. Isso justificava Naraku, era para que elas não distraíssem a visão dos convidados da beleza dos espetáculos, seja das dançarinas seja dos músicos e artistas circenses. Em um determinado momento na quarta noite de festejos, Naraku resolvera revelar que tinha um presente para seu "irmão" das terras do Oeste.
Num estalar de dedos uma dezena de mulheres, todas adornadas com o mais belo ouro e prata entraram pelo salão principal ao som de batidas de durbak. Dos rostos jovens pude reconhecer Tsubaki e Kagura, no entanto permaneci ao lado de meu pai, igualmente alheia aos planos do Sultão.
- Está diante de seus olhos, meu caro Irmão Sesshomaru, as mais belas flores das terras do Norte. Claro, sem contar a mais sublime de todas, a qual tive o privilégio de já tomar como noiva. – Apontou alegremente para jovem de vestes verdes ao seu lado que lhe sorriu primaveril – Soube que está próximo de assumir o trono do Califado do Oeste, e nada seria mais adequado do que ter uma bela rainha ao seu lado, não acha?
Senti um calafrio subir pela minha espinha, enquanto Naraku bebericava despreocupadamente um gole de seu vinho. Sesshoumaru era quase como uma sombra absurdamente branca sentado à oeste da mesa principal. Não falara mais do que meia dúzia de palavra em toda a festa, e sempre com a expressão fechada e de poucos amigos.
Seu olhar sobrenaturalmente âmbar acirrou-se na direção de Naraku, como se perguntasse silenciosamente de onde vinha tamanha ousadia. De fato era de conhecimento de todos que Sesshoumaru não tinha uma noiva e em momento algum fizera menção em procurar uma mesmo já tendo passado em alguns anos da idade que comumente príncipes se casavam.
- Seria uma honra oferecer-lhe uma companheira que ajudará a estreitar os laços entre ambos os Califados, justamente como seu finado pai gostaria que fosse. – Naraku comentou com naturalidade, como se escolher uma noiva do mesmo modo que se escolhe um camelo fosse absolutamente aceitável.
Para o assombro geral, até mesmo de seu irmão de sangue que estava ao seu lado na mesa, Seshoumaru respondeu, com sua voz grave e límpida ecoando pelas colunas do salão.
-Posso então escolher qualquer uma das mulheres presentes no centro desde salão?
-Claro! - Naraku riu abertamente.- Mais de uma até se desejar!
Virando então para frente sem pestanejar, ele apontou com um movimento de rápido de mão.
Kagura se levantou no mesmo instante emocionada.
-Você, não. – Sesshoumaru cortou sem nem ao menos se dignar a olhá-la.- Você atrás da coluna, deixe este jarro e venha até aqui.
A minúscula criatura coberta, colocou desastradamente o pesado jarro no chão e se aproximou tropeçando nos próprios pés. O salão estava mergulhado em um silêncio profundo, e por mais que a confusão fosse uma expressão comum à todos os rostos presentes, nem uma palavra ousou-se a ser dita.
-Retire o véu.
A pequena serva nem mesmo olhou para lado para confirmar a ordem com o sultão, retirando no mesmo instante o longo pano negro que lhe cobria a cabeça.
Um suspiro de assombro e horror passou pelos lábios de estrangeiros.
Uma criança.
Uma menininha magra e suja. Seu cabelo estava caótico, como se alguém o picotasse por maldade. A mesma crueldade que marcara seu rosto com hematomas de socos e marcas de queimaduras.
Sesshoumaru a encarava com a mesma expressão vazia como se não estivesse supreso ao ver os horrendos machucados no rosto da pequena.
Seu olhar era retribuído por sua vez por um admirado e inocente.
- Você que me serviu de água e vinho nestes últimos dias.
Não fora uma pergunta, mas a garotinha balançou a cabeça concordando mesmo assim.
-Qual é o seu nome?
-...Rin.
A voz da menina saíra baixa e rouca, como se a dias não dissesse uma só palavra.
- Quem te bateu, Rin?
Ela olhou em volta procurando o agressor. Mas o mesmo se entregou ao levantar para retira-la do salão. Era um homem de estatura baixa e com voz fina e infantil. Hakudoshi, o cruel feitor responsável pela criadagem.
-Me desculpem, meus Senhores e Senhora. Esta ratinha invadiu a cozinha e foi pega roubando a comida do banquete. Para fugir do castigo, de certo, se escondeu entre a criadagem.
Ele segurava com firmeza o magro braço de Rin, que se contorcia de dor. Sabe-se Deus o como ele deveria estar machucado debaixo da longa bata negra.
-Até onde sei, é terminantemente proibido exploração de crianças pelo tratado assinado por nossos ancestrais na fundação de Shikon no Tama. – O herdeiro Taisho exclamou claramente duvidando da história de Hakudoshi. – Desonra nosso sangue, ou apenas descuidou-se com relação a seus servos, Naraku?
Depois de um vergonhoso e breve silêncio, Naraku mandou prender Hakudoshi por desobedecer ao tratado e escolher criados menores de 15 anos, sem seu conhecimento. Era mentira, uma mentira deslavada. Todavia, não me compadeci de Hakudoshi. Cruel e doente como era, tinha uma lista tão grade de crimes que não varia mal algum pagar por um que não cometeu.
Ao fim da comoção Sesshoumaru anunciou para surpresa de todos que Rin seria escolhida para ser sua noiva, e que não era apenas um ato para desmascarar as maldades do Sultão.
-Eu, Sesshoumaru Taisho, herdeiro legítimo ao trono Califado das Terras do Oeste,- continuou com a voz grave e imponente que tinha- decreto que minha noiva, Rin Misaki, permanecerá nas Terras do Norte sobre minha proteção até completar 18 luas. Até este dia, deverá ser tradada como todos os cuidados de uma futura rainha. Cuidarei pessoalmente de sua formação, e sua permanecia neste território até a maior idade reforçara seu papel como elo de ligação entre as terras do Norte e Oeste. Rin Misaki é portanto, a partir desde exato momento minha noiva prometida, e representante oficial nestas terras.
Naraku não pode fazer nada além de mandar que lhe dessem novas vestes e colocar a almofada com plumas de ganso e seda chinesa para que ela se sentasse ao lado esquerdo de Sesshoumaru e aproveitasse do banquete como a partir de então tinha direito.
-Em segredo, meu Senhor manda um mensageiro para saber como estou uma vez ao mês. – Rin sussurrou me trazendo de volta ao presente. – Jaken é meio mau humorado, mas tem um coração de ouro. E certamente vai voando contar tudo que aconteceu para nosso Senhor Sesshoumaru. Acredito que ele deve estar aqui em menos de três dias e...
-Rin.- Interrompi-a com um sorriso.- Não é preciso.
-Mas..
-Estou me casando com Naraku porque vontade própria.
-Isso...- Ela arqueou as sobrancelhas confusa- Não faz sentido, Senhorita Kikyo. Ele é um monstro, cruel e perverso!
- Mesmo o céu mais escuro pode esconder o brilho discreto de uma estrela. Mesmo o próprio diabo ao fim pode ser salvo com amor.
Não pude deixar de sorrir melancólica ao repetir com exatidão as palavras da primeira esposa, quando lhe fiz uma pergunta semelhante. Como sentia falta de suas palavras tão doces que beiravam a ingenuidade.
Rin pareceu confusa, mas aceitou por fim minha decisão.
- Só... Não morra, por favor!- Ela soluçou no meu ombro ao nos despedir.
Beijei sua testa com um carinho quase maternal. A pobre menina orfã não suportaria perder ainda mais pessoas queridas. Me peguei jurando novamente uma promessa impossível.
Mas quando minutos depois com uma batida na porta as servas do castelo trouxeram as roupas núpcias percebia que havia um elemento fundamental que não havia calculado e que não estava sobre minhas mãos.
Sorte.
Precisa de muita sorte para que tudo transcorresse fluidamente.
Então enquanto era banhada, penteada, perfumada e vestida por uma dúzia de mãos diferentes, fiz a única coisa que me restava fazer nas findas horas pré-casamento.
Rezei.
Notas Finais: Mais curtinho que o anterior, eu sei.
Mas acho que ia ficar pesado demais se eu colocasse pré-casamento,casamento e núpcias, tudo no mesmo capítulo como eu planejava.
Contudo, todavia, espero que tenha gostado.
Principalmente do Foforu..., digo, Sesshoumaru, que fez participação ala flashback na fic.
Nada escapa do olhar desse homi #valhamedeus
Enfim, falando da minha sumida de quase um ano (O-O Isso tudo?!).
2016 foi um ano particulamente difícil na minha vida off line.
Alguma coisa muito boas, e muitas coisas muito muito ruins mesmo.
Coisas que eu jamais pensei passar na minha vida real, que parecia parte de filme de terror que aos poucos parece que está chegando ao fim. Resumindo de forma leve, foi uma ano de vidas nascendo, e vidas sendo ceifadas de maneira inesperada. Mas não se pode ficar de luto para sempre, então estou aqui de volta.
Espero conseguir postar com uma certa regularidade, para noooooossa alegria!
Agradeço como sempre a paciência e o carinho e todos vocês.
Beijos e Borboletas Azuis!
