Pov Bella.

O despertador me acordou na manhã seguinte e eu sonolenta desliga-lo.

Forcei meus olhos a abrir e por um minuto eu imaginei estar em casa, em Forks e que Edward estaria esperando meu despertar sentado pacificamente na cadeira de balanço de meu quarto. Em seguida, todos os eventos voltaram a minha cabeça.

Eu ergui meu corpo para fora da cama e fui em direção ao banheiro. Ele era todo branco. Fui até a pia e espirrei água fria em meu rosto para despertar. Olhei meu reflexo no espelho. Eu tinha círculos sobre os olhos, especialmente porque acordei pelo menos duas vezes no meio da noite devido a alguns sonhos estranhos.

Mesmo quando voltava a dormir o sonho parecia se repetir de forma que era como se eu não tivesse acordado em primeiro lugar.

Eu sonhei com um cara que me olhava com atenção e por mais que eu tentasse ficar longe dele de alguma forma ele sempre conseguia chegar perto de mim, era como se ele fosse... Um tipo de predador e, eu fosse à presa, e o mais bizarro era que quando eu achava que escapava dele eu me encontrava nos braços de alguém tão ou mais temível do que ele, estremeci com o pensamento.

Balancei a cabeça para dissipar as imagens perturbadores de minha mente.

Meia hora mais tarde eu desci a escada e entrei na cozinha, onde minha prima estava sentada comendo seu café da manhã.

– Bom dia Caroline. – eu disse de forma suave.

– Bom dia Bella. Dormiu bem? – seus olhos vagavam sobre mim, e eu sabia que ela estava verificando minha escolha de roupas o que pareceu agradá-la quando ela sorriu. – Gostei da sua roupa, nem parece à velha Bella.

Eu sorri sem graça. Eu realmente não era a melhor pessoa para se vestir, mas depois de tanto tempo convivendo com Alice, você tinha que aprender alguma coisa. Alice... Não, eu não iria pensar sobre isso.

– Então... Qual é a programação de hoje?

– Eu pensei em te mostrar um pouco da cidade, não que você não a tenha visto antes, mas acho que você vai gostar das mudanças que foram feitas. Eu vou subir e me arrumar enquanto você toma seu café da manhã.

Eu me sentei e peguei o jornal que estava dobrado em cima da mesa e a manchete me chamou a atenção. Outro ataque de animais em Mystic Falls.

Que era o mesmo titulo de noticias nos jornais de Forks alguns meses atrás. 'Vampiros', uma pequena voz sussurrou em minha cabeça. Balancei a cabeça tentando o meu melhor para retirar da minha mente a manchete do jornal, algo que se tornou bem difícil depois de conviver com seres sobrenaturais e aprender o que se procurar em tais noticias.

Vampiros em Mystic Falls? Eu quase ri do absurdo da situação. Mystic Falls jamais seria uma boa escolha para um vampiro manter residência devido aos dias constantes de sol.

– Bella você já acabou? – pergunta Caroline atrás de mim. Com o susto de ser surpreendida eu me corto com a faca que tinha acabado de pegar.

Depois tudo correu de forma rápida, os olhos de Caroline escureceram, veias salientes em seu rosto e no próximo minuto ela me empurrava contra o armário da cozinha.

– Caroline, pare! – sua mãe dizia em aflição.

Caroline parecia ter voltado a si e me olhava horrorizada me soltando imediatamente. Eu apenas olhava para ela de forma apoplética diante do que se passou.

Minha prima Elisabeth, mãe de Caroline, me levava até a pia e lavava meu corte retirando o sangue que até o momento eu havia esquecido.

– Bella, eu sei que você deve estar abalada e... Curiosa com o que se passou... – minha prima dizia de forma nervosa.

– Caroline é uma vampira. – eu constatei. – Mas como? Eu a vi no sol. Ela não brilha e... – eu dizia confusa.

– Como você sabe sobre vampiros? – Pergunta Caroline surpresa.

– Eu... hã...namorei um...não como você, quer dizer, ele era um vampiro, mas ele era frio e brilhava ao sol.

Caroline e Elisabeth trocam um olhar em confusão, eu imagino que duvidavam de minhas palavras e então narro toda a minha história, sobre minha chegada a Forks, o acidente com a vã, a mordida de James e finalmente o meu derradeiro aniversário de dezoitos anos e o fim de meu namoro com Edward.

Falar sobre isso não me causou a dor de antes, talvez tudo que eu precisasse era dizê-las para alguém, mas era incontestável a dor da perda do que eu considerava minha alma gêmea, Edward.

Caroline por sua vez explicou como ela se transformou em vampira e sobre tudo que se passava em Mystic Falls. Logo que ela terminou de narrar toda a sua história, nós ficamos ali por um tempo bem longo cada um perdido em seu próprio pensamento, acredito que digerindo tudo que foi dito.

– Então há mais do que dois tipos de vampiros... – Caroline murmura quebrando o silencio que tinha se formado.

– Eu acho que sim. Tem os vampiros tradicionais como Caroline que podem ser mortos por estacas de madeiras e não podem sair ao sol a não ser que tenham uma joia com magia de bruxa para isso... Têm os 'frios' como os Cullens que podem ser mortos pelo fogo e os Originais que provavelmente deu inicio aos outros dois e que não podem ser mortos, não como os outros dois ou de uma forma conhecida por nós... pelo menos até agora. – diz Elisabeth contemplativa.

Meu corpo estremece com o simples pensamento de Edward, os Cullens ou mesmo Caroline morrer.

– Não se preocupe Bella. Eu só estou pensando alto. Fico feliz que você esteja levando tudo isso muito bem e que podemos contar com você para guardar segredo. Creio que a nossa convivência será mais fácil, visto que você sabe e... Tente não se cortar para não virar algum tipo de lanche. – Elisabeth brinca indicando minha mão.

– Eu vou fazer o possível. – eu digo sem graça.

E eu pensando que estava indo para me livrar do mundo sobrenatural, pensei com ironia.

Eu e Caroline resolvemos ir a The Depot bar e Grill de Mystic Falls, o que era de certa forma como o nome mesmo diz um bar, restaurante e aparentemente um dos entretenimentos da cidade.

Caroline se encaminhou ao bar praticamente me arrastando junto, eu não estava me sentindo preparada a sair, não depois de saber que a cidade havia vários vampiros, no qual eu não podia sequer identifica-los, mas Caroline com seu jeito de ser disse que seria 'divertido' e aqui estou eu, mesmo dizendo a ela que não era uma boa ideia e que eu era uma imã para problemas, mas ela disse "ora, vamos lá Bella, sua prima é uma vampira e estará protegida", olha só quem fala aquela que quase me fez de café da manhã pensei, mas não disse nada.

– Damon onde está Elena? – Carolina diz a um rapaz de cabelo negro que bebia um uísque junto ao balcão.

– No meu bolso é que não está. – ele disse olhando de forma curiosa em minha direção. – Não vai nos apresentar?

– Ok. Bella, esse é o idiota do irmão mais velho do namorado da minha melhor amiga Elena, e Damon essa é minha prima Bella. Fique longe dele, ele é um cretino. – Ela diz me arrastando em direção a uma mesa de canto antes mesmo que eu possa cumprimentar o tal Damon ou o mesmo possa fazer isso, eu me sento em uma das cadeiras enquanto vejo Caroline revirando sua bolsa em busca de algo enquanto olhava ao redor. –Eu vou ver porque Elena está demorando tanto. – ela diz pegando seu celular. – não tem sinal. Eu vou ligar lá de fora, me espera aqui, ok?

– Pode ir Caroline, eu vou ficar bem. Eu disse que eu era um imã para problemas, mas não acho que algo vai acontecer nos próximos minutos que estiver fora. – eu zombei. Ela sorriu de volta e saiu dizendo que não iria demorar.

Dez minutos se passaram e nada de Caroline. Eu olhei em volta e o tal do Damon no qual Caroline havia conversado anteriormente também havia sumido e então meus olhos desembarcaram nele.

Ele me fitava com intensidade. Ele era alto, cabelos castanhos bem claros... E sorriu para mim fazendo meu coração perder uma batida.

Vampiro, minha mente gritava para mim, mas fiquei como que paralisada no lugar enquanto ele começava a se encaminhar em minha direção.

Eu mal podia respirar em antecipação. Eu encontrei-me para meu horror que ele era absolutamente deslumbrante quando ele sorriu. Eu assisti o movimento gracioso que ele andou, dessa forma esmagadora, que ele olhou para mim, a forma que ele estava sorrindo.

Eu me levantei com intenção de sair dali, minhas pernas, contudo não acompanharam meu raciocínio.

Antes que eu conseguisse pensar em sair dali, suas mãos estavam sobre meus ombros, eu quase tremi quando ele deslizou suas mãos em minha pele, seus dedos suavemente, mas firmemente disposto em meus pulsos. Sua voz, quando ele falou, era suave e acolhedora, que me surpreendeu e me enfureceu ao mesmo tempo.

– Ela não mentiu. Você de fato existe. – ele arqueia sua sobrancelha e eu não deixo de notar seu tom um pouco surpreso. – Eu estava esperando por você e agora que eu te achei eu não vou perdê-la novamente. – a intensidade de suas palavras me assusta.

– Desculpe. – eu digo puxando minhas mãos que ele ainda retinha entre as suas. – Eu acho que você me confundiu com outra pessoa. Eu nunca vi você... – por um momento eu fiquei sem saber como continuar.

– Desculpe, eu me chamo Elijah Miakelson. – Ele se apresenta levando minha mão as seus lábios, depositando um leve beijo. – E o seu...

– Bella. Bella Swan. – eu respondo.

– Diminutivo de Isabella eu presumo. – o som de meu nome em seus lábios soa como musica.

– Sim. – eu respondo mesmo não sendo uma pergunta. – Eu... tenho que ir. – eu digo apressada tentando sair dali o mais rápido possível, no entanto ele parece ter outra coisa em mente ao me segurar pela cintura e me puxar de encontro ao seu peito.

– Pensando em partir, minha querida? – ele sussurra perigosamente perto de minha orelha. – Nem conversamos. – eu posso sentir o sorriso em sua voz.

– Não temos nada para conversar.

– Ah, minha querida creio que discordamos nesse aspecto. Temos muitas coisas a ser ditas. – ele continua a sussurrar contra minha orelha. Sua respiração bate em minha pele, provocando sensações em meu baixo ventre.

Onde está Caroline quando se precisa dela? Para minha alegria, vejo Caroline entrando de volta ao bar conversando com mais duas garotas.

– Talvez esse não seja o melhor lugar para que possamos conversar, entretanto, já que não quero ser interrompido por outras pessoas, mas logo nos vemos de novo, minha querida.

– Eu não sou s...

– Você é. E é melhor que saiba desde agora que você é minha...

Antes que eu pudesse dizer algo eu sinto uma corrente de ar passar por mim, me dizendo que ele já não estava mais lá.

– Bella, você se lembra da Elena e da... Bella o que houve? Está tão pálida, até parece que viu fantasma. – Diz Caroline preocupada, enquanto eu praticamente desabo na cadeira incapaz de me sustentar em pé por mais um minuto.