Capítulo 3 – Chris Renaldi

Combinaram de se encontrar no dia seguinte, depois de Hermione ir ao colégio. Lá, como conseqüências do dia anterior, ainda ouviu alguns cochichos a seu respeito e foi chamada na sala do professor Harris para discutir como ficaria o caso dos uniformes. Não estando em público, ela se deu bastante bem, expondo seus argumentos para o seu professor, que lhe informou que os uniformes seriam mantidos.

Na última aula, foi marcado um ensaio do coral do colégio, onde ela encontrou Ron, o irmão de Gin, que era um ano mais velho e participava tocando piano. Durante o ensaio, Hermione tentou ficar o mais escondida possível, mas ainda assim, Ron tinha uma boa visão dela da cadeira do piano. Enquanto estavam cantando, Ron olhou para ela e lhe deu um sorriso, o qual foi retribuído timidamente.

Ao fim do dia, foi andando do colégio até o endereço que sua mãe lhe dera. Era uma grande mansão a três quadras do seu colégio. Falando em um pequeno interfone que tinha perto do portão, anunciou:

- Eu vim aqui para ver minha avó, Chris Renaldi.

- Como é seu nome? – perguntaram do outro lado.

- Hermione Granger – aguardou alguns minutos, e depois tornou a ouvir a voz metálica que saía da caixinha preta:

- Pode entrar, senhorita Granger – e o portão se abriu.

Caminhando distraída, foi observando a mansão, que, vista mais de perto, parecia ser ainda maior. Parecia ser uma casa antiga, com um estilo rebuscado, porém conservada. Tinha uma escadaria que conduzia à porta principal, e as cores eram basicamente neutras, com tons variados de amarelo, bege e branco. O jardim era bem cuidado, com uma grama bem verde e fofa, o que ela podia constatar perfeitamente, já que estava andando sobre ela...

De repente, começaram a sair de vários megafones o aviso "NÃO PISE NA GRAMA", falado em várias línguas. Tomando um susto, Hermione correu da grama e voltou para o caminho de pedra que vinha desde a entrada até a porta da frente, o qual ela não tinha notado.

Chegando à porta, uma espécie de mordomo já a aguardava, abrindo-lhe a porta:

- Bem vida, senhorita Granger. Nós a esperávamos.

Hermione achou aquilo tudo muito curioso. Não sabia muito sobre sua avó, mas pelo visto, ela era bem rica, para não dizer luxuosa. Além disso, devia ser muito fina e chique. Em seus pensamentos, confessou achar tudo aquilo também um pouco exagerado e até brega. Parecia que estava na casa da Rainha Elizabeth.

Outro homem, o qual ela reconheceu, pela voz, ser aquele com quem ela falara pelo interfone, veio revistar sua mochila. Hermione achou estranho: o que uma estudante, ainda mais esta sendo neta da anfitriã, iria ter de suspeito em sua mochila? Apesar disso, se deixou revistar sem problemas.

Por dentro, a casa não desmerecia a impressão que passava lá fora: era igualmente bela. O estilo vintage permanecia, com decoração e móveis antiqüíssimos. Apesar de ser dia, muitos dos abajures se encontravam acesos, dando um ar ainda mais senhorial à casa.

O mordomo conduziu Hermione até uma sala que ela presumiu ser a sala de visitas. Curiosa como só ela, começou a cutucar nos vasos e objetos da sala. Ao receber um olhar desaprovar do mordomo, achou melhor deixar as mãos quietinhas.

- Por favor, sinta-se à vontade. – e saiu.

Deixou sua mochila escorregar para o chão. O contato dos seus chaveiros de metal com o assoalho fez um barulho irritante, o que não a incomodou. Feito isso, sentou-se no sofá espalhadamente.

Hermione não pôde deixar de notar que, no vaso que estava no centro da mesinha de apoio, tinham flores com pequenas pêras. A sua avó, sem dúvida, além de tudo, devia ter gosto por coisas excêntricas.

Vindo de dentro da casa, ouviu uma mulher falando com energia ao telefone:

- Mas precisamos de novos travesseiros para a esposa do Primeiro Ministro. Ela é alérgica a penas de ganso!

Quando a mulher adentrou a sala, Mione se levantou para cumprimenta-la. Desligando o telefone, ela se apresentou:

- Olá, Hermione, eu sou Charlotte.

- Oi, prazer em conhece-la. Er... onde é que eu estou?

- Aqui é o Consulado da Genóvia. – respondeu, simpaticamente.

- Hmm. Sabe, tem pêras nas flores de vocês.

- Pêras de Genóvia. Somos famosos por elas – falou, com orgulho – agora sente-se, ela estará com você em um minuto.

- Não – ouviu-se uma voz vinda do andar de cima. O mordomo e o rapaz-revistador-do-interfone, assim como Charlotte e a própria Hermione (que estava quase se sentando, tendo que parar o ato no meio, com o traseiro no ar) se levantaram para receber Chris Reinaldi - eu não preciso de um minuto, estou bem aqui.

Hermione correu os olhos pela sua avó. A primeira impressão que teve dela era aquela que ficara ao entrar na casa: chique e fina. Mas não brega. Parecia bastante conservada para a sua idade. Vestia roupas negras, com um lenço de seda amarrado ao pescoço. Usava algumas jóias, mas nada esbanjador.

- Hermione, estou feliz que tenha vindo – foram essas suas primeiras palavras, ditas com um largo sorriso. Mesmo sendo a primeira vez que se encontrava com sua avó, sentiu empatia por ela, apesar de tantos anos sendo por ela ignorada.

- Oi! Er... você tem uma bela casa – e estava sendo sincera quanto ao elogio.

- Obrigada! Bem, deixe-me olhar pra você! – Hermione tirou seus óculos para ser melhor avaliada, e a isso seguiram-se alguns segundos – você é tão... jovem!

- Obrigada... e você é tão... limpa! – o comentário surtiu um risinho abafado de Charlotte.

- Charlotte, por favor, vá ver se o chá está pronto. Sente-se, querida – falou à Hermione, que obedeceu.

- Bom... minha mãe disse que você queria falar comigo sobre... alguma coisa... então, manda.

- Bem, antes de eu, er... "mandar", eu tenho uma coisa que quero dar a você – dizendo isso, entregou a Hermione uma caixinha. Meio sem graça, Hermione agradeceu. Abriu, e viu que era um colar, muito bonito e delicado. Soltou um "uau", que Chris interpretou como um sinal de aprovação.

- É o seique da Genóvia. Era meu, quando eu era jovem. – isso a deixou consciente do valor sentimental do objeto. Foi aí que, sem querer, estabanada como Hermione é, deixou cair a caixa em seu colo. Preocupada com os cuidados que a presentada teria com o colar, adicionou:

- Er... e isso era da minha avó.

Meio envergonhada, Hermione disse:

- Eu vou colocá-lo aqui, que é mais seguro. Vou tomar muito cuidado com ele – abriu então sua mochila, sacudindo o objeto lá dentro, preocupando ainda mais a Chris – Mas o que você tinha pra me dizer?

- Bem... é algo que acredito que terá grande impacto na sua vida.

- Ah, eu já usei aparelho!

- Não, não, a questão aqui é maior que ortodontia – nesse momento, Charlotte adentrou novamente a sala, anunciando que o chá estava servido.

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N/A: E aí, o que estão achando? Enfim, desculpem se esse capítulo foisubjetivo demais, detalhista demais, sei lá. To lendo Machado de Assis, aí to meio romântica demais.

Por favor, deixem reviews, elas são o estímulo pra qualquer escritor, ainda mais de primeira viagem como eu:P

Redhaired Malfoy.