LEGENDA (Formatação de texto):
- normal: falas dos personagens, humanos e youkais
- "normal": pensamento dos personagens, humanos e youkais
- itálico: falas de Inu-Yasha, em primeira pessoa, descrevendo suas lembranças, pensamentos e pontos de vista durante a história.
~x~x~x~x~x~: passagem de tempo ou de um lugar para o outro
Capítulo 2 - Um mundo novo a explorar.
Quando o verão chegou os filhotes já estavam com pouco mais de dois meses e, como meninas não poderiam ficar com eles, logo começaram a procurar por pessoas que pudessem dar bons lares aos filhotes, porem só conseguiram que dois deles fossem adotados, por amigos da faculdade.
Uma semana depois, as férias chegaram, e assim que conseguiram uma folga no trabalho, Yuka e Eri deixaram à cidade, para passar uns dias com suas famílias. Apenas Ayume não viajou, pois além da cidade de seus pais ficar apenas a 3 horas de viagem, ela ficou responsável em ligar para o abrigo, para que viessem buscar os filhotes, que seriam entregues para adoção.
Naquele domingo de verão, Ayume já estava com as malas prontas e aguardava a chegada do carro do abrigo. Hikari descansava tranquilamente sobre a grama e seus filhotes, já muito travessos, brincavam uns com os outros. A jovem estava sentada na varanda dos fundos, observando os filhotes, quando ouviu o som de uma buzina, vinda da rua e se dirigiu para o portão da frente.
Um carro do abrigo de animais havia parado em frente à residência, e um homem desceu dele. Era um youkai lobo, de olhos verdes e cabelos brancos espetados, aparentando cerca de 25 anos. Ele trajava o uniforme do abrigo e tinha um crachá de identificação, preso do bolso direito da jaqueta.
- Olá! Bom dia! - o youkai cumprimentou a jovem, ao chegar no portão, esboçando um sorriso. Ele trazia uma caixa de transporte de animais consigo.
- Bom dia! - a jovem retribuiu o cumprimento, com um sorriso. - Você deve ser o rapaz que irá levar os filhotes.
- Sim, senhorita! Meu nome é Ginta e dou do abrigo de animais. - disse apresentando um crachá.
- Ah, sim. Eu estava a sua espera. - disse abrindo o portão - Venha comigo, por favor! Eles estão no quintal dos fundos.
Ayume fechou o portão e os dois se dirigiram ao quintal dos fundos. A principio, Hikari foi recebê-los alegremente, porem, quando vê aquele estranho homem chegando perto de seus filhotes, ela corre para diante deles a fim protegê-los e, então, tenta intimida-lo rosnando e tentando afastá-lo dali.
Pegar os filhotes naquelas condições seria difícil e perigoso, por isso Ayume segurou a cadela pela coleira. Ginta conseguiu apanhar três dos quatro filhotes e coloca-los na caixa de transporte. Vendo aquele homem pegando e colocando seus precisos filhos naquela caixa, Hikari late e desesperadamente tenta se soltar das mãos de sua dona.
Agora restava apenas o filhote prateado, que corria de um lado para o outro tentando fugir e se esconder daquela "ameaça". Depois de um tempo e com muita dificuldade, Ginta consegue apanha-lo e coloca-lo na caixa, junto aos irmãos. Ele leva a caixa para o carro, enquanto Ayume segura a desesperada mãe.
Ginta passou pelo portão, fechando-o bem. Só então a jovem soltou a cadela, que correu para o quintal da frente, e foi se despedir do rapaz. Ginta se despediu, entrando no veiculo, deu a partida no motor e foi embora, enquanto que Ayume ficou vendo o carro se distanciar e virar a esquina. Mais tarde, ela e Hikari, estariam a caminho da casa dos pais da jovem.
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Depois que pegar os filhotes, Ginta ainda atendeu mais duas chamadas e só então retornou para o abrigo, que ficava no outro lado da cidade. Chegando lá, eles foram colocados nos canis de adoção. Devido à separação, os filhotes uivaram muito naquela noite.
- Aquele lugar era muito barulhento e frio. Podiam-se ouvir cães latindo e uivando e gatos miando todo o tempo. Nós havíamos sido separados de nossa mãe, mas eu não iria ficar ali. Encontraria um jeito de sair e ir atrás dela.
Passados alguns dias, o cãozinho branco permanecia no canil, enquanto que os seus tinham sido adotados. Não porque ninguém tivesse interesse, mas sim porque ele arranjava um jeito de afastar as pessoas, latindo e tentando morder.
Após mais uma semana, o filhote ainda continuava no canil, devido ao seu comportamento e temperamento. Era final de tarde de uma sexta-feira, e o veterinário do abrigo, juntamente com Hakkaku, foi ver o tal filhote encrenqueiro.
Kouga era um youkai lobo, casado do Ayame, e veterinário do abrigo. Aparentava cerca de 27 anos, tinha olhos verdes e cabelos pretos. Vestia uma camisa pólo, calça de brim e sapatos, além de um jaleco branco. Ele havia acabado de entrar em seu turno de trabalho.
Os dois entraram na sala onde ficavam os animais para adoção e foram direto a canil em que o filhote estava. O pequeno akita, que até então não parava de uivar, adotou um comportamento mais estanho do que de costume, latindo e rosnado, quando viu e sentiu o cheiro de Kouga.
- Apesar de eu nunca ter visto aquele sujeito, eu sentia que o conhecia de algum lugar. Mas de onde e quando? O mais estranho que a presença dele me irritava e eu não sabia o por quê.
- Quanto tempo ele já está aqui? - perguntou Kouga se aproximando da gaiola.
- Acho que já tem duas semanas. - respondeu o funcionário
- E alguém se interessou por ele?
- Várias pessoas, mas quando se aproximam dele, ele começa a latir e rosnar, igual está fazendo agora. Porem, quando eu falei com a ex-dona, ela me disse que todos eles eram dóceis.
- O problema é que estamos ficando sem espaço aqui e este filhote, que dificilmente será adotado, esta ocupando o espaço de outro animal.
Infelizmente, uma boa parte dos animais que iam para o abrigo não podiam ser adotados, por questão de comportamento ou por chegarem muito doentes. Aqueles que sofreram maus tratos e eram arredios ou bravos demais para serem adotados ou que estavam em péssimas condições e não iam sobreviver, tinha que ser "sacrificados" pelo próprio bem deles.
- Então o que vamos fazer, Dr. Ookami? -
- Eu não queria fazer isso, mas infelizmente teremos que "coloca-lo para dormir" . – lamentou, pois não gostava nem um pouco de ter que sacrificar os animais. –
- Hakkaku, além dese filhote, eu quero que você pegue os animais dessa lista e leve-os lá para trás, para a clínica do abrigo. Amanhã cedo eu cuido disso.
- Está bem! Vou fazer isso agora mesmo!
Deixando as ultimas instruções para o funcionário, o veterinário foi checar os animais que estava no canil de quarenta. Enquanto isso começou a pegar o animais e levá-los, para as gaiolas que ficavam em frente à sala de atendimento veterinário do canil.
O pequeno cão foi o que deu mais trabalho, pois vendo uma chance de escapar daquele lugar ele tentava morder o youkai o tempo todo. Depois de muitas tentativas, Hakkaku conseguiu pegar o filhotes pela pele de trás do pescoço e leva-lo para a outra sala, colocando-o em uma das gaiolas. Terminado o serviço, o youkai conferiu se estava tudo certo com os animais, se dirigiu para a porta, apagou a luz e saiu da sala, fechando a porta logo em seguida.
O caozinho branco agora se via em uma nova situação. Com o pouco de luz que entrava pela báscula, ele podia ver o que havia naquela sala.
- Haviam várias gaiolas naquele lugar. Eu e mais um monte de outros animais fomos trazidos. Não sabia bem porque tinham nos trazido para aquela sala, porem pressentia que algo ruim iria acontecer e que tinha de fugir dali. Quando estava adormecendo, algo estranho surgiu em minha mente, como se eu estivesse sonhando acordado.
x~x~x~ FlashBack ~x~x~x~
Uma jovem, com cabelos longos pretos e olhos castanhos, acabara de sair do quarto vestindo uma roupa de colegial, estilo marinheiro, com a saia e a gola verde, meias brancas e sapatos
- E então? O que achou da minha roupa, InuYasha? Nossa, nem acredito que essa roupa, da minha época de colegial, ainda caiba em mim. – disse a jovem, sorridente, mostrando sua roupa.
- Você vai ASSIM para festa a fantasia, Kagome?! – disse uma voz masculina, ao funda
- Qual é o problema? Achei que daria uma boa fantasia!
- O problema é que a faculdade inteira vai ficar olhando para você, inclusive aquele lobo fedido!
- O que foi? Não me diga que você está com ciúmes do Kouga?
- E-eu!? Como ciúmes?! Não seja boba, Kagome! Mas... você não ia com outra roupa
- Eu só estava brincando – disse a jovem entrando no quarto e fechando a porta – "Mas que cara ciumento".
Alguns minutos depois, a jovem sai do quarto vestida com um traje de sacerdotisa.
- Assim está bem melhor!
- Sabe que você ficou uma gracinha nessa roupa, InuYasha. Está até parecendo um youkai da Era Feudal.
- Feh! Vamos embora logo, senão o baile terá acabado quando chegarmos!
- Você é sempre exagerado, né! – disse a jovem, caminhado até a escada.
~x~x~x~ Fim do FlashBack ~x~x~x~
- Quem era aquela mulher? E de onde ele a conhecia se nunca a tinha visto antes? Quem seria esse InuYasha? Eram a perguntas que não saiam de seus pensamentos naquele momento e ficou remoendo-os por muito tempo. Só depois de muito tempo ele adormeceu.
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Na manhã seguinte, filhote acordou com o barulho de alguém abrindo a porta daquela sala. Kouga e Ginta entraram na sala. Enquanto doutor foi procurar e pegava todo o material que ia precisar, o outro youkai foi checar todas as gaiolas.
Logo em seguida ele começou a pegar os animais, um a um, das gaiolas e coloca-los numa mesa, enquanto seu chefe executava a penosa tarefa. Depois algum tempo vários animais já tinham sido sacrificados e o cãozinho seria o próximo. O filhote branco foi uns dos animais que foram deixados por ultimo, por que poderia ser mais difíceis de se lidar.
- Eu observava tudo, mas não fazia ideia do que ia acontecer, porem, não iria ficar lá descobrir. Tinha que arrumar um jeito de fugir dali, daquele lugar horrível, e encontrar minha mãe e meus irmãos.
Foi quando ouviu o youkai de jaleco branco falar.
- Há mais algum.
- Há sim, Dr. Ookami. Ainda tem aquele filhote encrenqueiro.
- Então traga-o aqui. Assim acabamos logo com esse serviço.
Ginta se dirigiu até onde estava o filhote e abriu a porta da gaiola.
- Venha aqui, cãozinho! Não vou te machucar. - disse aproximando a mão do filhote.
Essa foi à brecha que o filhote precisava, e assim que o lobo aproximou a mão dele, ele a mordeu e conseguiu pular de dentro da gaiola. Logo em seguida saiu correndo daquela sala, porta a fora.
- Idiota, não fique ai parado! Vá pegá-lo! – ordenou Kouga, enquanto pegava o rádio para avisar, sobre a fuga do filhote, aos demais funcionários
- Sim, senhor! Já estou indo! – disse saindo e indo atrás do fugitivo.
Ao sair da sala o pequeno cão se deparou com um monte de corredores, que ficavam entre os canis, mas não tinha tempo de ficar parado pensado por onde deveria ir. Logo que viu Ginta se aproximando, ele saiu correndo pelos corredores e assim começou um jogo de pega-pega entre os dois.
- Agora eu tinha dois problemas. Tentar despistar aquele lobo naquele labirinto de corredores e achar a saída daquele lugar o mais rápido possível.
Depois de alguns minutos dando várias voltas naquele lugar, o filhote consegue achar a saída, porem um dos funcionários já estava na porta, esperando para agarrá-lo. Ao chegar o fim daquele corredor, ele vira para a direita e entra em outro, na tentativa de escapar, mas acaba sendo em vão. Quando chega ao fim do corredor, Ginta aparece em sua frente e consegue pegá-lo.
- Desculpe, mas eu tenho que te levar lá para trás. – disse, segurando o filhote, por debaixo dos braços dele.
Ginta segue em direção a porta e o filhote, na tentativa desesperada de escapar da morte certa, começa a se debater e tentar morder o lobo, porem sem sucesso algum. Sua chance de se livrar aparece quando o lobo tem que abrir a porta, onde teria que segurá-lo com apenas uma mão, e em um descuido do youkai, o pequeno akita consegue morder sua mão.
Tendo sua mão ferida, Ginta acaba soltado o filhote, e este foge o mais rápido possível.
- O filhote fugiu de novo! Não o deixe escapar, Hakkaku! – gritou para outro lobo, porem em vão.
Hakkaku estava distraído e quando Ginta gritou o filhote já estava bem na sua frente. Ele ainda tentou cercar a porta, mas o pequeno cão foi mais esperto e passou por baixo de suas pernas.
- Não fique ai parado, Hakkaku! Temos que pegá-lo!
A perseguição pelas dependências do abrigo continuou. O filhote passau por um dos corredores do abrigo, onde acabou escorregando e deslizando no chão molhado. Os dois lobos, que estavam atrás dele, acabam escorregando também, mas ao contrário do pequeno cão, levam um belo tombo e ficando caídos no chão.
O pequeno akita estava muito confiante, pois conseguiu dar um jeito naqueles dois youkais trapalhões. Ele, então, segue por aquele corredor até a recepção, onde consegue ver uma grande porta, que dava saída para a rua. Ele passa correndo por ela e Ayame ainda tenta cercá-lo, mas já era tarde. Vitorioso, ele passa pela porta, ganhado a rua, e estava livre daquele lugar.
- Finalmente eu estava livre daquele lugar, porém, estava sozinho sem minha mãe e meus irmãos. Mas não tinha tempo de ficar ali parado, pois aqueles lobos viriam a atrás de mim.
Agora ele tinha que sair dali e encontrar um esconderijo, o mais rápido possível, pois, além dos lobos já estarem a sua procura, a noite sem lua estaria próxima. Ele tinha que encontrar sua mãe logo, mas por onde começar, porem não fazia ideia de qual direção tomar.
Lembrou-se então da direção em que estava o sol quando o levaram para aquele lugar. Sem muitas alternativas ele começou a se guiar pelo astro-rei, na esperança que ele o levasse até a casa de suas antigas donas.
Ele andou durante toda à tarde, atravessando a cidade e passando por pontes, trilhos de metro e ruas movimentadas. Quando o sol se pôs, ele teve que procurar um lugar para passar a noite, ele procurou um lugar seguro para passar a noite e chegou um pequeno parque, onde se refugiou por entre as enormes raízes de uma árvore centenária. Sentido-se seguro e cansado, logo ele adormeceu.
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Na manhã seguinte, o filhote recomeça sua busca, sempre se guiando pelo sol, porem não fazia ideia de onde estava.
- Aquele novo mundo era muito grande para mim, mas eu sentia que já o tinha visto. Foi então que eu parei em frete a um lugar que me chamou a atenção.
O filhote parou em frente a uma escola primária, onde muitas crianças brincavam na hora do recreio. Algumas delas vieram brincar com o filhote, mexendo com ele por entre a grade, que separava o pátio de recreação da rua.
- Entre todas as crianças, uma garotinha, de olhar meigo me chamou a atenção. Vendo aquela menina, algo veio a minha mente, como se fosse uma lembrança.
~x~x~x~ FlashBack ~x~x~x~
Em meio a uma alameda de cerejeiras floridas, uma garotinha corria alegremente. Tinha longos cabelos pretos e olhos azuis, e vestia um kinomo amarelo, com sakuras bordadas.
- Rin, não fique correndo assim. Você pode se machucar. – disse uma voz masculina ao fundo
- Deixa ela se divertir, Inu-kun. É ano novo e quase não passamos um tempo juntos. – disse a jovem que vestia um kimono azul, com flores bordadas
- Ela devia se comportar um pouco mais como uma menina, Kagome! Ela fica correndo por ai, que nem moleque, e vive se machucando!
- Ela deve ter puxado isso de você. hahahaha - disse a mulher, gracejando.
No mesmo instante eles ouvem barulho de alguém caindo
- Ai! – disse a menina, que tinha tropeçado em uma pedra solta.
- Eu não disse para não ficar correndo assim, filhota! – a voz masculina falhou
- Você se machucou, Rin? – sua mãe perguntou, enquanto procurava por algum ferimento.
- E-eu ralei m-meu joelho. – disse choramingando, mostrando o pequeno arranhão.
- Deixe me ver isso. – disse a voz masculina - Foi só um arranhãozinho de nada.
~x~x~x~ Fim do FlashBack ~x~x~x~
O sinal da escola tocou e tirou o filhote de seus pensamentos. Agora ele observava menina, que tinha vindo brincar com ele, indo para dentro do prédio da escola.
- Novamente aquela mulher chamada Kagome, e mais uma vez ela pronunciava o nome de InuYasha e, agora, a menina chamada Rin. Quem eram elas e por que aparecia em meus pensamentos?
O jovem canino não se deteve muito tempo naquele lugar, pois poderia ser pego. Ele saiu logo dali e retornou a sua procura, pelo o que ele chamava de lar, sempre seguindo o sol e mantendo-o a sua frente. Assim o fez durante por toda à tarde e, ao cair da noite, chegou a outro parque da cidade.
Ele saciou a sede no pequeno lago e, depois, deitou-se entre as raízes de uma frondosa cerejeira, próxima ao lago, sobre a relva macia. Dali ele tinha uma vista maravilhosa do lago e, acima dele, da lua quase cheia que "pintava" as águas calmas de azul e prateado. Não demorou muito, ele adormeceu.
Na manha seguinte o filhote despertou com os primeiros raios de sol, que tingiam tudo o que tocavam de dourado. Não demorou muito e ele reiniciou sua procura, sempre seguindo o sol, e assim mais um dia se passou.
- Eu sentia com estivesse andado em círculos, por aquela imensa cidade, e que não chegaria a lugar algum.
A noite começou a chegar e o filhote estava perdido naquela cidade e com fome. Sem alternativa ele continuou a vagar pelas ruas em busca de, pelo menos, algo para saciar a fome.
CONTINUA...
Notas da Autora:
Ookami, na verdade, significa "lobo" em japonês, porém ela é um sobrenome no universo da dessa fanfic.
