Ha muito tempo, Harry havia deixado de ser aquele menino tímido e envergonhado, fora obrigado a amadurecer, a guerra instigava isso nas pessoas. Parecia que o destino era um verdadeiro ladrão, lhe roubou os pais, a infância, a juventude e tantas outras coisas que não tinha coragem de listar. As feridas em seu coração eram tão fundas que sangravam como a nascente de um rio triste, mas ele tinha que ser forte, não por ele, mas pelos outros.
Abandonara os óculos há um tempo, incômodos para lutar e jogar, deixando mais evidente os olhos de quem já viveu mais do que a idade permitiria.
O Menino que Sobreviveu. O Escolhido. Menino de Ouro. Títulos que o envergonharam, que lhe deram poder, quando mais novo não sabia sua influencia no mundo, mesmo assim não via necessidade de usar seu nome, ainda. Curtia as festas, as garotas, até mesmo os falsos amigos, usando-os para treinar, aprender a ocultar seus sentimentos, controlar sua famosa instabilidade emocional. Ron, Simas, Thomas, Fred e Jorge também se aproveitavam das festas, suas campainhas constantes, com copos de firewhisky, garotas, musica alta, nessas poucas horas Harry se permitia sentir como um garoto normal.
Hermione os chamava de cafajestes, que um dia aquela bebedeira toda traria problemas, não tiveram tempo para outra, pois uma semana depois as aulas começaram.
- Hades
Entrou no quarto, olhou em volta. Encontrou o loiro na mesma posição de duas noites atrás, os olhos fitando a noite nublada. Draco se voltou para encarar seu visitante.
Harry recuou um paço, os olhos nublados estavam escuros, como o céu antes de uma tempestade.
- Olá Harry – suspirou lentamente – eu queria conversar com você, por isso te chamei aqui.
Harry caminhou para a janela e se sentou no largo parapeito de frente para o sonserino.
- Diga então.
A voz de Draco saiu baixa, quase um sussurro, mas foi ganhando força conforme ele falava:
- Eu não sei bem como começou. Para falar a verdade eu nunca te odiei eu só te tratava mal porque você havia recusado minha amizade, mas ai no terceiro ano, quando você caiu da vassoura, eu morri de preocupação eu... eu não queria admitir mas a atração que você exercia sobre mim era forte demais para negar – suspirou
– Então seu cheiro estava em todo lugar, sua voz se destacava entre as outras, seus olhos inúteis onde eu podia me perder pelos breves momentos em que eles se focavam em mim, seus lábios se tornaram convidativos. - outro suspiro.
- Tudo isso caiu como uma bomba no meu peito, eu queria negar mais do que tudo no mundo.
Draco se encolheu mais, encostou a cabeça no vidro e com a ponta do dedo começou a fazer desenhos imaginários.
- Eu neguei o maximo que pude, juro....juro...que...tentei, rezei para que não fosse você, temia a chegada do meu 16° aniversario, mas meu pai me ajudou a aceitar. Pansy e Blaise me ajudaram, eu tinha que ti contar, mas eu não queria por que ...porque seria te colocar em mais problemas e você....você é Harry Potter cujo nome do meio é problema. – O loiro se permitiu um sorriso triste.
– Então eu falei com Dumbledore e ele me aplicou do O Fetiço do Coração Ausente, não sabíamos quanto tempo ia durar, esperávamos que tempo o suficiente até que...bem...sabe..a guerra acabace...mas nessas férias a minha magia Veela rompeu o feitiço...e..bem..
Harry se viu petrificado, mas preferiu ficar quieto ainda havia muita coisa a ser dita e ele percebeu que era difícil pra o garoto dizer tudo aquilo.
- Você era atraente com seu jeito meio inocente e desastrado, mas então você mudou e nossa... Tornou-se avassalador, eu podia ouvir os suspiros das garotas e garotos quando você passava, pude sentir seu cheiro se misturar a outros perfumes e sabia que não tinha chances mas mesmo assim eu tinha que falar....tentar. Sabe eu já sabia que você ia dizer não.
- Malf
- Não me deixe terminar. - Draco o interrompeu e o encarou – Não estou dizendo isso para você se sentir mal, só estou dizendo para que saiba o que me atraiu em você e que era algo que eu não podia evitar, mas não se preocupe comigo, eu vou ficar bem.
O sonserino lhe sorriu docemente e colocou a mão sobre a sua. Harry se segurou para não gemer sob o toque, era tão quente e macio, colocou a outra mão sobre a mão do loiro e a acariciou com as pontas do dedo lhe passando ou ao menos tentando lhe passar um pouco de conforto.
Não se preocupe eu não vou tentar te agarrar, seduzir ou algo do tipo – Draco corou – Bem...vou tentar... Por isso de dei este anel.
Indicou o anel que Hermione havia lhe entregado no Salão Principal, era uma bela peça de ouro branco e havia algumas inscrições em alguma língua desconhecida.
- Isso deixa você imune ao meu encantamento, se algum dia eu perder o controle – Draco corou violentamente – Você manterá sua consciência inalterada e poderá me impedir.
Após alguns minutos em silêncios ambos fitando a peça no dedo do grifinorio Draco pigarreou.
- Por isso, quero lhe pedir sua amizade novamente.
Naquele momento Harry ergueu o olhar e se perdeu naqueles olhos cinza. Amigos? Anos de rivalidade jogados pelo alto? Rivalidade tola de fato, o convite era tentador.
Como seria ser amigo de um Malfoy? Quem era aquele rapaz que lhe sorria docemente, os olhos brilhando em expectativa? Harry ainda tinha a mão dele entre as suas e a apertou levemente.
- Eu adoraria ser seu amigo...Draco.
o.o.o
- Acho que esta ficando bom – disse Hermione analisando seu pergaminho. Os três estavam sentados na mesa que correspondia a Sonserina, Draco de frente para os grifinorios que estavam de costas para o salão.
Draco escrevia alguma com a mão esquerda e consultava o livro a sua frente que estava inclinado apoiado em outro livro. Com a mão livre degustava um pirulito de morango.
Hermione soltou uma risadinha, tirando os olhos do livro que lia e os passando pelo salão, Harry acompanhou seu olhar e depois se voltou para a amiga.
- O que houve? – Harry perguntou.
- Bem – ela sussurrou – Draco esta, sem querer, atraindo atenção de todo o salão, com o seu inocente ato de chupar um pirulito.
Harry olhou para Draco e seus olhos acompanharam a cena como em câmera lenta. Os lábios estavam rosados por causa do doce, os dentes que volta e meio raspavam pela bolinha vermelha, a língua também rosada que volta e meia aparecia e o doce que desaparecia dentro da boca do veela.
Era uma cena tão simples, mas que podia hipnotizar qualquer um, e por um momento Harry achou que aquele anel não funcionava direito. Ele ficou ali, parado olhando Draco sorver com vontade o doce.
Draco arrancou a bolinha do palito e a destruiu com os dentes dentro da boca, esse ato pareceu despertar a maior parte do salão de seu transe, porem Harry continuou a encará-lo.
- Acho que já acabei – disse levantando o olhar e se deparando com os olhos de Harry.
Draco imediatamente corou e baixou o olhar, balbuciou qualquer coisa e saiu do Salão, mas ele podia sentir o olhar de harry sobre si.
- O que deu nele? – perguntou o moreno quando não podia mais ver o outro.
Hermione apenas revirou os olhos.
o.O.o
Draco e Harry estavam sentados em baixo de uma arvore nos jardins próximo ao lago, lendo alguns livros, coletando as ultimas informações para o projeto. Já haviam lido muita coisa.
O loiro jogou o livro que lia de qualquer jeito no chão e bufou.
- Não agüento mais ler. Meu cérebro já ta começando a doer.
Harry riu e cutucou a bochecha do outro com o dedo, arrancando uma risadinha dele e o fazendo corar.
- E o que você sugere senhor meu-cerebro-é-um-sorvete? – perguntou o moreno.
- Vamos, Rony deve estar na cozinha e deve saber onde encontrar chocolate – Draco deu um sorriso megalomaníaco.
Harry gargalhou, parecia que o loiro era movido a chocolate, sempre tinha algum no bolso, Harry não conseguia entender como ele comia tanto chocolate e mantinha as formas perfeitas. Veelas humf"
Rony relutou muito, mas após um tempo aceitou a amizade com os sonserinos principalmente após Draco vencê-lo em uma partida de xadrez. Draco e Rony se tornaram cúmplices nos surtos à cozinha do castelo, às vezes brigando seriamente na hora de repartir seus lucros.
o.O.o
Severus Snape conhecia masoquistas, que corriam para dor de braços abertos, ele mesmo era um desses, bem ele era obrigado na verdade, só não esperava que Draco Malfoy fosse um, mentira, ele já sabia que ele era um. Amor faz isso com as pessoas, lhe envolve num ciclo vicioso de prazeres limitados e dores prolongadas.
Masoquistas encontram prazer na dor, amar é isso uma desculpa para machucar. Aqueles que vivem felizes com o amor da sua vida são sortudos ou então conseguiram se livrar do circulo onde seus corações foram resumidos a pedaços que estão sento reconstruídos lentamente.
Severus Snape gostava de dar aulas, outro tipo de masoquismo, aqueles adolescentes inúteis que não reconhecem a arte das poções, um bando de inúteis em sua opinião, tirando os Sonserinos é claro.
Draco Malfoy era muito mais que seu afilhado, Severus fora a primeira pessoa que Draco viu ao nascer, naquele momento Severus soube que compartilhava com o jovem um elo profundo, quando estava com ele todas suas barreiras caiam por terra.
Draco aprendeu a andar mais cedo, a falar mais cedo, a contar e a ler, seus brinquedos favoritos eram um carrinho de madeira e um ursinho chamado Tedy, gostava de quadrinhos e livros de ficção, tinha um ótimo gosto pra musica, Draco tinha seus talentos e seus encantos.
Agora o observando caminhar pelo jardim com Potter, sabia que as coisas iriam melhorar e piorar sabia que aquela aproximação oferecia riscos e recompensas, sabia que Draco sabia que Potter estava fadado a matar ou morrer ou a matar e morrer.
Matar e morrer ótimo, não matar e morrer, péssimo, mas matar e sobreviver... que conseqüências isso traria para o coração de Draco?
o.O.o
Harry suspirou feliz, depois de muitas discussões o projeto foi um sucesso e Rony apesar do grupo "produtivo" também tirou uma boa nota.
Caminhou para um corredor mais vazio, próximo ao quarto de Draco, virou um corredor mais vazio ainda e estacou no lugar.
Draco estava prensado na parede, a pele clara fazendo um contraste gritante com a parede escura, a respiração acelerada, a varinha no chão.
Theodor Nott, segurando seus pulsos e o prensava de uma maneira agressiva na parede.
- Ah Draco como eu desejo você – Harry pode ouvir o moreno mais alto falando no ouvido do loiro que tinha a cabeça virada para o outro lado.
- Intocável, puro, eu quero você todinho pra mim...diz...diz que vai ser meu. Vamos... DIGA.
Draco gemeu de dor e aquilo despertou algo dentro de Harry, uma fúria. Não. Draco nunca deveria ser tocado daquele jeito, ninguém nunca deveria feri-lo ou agredi-lo. Nunca.
Harry se moveu rápido, agarrou Nott pelos ombros e lhe deu um soco que o fez cambalear e antes mesmo que ele pudesse dizer ou fazer algo Harry já tinha a varinha nas mãos. – Estupefaça.
Nott ficou estirado no chão. Harry olhou para Draco que ainda estava no mesmo lugar, assustadíssimo. Então Harry se lembrou das palavras de Hermione " Veelas tem horror a serem tocados por pessoas que não seu escolhido, podem ficar traumatizados"
- Ei se acalme esta bem?
Se aproximando do menor Harry observou que ele demorou alguns segundos para ser reconhecido e em uma atitude inédita de atirou nos braços de Harry.
Após o choque inicial Harry o guiou até seus aposentos passando pela sala e entrando no quarto, o ajudou a se sentar na cama.
- Draco, Draco o que ele fez com você?- Harry estava realmente preocupado, será que ele o obrigou a algo? – Ele te machucou?
- N-não. – Draco levantou e começou a esfregar os pulsos e o pescoço – Sujo, sujo sujo...estou sujo.
Harry podia ver claramente as grossas lagrimas saindo dos olhos nublados, realmente aquele episodio afetara muito a Draco, o que poderia acontecer se ele não tivesse aparecido? Maneou a cabeça para espantar o pensamento.
- Draco para!- exclamou quando viu a pele ficar vermelha – Você não esta sujo okay?
- N-não...ele me tocou...sujo Harry...não era você...não...pode...
- Shhh – Harry se ajoelhou na frente do loiro e afastou os pulsos dele delicadamente. Obrigando o loiro a olhá-lo.
- Vou preparar um banho bem relaxante para você, depois vamos comer algo bem gostoso e vou ficar aqui até você dormir. Esta bem?
Draco apenas maneou a cabeça concordando.
Harry preparou um banho com alguns sais que encontrou no armário do banheiro. Ficou olhando mais do que devia quando entrou no banheiro para colocar o pijama e a toalha e encontrou Draco dentro da banheira, abraçando os joelhos e com o queixo apoiado neles enquanto fitava a água. Parecia tão perdido que Harry teve vontade de acalentá-lo.
Enquanto o loiro estava no banho Harry providenciou uma bandeja com alguns morangos, uma tigela de iogurte e alguns cereais, uma jarra de suco de laranja que sabia ser o favorito do loiro.
Draco permaneceu o tempo todo em silencio enquanto Harry falava sobre amenidades, os olhos cinzentos observavam cada movimento seu.
Harry não sabia como tinha começado, estavam sentados na cama em silencio quando ele levantou a mão e começou a correr os dedos pelos longos cabelos de Draco, pouco tempo depois o loiro já estava sonolento.
Harry o ajudou a se deitar e antes de sair, Draco segurou sua mão.
- Obrigado Harry. – sussurrou.
O grifinorio acariciou sua mão levemente e saiu.
.O.o
Depois daquela noite, eles ficaram mais próximos.
Draco entendia melhor suas feridas, sabia como era difícil ser julgado pelas aparências, as pressões. Draco não via o herói, o salvador do mundo. Draco via o garoto que teve que crescer rápido de mais que aos 17 anos já era um homem cheio de responsabilidades e deveres mais do que era capaz de suportar.
o.o.o
Às vezes eles entravam em um silencio confortável, passavam horas deitados no jardim observando as estrelas. Era com Draco que Harry ia conversar quando pesadelos faziam seu coração sangrar novamente. O loiro lhe fazia cafuné e lhe murmurava docemente " Eu estou aqui com você",e lhe beijava a testa.
o.o.o
Draco cheirava a manhas de verão a beira mar.
o.o.o.
Draco era pior do que Hermione inspecionava meticulosamente suas lições para ver se estavam de acordo com seus padrões, caligrafia impecável, pontuação correta, limpeza, conteúdo...
- Não não...pode fazer de novo.
- Mas Draco já é a segunda vez
- Eu. Disse. Pra. Fazer. De. Novo.
Harry não era louco de contestar.
o.o.o.
Gostava do cabelo de Draco, de ficar brincando com uma mecha prateada, seda pura sob suas mãos, que tinham um cheiro delicioso, que rapidamente aprendeu a associar a Draco.
o.o.o
Morria de rir das inúmeras azarações que ele lançava naqueles que estabeleciam "contato não autorizado" como o loiro havia dito.
Seamus apareceu cheio de bolhas nojentas na cara. Um Corvinal ficou sego por uma semana. Outro aluno, que realmente passou dos limites, ficou uma semana com bolhas em torno do membro que gritavam sobre suas atividades sexuais. O pior de todos foi Theodor Nott que parecia ter sido ataco por algo ou alguém e se recusava a falar sobre isso, passando um mês na enfermaria. Harry tinha fortes suspeitas de que Pansy e Blaise eram os responsáveis por isso, peno que não o convidaram.
o.o.o
Estavam animados conversando em corredor perto da biblioteca quando Nott apareceu e se aproximou. Imediatamente os garotos seguraram as varinhas.
- O que você quer Nott? – rosnou Draco.
- So conversar – disse com um tom sarcástico se aproximando.
- Você Potter vai me pagar caro pelo que fez e se virando para o loiro chegou perto e sussurrou.
- E você pequeno veela...me aguarde – dizendo isso se virou e partiu porem estacou quando encontrou Blaise e Pansy no final do corredor o encarando com olhares ameaçadores o fazendo sair de lá correndo.
- Não liga para ele Draco – disse segurando o braço dele e se juntando aos outros dois sonserinos. – Nunca vou deixar nada acontecer com você – prometeu.
o.o.o
Ele era um Malfoy, mas também era Draco. Ele ainda falava palavras duras, ainda era arrogante, mas era doce, perceptivo compreensivo e muito divertido.
Harry adorava ser amigo de Draco.
N/A: eu sei eu sei...demorei para postar mas não briguem comigo ta?
Juro não demorar mais desse jeito..
Bjs bjs.
Comentem plz.
