Parte Três

Dia da faxina.

Como usamos a noite de ontem para a "noite do terror", toda a limpeza do colégio ficou para hoje.

Quando cheguei ao colégio fui logo bombardeada pelos meus amigos que queriam saber o porquê de não terem mais me achado e ao tentarem me ligar meu número deu como "indisponível".

Maldito Sesshomaru!

Se ele pensa que vai se sair bem dessa, está muito enganado. Vai me pagar um celular novo!

Falando naquele traste, onde será que ele se meteu?

- Que carinha de quem comeu e não gostou, Kagome. – Comentou Miroku ao meu lado, retirando os morcegos de plásticos pendurados no ventilador de teto.

- Aquele idiota me irritou profundamente ontem.

- Que idiota?

Agora que eu me lembrei, eu apenas disse que meu celular quebrou, nunca comentei

que ele foi quebrado.

- Ninguém, Miroku.

Ele fez uma careta e desceu da escada, vindo até mim.

- Me conta.

- Sango... Olha o Miroku.

- Miroku!

Sorri ao vê-lo estreitar os olhos para mim e ir até a namorada. Isso que dá ser um pervertido. Um grito e a Sango aparece para controlá-lo – isso só faz os dois serem mais que perfeitos um para o outro.

A limpeza foi cansativa (leia muito cansativa), mas, no final, conseguimos deixar o colégio exatamente como ele era antes da festa. Admito que foi uma festa divertida, tirando o fato de quase ficar surda e meus dois encontros com o Sesshomaru.

Falando nele, perguntei para algumas meninas se haviam visto ele no final do dia, ao que parece, ele está no dojo da equipe de kendo... Que é exatamente para onde eu estou indo nesse momento, se ele acha que vai se safar por ter quebrado o meu celular ele está redondamente enganado.

Ao entrar no dojo estranhei um pouco ao vê-lo treinar, e estranhei mais ainda ao ver um grupo de quinze garotas observando enquanto ele o fazia.

Sinceramente, quanta progesterona!

Ele estava dando golpes repetitivos na horizontal. Sou leiga em kendo não sei o que significa esse tipo de golpe.

Respirei fundo juntando toda a coragem que possuo dentro do meu corpo. Afinal, querendo ou não, ele me dá medo, mas não vou deixar que esse medo me impeça de reclamar os meus direitos de ter um celular novo.

- Sesshomaru!

Que cochichos são esses?

Melhor ignorar.

Ele me olhou, parando o treinamento, não esboçou reação alguma nem quando eu fiquei a apenas alguns centímetros de distancia dele.

- O que quer?

- O que você acha que eu quero?

- Ontem a noite não foi o suficiente para você?

Os cochichos ficaram mais altos. Ignora Kagome, ignora.

- Celular...

- Quantas vezes vou ter que lhe falar que não passo o meu número de celular para qualquer garota?

Senti meu rosto queimar. Tenho certeza que eu consegui atingir tons novos de vermelho. Olhei discretamente para o grupo de garotas que estavam todas cochichando, provavelmente nenhum delas teria coragem o suficiente para falar com ele diretamente... Ou simplesmente teriam um colapso se o fizesse.

Droga, ainda estou com o rosto quente. Aquilo no rosto dele é um meio sorriso?

- Por que eu ira querer o número do seu celular?

- Não sei. Ontem você me fez tantas juras de amor que...

- SEU IDIOTA! – Novamente não consegui terminar minha frase, já que ele voltou a falar:

- Me lembro que você gritou muito ontem também. Será que eu sou tão bom assim?

- O que será que houve entre eles ontem a noite? – Ouvi uma garota comentar.

- Acho que eles fizeram aquilo. – Comentou uma outra.

- Ele tem uma namorada. – Chorou outra.

- Acho que ela é mais um passatempo ou algo assim.

Já chega.

Respira Kagome, não deixa ele te abalar, nem deixa essas idiotas no cio te provocar.
Segurei o colarinho dele puxando-o para que ficasse na altura de meu rosto – ele é mais alto, o que eu poderia fazer?

Então falei entre os dentes:

- Eu quero um celular novo. E você vai me dar um, nem que eu tenha que..,
Ele segurou meu punho forçando-me a soltá-lo. Droga, porque ele tem que ser mais forte?

- Vai fazer o que? – Ele aproximou o rosto e continuou em um sussurro ameaçador. – Espero que esteja pronta para sofrer as conseqüências de sua afronta, garota.

- Eu tenho nome.

- Se eu quisesse saber ele teria lhe perguntando.

Tentei pisar no pé dele, apenas tentei, pois ele desviou bem a tempo.

- Eu já disse que não quero nada com você... Me deixa em paz. – Ele caminhou para o vestiário. Ele falou aquilo muito alto, olhei de canto para o grupo de garotas. Merda! Elas estão me observando tão estranhamente.

Respirei fundo e sai do dojo antes que aquelas garotas tivessem a chance de me chamar para conversar ou simplesmente me atacassem me perguntando como eu ousara tocar no Sesshomaru delas.

Eu não acredito que ele simplesmente reverteu toda a situação contra mim.
Agora estou realmente irritada. Se é guerra que ele quer, será Guerra que ele terá!

-...-...-

Droga.

Como tem fofoqueiro nesse colégio!

Passou duas semanas desde a festa do Halloween, e os boatos, mesmo depois de tanto tempo continuam a rolar. Que boatos? Boatos como o que eu tive algo com Sesshomaru Taisho na noite de Halloween – e esse algo é algo bem pervertido.

Estou mal-falada!

Felizmente meus amigos têm desmentido todo o boato dizendo que eu havia ido embora cedo para minha casa.

Claro que precisei contar a eles o que de fato havia acontecido. Eles não são tão bonzinhos ao ponto de me ajudarem sem saberem a verdade – esses malditos são curiosos demais para isso.

A única coisa que sei é que Kouga está saindo nos tapas com os meninos que ficam a me injuriar e difamar.

Soltei um suspiro deitando a cabeça na mesa da minha carteira, sinceramente, eu não mereço isso. Minha mãe disse que vou ter que arrumar um trabalho para comprar um celular novo, afinal, isso custa muito dinheiro e eu fui irresponsável em quebrar o celular.

- Merda.

- Que desanimo, Ka-chan. – Comentou Ayumi ao meu lado.

- A vida está uma...

- Olha a boca suja.

- Sango, às vezes você parece a minha mãe.

Levantei a cabeça me espreguiçando, estamos no horário de almoço, na sala só se encontra Sango, Ayumi e eu, os outros foram ter um pouco de liberdade lá no pátio.

- Você está incrivelmente mal-humorada, Kagome.

- Por culpa daquele idiota estão todos me chamam de meretriz, Sango.

- Elas não estão chamando você assim.

- Não?

- Pelo menos não na sua frente. – Completou Ayumi.

Estreitei os olhos, fazendo Ayumi dar um sorriso nervoso enquanto erguia as mãos em defesa, falando que era brincadeira.

Soltei um suspiro, realmente estou muito mal-humorada esses dias.

- Preciso me vingar desse idiota.

- Desde quando você tem esses sentimentos impuros, Ka-chan? – Perguntou Ayumi.

- Desde que Sesshomaru Taisho me irritou profundamente.

- Kagome, vingança não faz parte de sua personalidade.

Sango tem razão. Geralmente eu deixo para lá. Vingança nunca foi um sentimento que eu possui, mas a verdade é que estou tão nervosa, tão irritada, tão... Tão...

- AAAHHH!

- Calma, Kagome!

- Sango, ele me irrita!

- Já entendemos isso. – Ela me forçou a me sentar... Quando foi que eu levantei? – Esqueça isso. Se você ficar querendo se vingar vai desencadear uma seção de atritos entre vocês dois. Você não quer se livrar dele?

- Quero.

- Então esqueça que ele existe, seja indiferente à existência dele.

- Mas e meu celular?

- O que vale mais, sua paz ou o seu celular?

- Celular?

- Kagome.

- Ok, já entendi.

Soltei um suspiro, balançando a cabeça.

Sango tem razão, me vingar não vai adiantar muito coisa, soltei um suspiro, desde quando sou tão mesquinha?

- Vou dar uma volta no pátio.

Sai antes que minhas amigas me falassem para ficar. Preciso de um pouco de ar fresco.

Esse boato está de fato me deixando com os nervos a flor da pele.

Senti bater em algo quando passei pela escada que levava para o segundo andar, minha classe é no primeiro. Ótimo, esbarrei na ultima pessoa que eu queria ver nesse mundo.

Ô, destino traiçoeiro!

Continuei a andar sem falar nada, mas ele continuou a me seguir. Isso já é demais! Além de detonar a minha reputação destruindo meus sonhos de ter um namorado (ao menos esse ano) ele ainda fica me seguindo?

- Para de me seguir! – Falei me virando para Sesshomaru que ergueu uma sobrancelha enquanto me encarava.

- O que faz você acreditar que estou lhe seguindo?

- Então por que está atrás de mim?

- Atrás de você? – Ele se aproximou com as mãos dentro dos bolsos. – Suponho que esteja nesse colégio desde o inicio do ano, correto?

- Sim.

- E ainda não aprendeu que esse é o caminho mais curto para o pátio?
Senti meu rosto queimar novamente, ele estava indo para o pátio. Merda!
Respirei fundo e me virei, voltando a andar. Não vou permiti que esse idiota me afete, não mesmo.

Eu deveria ignorar a minha bondade e voltar a declarar guerra contra esse grosso. Não, Kagome. Não se rebaixe ao nível dele! Mas bem que eu poderia o empurrar na fonte, ao menos vingaria meu celular.

Ele está caminhando ao meu lado.

Fonte.

Não sei que deu em mim, mas quando notei eu havia empurrado Sesshomaru Taisho na fonte do colégio – a mesma que ele derrubou o meu celular.

Acho que eu o peguei totalmente de surpresa, pois dessa vez ele não conseguiu desviar e caiu sentado dentro da fonte.

Um crise de riso se apossou de mim. Nunca ri tanto em toda a minha vida. Ele ali, sentado, molhado, a camisa social branca transparente deixando aquele corpo com músculos definidos a... opa!

Não repara no corpo dele, Kagome!

Sesshomaru se levantou com uma expressão que daria medo até em um defunto – que provavelmente ia ressuscitar e lhe pedir desculpas – mas eu me mantive forme, foi ele

quem começou!

Certo, hora de correr.

- Não tão rápido.

Ele me abraçou. Droga. Está me molhando e eu estou com blusa branca.

- Isso não vai ficar barato. – Ele sussurrou em meu ouvido.

- Foi você que começou, assustando a Sango.

- Você que ficou me encarando na barraca de yakisoba.

- Você que quebrou meu celular e foi o causador desse boato.

- Acredite. Kagome Higurashi. Não vai ficar barato.

Ele me apertou contra ele em seguida me soltou saindo a passos largos.

Por que ele me apertou?

Olhei para minha blusa, estava completamente transparente, meu rosto queimou, mas antes que eu tivesse alguma reação um casaco me cobriu e alguém me abraçou.

- Prontinho. – Falou Takeru sorrindo, ele se afastou e ficou de frente para mim. – Você é a primeira garota que enfrenta o Sesshy... gostei de você.

Pisquei rápido sem entender nada que ele estava falando.

- Melhor colocar a roupa de ginástica. Caso contrário pode ficar resfriada com essa roupa molhada. – Ele me deu um beijo na bochecha. – Não se preocupe com o meu blazer.

E saiu andando me deixando sem entender menos ainda sobre o que estava acontecendo.

- Kagome, o que houve?

MEU CORAÇÃO PAROU DE BATER!

- Droga, Kouga, não me assusta desse jeito. – Falei dando soquinhos em meu próprio

tórax. – Bate! ... Aê! Voltou a bater.

- Louca.

- Ei.

- Ayame me pediu para te chamar. Acho que ela quer por a fofoca em dia.
- A gente não fofoca. – ele fez uma careta de "serio é?" então continuei – Comentamos sobre os fatos da vida. Seja nossa ou vida alheia.

- Ou seja... fofocam.

- Calado. – Soltei um suspiro. – Diga a ela que eu vou me trocar.

- Pode deixar.

-...-...-

Cheguei mais cedo para devolver o blazer do Takeru, ele foi realmente muito gentil em me emprestar ontem. Fiz questão de lavar e passar para então poder devolver.
De acordo com a Eri, ele está na sala duzentos e quinze. Olhei as placas do corredor do terceiro andar. Anda, está lá para o final.

Incrível como já tem gente no colégio esse horário. Tá, não é tão cedo assim, mas eu geralmente chego quinze minutos antes do sinal. Eu moro longe e é difícil chegar bem mais cedo que isso de bicicleta, mas hoje eu fiz um esforço – ele me ajudou, não me custa nada retribui ajuda.

Duzentos e dez... Duzentos e doze... Achei! Duzentos e quinze.

Abri a porta, olhando quem estava ali dentro, um grupo de quatro rapazes e três garotas.

Entre os outros eu só conhecia o Takeru que sorriu e se aproximou de mim.

- Bom dia, Ka-chan.

- Bom dia... Como você sabe meu nome?

- Se te contar você vai ter que se casar comigo.

- Achei que o final era "vou ter que te matar".

- Você é linda, nunca lhe mataria. – ele me analisou por um instante. – A que devo a honra?

Estendi o blazer para ele.

- Obrigada por ontem.

- Disponha. – ele olhou para trás. – Kisa!

Uma das garotas no grupo seguiu até nós dois – e ela era linda.

- Sim?

- Lembra que eu lhe falei da Kagome?

- Ah... oi. – Ela sorriu e me abraçou.

- Ela é prima do Sesshomaru. – Comentou Takeru.

Prima dele?

Sendo tão simpática?

Não acredito!

- E minha namorada. – Completou Takeru.

Isso eu já imaginava, Takeru é lindo demais e legal demais para ser solteiro.

- Então você é a garota que meu primo disse que não queria passar o numero de celular.

- A historia não foi bem essa.

- Calma. – ela sorriu de uma forma que me tranqüilizou. – Conheço a peça.

- Ah... Certo... Bom... Takeru muito obrigada por ontem, eu preciso ir.

- Disponha Ka-chan, se precisar é só me procurar.

- Obrigada... Prazer em lhe conhecer, Kisa.

- Igualmente.

E sai, acho que ouvi Kisa comentar algo sobre entender por que o primo dela ficou interessado – e isso não fez sentido algum para mim.

Melhor eu ir para minha sala de aula, com um pouco de sorte, consigo descansar um pouco mais antes da aula começar.

OoooOOoooooOOo

E ai pessoas, eu demorei?

Culpa da minha Beta =D

Tenho até o capítulo Seis Pronto, essa fic está ficando maior do que eu esperava.

Agora as respostas /o/

Nai

Amou?

=D

Que bom.

Bom a continuação está aqui ^_^

zanita uchiha

Eu não demoro não, é minha beta que surta com a historia e acaba não corrigindo xD

*corre de Tracy*

Neherenia

Espero que gostei do pequeno troco que a Kagome deu nesse capítulo, os próximos tem uma gráfico estranho, ficam quentes quentes e mais quentes... daí tem balde de água fria.

As coisas que eu escrevo...

Dayahellmanns

Ela fará!

A vingança estará escrita!

(na verdade to escrevendo ela, poia a vingança começa meio que não intencional no capítulo seis)

Ladie

Para você eu só digo... SURTE COM MODERAÇÃO.

Tiih

Eita, como estão todas querendo uma vingança maligna

Tadinho do Sesshy

Hauhauahu