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Doppelgänger
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"Allohomora."
Spike Holmwood suspirou, nem um pouco surpreso que o distraído professor Darrick tivesse trancado a sala onde mantinha seu material apenas com uma chave. Numa escola de magia e bruxaria, ver uma porta trancada com uma chave era estar a um allohomora de distância de estar dentro dela.
"Onde você aprende essas coisas, Spike?" Perguntou Arcturus, abrindo a porta. "Vamos logo!"
Ted olhou mais uma última vez ao redor, para ter certeza se Filch ou Madame Norris (que, eles tinham certeza, era uma gata imortal) não estavam por perto, e então seguiu os amigos para dentro da sala proibida, fechando-a suavemente.
"Whoa," Ele ouviu Cherry sussurrar, e voltou-se.
A sala inteira estava cheia dos mais diferentes objetos, desde um simples baú velho—"Deve ter um bicho-papão dentro, fiquem longe" Advertiu Spike—até um recipiente de vidro envolvendo o que parecia um cérebro com tentáculos. O centro da sala, entretanto, era ocupado por um enorme portal vazio, feito de pedra velha. Diretamente atrás do portal, num canto, estava o espelho.
"Ali," Apontou Teddy. "vamos, tentem não encostar em nada..."
O quarteto se adiantou, passando diretamente pelo meio do portal, mas sem tocá-lo. Cherry olhava os arredores absolutamente deslumbrada, mas Spike parecia nervoso e não parava de olhar para a porta, como se esperava que alguém os pegasse a qualquer instante.
"Agora, pasmem," Arcturus ergueu a varinha quando chegou na frente do espelho, com toda a classe que conseguiu reunir. Os três se afastaram um pouco. O garoto fez um floreio com a varinha que fez o sorriso de Cherry se alargar de deslumbramento, mas Ted rolou os olhos.
"Vamos lá, Archie. Pare de se exib—"
Mas não completou a frase. Não ouviu o hunf exasperado do amigo, seguido de um distinguo perfeitamente pronunciado. Não ouviu as palmas de Cherry nem os parabéns de Spike. Não viu o sorriso vitorioso de Arcturus, pois quando desviara os olhos do grupo, acabou encontrando algo muito mais interessante para observar.
Ele mesmo.
Mas certamente não havia outro espelho na sala?
Ted piscou, abobalhado. O garoto igual a ele, exatamente do outro lado do portal, parecia ligeiramente transparente quando inclinou a cabeça e começou a examinar os arredores. Esticou as pernas, como se as testasse, e sorriu satisfeito com o resultado. Ao seu lado estavam cópias peroladas de Arcturus, Cherry e Spike, que também analisavam o próprio corpo e os arredores.
"Mas que raios—" Ele começou, e seus amigos ficaram repentinamente silenciosos ao notarem suas estranhas réplicas peroladas. "Mas o quê... Peeves, é você?" Ele perguntou, atendo-se à sua última esperança e dando um passo a frente.
O movimento foi fatal. Os duplos, percebendo a presença dos quatro, rapidamente entraram em polvorosa e começaram a correr para todos os lados. O de Ted tropeçou nas próprias pernas, que obviamente não tinha testado direito, e parecia muito sólido quando atingiu o chão, mas ao levantar-se atravessou a parede para o jardim sem dificuldades. O de Arcturus atravessou a porta em direção ao corredor. O de Cherry também passou pelo corredor, atravessando a parede de pedra com a mesma facilidade que o outro atravessara a porta. O de Spike correu da direção deles.
"Cuidado!" O Spike real gritou, puxando Cherry para o lado. O duplo passou exatamente no local onde ela estava um segundo antes e atravessou a parede atrás deles. "Não passem mais por esse portal!"
Ted correu em direção à porta, tomando o cuidado de não passar por dentro do arco de pedra, e a escancarou. Não havia nem sinal dos dois duplos que por ali tinham passado. O corredor continuava silencioso e vazio.
"O que era aquilo?" Perguntou Ted, os cabelos desbotados de susto. "Nossas almas?"
"N—não pode ser," Era a primeira vez que viam Arcturus gaguejar, mas dadas as circunstâncias ninguém parou para pensar duas vezes sobre isso. "A única coisa capaz de arrancar a alma é um dementador, acho... e nesse caso não deveríamos poder nos mexer..."
"Acho que os criamos quando passamos por esse portal," Palpitou Spike, a voz estranhamente controlada e fria. Era a primeira das muitas vezes em que os palpites de Spike estariam corretos. "Será que—"
"Não interessa o que é!" Gritou Cherry, de repente, livrando o braço e correndo em direção à porta. "vamos atrás deles, depressa!"
Como que despertos, os outros três dispararam atrás da garota. Ela rapidamente virou à esquerda, para a porta da sala onde o duplo de Spike deveria ter entrado, e forçou a porta. Obviamente, não esperava que esta cedesse com tanta facilidade, de forma que caiu no chão quando a madeira abriu, rangendo. Era uma sala de aula completamente vazia.
"Droga," Falou Ted, baixinho, entrando na sala para conferir se o duplo não estava escondido embaixo da mesa do professor. "Deve ter atravessado essa parede também. Acho que devíamos ir—"
"—Para a sala de detenção, moleque, perfeitamente."
Os quatro se viraram rapidamente para o corredor. Filch sorria para eles com seus dentes velhos e amarelos, gastos pelo uso. Seus olhos faiscaram de deleite enquanto acariciava a cabeça de Madame Nora, satisfeita com a denúncia que acabara de fazer. Como Filch se movia tão rapido pelos castelos era uma segredo que jamais descobririam.
"Entrando na sala proibida... tsc, tsc, tsc..." Ele estalou a língua. E Ted percebeu, com um chute mental, que tinham deixado a porta da sala 603 aberta no afã de correr. Depois, com falsa cerimônia, o zelador prosseguiu. "Queiram por favor, seguir-me..."
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"E quando voltar, quero ver todos esses troféus brilhando. Entendeu, Ted Remus Lupin?"
Mas ele não teve sequer tempo de balbuciar uma resposta, pois a profa. Ulna Mendcrop bateu a porta da sala dos troféus, deixando-o para suspirar sozinho. Arcturus ficara na sala da professora para organizar o estoque de ingredientes de acordo com sua serventia; Cherry fora levada para escrever a frase Não devo abrir portas proibidas duzentas vezes (sádica, essa profa. Mendcrop, pensou Ted, sabe que nada irritaria mais a Cherry); e Spike acabou designado para ajudar Hagrid a cuidar dos Mokes, lagartos que aparentemente podiam encolher quando desejavam, dificultando sua contagem.
E ele, Ted, ali para polir troféus. Polir troféus.
Suspirou e bagunçou os cabelos, que estavam turquesa. Tinham que cumprir estas tarefas até o jantar. E enquanto isso, aqueles duplos, ou o que quer que fossem, vagavam por aí fazendo sabe-se-lá-o-que-duplos-fazem. Não tinham tido coragem de contar sobre eles à profa. Mendcrop.
Era nisso que a mente de Ted trabalhava a todo o vapor enquanto ele passava panos molhados em algo incolor que cheirava a pêssego estragado em todos os troféus da sala. O que poderia acontecer? Aquelas coisas se pareciam com fantasmas, então talvez o máximo que pudessem fazer era assustar alguém... A menos que fossem como Peeves, e pudessem escolher quando queriam ficar sólidas?
Irritado, ele pegou um troféu de prata da prateleira. "Nesse caso é melhor torcermos para que não tenham o temperamento de P—espera." Se interrompeu em voz alta, prestando atenção na inscrição.
A Remus John Lupin, pelo segundo lugar na competição interclasses de duelo. Junho, 1974.
Ted afastou todo o resto da mente e tentou fazer um cálculo mental rápido. 1974. Seu pai tinha quinze anos quando ganhara aquela taça. Estava no quinto ano, e tinha ganhado de todos os seus colegas de classe, inclusive do pai de Harry...
O pensamento o encheu de orgulho e ele deu um polimento especial até as mais fundas reentrâncias das palavras. Seu pai tinha ganhado aquele troféu. Seu pai.
Claro, ele tinha Harry, Ginny, Draco e todos os outros, mas às vezes se sentia perdido por não ter pais.O dia dos pais era como uma dor em um membro que já perdera. Não tinha sequer uma lembrança deles, e embora sua avó Andrômeda tivesse mostrado todas as fotos que conseguiu reunir, aquela prova irrefutável, gravada em prata, de que seu pai existira acendeu algo quente em seu peito. Abaixo do queixo, entre os ombros, direto no coração.
Durou pouco, entretanto.
Alguma coisa caiu no meio da sala.
Ele voltou-se, surpreso. Cherry estava parada perto de alguns dos troféus, e ela ria agudamente, chutando de lado uma peça dourada. "Cherry?" Ele perguntou, a voz meio falha. "Como você chegou aqui?"
A menina cobriu a boca para abafar uma risadinha, e Ted franziu a testa. Risadinhas eram muito pouco características Cerentine March. E agora que ele estava notando, parecia-lhe que podia ver vagamente a parede atrás dela...
Seus cabelos ficaram totalmente brancos de susto quando ele subitamente compreendeu quem era a menina.
Teddy levantou-se depressa, levando a taça que carregava, mas foi tarde demais para impedir a menina de derrubar toda uma prateleira de troféus com o braço, causando um barulho ensurdecedor que chegou a ferir as aguçadas orelhas lupinas. Ela riu alto, chutando alguns troféus para o lado de forma que pudesse andar para a próxima prateleira.
"Pare!" Ele disse baixo, agarrando o braço do duplo de Cherry. Entretanto, de por um segundo pareceu um corpo sólido, em seguida dissolveu-se como pó em água, e foi como segurar um fantasma. "Ela pode escolher quando quer ser sólida." Ted concluiu, assombrado.
A menina deu outra risadinha, avançando para a próxima estante de troféus e chutando alguns dos que estavam no chão no caminho. Daqui a pouco o barulho vai chamar alguém, Ted pensou, meio desesperado se a profa. Mendcrop descobrir...
O pensamento fez com que ele estremecesse.
A menina parecida com Cherry pegou uma taça pequena, aparentemente com a intenção de batê-la na parede e destruí-la.
Agora, ela com certeza está sólida!
Bang.
A menina caiu no chão, desacordada e definitivamente muito sólida, quando Ted bateu na cabeça dela com toda a força usando o troféu que seu pai tinha ganhado tantos anos atrás. O garoto suspirou, um tanto aliviado, enquanto agradecia mentalmente ao pai por ter estudado Defesa Contra as Artes das Trevas e vencido aquele concurso.
Mas que diabos eu vou fazer agora?, ele pensou, olhando a bagunça em volta e a menina desacordada. Ela vai voltar a si em... sei lá, pouco tempo! O que eu vou...
"Ted! Hey, Teddy!" Ele levantou a cabeça depressa. Ouvira alguém gritando seu nome muito ao longe, e a voz era tão parecida com a de Arcturus... Ele procurou ao redor, quase esperando ver o amigo. "Ted Remus Lupin!"
Não parecia ter ninguém lá dentro com ele além da garota desacordada, então ele fez o que pareceu mais lógico na hora: pôs a cabeça para fora da janela e olhou pra baixo. "Tem alguém aí?" Chamou. sentiu, em seguida, algo gelado em sua nuca e voltou-se rapidamente para cima. "Hey!"
Arturus estava dependurado numa janela, a mais ou menos dois andares de distância. O coração de Ted deu um salto: sim, Arcturus estava cumprindo detenção na torre onde deveria estar o armário extra e poções, exatamente ali. "O que foi esse barulho?" Ele gritou ao longe.
Ted rapidamente puxou um pedaço de pergaminho de dentro das vestes e escreveu o problema nele. Depois, mais uma vez dependurando-se na janela, mandou-o por Wingardium Leviosa até a janela onde ele podia ver os ombros e a cabeça do amigo. Por duas vezes eles pensou que não teria poder suficiente para levar algo tão alto, mas como não havia vento e o pergaminho era leve, chegou até a torre sem problemas.
Arcturus leu depressa e, embora Ted estivesse longe demais para poder distinguir direito a expressão do amigo, ele sabia que suas sobrancelhas deviam estar quase se unindo em cima do nariz, como sempre faziam quando o garoto estava surpreso. Archie nunca arregalada os olhos—seu orgulho não permitia. Quando terminou de ler, Arcturus fez alguns gestos que Ted não entendeu e voltou para dentro da torre. Definitivamente precisamos encontrar um meio de comunicação, pensou. Bom, o melhor que dá pra fazer agora e cumprir o resto da detenção e esperar para consultar o Spike. Ele com certeza vai saber o que fazer.
E foi o que Ted fez pela hora seguinte. Poliu os todos os troféus mantendo vigilância periódica na figura meio transparente estirada no chão, e a estuporava quando parecia estar voltando à consciência. Quando Ted tinha certeza de ter terminado, entretanto, não conseguiu abrir a porta, e apenas após minuciosa revisão ele notou uma única marca de ferrugem em algo que parecia uma xícara dada à Melissa Davies, 1876. Após retirada essa mancha, o feitiço na porta se extinguiu.
Olhou através da porta. O corredor parecia totalmente vazio.
Arrastou o clone da amiga para fora. Ele estava no terceiro andar, e começou a vasculhar sua mente em busca de um lugar onde podia escondê-la. A classe de Feitiços estava fora de questão, assim como a Área Hospitalar. Então seu coração deu um salto: o armário de vassouras do Térreo! Ninguém nunca ia lá. Só teria de arrastá-la escadas abaixo sem que ninguém visse...
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"Onde está?" Foi a primeira pergunta de Arcturus quando chegou ao Hall de Entrada e encontrou o amigo parado. Cherry e Spike estavam logo atrás.
"Dentro do armário," Respondeu Ted, indicando a porta com a cabeça. "Continua desacordada, mas vai parecer suspeito se eu tiver que ficar conferindo de dez em dez minutos. O que vamos fazer?"
"Sai da frente."
Não foi uma pergunta. Arcturus rapidamente passou pelo amigo em direção a porta de madeira e abriu-a como se tivesse todo o direito de fazê-lo, e por causa disso nenhuma das poucas pessoa no Hall o olhou duas vezes.
Ted viu o amigo tirar um frasquinho de dentro do bolso, e em seguida a porta foi fechada e ele não viu mais nada.
"O que era aquilo?" Ele perguntou.
"Poção do Morto-Vivo," Respondeu Spike. "Hagrid me liberou da detenção mais cedo, então eu estava voltando pro castelo quando uma coruja jogou uma coisa em cima de mim..."
Spike suspirou, e Ted franziu as sobrancelhas. "Jogou uma coisa em você?"
"Sabe, tinha uma coruja passando casualmente pela janela do quarto andar, em direção ao corujal. Arcturus simplesmente a pegou e amarrou um bilhete dizendo o que estava acontecendo na perna dela." Spike terminou. "Ela não estava nem um pouco feliz, sabe. Tentou me machucar de verdade com aquele pedaço de pergaminho."
Cherry riu alto. "Eu pagava pra ter visto essa."
"Mas e depois?" Perguntou Teddy.
"Bom, sabe, está naquele nosso livro Mil Ervas e Fungos Mágicos. Eu li durante as férias. Eu lembro que dizia que asfódelo e losna produziam uma poção de dormir tão forte que era chamada de Poção do Morto-Vivo, então ele foi ver se tinha alguma dessas no depósito de poções..."
"Mas é um sabe-tudo, mesmo." Cherry comentou, dando-lhe tapinhas nas costas. "Mas relaxa, a gente te ama por isso."
"Pronto," Falou Arcturus, saindo do armário. O frasquinho não estava à vista em lugar nenhum. "Ela vai ficar assim até darmos uma poção de efeito contrário. Agora, o que vamos fazer?"
Todos os olhares se voltaram rapidamente para Spike, que enrubesceu. "Eu não sei, ok?"
"Biblioteca," Concluiu Ted laconicamente, imediatamente começando a subir as escadas. Ouviu ainda o suspiro exasperado de Cherry antes que ela os seguisse.
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Foi lá que eles passaram várias horas até que uma já muito velha Madame Pince os expulsasse a golpes de bengala. Mesmo assim, Spike pegou um livro que era quase o dobro do seu tamanho—o que deixou todos muito surpresos, pois ele parecia baixo e magro demais para carregá-lo—recitando um texto que sabia de cor.
"Portal do Doppelgänger," Ele disse. "Existem poucos portais encantados capazes de produzir os duplos fantasmagóricos dos seres vivos que passam sob seu arco. O portal tem que ter sido feito a partir de pedras mais antigas do que o ser que deverá ser duplicado, e deve ter em seu interior três pedras de Sagée..." Ele fechou o livro de repente. "Como se precisássemos da receita pra fazer outro daqueles!"
"Madame Pince não nos deu tempo pra procurar como derrotá-los," Suspirou Arcturus. "Parece que vamos ter que esperar até amanhã. Quanto tempo dura a poção?"
"Até que se beba o antídoto." Respondeu Spike, dando de ombros. "Não precisamos nos preocupar com isso."
"Ah, mas que diabos!" Cherry bagunçou seus cabelos já muito bagunçados. "Porque não apenas explodimos aquela coisa?"
"Admito que passou pela minha cabeça," Confessou Ted, rindo. "Mas é melhor voltarmos para nossos dormitórios antes que ganhemos outra detenção."
Os quatro amigos despediram-se brevemente. Cherry e Spike foram em direção ás escadaria que conduziam às torres, enquanto Ted seguiu com Arcturus até o Hall de Entrada, onde se separaram.
Não dormiu muito bem naquela noite. Perguntava-se onde estaria seu duplo, e se ele também seria capaz de se transformar num lobisomem...
A lua cheia era em uma semana e meia.
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Toda a preocupação foi em vão, entretanto.
Na manhã seguinte, quando as figuras cansadas de Ted, Cherry e Arcturus se dirigiam para o café-da-manhã, Spike, mais desperto que nunca, surgiu do nada e declarou. "Precisamos conversar."
"Ah, qual é!" Protestou Cherry. As olheiras sob seus olhos eram evidentes.
"É importante. Venham logo." Ele declarou brevemente, e voltou para dentro do castelo no contra-fluxo da maioria dos estudantes. Ted e Cherry se entreolharam em compreensão antes de seguir Arcturus que, bocejando, foi o primeiro a obedecer.
"Ok, Spike," Perguntou Ted quando estavam longe da massa. "O que foi?"
O garoto puxou de dentro das vestes negras um pergaminho escrito com uma letra que definitivamente não era a dele. "Olhem só," Ele declarou, apontando algumas linhas garranchadas. "O quarto ano estudou estes doppelgängers ainda este mês, e aqui diz como destruí—"
"Como você conseguiu isso?" Perguntou Arcturus, sem cerimônia. Spike corou um pouco.
"Afanei." Isso pegou todos de surpresa, tanto que até afugentou o sono de Ted. "Da bolsa de um garoto do quarto ano. Mas vou devolver depois!" Ele apressou-se em complementar. "É só que... bom, deixa pra lá. O que importa é que pra acabar com essa coisas temos que colocar elas de volta dentro da gente."
"O quê?" Perguntou Arcturus novamente.
"É," Completou Spike impacientemente. "o doppelgänger e aquele de quem ele partiu tem que entrar em contato físico e deve-se fazer o feitiço Iunctum Iterum. Mas é um feitiço do quarto ano, eu não sei se conseguiremos..."
"Tem o movimento da varinha aí?" Cortou Arcturus. Spike, concentrado, balançou a cabeça e correu os olhos pelo papel rapidamente.
"Reto, horizontal e rápido como um corte."
"Então vamos lá agora."
O Hall estava quase completamente vazio, salvo por aqueles que tinham perdido a hora e se arrastavam, sonolentos, pelo corredor. Cherry foi a primeira a escanear a área com o olhar e armar um plano.
"Vai fazer uma cena ali, Ted." Ela apontou próximo da porta do grande Salão. "Mude a cor do cabelo. Sei lá. Nós vamos arrastar a tal cópia pro corredor. Vai logo."
E Teddy foi repentinamente lançado na porta do salão de entrada. Os atrasados para o café olharam ameaçadoramente para ele, e a surpresa foi tamanha que os cabelos de Ted ficaram cor de púrpura, o que imediatamente atraiu todos os olhos do salão sobre ele.
"Eh—isso está estranho hoje." Ele inventou, mudando a cor do cabelo repetidamente. "Deve ter alguma coisa a ver com a lua, sei lá."
"Um Metamorphmagus!" Bradou um Slytherin do segundo ano. O grupinho se juntou ao redor dele, dando aos quatro conspiradores tempo para tirar a doppelgänger desacordada no armário. "Você consegue mudar o nariz também?"
"Está brincando?" Ted se concentrou. Mudar o rosto exigia um pouco mais de esforço, mas em breve seu nariz estava longo e pontiagudo, com uma verruga que arrancou risadas dos mais novos. Suas orelhas, que ficaram repentinamente pontiagudas, também pareceram divertir a platéia, até que o grupo de quatro tinha sumido atrás da porta do corredor e Cherry lhe fez um sinal positivo.
"Opa." Ele disse, voltando seu cabelo ao costumeiro castanho. "Estabilizou. É melhor eu pegar meu, h'm... Remédio, logo."
O grupo lhe murmurou algumas despedidas antes de deixá-lo partir.
"Tudo pronto?" Perguntou Ted, fechando a porta do corredor atrás de si. Cherry estava parada no meio do espaço, segurando sua cópia em pé.
"Vamos logo com isso," Ela ofegou. "Ela é pesada!"
"Pesa exatamente o mesmo que você, Cherry," Comentou Spike, casualmente. Ela lhe lançou um olhar assassino. "Ah... bem, eu não quis dizer que..."
"Vamos logo com isso," Repetiu Arcturus, erguendo a varinha. "Como era mesmo... Iunctum Iterum!" Ele fez o movimento com a varinha, mas nada aconteceu. O garoto pareceu muito aborrecido por isso.
"O movimento tem que começar no mesmo instante que as palavras, acho." Palpitou Spike.
"Tem certeza que esse feitiço está certo?"
Mas, na terceira ou quarta tentativa, quando os braços de Cherry estavam a ponto de quebrar, o doppelgänger simplesmente sumiu no ar com um pop. De tão surpresa, a garota caiu no chão, seu cabelo cor de cobre se esparramando.
"Deu certo!" Comemorou Ted, jogando um punho no ar. "Um a menos, e sem tantos problemas assim."
"Onde vocês estariam sem mim?" Arcturus comentou, mais para si do que para qualquer outro, e recebeu de Ted um empurrão.
Spike ajoelhou e ergueu uma mão cavalheirescamente para a amiga. "Tudo bem?"
"H'm... Acho que tudo," Ela respondeu, aceitando a mão. "Parece que tem mais pensamentos na minha cabeça, mas sem problemas. Agora, podemos comer? Minha última refeição foi o almoço de ontem."
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A primeira aula do dia era Feitiços, dado em conjunção com os Ravenclaws. Ted e Spike sentaram-se o mais ao fundo possível da sala e imediatamente debruçaram-se sobre o pergaminho roubado enquanto o prof. Flitwick ensinava aos alunos um feitiço que os dois já conheciam muito bem: allohomora.
"Aí diz o pra quê um doppelgänger serve?" Ted sussurrou a pergunta. "Eu não consigo pensar em nenhum motivo porque alguém quereria fazer um."
"Bom, um doppelgänger é como o gêmeo mau da pessoa que o criou." Pontuou Spike, apontando a linha onde isso estava explicado, que Ted não se incomodou em ler. Pra quê, quando poderia conseguir a informação já mastigada? "Parece que um dos grandes medos na guerra contra Você-Sabe-Quem era que ele criasse um doppelgänger. Se um causava tanto estrago, imagine dois?"
"Harry já era."
"Sim. Tanto que tiveram que destruir todas as pedras de Sagée que conseguiam encontrar, para impedir que ele fizesse um portal."
"Bom, ok." Ted deu de ombros. "E a gente pode matar um?"
"Não, eles são imortais." Sussurrou Spike, correndo os olhos até o começo do pergaminho.
"É, ia ser realmente um desastre se Voldemort criasse um." Spike deu um salto na cadeira, assustando um pouco Ted, que olhou para todos os lados esperando ver um doppelgänger. "O que foi?"
"O nome!" Ele respondeu. "Você disse o nome de Você-Sabe-Quem!"
"Ah," Ele passou as mãos pelos cabelos, aliviado. "desculpe. É que Harry sempre o chama assim. Ele me disse para não ter medo de dar nome às coisas."
"Harry Potter?" perguntou Spike assombrado, e um pouco mais alto que deveria. O prof. Flitwick mandou-os ficar quieto e jogou um pequeno pedaço de giz na dupla para enfatizar a ordem. Ambos se calaram e fingiram prestar atenção.
O sinal bateu pouco depois de Hillis Howie—uma Ravenclaw excepcionalmente boba, especialmente para os padrões de Ravenclaw—finalmente conseguir destrancar seu pequeno baú com um feitiço, e a sala foi dispensada.
"Você conhece Harry Potter!" Spike falou assim que os dois colocaram os pés fora da sala. "Como?"
"Bom, na verdade ele é meu padrinho." Ted respondeu, e sentiu os cabelos avermelharem de orgulho quando os olhos de Spike ficaram do tamanho de bolas de tênis de tanta admiração.
"Ele é meu ídolo desde que tenho seis anos," o garoto admitiu timidamente. Aparentemente, Spike julgava como extremamente tolas as pessoas que tinham ídolos, mas abrira uma exceção para Harry. "Sabe, ele defendeu quem era diferente como ninguém jamais tinha feito."
Ted sorriu largamente. "O Harry é ótimo." Declarou. E então os dois se separaram no corredor e Ted correu para a estufa, para ter Herbologia com a turma dos Gryffindor.
"E aí? O que você e o Spike descobriram?" Ela disse em tom de mistério quando ele chegou, e ele percebeu que a amiga estava simplesmente adorando toda essa missão secreta.
"Não dá pra matar um. A gente tem que usar aquele feitiço pra recolocá-los dentro da gente, mesmo." Ele respondeu no mesmo tom confidencial, enquanto calçava as luvas. "Aliás, você melhorou desde—desde a dor de cabeça que estava tendo de manhã?"
Cherry virou-se para ele com uma interrogação nos olhos negros e chegou a abrir a boca para perguntar que diabos de dor de cabeça era essa quando ela notou que um outro garoto tinha se sentado na bancada deles, então Ted mudara rapidamente de assunto.
"Ah," Ela gaguejou. "Claro, claro, bem melhor. Oi, Jerry."
O garoto chamado Jerry sorriu seus dentes brancos que criavam um contraste bonito com a pele escura. "Olá. Temos que fazer trios, vocês se importam se eu..."
"Claro que não." Ela respondeu sem consultar. "Ted, esse é Jerry Flemmings. Está em Gryffindor comigo. Jerry, esse é—"
"Ted Lupin, claro" Ele completou, sorrindo largamente para Ted, que o encarou com um olhar interrogativo, procurando bem no fundo de sua mente se já o conhecia. "O metamorphmagus! Todo mundo sabe quem é. Eu vi o show que você deu de manhã na porta do Salão."
"Ah, sim," Falou Ted, lembrando-se da mentira. "claro. Meus poderes estavam, h'm... um pouco estranhos de manhã. Mas já passou."
Nesse momento, a profa. Sprout entrou e todos ficaram quietos. A aula transcorreu de forma muito agradável, mesmo quando Cherry se descuidou e foi mordida por uma das pequeninas plantas carnívoras de que cuidavam.
Algumas vezes, os dois amigos trocavam olhares cúmplices. Mas não podiam falar na frente de Jerry. Quanto menos pessoas soubessem, melhor.
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Foi no sábado que o próximo incidente ocorreu.
Os professores pareciam estar de especial mau-humor. Pelo menos, essa era a impressão que passavam a qualquer um dos alunos no corredor. Os quatro amigos vinham descendo uma das cento e quarenta e duas escadas de Hogwarts, em direção ao jardim, quando uma profa. Ulna Mendcrop muito irritada cruzou com eles.
"Melhor irmos depressa," Comentou Ted, baixinho. "antes que ela prenda nossa cabeça numa gaiola com um rato faminto, ou algo assim."
"Aposto que ela é bem capaz." Sussurrou Arcturus, rindo.
"Srta. March."
Os quatro gelaram em seus lugares na escada. Olhando a professora muito irritada.
"S-sim?" Respondeu Cherry, com sua melhor voz corajosa. Os olhos da porfa. Mendcrop faiscavam de ódio.
"Eu penso que mandei a senhorita ficar cumprindo detenção!" Ela disse em tom austero.
"Ah?" Cherry ia murmurar um protesto quando sentiu uma cotovelada forte de Ted nas costelas. Ela, então, ia dirigir seu protesto a ele quando viu seus olhos arregalados, e seu pequeno assentir de cabeça Confusa, então, ela prosseguiu. "Ah, sim."
"Então volte para a sala de Poções imediatamente e não saia de lá até que toda a bagunça esteja arrumada!" A professora cuspiu, com ódio. "E da próxima vez que eu a pegar bagunçando meus materiais, pode ter certeza de que vou me encarregar pessoalmente de expulsá-la. Como a senhorita chegou aqui tão depressa?"
"Bom—" Ela engoliu em seco. "Foi uma passagem, sabe. Ela abriu de repente. Mas já estou voltando!"
E os quatro dispararam escada abaixo. Cherry, então, voltou-se para Ted. "O que foi?"
"Um doppelgänger!" Ele disse baixo, e os quatro de repente se lembraram.
"Mas Teddy, nós já capturamos o doppelgänger da Cherry. Com certeza foi um erro da profa. Mendcrop e—" Começou Spike, mas Ted o cortou.
"Não, não! É o meu doppelgänger!" Ele disse. Diante da confusão geral, esclareceu: "Metamorphmagus, lembram?"
Foi como se uma luz se acendesse atrás dos olhos dos outros três, e no instante seguinte tinham disparado em direção ás masmorras. Dito e feito: no meio da sala de poções, virando carteiras de lado e atirando livros na parede, juntamente com alguns frascos de materiais usados para fazer poções, havia uma pessoa.
Mas agora ela não se parecia mais com Cherry, e sim com Hillis Howie, a colega de classe de Spike. O tom perolado deixava o doppelgänger inconfundível.
"Por isso os professores estão de mau humor," Deduziu Spike. "essa coisa deve ter causado problemas durante dias."
"Peguem!"
O comando de Arcturus pegou todos de surpresa. Aparentemente, o plano do garoto era pegar o doppelgangër desprevenido, enquanto ainda estava sólido, mas ele falhou quando os quatro receberam uma mesa como boas-vindas.
"Desgraçado!"
Arcturus, que tinha ido na frente, mal tivera tempo para barrar a carteira com o braço. Atirou-se em direção ao duplo, mas o atravessou. A forma de Hillis Howie riu alegremente da cena e jogou nele o conteúdo de um frasco próximo.
Em seguida, riu ainda mais alto da visão de um Black coberto de pó de asfódelo.
Cherry, sendo a mais alta e com as pernas mais desproporcionalmente longas—coisas da pré-alolescência—entre os quatro, foi a segunda a tentar segurar doppelgänger, e chegou a conseguir por um segundo, antes de ele voltar a ficar ectoplasmático.
"Ted!" Ela gritou, irada. "Por Marco Pólo, como você pegou essa coisa, da outra vez?"
"Bom," Foi a resposta. "Eu esperei ele ficar sólido e dei-lhe com o troféu na cabeça..."
"Não tem nenhum troféu aqui!" Cherry exclamou desviando quando um livro foi jogado na sua direção. "Plano B?"
Hillis Howie, entretanto, fixou seu olhar em Spike. Provavelmente nunca o tinha visto, pois começou a ficar muito interessada em mudar seu rosto para um igual ao dele. Isso pareceu lembrar o garoto de algo terrível.
Muito pior do que qualquer um imaginaria.
As íris normalmente cor de âmbar dele pareceram ficar ligeiramente mais vermelhas, e não se parecia nem um pouco com o Spike que conheciam quando deu um passo a frente e chocou o punho contra o rosto igual ao seu.
E que soco!
O susto aparentemente pegara o doppelgänger de surpresa, pois ele parecia muito sólido quando Ted aparou sua queda, e no segundo seguinte, Arcturus já tinha sacado sua varinha e murmurado um perfeito Iunctum Iterum, e sem seguida os quatro estavam sós na sala de Poções.
"E é meeeeenos um!" Gritou Cherry, dando um soco de comemoração no ar. "Nós somos ótimos!"
"Bem, se ele foi capaz de copiar a Metamophmagia, fico feliz que tenhamos conseguido antes de sábado que vem!" Suspirou Ted. "Seria um problema se essa coisa se transformasse num lobo."
"O que foi, Spike?"
A pergunta de Arcturus pegou Ted de surpresa, e ele ergueu a cabeça. De fato, Spike estava estranho, parecia inquieto, nem um pouco disposto a comemorar com eles.
"Doppelgängers copiam as características mágicas das pessoas, não só a aparência." Ele sussurrou, muito sério. "Isso não estava naquele trabalho do quarto ano. Odeio a pessoa desleixada que o escreveu."
"Mas qual o problema?" Arcturus fez o ar de pouco caso que era sua especialidade.
Spike tremeu. "Você não entendem? Eu sou um vampiro! Há um vampiro à solta em Hogwarts!"
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Doppelgänger vem do alemão e significa duplo que anda, réplica ambulante.
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A/N: Ahem.
Capítulo dois pronto! E o segredo do Spike foi revelado! Eu percebi que o capítulo anterior acabando dando mais espaço do que deveria à Cherry, então deixei este para que a arrogância e talento indiscutíveis de Arcturus possam ser mostrados, além do cavalheirismo do Spike.
(E o Ted, como fica nessa história toda? #Tosse#)
Estas pessoas merecem biscoitos:
Musette Fujiwara (Os pais do Arcturus devem ser revelados no próximo capítulo! Isso se e não me animar e extrapolar o número de páginas...), Lele Potter Black (Muito obrigada, viu?), jufuao (Vou ler esta fic que você indicou, não tem quase nenhuma fic do Ted em português e meu material de pesuisa está acabando... Ah! #Sussurra# A Cherry é minha favorita também, mas não deixe os outros saberem, ok?), S0phia.weasley (A Victoire vai aparecer sim, mas pelos meus complexos cálculos aritméticos, só no terceiro ano. A fic terá por volta de vinte capítulos, fico cansada só de pensar...), Bruno-top-Wealey (Ah! Quando postar essa história não deixe de me avisar!), BelinhaZpears (Siiim, eu também não aguentava mais que todos fossem de Gryffindor! E se quer uma pista sobre os pais do Arcturus... eles não estão na árvore genealógica. Não os pais.), Jane Potter Skywalker (Oh sim! Draco manda no mundo! E não esqueça da bebida da Bela...), Marcy Black (Eu também gosto do nome Cassiopéia, e pareceu apropriado já que já tinha uma Andrômeda na história!), Shakinha (Tantas perguntas sobre o Archie! Mas é segredo por enquanto, tenha paciência.), Mrs. Violet (Ué, o Draco não criticou a ida do ted à Hogwarts... ele estava ameação a McGonagal caso ela não o aceitasse! Será que a frase não ficou clara?), Mimi Potter (Postei! Agradou?), Amy Aine (A aleatoriedade está a meu favor então. obrigada!), Vivis Drecco (Haha! Tudo bem, eu te dou o drink em vez do biscoito!), Gwen Ab'Saber (Obrigada! Aqui está o resto!)
Ufa! Mas que belo número, hein? Vocês alegram minha alma, fazem e meu dia e todas essas coisas de livro de auto-ajuda!
Até mais!
Hell's Angel & Heaven's Demon
