A VIRADA

"Então,vê se se cuida rapaz

Então estamos quase quites

Se ainda não percebeu

Isso é uma emboscada,

Armadilha..."

Três semanas haviam se passado.


Durante esse tempo, Luna conseguiu evitar a presença do Malfoy, com muito esforço. A temporada como namorada do rapaz lhe fez conhecer seus horários de refeições e outros hábitos. Assim, não se encontraram e nas raras vezes em que estiveram ao mesmo tempo no Salão Principal, Luna teve o cuidado de sentar-se de costas para ele e sair sem olhar em sua direção.

Por uma ou duas vezes pensou em procurá-lo para tirar satisfações, tentar entender o porquê da atitude dele. Mas lembrou-se imediatamente das suas palavras. Não havia dúvidas: não passara de um brinquedo em suas mãos. Magoada e desiludida, desistiu.

Draco, por sua vez, não dava a menor importância ao que tinha feito. Continuava tão arrogante e cheio de si como sempre e segundo Luna sabia, ainda colhia os louros pelo que tinha feito. O fato ainda era citado pelos colegas dele e comentado entre risos. Ele tinha se tornado o conquistador, o galã, pelo menos para seus colegas.

A loira ainda passou por momentos de tensão após uma conversa com Ginny:

-Você vai superar isso, Luna. Sei que é uma garota forte. O pior já passou.

-Sem dúvida. Essa história não poderia ter ficado pior do que isso.

-Poderia sim. Você poderia ter engravidado. Mas Draco não é burro. É claro que ele lhe deu a poção.

-Poção? – Indagou Luna, surpresa. – Não me lembro de ter tomado nada naquele dia.

-Não? Como não? Todo bruxo dá a poção para a namorada antes de fazer amor pela primeira vez, é como um ritual! Uma poção contraceptiva. Eles acham que as garotas ficam mais tranquilas, seguras de que não vão acabar com um bebê para cuidar. Até esses bruxos de mau caráter como o Draco usam! Aliás, o apelido da poção é "Noite feliz".

-Ele não me deu nada para beber. Posso garantir.

Ginny fez uma cara de preocupação que deixou Luna assustada:

-Bom, se ele não lhe deu, certamente usou um preservativo, não é? Tanto melhor. Aquele pervertido bem que poderia ter alguma doença.

-Não usou não. Tenho certeza disso. – Respondeu a loira, sem entrar em detalhes e ficando apreensiva.

Ginny arregalou os olhos:

-Luna, por Merlin, me diga que seu ciclo não está atrasado.

-Na verdade eu estou esperando há duas semanas.

Ginny suspirou profundamente e Luna entrou em pânico.

-Ginny, por Merlin! O que você está querendo dizer?

-Que você precisa de uma consulta médica agora mesmo!

A ruiva agarrou a mão da amiga e correu para a ala hospitalar.


-Não, não e não, senhorita Weasley!

-Mas madame Pomfrey! É urgente!

-Como sempre, não é? Várias moças de sua idade vêm aqui desesperadas com seus problemas urgentes que nada mais são do que frutos da irresponsabilidade.

-Garanto que agora é diferente.

A bruxa suspirou, cansada.

-Senhorita, compreenda como isto é complicado. Antes eu fornecia as poções contraceptivas para as meninas, por entender que era melhor do que deixarem fazer o que queriam sem se prevenir. Mas então começaram a aparecer os pedidos de testes de gravidez. Percebi que estava me arriscando à toa, pois pediam as poções e não usavam. Por isso não posso lhe ajudar. Não posso colocar minha cabeça a prêmio por nada.

Ginny falou de modo ansioso:

-É diferente desta vez. A menina que está precisando do teste foi muito ingênua.

-Conheço essa história. – Ela sorriu com ironia. – Todas são muito inocentes.

-Neste caso é sim. Ela nunca tinha conversado sobre sexo com ninguém, nem comigo, que sou amiga dela. O namorado não falou nada, não conversou antes. Convidou-a para uma visita à sua casa e quando ela chegou, simplesmente a arrastou para o quarto e fez o que quis com ela. Depois sumiu, e quando se reencontraram ele disse que só queria isso mesmo, levá-la para a cama, e a deixou. Imagine como ela está se sentindo.

-Realmente, é uma situação complicada. – Refletiu a mulher.

-Ela está desesperada. A menstruação atrasou e ela nem desconfiou o que poderia significar. Se estiver mesmo grávida, nem imagina o que fará. Ela não tem mãe e o ex namorado é um canalha. O pai nem sabe que ela teve um namorado e ela só pensa no que ele fará quando descobrir, caso ela esteja mesmo esperando um bebê.

Madame Pomfrey ficou pensativa por alguns instantes. Ginny continuou tentando convencê-la.

-Ela está ali fora aguardando. Veja como está angustiada! – Disse, puxando a mão da bruxa para que olhasse através do vidro da porta. Ao ver de quem se tratava, ela tomou um susto:

-Por Merlin! É a senhorita Lovegood!

-Sim. Então já se conhecem?

-Sim. – Respondeu a mulher, sentindo pena da loira. – Realmente ela é muito ingênua. Ainda novinha esteve aqui, tinha uns 13 anos, desesperada por ter se tornado mocinha. Não entendia nada do que estava havendo com o próprio corpo. Tive que explicar tudo a ela. Me deu tanta tristeza ver uma menina assim, sem mãe e sem amigas!

-Pois é. – Comentou Ginny. – E ainda arruma um cretino desses como namorado.

-Como puderam tratá-la assim? Ela é tão boazinha! – A bruxa estava olhando para Luna.

A loira estava de pé na entrada da Ala hospitalar. Tinha os braços ora cruzados, ora pra trás. Às vezes passava as mãos pelo rosto, balançando a cabeça em sinal negativo. Depois parava de cabeça baixa, os cabelos caindo dos lados e escondendo quase todo o seu rosto. Apertava os lábios e respirava rapidamente. Estava uma pilha de nervos.

-Esse é o problema. É boazinha demais, por isso o safado se aproveitou dela. Então, madame Pomfrey. Posso contar com sua ajuda?

-Sim. Neste caso tenho que ser compreensiva. Vá até lá e mande-a entrar.

Momentos depois...

-Aqui está o resultado, senhorita: negativo. Você não está grávida.

Luna deu um longo suspiro, completamente aliviada.

-Ah, que bom! Eu estava apavorada!

-Mas tenha mais juízo de agora em diante. Seja esperta. Se você não se cuidar, ninguém cuidará de você.

-Pode deixar. – Respondeu a loira, um sorriso se desenhando em seu rosto, antes tão tenso. - Tudo o que não preciso é ter um bebê agora. – Ia dizendo, quando olhou para a frente e viu Blaise Zabini na entrada da Ala Hospitalar.

Luna ficou séria outra vez e agradeceu rapidamente a Madame Pomfrey. Segurou a mão de Ginny e saiu apressada do local, sem notar que Blaise a observava, curioso.

Mais tarde, quando Luna saía do Salão Principal após o jantar, ouviu a voz de Blaise enquanto passava pela mesa da Slytherin:

-A Di Lua fez teste de gravidez, Malfoy. E aí, cara? Será que você vai ser papai?

Draco respondeu com desdém:

-Eu? É ruim, heim! Só comi aquela garota uma vez. Se estiver grávida, de mim é que não é!

Ao ouvir isso, Luna apressou o passo e saiu do Salão. Já fora dele, levou as mãos ao rosto e começou a correr, esbarrando em algumas pessoas. Correu até chegar ao dormitório, onde afundou o rosto no travesseiro, as lágrimas sufocando-a. "Por quê?", pensou. "Por que ele age assim? Por que está fazendo isso comigo? Não me entreguei a ele por farra. Eu me entreguei por amor! Eu te amava tanto, seu cretino!"

Após este episódio, esforçou-se para não ter nenhum contato com Draco, nem mesmo dividir o espaço do Salão Principal com ele. A esta altura já sabia o que esperar dele, mas não estava preparada para as punhaladas que o loiro estava disposto a lhe dar.

Um dia, Luna deixou o Salão Principal após ser a última a jantar. Subia as escadas em direção à torre da Ravenclaw rapidamente. Ao virar em um corredor deparou com Draco Malfoy, quase dando um encontrão.

Ela ofegou com o susto e deu um passo para o lado, para se desviar dele. Para sua surpresa, porém, o loiro também chegou para o lado, impedindo a passagem com o corpo.

Luna deu um passo para o outro lado. Draco a acompanhou. Querendo sair da situação ela disse, irritada:

-Pare com isso, Draco! Deixe-me passar!

-Por que a pressa? Há tanto tempo não nos falamos! Já estou ficando com saudades...

-Não seja ridículo! Não tenho nada para falar com você. E não me perturbe!

Ela tentou passar por ele à força, mas o rapaz a segurou pela cintura e prensou-a contra a parede.

-Tire as mãos de cima de mim!

-Ora ora. Por que tão arredia? – Ele falava como se nada de errado tivesse acontecido. Como se uma longa lacuna estivesse entre o namoro com Luna e o instante atual.

-Não sei como você tem a cara-de-pau de falar comigo depois de tudo o que aprontou!

-Ah, não seja tão dura. Se você soubesse o quanto senti sua falta... Do seu gosto... Do seu cheiro...

Enquanto falava, Draco prensava Luna na parede cada vez mais. Ela tentou se desvencilhar, mas ele a segurava com firmeza, beijando seu pescoço. A garota tentou em vão afastá-lo:

-Mentiroso. Sei que não pensou em mim nem mesmo um pouquinho.

-Sabe, é? Tem certeza? -Respondeu Draco, tocando o nariz dela com o seu e brincando com os lábios dela, roçando-os com os seus próprios, bem de leve.

Uma sensação estranha começou a percorrer o corpo de Luna. Ao mesmo tempo em que lembrava as coisas horríveis que Draco disse e fez e sentia repulsa por ser tocada por ele, também sentia acender o desejo que tinha existido no tempo do namoro. Era difícil sair dali, sentia a cabeça rodar e as pernas fraquejarem. Tentou escapar mais uma vez, mas ele a apertou mais fortemente contra a parede, encaixando as pernas dela entre as suas. Então, começou a beijá-la na boca com desejo.

Luna tentou resistir, mas não havia como fugir. Então, de um modo quase inconsciente, ela sentiu-se feliz por aquilo acontecer. Sentiu esperanças de que ele estivesse arrependido e lhe pedisse perdão. Então tudo voltaria a ser como antes, ele voltaria a ser o seu namorado, o seu Draco.

Draco, feliz por conseguir vencer a resistência da loira, apertou seu corpo contra o dela com mais vigor. Queria senti-la ali, bem perto. Sentiu a excitação chegando e lamentou por não estar com ela em um corredor escuro ou uma sala de aula vazia. Ela ofegou surpresa, sentindo os efeitos da proximidade de seus corpos dando sinais no corpo dele.

Draco encontrou uma brecha nas vestes de Luna e começou a procurar algum lugar em que pudesse tocar sua pele. "Malditas roupas femininas", pensou, ao colocar a mão por baixo da saia dela e perceber que usava meia-calça. Luna demonstrou espanto com aquele toque lascivo. Draco tentava desesperadamente tocar sua intimidade e ela fazia algum esforço para que ele não avançasse tanto. Finalmente ele desistiu, mas a apertou tão vigorosamente e sugou seu pescoço com tanta força que arrancou dela um gemido de prazer.

Eles pararam o beijo e se olharam por alguns segundos. Tempo suficiente para Luna perceber duas garotas passando pelo local e se espantando ao vê-la nos braços de Malfoy. Então ele parou de prensá-la e segurou suas duas mãos, erguendo-as até a altura dos ombros, segurando-as contra a parede. Retomou o beijo com mais intensidade, e um segundo depois os braços de Luna envolviam seu pescoço. "Seja meu, Draco", pensava ela. "Seja meu outra vez."

Já não dava para disfarçar, ela estava se entregando por inteiro naquele beijo e não era mais a força de Draco que a prendia, mas a sua própria vontade.

Depois de algum tempo, ofegantes e acalorados, eles se separaram e se olharam, acariciando os cabelos um do outro. Luna olhou para Draco de modo sereno e encostou sua testa na dele. O loiro passou um dedo pelo pescoço dela, alisando a marca que tinha deixado ali. Esboçou um sorriso, abraçou-a e disse:

-Eu estava pensando. Será que você não gostaria de repetir o que fizemos durante as férias lá em casa?

Draco sentiu-se arremessado pra longe de Luna, com tal força que bateu na parede oposta.

A garota o fuzilou com o olhar:

-Então era isso o que você queria? O que houve, Draco? Suas garotas estão ocupadas e eu era o último nome do seu caderninho?

Ele a olhou de modo insolente.

-Não. É que você era a mais próxima. Qual é o problema? Já fizemos uma vez, por que não repetir? Sei que você gostou-completou, tentando tocar o rosto dela, que se afastou.

-Você é imundo, Draco. Tão imundo quanto... Quanto... Quanto aquilo que os cachorros fazem e que suja o nosso pé!

O rapaz ergueu as sobrancelhas fazendo pouco caso daquelas palavras e sufocou uma risada. A garota virou-se e retomou o caminho para sua Sala Comunal. "Fui tola. Ah, como fui idiota! Eu não podia ter permitido, não, não devia ter fraquejado!", murmurava para si, enquanto Draco voltava para as masmorras, satisfeito com o amasso inesperado, mas muito bem-vindo.


Sentia raiva de si mesma, e além da raiva, tinha nojo. Como pôde permitir que ele a tocasse novamente? Como pôde aceitar que a beijasse outra vez? Como pôde se entregar daquela maneira, depois de tudo o que ele tinha feito? Descobrir o resquício de sentimentos por Draco fez Luna sentir-se a mais tola das garotas.

Voltou para o seu dormitório, chateada. Na manhã seguinte procurou Ginny e contou sobre o acontecido.

-Draco agarrou você? –Perguntou Ginny, chocada. Luna fez que sim com a cabeça.

-E você deixou?

-Bem, Ginny, não tinha como não deixar se ele estava me agarrando! Mas o problema não é esse, e sim que eu não achei ruim! Eu devia ter achado, não devia?

-Não se trata de dever ou não. Se você não achou ruim, foi porque ainda gosta dele. Não é?

Luna suspirou. De cabeça baixa, acenou a cabeça positivamente.

-Sei que você não pode mandar no seu coração, mas é uma pena que ainda goste. Ele não a merece. Mas enfim... Depois de tudo o que aprontou, não deveria ter chegado perto de você. E as meninas que os viram certamente vão espalhar a fofoca.

-Sim, imagino que farão isso. Mas não posso ouvir nada pior do que ele mesmo já disse, não é?

-Como assim? Você não se importa?

-Não, Ginny. Francamente, o que isso vai mudar? Só gostaria de esquecê-lo de uma vez por todas.

-Tenho certeza de que você vai conseguir.

-Bem, acho que sim. Agora quando penso nele sinto uma coisa ruim, como se fosse dor, sabe? Acho que estou bastante magoada.

Após conversarem, seguiram para suas aulas. Luna percebeu os olhares de algumas pessoas e por alguns instantes imaginou o que estariam pensando. Sentiu-se envergonhada, não pelos pensamentos dos outros, mas pelos seus próprios atos e sentimentos e pela satisfação que sentiu ao estar nos braços de Draco.

Precisava tirar aquilo de dentro dela.

De qualquer jeito.

Custasse o que custasse.


Luna estava sentada à janela do dormitório feminino. Não havia mais ninguém lá. Todos os seus colegas estavam na Sala Comunal, festejando a vitória da Casa em mais uma partida de quadribol. Ela, no entanto preferiu se isolar. Não estava com ânimo para festejos.

Olhava para as montanhas distantes e pensava em seus sentimentos com relação a Draco.

Estava muito magoada desde aquele beijo. Além da mágoa por ele tê-la usado novamente, ainda mais deixando bem claro a única coisa que desejava dela, havia o sentimento de culpa por ter sucumbido à sedução daquele que já a havia enganado uma vez.

Concluiu então que não havia mais amor em seu coração. A esperança de voltar para ele, que estava latente e só foi descoberta ao beijá-lo de novo, morrera de uma vez por todas. No lugar daqueles sentimentos havia apenas mágoa e uma ponta de raiva que ela sentia crescer mais e mais.

Um barulho despertou-a de suas divagações. Era Padma, parecendo animada. Ao ver Luna, pareceu espantada.

-O que você está fazendo aqui? Todos estão lá embaixo, na festa! Vamos para lá!

-Ah, obrigada, Padma. Daqui a pouco estarei lá.

Padma pegou alguma coisa em seu armário e se aproximou de Luna:

-Vários garotos perguntaram por você. Se eu estivesse em seu lugar, desceria logo para aproveitar! –E com uma piscadela saiu saltitante do dormitório.

Luna ficou mais de um minuto olhando para a porta por onde Padma desaparecera. Depois começou a pensar no significado das palavras da colega. "Vários garotos perguntaram por você. Se eu estivesse em seu lugar, desceria logo para aproveitar." O que significava aquilo? Que os garotos finalmente a tinham notado? Ou que as fofocas espalhadas pelo Malfoy os fez pensar que Luna era sinônimo de diversão fácil? Será que a própria Padma tinha ido até lá a pedido deles, achando que ela era realmente dada a esse comportamento frívolo?

"Olha só no que me transformaram por sua causa, Draco. Muito obrigada", pensou, com um sorriso desanimado.

Repassou mentalmente tudo o que havia acontecido entre eles, desde o primeiro beijo no campo de quadribol até o último, naquele maldito corredor. "Tantas mentiras", pensou. "Tantas palavras vazias. Tanta falsidade. Ele foi tão baixo, tão sórdido,tão vil. E eu confiei nele!"

Distraidamente se levantou da poltrona onde estava, indo em direção à sua cama. No caminho passou por um espelho e parou para observar o próprio rosto.

"Não sou feia", pensou, "mas me vejo tão triste. Eu não era assim. E estou desse jeito por causa dele. Não, ele não merece que eu fique assim. Essas olheiras e esse olhar sem brilho são um troféu para Draco. Enquanto eu estiver desse jeito ele pensará que me tem nas mãos."

Decidiu que a partir daquele dia não ficaria mais escondida na gaveta. Notou que seus olhos eram bonitos demais para ficarem ocultos atrás de lágrimas que não queriam cair. Dormiu mais cedo para que as olheiras sumissem e no dia seguinte escolheu uma bela maquiagem para adorná-los.

O segundo dia foi quando achou que suas roupas estavam velhas, feias e largas. Escreveu para o pai pedindo roupas novas.

No terceiro dia, achou que suas unhas estariam melhores se bem tratadas e pediu ajuda às colegas para cuidar delas.

O quarto dia foi aquele em que parou de andar de cabeça baixa e, de queixo erguido, passou a exibir o maior dos seus sorrisos.

No quinto dia percebeu que seus cabelos estavam sujos e descuidados, e perguntou-se o porquê disso. Lembrou então que era deles que Malfoy dizia gostar mais e concluiu que estava negligenciando os cuidados com eles por isso. Imediatamente começou a tratá-los.

No sexto dia, nem se lembrava mais que um dia tinha sido a namorada de Draco Malfoy.

E no sétimo dia ninguém podia deixar de notar que havia uma nova Luna Lovegood em Hogwarts.

"Mas se você achar que eu tô derrotado

Saiba que ainda estão rolando os dados

Porque o tempo...

O tempo não para..."


DIAS DEPOIS

Draco se dirigia às suas aulas, conversado com os amigos.

-Draco, você já reparou na Lovegood? Está uma gata! Parece que terminar com você fez muito bem a ela! – Disse Malcolm Baddock.

-Terminar? Nós nem começamos! –riu o loiro.

-Ah,qual é, Draco? Todo mundo sabe que vocês estavam namorando!

-Eu não namorei, só a enrolei um pouquinho para conseguir o que eu queria. E valeu o sacrifício. Pena que ela ficou zangada comigo, eu adoraria repetir a dose. Aquelas pernas... Aqueles peitinhos – Comentou com uma cara completamente cafajeste, e depois fez um som indecente com a boca.

-Também, né, Draco! Você foi logo dizendo que já queria levá-la para a cama outra vez! Devia ter ido mais devagar.

-Como assim? Sei lá, quando finalmente consegui beijá-la de novo não quis perder tempo.

-Pois aí está seu erro-comentou Blaise Zabini.

-O que quer dizer?

-Você não deveria ter ido com tanta sede ao pote. Deveria ter dito -Zabini começou a falar de um jeito debochadamente romântico- que estava com muitas saudades... Que pensava nela todas as noites e que estava terrivelmente arrependido de tudo o que falou. E que ficaria muito feliz se ela lhe desse uma chance de provar que ainda gosta dela. Então, quando ela estivesse "na sua" outra vez, você daria um jeito de levar ela para casa de novo e... –Ele lançou um olhar sugestivo e maldoso.

-Blaise e sua mente diabólica - comentou Malcolm.

-Para quê tanto trabalho? –Respondeu Draco, entediado. - Não preciso de tanto esforço. Na verdade eu gostaria de continuar comendo ela, nem teria a chutado se ela não tivesse tentado pegar no meu pé. Mas isso não é tão importante. É figurinha repetida. Enjoa. Além do mais, tenho certeza de que não preciso fazer o mínimo esforço, vai bastar estalar os dedos e ela virá correndo. Até hoje não saiu com mais ninguém! É claro que está cheia de esperanças de voltar para o Draquinho aqui.

-Quem disse, cara? De repente ela está toda bonitona assim porque tem alguém a fim dela e você nem sabe! –Argumentou Malcolm.

-Duvido. Ela gosta de mim. Tenho certeza de que quando eu quiser, ela volta.

Os garotos foram conversando e rindo. Viraram em um corredor e nem repararam em quem vinha na ponta oposta.

Luna vinha caminhando, conversando alegremente com Ginny. De repente olhou para frente e viu o grupinho de Slytherins, com Draco ao centro.

No mesmo instante em que viu o grupo e calou-se, Draco também olhou para frente e seus olhares se encontraram.

Durou apenas um segundo, mas foi o suficiente para ele apreender o olhar da garota.

Viu que ali havia mágoa, muita mágoa. Era como uma ave ferida olhando para seu agressor, sem poder voar. Como se ele tivesse lhe roubado alguma coisa de valor inestimável e de repente se visse precisando explicar o porquê.

Luna agarrou o braço de Ginny e entrou por um corredor lateral. Draco ainda viu os cabelos da garota quando ela virava um terceiro corredor, ao fundo.

-É Draco... Parece que você vai precisar de dedos bem fortes para ficar estalando até conseguir reconquistar essa aí- caçoou Malcolm.

-Cara, essa garota está perdida para você - completou Blaise.

-E daí? Quem se importa com a Di-Lua? Tem muitas garotas interessantes aqui - desdenhou o loiro, olhando outra garota que passava, mas estava visivelmente constrangido.

Momentos depois, já sentado em sua carteira, Draco estava pensativo.

Alguma coisa havia mudado no olhar daquela garota. Antes era um olhar bobo, ingênuo até, apaixonado... Agora era um olhar frio, triste, distante, acusador... Embora não quisesse admitir, estava incomodado por ela tê-lo olhado daquele jeito. Alguma coisa tinha mexido com ele ao ver Luna olhando-o com tanta mágoa.

Ele abaixou a cabeça na mesa e com o rosto nos braços murmurou para si mesmo:

-Não seja idiota, Draco. É só mais uma garota. Você não tem culpa dela ser tão burra e não saber aproveitar o momento.

E tentou prestar atenção nas aulas.


Luna caminhou com firmeza, segurando o braço de Ginny. Ao virarem em um terceiro corredor, soltou a amiga e parou, dando um grande suspiro.

-Luna, você está bem?

-Ahn? Ah, sim, estou.

-Tem certeza?

-Claro. –E recomeçou a andar.

Ginny a segurou pelo ombro.

-Vê-lo ainda mexe com você, não é?

-Sim, mas não é como antes. Não é mais amor.

Ginny ficou a observá-la, querendo entender.

-Não tenho mais aquela ilusão tola de que ele tenha se arrependido e me peça perdão. Não sinto falta do que vivemos juntos. O que sinto é algo incômodo, corrosivo. Como se ele estivesse me devendo alguma coisa, sabe?

-Imagino. Mas você não deve alimentar esses sentimentos. São ruins, Luna. O melhor é ignorá-lo, ou você terminará...

-Odiando-o? Tarde demais, acho que já o odeio.

-Não perca o seu tempo. Não vai lhe fazer nenhum bem e você ainda pode acabar fazendo alguma besteira!

-Engraçado você falar isso. Eu andava realmente pensando em "fazer alguma coisa". Não é justo que ele tenha brincado comigo e fique por isso mesmo.

-Luna, no que você está pensando? –Perguntou Ginny, preocupada.

-Por enquanto nada demais. Só gostaria que ele sentisse o que eu senti.

-Mas isso só vai acontecer se um dia ele amar alguém como você o amou. E duvido que isso aconteça, pois ele é um canalha.

-É. Você tem razão. Mas eu tenho esperanças. Ele merece uma dose de sofrimento, para aprender que não se deve brincar com os sentimentos dos outros. Mas deixa isso pra lá. Temos mais o que fazer do que discutir sobre esse imbecil.

Assim, se dirigiram à sala, sem mencionar o louro outra vez.


Após as aulas, Luna se dirigia ao Salão Principal para o jantar. Estava sozinha, pois Ginny tinha combinado encontrar seu namorado e tinha ido antes. Antes de chegar ao recinto, passou por Blaise Zabini.

-Oi Luna! –Cumprimentou o rapaz.

-Olá Zabini! Tudo bem? – Respondeu, serena.

-Melhor agora, que estou te vendo - ele disse, tocando de leve uma mecha de cabelos que caía no rosto da loira. Ela não gostou. Para se livrar do rapaz, disse séria:

-Ah, fico feliz. Agora, se me dá licença, eu vou jantar.

-Calma, Luna! Eu quero falar com você.

-Pode falar!

Ele adquiriu um ar malicioso e falou:

-Gostaria de saber se um dia desses poderíamos sair juntos. Quem sabe nos divertir um pouco, que tal?

Luna percebeu as intenções dele. Tentando manter-se calma respondeu:

-Fico lisonjeada com o convite, Blaise, mas no momento não estou interessada.

Blaise pareceu ofendido com a recusa dela.

-Qual é o seu problema? Já está ficando com alguém? Ou ainda espera por seu ex-namoradinho?

-Isso é problema meu. Não é de sua conta!

-O que há? –Ele agarrou o braço de Luna e a puxou para perto, dizendo num tom perigosamente baixo: –Você é fácil só com o Malfoy?

-O que está dizendo? Solte-me!

-Não banque a santinha para cima de mim! Você é sonsa e dissimulada. Sou amigo do Malfoy e sei muito bem o tipo de vadia que você é. Conheço esse seu joguinho. Duvido que tenha feito tanto charminho na hora de dar para ele.

Luna se desvencilhou de Blaise e com toda a força que pôde deu uma bofetada no rosto do rapaz.

-Senhorita Lovegood!

O professor Horácio Slughorn saía do Salão.

-Detenção, mocinha! Como pode agredir um colega dessa maneira?

-Mas professor, ele me desacatou!

-Não importa! Isso não lhe dá o direito de agredi-lo!

-O senhor está errado, professor, foi ele quem começou!

-Não discuta, senhorita! Caso contrário serão duas semanas de detenções!

Luna bufou, zangada pela injustiça. Então uma voz conhecida surgiu atrás dela.

-Professor, não está certo que Luna seja detida. Ela foi provocada. Não merece a punição.

A loira voltou-se e viu quem a defendia. Era Draco.

Com uma enorme raiva fazendo seu coração disparar, ela disse entre dentes:

-Dispenso sua defesa, Malfoy! Dispenso qualquer coisa que venha de você!

-Só quero ajudá-la. Não é justo o professor lhe dar uma detenção. –Ele respondeu, com segurança, apesar do olhar cortante da loira.

-Quem é você para decidir o que é justo ou injusto a meu respeito? –E virando-se para o professor: -Tudo bem, professor Slughorn. Aguardarei as instruções. Com sua licença, vou comer.

E entrou no Salão Principal.

O professor virou-se para Zabini e disse:

-Moças nervosas são um perigo, meu caro. Cuide-se ou uma delas acaba com o seu belo rosto, hoho!

Zabini sorriu e dirigiu-se à Sala Comunal. Então Draco aproximou-se de Slughorn e disse:

-Mas você é um hipócrita e covarde, não é mesmo? Pôs Luna em detenção sem sequer ouvi-la só porque Zabini é um de seus favoritos!

-E o senhor também acaba de receber uma detenção, senhor Malfoy, para aprender a não se meter no que não lhe diz respeito. Aguarde as instruções e passe bem.

O professor se retirou. Draco ficou ali plantado no chão, pensando que acabara de ganhar uma detenção por causa de Luna. O que deu nele para agir assim? Por que defendeu Luna sem nem sequer saber o que havia acontecido? Por que se sentiu tão incomodado ao vê-la naquela situação?

Ele não sabia as respostas. Mas percebeu que ultimamente andava pensando em Luna bem mais do que o bom senso recomendava.


N/A: Olá meus queridos!!!

Eis o terceiro capítulo!

Imagine se Luna ia ficar remoendo por muito tempo...É claro que não!Aí está ela crescendo e amadurecendo-e perturbando o Malfoy,sem saber...

Será que o feitiço vai virar contra o feiticeiro? Ohooo!

Então...Acompanhem e vejam onde esse "jogo" vai dar!

Obrigada a Kimberly Evans Potter pela rewiew!Espero que goste do novo capítulo!

Ah!As músicas que aparecem neste capítulo são: Armadilha(Pitty) e O tempo não pára(Cazuza).

E então, como acham que a fic vai terminar? Aguardo comentários!!!

Beijos,e...REVIEWS!!

Padma