CAPÍTULO 2
Como não havia estacionamento subterrâneo no edifício, a maioria dos funcionários deixava seus carros no edifício-garagem que havia perto.
Mas James tinha um motorista à disposição, bastava ligar e uma Mercedes prateada parava em frente ao edifício e o aguardava com o motor ligado vibran do suavemente.
Lily parou de ficar dizendo que ele não precisava levá-la para jantar, pois ela havia acabado de co mer os sanduíches do Savoy.
Quando viu, ela estava entrando no banco traseiro do carro e se acomodando perto da janela para dar espaço a ele.
— É muita gentileza de sua parte, senhor Potter...
— Considerando-se que você desmaiou na minha porta, por assim dizer, acho que você já pode me cha mar pelo meu primeiro nome, James.
— Tudo bem, então. Mas não precisa me levar a parte alguma. Não precisa se sentir responsável por mim. Apesar de que agradeço muito sua ajuda.
James relaxou seu corpo sólido, encostando-se indolentemente à porta do carro e olhou para ela.
— Não me lembro da última vez que uma mulher recusou-se a jantar comigo de forma tão eloqüente.
Lily cruzou as pernas e as mãos, e começou a pensar em como poderia abrandar sua recusa para que ele não se sentisse ofendido e ficasse achando que ela era ingrata depois de tudo que ele havia feito. E ela tinha de reconhecer que a idéia de jantar com ele era desconcertante, mas também excitante.
— Não se pode dizer que eu esteja vestida para jantar fora — ela disse, olhando para seus sapatos masculinizados e seu casaco preto que era bem quen te e confortável, mas fazia ela parecer um navio na vegando em velocidade máxima.
— Não, não está — James concordou. — Mas te nho certeza que Remus não vai ligar.
— Remus? — Então ele achava mesmo que ela es tava com péssima aparência. Bem, ela nunca fez grande sucesso mesmo com o sexo oposto. Ao menos não no sentido sexual. Crescera à sombra da irmã lin da, resignando-se desde cedo a um inevitável segun do lugar. Os meninos eram sempre grandes amigos dela, mas se apaixonavam por Petúnia. Ela achava que a vida simplesmente era assim mesmo, e jamais se deixou abater por isso.
Mas no momento ela estava sim se deixando aba ter por isso.
— O proprietário de um pequeno bistrô francês que costumo freqüentar. Eu o conheço há muito tempo.
— Ah, é? E como foi? — Ela estava pensando se daria para arrumar os cabelos no toalete do "pequeno bistrô francês".
— Eu o ajudei muito tempo atrás, financiando o restaurante que ele queria abrir.
— Sabia que você tinha um lado sensível! — Lily exclamou impulsivamente, sorrindo para ele.
Santo Deus, James pensou, aquela mulher precisa va de proteção contra a própria boa índole!
— Foi um acordo de negócios sensato — James corrigiu, não gostando muito daquela idéia de ter um lado sensível. Se tivesse, jamais percebera maiores evidências deste lado, e tinha certeza que os reis da economia que o obedeciam no minuto em que ele abria a boca para mandar também nunca o viram sob este ângulo. — Para desfazer o mito, devo dizer que ganhei dinheiro com o negócio.
— Mas tenho certeza que teria investido nele mes mo que não achasse que fosse fazer dinheiro. Acho que amigos são para isso, não é?
— Eu na verdade não pensei muito nisso. Bem, chegamos.
Lily olhou ao redor e viu que o pequeno bistrô era na verdade um restaurante chique, o tipo de lugar que atraía gente estilosa que ficava bebendo vinho branco e olhando para todo mundo.
Ela olhou para ele em desespero.
— Não posso entrar aí.
— Por que não? — James perguntou, com um traço de irritação. Ele estava começando a imaginar que tipo de impulso demoníaco era aquele que o impelira a levar aquela biruta para jantar. Sim, claro que ele estava preocupado com o que ela disse sobre este tra balho insalubre no bar que estava para aceitar. Mas o que ele tinha a ver com isso? Pessoas adultas podiam fazer o que quisessem de suas vidas.
— Olhe para mim! — Lily disse, o rosto trans parecendo seu pânico.
James olhou.
— Ninguém vai dar a mínima para você. — Aquilo era o máximo que ele podia dizer sem ter de mentir.
— Todo mundo vai olhar! — Lily rebateu, le vantando a voz. — Olhe só para o pessoal que está lá dentro. — Dava para ver as pessoas dentro do restau rante, todas muito bem vestidas e à vontade naquela atmosfera de auto-adulação. Pareciam todos dizer "somos lindos, graças a Deus".
Após estacionar, o motorista de James saiu para abrir a porta de Lily.
Ao lado de James, ela se sentia ainda mais sem jei to. Ela olhou para ele, dizendo "não" com os olhos, mas ele apenas sacudiu a cabeça, impaciente.
— Você se preocupa demais com sua aparência.
— Para você é fácil falar. Você foi abençoado com toda esta beleza.
— Você sempre fala o que lhe dá na telha? — James perguntou, um pouco chocado com o que ela havia acabado de dizer.
Lily ignorou. Estava ocupada demais com suas incertezas. Ele teve de impeli-la a entrar pela porta, e ele podia até não ter reparado em nada, mas ela repa rou. Todos os rostos se viraram em direção a ela. Ela tinha certeza que as mulheres estavam disfarçando o riso.
Os homens lhe lançaram rápidos olhares de des prezo, e depois olharam para James, tentando reco nhecê-lo. Lily se sentiu pior do que invisível. Na verdade, se ela fosse invisível seria infinitamente melhor. Então ela baixou os olhos para o assoalho re luzente de madeira que parecia enfatizar ainda mais seus calçados brutos.
— Nossa mesa é aquela ali — James murmurou, abaixando-se. — Quer que eu a conduza ou está pre parada para levantar os olhos e caminhar sozinha?
— Muito engraçado — Lily murmurou de volta. — Você reparou como está todo mundo olhando para mim, pensando que diabos eu estou fazendo aqui?
— Ninguém está olhando para você.
— Bem, estavam — Lily disse, e para seu alí vio chegou enfim à mesa e se sentou na cadeira.
— Sua mãe não devia ter deixado seus complexos em relação à sua irmã chegarem a esse ponto. — Ele pegou o cardápio, mas deu uma olhada rápida; estava óbvio que já sabia o que queria pedir.
Lily se inclinou e olhou para ele com uma cara bem séria.
— Não foi culpa da minha mãe ter dado à luz um cisne e um patinho feio.
— Até aí, tudo bem. Mas ela sabe que você costu ma ficar se comparando com sua irmã?
— Minha mãe faleceu faz sete anos. — Ela espe rou por alguma expressão de pesar que não veio. James apenas olhou para ela e balançou a cabeça leve mente. — Ela ficou doente por cerca de dois anos an tes de acabar falecendo. Por isso não terminei meus estudos. Precisei trabalhar.
— E o que sua irmã estava fazendo na época?
— Petúnia estava em Londres, fazendo um curso de interpretação e trabalhando como garçonete.
— E você ficou sem dinheiro nenhum para correr atrás de suas próprias ambições? — Contra sua von tade, ele estava ficando curioso sobre a dinâmica da família de Lily. Sem tirar os olhos dela, pediu uma garrafa de vinho e o peixe do dia, e ela pediu a mesma coisa.
Lily corou.
— Petúnia precisava mais do que eu do pouco que havia na época. Ela prometeu que me pagaria assim que ela estourasse. Não que eu me importasse com o dinheiro. Mamãe já não estava aqui e eu não fazia questão de dividir o que ela nos deixou, e nem era muito mesmo.
— E ela estourou?
James perguntou casualmente, sabendo qual seria a resposta. Claro que não ficou nem um pouco surpreso ao saber que os sonhos de estrelato do outro lado do Atlântico não estavam dando certo. Menos surpreen dente ainda era o fato de o dinheiro jamais ter sido devolvido à dona, que parecia achar tudo muito bom.
— Então você gosta de se comparar desfavoravelmente a uma pessoa cujo único predicado para a fama é a beleza? — James perguntou.
— Ela também é uma pessoa muito calorosa — Lily defendeu apaixonadamente. Costuma ser, ela corrigiu em pensamento, quando as coisas são do jeito que ela quer. O egoísmo da irmã sempre fora algo entre irritante e terno. Dificilmente ela perdia a paciência com a irmã, mas nas poucas vezes que isto aconteceu, Lily se deparou com um muro de la múrias e choramingos. — De mais a mais, eu não me comparo com Petúnia. Apenas admiro sua beleza.
— Você não tem irmãos com os quais às vezes se com para? — A idéia soou tão ridícula que ela não pôde conter um sorriso. — Não. Não consigo imaginar você se comparando desfavoravelmente com nin guém. Você é autoconfiante demais para isso. Acho que você deve esperar que as pessoas se comparem com você.
— Não tenho irmãos nem irmãs — James a infor mou sem mais nenhuma simpatia, com um tom de voz proibitivo, como quem não quer falar de sua vida pessoal, mas Lily o encarou pensativamente.
— É muito triste para você. Sei que Petúnia não mora aqui, mas é bom saber que ela está comigo em espírito, por assim dizer. E seus pais? Onde moram? Aqui? Devem ter muito orgulho de você, ainda mais você sendo tão bem-sucedido...
As mulheres não costumavam ficar perguntando sobre a vida de James. Na verdade, as mulheres sa biam quando recuar sem que ele precisasse dizer. Algo em sua expressão sempre deixou os limites muito claros. Ele as levava para jantar, tratava-as com capricho e luxo além das posses da maioria das pessoas. Esperava em troca relacionamentos sem complicações. Sua vida já era agitada demais sem ele precisar fazer exigências ao sexo oposto.
Lily parecia não ter os instintos corretos a avi sando para mudar de assunto. Na verdade, ela estava olhando para ele com o entusiasmo de um filhote de cão à espera de um mimo.
E ela não o interessava sexualmente. James estava convencido que quando se dá informação demais às mulheres, elas criam ilusões de estabilidade.
Como Lily não era do tipo de mulher que fica va jogando verde para colher maduro, ele não sucum biu imediatamente ao instinto automático de se fe char e não dizer nada. Ao contrário, olhou para ela e deu de ombros.
— Meu pai morreu quando eu era garoto e minha mãe não mora aqui, mora na Grécia.
— E você é de lá, claro.
James se permitiu um discreto sorriso.
— Por que "claro" ?
— Ah, são aqueles estereótipos de homens gregos altos, morenos e belos. — Lily sorriu quando ele fez uma expressão de estupor. Ela estava apenas brincando, mas pensou em quantas vezes na vida já haviam brincado com ela. — Sua mãe costuma vir lhe visitar muito?
— Você faz muitas perguntas.
A comida chegou e foi posta em frente a eles. Ser viram mais vinho em suas taças, e desta vez Lily não se incomodou de beber, já que não estava mais trabalhando.
— As pessoas têm histórias interessantes. Como conhecer as pessoas a não ser fazendo perguntas? — Seu apetite, que devia estar satisfeito após os sanduí ches, deu sinal de vida novamente. É claro que ela não ia comer tudo, mas não se sentava em um restau rante daquele calibre toda hora. Pareceria até rudeza não tocar na comida.
— E então, ela vem?
— Do que está falando?
— Da sua mãe. Ela costuma vir lhe visitar?
James balançou a cabeça, exasperado.
— Ocasionalmente. Costuma vir para ficar na mi nha casa de campo. Ela odeia a cidade. Na verdade, nunca vem para cá. Pronto. Satisfeita?
Lily fez que sim. Por enquanto, quis dizer, mas lembrou que não haveria nada além do momento presente, de modo que por enquanto era na verdade o fim. Ele só estava fazendo aquilo tudo para livrar sua consciência da culpa de tê-la feito perder o emprego de faxineira. E pensar nisto a fez voltar à realidade e lembrar que havia perdido um emprego do qual pre cisava, por pouco que ganhasse. Cruzou o garfo e a faca no prato, do qual comera a metade da comida, e apoiou o queixo na mão.
— Terminou? — James perguntou, surpreso. Lily sentiu uma pequena dor por dentro. Apesar de sua aparência animada e bem disposta, de repente teve uma visão de realidade. A realidade que lhe mos trava friamente que, apesar de haver fantasiado sobre aquele homem alto e agressivamente lindo enquanto limpava o chão quando ele estava por perto, ele jamais sequer olhara para ela. E apesar de ela se deleitar com a emoção de estar acompanhada por ele agora, sabia que esta emoção não era recíproca. Para ele Lily não passava de uma gordinha de quem ele mal esperava po der se livrar.
— Você achou que eu ia continuar comendo até explodir? — Lily perguntou, mais rispidamente do que tinha intenção. Então procurou amainar aque la resposta sarcástica que não fazia seu estilo com um sorriso triste. — Desculpe, é que eu estava pensando no que vou fazer agora que não tenho mais meu tra balho noturno.
— Não acredito que você tenha mesmo que man ter dois empregos para sobreviver. Com certeza você pode cortar uma ou duas coisas supérfluas.
Lily riu. Uma risada calorosa que fez algumas cabeças se voltarem na direção de sua mesa.
— Senhor Potter, você não vive no mundo real...
— James...
— Bem, não vive mesmo. Eu não tenho nada de supérfluo para cortar. Algumas amigas às vezes jan tam comigo e nós assistimos tevê, às vezes bebendo umas duas garrafas de vinho no sábado à noite, e no verão fazemos piquenique no parque. Não freqüento teatros, nem cinemas, nem restaurantes, não com fre qüência. Até porque não tenho muito tempo livre mesmo, o que deve ser bom para economizar. — A cara de horrorizado que ele fez só piorou à medida que ela foi falando. Claro que ele não era capaz de en tender o mundo em que ela vivia. Por que entenderia? Ela também só devia fazer uma vaga idéia de como seria o mundo dele. — Prefiro guardar dinheiro para o meu curso a torrar em roupas e diversão.
— E eu que achava que não ligar para nada fazia parte da juventude — ele disse, surpreso ao perceber que estava até se divertindo. Não do jeito que costu mava se divertir em companhia feminina, mas estava se sentindo revigorado. Talvez ele precisasse mesmo de mais novidades na vida.
Lily deu de ombros.
— Talvez seja, para quem pode bancar. Mas eu não sou do tipo de pessoa que não está nem aí para nada, nunca fui.
— Se você não é deste tipo de pessoa, talvez deva pensar duas vezes antes de aceitar o emprego com este homem...
— Tom? — Ela olhou para ele, surpresa. — O que há de tão terrível em trabalhar detrás do balcão de um bar algumas noites por semana? Se eu ficar só rindo e conversando com os apostadores, Tom fica mais do que satisfeito.
— Muitas horas? — ele perguntou, e ela assentiu.
— Muitas, e bem cansativas. Foi por isso que eu recusei a oferta dele antes. Mas necessidade é neces sidade. Não tem muitos empregos noturnos para mo ças dando sopa por aí, e não tenho como assumir mais compromisso nenhum durante o dia. — Ela sus pirou. Como ajudaria se Petúnia cumprisse sua palavra e pagasse ao menos parte do dinheiro que ela tomou emprestado tanto tempo atrás. Mas fazia dois meses que não falava com a irmã, e muito mais tempo que não a encontrava pessoalmente. Seria estranho, após tanto tempo, entrar em contato só para pedir que pa gasse o empréstimo.
— De qualquer forma, não adianta ficar me lamen tando. — Ela sorriu. — A comida estava deliciosa. Muito obrigada. Gostei de vir aqui.
— Apesar de não agüentar a idéia de ficarem olhando para você? — Ele serviu mais vinho a ela, terminando a garrafa, e pensou se deveria pedir outra. Se estava procurando novidade, certamente a encon trara nesta mulher que se dispunha a comer e beber sem medo das conseqüências. Também percebeu que não seria nenhum sacrifício prolongar um pouco mais a noite. Afinal, sua namorada atual não estava por perto e só resolveria questões de trabalho na ma nhã seguinte, quando chegasse ao escritório.
— Mais vinho? — ele perguntou, fazendo um si nal ao garçom.
Lily corou. Na verdade, sentia-se bem quente e gostaria de tirar o casaco, mas estava usando uma ca miseta horrorosa, pior do que o casaco cinza.
— Eu não estou tomando seu tempo? — ela per guntou, preocupada.
— Como assim?
— Ah, sei lá. Você não tem algo para fazer? Não tem uma namorada para encontrar, ou algo do tipo?
— Sim, mas ela cancelou tudo quando eu disse que teria de me atrasar.
Então foi este o telefonema que ele deu no mo mento em que pegou o celular e se afastou dela no es critório. Lily se sentiu culpada e corou mais ain da.
— Que horror! — Ela fez menção de levantar, mas ele pediu que ela sentasse com um gesto de mão. O garçom chegou e serviu mais vinho. — Não posso ser pivô de uma briga entre você e sua namorada. La mento muito.
— Sente-se — James ordenou, rindo de sua crise de consciência. — Você só deu um empurrãozinho fi nal, se isto lhe serve de consolo. Sente-se! As pessoas vão olhar. Você não quer que as pessoas fiquem olhando para você, quer?
Lily se sentou na cadeira de má vontade, mas seus olhos continuavam ansiosamente focados nos dele.
— O que quer dizer? — Ela tomou um gole de vinho.
— Quero dizer — aproximou-se dela — que estou percebendo que tem um grupo ali atrás que parece es tar apenas esperando para ver se você vai cometer suicídio social e fazer uma cena.
— Não era minha intenção!
— Eu sei.
— Então o que quis dizer quando falou que eu só dei um empurrãozinho final? Você ia dar o fora nela?
—Mais cedo ou mais tarde. — Ele voltou a se recostar à cadeira, cruzou os braços e observou a expressão conturbada em seu rosto. Quem diria que a faxineira de seu escritório seria uma companhia tão agradável? Ele mal podia acreditar no que estava fazendo.
— Ah. E por que ela iria terminar com você só por causa de um atraso? — Ela franziu o cenho, confusa. Sim, relacionamentos podiam ser transitórios, mas aquilo não era um pouco demais? Ela mesma já tivera um relacionamento estável, e quando chegaram a ponto de reconhecer que não chegariam a lugar ne nhum daquele jeito, levaram várias noites até enfim terminar. — E por que você daria o fora nela mais cedo ou mais tarde? Você a estava enrolando?
Aquela pergunta já passava um pouco dos limites, James pensou. Ele pediu a conta e apoiou os cotovelos na mesa.
— Acho que agora você começou a fazer pergun tas sobre assuntos que não são da sua conta.
Por alguns momentos Lily apenas olhou para aquele homem temido por todos. O homem da mão de ferro na luva de veludo. Deu de ombros.
— OK. Peço desculpas. Às vezes falo demais.
— Às vezes fala mesmo — James concordou, sem sorrir. Pagou a conta e então Lily sorriu, tentando melhorar o clima.
— Eu pagaria minha parte, se tivesse dinheiro...
— Eu sei. — Ele se levantou e pensou mais uma vez por que diabos ela tinha de usar roupas que a fa ziam parecer mais gorda do que era.
Lily se levantou rapidamente, rápido demais até, pois naquele instante sentiu os efeitos do vinho branco gelado e muito saboroso e cambaleou ligeira mente.
O chão estava com certeza mais firme quando ela estava sentada.
E agora ela tinha que passar por aquele salão re pleto de gente.
— Esse é o problema de um bom vinho — James disse. — A gente bebe sem perceber. — Ele foi até ela, que estava imóvel em sua indecisão apavorada, e passou a mão por sua cintura.
Aquele contato pareceu emitir ondas de eletricida de a cada centímetro de seu corpo, eliminando qual quer traço de bom senso que lhe restava.
Uma vaga paixonite imatura... Uma noite de con versa, e um toque mínimo que nada representava para ele... Bastou para ela sentir sua cabeça girar como uma mulher apaixonada.
Ela mal o ouviu falar enquanto a conduzia pela porta do restaurante, parando rapidamente para tro car gentilezas com Remus, que apareceu do nada.
Santo Deus, ela queria sentir o corpo dele mais perto! Será que já havia se sentindo assim com Johnny antes? Não lembrava. Mas provavelmente, não.
Quando estavam fora do restaurante ele tirou a mão e ela deu uns dois passos para trás para se recu perar daquela sensação vertiginosa. O ar frio estava agradável.
O motorista dele estava parado a poucos metros, mas antes que ele começasse a conduzi-la em direção ao carro Lily olhou para ele e deu-lhe um sorriso franco.
— Posso voltar para casa daqui sem problema.
— Não seja ridícula. Onde você mora?
— Verdade, estou bem. Você já fez demais. — Ela sabia que mal estava conseguindo pronunciar as pa lavras direito. Quando ele pôs a mão em seu cotovelo ela sabia que teria de ceder.
— Você ficou quieta de repente...
— Estou um pouco cansada... — Assim que entra ram no carro ela recostou a cabeça ao banco e fechou os olhos. Lembrava vagamente de dar seu endereço a James, e ao abrir os olhos novamente já estava em frente ao edifício onde dividia um apartamento com mais quatro moças. Nenhuma delas estava em casa. Pela primeira vez ela percebeu que devia ser a única pessoa em Londres menor de 25 anos e solteira que estava sozinha em casa naquela sexta-feira à noite. Mas ela havia, sim feito algo.
Ele a acompanhou até a porta, pegou a bolsa dela ao ver que ela não conseguia achar as chaves e as achou para ela. Quando ele entrou em casa com ela, Lily não fez objeção. Sim, ele cumprira seu dever e estava pronto para partir. Mas não, ela não queria que ele partisse. Agora, não. Afinal, não o veria nun ca mais de novo.
— Gostaria de um café? — Lily perguntou de modo um tanto estranho.
— Quantas pessoas moram aqui?
— Quatro. — Ela soluçou, e cobriu a boca com a mão.
— Acho que você precisa do café mais do que eu. Sente-se que eu preparo.
Bem, James pensou, sua noite estava toda errada desde o momento em que ouviu aquele barulho infer nal no corredor de seu andar no edifício de escritó rios, então por que não terminar tudo fazendo algo que ele raramente fazia, ou seja, cuidar de uma mu lher que usava roupas terríveis e que havia pratica mente caído dura no sofá?
James não era nenhum porco chauvinista. Mas esta va acostumado a ser mimado pelas mulheres que se derramavam todas por sua beleza, seu charme e seu magnetismo. Na verdade não se lembrava de jamais ter cuidado de mulher nenhuma como estava fazendo agora com aquela mulher que caíra no sono ao seu lado no carro enquanto ele estava falando com ela.
Ele foi até a parte de trás do apartamento, obser vando o caos em que quatro pessoas viviam sem se preocupar muito em organizar nada. Na cozinha ain da havia restos de louça do café da manhã. Havia sa patos jogados em lugares improváveis e no peitoril da janela havia cartões de aniversário recentes.
Quando o café estava pronto, ele foi até a sala e viu que Lily caíra no sono de novo. Tirara os sapatos, deixando à vista as meias cinzas, e também o casaco.
James ficou parado por alguns segundos, perceben do que aquela figura roliça não era tão roliça quanto parecia com aquele casaco que estava usando. Seus seios eram grandes, suculentos e fartos, mas seu cor po era bem feito e o pedaço de cintura que dava para ver pela camiseta ligeiramente levantada revelava uma pele surpreendentemente firme.
Ele esfregou os olhos para dispersar a sensação in cômoda de ficar olhando para ela com vontade de chegar mais perto e apreciar aquelas curvas um pou co mais.
Sem acordá-la, ele pôs o café na mesa perto do sofá e, após alguns segundos de hesitação, pegou a caneta e procurou um pedaço de papel. Não pretendia acordá-la, mas não seria certo sair sem se despedir. Então ele escreveu um bilhete lhe desejando sorte no novo trabalho e saiu, resistindo à enorme tentação de olhar por sobre o ombro para vê-la mais uma vez, dormindo como um bebê.
Ao chegar lá fora, ele riu da insanidade que tomou conta de si. Chegou a ficar excitado ao olhar para ela! Quase ligou para Narcissa, ciente que poderia dobrá-la com uma conversinha mole, mas em vez disso des ligou o celular e se forçou a se concentrar no trabalho que tinha a fazer na manhã seguinte.
Lily acordou na manhã seguinte com o barulho de uma de suas amigas mexendo nas louças da cozi nha achando que era James fazendo café.
A xícara de café estava na mesa ao lado dela, junto a um bilhete no qual ele escrevera qualquer coisa, certamente feliz de poder se livrar dela, finalmente.
Lily se sentou e cobriu a cabeça com as mãos. Ele não a acordou! Ela dormiu e perdeu a chance de passar mais alguns minutos com ele.
O sol parecia ter sumido de sua vida.
— Será que eu sou louca? — ela perguntou a si mesma, se encarando no espelho. — Porque só uma louca cai no sono ao lado de um homem como James!
Ela se recompôs e aceitou o trabalho no pub de Tom. Como esperava, era um trabalho duro, mas tinha um lado divertido, o que a agradava. Ao menos ela estava comendo com regularidade e tirara as sextas-feiras de folga. Não conseguia parar de pensar no que James dis sera quanto a ser jovem e aproveitar a vida. Passadas seis semanas, ainda não esquecera daquilo.
E a imagem dele continuava vivida em sua mente. Não havia nada que ela pudesse fazer quanto a isso. Num minuto ela estava rindo de alguma coisa, mas no minuto seguinte lá estava ele em sua mente de novo. Ela se deitava com ele à noite e acordava com ele na cabeça. Era involuntário, não podia fazer nada. Aquele homem a estava assombrando.
Claro que uma hora aquilo tinha de passar. Nada como o tempo para esquecer. Ela estava contando realmente com isso. Tanto que quando, dois meses depois, atendeu ao telefone e ouviu a voz dele, quase não reconheceu.
Sentou-se, agitando o braço nervosamente para que Marlene abaixasse o volume da tevê — o que a outra fez, parando para prestar atenção na conversa. Lily sentiu o coração começando a disparar. Ele consegui ra seu telefone com a empresa de limpeza para a qual ela trabalhava, o que não era difícil, sendo ele quem era.
— Tenho uma proposta a lhe fazer.
— É mesmo? — Ela tentou soar o menos nervosa possível, apesar do estômago dando voltas.
— Minha governanta foi para a Escócia ficar com a irmã que adoeceu e precisa de seus cuidados. Pen sei se você não gostaria de ocupar a vaga. — Ele ex plicou para ela qual era o trabalho, e disse que ela po deria morar lá. Seu apartamento tinha uma ala sepa rada e ele pouco parava em casa. Gostava de passar a maioria dos finais de semana no interior. Ele disse qual seria o salário e ela quase engasgou. Era muito mais do que ela ganhava nos dois empregos juntos. Ela poderia economizar e, se resolvesse dormir no trabalho, poderia pagar seu curso dentro de poucos meses, não dali a anos, como previa.
Não que o dinheiro importasse muito naquele caso.
— Aceito — disse prontamente, fazendo-o sorrir do outro lado da linha. — É só dizer quando devo começar...
Que proposta, hein? Quem não aceitaria? Bom emprego... E um patrão daqueles! Hahaha. Lily se deu bem e me arrisco a dizer que o James também!
Já aviso: vou tentar postar um dia sim, um dia não; mas só se houver reviews! Sim, dessa vez postei dois dias seguidos, mas apenas porque não poderei postar no final-de-semana.
No final-de-semana vou viajar pra casa da vó e quero curtir bem a minha velinha, né? Hahaha.
Ok, insisto na minha propaganda: Leiam a outra fic que estou adaptando, a O Pintor Italiano, é uma SB/MM super hot!
Não esqueçam: Mais capítulos? Só com reviews! Adoro reviews, mesmo!
Sassah Potter: Lily tagarela tá ótimo, né? Faz cada uma... Pois é, de imediato, o jantar não rendeu muito, mas a longo prazo! Hahaha. Não é que o James ficou mesmo interessado? É claro que, interesses românticos só nos próximos capítulos, mas... No próximo capítulo a sorte vai virar pro lado da Lily!
Ra Po: Esse livro é ótimo mesmo! Hahaha. Lily e James é tudo 3
Não esqueçam as reviews! Sem reviews? Sem capítulos!
Pretendo atualizar amanhã, na sexta... Mas depois, só na segunda! E não esqueçam, a partir de segunda os posts serão um dia sim, um dia não...
Beijos,
-Maria Flor Black.
