Capítulo 3

Ao vê-la, Syaoran engoliu um seco e tentou encontrar as palavras, mas estava difícil. Observou os cachos ruivos pularem, enquanto ela esperneava de alegria e dava abraços apertados em Tomoyo. Então, essa deveria ser Sakura, filha de Kelly. A semelhança era incrível, só que a falecida cortesã tinha um ar de inocência que a moça a sua frente não possuía. Tudo nela exalava sensualidade e atrevimento. Típico das famosas cortesãs. Apesar de que, ao ter se encontrado com ela, naquela manhã, ela lhe parecera muito frágil. Muito triste também. Bem, não tinha nem como averiguar isso, afinal, não a conhecia. Estava ali apenas para cumprir ordens.

"Hum... Bem, srta. Tomoyo", as duas jovens os olharam, e Sakura arregalou os olhos, entreabrindo os lábios, espantada. Aquele gesto, tão  simples, arrepiou os cabelos de sua nuca. Tratou de se controlar e novamente dirigiu-se à moça de olhos violetas. "Já está entregue... Eu volto outro dia para... P-para conversarmos". O que ele tinha? Não parava de gaguejar.

"Não nos apresenta, Tomoyo?", Sakura sorriu, graciosa para a prima, mas lhe lançando um olhar gélido. Era óbvio. Ele fora bastante rude com ela, naquela manhã.

"Ah, sim...", ela aproximou a ruiva. "Sakura, este é o Sr. Syaoran Li, detetive chinês contratado para resolver o meu caso e o de Eriol", uma sombra triste nublou os olhos violetas, mas logo ela sorriu para ele. "E essa é minha prima, dona do bordel Candy Pleasures".

"Muito prazer", ela disse, estendendo a mão, a qual ele apertou.

Uma corrente elétrica atravessou o corpo do chinês, que estático, observou Sakura ruborizar-se. Não parecia tímida. E sim bastante incomodada com a sua presença. "timo. Que ela sentisse isso mesmo, afinal sentia a mesma coisa. Deixou de tocar a mão pequena e procurou o que dizer, mas Sakura logo falou.

"Entre, Sr. Li", ela deu passagem. "Fez um imenso favor a nós. Não posso ser uma má anfitriã, não é mesmo?".

"Tudo bem", ele tentou aparentar frieza. Não gostava de prostitutas. Ao contrário de muitos homens, que as consideravam um ícone de diversão, ele sempre achara que elas apenas significassem problemas. E dos grandes. Charity lhe ensinara isso, quando era mais novo, e aprendera muito bem a lição. Por falar nela, a bela loira ainda trabalharia lá? Esperava sinceramente que não. Encontrar com ela tornaria o seu dia extremamente desagradável.

Entrou e viu que a maioria das prostitutas estava curiosa. Aglomeravam-se em volta dele e de Tomoyo, com perguntas e mais perguntas. Nada respondeu, apenas ergueu a cabeça e continuou a seguir até onde Sakura lhe indicava, calado. Quando a situação se tornou mais grave, a experiente cortesã agarrou seu braço e disse, em bom tom.

"Meninas! Pelo amor de Deus! O que nosso convidado deve estar pensando de nós?! Se ele quiser o serviço de alguma de vocês, ele as procurará a noite! Nesse momento, sejam apenas gentis e agradeçam!".

                        A maioria deu risinhos e subiu as escadarias, lhe mandando beijos e piscando os olhos maquiados. Fez questão de ignorar. Continuou a andar com Sakura, Tomoyo, e uma prostituta que não sabia o nome, de olhos azuis e bastante sardas no rosto, mas que parecia bastante atenta à situação. Ao chegar no salão principal, ele viu uma figura esguia sentada no sofá. Logo, um par de olhos castanhos estava lhe fitando, com uma grande curiosidade.

"Meu querido Syaoran!", ela disse, sarcástica. Tanto Sakura, sua prima e a outra garota os fitaram, confusas. Charity sorriu. "O que faz aqui novamente? Pensei seriamente que nunca mais iria vê-lo".

"Não lhe interessa o que vim fazer aqui. E sinceramente, não gostaria de ter que ser obrigado a vê-la também".

"Ora, ora... Não precisa ser rude com seus velhos 'amigos'", ela deu uma risada divertida.

"Não estou vendo nenhum amigo aqui, Charity", ele foi curto e grosso. Quanto maior distância dela, maior distância de suas antigas lembranças.

Ela se aproximou e erguendo-se nas pontas dos pés, sussurrou em seu ouvido. "Que tal uma noite?... Por conta da casa... Em memória aos velhos tempos?".

"Charity!", Sakura gritou, com as faces irritadas. "Vá se arrumar! Tenho que conversar com o Sr. Li!".

"Está bem, chefia", atirou os cabelos para trás e ajeitou sedutoramente o decote de seu vestido, olhando para Syaoran. "Depois não diga que eu não ofereci, meu amor".

Ignorou, sentindo o sangue correr mais rápido em suas veias. Não amava mais Charity. Mas não podia simplesmente esquecê-la. Ela mudara sua vida radicalmente, desde de a primeira vez que a vira. Não podia negar que ainda havia uma réstia de sentimento. E isso a amedrontava. O que menos queria era se apaixonar novamente.

"Desculpe, mas conhece Charity, Sr. Li?", Tomoyo perguntou, não escondendo a curiosidade nos brilhantes olhos.

"Sim... Eu já morei algum tempo aqui na Inglaterra, quando Kelly ainda era dona desse lugar".

"Conheceu minha mãe?", Sakura indagou.

O chinês sorriu. "Todos que moraram na Inglaterra já conheceram a Deusa das Noites... Rainha das Cortesãs... Kelly era conhecida também como a Dama dos Diamantes... São tantos nomes que não posso nem recordar. Eu a adorava. Uma ótima pessoa. Dava luz ao um lugar tão escuro como Dunny Coast".

Observou que Sakura ficara emocionada ao ouvir seu pequeno relato. Não sabia muito da vida pessoal de Kelly como ela sabia da sua. Nem imaginava que ela tinha uma filha, quando morava na Inglaterra. Porém, a falecida cortesã fora à mãe que ele nunca tivera. O ensinara muito sobre o que sabia atualmente. Porém, como todas as mães, esquecera de ensinar muitas coisas também. Como o que fazer quando uma bela mulher mexia tanto com a sua mente.

"Sim... a mãe de Saki era uma pessoa extraordinária", a sardenta disse, risonha. Depois o olhou, e logo estendeu a mão, saltitante. "Ora, mas onde estão meus modos! Sou Kate! Muito prazer".

"Prazer", ele replicou, educado.

"Bem", Sakura pronunciou. "O que realmente aconteceu, Sr. Li?".

"Na verdade, foi um assassinato bastante simples, que poderia ter sido cometido por qualquer pessoa comum. O corpo de Eriol foi encontrado junto ao de Tomoyo, ele com alguns tiros, e ela com alguns hematomas. E um bilhete", ele o tirou do bolso e o entregou a Sakura. "Está escrito: Bem Feito".

"Eu sei ler, Sr. Li", ela deu uma risada. Deu graças a Deus que ele não percebeu o quanto estranhara aquele bilhete. Parecia-se muito com a sua letra. Estranho.

Era um som contagiante, na opinião de Syaoran. Os dentes perfeitos brilhavam tanto quando seus olhos esmeraldinos. Ao contrário da maioria das prostitutas, que não cuidavam bem da higiene, Sakura mostrava-se um exemplo. Tinha a aparência de uma dama em trajes de concubina. Syaoran deu um sorriso discreto.

"Não é comum às prostitutas saberem ler", ele replicou, num tom gentil. Ela assentiu, entregando o papel de volta.

"De uma coisa tenha certeza, Sr. Li. Eu não sou comum".

Syaoran perdeu nos olhos tão belos, que o fitavam tão intensamente. Estava ficando louco, só podia ser isso. A conhecia pouco tempo e sentia-se como se ela desvendasse sua alma com aquele olhar tão perspicaz. Olhou para as duas garotas, que o observavam atentamente, e decidiu que estava na hora de tornar o assunto mais sério.

"Srtas.", ele olhou para Tomoyo e para a recém conhecida Kate. "Poderiam nos dar licença, por apenas um instante? Eu gostaria de ter uma conversa particular com a srta. Sakura".

"Está bem!", Kate sorriu, simpática, para depois pegar a mão de Tomoyo e se levantar, levando a garota junto a ela.

Ouviu um suspiro e viu Sakura olhar tristemente para as duas amigas que subiam as escadas de madeira. Não pode controlar a pergunta que se encontrava na ponta de sua língua. "Algum problema?".

"Não só um, Sr. Li. Vários. Tomoyo não merecia isso que aconteceu com ela".

"É verdade", ele a olhou mais profundamente. "Tem uma ligação muito forte com ela, não é?".

"Tomoyo é minha única família", ela cerrou os punhos e voltou a falar, com bastante firmeza. "Não me importo quanto tempo leve, nem quanto dinheiro tenhamos que gastar. Quero que resolva esse caso".

Ele espantou-se ao ver tal reação. "Quero que entenda que não é tão simples".

"Mas foi bastante simples matar Eriol e machucar minha prima, não é?! Se veio da China, um país tão longínquo, dever ser inteligente e esperto. Não é a toa que requisitaram seus serviços. Rudeza não faz parte da minha criação, mas bem sei que pode dar o melhor de você".

"Sim, posso", ele disse, paciente. "E vou dar o melhor de mim".

"A propósito, Sr", ela ressaltou, com mais calma dessa vez. "Tem onde ficar?".

"Na verdade, tinha...", quando a vira, descartara a possibilidade de ficar sobre o mesmo teto que aquela mulher intrigante. Seria mais do que poderia suportar. Mas a cadeia não era o lugar ideal, já que nem os policiais e os poucos prisioneiros cabiam lá. As pensões eram muito sujas e freqüentadas por ladrões e pessoas de má índole. Apesar de não ter muito dinheiro, não queria ficar na beira do esgoto. Olhou para ela e resolveu não mentir. Duvidava que conseguisse, também. "Eu tinha... planos de ficar aqui".

"Mas que maravilha!", ela levantou-se. "Venha, vou lhe mostrar seu quarto".

"Não tenho como pagar...".

            Ela sorriu ao dizer, com simpatia. "Um presente. Por estar fazendo tudo isso por Tomoyo, mesmo não a conhecendo".

Seguiu Sakura tentando ignorar o balancear delicioso dos quadris amplos. Ela era a tentação em forma de mulher. Seria difícil, mas tinha que manter a compostura. Envolver-se com qualquer uma daquelas mulheres estava fora de cogitação. Subiram as escadarias e logo estava no andar seguinte. O corredor era estreito, eles seguiram praticamente colados. Ela abriu uma porta com a chave que levava num dos bolsos do corpete e entrou.

Era tudo bastante calmo, até frio. Tinha os móveis em mogno, os tecidos em vinho. Uma cama, um armário, e uma porta, que certamente levava ao banheiro. Observou tudo e sorriu. Ficara naquele quarto, algumas vezes, quando era mais jovem. E na maioria das vezes, não estava sozinho.

"Me desculpe. Mas esse é quarto mais masculino que temos".

"Não se preocupe, está ótimo".

"Se é só isso...", ela virou-se, mas num impulso, Syaoran lhe segurou o braço.

Não tinha mais nada o que falar. Mas a partida dela lhe trouxera uma sensação tão ruim. Como se ela jamais voltasse a aquele lugar. Engoliu um seco. Estava se apegando demais a aquele mulher que tão pouco conhecia. Ela o olhava, confusa. Tratou de corrigiu seu erro.

"Obrigado, Sakura".

"Não agradeça, Syaoran. É uma forma de recompensar tudo o que você fez", ela desvencilhou-se com educação e sorriu. "Bem... Então, até a noite".

Assim que ela saiu e que a porta se fechou, Syaoran caiu na cama, suspirando pesadamente. Estava enganado desde o início, ao pensar que seu coração estava curado e protegido por uma redoma de frieza. Era um ser humano comum, não uma máquina sem sentimentos. Suspirou novamente, mas dessa vez, com um certo ar de tristeza. Ainda iria pagar por todo essa sua nostalgia.

**

O cemitério de Tóquio era o único lugar que realmente lhe oferecia algum tipo de paz.

Touya Kinomoto sentiu a leve brisa noturna bater em seu rosto, e fechou os olhos por um minuto. Ao abri-los de novo, as lágrimas caíram, em sua forma mais bruta e natural. Não as secou, deixou-se acalentar de sua profunda tristeza. A colina em que se encontrava tinha apenas um altar. Com o renomado nome de Fujitaka Kinomoto.

Tocou o altar com a ponta dos dedos ásperos, sorrindo fracamente. Seu pai não merecera aquele destino tão cruel. Morrera assassinado, e da forma mais vil possível. Não se conformava com esse fato, não importava que já fizesse dois anos que ele havia falecido. As memórias eram persistentes e irritantes, ele não tinha sossego. E quando deitava-se, a noite, a mágoa o atacava com mais força.

Fujitaka, desde de que voltara de uma viagem para Inglaterra, a exatos 23 anos, não era o mesmo homem. Na época, Touya tinha dez anos, já órfão de mãe. E apesar da inocência de sua infância, ele percebera isso. Mas nunca se atrevera a perguntar. Não queria tocar na ferida dele. E que ele sabia que era bastante profunda.

Virou-se pra o outro lado da colina, onde reluzia a brilhante Tóquio, sua cidade natal. Tais brilhos não ofuscavam mais sua alma perdida. Ele sentia-se tão vazio por dentro que o mundo não lhe importava mais. Ele só tinha mais um desejo a cumprir. Depois, ficaria com a consciência limpa. Lembrou-se, com dor, das últimas palavras de seu pai, no leito de morte.

"Deixei para trás a mulher que amava e minha filha, ainda no ventre da mãe. Kelly é uma prostituta, Touya. Quero que a salve desse mundo e que não permita que sua irmã siga o mesmo caminho".

No princípio, negara-se. O que a sociedade japonesa ia pensar ao saber que Fujitaka Kinomoto havia tido uma filha com uma rameira? Por isso, calado ficara. Ele tinha uma família ainda. Virando-se, ele observou sua irmã Meiling sentar-se na relva esverdeada, contemplando a cidade. Ela era muito parecida com seu pai, em aspectos internos. Um coração nobre, vontade de fazer o bem. E fora esse desejo dela que o levara a decidir o que estava prestes a fazer.

Iria cumprir o último desejo de seu pai, não importando aonde tivesse que procurar. Talvez a garota não fosse uma prostituta, tivesse seguido um caminho melhor, como a religião. Não tinha muita certeza, mas tinha que correr os riscos. Ele olhou novamente para irmã e percebeu que os olhos rubis da garotinha de 14 anos estavam centrados nele, com uma compreensão muita além da sua idade. Ela era sua meia irmã, assim como a filha da prostituta era também. Meiling levantou-se e ficou ao lado dele, o fitando.

"Eu vou para a Inglaterra, Mei".

"Não acredito!", o sorriso infantil abriu-se. "Finalmente!".

"Mas você ficará".

Ela negou veemente, com a cabeça, balançando as tranças negras. "Não mesmo, Touya! Eu dei a idéia!".

"Mas o mundo de prostíbulos não é o lugar para uma dama em formação", ele foi frio e cortante. Apesar de amar muito a irmã, jamais iria demonstrar isso.

"Touya! Não faça isso comigo! Eu quero ir! Por favor!".

Os olhos eram suplicantes. Com um suspiro resignado, ele assentiu. Meiling pulou em seu colo e o abraçou, mas não foi retribuída. Conhecia o jeito dele muito bem. Afastou e saiu descendo, colina abaixo.

"O que eu fiz?".

Meiling não era assombrada pelos mesmos fantasmas que ele. Quando perdera seu pai, perdera seu suporte, seu apoio. Fujitaka era um tutor exemplar. Todo o se talento como advogado era devido apenas a ele. Suspirou ao sentir uma brisa acolhedora soprar, levantando seus cabelos castanhos. Olhou novamente para o túmulo. Ao contrário da maioria dos japoneses, o general não quisera ser cremado. Quisera que seu corpo você enterrado junto a terra que ele tanto amava. Virou-se e colocou as mãos nos bolsos. Estava esfriando. Meiling não podia ficar resfriada.

"Mei", ele chamou sua atenção com um assobio. "Vamos indo. Temos muito o que fazer".

"Sim, sim!", ela disse, contente, começando a caminhar do seu lado.

                        Kelly, a Rainha dos diamantes. Era assim que deveria procurar a amante do seu pai. Só de pensar que a filha de tal mulher também fosse uma concubina e que pertencia a sua família, sentia náuseas. Olhando friamente para a cidade, Touya quis ter a sincera vontade de não carregar tantos problemas. Mas era a linhagem da raça Kinomoto que estava em jogo. E tinha que lutar por aquilo que seu pai erguera com muito esforço.

**

                        Sakura desceu as escadarias, um pouco antes do movimento se intensificar. Alguns clientes mais apressados já se encontravam no recinto, mas a jovem cortesã apenas os cumprimentou com um leve aceno na cabeça. Aquela noite era destinada a outro tipo de serviço. Subiu o palco e sorriu para Matt, que afinava o piano com carinho.

"Imagino o que faria da vida sem esse piano, Matt".

                        Ele deu um breve sorriso. "Quando se é sozinho, nos apegamos a objetos inanimados. Devo ser mesmo maluco, ou muito tolo".

"Não", Sakura se aproximou do amigo, carinhosa. "É muito dedicado. Preciso de você essa noite".

                        Ele ergueu os olhos negros e assentiu. "Vai até lá?".

"Sim, eu tenho que ir".

"Pois muito bem", Matt levantou-se e passou a mão sobre seus ombros. "Eu te acompanho".

"Obrigada".

                        Todos os homens naquele estabelecimento a conheciam como a mais desejada e famosa cortesã de Londres. Mas não desconfiavam que dentro dela, havia uma mulher muito carinhosa e que mais do nunca, preocupada com o bem estar da sua família. E não falava apenas de Tomoyo. Colocou o capuz escarlate sobre os cachos e esperou pacientemente até que Matt estivesse pronto. Assim que ele ficou, os dois saíram pela o início da noite.

"Sakura, quem é aquele chinês?".

"Syaoran Li", ela explicou. "Um detetive contratado para resolver o caso de Tomoyo".

"Hum...", Matt a encarou. "Eu não gostei nada dele e da maneira como ele olha para você".

"Matt...", Sakura suspirou. Já não bastava ela pensando demais naquele chinês arrogante. "Por favor, sem isso agora, está bem? Não preciso de seus pensamentos sobre isso, não agora".

"Me desculpe, eu...".

                        Rezou para que ele percebesse que ela estava com bastante dor de cabeça. Esfregou os braços, imaginando o frio que Amy deveria estar sentindo, sendo assim, tão pequena. Sorriu intimamente. Mesmo com tantos problemas, a pequena garotinha ainda era a sua prioridade. Por falar em prioridades...

                        Maldito chinês arrogante! Achara-se muito bom trabalhando naquele caso e ainda ignorando todas as outras prostitutas. Ah, mas era realmente muito pretensioso. O pior é que podia contar somente com ele para resolver aquele caso tão importante. Tinha que depositar sua confiança. Mas o que era realmente mais ruim era o fato de sentir uma atração incômoda quando estava perto dele. Que olhos maravilhosos ele tinha. E os usava muito mal, os mascarando em uma redoma de tristeza.

                        Sakura, deixe de bobagens... Não sinta nada... Lembre-se do que já sofreu.

"Já falou com Tomoyo?", Sakura quis apenas mudar de assunto. Não estava com cabeça para pensar em Syaoran Li. Matt sorriu, tristemente.

"Sim, eu fui falar com ela. E confesso que nunca me senti tão e nem tão impotente. Sem poder fazer absolutamente nada por ela".

"Sinto a mesma coisa".

"Não importa o que façamos, Sakura", o jovem pianista disse, com realismo nas palavras. "Nada vai trazer Eriol de volta a vida".

"Sim", ela fitou o céu e viu as nuvens negras que começavam a aparecer. Nada faria Tomoyo ser aquela menina maravilhosa novamente.

                        Continuaram o trajeto em silêncio, cada um pensando em seus próprios problemas. Logo, estava fora de Dunny Coast e entrando em Palace Street, um bairro de classe alta de Londres. Não havia ninguém pelas ruas, o que deixou Sakura bastante aliviada. Sem demora, estavam em frente a casa da família Sayles.

"Sakura!", uma jovem com a sua idade saiu da porta, segurando a saía azul em mãos enquanto descia as escadarias brancas. "Pensei que não viesse", ela virou-se para Matt e o cumprimentou também.

"Não podia deixar de vir", ela espiou por trás da jovem e notou que  a casa estava bastante silenciosa. "Seus tios saíram, Anita?".

"Sim".

                        Anita Sayles era considerada por toda a sociedade uma erudita. Apesar da beleza exuberante, composta por olhos castanhos esverdeados e cabelos negros, tez branca e lábios rubros, era uma mulher bastante singular. Devorava livros e lutava pelos direitos das mulheres como ninguém. Participava ativamente de muitas passeatas, e fora numa dessa ocasiões que as duas haviam se conhecido. Anita não a descriminara, e agora, Sakura sabia que contava com a amiga para tudo.

"Bem... Posso vê-la?".

"Que pergunta! Ela é sua filha!".

                        Sorrindo, Sakura entrou na casa exuberante, lembrando-se a primeira vez que estivera ali. Amy, sua filha, tinha 5 meses de idade. Como quase todas as cortesãs da época, ela tomava algumas eras para se prevenir contra a gravidez, mas era inevitável que alguma vez tais medicamento falhassem. E não era raro que as prostitutas cometessem abortos. Sakura mesma já havia sofrido 2. Só que não conseguira matar a terceira filha. Por isso, pedira que Anita a legalizasse como filha. Jamais daria a Amy o destino que sua mãe dera a ela.

                        Subiu as escadarias e assim que chegou ao andar superior, subiu ao quarto que ficava no fim do corredor. Abriu a porta com cuidado, deliciando-se com o aroma infantil do ambiente. Fechou a porta atrás de si, e com delicadeza, aproximou-se do berço feito a ouro. Com os olhos brilhando de emoção, ela fitou a pequena menina.

                        Amy era, provavelmente, o único motivo de sua felicidade. Depois de alguns anos, sumiria para sempre da vida de sua filha. Mas até Amy compreender o porque de tudo aquilo, Sakura poderia desfrutar de alguns momentos com aquele anjinho. Vestida de branco e azul, o pequeno bebê estava com os grandes olhos abertos, em silêncio, observando seus movimentos. Sorriu.

"Boa noite, doçura", ela tocou a bochecha rosada,  e Amy abriu um doce sorriso. "Como está linda!'.

                        Pegando-a de seu berço, aconchegou a filhinha em seus braços, apreciando o leve movimento da mão pequena, que fechava em torno de seu dedo indicador. Quando Amy nascera, Sakura não controlava a emoção e chorava ao vê-la. Mas agora, depois de algum tempo, era bem mais fácil observar a filha sem derramar lágrimas. Conformada com a as situação, Sakura estava feliz só de saber que Amy teria um belo destino.

"Como tem passado seus dias, meu amor?".

                        Lembrou-se de uma canção, muito bonita, que sua mãe costumava lhe cantar quando era pequena.

"Sua avó tinha uma voz maravilhosa, querida", disse, acariciando os cabelos loiros que começavam a crescer na cabeça rosada. "Eu jamais poderei me igualar a ela".


 
I Still Remember

Eu Ainda Lembro

The World

Do Mundo

From The Eyes Of A Child

Visto Pelos Olhos De Uma Criança

Slowly Those Feelings

Aqueles Sentimentos Sutilmente

Where Clouded By What I Know Now

Foram Escondidos Pelo O Que Eu Sei Agora

Where Has My Heart Gone?

Para Onde Foi Meu Coração?

An Uneven Trade For The Real Word

Um Negócio Injusto Para O Mundo Real

Oh, I Want To Go Back To

Oh, Eu Quero Voltar

Believing In Everything And Knowing Nothing At All

A Acreditar Em Tudo E Não Saber De Nada

I Still Remember The Sun

Eu Ainda Me Lembro Do Sol

Always Warm On My Back

Sempre Quente Em Minhas Costas

Somehow It Seems Colder Now

De Algum Modo, Ele Parece Mais Frio Agora

Where Has My Heart Gone?

Para Onde Foi Meu Coração?

Trapped In The Eyes Of A Strange

Preso Nos Olhos De Um Estranho

Oh, I Want Go Back To

Oh, Eu Quero Voltar

Believing Everything

A Acreditar Em Tudo

Where Has My Heart Gone?

Para Onde Foi Meu Coração?

An Uneven Trade For The Real Word

Um Negócio Injusto Para O Mundo Real

Oh, I Want Go Back To

Oh, Eu Quero Voltar

Believing In Everything And Knowing Nothing At All

A Acreditar Em Tudo E Não Saber De Nada

Oh, Where?

Oh, Onde?

Where Has My Heart Gone?

Para Onde Foi Meu Coração?

Trapped In The Eyes Of A Strange

Preso Nos Olhos De Um Estranho

Oh, I Want To Go Back To

Oh, Eu Quero Voltar

Believing In Everything

A Acreditar Em Tudo

I Still Remember

Eu Ainda Lembro

                        Terminou de cantar e novamente sorriu. Campos Da Inocência. Esse era o nome da música. Ao olhar para a filha, notou que ela havia adormecido. Aquela canção também já embalara muitas de suas noites. Recolocou Amy no berço e beijou o topo de sua cabeça, antes de sair do quarto. Desceu as escadarias e encontrou Anita, sozinha.

"Onde está Matt?".

"Foi ver um negócio no meu piano", ela sorriu e lhe deu a mão, a guiando para a sala. "Venha, sente-se aqui do meu lado e me conte o que tem feito".

"Ora, nada de importante", ela sentou-se. Anita ficou com uma expressão aflita. "O que há?".

"Eu já fiquei sabendo do que houve com Tomoyo... Pobrezinha".

"Ela está arrasada", Sakura disse, ficando triste ao se lembrar do estado da prima.

                        A jovem a sua frente cruzou os braços em frente ao peito e pergunto, sisuda. "Sakura... Você conhece Tristan Sinclair".

"Sim, conheço".

"Ele não tem me deixado em paz".

                        Tristan? Com Anita? Era praticamente impossível. Eram diferente demais. Está certo, muitos tinham o conceito que os opostos se atraem, mas não era o caso de seus dois amigos. O conde era um homem de princípios, mas já havia comentado com ela que queria na sua esposa uma mulher que pudesse ser comandada. Já Anita afirmara muitas vezes que nunca se casaria. Deus! Deu um riso discreto, mas a moça de olhos castanhos notou.

"Ele veio com uma conversa suspeita de que queria que eu pintasse alguns quadros para um álbum de flores nativas na costa da Cornualha. Ainda afirmou que o editor dele havia exigido 15 ilustrações. E como eu tenho verdadeira paixão por pintura, ele decidiu que me contrataria. Mas essa história me pareceu tão esquisita. Por que ele me chamaria? Deve ter tantos contatos... Pintores que fariam essas obras com esmero".

                        Sim, suspeito mesmo. Tristan deveria estar querendo algo com a dama a sua frente, ou não faria todo esse alarde. Sempre dissera que não gostava de flores e que não havia nada mais monótono do que uma floricultura. Por que aquele súbito interesse? Nada disse. Apenas sorriu. O conde poderia estar interessado em Anita.

"Ah, não se preocupe com isso, Anita querida", ela afirmou, bastante tranqüila. "Tristan não é um homem que investe sua causa sem propósitos. Eu o conheço bem".

"Sim, deve conhecer", uma sombra triste passou pelos olhos de Anita. "Ele freqüenta bastante o Candy Pleasures?".

                        Tinha que ser sincera. Não podia dar a Tristan uma fama de puritano, quando ele se divertia muito no seu bordel. "Sim, freqüente. Mas é um bom homem".

"Ah, minha amiga... Quando conhecerei um homem que dê valor a mim?".

"Mas você mesma disse que não queria se casar", ela a encarou, confusa. "Não estou te entendo".

"Bobagens minhas".

                        Sakura não acreditou, mas também não replicou o doce suspiro de Anita. Levantou-se, com um sorriso. "Bem, eu já vou. Matt deve estar me esperando lá fora".

"Sempre será bem-vinda, amiga".

"Obrigada por tudo, Anita", abraçou a jovem. "Cuide de Amy".

"Vou cuidar!".

                        Anita a levou até a porta, e depois de sair, avistou Matt parado na calçada. Ele a viu e sorriu.

"Por que não entrou, Matt?".

"Estavam tendo uma conversa bastante particular", ele ofereceu a mão para ajudá-la a pular uma poça de lama. "Não queria me intrometer".

"O assunto era pessoal sim, mas duvido que fosse algo com que ficasse escandalizado", ela comentou.

"Não duvido de nada que venha de você, minha querida".

                        Sakura apenas sorriu com o tom de voz dele. Do outro lado da rua, um homem observava a dona do Candy Pleasures sair da residência da família Sayles. Intrigado, o conde de Alberville saiu das sombras assim que percebeu que não podia ser notado. Anita conhecia Sakura? Bem, tiraria suas dúvidas depois. Estava na hora de por seu plano em prática. Conquistar a pequena erudita não seria nada fácil...

Continua...

                        Ohayo, Minna-San!

                  Eu realmente sinto pela demora. Aconteceram problemas graves que eu tive que enfrentar. Mas agora acredito que poderei voltar ao ritmo. De qualquer jeito, minhas sinceras desculpas!

                  Ah, e outra coisa que eu gostaria de comentar. Tristan Sinclar e Anita Sayles fazem parte de um romance publicada nas bancas pela Nova Cultura. Sabe, aquele Sabrina, Bianca... Então, eles são personagens do livro "Por Justiça Ou Por Amor". Eu realmente adoro esses livrinhos, e como precisava de dois personagens carismáticos, eu os peguei!

                  Agora quanto ao reviews, eu quero agradecer imensamente a todos aqueles que deixaram comentários. Ainda não acredito que recebi 35 reviews em 2 capítulos! Arigatou, Minna-San!

Yoruki Hiiragizawa: Ser má é realmente o meu maior dom... Ou minha maior maldição, não sei ao certo dizer. Acredito que todos nós, escritores, tenhamos um anjinho e um diabinho do nosso lado. E ultimamente, meu diabinho está mais... mais... Solto... entende? Espere até saber o que vai acontecer no próximo cap.! Obrigado pelos elogios! Kisu No Jenny!

Miaka Hiiragizawa: Oi sobrinha, tudo bem? Ah, então espero que você seja a primeira a me mandar reviews em todos os meus fics futuros, viu? Espero que a cena do encontro do Syaoran e da Sakura tenha te agradado! Obrigada pelos elogios! Kisu No Jenny!

Lan Ayath: Ah, a mais novo escritora do arsenal Fanfiction.! Com toda a sinceridade, espero que tenha gostado do meu fic tanto quanto eu gostei do seu! Está muito bom mesmo, amiga! E sim, temos que nos encontrar no MSN, não é? Tenho tantas novidades para lhe contar!

Anaisa: Sim, muitas pessoas me sugeriram que eu assistisse esse filme, e eu vou fazer isso mesmo! Com o Jonny Deep... Apesar de ele estar meio feio... Ah, mas tudo bem! Gostou da minha conversa 'civilizada'? Espere as próximas! Kisu no Jenny-Ci!

Yume Rinku: Nossa... O.O Quantos AMEI! Fiquei muito contente que esteja gostando tanto assim do meu fic! Eu estava até pensando em fazer a Sakura ter uma forma mais recatada, mas aí, raciocinei. Uma dona de bordel, mesmo sendo a nossa princesa da meiguice, não pode ser tão doce assim, não é? Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!

Anna Lennox: Oi, Anninha, tudo bem? Não se preocupe quanto as questões de review, eu garanto a você que só o fato de ler e de gostar já me deixa muito contente! Parabéns pela nova fic, está divina! Eu realmente adorei e espero ansiosamente a continuação! Obrigada pelos elogios! Kisu No Jenny!

Carol Higurashi Li: Que bom que está gostando da minha história! Eu não escrevo tão bem assim... Mais ou menos! Ainda tenho muito o que aprender! Mas você, parece que escreve a anos! Nossa, eu adorei seu fic! Obrigada pelos elogios! Kisu No Jenny!

Bella-Chan: Ah, Bellinha, parece que instintivo! Eu simplesmente não consigo parar de fazer o Syaoran grosso. É tipo, uma mania! Ele doce, gentil, me parece tão... tão artificial. Você vai ver no meu próximo fic! Vai ter vontade de matar ele! Mas por enquanto, é segredo! Kisu No Jenny!

Kikyou Priestess: Bem, eu devo admitir que ficou um pouco monótono sim. Não era a minha intenção, mas nos primeiros capítulos, o fic ainda vai estar meio parado, numa fase de esclarecimentos. Acredito que no próximo, tudo comece a esquentar! E espero que você continue a me dar críticas! Muito gente não tem coragem de fazer isso! Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!

MeRRy-aNNe: Vou dar uma boa olhada nos seus fics e com certeza vou postar um review especial! Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!

Rafinha Himura Li: O fic ainda está meio confuso, sabe, alguns esclarecimentos, como porque Charity faz tudo isso, ficaram meio vagos. Serão mais explicados no decorrer da série. Ah, detestou a Charity? Não foi a única pessoa que me disse isso. Ela vai aprontar muitas, ainda! Bem, amiga, estava com saudade dos seus reviews enormes! E quero te elogiar também pelo seu novo fic, meus parabéns! Olhe no fim da página, por favor! Kisu no Jenny!

Violet-Tomoyo: Sabe, concordo plenamente com você. Apesar de achar que um fic não é muita coisa sem romance, devo admitir que se ele contém apenas um gênero, se torna cansativo. E como todas as ações girassem em torno do casal, entende? Sim, foi mais um capítulo de esclarecimentos. Os próximos, com toda a certeza, terão mais ação! Isso é uma promessa! Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!

ll:Kiki-chan:ll: Puxa, quando vi seu nome na minha lista de reviews, tive que me segurar para não cair da cadeira! Não tem idéia de como sou apaixonada por seus fics! Amo Inuyasha, e tenho certeza que nas mãos de uma ótima escritora como você, o Anime tem muito mais graça! Esse é o trabalho de um escritor de fanfiction, não é? Animar o povo que curte Anime como nós! Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!

Bruna: Bru, é o seguinte: Aquele romance que eu te indiquei é muito bom mesmo, mas é um Clássicos Históricos Especial. Para entendê-lo, você teria que ler outro, chamado: "Para Sempre Em Meu Coração". É que tudo que acontece no que eu te indiquei começa nesse que eu te falei agora. Se você me der o endereço, quem sabe eu não mande para você pelo correio. É claro, se isso não te incomodar! Dessa listinha que você disse gostar, eu prefiro A Bela E O Barão. Leio e releio todas noites! Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!

Hime Hayashi: Andava sumida, né, amiga? Bom, fico feliz que esteja de volta a ativa! Obrigada pelos elogios! Kisu no Jenny!

                        Bem, reviews respondidos! E aí, ficaram surpresos com a revelação de Sakura? Espero que sim, e o próximo capítulo esquenta! Querem saber porque?! Ah, mas terão que esperar! Como eu sou má! ^_^

                  A música que eu utilizei é Fields Of Innocence, Campos da Inocência, Evanescence. Daqui para frente, colocarei várias músicas nos meus fics! Espero que gostem!

Propaganda: Leiam o fic Reflexions Of Love, da minha grande amiga Rafinha Himura Li. Uma garota especial que está colocando sentimento e muito talento nesse fic doce e muito, mais muito especial! Eu simplesmente adorei, e tenho certeza que todos irão gostar!

Propaganda 2: Leiam Uma Chance Para Amar, da talentosa Anna Lennox! Está ainda bem no começo, mas promete um fic repleto de romance e de verdade que muitas vezes esquecemos de enxergar! Ela está colocando muito sentimento nesse fic especial, então, leiam!

                        Mensagem dada!

Kisu no Jenny-Ci!