- Percy! Percy! - Eu nunca tinha visto aquela garota loira em toda a minha vida, mas ela estava chorando de emoção ao me ver. Era por causa dele. Por causa de Percy Jackson. Além dela, via varias pessoas sorrindo, e chamando por Percy també me assustei com aquela garota me abraçando, e fiquei sem reação. Sem querer, deixei com que minhas asas aparecessem. A garota me soltou, com uma cara surpresa, e ainda com as lagrimas escorrendo pelo rosto.- Me... Me desculpe. Te confundi com outra pessoa... - A garota recuava, ainda com a boca aberta e os olhos arregalados. Apesar de seus olhos cinzentos já serem grandes e inteligentes, ficaram ainda maiores.

Assenti, sem saber direito o que havia acontecido. Além dela, eu via outros campistas se afastarem, porque não sou Percy Jackson. Ou talvez porque tenho asas de morcego. Droga, por que fui dar a eles mais motivos para me acharem estranho? Meu pai se aproximou da garota e lhe disse:

– Desculpe Annabeth... Esse não é o seu Percy.

– Me d-desculpe... - Ela enxugava as lagrimas. Não sabia se ela falava comigo ou com campistas recuavam, acho que estavam decepcionados. Eu não era o cara que salvou o Olimpo, também não era o amigo deles. Eu era só mais um campista. A distancia, ouvi dois dos campistas que recuavam conversarem.

– Não sei como Annabeth conseguiu confundir aquele garoto com o Percy.

–Pois é. Ela está ficando paranóica. O Percy tem 17 anos.

– Coitada... Deve ser difícil para ela né? Não pude ouvir o resto da conversa. Então o nome da garota é Annabeth. Eu sentia pena dela. Uma garota bonita, que parecia ser esperta, e devia ter muitas outras qualidades, já que todos se preocupavam tanto com ela, esperando por alguém que provavelmente nunca viria. Uma garota, que devia ser um pouco mais velha que Annabeth, se aproximava dela. A garota colocara a mão no ombro de Annabeth, para consola-la. Ela tinha que segurar os cabelos castanhos para não caírem em cima de Annaneth, e seus olhos castanhos pareciam quase tão tristes quanto os cinzas que pertenciam a Annabeth. Eu queria pedir desculpas as duas, mas a garota de cabelos castanhos, me encarava com um olhar mortal.

– Clarisse la Rue. - Sussurrou meu pai. - Filha de Ares. Clarisse tinha feições agressivas, e até podia ser muito bonita, se não me olhasse com uma cara tão assustadora. Nos seus olhos havia raiva, mas eu podia ver que carregava muita tristeza também. Talvez ela costumasse encarar as pessoas, mesmo que não as culpe de nada. Ou talvez ela me me aproximar delas. Primeiramente me dirigi a Annabeth.

– Me desculpe... Annabeth? -ela assentiu - Acho que não sou a pessoa que você queria ver. - A garota sorriu para mim. Seu sorriso era maravilhoso.

– É, você não é quem eu pensei. Mas é bom ter um campista novo por aqui. - Ela continuava a sorrir com carinho para mim. Eu me forçava a não ficar dos campistas já voltavam para suas atividades, e Quirón, o centauro, e meu pai tinham ido falar com alguém. Mas os campistas voltaram a atenção para mim quando Clarisse se levantou.

– Quem você pensa que é novato? Annabeth já está sofrendo de mais. Não precisamos de você para lembrar nada a ela. - Ela falava alto, mas ainda não gritava. Estava com medo de a qualquer momento ela voar na minha garganta.

– M-me desculpe... Eu não sabia... - Gaguejei. Mas Clarisse não parecia ter pena de mim. Muito pelo contrario.

– Ah, então, acho que eu e meus irmãos devíamos te dar as "boas vindas" - O sorriso que ela agora tinha no rosto me assustava muito. Ela parecia que ia arrancar minha cabeça. Agora, todos, sem exceção, campistas olhavam. Annabeth parecia estar preocupada, e começou a protestar baixinho:

– Clarisse... Não...

– Não se meta, sabidinha. Então chalé de Ares, prontos? - Ela me assustava. Muito. Tinha medo do que ela ia fazer comigo. Ela se aproximava de mim estralando os dedos. Claro que algum engraçadinho colocou AC/DC para tocar. Back in Black no volume máximo. Agora Clarisse estralava o pescoço. Um garoto estendeu uma lança para ela, e fazendo não com a cabeça, Clarisse disse que preferia arrancar minha cabeça com as próprias mãos. Eu não sabia o que fazer, então por impulso, como eu fazia na escola quando algum valentão ia me provocar, estendi a varinha. Clarisse riu.

– Que gracinha! Acha mesmo que um graveto vai te salvar? - Enquanto alguns campistas riam, Annabeth fechava os olhos com força. Mas eu aprendi que não preciso ter medo de trouxas. Quando Clarisse se aproximou, gritei um feitiço.

– Estupefaça! - A garota voou pelos ares, e até o engraçadinho resolveu desligar a música. Clarisse jazia desmaiada no chão. Annabeth se atreveu a abrir os olhos, mas resolveu mante-los fechados.

– Você matou a Clarisse? Com um graveto? - Perguntou-me um garoto que estava surtando.

– Não seu idiota. Tá vendo esse movimento de subida e descida que a barriga dela faz? Se chama respiração. - Um garoto pálido, que não estava ali antes, de cabelos castanhos, muito escuros, quase negros, e olhos definitivamente pretos. Usava um casaco de aviador, e todos se calaram na presença dele. Não sei quem ele era, mas eu já o tinha visto antes... Espera aí, era a forma que Hades tomou para falar comigo pela primeira. Aquele garoto de quatorze anos. -Mesmo você sendo um idiota, eu esperava mais inteligência. Coloca a mão no pulso dela. Tá latejando! Sabe, isso significa que ela tá viva! - Só podia ser Nico di Angelo, porque tinha o mesmo tom irônico que eu e que Hades.

– Nico, mas olha o que o novato fez! Ele só usou um graveto! - Então eu estava certo. Aquele com quem o campista falava afobado era Nico di Angelo, o irmão que disseram que eu não deveria me meter. - Isso não é problema seu. - Nico realmente dava umas tiradas de matar qualquer um

– Ele matou a Clarisse! Com um graveto! Com um graveto! Matou ela! Com um graveto! - Ignorando Nico, o campista repetia essas palavras e andava em círculos. Cara genial aquele. Genial. - Matou a Clarisse! Com um graveto! G-R-A-V-E-T-O! Um graveto mágico! Matou ela! Com um graveto mágico!

Nico havia começado a me encarar. Não éramos gêmeos idênticos, mas éramos bem parecidos. Ele começava a fechar a cara, eu não queria deixa-lo bravo, logo ele? Meu irmão?

– Quem é você novato? - Perguntou ele, com a cara fechada.

– Meu nome é Ryan. - respondi - E esse é meu graveto mágico. - Falei sorrindo e estendendo a varinha. Mas Nico não riu da piada. Não sei se foi pela piada ser horrível ou se foi porque ele me odeia. Acho que foi pela segunda opção.

– Quem é seu pai Ryan? - Acho que ele estava a ponto de pular na minha garganta. - Ou sua mãe? - Ele completou, porém, não parecia ter a menos fé que minha mãe era uma deusa.

– Hades... - Eu disse, olhando para baixo. Com medo da reação de

Nico. Ele me encarou, e acho que estava tentando se acalmar, mas ainda queria me bater. Sentia como se meu irmão quisesse me fuzilar. Ele fazia isso, com seus olhos. Estava quase pedindo desculpas para ele, por ter nascido.

– Siga-me. - Ordenou Nico secamente, se virou e seguiu em direção a grandes chalés. Sem nem ao menos conferir se eu o para acompanhar o passo de Nico. Ele era muito mais rápido do que eu, e mesmo apenas e pisando forte, me fazia correr para acompanha-lo. O jeito que Nico andava, já mostrava que ele não queria conversar comigo, muito menos dividir o quarto. Eu sempre quis um irmão mais velho, mas acho que eu não esperava que ele me odiasse tanto, como Nico dirigíamos para um lugar, onde havia vários chalés, mais ou menos em forma de "U". Nico não me deu tempo nem de olhar para eles direito, e a única coisa que eu havia realmente percebido, é que eles eram muito diferentes. O chalé que Nico entrou era todo preto por fora, com alguns detalhes, como o numero 13 logo acima da porta, em um vermelho sangue. Haviam chamas (ou o contorno delas) desenhadas na base do chalé. Nico abriu a porta, que também era preta. Mas tanto o contorno da casa quanto a maçaneta eram vermelhas. Entrando no chalé, podia-se ver paredes vermelhas. Não tão fortes quanto o vermelho dos detalhes da parte de fora, e sim um vermelho claro. Não havia muitas camas, como eu imaginei que teriam, havia apenas um beliche. Nico subiu para cama de cima.

– Eu sou o mais velho, eu fico com a cama de cima. - Anunciou. Acho que eu não discutiria nem se eu quisesse dormir naquela a mochila na cama de baixo. Havia um armário também, mas preferi ignora-lo, pelo menos por enquanto. De cada lado do chalé, havia uma janela, o que eu não havia notado quando o olhei do lado de fora. Resolvi me aproximar de uma delas, onde fiquei contemplando a vista por algum tempo. Já era fim de tarde, mas ainda havia gente jogando vôlei, treinando, e até montando cavalos alados. Havia também, no nosso chalé, uma bancada. Nico havia deixado alguns CDs espalhados nela, claro, AC/DC. Quem poderia imaginar? Ouvimos alguém bater na porta, então Nico desceu da cama, com uma cara de vou-matar-quem-quer-que-seja-o-infeliz-que-pertuba-a-minha-paz. Quando ele abriu a porta, pude ver um centauro, com a parte de cavalo branca, Quirón. Nico pegou algo de suas mãos, e voltou a fechar a porta. Enquanto subia novamente para cama, jogou o que quer que fosse aquilo em mim. Não consegui agarrar aquilo, e sem querer, arranhei minha própria cara. Eram algumas camisas laranjas, onde estava escrito "Acampamento meio-sangue".

As camisas que todos aqui, ( com exceção de Nico, que provavelmente a cobria com o casaco) usavam.

– Quirón pediu para você olhar se são do seu tamanho- Avisou Nico, já em cima da , elas eram do meu tamanho, mas creio que Nico não estava exatamente interessado nisso. Vesti uma das camisas e deixei as outras na mochila. Voltei a olhar pela janela. Uma trompa soou. Nico simplesmente se atirou da beliche gritando " Comida! Comida!". Escancarou a porta. Ele me chamou com um gesto de mão, e corri atrás dele, para acompanha-lo. Corremos para um grande refeitório. Passamos por lugares bonitos. O acampamento era lindo. Os campos de morango, as quadras de vôlei, tudo. Quase atropelamos Dionisio. No refeitório haviam varias mesas. Nico disse que havia uma para cada chalé, uma para sátiros, e uma para Dioniso e Quirón. Sentamos numa mesa onde ninguém mais se sentava. Preta, como já imaginava. Havia uma tocha, uma espécie de tocha, para qual todos olhavam com muita ansiedade, não tenho ideia do por quê. O garoto de hoje mais cedo se aproximou de mim, na verdade, passou por mim, ainda repetindo "matou ela! Com um graveto!" Acho que eu traumatizei o menino.

Quirón falava algumas coisas, me deu boas vindas mas eu estava mais preocupado com o olhar que Clarisse me dirigia. Sim, o garoto, ao lado dela, continuava a repetir a frase "Um graveto! Graveto!"Quirón falou algo sobre caça a bandeira amanha. Isso fez se formar um sorriso diabólico nos lábios de Clarisse. Só podia significar uma coisa. Estou morto.