All these characters belong to Charlaine Harris that created this wonderful universe. I'm just happy to have the opportunity to play with them.

Please don't sue me, cause I'm poor.


SPV

Eu estava por conta do Lafayette esta noite. Não sei para onde tinha voado a minha força de vontade mas tinha decidido que tudo o que ele dissesse, era uma ordem. Só não lhe disse isso a ele, claro!

Ele sabia como se divertir... conhecia bem todos os meandros da noite, como enviar um olhar sedutor, como se mostrar disponível a alguém... Ele era um bom professor de sedução, divertido e paciente comigo.

Tínhamos decidido ir a um bar antes de seguirmos directamente para a festa. Acho que Lafayette tinha percebido o quanto eu estava tensa por ir a esta festa, por isso nada melhor que uns Mojitos num bar de solteiros antes de entrar no "antro das feras". Tentava lembrar-me constantemente que não deveria beber muito, pois isso faria perder o controlo sobre as minhas barreiras. Hum, mas estava a gostar daquela dormência que o álcool dá no corpo...

De alguma forma estava mais preparada assim para enfrentar o Bill, a Lorena, a Sophie-Anne... vampiros... e o desejável Eric, com o qual eu deveria deixar de criar fantasias eróticas. Já não estás a escrever, Sookie, deixa a musa descansar...

Quando entrámos, a festa estava ao rubro. A casa do Eric era grande e espaçosa, com uma bela vista para L.A. A sala, espaço comum que levava às outras divisões da casa, estava transformada numa pista de dança. Da entrada, teríamos de descer umas escadas para entrarmos na sala e do outro lado conseguíamos ver as portas de vidro que davam para o terraço. Vampiros e humanos moviam-se ao ritmo da música, apertados, roçavam entre si todos os pedaços de pele de corpo descobertos, beijavam-se, apalpavam-se, estimulavam-se. Os preliminares aconteciam ali em frente de todos. E por alguma estranha razão apeteceu-me juntar a eles...

"Não há mais Mojitos para mim, Lafayette." ele libertou uma valente gargalhada e começou a procurar em redor rostos conhecidos.

Do outro lado da multidão, eu vi um rosto. Pálido e sereno, olhava-me fixamente como me quisesse encantar. Senti de alguma forma uma força mas seria impossível. O encantamento dos vampiros não tinha nenhum efeito sobre mim. Simultaneamente uma bênção e uma maldição. O que é que estavas a tentar fazer-me, Eric? Sorri-lhe enquanto deixava que o Lafayette me levasse pela mão e mergulhávamos no mar de corpos suados e excitados.

Tara e Arlene, Cabelo e Maquilhagem, esperavam-nos numa das pontas da sala, estratégicamente perto do bar. Depois de alguma conversa banal sobre a festa, quem era quem, sobre a comunicação social presente e o dinheiro que deveria estar enterrado naquela festa, decidiram pedir umas bebidas e juntarem-se aos restantes na pista.

"Rainha e sua corte aproximam-se..." sussurrou Lafayette informando-me de que Sophie-Anne vinha na nossa direcção. A minha prima Hadley acompanhava-a. Ela era sua filha e sua amante, ou melhor, o seu pedaço de comida favorito. Ainda bem que eu era a única na família com capacidade de ler pensamentos, seria a minha morte se elas pudessem ler os meus neste momento.

"Sookie... estou surpreendida. Pensei que irias ter uma das tuas famosas enxaquecas novamente... ainda bem que vieste!" Sophie-Anne parecia realmente agradada, tanto quanto uma vampira pode parecer...

"É... a festa está bem animada... As festas aqui são sempre assim?"

"Não... Convidámos uns fangbangers e alguns vampiros jovens... sabes como é, junta-se a fome à vontade de comer... de qualquer forma, e já que aqui estás, gostava que viesses connosco até ao terraço. O elenco está a dar entrevistas à comunicação social e quero saber o que vai naquelas cabecinhas..."

Eu não tinha hipóteses de dizer que não a ela. Seria tão simples como: "Não, não me apetece hoje" ou "Não sou tua filha ou fangbanger"... mas não tinha como escapar... de uma forma muito triste e perversa também eu era um item da sua corte, com poucas hipóteses de escapar...

No terraço a confusão não era muito diferente do que acontecia na sala, só que em vez de corpos suados a dançar ao som da batida da música, eram luzes e cameras de reporteres que disparavam perguntas aos actores da série. Sophie-Anne olhou-me e sem dizer uma palavra percebi que ela queria que eu começasse a ler as mentes dos reporteres. Concentrei-me na jornalista negra que entrevistava o Bill e a Lorena. Baixei as minhas defesas e concentrei-me em captar o que ela pensava. Apanhei vários pensamentos soltos, como imagens e sensações...

"Ela acha que o Bill é mais baixo na vida real do que ela imaginava. Lembrou-se agora da cena de amor da primeira temporada e de não ter sido muito sensual... pelo o contrário! Ah, ela não tem vontade nenhuma de fazer perguntas à Lorena, não simpatiza com ela. Só o vai fazer porque muitos fãs desejam que ela seja empalada brevemente..." e eu também, pensei com os meus botões. Movi a minha atenção para a jornalista morena e alta que entrevistava uma das humanas da série.

"Ela – apontei com a cabeça para a reporter – está mortinha por entrevistar o Eric! Não só está curiosa, como também o deseja..." conseguia ver perfeitamente como ela o despia, pensava passar as mãos pelo peito musculado dele, depois pelos músculos da barriga, despir-lhe as calças. Ó Deus, era quase como assistir a um filme porno e com todas as sensações de desejo e luxúria à mistura. Passei de seguida para a mente do jornalista que actualmente entrevistava o Eric.

"Ele... está a pensar na filha que tem 4 anos e que hoje ele não lhe pode ler uma história antes de ela dormir, porque está aqui, a trabalhar." Conseguia ver perfeitamente a menina deitada na cama, com a cabecinha encostada ao braço do pai, olhando para o livro que ele lhe lia. Senti o amor que ele sentia por ela e o quanto se sentia afortunado por a ter. "Os vampiros não podem ter filhos." Uh oh, disse isto em voz alta. Tentei o meu melhor em colocar o meu rosto o mais impassível possível. O meu desejo de ter filhos era algo que não lhes interessava mas mesmo assim...Eric sorria para o jornalista. Parecia quase humano quando sorria, tinha um ar afável e caloroso. Se ele me sorrisse assim, agora, podia ser devastador. Para mim.

"Sim, é!" respondeu Sophie-Anne confirmando o facto. "Vamos colocar a jornalista morena a entrevistar o Eric e... Hadley, diz aos outros dois que falarei com eles a seguir. Sookie, o que é que já escreveste para o primeiro episódio?"

Sorri-lhe. Estava bastante confiante com o que escrevera durante a tarde. Seria um início de temporada bombástico. Contei-lhe muito resumidamente a minha ideia e como imaginara algumas das cenas. Ela sorriu-me de volta...

"Bem... vejo que não é só a repórter que tem uma ponta de luxúria pelo Eric..." Senti o sangue a subir-me às bochechas. Era bom que disfarçasse o meu rubor depressa. Sorri um pouco mais.

"Não é essa a intenção? Que todos nós, de alguma forma, o desejemos?" Ela devolveu-me um meio sorriso. Ah, quem me dera puder ler as mentes de vampiros. Era a minha sorte mas também tinha sido a minha perdição!

Os reporteres aproximaram-se e eu afastei-me. Quando procurei Lafayette ele já ali não estava. Apenas Hadley. Ela agarrou-me a mão e fez-me sinal para ir para a pista de dança. Oh, que se lixe, é uma festa, o melhor é divertir-me...

Entrámos na sala e procurámos um lugar para dançar mesmo no meio da confusão de corpos. Encontrámos a Arleen e a Tara e como todos os outros, começámos a dançar a um ritmo sensual, deleitando-nos com os corpos umas das outras, sabendo que provocávamos o desejo de quem nos rodeava. Algures entre músicas tinha mais uma bebida na mão. O álcool permitia-me que soltasse o corpo, ficasse sem inibições, e eu deixava as minhas mãos percorrerem o meu corpo em partes onde queria ser tocada: pescoço, seios, ancas. Por vezes deixava que o meu vestido subisse um pouco quando descia sobre o corpo da Tara, revelando o topo de renda das minhas meias. Outras, deixava que a Arlene me abraçasse por detrás, dançando sensualmente colada a mim, como se fossemos siamesas pelas ancas.

Numa das vezes que abri os olhos e perscrutei a multidão, vi o Eric. Estava sentado num dos pontos mais elevados da sala, num cadeirão enorme de cabedal como se fosse um trono. Uma vez mais tinha o olhar fixo em mim. Não sei se deveria desejar ou temer aquele olhar. "Gostas do que vês?" pensei com os meus botões enquanto puxava Hadley para dançar agarrada a mim.

Uma vez mais deixei-me abraçar pelo ritmo da música até que senti umas mãos frias, que não eram as de Hadley, a percorrerem-me a silhueta. Logo a seguir essas mãos entrelaçaram-se em meu redor e fui abraçada de uma forma forte e apertada por detrás. Conheci-lhe o toque... Oh não...

"Não sentes saudades minhas, Sookie?" ele arrastou o meu nome daquela forma que só ele sabia fazê-lo. Mas agora, em vez de arrepios de prazer, provocava-me nojo.

"Larga-me Bill." tentei afrouxar o abraço dele mas quem é que eu queria enganar? Nunca conseguiria suplantar a força de um vampiro.

"Mexes-te na pista de dança como te mexias na cama." Uma das suas mãos subiu-me até ao seio e senti-lhe os lábios tocarem no meu pescoço "Há imagens que nunca esquecerei... como a forma como o teu corpo se contorce no auge do prazer." Senti as presas dele a roçarem na pele do meu pescoço e senti-me à beira do abismo. Ele vai morder-me.

"Bill, já não tens qualquer autoridade sobre mim nem autorização para me tocares. Larga-me."

"Não. Ainda não." inalou profundamente, como se eu fosse um perfume. "Tenho saudades tuas, Sookie. Era tão bom quando estávamos juntos, quando eras minha..."

"Bill... o que fazes com a minha humana?"

EPV

Sophie-Anne tinha-se aproximado de Bill e Sookie no momento em que este a agarrava. De onde estava não conseguia ouvi-los, mas viu como o Bill largou a Sookie e esta imediatamente colocou-se ao lado de Sophie-Anne. A Sookie era da Sophie-Anne? Hum... quando achava que já nada o surpreendia nos humanos, Sookie conseguia fazê-lo, pela segunda vez, mas não de uma forma que lhe agradasse. Também não lhe desagradava, desde que estivesse no meio das duas...

Viu quando Sophie-Anne o procurou com o olhar e num instante Eric colocou-se ao lado dela.

"Eric, preciso de estar a sós com a Sookie, indica-nos um lugar, se não te importares."

"Claro! Sigam-me!"

Conduziu-as ao seu quarto que tinha tido o cuidado de trancar antes da festa, para que ninguém entrasse. Destrancou a porta e deu-lhes passagem. Elas entraram e viu como observavam os seus aposentos: a cama era grande o suficiente para dormirem 3 pessoas à larga e o quarto tinha toda uma decoração moderna e austera. As madeiras da mobilia misturavam-se harmoniosamente com os castanhos e dourados dos lençóis e cortinados. Apercebeu-se que ambas olhavam agora fixamente para ele. E então Sophie-Anne falou.

"Eric, tu eras meu xerife, vou confiar em ti. Podes ficar." Bem... afinal tinha trazido as duas ao sítio certo. Sentou-se no sofá que tinha virado de frente para a cama. Sophie-Anne sentou-se numa das pontas da cama e Sookie na outra. "Sookie, com esta, quantas vezes já ele te atacou assim?"

Sookie parecia não transmitir nenhuma emoção mas via pelo pulsar da jugular que o batimento cardíaco acelerara. "Umas duas vezes, mas nada de especial."

"Não minimizes o problema, Sookie. Se o Bill percebe que não és mesmo minha, ele não terá qualquer problema em te querer reclamar de novo como sua. Mesmo sendo mais velha que ele, já não sou rainha e se ainda tenho algum poder de autoridade é por respeito, nada mais. A Lorena... ela é muito mais implacável que Bill. Não só o domina como irá adorar-te ter-te sob o domínio dela. Serás um belo brinquedo para brincares, percebes?"

Sookie tentava dominar as suas emoções mas percebia, pela sua linguagem corporal que se sentia como um animal encurralado.

"Sim, entendo. Mas eu não vou deixar que o Bill saiba que eu não te pertenço. Eu devo-te a minha segurança, tens a minha palavra."

"A tua palavra não basta, Sookie e é isso que não entendes! Se não trocarmos o nosso sangue e formarmos um laço, se não te mudares para minha casa e estiveres comigo, como a tua prima e outros que me pertencem estão, ele não tardará a perceber que algo de estranho se passa contigo. Eu já não tenho nenhuma autoridade sobre o Bill e ele irá reclamar-te assim que ele quiser."

"Eu nunca irei formar um laço de sangue contigo! Eu pertenço a mim mesma e isso é algo que é muito difícil de vocês vampiros de entenderem!" Toda a raiva que ela agora sentia vinha à superfície. Esta humana trazia fogo no sangue, além daquele outro ingrediente...

Num instante Sophie-Anne agarrara Sookie pelo pescoço e comprimia-a contra a cama.

"Humana estúpida, achas mesmo que estás em posição de negociar? Nós temos um acordo porque eu quero!! Vieste ter comigo quando estavas desesperada e sem saber como salvar esse teu belo pescocinho e eu ajudei-te nos teus termos porque eu assim o permiti."

A Sookie estava em aflição o que obrigou a pensar rápido mas a ser também simultaneamente cuidadoso. Colocou-se ao lado da cama, perto de ambas:

"Sua Majestade, como é que eu posso ajudar?!" A ex-rainha olhou-o e afrouxou o pescoço de Sookie. Voltou a olhar para ela com desdém. Sookie chorava e tossia mas o rosto já não estava tão vermelha como antes. "Sookie, já castiguei outros por muito menos!" Levantou-se da cama e endireitou o vestido. "Agora, que vivemos expostos ao mundo, temos de ser mais criativos nos nossos castigos".

Sookie sentou-se na cama ainda tocando o pescoço e tossindo. Com a voz débil e de cabeça baixa disse: "Perdoa-me Sophie-Anne... estou tão... tão perdida... Não era minha intenção ofender-te ou cuspir no nosso acordo."

Sophie-Anne continuava a ser uma boa estratega. Era óbvio para Eric que ela planeava mudar as regras daquele acordo que ambas tinham, aproveitando-se da posição frágil de Sookie para obrigá-la a formar um laço de sangue com ela. O que tornava esta humana cada vez mais intrigante: Não era apenas o seu odor especial que a tornava tão interessante, havia algo mais nela que Sophie-Anne valorizava o suficiente para a querer manter sob a sua alçada. E no entanto neste momento não era mais que um pássaro ferido pronto a ser esmagado por um dos dois.

"Eu sei que não faço o teu tipo, Sookie, não te condeno a resistência em formares um laço comigo. No entanto a tua liberdade terminou no dia em que me procuraste para fugires ao Bill e à Lorena e para manter a tua segurança terás que ficar ligada a alguém meu de confiança. Eric... agrada-te a nossa Sookie?!"

Ele ergueu a sobrancelha surpreendido! Olhou para Sookie que, com o rosto cheio de lágrimas o olhava com surpresa e raiva.

"Sim, sua Majestade, bastante."

"Óptimo, porque eu sei que agradas à Sookie! Forma um laço de sangue com ela, mantém-na segura de outros vampiros, eu sei que és capaz dessa tarefa. E o resto do nosso acordo mantém-se!"

Sookie inflamada pela surpresa dos eventos, voltou a falar:

"Mas Sophie-Anne, parte do nosso acordo era manter a minha liberdade, manter-me humana, viver a minha vida de uma forma independente."

"Os termos da tua liberdade é algo que terás de negociar com o Eric a partir deste momento."

"Sua Majestade, se me permite... eu não vou formar um laço com esta humana só porque me pede. Sabe, tão bem como eu, que um acto desta natureza não pode ser exigido por nenhum rei ou criador. Se o vosso acordo só pode ser resolvido nestes termos, em que um vampiro e um humano têm que partilhar algo tão íntimo, eu quero saber porquê."

"Eric..." Sophie-Anne sorria. "Por vezes esqueço-me o quanto és perspicaz."

"Obrigado, majestade, no entanto, na minha opinião, se a ideia é proteger esta humana do Bill e da Lorena, basta empalá-los a ambos e o assunto fica resolvido! O laço de sangue parece-me algo rebuscado". Ele olhou novamente para Sookie. Parecia mais calma e o seu olhar de raiva tinha desaparecido. "O que tem de tão especial esta humana?" perguntou.

"A Sookie é telepata, ela consegue ler os pensamentos humanos." Ah... revelava-se o mistério! "Felizmente não consegue ler os nossos pensamentos. Tem-nos sido muito útil neste último ano, quando ela me procurou e me revelou o seu segredo em troca da protecção contra o Bill. Mas destruir Bill está fora de questão. Vamos matar a nossa estrela da série? Para todos os efeitos ele ainda é a estrela desta série. Acima de tudo temos de ser razoáveis! Afinal, isto é um negócio."

"Claro, tem toda a razão." Eric olhou novamente para Sookie. O ar de derrota tinha regressado. A revelação do seu segredo não lhe agradava.

"E então, Eric? Agora que sabes o quanto a Sookie é especial, aceitas formar um laço de sangue com ela?"

Ele olhou-a longamente, sentada na sua cama.

"Aceito".


Continua...


Desculpem a demora em colocar este capítulo. Na verdade, brincar com personagens que não são nossas é um exercício bem mais complicado do que parece. Brevemente a história vai ganhar mais ritmo do que teve até agora...