8 anos


AMADURECER:

Verbo transitivo direto.

Fazer chegar a estado de amadurecimento, aprimoramento; aperfeiçoar, aprimorar.


Era verão novamente, estávamos com oito anos e com a vida começando a complicar.

Na primavera a babá de Hanabi, senhora Mizuki, viera a falecer e minha mãe estava tomando conta de sua irmã enquanto nossos pais estavam no trabalho, então para não ficarmos enchendo o saco dela, mamãe achou que já éramos maduros o suficiente para irmos ao parquinho sozinhos.

No primeiro mês fomos até lá todos os dias, brincando nas barras de subir, na gangorra, nos balanços, nas caixas de areia. Eu, pelo menos, me sentia superior. Estávamos lá por nossa conta, enquanto as outras crianças tinham seus pais vigiando-as. Ás vezes mamãe nos dava algum dinheiro para um sorvete e um cachorro-quente. Um dólar era muita coisa naquela época, não sabíamos o que fazer, parecia que tínhamos todo o dinheiro do mundo. Crescer nos torna ambiciosos.

A casa do velho com o seu velho cachorro ficava na direção esquerda, o parquinho ficava para a direita e, na fileira de casas em frente as nossas, bem na esquina, morava uma senhora muito velha. A grama estava alta e a pintura precisava de uma nova demão, mas na varanda, sempre que passávamos, estava sentada essa senhora de aspecto amistoso em sua cadeira de balanço com um bloco de desenhos sobre o colo. Segurava o lápis bem apontado com a mão nodosa, mas ela nunca tremia. Nunca.

Eu tinha pena daquela senhora. Todos os garotos, no Dia das Bruxas, adoravam pregar peças na casa dela, cobrindo a sua árvore com papel higiênico e tacando ovos em suas janelas. Eu e você somente passávamos por lá todos os dias de verão que íamos ao parquinho, acenávamos e continuávamos caminhando.

Em um desses dias, quando acenamos, ela nos estendeu a mão nos chamando para ir até lá. Entreolhamo-nos e começamos a sussurrar enquanto andávamos até ela:

- E se ela for mesmo uma bruxa, Hinata?

- Eu não acho que seja.

- Você confia demais nas pessoas.

- E você de menos.

- Promete que se ela nos oferecer doces, vamos correr até não agüentarmos?

- Prometo.

Entrelaçamos os dedinhos bem a tempo de chegar ao pé da escada da varanda. Senhora abaixou o bloco de desenhos e parou o ranger da cadeira de balanço. Ela tinha traços antigos, mas com certeza um dia já fora uma mulher bonita. Há muito tempo.

- Você é o rapazinho dos Uchiha e você a primogênita Hyuuga, não é? - ela perguntou e acenamos que sim - Tem sido um verão bem quente, não é? - mais um aceno afirmativo - Eu tenho uma piscina ótima no quintal, mas ela não é usada desde que meus filhos se foram, gostariam de nadar um pouco? - continuamos acenando que sim - Será que vocês não poderiam me ajudar com algumas tarefas, em troca?

Eu e Hinata nos entreolhamos preocupados. Ela não estava nos oferecendo doces, afinal. Era o que diziam os olhos cor de nuvem de inverno dela.

- O que... Teríamos que fazer, senhora...?

- Emma Wahin.

- O que teríamos que fazer, Sra. Wahin? - você repetiu.

- Cortar a grama, pintar a cerca e, assim que limparem a piscina podem nadar.

- Só isso? – eu perguntei e tinha certeza que estava com os olhos brilhando ambiciosamente. Aquilo seria moleza.

- Eu não acredito que será um trabalho simples - ela nos sorriu - Mas falem com seus pais primeiro, se eles deixarem, vocês começam amanhã.

O último aceno que demos foi de concordância e despedida.

Voltamos pra casa e, sentados sob a árvore divisória, ficamos alguns poucos minutos discutindo sobre o que deveríamos fazer. Resolvemos conversar com nossos pais e mudamos de assunto. Aos oito anos se tem coisas muito mais importantes para conversar além de um trabalho de verão.

Falamos com nossos pais durante o jantar e, depois que subimos para nossos quartos nos encontramos para discutir na sacada. Eu pulei o mural da minha sacada indo me juntar a você na sua.

- O que seu pai disse?

- Ele deixou - ela respondeu com um sorriso - Disse que já conversou com a Sra. Wahin e que ela é uma mulher boa. E seus pais?

- A mesma coisa.

- Será que vamos demorar muito, Sasuke? - Hinata encarou as estrelas. O verão era sempre cheio delas.

- Vamos trabalhar bastante - faltava apenas um mês e meio para o fim do verão, tínhamos que ser rápidos - Amanhã eu começo cortando a grama, enquanto você começa a pintar a cerca. Assim que eu terminar vou começar a limpar a piscina e quando você terminar a cerca, me ajuda. Certo?

- Tudo bem.

Naquele verão eu aprendi como é difícil empurrar um cortador de grama e você aprendeu como é dolorido ficar movendo o braço para cima e para baixo com o pincel de tinta branca. Demorei três dias para cortar toda a grama, você demorou dez dias para pintar os dois lados da cerca. Juntos, demorados mais quatro dias para terminar de limpar a piscina. Duas semanas depois que começamos, estávamos enchendo a piscina de Sra. Wahin.

Fomos nadar todos os dias durante o último mês de verão até ingressarmos na terceira série. Primeiro eu fiquei vermelho de sol, sempre se esquecia de passar o protetor solar, depois fiquei muito feio quando minha pele começou a escurecer e descascar. Você ficou com a pela dourada. Eu prefiro você com a pele pálida, ela é uma parte do seu charme. Depois que eu te disse isso, você ficou bronzeada apenas mais uma vez.

Quando terminou o verão, íamos à casa da Sra. Wahin toda sexta-feira à tarde para cortar a grama, em troca ela nos pagava. Foi com ela que você aprendeu a desenhar. Era um talento que sempre esteve com você, escondido, que a Sra. Wahin lhe ajudou a encontrar. Esvaziamos a piscina no outono e ajudamos a Sra. Wahin a recolher as folhas. No inverno, enchemos a piscina com 20 cm de água e ficamos patinando lá dentro. Ainda não podíamos ir ao lago.

Naqueles anos em que fomos até a casa da Sra. Wahin foram os anos em que sempre podíamos ver um brilho diferente em seus olhos cansados. Devia ser, para ela, como se os filhos ainda estivessem ali a ajudando na velhice. Quando eu me tornei um pouco mais rebelde e esnobe, parei de ir lá. Você, quando eu me tornei isso, passara a ir lá até mais freqüentemente. Foi você quem a encontrou morta numa manhã de domingo e, no velório, esquecendo as barreiras de diferença que havíamos erguido um entre o outro, deixei que você chorasse no meu ombro por muito tempo e sorri com seu calor e suas lágrimas.


Olá! o/

Esse capítulo é pequeno, mas é importante para o desenrolar da fic, mais a frente dá para entender o porquê. Obrigada a todos por lerem e me mandarem as reviews, obrigada também a quem lê, mas não manda review.

E, desculpem-me, mas na próxima semana não haverá atualização, pois eu estarei em São Paulo sem acesso a Internet e talvez eu realize meu sonho de ir ao Anime Friends. Quem tiver chance de ir a esse evento, vá! Diversão garantida!

Respondendo a pergunta:

Vai até quantos anos?

Ainda não é definitivo, mas contando por següência até uns 18 anos, depois tem um período de pausa e então retoma aos 23 anos. Mas isso não quer dizer que, depois de 23 anos, a fic se estende até eles velhinhos de 80 anos. Certo, Tiago?

AGRADECIMENTOS:

Fran-Hyuuga, Kiah chan, Deby Black, Bih, Persephone Spencer, Guino Mio, Ciane, Mrs. Loocker, Leona Nanaka, Mari Sushi, Huki, Toph-baka, Haruno-Sakura19, Tiago, zal-chann e Uchiha Mariana.

OBRIGADA POR LEREM!

Beijos, Tilim! n.n