Pela primeira vez, eu acordei mais cedo do que ela. Não passava das sete e meia, estava relativamente claro lá fora, mas a minha cortinha deixava o quarto em meia-luz. Vocês podem me chamar de qualquer coisa, mas sim, eu fiquei olhando ela dormir. Não tive coragem de acordar ela, ela parecia tão em paz que eu tive dó de acordar ela. Mas no fim ela acordou uns poucos minutos depois.

- Bom dia. Dormiu bem?

- Dormi, sim. - Respondi - E você?

- Também. - Ela enterrou a cara debaixo do cobertor - Não quero levantar, mas eu preciso.

- Eu não estou fome, se é esse o motivo.

Ela se calou e olhou para mim.

- Não importa qual desculpa eu invente, você não vai me deixar ir, certo?

- Ahhan. - concordei. - Não sei se vou poder fazer isso de novo, um dia.

Ela apenas escondeu o rosto. Toquei num assunto delicado, de novo.

Pode me chamar de inconveniente. Eu deixo.

De qualquer maneira, as oito ela levantou e meio que me senti obrigado a levantar. Dessa vez, pedi para ela se trocar que do café eu cuidava.

- Bem, preciso te agradecer de algum jeito por ficar comigo todos esses dias, não? - eu sorri.

- Tem certeza? Nada de tosse? Nada de nada?

- Nada de nada. - confirmei enquanto virava os ovos.

- Vou virar enfermeira, depois dessa. - ela sorria - Vai que eu dou sorte e cuido de alguns pacientes fofinhos?

Acabei quebrando os hashis, de ciúmes. Ela ouviu.

- Aconteceu algo com os hashis? - ela tentava espiar.

- Eu os quebrei. - falei, sério.

- Quer que eu cozinhe?

- Não, não precisa... - falei em um tom estranho.

- Yuu, fala logo o que aconteceu. Você não quebra hashi assim, tão fácil.

Desliguei o fogo e coloquei os ovos em um prato.

- E você espera que eu responda o quê? - eu acabei dizendo, cético.

- A verdade. - ela devolveu no mesmo tom.

Suspirei.

- Só fiquei com ciúmes. Feliz? - e balancei a espátula.

Ela começou a rir. E bem alto.

- Essa foi boa. - ela tentava se controlar, sem sucesso.

- Isso, vai zoando minha cara, mesmo.

- Eu não tinha ideia que você era ciumento! Que coisa mais fofa! - ela dava altas risadas. Mas depois de uns minutos, conseguiu se controlar. - Mas, não precisa ter ciúmes, Yuu.

- Não, é?

- Claro que não! Acha mesmo que eu faria tudo isso por outro cara?

No fundo eu sabia que não, mas...

- Acho, sim.

- Tá insinuando que eu sou o quê, hein? - ela respondeu ácida.

- Nada, ué. - tentei mudar de assunto - O café está servido.

Me arrependi de ter respondido aquilo: ela sentou-se a mesa e ficou me encarando como se fosse um pit-bull. E não tocou na comida.

- Airu-san, você não vai comer?

- Não.

- Por que?

- Estou pensando em uma maneira de fazer você sofrer arduamente.

- Mas o que foi que eu fi- Ah esquece.

Tentei comer, mas com ela me encarando não dá.

- Airu-san, você está me assustando.

- Mas isso é para assustar, mesmo. - Ela disse, com um tom mais assustador que o Tagiru respondendo questão de química - Aguarde, levarei seu sono comigo.

- Eu nem quero saber como. - disse, desanimado.

No fim ela cedeu à fome e comeu, devagar.

- Você me magoou com aquilo, ok?

- Não foi minha intenção. Me desculpe.

Ela não respondeu, e não terminou de comer. Juntou toda a louça e colocou na máquina e se sentou no sofá, sem dizer uma única palavra.

Ela não me perdoou. E ela vai ficar emburrada assim até que eu faça algo.

- Airu-san, você não me perdoou, né? - eu disse da mesa.

Não recebi resposta. Ela apenas se encolheu e colocou as pernas dentro do blusão que eu emprestei para ela.

É, vou precisar agir.

- Airu-san?

- hm?

- Me perdoa?

- ... - Isso foi um não.

- Airu-san.

- Hm.

- Me desculpa, viu? - Me sentei no sofá.

Eu fiz isso uma única vez. Ela me odiou por alguns minutos, mas depois me perdoou.

Arregacei as mangas e comecei a fazer cócegas nela. No começo ela tentou resistir, mas no fim se rendeu.

- Tá bom, tá bom, eu te perdôo! - ela tentou respirar - Isso é covardia, viu?

- Bem, não vou deixar que você saia daqui com raiva de mim.

Ela ficou mais calma e sorriu.

- Bom, vou arrumar minha bolsa. Daqui a pouco Nene-sama vai chegar. - e se levantou.

- Ué, e qual o problema de ela chegar e você ainda estiver aqui?

- Os comentários dela. Você sabe os tipos de comentários que ela vai tecer.

Eu tinha esquecido de como minha irmã sabe ser ácida e tecer belíssimas alfinetadas quando ela quer. E dessa vez ela vai falar e muito, mesmo ela não sabendo de nada do que houve aqui.

- É, você tem razão. Então vou fazer o Rattatouille de sua mãe.

- Obrigada. - E sumiu para um dos quartos.

...

Tinha acabado de dar meio-dia quando o prato e a bolsa dela estavam arrumados. Ainda deu tempo de conversarmos mais um pouco.

- Bem, hora de ir. - Ela se levantou da mesa - Muito obrigada, Yuu, pelo Rattatouille.

- Eu que preciso te agradecer por ter cuidado de mim durante esses dias. Foi divertido.

Caímos em silêncio. Eu sabia que eu estava esquecendo de alguma coisa.

- Bom, é isso. - ela pegou a bolsa e a marmita. - Até-

- Airu-san, espere um pouco.

Lembrei o que era. Era algo que já havia um tempo que vinha assombrando a minha mente, mas que eu recusava insistentemente. Porque eu sabia que isso levaria muitas noites e lágrimas de nós dois.

- O que foi? Esqueceu de algo? - ela me olhou.

- Esqueci, sim.

- E o que é?

Peguei a marmita das mãos dela e coloquei na bancada. Fechei a porta e numa pequena oração na minha mente desejei que Deus me perdoasse pelo que estaria fazendo agora.

A beijei.

Quando eu me afastei, senti que eu começaria a chorar, e ela faria o mesmo. Numa tentativa de deixar aquele momento um pouco mais animado, disse para ela:

- Eu não iria deixar que você roubasse meu sono tão fácil.

A abracei. Depois de uns minutos, a deixei que ela fosse embora. Ela não estava chorando, e me prometeu que não choraria por isso.

...

Na segunda-feira, como eu já imaginava, eu tive de prestar muitas explicações.

- Yuu-kyun, você passou o final de semana in-tei-ri-nho com a Trap Master e as meninas ainda foram expulsas por ela, como você se defende disso? - ironizou Tagiru.

Deus, por favor, perdoa também esse soco que eu dei nele.

- Ai ai, cara... Era zoeira...

- Eu não vou deixar que você fique zoando a minha namorada, fui claro?

- Você disse o quê, Yuu-sama? - Mami perguntou. - Ela é... O quê sua?

Enchi o peito e fiz ressoar minha voz.

- Airu Suzaki, estudante do Colégio Matsuyama, dezessete anos, e é minha namorada. Lamento meninas, não sou mais solteiro.

Houve um silêncio mortal que foi cortado pelo sinal que indicava que era hora de ir embora. Tomei o caminho contrário ao da minha casa e fui até a casa dela. Afinal, eu precisava oficializar.

Naquela tarde, dei sorte que toda a família Suzaki estava em casa. Sem que ela mesma soubesse da minha vinda, conversei com o pai dela e, diferente do que eu esperava, ele aceitou sem muitos problemas. Tudo o que ele pediu foi para que eu cuidasse bem dela.

- Yuu-nii, se você fizer minha irmã chorar, tenha em mente que vou atrás de você nem que eu precise ir até o inferno, certo? - O irmão de onze anos dela, Akira, disse baixinho para mim.

- Não vou fazer ela chorar. Prometo.

Quando ela soube do pedido, ela começou a chorar, mas logo limpou as lágrimas.

- Então, eu estou sob seus cuidados, Amano Yuu.

T-H-E E-N-D~

Freetalking: EU TERMINEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEI! ;W; estou feliz comigo mesma, pela primeira vez um YuuIru com final feliz! Olha mãe! Eu mereço um nobel de Fangirl do século! Ok, agora eu parei. Espero que você tenha gostado desta fanfic, peço desculpa por qualquer coisa e... É só.

Estou no aguardo do que vai dar nisto no RP. Eu me baseei lá, e é lá que vai dar as tretas.

Mais uma coisa: Esse nome da escola eu só joguei no Google e foi a primeira que apareceu. Se ela é ou não em Shinonome, nunca vou saber.