Capitulo 3 – Mudança de Planos.
Dor.
Eu sentia meu corpo inteiro doer. Todos os fios de cabelo em minha cabeça doíam.
Tentei abrir meus olhos, porem não obtive sucesso. O ponto latejante no meio da minha testa obrigava-os a permanecerem fechados. Respirei fundo, investindo em outra parte do meu corpo.
Tamborilei meus dedos apertados no braço da poltrona, sentindo o formigamento de meu braço se aliviar. Sorri internamente, vitoriosa.
Minha respiração já estava regularizada enquanto novamente tentei abrir meus olhos. Primeiro um, depois o outro. [i]Lentamente[/i]. A luz branca queimou minha pupila, fazendo com que meus olhos se cerrassem. Levei minha mão até o ponto pulsante em minha testa e meus dedos tocaram o ponto elevado na superfície de minha pele.
Minha garganta soltou um muxoxo enquanto as lembranças das últimas horas invadiram meu cérebro como um trovão.
Jasper. Avião. Medo. Jasper. Carlisle. Jasper. Breu.
Arregalei meus olhos e virei minha cabeça em um movimento brusco para o assento ao meu lado.
Respirei aliviada quando vi que ele não estava ali. Pisquei algumas vezes, tentando focar minha vista que ainda sofria com as horas de sono forçadas. Suspirei pesado. O que eu faria agora?
Na minha frente, a bandeja que vinha do encosto da cadeira da frente continha a garrafa de água com um ultimo gole e um comprimido. Sem pensar duas vezes, coloquei a pequena pastilha em minha língua e engoli com o pouco de água que restava. O pouco do liquido frio que escorreu por minha garganta me acalmou, permitindo que minhas cordas vocais fossem eficientes em caso de necessidade.
Ergui meu corpo, olhando atentamente para trás e para frente pelas fileiras da cabine do avião em busca de seu corpo alto.
Nada.
Esgueirei-me entre seu assento e quando finalmente me vi no corredor, meus pés me impulsionaram rumo à sala das aeromoças.
Aquela menina não poderia estar envolvida com aquela operação, ou qualquer outra coisa que poderia ser denominada esse absurdo em que eu estava metida. E ela tinha que me ajudar.
Minhas mãos tremiam enquanto sentia meu estomago se embrulhar de desespero.
Por sorte a vi após alguns passos. Ela estava entregando uma garrafa de água parecida com a que eu tomei poucos segundos atrás a uma senhora de cabelos brancos com um sorriso simpático.
"Ainda bem que eu te encontrei." – falei apoiando minha mão em seu ombro.
Ela deu um pulo assustada e me olhou com os olhos arregalados.
"Ângela?" – perguntei, olhando o broxe com seu nome. "Por favor..." – minha voz se perdeu ao ver a ruiva alta perfurar minha alma com seus olhos. "Me ajude." - senti que as palavras apenas balançaram meus lábios.
"Pode deixar, Ângela." – sua voz soou atrás da moça pequena. "Eu cuido dela."
Ops.
"Acho que não será necessário, Victoria." – Ângela protestou. "O que você precisa, querida?" – ela dirigiu-se pra mim.
O olhar de Victoria era firme em mim enquanto eu tentava bolar um plano rápido para que Ângela me ajudasse. Olhei para meu relógio, e ainda faltavam 4 horas de vôo.
Sair dali estava fora de cogitação.
Respirei fundo, olhando para trás sobre meu ombro e voltando o olhar para as duas aeromoças e a senhora que me olhava curiosa.
"Eu preciso..."
"O que esta fazendo aqui, piccola?" – sua voz grave soou em minha nuca, interrompendo meus pensamentos .
Meus pelos se eriçaram enquanto seu hálito quente tocava meu pescoço. Meus olhos rolaram para trás quando sua mão grande puxou meu corpo para seu peito por meu ventre.
"Eu - - er..."
"Você não deveria ter saído do seu lugar." - ele falou firme atrás de mim, apertando minha barriga levemente contra seu corpo. "Obrigado meninas." – ele disse, virando nossos corpos e piscando para as duas.
"Como esta sua cabeça?" – ele perguntou indiferente.
"Dolorida." – respondi apenas, me livrando de seu abraço e acelerando meu passo pelo corredor.
Voltei em meu assento, respirando fundo e esperando que ele ocupasse seu lugar ao meu lado.
"Certo." – ele se jogou na poltrona, colocando seu cinto. " Já que eu não posso te deixar sozinha nem um segundo, vamos logo ao ponto que me interessa." – ele disse esfregando as mãos. "Pela ultima vez, ligue e avise quem quer que seja naquele hotel que você teve um imprevisto e precisa que mude a reserva de seu patrão."
"Jasper." – coloquei firmeza em minha voz. "Eu não posso fazer isso."
Ele cerrou os olhos em minha direção, travando seu maxilar e respirando profundamente.
"Eu estou tentando." – ele resmungou. "Eu juro que estou, Alice." – admitiu. "Agora se você não acredita que tem alguém esperando uma ordem minha na porta da casa de seu pai para que ele não seja silenciosamente assassinado, você continue a me testar criança."
Eu maneei minha cabeça. Eu estava fodida.
"Eu não vou pedir de novo." – bufou. "Isso já esta me deixando entediado." – sua voz era fria e pausada. "Aqui esta o telefone, e aqui o numero do quarto que você tem que ligar."
Peguei novamente o fone em minha mão e disquei o numero do hotel. Meus olhos circulavam entre as poltronas enquanto eu ouvia a linha chamar.
"Hotel Ibis, Rosalie Lilian..." – a voz melodiosa
"Rosalie, aqui é Alice Brandon. " – me apresentei tentando manter minha voz estável, porem não consegui controlar as lagrimas.
"Esta tudo bem, Alice?" – ela perguntou desconfiada.
"Sim, Rosalie. Eu estou voando para Roma nesse exato momento e eu estou um pouco nervosa." – menti.
Jasper assentiu com a cabeça. Um sorriso orgulhoso dançando em seus lábios.
"Entendo. Eu estava esperando seu telefonema mesmo para confirmar a reserva do Senhor Cullen."
"Era exatamente isso que eu precisava falar com você." – senti meu coração acelerando. "Houve alguns imprevistos, e eu gostaria que você..." – o avião sacudiu, fazendo com que a ligação chiasse.
"Alice?" – ouvi a voz de Rosálie falhar do outro lado da linha. "Alice?"
Jasper me olhou com a sobrancelha apertada, mordendo o lábio inferior levemente.
"Alice, não estou te escutando." – e a linha caiu.
"Eu gostaria que você mudasse a reserva, Rosalie." – continuei.
A face de Jasper se suavizou e ele colocou sua mão sobre a minha que apertava forte o encosto de braço. Seu polegar fazia movimentos circulares em minha pele enquanto ele continuava a me olhar fixamente.
"Isso mesmo." – falava enquanto o avião balançava novamente. "Aquele quarto que ele ficou da outra vez, o de numero 1576, esta disponível?" – mordi meu lábio, olhando para Jasper.
Ele cerrou os olhos, olhando para minha boca e depois para meus olhos. Ergueu uma sobrancelha e antes de cortar nosso contato visual, virou seu queixo para o outro lado, olhando para a fileira de passageiros ao nosso lado.
Prendi minha respiração, afastando o telefone de meu ouvido quando vi seu pulso se fechar em punho. As veias de seu pescoço saltaram e seus músculos todos ficaram tensos. Um rosnado saiu de sua garganta enquanto ele voltava a me encarar com seus olhos completamente em chamas.
Ele retirou o aparelho de minha mão, levando ao seu próprio ouvido.
"Alo?" – sua voz era grave e completamente perigosa. "Alo?" – perguntou novamente. "Porra Alice!!!" – ele falou alguns tons mais altos, colocando o telefone no gancho. "Que merda de brincadeira essa?"
Eu congelei.
Seus punhos tremiam enquanto eu ouvia meu coração bater alto em meus ouvidos. Sua respiração era rápida e completamente ofegante.
"Você.Realmente.Nã..!" - ele falou entre os dentes. Seus olhos fechados.
A ruiva apareceu no lado dele, segurando seu ombro e cochichando algo em seu ouvido.
"Victoria, me traga um whisky." - ele disse calmamente. "Por favor!"
A mulher assentiu, deixando um Jasper completamente aborrecido e eu, totalmente paralisada.
Um minuto longo e silencioso se passou quando ele levou a mão até os cachos dourados e se virou para a minha direção.
Eu continuava olhando-o desde que ele tirou o aparelho de minha mão, sem sequer respirar normalmente. Eu sentia meu coração pulsar alto no meu peito enquanto ele tentava acalmar a sua respiração.
"Alice." – sua voz já controlada soou baixa, empurrando seu hálito fresco em meu rosto. "Eu gostaria realmente de entender o que te levou a fazer essa merda."
Eu abri minha boca, puxando o ar para poder responder.
"Mas se eu ouvir uma palavra vinda de você..." – ele fechou os olhos, maneando a cabeça. "Eu não sei como posso reagir. " – suas mãos em punhos apoiadas no descanso de braço. "Então, já que você não colaborou como eu pedi, fique em silencio."
Assenti sentindo minha garganta seca. Em que merda eu tinha me metido?
Olhei para o relógio em meu pulso, vendo que ainda tínhamos algumas boas horas de viagem. Não tínhamos completado nem 3 horas dentro daquele avião, e eu já tinha feito ele me mandar calar a boca da pior maneira possível.
Acomodei-me no assento, encostando minha cabeça na poltrona e olhando pela janela. Já que eu não podia falar, e pelo visto ele também não o faria, deixei minha mente se libertar.
A primeira imagem que se projetou para frente de minhas pálpebras assim que deixei meus olhos se fecharem, foi meu pai andando de um lado para o outro dentro da sua sala de TV esperando o telefone tocar novamente. Também visualizei o carro que estaria estacionado em sua porta, esperando o comando firme de Jasper para agir. Depois, pude ver Bella e Edward se conhecendo anos atrás. Os olhares completamente presos enquanto a música alta tocava na sala de minha casa.
Em seguida, o nascimento de Nessie, depois de poucos meses de casamento dos dois. O cabelo cor de fogo iguais ao de Edward, e os olhos chocolates de Bella. Um pequeno sorriso cortou meus lábios enquanto envolvi meu corpo com meus próprios braços, temendo como tudo isso terminaria. Como se alguém mudasse os slides refletidos em minha mente, a figura de meu corpo prensado contra ele e a pia daquela cabine clareou minha mente. Sua ereção pulsando em minha bunda enquanto seus lábios faziam meu corpo arrepiar.
Eu não podia entender exatamente o poder que ele conseguiu exercer sobre mim com apenas uma passada de língua em meu lóbulo. Ou como o calor que suas mãos geladas conseguiam produzir em meu corpo.
E antes que eu pudesse controlar, ou apenas abrir os olhos, a sensação de meus músculos se enrijecendo com seu toque em minha cicatriz atravessaram minha pele. Os flashes da festa de boas vindas aos calouros de relações internacionais daquele ano, realizada por uma irmandade qualquer dominaram meu consciente, fazendo meus dedos apertarem a pele de meus braços, em pânico.
Eu não consegui evitar as imagens de Jacob me acompanhando pelo estacionamento após a festa. Muito menos quando eu podia sentir sua respiração embriagada no meu pescoço nesse exato momento.
Suas mãos grandes e grossas subindo por meus braços enquanto minha visão embaçada por conta do álcool não conseguia dar um relatório lúcido a minha mente era desesperador.
"Alice" – sua voz gutural soou em meus ouvidos embriagada.
"Jacob" – respondi da mesma forma enquanto sentia suas mãos envolverem meus seios.
Seus lábios desceram por meu pescoço, rumo ao meu colo exposto por um decote enquanto me encostava na lateral de seu carro. Senti sua ereção pulsar em minha barriga enquanto suas mãos agora puxavam minhas coxas para sua cintura.
Seus dedos subiam por minha perna exposta pela barra do short curto. Sem que eu pudesse me dar conta, a ponta de seus dedos tocavam minha calcinha, fazendo com que meu ventre se contraísse.
"Não, Jacob." – disse empurrando seu ombro numa tentativa de afastá-lo.
"Alice, não seja assim, gatinha." – ele rosnou enquanto forçava sua ereção contra minha intimidade, como se ele pudesse romper nossas roupas. "Você esta tão afim quanto eu."
"Estamos bêbados, Jacob." – lembrei enquanto tentava afastar sua cabeça de meu pescoço.
"Melhor ainda! Você não se lembrará de nada amanhã"
Meu corpo começou a tremer enquanto eu podia sentir os lábios carnudos de Jacob na pele de meu seio, mordiscando meu mamilo enquanto eu tentava afastá-lo pelos cabelos compridos.
Seus dedos agora ultrapassaram minha calcinha, chegando a minha intimidade enquanto ele ronronava contra minha pele.
Apoiei-me em seus ombros largos, sustentando meu peso na perna que estava firme no chão enquanto seus dedos adentravam o short por baixo de minha coxa erguida.
Senti sua outra mão ir no fecho de minha roupa, e antes que eu pudesse realmente reagir, ele já o tinha tirado-o de meu quadril, deixando-me apenas de calcinha.
O álcool deixava todos os meus pensamentos entorpecidos enquanto ele desafivelava o cinto de sua calça sem liberar minha perna de seu aperto.
Antes de revelar seu membro de dentro das boxers, estourou a lateral de minha calcinha, deixando-me completamente nua. Sem deixar que eu notasse, retirou um punhal de seu bolso traseiro e o colocara contra a pele de meu quadril, endurecendo todo meu corpo.
"É bom você ficar bem quietinha, Alice." – ele avisou enquanto masturbava seu membro já exposto. "Ou então, você sairá marcada como gado desse estacionamento."
Meu corpo sacudia fortemente na poltrona enquanto a lembrança me envolvera por completo. Podia ouvir os soluços que balançavam meu corpo enquanto ele tocava minha intimidade com a extremidade de sua ereção.
Tentei me debater contra seus braços, mas a ponta do punhal espetou minha pele enquanto ele rosnava em advertência.
Ele agora tocava a parte inferior de meus seios com a lamina gelada. Seu sorriso era extremamente branco e brilhava com a pouca luz da noite. Deslizou-se para dentro de meu corpo, urrando enquanto eu tentava me livrar de seu toque.
Ele se movimentava rápido enquanto eu sentia as lagrimas quentes escorrerem por minhas bochechas. Minhas mãos continuavam apoiadas em seu ombro, e por pura defesa enterrei meu rosto em seu pescoço, cravando meus dentes em sua pele morena.
Jacob gritou, puxando meu cabelo e afastando meu rosto de seu pescoço enquanto puxava o punhal, fazendo que um o sangue logo brotasse do traço feito em meu seio.
Ele estocou mais duas vezes antes de se liberar dentro de meu corpo e me soltar no chão.
Ele cambaleou para longe enquanto eu sentia o liquido morno cobrir minha pele. Aos poucos, o cheiro forte de sangue fez minha cabeça rodar, enquanto as lagrimas e a ardência de minha pele me levavam para a inconsciência junto com o porre que eu tinha tomado.
Depois de algum tempo, adormeci, para acordar com Seth e Edward agachados em minha frente, temerosos em me tocar.
Tentei reprimir o soluço alto que me engasgava por conta da memória tão real, porem não consegui, lembrando de como eu chorei naquela noite.
"Alice?" – uma voz grave soou próxima de meu rosto, fazendo com que eu me encolhesse mais ainda. "O que esta acontecendo?" – a indiferença estava presente em seu tom, então não me preocupei em responder.
Eu agora tentava acalmar minha respiração, já que as lembranças já tinham cessado. A cicatriz em meu seio agora ardia, como no momento em que a lamina me cortou.
Estava marcada. E eu nunca tinha esquecido aquela noite como Jacob disse.
"O que você esta sonhando, Alice?" – Jasper perguntou novamente, bravo.
Eu sentia o nó em minha garganta se aumentar ao perceber que ele envolvera meu braço com sua mão. Meu corpo tremia enquanto ele chacoalhava meu corpo.
"Me diz o que foi, Alice. Porra!" – ele falou em meu ouvido.
Eu sentia que eu estava à beira de um ataque de pânico. Como todos aqueles que eu tive durante um ano inteiro após aquela maldita festa.
"Abra os olhos, piccola!" – ele pediu baixinho, afrouxando seus dedos em meu braço. "Por favor, abra os olhos!" – sua voz derretendo o gelo que ele tinha anteriormente. "Merda" – pude ouvi-lo sussurrar.
Maneei minha cabeça, tentando respirar fundo enquanto o ar saia tremido de meu corpo.
"O que esta acontecendo?" – ouvi a voz de Victoria misturar com meus suspiros descontrolados. "O que você fez a ela, Jasper?"
"Não se meta nisso, Victoria." – sua voz dura novamente. "Deixe que eu resolvo isso."
"Não era para machucá-la!" – ela rosnou. "O que você vai fazer agora?"
"Me de meu whisky e suma daqui, antes que eu desconte em você a raiva que estou sentindo por ela!" – ele ameaçou, fazendo meu corpo tremer novamente e novas lagrimas brotarem de meus olhos.
Encolhi meu corpo, colocando minhas pernas no banco e abraçando meus joelhos. Eu estava me sentindo novamente estilhaçada. E eu não conseguia mais me unir novamente.
"Droga! Não se abrace desse jeito, Alice!" – ele implorou do meu lado, segurando meu queixo. "Agora olhe para mim e diga o que esta acontecendo!"
Respirei fundo. A instabilidade do humor dele estava me irritando.
Abri minhas pálpebras lentamente, ainda com a vista embaçada.
Pude ver o contorto de seu rosto, e a intensidade de seus olhos azuis me hipnotizando.
"Finalmente você acordou." – ele murmurou. "Foi só um sonho."
Maneei minha cabeça. Ele não sabia o que estava falando.
"Não foi?" – perguntou receoso.
"N- não." – gaguejei, fechando novamente meus olhos e abraçando meu corpo.
"Me diga o que aconteceu, então." – ele pediu novamente. "Antes que eu faça alguma besteira."
Dei de ombros. Eu não consiga pronunciar nada.
"Ok!" – ele bufou, se jogando na poltrona e levando o copo de whisky até os lábios cheios.
Deitei minha cabeça em meu joelho, esperando apenas sua nova decisão e sua ordem.
Eu não o aborreceria novamente.
Eu só queria que aquilo tudo acabasse. Logo.
Pude ouvir depois de alguns minutos, Victoria se aproximar em cima de seu salto alto.
"Como ela esta?" – ela perguntou mal humorada.
"Não sei." – Jasper respondeu do mesmo jeito.
Virei minha cabeça para o lado da janela, fazendo que algumas lágrimas rolassem por meu rosto e repousassem em meu antebraço. Minha respiração era lenta e profunda, enquanto eu tentava esvaziar minha mente como a terapeuta amiga de Carlisle me ensinou a fazer nesses momentos.
Respirei fundo, soltando o ar tremido por minhas narinas, resultado dos soluços sufocados em minha garganta. Eu sentia meus dentes baterem dentro de minha boca, porem isso passava desapercebido por mim enquanto eu tentava me impedir de dormir.
Seria minha desgraça cair no sono nesse momento novamente.
Tentei prestar atenção na conversa de Jasper com a aeromoça ruiva, mas não consegui compreender o que ele cochichava com ela. Mas estavam falando de mim. isso eu tinha certeza.
Maneei minha cabeça, tentando me convencer a não dar importância a eles, e continuei a respirar fundo e parar de tremer.
O chiado que os outros passageiros faziam foram ficando cada vez mais distantes do meu ouvido, e eu não sabia que tinha adormecido até sentir algo pesado e quente se apoiar em meu pescoço.
Abri meus olhos assustada e virei minha cabeça em um estalo. Com um sobressalto de meu corpo, olhei para um Jasper paralisado ao meu lado com uma manta azul marinho recém colocada em minhas costas. Antes que eu pudesse perceber ou comentar, a mascara de indiferença voltou para seu rosto.
"Continue dormindo" – ele mandou, deslizando sua mão por meus ombros e olhando para o corredor.
A fricção de sua palma em minhas costas provocou um profundo suspiro em meu peito, impedindo que eu me mantivesse consciente novamente.
Não sei por quanto tempo eu dormi. Nem se tive algum sonho. O calor da palma de Jasper em minhas costas era confortador e ao mesmo tempo não me deixava esquecer o que aconteceria.
A demora para que ele me fizesse ligar para Rosalie e transferir a pré-reserva do quarto de Edward e Bella estava me matando, mas eu não poderia fazer nada para impedir que isso acontecesse uma hora ou outra.
Inalei profundamente, sentindo o perfume dele entrar em meu organismo e me trazer a realidade novamente. Antes que minhas pálpebras levantassem, pude ouvir um imenso falatório, e um compasso constante em um de meus ouvidos.
Minha pele se sensibilizou, sentindo o tecido da camisa de Jasper e os movimentos de seu corpo embaixo de mim.
Franzi o cenho, sentindo uma brisa bater em meu rosto dolorido e certamente inchado por conta do choro e em minhas pernas e meus braços expostos pelo vestido que estava usando
Aos poucos, abri meus olhos, vislumbrando sua clavícula pálida e musculosa bem em minha frente. Foi ai que me dei conta, que não estava mais dentro da aeronave.
E sim em seus braços.
E o compasso que estava ouvindo, era o coração de Jasper batendo em meu ouvido. E que o falatório eram os outros passageiros no grande saguão movimentado.
Jasper estava me carregando pelo aeroporto.
"O que...?" – tentei pronunciar, olhando para seu rosto.
Jasper olhava para frente. Seus olhos cobertos por um óculos escuro acinzentado que refletia a luz fluorescente do aeroporto. Sua mandíbula estava travada e completamente marcada em seu rosto. Seus lábios estavam fechados e sua língua passando nervosamente por eles, umedecendo.
"Não fale nada." – sua voz não passou de um murmúrio. "Continue de olhos fechados, Alice." – senti que seus olhos desceram para meu rosto.
Bufei, fechando meus olhos novamente e encostando em seu ombro. O que quer que ele esteja fazendo, eu iria obedecer agora.
"Com licença senhor." – uma voz masculina se fez ouvir ao nosso lado. "Pode me explicar o que é isso?"
Jasper estancou, apertando meu corpo contra seu tronco e respirando fundo.
"Ela tomou um remédio no vôo, e não consegui acordá-la." – ele falou baixo, perigoso.
"Você pode, por favor, me acompanhar?" – o que parecia ser um segurança pediu, e eu estremeci pelo tremor que passou pelo peito de Jasper.
"Por que eu faria isso?" – ele respondeu, nervoso.
"Só para alguns esclarecimentos." – ele explicou. "Houve uma reclamação do vôo que o senhor acabou de sair, e precisamos averiguar. Não demorará nem cinco minutos."
"Eu estou realmente apressado." – ele retrucou. "Se você permitir..."
"Infelizmente senhor..."
"Algum problema, Laurent?" – o que parecia Jasper estava chamando atenção.
Outro segurança se aproximou, falando no que eu pude ouvir ser um radio.
"Nenhum" – Jasper respondeu. "Eu estava levando..." – ele se silenciou um instante. "Minha mulher para o carro que está me aguardando do lado de fora, e seu amigo ai esta me atrasando."
Senti a mão que sustentava meus joelhos acariciar minha pele, e ele me pressionar mais contra seu peito. Minhas sobrancelhas se apertaram, e eu sabia que minha cara estava demonstrando pura confusão.
"Ela esta acordando, pelo visto." – o outro segurança observou.
"Alice?" – Jasper sussurrou. "Alice?"
Abri meus olhos lentamente, fingindo que despertava. O que não foi tão difícil, já que eu ainda estava confusa por conta de ter acordado no meio do aeroporto.
"Você esta bem, senhorita?" – Laurent perguntou.
Jasper atravessava minha alma com seus olhos fixos em meu rosto. Hesitei por um momento, temerosa em como continuar. Sua face demonstrava que qualquer erro, eu estava morta.
"Estou sim. O que esta acontecendo... amor?" - perguntei para Jasper.
"Você esta bem, piccola?" – sua voz era rouca e completamente concentrada.
Assenti com a cabeça, abraçando sua cintura e olhando para os dois homens em nossa frente, tentando não reparar em seu tom preocupado.
"Creio que podemos ir embora agora!" – ele disse, me abraçando e me levando até a porta.
"Senhor..."
Jasper não virou, nem cessou o passo. Pude ver que ele sacou do bolso do paletó o celular, porem eu apenas respirei fundo, olhando para meus pés e tentando me soltar de seu corpo. Ele me segurou pelos ombros, mantendo minha cintura grudada na dele enquanto friccionava meu braço com sua palma grande.
"La automobile è pronta?¹" – meu corpo arrepiou com sua voz pronunciando em um italiano perfeito algo que eu não entendi. "Sono già in aeroporto. Essere veloce! Abbiamo avuto un problema.²" – ele continuou falando rápido e baixo. Mesmo eu me esforçando não conseguia entender. "Portare la schermato Escalade. Adesso!³" – vi que ele guardou o aparelho em seu bolso e abaixou a cabeça em minha direção. "Você esta bem?"
Assenti, erguendo meu queixo para olhar para ele. Suas sobrancelhas estavam escondidas atrás das lentes dos óculos e sua testa enrugada. Ele mordia o lábio inferior em um gesto inconsciente enquanto me olhava.
"O que te deu no avião?" – ele perguntou, segurando meu ombro mais apertado contra a lateral de seu corpo.
"Prefiro não falar disso!"
"Sicuro" – respondeu e olhou para frente.
Poucos segundos depois, um SUV preto e completamente filmado estacionava em nossa frente. A porta traseira abriu, e antes que eu pudesse pensar no que fazer, Jasper me empurrava para dentro do veiculo escuro.
"O que está acontecendo?" – perguntou, minha voz completamente desafinada pelo medo.
"Mudança de planos, Alice." – ele respondeu somente, batendo a porta do banco traseiro e me puxando para seu colo. "Se quiser voltar a dormir... seria o melhor que você faz agora!" – ele deitou minha cabeça em seu peito novamente. "Andare!*"
¹ O carro está pronto?
² Ja estou aqui no aeroporto. Seja rapido! Tivemos um problema!
³Traga o Escalade blindado! Rapido!
*Vamos!
Booom meninas, é isso ae! Espero que vocês gostem desse capitulo, e que comentem né?
Eu sei que eu demorei bastante, mas entendam que esses capitulos são longos e eu posto uma vez por semana no orkut, então infelizmente demora para vir para ca. Ok?
Espero que vocês estejam gostando desse Jasper e dessa Alice! x)
Aguardem o que vem por ai!
Beijos, Drigo
