Capítulo III
Na manhã seguinte, Pansy acordou com uma deliciosa sensação invadindo todo seu corpo, embora sentisse uma leve dor entre as pernas. Abriu os olhos, mas a claridade do sol que passava através da janela fez sua cabeça girar. Ela rapidamente fechou os olhos para afastar os raios injuriosos, enquanto o sentimento eufórico de apenas um minuto atrás desaparecia, dando lugar a uma sensação de doença, como se tivesse passado um trator sobre seu corpo.
Meu Deus, o que acontecera na noite anterior? Ela levou a mão a testa e passou a buscar na memória. Lentamente as lembranças começaram a se formar na sua mente. Recordou que dançara em uma festa, que um ruivo lhe dera chá, insistindo que aquilo a faria sentir– se melhor, que ele a levara para casa.
Tentando abrir os olhos lentamente ela focalizou acima, encarando o teto. Foi quando percebeu que aquele não era o teto do seu quarto. Estremeceu quando uma suspeita começou a se delinear. Lentamente ela evou a mão para baixo do lençol e verificou se estava de roupa, mas suas suspeitas se tornaram maiores quando percebeu que estava nua. Não podia ser! Pansy apertou os olhos e segurou o lençol em seu pescoço. Ela caíra no mais velho truque do mundo. Fora uma tola, imperdoavelmente tola ao se deixar embebedar e ser seduzida por um homem! Por Deus será que havia perdido a virgindade completamente bêbada e para um estranho casado?
Enquanto lágrimas se formavam em seus olhos um calor irradiou por todo seu corpo, quando memórias dos sonhos eróticos que tivera durante a noite invadia– lhe o cérebro. Teriam sido reais?
Um gemido masculino, seguido por um movimento no outro lado da cama, a fez voltar– se, ofegante. Pansy sentiu– se empalidecer quando ficou cara a cara com olhos verdes intensos que lhe encaravam. Por um momento, Pansy não conseguia falar. Então, de repente, explodiu:
– O que você está fazendo na minha cama?
A voz dele, rouca pelo sono, saiu preguiçosa:
– Eu é que pergunto, o que você está fazendo na minha cama? – Harry pegou os óculos, colocando– os e olhando para a mulher ao seu lado.
– Sua cama! Quero que você saiba...
Pansy parou quando seu olhar percorreu o ambiente do quarto. Era totalmente branco e com mobília da mesma cor, em vez das peças coloridas e mal combinadas que estavam no seu próprio quarto. Aquele não era seu quarto, aquela não era sua cama e... Ela encarou novamente o homem a seu lado na cama, apertando mais ainda o lençol no seu pescoço.
Harry estava vendo um fantasma. Ali na sua cama estava Pansy Parkinson, a desaparecida Pansy Parkinson, suspeita de envolvimento com o Lorde das trevas e os comensais, cujos pais foram encontrados mortos após o fim da guerra. Passara anos a sua procura, cinco anos para ser mais exato, e agora ela estava ali na sua cama.
Então Harry recordou que estava em um hotel trouxa, que viera para sua despedida de solteiro, que aqueles eram os cabelos castanhos, os olhos e o cheiro da dançarina. Que sonhara com ela, sonhara que fizera amor com ela...
De repente, com um forte estrondo a porta do quarto abriu– se. Pansy ficou boquiaberta quando uma ruiva bonita e elegantemente vestida, irrompeu no quarto, acompanhada do ruivo que lhe dera bebida.
– Ginny! – disse o homem a seu lado.
– Por Merlin Harry! Esta é Pansy Parkinson! O que ela faz aqui? – Rony exclamou ao olhar a jovem na cama do amigo.
– O que aconteceu aqui Harry? – Ginny tinha os olhos estupefatos – O que você faz com uma comensal da morte? Ela te atacou, foi isso que aconteceu?
Ginny encarava o ambiente, as roupas lançadas ao chão, os dois envoltos em lençóis, juntos na mesma cama, Harry e a comensal maldita da Parkinson.
O clima tenso e pensado no ambiente era quase palpável. Harry não respondeu.
– Fui até sua casa essa manhã, consegui um dia de folga do time e então queria fazer uma surpresa, mas não lhe encontrei. Hermione disse que você e Rony estavam trabalhando em alguma coisa e então vim até Rony, só para encontrá– lo com outra mulher e a última que poderia ter imaginado! – Ginny tinha uma expressão magoada, as lágrimas agora escorriam pelo seu rosto.
– Ginny usou um feitiço de rastreamento e chegou até aqui, me acordou feito louca e me fez confessar tudo. Mas eu disse que você tinha ido embora, eu pensei que você tivesse ido embora Harry, você desapareceu da festa. Ginny insistiu vir ver seu quarto e eu disse que tinha deixado a dançarina aqui porque ela estava bêbada demais para ir embora sozinha. Como foi que você voltou para cá? – Rony tinha a clara expressão de culpa.
– Eu estava no bar da piscina, precisava tomar ar, não quis voltar para a festa. Acabei tomando uns copos de uma bebida trouxa e depois decidi vir pro quarto. Não sabia que tinha alguém aqui. Nem sequer me lembro do que aconteceu.
– Está claro o que aconteceu Harry! Dormiu com uma prostituta trouxa que é uma comensal da morte! – Ginny explodiu com raiva. Ela estava tão vermelha quanto seus cabelos. As mãos estavam fechadas em punho.
– Não sou uma prostituta! – Pansy rebateu ofendida.
– É Pansy Parkinson Ginny, como não reconheci você ontem?! – exclamou Rony.
– Pior ainda! É uma vagabunda do lorde das trevas, comensal da morte, uma assassina! – Ginny parecia descontrolada.
– Não sou nada disso! Não sei do que você está falando, mas essas acusações não são verdadeiras. Meu nome é Pansy Cavendish, não Parkinson! – Pansy tentava levantar– se, mas não tinha como, ela e o homem ao seu lado dividiam o mesmo lençol.
– Não me importa! Não poderei perdoá– lo Harry! Nunca poderei perdoá– lo! Pode esquecer o casamento e ficar com sua... prostituta comensal da morte.
A ruiva saiu pela porta como um vendaval, aparatando em seguida, sem se importar com as normas de magia em locais trouxas.
– Ginny!
Harry começou a levantar– se, puxando o lençol com ele, deixando Pansy completamente descoberta. Ela puxou o lençol de volta para si, não queria que Rony visse seu corpo.
– Dê– me o lençol! – ordenou ele por entre os dentes.
Ela meneou a cabeça. Ele puxou– o com força. Ela puxou com mais força ainda, sempre tentando cobrir os seios.
Rony bufou e saiu catando a roupa de Harry pelo apartamento, jogando em seguida a Harry, que se vestiu por sob o lençol.
– Preciso falar com Ginny. – Ele disse a Rony – Cuide disso!
– Levarei ela até Askaban e depois vou com você explicar o que houve a Ginny!
Harry assentiu e se foi, deixando– a dançarina com o ruivo.
– Como veio parar aqui Parkinson? – Rony perguntou.
– Não me chamo Parkinson, sou Pansy Cavendish, devem estar me confundindo com alguém! – ela olhou sem entender. – Quero ir para casa.
– Impossível! Você é procurada a cinco anos Parkinson, vou levá– la a Askaban agora mesmo!
– Para onde? – a confusão era evidente no rosto dela – Não vou a lugar nenhum!
Rony não queria usar magia, mas precisava fazê– lo, não tinha como caminhar com ela até um ponto de aparatação. Como ela era foragida da justiça, não haveria problema em usar magia em área trouxa, além do que, não haveriam testemunhas. Lançou– lhe um petrificus totalus e em seguida conjurou roupas para ela. Quando levitou– a para fora da cama, Rony viu uma mancha de sangue no lençol, mas não deu importância, e segurando– lhe a mão, aparatou em Askaban.
Harry havia encontrado Ginny na toca, ela tinha os olhos vermelhos e ele sentiu seu coração se partir ao ver a expressão de dor. A sorte era que não havia ninguém lá além deles, assim poderiam conversar e ele explicar o que aconteceu. Se pudesse.
Acercando– se da poltrona onde ela estava ele ajoelhou– se e lhe tomou as mãos. Ela fez menção de puxá– las, mas ele segurou com força. Ginny encarava as mãos.
– Não recordo o que aconteceu, juro– lhe Ginny!
– Não diga nada, não muda nada Harry!
– Claro que muda! O que eu lhe contei foi a verdade. Não dormi com Pansy Parkinson, não sei o que ela fazia em minha cama, mas juro– lhe que não dormi com ela. Saí do bar e fui pro quarto, deitei– me na cama e só, acordamos minutos antes de você chegar com Rony.
– Eu vi suas roupas espalhadas Harry! E as dela também!
– Tirei quando entrei no local, antes de me dirigir pro quarto. Nem vi onde as roupas dela estavam, mas talvez tenha sido Rony quem tirou, já que ele a levou para lá.
– Não consigo acreditar Harry. Sinto– me como se fosse sufocar!
– Rony vai levá– la à Askaban e então descobriremos tudo o que aconteceu! – Ele insistiu.
– Os jornais Harry! Seremos alvo de diversos comentários!
– Não me importo Ginny!
– Mas eu sim! Minha carreira depende de uma boa conduta. O escândalo pode acabar com minhas oportunidades!
– Lidaremos com isso meu amor! – Harry tentou abraçá– la.
– Como? Como vai explicar que encontrou Pansy? Serei alvo de comentários maldosos, serei humilhada Harry!
– Você sabe que nada do que disserem será verdade Ginny!
– Sinto muito Harry, mas não posso lidar com isso agora, por favor vá embora! – Ginny se esquivou e levantou– se da poltrona.
Harry oscilou entre fazer o que ela dizia e toma– la nos braços e enchê– la de beijos para provar o quanto lamentava aquele incidente. Por fim decidiu que era melhor saber logo a verdade e murmurando um "eu voltarei" ele aparatou em Askaban.
Rony estava na sombria recepção e Harry aproximou– se dele. Queria só saber o que fora feito e sair dali. Ter os dementadores tão próximos lhe davam calafrios.
– Onde ela está?
– Foi levada a uma cela, aguardará o julgamento aqui. Preencheremos a papelada e então podemos ir embora e esquecer Pansy Parkinson. Encontrou Ginny?
– Sim, está confusa e não sabe o que fazer. Não acreditou no que eu lhe disse, mas eu só lhe disse a verdade Rony. Você estava lá. Além disso ela tem medo das declarações nos jornais, medo que prejudique sua carreira.
– É mesmo arriscado, mas ela vai entender. Não aconteceu nada entre vocês, só precisamos descobrir o que a Parkinson fazia lá com você. É uma foragida afinal, e no fim das contas foi um grande feito capturá– la.
– Obrigada por tê– la trazido!
– Tudo acabará bem. Vamos contar exatamente o que aconteceu e então poderemos nos ver livres.
– Até o julgamento.
– Sim, mas creio que será logo.
– Não sei o que realmente aconteceu Rony. Depois que deitei naquela cama, só lembro de ter acordado ao lado dela. O que aconteceu a noite não está claro.
– Não se aflija Harry. Tudo vai dar certo. As coisas vão se acertar. A verdade vai aparecer e Ginny vai esquecer tudo isso.
Minutos depois eles preenchiam a papelada de entrada de Pansy em Askaban e depois de relatar tudo o que aconteceu, sem omissões, eles aparataram na Toca.
