Notas da Autora – Minna-san! Ressurgindo das cinzas como uma Fênix, eu apareço aqui com a continuação dessa fic /o/.
Peço mil desculpas pela demora e não me briguem comigo! Foi culpa da minha revisora, a Madam Spooky, que já me disse que está andando com quatro seguranças para o caso de quererem tirar satisfação com ela XD.
Comentem a fic, por favor! Reviews sempre fazem os escritores se animarem para escrever e publicar continuação. Ah, os comentários do capítulo passado foram respondidos por e-mail e será assim daqui para frente, ok?
Até mais o/
Kisus,
Lis-sama
-
-
Ai suru ni Oboeatte
Aprendendo a Amar
By Palas Lis
-
Dai 3kai
Capítulo 3
-
O dia estava muitíssimo agradável. O céu estava azul sem nenhuma nuvem e o sol brilhava intensamente na manhã de Tóquio. Tudo estava calmo, na mais perfeita harmonia. A brisa soprava, os passarinhos cantavam, as borboletas voaram e Saori estava distraída varrendo o quintal da mansão da família Ogawara.
Ela levantou o rosto, olhando para o céu límpido e passou a costa da mão na testa, tirando a franja que caia em seus olhos e limpando o suor que se formou no local.
Tudo estava bem, até que ela viu um vulto passar correndo pelo jardim da mansão, próximo às flores. Saori olhou rápido para trás, procurando com os olhos o vulto e balançou a cabeça negativamente ao ver que não tinha ninguém, pensando estar ficando louca ou que poderia ter sido um fantasma.
Ela estremeceu com a segunda opção, e sentiu um calafrio percorrer a espinha. Fantasmas não era uma coisa que a agradava muito. Saori respirou fundo, voltando a varrer a área em torno da piscina. Passaram alguns segundo o vulto voltou a passar, dessa vez mais rápido e mais perto dela, deixando-a apavorada.
– Ai! – a jovem gemeu com medo do que poderia ser, apertando com força o cabo da vassoura e fechou os olhos, balançando a cabeça para os lados, várias vezes. Apertou com mais força a vassoura nas mãos e a chacoalhou para os lados, querendo acertar qualquer coisa que tentasse se aproximar dela. – Vai embora! Vai embora!
– AH!
Saori ao ouvir o grito próximo ao seu ouvido, gritou também e virou com força a vassoura, acertando na cabeça do vulto que gargalhava do susto que a jovem havia levado. O suporto fantasma levou a mão na testa, assustado ao sentir ser atingido na testa pela empregada da mansão e o local latejar com a vassourada que recebeu.
– Itai!
Ela ainda pulava e gritava, tacando sucessivas vezes a vassoura na pessoa que a tinha assustado, sem nem ao menos abrir os olhos. Estava com medo de ser um fantasma e não queria correr o risco de ver um tão de perto. Preferia se defender de olhos fechados. Sabia que estava acertando em alguma coisa, mas não queria saber o que era.
– Pára! – ele gritou, tomando a arma das mãos dela com força e levou de novo a mão na cabeça que latejava com as várias vassouradas que havia levado no local. – Você está ficando louca?
– Nani? – Saori abriu os olhos ao reconhecer a voz masculina e pôde ver Seiya esfregando a cabeça e jogando a vassoura no chão, parecendo muito irritado. – Ogawara-sama?
– Quem você pensou que fosse? – ele estreitou os olhos escuros, raivoso.
– Eu...
– O que você pensa que está fazendo para me bater com essa vassoura, sua louca? – ele perguntou, se aproximando dela, muito bravo com o galo que estava se formando em sua testa.
– Eu que deveria perguntar! – Saori falou, levando a mão na cintura e estreitando os olhos verdes em sinal de irritação. – O que você pensa que está fazendo me assustando desse jeito? Eu pensei que fosse um fantasma!
– Eu estava tentando assustá-la e fazê-la cair na piscina e... – ele gritou, mas parou, levando a mão na cabeça ao sentir o local doer. – Itai!
Saori ia abrir a boca para xingar e gritar para ele aprender a nunca mais tentar assustá-la daquela maneira, mas o viu gemer de novo e mordeu o lábio. Contraiu mais o rosto ao vê-lo murmurar xingamentos e esfregar a testa. Será que tinha o machucado de verdade? Isso não era bom... O que Seika ia dizer quando soubesse que ela acertou a cabeça de seu irmão mais novo com uma vassoura?
– Você está bem? – ele se aproximou, tentando ver como estava a testa dele.
– Por acaso eu pareço estar bem? – Seiya perguntou bravo, tirando a mão da testa e apontando para o calombo que começou a se formar. – Olha o que você fez na minha cabeça!
– Kami! – Saori arregalou os olhos ao ver a testa levemente saltada e numa tonalidade vermelha no lugar que foi atingido pela vassoura. – Vamos! Eu vou dar um jeito nisso!
– O quê? – ele piscou duas vezes ao ser segurado pelo braço e ser arrastado, literalmente, por Saori para a cozinha da mansão. – O que você está fazendo?
– Sumimasen, Ogawara-sama. – Saori pediu ao abrir a porta dos fundos da casa rapidamente e entrar na cozinha, forçando Seiya a sentar na cadeira, empurrando-o pelos ombros.
– Por quase me matar com uma vassoura? – Seiya perguntou, querendo se levantar, emburrado. – Ou por quase arrancar meu braço para me trazer aqui?
– Fica sentado aí, baka! – Saori falou empurrando Seiya novamente.
– E pare de me chamar de baka! – ele retrucou, virando os olhos.
– Além do mais, você que deveria me pedir desculpas. – Saori falou, virando-se e caminhando até a geladeira, tirando alguns cubos de gelo.
– Eu? – Seiya quase gritou, se levando de um pulo da cadeira.
– Claro! – ela afirmou, colocando os cubos de gelo em uma pequena vasilha e pegando um pano, andando depois até Seiya.
– Por que eu deveria me desculpar com você?
– Se você não quisesse fazer uma maldade comigo, isso não teria acontecido.
– Não seja estúpida! – Seiya falou, virando as costas para ela e fazendo menção de sair da cozinha. – Eu nunca peço desculpas a ninguém e você não será a primeira pessoa.
– Arrogante! – Saori quase latiu, o segurando pelo braço e o puxando com força de volta para a cadeira. – Deixe-me ver como está sua testa, baka!
– Eu não quero! – ele falou, tentando se levantar de novo.
– Fique quieto! – Saori reclamou, tentando olhar o machucado na cabeça dele, mas Seiya não ajudava muito se mexendo.
Ela perdendo a paciência, tacou a vasilha no local atingido pela vassoura, ouvindo-o gemer de dor e segurou para não rir dele. Apesar de estar preocupado com o que Seika ia fazer quando soubesse do incidente, era engraçado vê-lo com um galo na cabeça.
– Agora fique quieto!
– Você é louca! – Seiya resmungou, cruzando os braços frente ao peito e olhando para o lado. – Não sei porque Seika a contratou! Por mim você nem tinha vindo trabalhar aqui!
– Pois eu não dou a mínima para o que você quer ou deixa de querer. – Saori falou, dando de ombros, colocando o gelo no pano.
– É a segunda vez que você tenta me matar, garota!
– Não seja exagerado, Ogawara-sama – Saori riu. – Acha mesmo que fiz de propósito?
– Eu ainda estou com dor nas costas, sabia? – ele falou, apontando para as costas. – E agora eu vou ficar com um galo enorme na minha cabeça!
– Nossa! Era para eu ficar com pena? – Saori exclamou entediada, rodando os olhos, não ligando para o que ele falava. – Porque se essa foi sua intenção, terá que ser mais convincente, pois não estou com um pingo de dó.
– Agora eu nem vou poder ir para a empresa trabalhar. – Seiya lamentou.
– Oh! Então acho que você devia me agradecer por ter lhe feito esse favor – ela sorriu ironicamente. – Você não gosta mesmo de trabalhar.
– Calada, garota!
– Kido Saori.
– Como?
– Meu nome é Kido Saori e não garota. – Saori falou, calmamente, levantando o pano com o gelo e o aproximando na testa de Seiya.
– E quem disse que eu me importo? – ele respondeu, rudemente.
– Ora seu... – Saori rangeu os dentes, colocando com violência o gelo no ferimento do dono da casa.
– Itai! – ele gritou, empurrando a mão dela de sua testa e esfregando a mão no lugar. – Isso dói, sabia?
– E quem disse que eu me importo? – Saori disse no mesmo tom que ele, dando um sorriso ao vê-lo bufar de raiva. – Fique quietinho que vou colocar o gelo para diminuir o inchaço.
– Eu não quero que você cuide de mim! – ele quase gritou.
– E eu também não queria estar cuidando de você, mas por causa de sua imaturidade eu tive que parar meu serviço para ficar aqui.
– Eu não sou imaturo.
– Acho que vai ficar roxo – Saori ignorou o comentário do patrão e aproximou-se o rosto do dele. Piscou duas vezes ao encostar o nariz no de Seiya e se afastou rapidamente, corada.
– Primeiro você quase me mata e agora fica preocupada. – Seiya falou, afastando-se para Saori não colocar o gelo.
– Não estou preocupado com você, baka – Saori riu divertida, tendo a mão que segurava o gelo afastada mais uma vez da testa dele. – Só não quero ficar sem meu emprego.
– Pára com isso! – ele falou, e Saori bufou colocando o gelo no galo mesmo assim. Vendo que não tinha como fugir, Seiya deixou ela colocar o pano com gelo no seu machucado e fez uma careta ao sentir o lugar arder em contado com o cubo gelado. – Cuidado! Está doendo!
– É. – ela falou levantando o pano e olhando o lugar machucado, percebendo o estrago que tinha feito na cabeça de Seiya. A lateral da testa dele estava inchada com marcas vermelhas das pancadas que levou. – Vai ficar muito roxo.
Seiya apenas ficou de cara fechada, emburrado por seu plano ter dado errado. Droga! Estava sem sorte mesmo, era a segunda vez que se machucava por causa dela. E estava tudo tão bem planejado, ele tinha estudado o momento certo de aparecer olhando-a pela sacada de seu quarto.
Ele suspirou desanimado. Ia ser tão engraçado vê-la cair na piscina e, possivelmente, ela ficaria tão brava que iria embora e ele não teria mais que aturá-la. Se ela não tivesse dado chilique achando que fosse um fantasma...
– Fantasma? – ele pensou alto.
– Onde? – ela encolheu-se, sentindo novamente o corpo estremecer, olhando para os lados com medo de ter um fantasma na cozinha. – Onde?
– Você tem medo de fantasma? – ele arqueou uma sobrancelha, se segurando para não rir.
– Por acaso você está vendo um? – ela perguntou, encolhendo mais o corpo e se aproximando dele, temendo a resposta. – Está?
– Claro que não – ele fez um gesto com a mão, impaciente. Ele sorriu, vendo pelos olhos arregalados que ela olhava para os lados a resposta de sua pergunta. – Então você tem medo de fantasma.
– Não é medo... – ela falou, endireitando o corpo e fingindo que não tinha pavor de fantasma, continuando a segurar o gelo na testa de Seiya, numa postura indiferente.
– Não? – ele franziu a testa.
– Não... – ela respondeu, pegando outro cubo de gelo e colocando no pano, respondendo simplesmente: – É apenas um trauma de infância.
– Trauma de infância? – ele gargalhou com a descoberta. Quem, em sã consciência, teria medo de fantasmas? Isso era patético!
– Não ria! – ela falou, fechando o semblante. – Quando eu era criança eu vi um fantasma!
– Sim, na mesma época que você viu o Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa? – ele provocou com um sorriso. Ela só podia estar brincando com essa história. Fantasmas? Que piada! Todo mundo sabe que não existem.
– Baka! Eu não estou brincando! – ela protestou.
– Ou foi na época que você tinha seu amigo imaginário?
Saori preferiu ficar calada, apesar de resmungar algumas coisas inaudíveis. Ele já sabia demais do seu medo mórbido por espectros. E ninguém – exceto sua amiga Shunrey – sabia disso. Nem seu irmão mais velho ou seus pais. Baka! Era tudo culpa dele! Agora ele já sabia de sua fobia de fantasmas.
– Agora acho que já está melhor – Saori falou, pegando o pano e levando a vasilha para a pia. – Depois coloque mais gelo e...
Saori parou de falar e se virou, estreitando os olhos ao ver que ele já estava cruzando a porta da cozinha em direção ao hall de entrada da mansão. Ela retrucou xingamentos e voltou para o quintal para acabar de varrê-lo.
Seiya subiu para seu quarto com a mão no queixo, pensativo. "Ela tem medo de fantasmas...", sorriu perversamente, isso poderia ajudar a colocá-la para fora da casa e mais rápido do que ele pensava "Isso é bom... Muito bom...".
-o-o-o-o-o-o-
Minu acabou de arrumar a mesa para o jantar, sorrindo. Estava tudo pronto para os irmãos Ogawara. Caminhou até a cozinha para saber como estavam indo os preparativos da refeição e parou na porta, observando Shina cozinhar antes de entrar no cômodo. Olhou para as panelas para saber se faltava muito para a comida estar pronta e sorriu ao sentir o cheiro bom da refeição que estava sendo preparada. Shina era uma ótima cozinheira e fazia pratos maravilhosos.
– Logo vai estar pronto, Minu-chan. – Shina falou saindo de frente do fogão e sentando-se um pouco em uma das cadeiras para descansar.
– Você sabe me dizer onde a Saori está? – Minu perguntou, aproximando-se da mesa.
– Ela me disse que ia até o quarto arrumar as coisas dela – Shina respondeu. – Hoje ela já vai começar a dormir aqui.
– Vou ajudá-la enquanto o jantar não fica pronto. – Minu falou.
– Tudo bem, quando estiver pronto eu te chamo.
Minu sorriu e caminhou para o corredor do quarto de empregados. A jovem parou no lugar que estava ao ver Seiya no topo da escada que dava para o outro andar da mansão.
Ela arqueou a sobrancelha ao vê-lo descer a escada com um sorriso, segurando um livro nas mãos e um olhar muito travesso. Mas, desde quando o Seiya andava com livros? Desde quando ele gostava de ler? E desde quando gostava de livros?
Minu esfregou os olhos, certificando se não era uma miragem que estava vendo.
– Você está bem, Ogawara-sama? – Minu perguntou, olhando para o livro que estava com ele, assim que ele acabou de descer as escadas.
– Ótimo – ele sorriu e fez uma careta ao sentir o incômodo em sua testa. – Tirando esse galo roxo na minha cabeça.
– Demo... Você está lendo?
– Estou – ele confirmou, percebendo o rosto surpreso dela. – Por quê? Algum problema com isso?
– Iie, Ogawara-sama – ele balançou a cabeça para os lados, surpresa. – É que eu nunca o vi lendo.
– Pois tudo na vida tem uma primeira vez. – ele falou.
– E que livro é esse? – Minu perguntou curiosa, tentando ler o título do livro. O grosso livro que estava com ele devia ser muito interessante para ter despertar o desejo de leitura no patrão.
– É um livro muito interessante sobre fantasma e similares – ele deu um amplo sorriso. Havia passado a tarde toda da biblioteca da mansão pesquisando sobre esse tema para depois assustar a nova empregada. E ele nunca havia pensado que aquela biblioteca que Seika criou pudesse ser tão útil e divertida. Afinal, ele nunca sequer entrou lá.
– Você acredita em fantasmas, Ogawara-sama? – ela perguntou, franzindo a testa.
– Não seja imbecil, Minu – ele falou, asperamente. – Claro que eu não acredito.
– Então por que o livro?
– Isso não te interessa – ele falou, rudemente. – Vá arrumar alguma coisa útil para fazer e me deixe em paz.
Seiya deu as costas para Minu e caminhou para a biblioteca, querendo terminar sua pesquisa e poder ir jantar. Toda aquela leitura estava deixando-o com muita fome.
Minu apenas suspirou, totalmente surpresa. Quando ela imaginaria ver Seiya com um livro? Certamente nunca!
Ela continuou seu caminho, ignorando o modo indelicado que Seiya a tratou. Havia se acostumado com essa maneira dele. E também já conhecia o gênio do patrão e não discutia com ele, assim como todos os outros empregados da casa. Ela deu uma risada. Somente a Saori mesmo para discutir com ele. Talvez porque só ela era esperta e tinha sempre uma boa resposta para dar. Talvez porque seu gênio era igual ao de Seiya.
Minu parou frente ao quarto que agora seria de Saori e bateu na porta, esperando para ser atendida pela outra empregada da mansão.
– Pode entrar – Saori respondeu de dentro do dormitório. – Está aberta.
– Eu vim te ajudar a arrumar suas coisas, Saori-chan – Minu falou ao entrar no quarto, vendo Saori sentada na cama dobrando algumas roupas que trouxe de sua casa para passar a semana na mansão Ogawara.
– Arigatou, Minu-chan – Saori sorriu. – Eu estou precisando mesmo de ajuda, logo será o jantar e eu nem terminei isso.
– Você sabe me dizer o que deu no Seiya hoje? – Minu perguntou, sentando-se frente a Saori e dobrando algumas peças de roupa.
– Por quê? – ela perguntou, sem tirar os olhos do que fazia.
– Ele estava com um livro.
– E?
– Eu nunca o vi lendo! – Minu falou e Saori olhou para ela, pensativa.
– Será que eu bati muito forte com a vassoura na cabeça dele? – Saori perguntou-se, levando o dedo ao queixo.
– Não sei, Saori-chan, mas tem algo de errado – Minu falou. – Ele estava lendo um livro sobre fantasmas.
– Fantasmas? – Saori franziu o rosto, arrepiando-se. Como temia aquela palavra. Disfarçou o incomodo que sentia para Minu não perceber.
– Hai – Minu concordou. – Ogawara-sama parecia muito animado com a leitura.
Saori ficou calada. Não foi uma boa idéia ter contado – ainda que involuntariamente – seu medo de fantasmas para Seiya. E se ele estivesse aprontando alguma coisa para assustá-la? Ela encolheu-se pensando dessa possibilidade. Não queria que ele ficasse fazendo piadas a esse respeito, muito menos que tentasse assustá-la.
– Saori? – Minu chamou, vendo o rosto dela contraído. – Você está bem?
– Hai – ela sorriu, dobrando a última peça de roupa e a levando para o guarda-roupa. – Estou ótima.
– Você ainda não me contou porque bateu no Seiya. – Minu falou, levando outra roupa para Saori guardar.
– Ele me assustou e eu acertei, sem querer, a vassoura na cabeça dele – Saori falou, fechando a porta do armário, ocultando que o susto foi porque pensou que fosse um fantasma. Já bastava Seiya saber de seu medo, não precisava que mais ninguém soubesse.
– Acho que ele ficou bravo porque a Seika-sama a contratou – Minu falou, vendo ela dar de ombros, sem se importa. – Depois que você derrubou água no quarto e ele caiu, Ogawara-sama não a quer mais na mansão.
– Eu não me importo com ele – Saori respondeu. – Vou apenas fazer meu trabalho e esquecer que existe um Seiya nessa casa.
Minu riu de Saori, gostava desse jeito descontraído dela. As duas seguiram para a cozinha para arrumar as coisas do jantar dos irmãos Ogawara, já que novamente Seika jantaria com o irmão. Elas entraram na cozinha e viram Shina acabar de preparar a comida.
– Eu já ia chamá-la – Shina falou, tirando as tampas das panelas. – O jantar está pronto.
– Arigatou, Shina-chan – Saori sorriu, caminhando até o armário e pegando uma vasilha, aproximando-se do fogão em seguida, colocando a refeição no vasilhame.
– Shina-chan, nem te conto, menina – Minu falou, olhando para a cozinheira com um sorriso de 'tenho fofoca quentinha para te contar'.
– O quê? – Shina perguntou ao reconhecer o sorriso de Minu, curiosa para saber a nova fofoca. – Conta, Minu-chan!
– Eu vi o Seiya lendo. – ela falou.
– Sério? – Shina falou, boquiaberta. – O que deu nele?
– Não sei – ela falou. – Estava lendo um livro sobre fantasmas e parece que passou a tarde toda na biblioteca.
Saori sentiu um calafrio passar por suas costas com o comentário de Minu e apressou o passo para poder ir logo à sala de jantar, não querendo ter detalhes dessa fofoca.
Deixando as duas para trás, ela andou até a sala de jantar, levando a vasilha de refeição com ela. Assim que cruzou a porta viu Seiya sentado em um dos muitos lugares da mesa grande e Seika sentada no topo, esperando para o jantar ser servido.
Quando ele viu a empregada passar pela porta e aproximar-se da mesa, virou-se para a irmã mais velha com um sorriso.
– Seika, olha que livro legal que eu peguei na biblioteca. – ele falou, pegando o grosso livro que estava ao lado de seu prato na mesa e mostrou a Seika.
– Livro? – ela falou, surpresa, pegando o livro dele. – Você está se sentindo bem?
– Nunca estive melhor – ele riu, olhando Saori de esgoela. – Depois que comecei a ler esse livro sobre assombrações, descobri coisas muito interessantes...
Saori o viu sorrir perversamente e lançar um olhar provocativo para ela. Realmente, foi uma péssima idéia deixá-lo descobrir sua fobia. Ela começou a colocar a comida para os donos da mansão Ogawara, tremendo ao ver a foto de um vulto na capa do livro. Ai, ai, ai! Como era feio!
– É? – Seika perguntou, estranhando a atitude do irmão, folheando algumas páginas do livro, fazendo Saori arregalar os olhos ao ver mais fotos de supostos fantasmas.
– É.
– Fico muito contente que esteja lendo, ototo-kun – Seika falou, entregando o livro a ele, notando algo de diferente do irmão caçula. – O que foi isso?
– O quê? – ele perguntou, vendo-a apontar para um calombo roxo na cabeça dele. – Acertaram-me com uma vassoura.
– Nani? – Seika exclamou preocupada, olhando mais de perto o machucado do irmão. – Quem fez isso com você, Seiya?
– Foi uma psicopata... – Seiya falou, lançando um olhar de soslaio para Saori, fazendo cara de lástima para Seika. – Que tentou me matar pela segunda vez.
– Eu não... – Saori tentou se defender.
– Mas não fique preocupada, Seika – Seiya falou, fantasmagoricamente. – Ainda vai ter troco.
A jovem doméstica o ouviu falar e ficou assustada. Ele não parecia estar brincando. Estava decidido a expulsá-la da mansão de qualquer jeito. Ambos trocaram olhares.
Saori permaneceu com os olhos verdes encarando os olhos escuros do Seiya, num misto de raiva e medo, mas não permitiu que ele visse esses sentimentos em seus olhos.
Virando as costas para ele, ela seguiu para a cozinha, tentando ignorar sua imaginação fértil que dizia que ele estava aprontando coisas ruins, muito ruins...
-
-
