Capítulo III

Papai está ouvindo... vamos fazer barulho... saiba que estamos aqui...

"Ela está aqui mesmo!", Shiryu constatou com alegria. Depois de ter ouvido a voz dela pela primeira vez, ele alternou consciência e vazio, clareza e névoa, e já não sabia bem se tinha sido real. Nesses momentos de consciência só ouviu os bipes das máquinas do hospital ou vozes estranhas que ele não compreendia bem, o que estava reforçando sua ideia de delírio. Mas agora ouvia Shunrei de novo, mais claramente que antes, como se a conexão estivesse melhorando.

"Vai ver anoiteceu e eles foram dormir em algum lugar...", ele pensou. "Agora já deve ser dia outra vez e eles voltaram. Mas onde será que eu estou?", perguntou-se, preocupando-se com a mulher e o filho. Queria saber se estavam bem instalados, afinal Shoryu ainda era um bebê. Ouviu a risadinha dele e lembrou como isso iluminava seu dia. Chegava da lavoura cansado, mas era sempre recebido com um sorriso amoroso da esposa e as risadinhas de contentamento do filho.

Tinha o soldo que recebia da Fundação, podia sustentar a família com ele, mas a agricultura era sua paixão, expurgava seus pecados trabalhando duro na terra. Começou a cultivar produtos orgânicos e se orgulhava de produzir comida de qualidade para sua família. O excedente da produção era vendido e a renda guardada numa poupança para investir nos estudos de Shoryu.

"Valeu a pena o esforço", pensou, sentindo-se feliz. Pelo que se lembrava da visão que teve do futuro, Shoryu se tornaria um bom homem, estudaria, teria uma esposa adorável e os dois lhe dariam netos.

Ele ouviu a voz de Shunrei outra vez.

Eu sei... me ouve... te amo muito... felizes... nosso filho... questão de tempo.

"Eu também te amo, Shunrei", ele queria responder. Queria tanto abraçá-la e beijá-la. Queria dizer que também amava o filho e continuaria lutando para ele crescer e ter aquele futuro maravilhoso.

"Talvez se eu desejar com muita força...", Shiryu pensou, e procurou concentrar-se, buscando dentro de si uma força que ele sabia que possuía, só precisava reencontrar. Então ele começou a sentir um calor, como se o líquido que o envolvia estivesse esquentando rapidamente e tornando-se menos viscoso. Encontrou forças nas profundezas da sua mente e tentou mover-se, mas parecia que seu corpo pesava toneladas. Mesmo assim ele continuou tentando e sentiu como se uma das mãos tivesse tocado algo no fundo do líquido. E ele quis agarrar isso com força. Ele precisava segurar! Era sua chance de sair e ele não ia desperdiçá-la!

Continua...

Hey, people!

Feliz Natal pra vocês! Só consegui postar hoje e não na sexta-feira como pretendia, mas tá valendo!

Obrigada a todos que estão acompanhando!

Até semana que vem!

Beijoooooooooooooo