Disclaimer: Harry Potter não me pertence e tudo que vocês reconhecem pertence a J.K. Rowling.
Chapter Three – First night at Hogwarts
O caos usual associado com a Plataforma 9 ¾ parecia ainda maior esse ano. Fosse pela excitação da reabertura de Hogwarts ou pelo fato desse ano não haver mais temores de ataques, visto que não havia mais Voldemort, mas parecia encher todo mundo de energias positiva. Os alunos pareciam correr para o trem escarlate cheios de entusiasmo, despedindo-se freneticamente de seus pais.
Harry observou o trem começar a deixar a estação e recostou-se em sua poltrona. Damien já havia pegado o seu caderno, planejando todas os peças que tinha que pregar no decorrer do ano, deixando o irmão imerso em seus próprios pensamentos.
Eles tinha chegado cedo para que pudessem embarcar sem chamar muita atenção. James e Lily tinham ido para o vagão dos professores, na parte da frente do trem, enquanto Harry e Damien tinham escolhido uma cabine discreta na parte de trás do trem. Damien disse para Harry que aquela era a cabine que geralmente dividia com Ron e Hermione.
A mente de Harry estava zumbindo com pensamentos. Ele tinha tanto para descobrir. Decidira voltar para Hogwarts porque percebera que Remus estava certo. Era hora de colocar um pouco de confiança em seus pais. Sabia que ainda não estava preparado para encarar pessoas como Albus Dumbledore, já que ainda não compreendera o que sentia sobre ter destruído Voldemort. Seria difícil lidar com seus pesadelos, especialmente com quatro garotos no quarto, mas Harry acreditava que podia apenas lançar um "Silencio" ao redor de sua cama. Ele não se preocupava em como os alunos iriam tratá-lo. Não se importava com isso. Se eles o ignorassem ou fossem cauteloso, lhe serviria bem. Se tentassem ser muito amigáveis, Harry sempre tinha formas de lidar com aquilo também. Ele podia estar indo para Hogwarts de livre e espontânea vontade naquele ano, mas não significava que iria mudar sua atitude quanto a certas coisas. Ele ainda era Harry. Podia ser maldoso e arrogante o quanto quisesse para manter os outros longe de si.
Seu turbilhão de pensamentos foi interrompido quando as portas do compartimento se abriram e três pessoas entraram. Ron, Hermione e Ginny entraram na cabine, com sorrisos enormes em suas faces ao verem Harry sentado junto a Damien, pronto para frequentar Hogwarts.
- Eu ainda não acredito que você está vindo para Hogwarts esse ano. É fantástico! – Ron disse ao sentar em frente a Harry.
Ginny sentou ao lado do garoto, colocando sua mão sobre a dele.
- Eu acho que a escola concorda comigo. Você faz com que as coisas fiquem muito mais interessantes! – Ginny sussurrou com um sorriso maroto.
Harry não pôde evitar senão sorrir de volta.
O resto da viagem foi marcada por conversas entre eles. Harry, Damien, Ginny e Ron jogaram Snap Explosivo enquanto Hermione debruçou-se sobre suas anotações. Ela parecia mais feliz do que nunca ao falar sobre a quantidade de trabalho que teriam durante esse ano. Ron apenas murmurou algo sobre ela ser "doida" e "obcecada" antes de ignorá-la.
- Parece que o pai de vocês está muito animado para ensinar. – Ginny disse depois que terminaram a terceira partida de Snap Explosivo.
- Eu sei. – Damien disse com um longo suspiro. - Como se ter minha mãe por perto não fosse ruim o bastante, agora vou ter meu pai lá também. Vocês entendem o quão duro vou ter que me trabalhar? Vai ser difícil pregar todas essas peças com meus dois pais lá! – continuou.
- Sabe, por um minuto eu realmente pensei que você realmente estivesse se referindo às lições da escola! – Hermione disse com um olhar de reprovação.
Damien lançou um olhar cheio de zombaria para ela, mas não disse nada.
Ron e Hermione tiveram que ir para a cabine dos monitores para cuidar das obrigações de monitor, deixando os três sozinhos. Eles voltaram quando o trem começou a diminuir a velocidade. Todos já estavam com as vestes escolares. Harry podia sentir a ansiedade em seu estômago. Estava voltando para Hogwarts! Lembrou-se do quão diferente as circunstancias tinham sido quando fora para lá no ano anterior. Ele não havia embarcado no Expresso de Hogwarts e, ao invés disso, fora via flú. Lembrou-se da conversa que tivera com Dumbledore em seu escritório. Ficara extremamente enfurecido com o Diretor por levá-lo à força para Hogwarts sem nem ao menos fazê-lo passar pela seleção das casas, colocando-o diretamente na Grifinória. O garoto esperava que sua primeira noite em Hogwarts fosse diferente esse ano.
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As portas principais se abriram e o enxame de estudantes amontoou-se lá dentro, tentando se livrar do frio que vinha lá de fora. Harry estava grato pelo fato de que ninguém o notara ainda. Todos estavam preocupados em se proteger do frio e em entrar na escola.
Ao entrar no Hall Principal, Harry percebeu que a decoração havia mudado. Ele olhou ao redor e viu que todos repararam também e estava discutindo baixinho uns com os outros. Não havia mudado muita coisa, mas a diferença era perceptível. A cor das paredes estava muito mais clara e as cortinas pareciam novas.
- Parece que eles aproveitaram o incêndio e deram uma renovada! – Ginny sussurrou de modo que só Harry pudesse ouvi-la.
Harry pensara o mesmo e deixou outro sorriso escapar por entre os lábios. Pelo menos havia modificado Hogwarts um pouquinho.
O garoto viu a Professora McGonagall descendo as escadas em direção ao salão principal e percebeu que a presença dela causou uma afobação na multidão, que conversava sem parar. Seus olhos severos percorriam o cômodo até que todos prestassem atenção nela.
- Bem-vindos, alunos de Hogwarts! Por favor, sigam-me até o Salão Principal.
Com isso, ela se virou e marchou pelo Salão Principal, com os estudantes a seguindo.
- Ela diz a mesma coisa todos os anos. – Damien disse a Harry.
Foi quando os alunos entraram no iluminado Salão Principal que notaram a presença de Harry. Estava escuro demais do lado de fora para perceber alguém e quando estavam no Salão Principal todos estavam muito ocupados com a mudança da decoração. Agora, entretanto, os estudantes viam que o garoto estava entre eles. Harry estava andado junto com Damien, Ron, Hermione e Ginny ao seu redor. Como era esperado, os sussurros começaram e a maioria dos alunos paravam onde estavam.
Harry continuou andando, agindo como se não tivesse percebido toda a atenção que estava recebendo. Por dentro, ele estava em pânico. Ele odiava chamar atenção, especialmente esse tipo de atenção. Odiava pessoas olhando para ele, cochichando sobre ele. O garoto focou-se em chegar à sua mesa e sentar-se. Ele sabia que aquilo iria acontecer, era inevitável, mas isso não o fazia gostar nenhum pouco da situação. Tinha sido escondido por Voldemort a maior parte de sua vida. Poucas pessoas sabiam sobre ele e o conheciam pessoalmente. Era difícil lidar com tantas pessoas focando a atenção em sua presença.
Harry sentou-se à mesa da Grifinória com Damien e seus amigos ao redor. Os outros alunos tomaram seus assentos em suas respectivas mesas também. O burburinho, entretanto, não cessou, apenas intensificou-se ainda mais. Todos os alunos olhavam para ele. Alguns esticavam o pescoço para vê-lo melhor, mas logo retornavam a suas posições se Harry os percebesse. Harry sorriu ao ver que a maioria ainda o temia. Contudo, vários deles lançavam-lhe sorrisos tímidos e alguns poucos até mesmo acenavam meio hesitantes. Harry os ignorou.
Harry olhou para a Mesa Principal e imediatamente seus olhos cruzaram com os azuis penetrantes. Harry olhou para Dumbledore por apenas um ou dois segundos antes de desviar o olhar. Ele se distraiu olhando para duas pessoas sorridentes sentadas uma ao lado da outra na mesa dos funcionários. James e Lily deram um pequeno aceno e sorriram para ele. Harry sorriu de volta antes de olhar para o resto dos funcionários de Hogwarts. Não havia nenhum novo membro no corpo docente e, com a exceção de Snape, todos estavam presentes.
As portas do Salão Principal se abriram novamente e um grupo de crianças extremamente pequenas e temerosas entrou no salão. Harry observou as portas sendo abertas e viu Neville Longbottom sentado na ponta da mesa da Grifinória. O garoto não tinha visto ou conversado com Neville desde a batalha final. Ele encontrara Frank e Alice, que o agradeceram pessoalmente por salvar Nigel. Neville fora junto á Mansão Potter, mas não falara nada a Harry. Parecia que a maioria dos alunos estavam olhando para Neville também, já que ele deixara o castelo no ano anterior. Aparentemente ele dividia o foco da atenção com Harry. Harry tirou os olhos de Neville. Estava muito cansado para lidar com Neville hoje.
O grupo de primeiranistas assustados reuniram-se à frente do salão, tremendo de medo. Harry estava curioso para ver a seleção começar. Nunca havia visto ninguém ser selecionado antes.
Os murmúrios dos alunos morreram quando o Professor Dumbledore levantou-se para encará-los.
- Bem vindos a Hogwarts! É com enorme prazer que eu recebo todos vocês de volta a Hogwarts. Antes que a seleção das casas comece, tenho um pequeno anuncio a fazer.
Harry sentiu seu coração acelerar. Podia sentir que esse "pequeno anuncio" tinha algo relacionado a ele.
- Eu sei que costume que os alunos do primeiro ano sejam sorteados antes de qualquer coisa, porém, espero que vocês possam me desculpar por uma pequena mudança no cronograma. Eu tenho que corrigir um erro. – Dumbledore continuou.
O salão estava completamente em silêncio. Para a maioria dos estudantes era difícil de acreditar que o grande Albus Dumbledore havia feito algo de errado. Eles o encararam, curiosos para descobrir o que ele fizera.
- Sr. Harry Potter! Venha para frente por favor. – a voz de Dumbledore ecoou pelo salão.
Harry sentiu seu coração sair do peito ao ouvir seu nome ser chamado. Todos os olhares estavam sobre ele. O garoto encarava Dumbledore, amaldiçoando-o silenciosamente por fazer aquilo. Já não era o bastante que todos estivessem focando a atenção nele? Dumbledore tinha que chamá-lo na frente da escola inteira?
Damien, Ginny, Ron e Hermione olhavam para Harry também, com expressões assustadas. Eles não estavam com medo por Harry ter sido chamado, estavam com medo de como ele reagiria. Harry lentamente levantou-se, sem deixar seus olhos afastarem-se da face sorridente de Dumbledore.
James e Lily pareciam estar em pânico também e James fez menção de se levantar, mas a Professora Sprout o impediu. Harry andou o mais calmo possível até ficar em frente a Dumbledore. Ele estava tentando pensar em todas as coisas que poderia ter feito que fariam Dumbledore chamá-lo na frente de todo mundo. "Se ele mencionar Voldemort, eu o mato!" pensou enquanto suas mãos fechavam-se em punhos. Harry achou que Dumbledore talvez fosse fazer um discurso sobre o que tinha acontecido em Hogsmeade entre ele e Voldemort. Ele não iria bancar o heróizinho de Dumbledore. Não iria aturar isso.
Harry ficou diante do Diretor, esperando que este começasse a falar. Para sua surpresa, foi a Professora McGonagall que se dirigiu a ele.
- Sente-se por favor, Sr. Potter. – ela disse apontando um banquinho de três pernas.
Harry ficou momentaneamente sem reação. De todas as coisas que esperara, essa não era uma delas. Ele olhou para seus pais, igualmente surpresos, antes de olhar para Dumbledore novamente.
- Eu acredito que lhe devo isso. – o homem disse sorrindo.
Harry sentiu toda a raiva o abandonar. Ele não conseguiu evitar o pequeno sorriso que apareceu em seus lábios. Iria ser selecionado! Ele se adiantou para sentar no banquinho e sentou-se graciosamente. Foi então que Harry notou a multidão de alunos o observando. Imediatamente Harry sentiu-se corar. Ele sabia que o chapéu seletor conversava com você e explicava as razões de colocá-lo em determinada casa, mas não sabia se seria a única pessoa a ouvir, ou se toda a escola teria acesso a essa conversa! Ele nunca perguntara isso a Draco.
Era tarde demais para pensar nisso agora, pois a Professora McGonagall colocou o chapéu esfarrapado sobre a sua cabeça. Harry olhou para Damien. O menino parecia aterrorizado por Harry estar sendo selecionado. Sabia que Damien estava com medo que Harry fosse colocado numa casa diferente, de modo que não dividiria a mesma sala comunal que o irmão, e não poderia ficar mais tempo com ele. Uma voz arrastada ecoou em sua cabeça e Harry prendeu a respiração.
- Bem, bem, bem. Vejo que vou ter o prazer de selecionar o grande Harry Potter no fim das contas.
Harry riu baixinho para si mesmo. Parecia que o chapéu tinha ficado mais chateado que ele por não ter havido um sorteio ainda.
- Eu acho que você sabe a qual casa realmente pertence. Você já sabia no ano passado, mas lutou contra ela sem necessidade. Você possui várias peculiaridades, boas e ruins que o qualificam para qualquer uma das casas. Você possui muita coragem, mas também pode ser malicioso às vezes para atingir seus objetivos. Você é inteligente o bastante, mas falha em demonstrar isso às vezes. Lealdade é outro ponto forte que possui e provavelmente é a parte em que você foi mais testado. – o chapéu prosseguiu.
Harry sentiu seu coração contrair dolorosamente com as últimas palavras do chapéu. Sua lealdade havia sido testada e Harry sentia que falhara. Havia matado o homem a quem, um dia, jurara ser leal. Harry tentou afastar sua culpa. Ele não seria capaz de lidar com aquilo agora.
- Bem, eu acho que a decisão é clara. Você tem duas descendências que te fazem apropriado para ambas casas, mas acho que vou te colocar na... GRIFINÓRIA!
Harry soltou sua respiração enquanto o som de aplausos ecoou no salão. Os grifinórios comemorava avidamente com Ron, Hermione, Ginny e Damien liderando-os com mais energia que nunca.
Harry ficou grato por estar na Grifinória. Além de tudo, ele não se sentia tão ligado à Sonserina como quando estava com Voldemort. Ele só sentia orgulho de ser herdeiro de Slytherin por causa de Voldemort. Agora sentia que sua conexão com a linha de sangue de Slytherin era apenas outro lembrete do que ele perdera.
Harry andou em direção à mesa da Grifinória e se sentou. Damien sorria como louco.
- Ah, Merlin! Eu juro que achei que ia ter um ataque cardíaco quando você sentou naquele banco! Não acredito que você foi selecionado. Graças a Deus você ainda está na Grifinória. – Damien disse a ele com um suspiro de alívio.
Harry não pôde evitar mas sorrir da expressão no rosto do seu irmão e amigos. Ele olhou novamente para Mesa Principal e viu que Dumbledore o olhava. O diretor ergueu seu cálice e deu-lhe um pequeno aceno antes de dar um gole. Harry retornou o aceno e desviou o olhar. Sentia-se muito melhor ao se sentar à mesa da Grifinória agora, pois não estava lá porque o colocaram e, sim, porque pertencia ali.
xXx
Harry andava pelas escadas que se moviam e tentava ouvir o que Ron estava dizendo. Ele se sentiu extremamente cansado de repente. Sua falta de sono nas última semana e o jantar pesado que acabara de comer estava tornando difícil manter os olhos abertos. Sua primeira noite em Hogwarts havia sido bastante memorável. Os primeiranistas foram selecionados logo depois de Harry. Então, o Professor Dumbledore apresentou James como o novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Harry não pôde evitar senão sorrir ao ver o pai se levantar nervosamente perante os alunos. Ele não parecia tão confiante quanto na Mansão Potter. Damien abaixou a cabeça em sinal de vergonha e balançou a cabeça de um lado para o outro, fazendo Ron, Hermione e Ginny terem acessos de risos silenciosos. Harry observava seu irmão atentamente. Ele sabia que o menino estava apenas fingindo estar envergonhado. Ele secretamente adorava o fato do pai estar ali também, assim como o resto da família. O último ano havia sido bastante difícil para ele e ele merecia ter toda sua família consigo no fim das contas.
Harry não ficou surpreso ao ver que seu quarto e que seus colegas de quarto eram os mesmos do ano anterior. O garoto rapidamente trocou suas vestes por roupas de dormir e se enfiou embaixo do edredom, ignorando todos os outros jovens no quarto.
- Cansado, Harry? – Ron perguntou ao deitar na cama também.
- Completamente exausto! – Harry respondeu.
- Bem, descanse o máximo que puder. Amanhã vai ser um longo dia. Aposto que vamos ter lição de casa em todas as aulas de amanhã. – Ron disse enquanto abafava um bocejo.
- Pelo menos Hermione vai ficar feliz. – Harry respondeu.
- É, ela é louca, não é? – Ron disse, soando como se tivesse um enorme sorriso na face.
- Aham. – Harry respondeu enquanto virava e se ajeitava confortavelmente em sua cama.
Harry ignorara os outros meninos do dormitório. Dean e Seamus foram para cama também. Neville não estava no quarto. Harry não se incomodou em pensar nele. Estava ocupado revivendo suas primeiras horas em Hogwarts. Mal podia acreditar o quão diferente se sentia em relação ao ano anterior, quando teve que passar sua primeira noite na escola faminto e cheio de ódio. Ele caíra num sono inquieto, então. Harry sorriu com essa memória. Agira igual a um menino mimado na ocasião. Adormeceu confortavelmente, depois de um último pensamento cruzar sua mente.
"Esse ano vai ser bem diferente".
