Teste do coração de terra e da cabeça de pedra
O homem de robe verde apontou para um lugar no vácuo, que rapidamente fora transfigurado em um campo circular e… enorme. Você poderia colocar três Maracanãs e ainda assim teria espaço para a multidão de ambos no chão. Havia uma espécie de arquibancada nas laterais. Resumindo: O típico coliseu romano.
Logo depois de criar a sua obra, o mesmo integrante do Testamento levanta as duas mãos, criando estátuas de um Cérbero, um minotauro, e, por fim, o próprio Pedro. No exato momento em que ele as abaixa, um uivo sai da boca de Wolf e com razão: Ambos os três criaram vida.
— E você espera que eu lute com isso…? — Pedro esperou uma resposta, mas foi um pouco diferente do que ele imaginava.
— Não. Para participar disso, deve ter um coração tão maleável quando a terra, e uma cabeça tão dura e resistente quanto a pedra.
— … HÃ?!
Não teve tempo de esperar resposta, pois o piso embaixo dos seus pés se quebrou, o tragando para a arena. Se Wolf não tivesse crescido e o pegado, ele teria quebrado uma perna.
— Ótimo… deixa eu ver, o Cérbero é um cão com três cabeças, o minotauro é um homem enfiado pela parte de trás de um touro, e o terceiro é um sexy rapaz poderoso com sérios problemas de ego… eu dou conta! — Sorridente, ergueu uma armadura de terra no próprio corpo até a cabeça, que começa a quebrar com raios roxos internos. Por fim, toda a pedra se quebra, relevando Pedro agora com uma armadura roxa: Algumas partes cobriam as panturrilhas, a cintura — a qual essa tinha um tipo de proteção com "estacas" pendendo. Em seu peito, havia uma pintura de um lobo branco mordendo um símbolo "IV" dourado, e alguns símbolos na armadura do antebraço. Seus olhos estavam mais roxos.
— LET'S PLAY, BABY!
Enfiou a mão na terra e de lá tirou uma espada de dois gumes, com a lâmina e o fio igualmente roxos, partindo para cima do monstro de três cabeças. Iria um de cada vez e desviaria de todos.
Tentou partir a cabeça da esquerda em dois, mas o monstro foi mais rápido e deu-lhe uma rabada, se virando em com uma agilidade recorde. Pedro pegou em Wolf e voou, analisando seus adversários: Sua réplica estava sentada, indiferente, e se lhe perguntassem, estava dormindo. O Cérbero estava rosnando para o alto, e o minotauro estava… no momento, pulando ao encontro de Wolf…
Quando a fera lhe atingiu, Pedro pulou para o chão, amortecendo a queda. Seu precioso animal estava lutando para se soltar do minotauro. Era uma visão de partir o orgulho, mas ele tinha mais preocupações. Pulou no pescoço do Cérbero e tentou cravar sua espada lá. O resultado? Faíscas saindo da pele inquebrável enquanto a espada se desviava do curso.
— O fim da picada…
Até que se lembrou das palavras do homem de verde: "Não. Para participar disso, deve ter um coração tão maleável quando a terra, e uma cabeça tão dura e resistente quanto a pedra.". E se ele tivesse entendido?
Desativou sua armadura e viu Wolf virar um filhote de lobo novamente. Correu ao seu encontro para amparar sua queda e desviou do minotauro.
— O que esse cara vai fazer…? — Lu questionava o estado mental do seu companheiro. Galala só assistia de olhos arregalados como aquele garoto podia fazer tudo aquilo. O homem de branco parecia indiferente.
Pedro estava frente á frente com as três cabeças, e não demonstrava o menor sinal de medo.
— … Cuti, cuti!! — Afagou o pescoço da cabeça do meio, que deu um barulho positivo como resposta. — Isso, você não é mal, né? Você é um bom menino…
Era quase cômico ver o grande cão de três cabeças se contorcendo como um pequeno cachorrinho. O clone de Pedro finalmente levantou a cabeça, sorrindo malicioso.
O minotauro não ficou parado: Ia dando uma chifrada em Pedro, se esse não tivesse desviado. Digamos que o Cérbero não gostou de que ele lhe tirasse a pessoa que lhe acarinhava: Mordeu o minotauro e o fez de lanche. Depois disso, ele se tornou uma estatua de novo.
O clone se levantou, encarando o verdadeiro Pedro.
— Você não vai me atacar, não é?
— Não… — o clone deu o riso malicioso.
— Sabia. Eu sou muito bom para lutar contra mim mesmo. Ninguém nunca venceria.
— Sim. Finalmente aprendeu alguma coisa. — O clone se tornou uma estátua, cuja qual Pedro teve o prazer de destruir com um chute lateral. Testes lhe davam dor de cabeça, e não precisava de uma estátua sua para ver como era bom naquilo que fazia. Pra isso servia espelho.
O homem de verde subiu Pedro em uma plataforma. Ele estava sorridente e saiu da mesma pulando.
— UHUL! Facinho, facinho!
Ignorando completamente o bobo alegre, o de robe amarelo disse:
— A segunda será a Guardiã do Ar.
Galala engoliu em seco.
— Arrasa, garota! — Pedro sorriu de uma ponta á outra da cara.
